31.5.10

Guigui, o camisa 11 do Areia do Leme, comemorando a vitória do seu time.


O sorriso de Guigui, o príncipe do Leme, feliz com a sensacional vitória do Areia.


A vibração do elenco depois da cobrança de pênaltis.


Guigui concentrado durante a preleção.


O camisa 11 do Areia atento durante a cobrança do escanteio.


Os craques do Areia do Leme posando para a posteridade.




O REI DE COPACABANA – Guigui é um jogador tão bonito que merecia estar na seleção de Dunga. Seria tão bom que a nossa seleção tivesse um jogador bonito como ele! Seria mais gostoso de torcer. Mas não é só pela beleza que o camisa 11 do Areia do Leme merecia estar na seleção do Dunga. Guigui é um excelente jogador, um autêntico craque. Ele deu um show de bola, no último sábado, na final da Taça Marcio Banana de Futebol de Praia. Seu time, o Areia, venceu o temido Racing na disputa dos pênaltis e levou a taça para o Leme.


Copacabana teve um sábado glorioso. À tarde, houve a final do torneio que mobilizou a praia em frente a Rua Duvivier. À noite, houve o belíssimo concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira, um espetáculo inesquecível pela produção, pela qualidade musical, pelo bom gosto do repertório, pelo charme da platéia e pela noite de lua cheia que deu um clima todo especial ao evento.


A partida final do futebol de praia ganhou um incentivo especial com a entrevista do Governador Sergio Cabral, que no próprio sábado declarou ao jornal O Globo que havia sido campeão jogando pelo Força e Saúde, o time da Rua República do Peru. Naquela mesma tarde o time de aspirantes do Força e Saúde venceu o campeonato em sua categoria, jogando contra o Balança, time da Praia de Botafogo. Foi um jogo empolgante. A declaração do Governador foi o assunto durante os jogos e depois, nas comemorações que se espalharam pelos botequins de Copacabana que, com a proximidade da Copa, já respiram futebol.


A vitória do Areia do Leme foi justa e merecida. Além do talento e da tradição, o Areia do Leme tem os jogadores mais bonitos da praia. O Areia tem um futebol chique, elegante, aristocrata. Assim como é o bairro do Leme, um recanto do Rio que parece viver eternamente nos anos sessenta. Os moradores do Leme adoram seu time e estão sempre presente nos jogos fazendo uma torcida animada e barulhenta. Além disso, é um time organizado. Para angariar recursos para a equipe eles vendem produtos com a marca e as cores do time como chaveiros, copos de chope, bonés e camisetas.


A vitória do Areia do Leme frustrou os planos do Racing de ser o campeão do Torneio Marcio Banana. Racing é o time do ator Alexandre Sherman, filho do lendário produtor de TV Mauricio Sherman. Alexandre é louco por futebol e adotou o Racing como seu time do coração. Mas sua atuação como cartola gera muita polêmica no futebol de praia, por que ele paga aos jogadores para atuarem no seu time. Sherman tira os bons jogadores dos outros times oferecendo cachês, num universo onde todos jogam por paixão, por amor à camisa, para prestigiar sua rua, para elevar o seu bairro. Sendo assim, quando acabou o jogo entre o Areia e o Racing, os jogadores do time vencedor ficaram gritando em direção ao time perdedor: “Dinheiro não compra tudo! Dinheiro não compra futebol...” Sherman não viu essa cena. Ele ficou tão nervoso que não conseguiu assistir o jogo até o final. Foi para casa durante o segunto tempo e chorou quando um dos jogadores ligou para contar o resutado da final.


O futebol não é o fim do mundo. É algo muito maior do que isso...


(Fotos: Waldir Leite)

25.5.10

O apaixonado Ministro Orlando Silva beija a mulher Ana Petta na sua festa de aniversário. Não é lindo, o amor?



O "parabéns pra você" foi puxado por Martinho da Vila, amigo pessoal do Ministro e organizador da festa.


O detalhe do bolo com o logotipo das Olimpíadas de 2016 que vai ter o Rio como cenário.


O sambista Martinho da Vila posa para fotos com a espevitada Michelle Levy, a musa do hip hop do Posto Seis.


Orlando Silva, Elói Ferreira e Martinho da Vila. A presença do trio, mais Paulo Moura, Heraldo Pereira e outros afrodescendentes provocou o seguinte comentário de Michelle Levy: "Essa festa só tem negão poderoso".


