13.2.05

UMA TARDE DE FESTA - Uma multidão parou o Leblon na tarde do último domingo para assistir e vibrar com o desfile do Monobloco, o bloco carnavalesco criado por Pedro Luis. A tarde estava linda. Um clima de festa e de alto astral parecia ter se debruçado sobre a cidade. Parecia que toda a zona sul estava atrás do Monobloco. A galera da Vinicius, a moçada do Castelinho, os bonitões do Country Club, os malucos-beleza do Posto Nove, as ninfetas da Garcia, os predadores do Posto Seis, a rapaziada da República do Perú... Ou seja, o desfile do Monobloco foi uma grande festa no Rio de Janeiro.


A multidão presente ao desfile deixou claro que o Rio precisa urgentemente de um Carnaval de rua. Infelizmente o carnaval aqui ainda fica totalmente concentrado na Marques de Sapucaí, que é aquele show para turista ver. O Carnaval de rua, como aquele de Salvador e Recife, ainda deixa muito a desejar. O próprio desfile do Monobloco foi um exemplo. Apesar de todo aquele público o grupo tocou apenas durante três horas. Começou às cinco e acabou às 8 horas. No final, não houve nem um DJ para animar a multidão que ficou parada em frente ao Country Club esperando que acontecesse alguma coisa. Depois foi todo mundo para casa bêbado e com um gosto de "quero mais" na boca.


Enquanto isso o Carnaval da Bahia vai ocupando espaços. Dia 25 de Fevereiro tem Chiclete com Banana no Claro Hall, promovendo a sua tradicional ressaca carnavalesca. E nos dias 5 e 6 de Março tem Micareta no Riocentro com Jammil e uma Noites, Banda Eva e outros blocos.


Durante o desfile do Monobloco encontrei a galera do Se num guenta porque veio?, bloco que estreou esse ano no Carnaval e eles prometeram agitar bastante no próximo ano. Estão buscando patrocínio pois no próximo ano querem apresentar um som mais produzido para os foliões.


Aliás, essa questão de patrocínio do Carnaval de rua é mais um desacerto do governo César Maia. O prefeito loteou toda a cidade com anúncios da VIVO disfarçado de decoração carnavalesca, mas não distribuiu os recursos com os blocos. A Banda de Ipanema quase não sai esse ano por falta de grana para pagar os músicos. E a Banda da Carmem Miranda deixou de desfilar pelo segundo ano consecutivo porque não havia a patrocínio. Isso no ano em que se comemora os cinquenta anos da morte da Pequena Notável.




A POESIA E O POETA – Um gênio da poesia contemporânea. Assim é o poeta Eucanãa Ferraz, um professor de literatura brasileira da UFRJ. Seu último livro de poemas, Rua do Mundo, foi escolhido pelo Prosa & Verso um dos melhores livros de 2004. Foi ele quem organizou Letra Só, o livro só com as letras de Caetano Veloso, publicado no Brasil e em Portugal. Para saborear esse início de Quaresma, nada melhor do que ler os poemas de Eucanãa, que são um requintado alimento para o espírito.

FURTO

Imagina que
um rapaz,
rapace, te roubasse o nome.
Tua carne, então, era só melodia.
Ainda que os espelhos
contassem teus olhos
e cabelos,
seguiria teu segredo,
intacto,
nas mãos do ladrão.
Serias não mais que
uma coisa bruta: a felicidade.
E, sobre ela,
um pássaro pousar
pudesse.




MAR MÍNIMO

Grandes são os marinheiros e os poetas
que fazem caber em seus versos
a glória de horizontes
inventados ou vividos e que,
em grandíloquo e corrente estilo,
erguem cidades magníficas,
domam línguas, contam-nos pélagos e obeliscos.
Mas que fazer da escama
que sobrasse após os mares,
agarrada à roupa mais que
Veneza ou Viena à memória?
Escutai: é nessa minúscula opalina
que muitos sabem o poema
- mais duas ou três palavras
e o martelo certo de fazê-lo.
Rotas magníficas, não mais,
nem quantas as maravilhas
(e cessem com elas os iluminados que contam
de terras por si mesmas lavradias).
O mar pode ser isto: o ar
dentro da concha. Dentro:
o sargaço, o barco, o sargo,
a enseada. Onde poderá ser mais belo
e largo? A onda bravia
sobre um grão de mostarda.




FORA CÉSAR - O prefeito César Maia vai aparecer no programa eleitoral do PFL como pré-candidato à Presidência da República. Deve ser algum factóide de humor negro. Lembremos aos eleitores incautos a situação catastrófica dos
hospitais municipais cariocas; o péssimo serviço de limpeza pública; os
parques abandonados com o capim crescendo solto; a indigência do carnaval
dos últimos anos; o Teatro Carlos Gomes sub-utilizado; os antigos elogios do
alcaide à Mussolini; sem esquecer as "espertezas" frustradas do museu
Guggenheim, do veículo leve sobre trilhos, do metrô Barra-Galeão (que uniria
o nada a lugar nenhum) e agora do Panamericano. César, nunca mais!

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