Os Ministros Orlando Silva e José Gomes Temporão com as mulheres e mais o compositor Jorge Mautner.


Os meninos bonitos deram um toque de classe e um charme especial a festa em homenagem a Orlando Silva.


Orlando Silva entre Lindberg Farias e sua mulher Maria Antônia.


Lindberg Farias conversando com Ana Petta e o cineasta Adolfo Rosenthal. Foi Adolfo quem dirigiu o telefilme Uns Braços, adaptação de um conto de Machado de Assis, exibido na programação de fim de ano da Rede Record. Ana Petta foi a protagonista do especial.


Jaqueline do vôlei, Ana e Orlando.


A belíssima atriz Ana Petta e o anfitrião Martinho da Vila.


O Vice-Governador do Rio Luiz Fernando Pezão, com a mulher Maria Lúcia e o Presidente da Cedae Wagner Victer.


A produtora de cinema Paula Lavigne quis saber tudo sobre os novos projetos do cineasta Adolfo Rosenthal. Ele pretende dirigir uma série de filmes para a TV através de sua produtora independente Contém Conteúdo. "Quero resgatar aquele clima dos antigos casos especiais que a Globo infelizmente deixou de fazer".


Jaqueline do vôlei bateu longo papo com sua amiga Marília Guimarães.


O Petisco da Vila escalou seu melhor e mais bonito barman para servir caipirinhas de morango, caju e kiwi. Que delícia!


Wagner Victer deu ao colunista Ancelmo Góes o DVD com o clipe de Martinho da Vila cantando o Hino Nacional em ritmo de MPB. Uma produção da Cedae.


Colegas de trabalho e amigos na intimidade os Ministros Orlando Silva e Gomes Temporão.


Orlando Silva no lugar em que ele mais curtiu a festa: ao lado dos músicos.


Os meninos bonitos se deliciando com as guloseimas do Petisco da Vila.


Paula Lavigne também curtiu o buffet "made in Vila Isabel".


Paulo Moura, o músico brilhante, brindou os convidados com sua música e com sua elegância.


Adolfo Rosenthal também se esbaldou com o irresistível buffet do Petisco da Vila.


FESTA DE ANIVERSÁRIO - O Ministro do Esporte Orlando Silva nasceu na Bahia, fez sua carreira política em São Paulo, mas adora o Rio de Janeiro. Por isso escolheu a cidade para comemorar seus 39 anos. A idéia de fazer a festa no Rio foi de seu amigo pessoal, o cantor Martinho da Vila que, como o Ministro, é militante do PC do B. A comemoração foi na linda casa do Martinho, no Condomínio Quintas do Rio, na Barra. Foi a mulher do cantor, uma moça adorável chamada Cleo, quem organizou tudo. No quintal da casa, à beira da piscina, ela praticamente montou uma filial do botequim Petisco da Vila. O buffet tinha todas aquelas delícias tradicionais dos botequins do Rio: linguicinha, sardinha frita, ovo de codorna, mexilhões refogados, pastéis de tudo, bolinhos de bacalhau, moela ensopada e, é claro, lula ao vinagrete. Mas isso não foi tudo. No jantar foi servido um irresistível angu com ossobuco. Hummmmm...

Na casa do Martinho da Vila jamais teria música mecânica. A música era ao vivo. E que música! Um grupo de seresteiros amigos do compositor tocou a noite inteira. Músicos brilhantes que brindaram os convidados com o melhor da música brasileira. Logo o genial Paulo Moura chegou na festa e se juntou aos músicos. Tocaram tudo de Noel Rosa, afinal havia todo um clima voltado para o bairro de Vila Isabel. Também tocaram Ataulfo Alves, Lupiscínio Rodrigues e Cartola. Mas o melhor momento para mim foi quando eles tocaram Mora na Filosofia. Adoro essa canção.

Orlando Silva não saía do lado dos músicos. Ele recebia um convidado, cumprimentava outro, beliscava um petisco e logo corria para perto dos músicos, pegava o pandeiro e fica cantarolando alguma pérola da MPB. Num dado momento, quando a festa já estava pra lá de animada, todo mundo se reuniu em torno dos seresteiros e a festa virou um sarau. Nesse momento só deu o repertório de Martinho da Vila. Foi muito bacana quando o próprio Martinho começou a cantar seus sucessos acompanhado por um coro que incluía o Ministro da Igualdade Racial Elói Ferreira de Araújo, o colunista Ancelmo Góis, Jaqueline do vôlei, a locomotiva Michelle Levy e o apresentador do Jornal Nacional Heraldo Pereira, que é a simpatia em pessoa.

O Presidente da Cedae Wagner Victer apresentou no telão um clipe do Hino Nacional Brasileiro cantado por Martinho da Vila, com um arranjo que misturava o pop e o samba. Ficou genial. Já o Presidente do Vasco Roberto Dinamite chegou e saiu da festa acompanhado de Amaury Bitetti, o bonitão lutador de Jiu-Jitsu. Será que eles estão tendo um caso? Eu fiquei com essa impressão... Bitetti estava belíssimo, com a tez bronzeada, e me convidou para o torneio de Vale Tudo que ele está promovendo na próxima sexta-feira na Fundição Progresso. Roberto Dinamite levou uma camisa do Vasco para o Ministro. Wagner Victer, que chegou em seguida, não ficou atrás e deu duas camisas do Fluminense com o nome do aniversariante escrito nas costas.

Lindberg Farias, cada dia mais lindo, ficou trocando figurinhas com Jandira Feghali e com o vice-governador do Rio Luiz Fernando Pezão. O Ministro da Saúde José Gomes Temporão também marcou presença e deu um vinho de presente ao colega de ministério. Paula Lavigne bateu animado papo com Jorge Mautner. Carlos Artur Nuzman saiu cedo. Já o cineasta Adolfo Rosental, que dirigiu Ana Petta no telefilme Uns Braços, contou de seus próximos projetos. Enquanto isso a serelepe empresária Marília Guimarães (com o marido Eduardo Ebendinger) revelou que o cineasta Walter Salles vai produzir a versão cinematográfica do seu livro Nesta Terra, Nesse Instante, memórias da guerrilha durante a ditadura militar.

Jaqueline do vôlei foi muito paparicada por todo mundo, já que estava uma simpatia. Depois do "parabéns pra você", quando o Ministro cortou o bolo que tinha o símbolo das Olimpiadas do Rio, alguém sugeriu que fosse feito um discurso. Orlando não quis fazer discurso, sugeriu o seu colega Elói Ferreira que também não quis discursar e ficaram várias autoridades sugerindo umas as outras fazerem um discurso. Foi então que Martinho da Vila sugeriu que o discurso fosse feito por uma mulher e nomeou Jaqueline do vôlei para a missão. Todo mundo aplaudiu a sugestão de Martinho e logo ficou um silêncio. Todo mundo esperando que Jaqueline dissesse alguma coisa. A nossa atleta olímpica, surpresa e sem palavras, olhou para o Ministro e disse a seguinte frase: "Agora eu me fodi"! Gargalhadas gerais. Depois, refeita da surpresa, Jaqueline fez um lindo discurso em homenagem ao aniversariante.

Foi uma festa divertida e alto astral.


13.5.10


Na infância, o que se ouve ou o que se vê não sobe para o cérebro. Desce para o coração e aí fica escondido.

MENINO DE ENGENHO – A Editora José Olimpio está lançando a centésima edição de Menino de Engenho, de José Lins do Rego, um dos mais belos livros jé escritos em língua portuguesa. No próximo dia 20 vai ter até festa na Academia Brasileira de Letras para comemorar o lançamento. O livro merece. É um clássico indiscutível que atravessa gerações. Um momento mágico da literatura brasileira.


A primeira vez que li Menino de Engenho eu tinha quase dez anos e morava em Recife, como o protagonista do livro. Fiquei tão fascinado com o que li que, a partir de então, a literatura se tornou parte da minha vida. Havia a literatura, o jeito de contar a história, a magia que brotava da narrativa, a vivacidade dos personagens. Mas havia também uma identificação pessoal com aquele mundo, aquele cenário, aquela vida, aquele sotaque. Eu era um menino quando li o livro e aquilo me bateu muito forte, já que era um livro sobre a infância. Mas não era um livro sobre a infância idílica, como os livros de Monteiro Lobato, que eu estava acostumado a ler. Era um livro duro, que falava da vida real sem meias palavras, mas que, ao mesmo tempo, era carregado de poesia. Eu me via em Carlinhos, o personagem título. Fiquei tão fascinado que li o livro várias vezes, querendo com isso que ele nunca acabasse, que a história vivesse para sempre. Decorei para sempre a primeira frase do livro: “Eu tinha uns quatro anos no dia em que a minha mãe morreu”.


Menino de Engenho conta a história de Carlinhos da infância até a adolescência. Depois de uma tragédia na família, quando seu pai mata sua mãe, ele vai morar no interior de Pernambuco, no engenho do avô paterno. Ali Carlinhos tem uma vida livre, convivendo com a natureza, com os animais e com o cotidiano do engenho de cana de açúcar onde ainda se observa resquícios do tempo colonial e da escravidão. Numa narrativa onírica e carregada de lirismo Lins do Rego brinda o leitor com momentos de ternura, humor, emoção e fina literatura.
O meu pai nunca matou a minha mãe, mas não foi por falta de tentativas. Quando era criança algumas vezes fui levado por ele a um engenho de cana de açúcar em Ipojuca, no interior de Pernambuco. Meu pai ia a trabalho, mas ele também tinha uma razão muito pessoal para ir até lá: uma amante. Ele namorava a filha do dono do engenho e, para disfarçar, para minha mãe não ficar desconfiada, ele me levava junto com ele. Eu adorava ir ao engenho, que era exatamente como o livro descrevia. E era isso que me fascinava no livro. Eu tinha a sensação de ter vivido aquilo tudo.
Minha vida no engenho era uma maravilha. Eu adorava a natureza e, enquanto meu pai ou trabalhava, ou namorava a amante, eu me embrenhava pelo mato e ia curtir a natureza. Gostava de ouvir o canto dos pássaros no silêncio da floresta. Era tratado com carinho pelos empregados. Adorava a casa grande e o aroma de melado do lugar, igualzinho como Lins do Rego descreve no romance. Lembro que atrás da casa grande tinha uma pedra enorme, um morro, na verdade. Eu subia até lá em cima e ficava vendo o engenho lá do alto: a casa grande, as moendas, os galpões e as imensas plantações de cana de açúcar. Depois eu descia a pedra pelo outro lado e ali eu me deparava com um riacho onde eu ficava horas e horas mergulhando na água límpida, esquecido da vida, apreciando a doce convivencia com a natureza.
Uma das grandes lembranças que guardo dessa época era de um galpão onde os lavradores guardavam bananas. Era um galpão imenso e ali tinha uma montanha de bananas. Uma montanha imensa. E eu subia na montanha de bananas, sentava lá no alto e ficava comendo a fruta até não mais poder. A namorada do meu pai era uma moça bonita e me tratava com muita atenção e carinho. Ela me preparava lanches com caldo de cana e broa de milho e eu percebia que ela fica surpresa por eu tratá-la de modo gentil mesmo sabendo que ela era amante do meu pai. Mas eu sempre fui um garoto fino.
É claro que a minha mãe descobriu o caso do meu pai com a filha do dono do engenho. Ela sempre descobria as aventuras amorosas dele, que nunca foram poucas. Certa vez minha mãe veio me perguntar sobre a amante do meu pai e eu falei com doçura da pobre moça. Disse o quanto ela era gentil e bonita e como era gostoso o lanche que ela me preparava e servia na varanda da casa grande. Minha mãe ficou indignada, se sentindo duplamente traída. Naquele dia houve uma daquelas brigas furiosas entre ela e meu pai que sempre acabava em gritos, louças quebradas e pancadaria.


Foi depois de um desses inesquecíveis passeios no engenho que meu pai chegou em casa com esse livro e me deu de presente. Eu era um menino estudioso, tirava ótimas notas na escola e adorava ler. De pronto comecei a ler o romance e tive uma experiência literária única. Lendo aquela história, ainda menino, parecia que eu estava lendo a história da minha vida.


MENINO DE ENGENHO - Trechos:

Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã me acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia. Corri para lá, e vi minha mãe estendida no chão e meu pai caído em cima dela como um louco. A gente toda que estava ali olhava para o quadro como se estivesse em um espetáculo. Vi então que minha mãe estava toda banhada em sangue, e corri para beijá-la , quando me pegaram pelo braço com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas não me deixaram fazer nada. Um homem que chegou com uns soldados mandou então que todos saíssem, que só podia ficar ali a polícia e mais ninguém. Levaram-me para o fundo de casa, onde os comentários sobre o fato eram os mais variados. O criado, pálido, contava que ainda dormia quando ouvira uns tiros no primeiro andar. E, correndo para cima, vira o meu pai com o revólver na mão e minha mãe ensangüentada. “O doutor matou a dona Clarisse!” Por quê? Ninguém sabia compreender.

Era um menino triste. Gostava de saltar com os meus primos e fazer tudo o que eles faziam. Metia-me com os moleques por toda parte. Mas, no fundo, era um menino triste. Às vezes dava para pensar comigo mesmo, e solitário andava por debaixo das árvores da horta, ouvindo sozinho a cantoria dos pássaros.

Concorríamos no amor com os touros e os pais de chiqueiro. Tínhamos as nossas cabras e as nossas vacas para encontros de lubricidade. A promiscuidade selvagem no curral arrastava a nossa infância às experiências de prazeres que não tínhamos idade de gozar. Era apenas uma buliçosa curiosidade de menino, a mesma curiosidade que nos levava a ver o que andava por dentro dos brinquedos.

Tinha um medo doentio da morte. Aquilo de gente apodrecer debaixo da terra, ser comido pelos tapurus, me parecia incompreensível. Todo mundo tinha que morrer. As negras diziam que alguns ficavam para semente. Eu me desejava entre esses felizardos.

Tinha uns 12 anos quando conheci uma mulher, como homem. Andava atrás dela, beirando a sua tapera de palha, numa ânsia misturada de medo e de vergonha. Zefa Cajá era a grande mundana dos cabras do eito. Não me queria. “Vá se ccriar, menino enxerido”. Mas eu ficava por perto, olhando para a mulata com vontade mesmo de fazer coisa ruim. Ficou comigo uma porção de vezes. Levava as coisas do engenho para ela. Pedaços de carne, queijo roubado do armário; dava-lhe o dinheiro que o meu avô deixava por cima das mesas. Ela me acariciava com uma voracidade animal de amor: dizia que eu tinha gosto de leite na boca e me queria comer como uma fruta de vez.
Fotos: Waldir Leite

10.5.10

Depois da ingratidão, a coisa mais dolorosa de suportar é a gratidão.


QUEM FOI MARCIO BANANA?Um apaixonado pelo futebol de praia. Assim se pode definir Marcio Banana, o veterano jogador das areias de Copacabana, que morreu no início de Março. Ele era tão querido que, ao tomar conhecimento de sua morte, os atletas e cartolas resolveram lhe homenagear dando o seu nome ao atual torneio de futebol de praia: Taça Marcio Banana. Marcio era um garoto pobre de Botafogo que começou a jogar futebol de praia na infância e sua identificação com o esporte foi total, tanto que ali fez amigos e construiu sua vida, o seu mundo.


Sua fase áurea foi na época do Lá Vai Bola. Foi nesse time, hoje desativado, que ele mais se destacou como jogador. Além de suas jogadas precisas e dribles maliciosos, Marcio se destacava por um detalhe inusitado: ele jogava de óculos. Tinha miopia e aversão a lentes de contato. Mas nunca permitiu que sua deficiência visual interferisse no seu amor ao futebol. Por isso jogava de óculos. Para que os óculos não caíssem durante o jogo, ele os amarrava com um cordão de borracha e partia pra cima dos adversários. Assim ele também ficou conhecido como “Marcio dos óclinhos”.


Mas a atuação de Marcio não era apenas dentro de campo. Ele gostava de atuar na organização dos torneios e dar aulas nas escolinhas de futebol para crianças. Thiago, um jovem craque do Copaleme, ficou muito emocionado quando soube da morte do companheiro. “O Marcio foi meu professor na escolinha de futebol de praia quando eu era garoto. Foi com ele que eu comecei a jogar bola. Vou sempre lembrar dele como meu professor”, disse Thiago, com os olhos verdes cheio de lágrimas.


Ainda bem jovem, numa época em que os blogs nem existiam, Marcio teve a idéia de publicar um jornal com as noticias sobre o futebol de praia. E foi assim que surgiu O Tatuí, uma projeto que ele realizou com muito empenho. Conseguiu patrocínio, publicidade, gráfica e, periódicamente, O Tatuí era distribuído gratuitamente nos torneios e jogos oficiais.




Quando o Lá Vai Bola foi desativado, os jogadores desse time migraram para o Copacabana Praia Clube, time da Rua Duvivier. Márcio foi um desses jogadores. Foi atleta do time durante anos e, quando parou de jogar, continuou na equipe como cartola, conselheiro e treinador. Assim Marcio escreveu sua história no esporte, graças a sua paixão e ao seu temperamento afável e gentil.


No final no ano passado, um pouco antes do Natal, Marcio passou mal e foi parar no Hospital Miguel Couto. Ficou internado até um pouco antes do reveillon. Lá foi constatado que Marcio estava com sérios problemas nos rins e que precisava fazer hemodiálise o resto da vida. Claro que aquilo foi um choque. O médico determinou uma série de restrições ao atleta e o proibiu de usar bebidas alcoólicas. Ora bolas! Uma das grandes alegrias do Marcio era beber com os companheiros depois dos jogos. No início ele tentou manter uma disciplina com relação às recomendações dos médicos, mas logo desistiu.


No sábado, 27 de Fevereiro, houve um amistoso entre o Copacabana Praia Clube e o Força e Saúde, time da Rua República do Peru. Antes do jogo Marcio fez a preleção do seu time com muita paixão, como sempre. Vibrou com cada jogada e ficou do lado de fora do campo dando toques para os jogadores, orientando cada jogada. Apesar de ter acabado 0 x 0 foi uma excelente partida, recheada de boas jogadas, já que as equipes são grandes rivais. Depois do jogo ele disse que estava preparando uma nova edição do jornal O Tatuí, e que esse ano o jornal ia voltar a ser publicado em grande estilo.


Depois do jogo os atletas do Copacabana foram para o bar Pavão Azul, na Rua Duvivier, ponto de encontro das comemorações do time. E nesse dia Marcio se recusou a cumprir as recomendações médicas e voltou a beber. Seus amigos tentaram impedir que ele fizesse essa loucura. Houve uma breve discussão, mas Marcio se manteve firme. E afirmou que estava a fim de viver sua vida até quando desse. Nesse dia ele bebeu o quanto pôde. E nos dias seguintes ele foi visto bebendo nos bares de Copacabana na hora em que devia estar fazendo a hemodiálise. No dia 5 de Março, às vésperas de mais um jogo do seu time, ele passou mal e foi levado ao hospital onde morreu vítima de uma parada cardíaca.

6.5.10


O homem audacioso vence os perigos antes de os receber.

TRAIÇÃO EM VENEZA - Às vezes a inteligencia e a sofisticação de pensamento cansam um pouco a minha beleza. Admiro muito a profundidade de Platão e Descartes. Gosto de ler os textos dos grandes filósofos mas, às vezes, para relaxar a mente, busco a leitura de um desses autores menos ambiciosos, que escrevem apenas pelo prazer de exercitar a imaginação e contar uma boa história. Nada de querer descobrir uma nova fórmula da pólvora ou achar chifre em cabeça de cavalo, como fazem certos astros do pensamento. Ufa! Por isso tenho me dedicado a ler o novo livro de Steve Berry, lançado pela Editora Record chamado Traição em Veneza.

Steve Berry é um clone de Dan Brown. Um escritor de best sellers que escreve historias apenas para divertir seus leitores. Histórias de suspense e ação, onde o herói sempre se envolve com organizações misteriosas ligadas a segredos de antigas civilizações. É o mesmo princípio que norteia a literatura de Dan Brown. Tem algo de fútil e comercial, mas quando esses elementos são manipulados com talento, resultam em boa diversão.

Traição em Veneza, o novo de Steve Berry, tem essas características. A trama envolve um enigma que leva a um fluido escondido no túmulo de Alexandre, o Grande e que, nos dias de hoje, pode provocar uma guerra bacteriológica. O herói do livro, Cotton Malone, é um negociante de livros raros que já foi agente do Departamento de Justiça americano e precisa impedir que o enigma caia nas mãos de uma ambiciosa revolucionária da antiga União Soviética, interessada em provocar um grande conflito internacional. Ufa!

Tenho me divertido com a narrativa de Steve Baerry, que é um autor por quem tenho especial apreço. É que na época em que eu era crítico literário do Caderno B, do Jornal do Brasil (na época em que Ziraldo foi o editor) a Editora Record lançou o primeiro livro dele no Brasil e eu fiz a crítica para o JB. O livro era O Terceiro Segredo. Então quando foi lançado o segundo livro do autor, A profecia Romanov, a editora publicou um trecho da minha crítica na contracapa. Desde então eu acompanho com interesse toda a produção literária de Steve Berry. Traição em Veneza é seu quarto livro publicado no Brasil.


NASCI PARA CHORAR - Toni Platão, o rei da voz, está dando show no You Tube. Trechos do show que o artista fez na Caixa Cultural estão bombando na internet. Sua voz continua incrível. Seu estilo de cantar, único. Sua banda é fantástica. Toni continua sendo o maior de todos os cantores do Brasil. Escute:

Nasci Para Chorar:

The Man Who Sold The World:

Mammy Blue: