29.4.15




BARCELONA BEACH SOCCER CUP - Higor Matos é atleta do Flamengo na modalidade beach soccer. Junto com o time ele embarcou para a Espanha a fim de disputar o Barcelona Beach Soccer Cup. Agora que está chegando o verão europeu, começam a surgir muitos torneios nas praias da Europa. Antes de pegar o avião, Higor se despediu do Rio curtindo esse lindo entardecer. Vai querer voltar logo...

O Flamengo é o único time brasileiro na competição e estreia jogando contra o Valencia. Também estão disputando o torneio times como o Boca Juniors, da Argentina; o Lokomotiv, da Rússia; e o Bate Berisov, da Bielorússia, entre outros.

 

22.4.15



AS PANTERAS - As mocinhas Fernanda Montenegro, Natália Thimberg e Tonia Carrero, numa foto de 1969, quando fizeram juntas a novela Sangue do Meu Sangue, na extinta TV Excelsior, de São Paulo. Nessa época elas já eram divas do teatro e da TV quando foram convidadas pelo autor Vicente Sesso para dar um toque de classe à sua novela, ambientada no Brasil do século 19, nos tempos do segundo reinado. Com elegantes vestidos de época, as três brilharam ao lado do galã Francisco Cuoco. Certamente Fernanda e Natália jamais imaginariam que mais de quarenta anos depois de Sangue do Meu Sangue estariam fazendo um badalado par romântico em Babilônia, no horário nobre da Rede Globo.
  

17.4.15



A JUSTIÇA EM ESTADO PURO - Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prêmio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua ideia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre! (Sêneca)




A LIBERDADE E A JUSTIÇA - A revolução do século XX separou arbitrariamente, para fins desmesurados de conquista, duas noções inseparáveis. A liberdade absoluta mete a justiça a ridículo. A justiça absoluta nega a liberdade. Para serem fecundas, as duas noções devem descobrir os seus limites uma dentro da outra. Nenhum homem considera livre a sua condição se ela não for ao mesmo tempo justa, nem justa se não for livre. Precisamente, não pode conceber-se a liberdade sem o poder de clarificar o justo e o injusto, de reivindicar todo o ser em nome de uma parcela de ser que se recusa a extinguir-se. Finalmente, tem de haver uma justiça, embora bem diferente, para se restaurar a liberdade, único valor imperecível da história. Os homens só morrem bem quando o fizeram pela liberdade: pois, nessa altura, não acreditavam que morressem por completo. (Albert Camus)





Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente. (Sócrates)








O HOMEM MAGNÂNIMO - O homem magnânimo deseja ocupar-se de poucas coisas, e estas têm de ser verdadeiramente grandes aos seus próprios olhos, e não porque outros assim pensem. Para o homem dotado de uma alma grande, a opinião solitária de um único homem bom conta mais que a opinião de uma multidão. Foi o que disse Antífon, após a sua condenação, quando Agatão o cumprimentou pelo brilho de sua autodefesa. (Aristóteles)









O HOMEM PERFEITO - A virtude subdivide-se em quatro aspectos: refrear os desejos, dominar o medo, tomar as decisões adequadas, dar a cada um o que lhe é devido. Concebemos assim as noções de temperança, de coragem, de prudência e de justiça, cada qual comportando os seus deveres específicos. A partir de quê, então, concebemos nós a virtude? O que se nos revela é a ordem por ela própria estabelecida, o decoro, a firmeza de princípios, a total harmonia de todos os seus atos, a grandeza que a eleva acima de todas as contingências. A partir daqui concebemos o ideal de uma vida feliz, fluindo segundo um curso inalterável, com total domínio sobre si mesma. E como é que este ideal aparece aos nossos olhos? Vou dizer-te. O homem perfeito, possuidor da virtude, nunca se queixa da fortuna, nunca aceita os acontecimentos de mau humor, pelo contrário, convicto de ser um cidadão do universo, um soldado pronto a tudo, aceita as dificuldades como uma missão que lhes é confiada. Não se revolta ante as desgraças como se elas fossem um mal originado pelo azar, mas como uma tarefa de que ele é encarregado. «Suceda o que suceder», — diz ele — «o caso é comigo; por muito áspera e dura que seja a situação, tenho de dar o meu melhor!» Um homem que nunca se queixa dos seus males nem se lamenta do destino, temos forçosamente de julgá-lo um grande homem! Tal homem dá a conhecer a muitos outros a massa de que é feito, brilha tal como um archote no meio das trevas, atrai para junto de si todas as almas, dada a sua impassível tranquilidade, a sua completa equanimidade para com o divino e o humano. Tal homem possui uma alma perfeita, levada ao máximo das suas potencialidades, tal que acima dela nada há senão a inteligência divina, uma parte da qual, aliás, transitou até este peito mortal. E nada há de mais divino para o homem do que meditar na sua mortalidade, consciencializar-se de que o homem nasce para ao fim de algum tempo deixar esta vida, perceber que o nosso corpo não é uma morada fixa, mas uma estalagem onde só se pode permanecer por breve tempo, uma estalagem de que é preciso sair quando percebemos que estamos a ser pesados ao estalajadeiro. - (Sêneca)


Juiz Sérgio Fernando Moro


15.4.15





A BALADA DO POBRE JEAN - Finalmente estreia nos cinemas Casa Grande, um dos destaques da última edição do Festival do Rio. Na verdade o filme foi esnobado pela comissão julgadora que tinha, entre outros, o diretor Karim Anouiz e a atriz Malu Mader. Mas, se os jurados não quiseram dar nenhum prêmio, o público pensou diferente e escolheu Casa Grande como o melhor filme do festival. A verdade é que a última edição do Festival do Rio teve uma seleção incrível de filmes brasileiros: Sangue Azul, Obra, O fim e os meios, Ausência, O outro lado do paraíso e O último cine drive-in, entre outros.  E Casa Grande é o primeiro desses filmes a entrar no circutio comercial.

Casa Grande é original na sua concepção e na sua ambição de retratar o Brasil dos dias de hoje. Mostra a decadência de uma família rica, cujo patriarca esteve envolvido num desses escândalos envolvendo empreiteiras e desvios de dinheiro público. Com um humor que às vezes lembra os filmes de Woody Allen, o  filme mostra a desconstrução de uma família de ex-ricos e sua descoberta da existência da chamada classe C. É político sem ser panfletário.  Um excelente roteiro, recheado de belos diálogos. Um elenco muito bem escalado. E Fellipe Barbosa, um diretor seguro e ousado, que aponta novos caminhos para o cinema brasileiro. Agora, depois de participar de diversos festivais no exterior, onde foi exibido com o título de "The ballad of poor Jean", o filme entra em circuito em 12 cidades brasileiras. Veja quais os cinemas de todo o Brasil clicando AQUI

Meu bonequinho aplaudiu de pé.  



12.4.15




O amor. Claro, o amor. Fogo e chamas por um ano, cinzas por trinta. Ele bem sabia o que era o amor. (O leopardo, de Lampedusa)


O MAGNÍFICO LAMPEDUSA - Em meio a infinita série de escândalos de todos os níveis envolvendo políticos brasileiros, tem aparecido como uma possível solução para a crise sem fim, a realização de uma reforma política. Ai meus sais!, diria o saudoso jornalista Tarso de Castro. O elenco que defende  a tal reforma nem sabe disso, mas tem como guru o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Aliás, de todos os que defendem a reforma política, um deles sabe muito bem quem é o Lampedusa: Fernando Henrique Cardoso. Ele. Sempre ele! O culpado de tudo! Lampedusa é, praticamente, um guru de FHC, que sempre seguiu fielmente a máxima do personagem principal do livro O Leopardo, a obra prima do escritor: "Tudo deve mudar para que tudo fique como está".

Esse é o objetivo da pretensa reforma política: tudo deve mudar para que tudo fique como está. FHC segue essa máxima desde sempre. Ele é praticamente a encarnação do personagem D. Fabrizio, o protagonista do romance, um aristocrata que prevê sua decadência quando Garibaldi começa a luta pela unificação da Itália. Mas, através de uma manobra astuta o sujeito consegue se manter no topo quando "mudanças" acontecem na política italiana. Tudo graças a seu ardiloso sobrinho Falconeri, que pronuncia a frase que deu fama ao livro e que se tornou uma espécie de epitáfio do pensamento do escritor. 

"A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".

 
O romance de Lampedusa foi adaptado para o cinema por Luchino Visconti, um dos grandes do cinema italiano. Numa produção realizada com extremo requinte, o diretor reuniu no mesmo elenco Alain Delon e Claudia Cardinale, ambos no auge da beleza e da juventude. Além de Burt Lancaster, Romolo Valli, Pierre Clementi e Giuliano Gemma. O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1963. Vale a pena ler o livro ou ver o filme, para entender com mais clareza o que se passa no Brasil de hoje.   




11.4.15




Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade, utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem descobrirá o fogo.






O grande amigo não é o que vem separar a briga, mas sim aquele que chega dando a voadora.


UMA LÁGRIMA PARA BÁRBARA HELIODORA - Eu adorava Bárbara Heliodora. Ao contrário de Geraldo Góes Antunes Júnior Filho,  personagem principal da peça Bárbara não lhe adora, de Henrique Tavares. O personagem é um diretor que se acha genial e fica tão abalado depois de receber uma avaliação negativa da sua peça que resolve sequestrar a crítica. O espetáculo falava dos bastidores do teatro e da relação entre artistas e críticos. Mas, mais do que isso, era uma homenagem a Bárbara Heliodora. Ela foi assistir ao espetáculo e fez uma crítica positiva que alavancou o sucesso da peça que lhe homenageava. 

Sempre li com atenção e curiosidade suas críticas. Mesmo quando não concordava com o que ela escrevia, eu respeitava e considerava sua opinião. Muitas vezes ficava imaginando a reação dos artistas aos seus comentários implacáveis. E isso sempre me divertia. Nos anos 90, quando ela foi hospitalizada para tratar uma pneumonia Gerald Thomas disse numa entrevista: "A Bárbara Heliodora foi hospitalizada para tratar mais uma pneumonia. Espero que esta seja a definitiva".  

O diretor Marcos Alvisi sofreu muito com as críticas dela. De todas as peças que dirigiu, nenhuma mereceu uma crítica favorável. "Essa bruxa só fala bem de quem é da patota dela", me disse ele certa vez, cheio de mágoa. De todas as críticas negativas que lhe fez, certamente a que mais doeu foi a do espetáculo Colombo, que ele dirigiu com o saudoso ator Rubens Correa, com um belíssimo cenário do Gringo Cardia e Duse Nacaratti interpretando uma sereia. Foi na época do centenário de Cristovão Colombo. Acompanhei a produção da peça e vi o esforço do Alvisi para montar o espetáculo, cujo resultado achei brilhante. Mas dona Bárbara não teve a mesma opinião e arrasou com a peça. Sua crítica foi implacável, dura e cruel.

Em compensação ela sempre foi generosa com as peças do meu querido Mauro Rasi. Entendia o trabalho dele e, com algumas poucas exceções, sempre lhe reservava excelentes críticas. Certa vez o Mauro deu uma grande festa no Copacabana Palace, para lançar um livro com o texto de três das suas peças: Cerimônia do Adeus, Viagem a Forli e A estrela do lar. E Bárbara Heliodora estava lá, acompanhada de sua grande amiga Jaqueline Laurence. Bárbara foi a autora do prefácio do livro. Quando a vi, não resisti e pedi um autógrafo. "Tem certeza que você quer que eu lhe dê um autógrafo?", ela me perguntou com um sorriso largo e uma taça de champanhe na mão. A partir daí começamos a conversar. Eu lhe disse o quanto a admirava e me divertia com suas críticas e elogiei o Mauro Rasi. E ela ressaltou que o Mauro era o único dramaturgo brasileiro, contemporâneo, com uma obra consistente e uma dramaturgia própria. "O teatro brasileiro precisa de mais dramaturgos".

Eu sempre a encontrava nas estreias e perguntava o que ela tinha achado das peças. "Vai arrasar com esse espetáculo?", eu perguntava. E ela sorria antes de me dizer: "Não seja apressado. Aguarde minha crítica". Na estreia da peça Macbeth, com a Renata Sorrah, ela não me deixou esperar pela crítica no jornal e me deu sua avaliação em primeira mão. "É uma excelente montagem". Nesse dia eu pedi para fazer uma foto dela. "Você tem certeza que quer me fotografar? Vai estragar sua câmera", ela falou, já fazendo uma pose.

Já estou sentindo saudades, minha querida...

Descanse em paz...

 

5.4.15


"Se alguém quiser te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo." (Mario Quintana)

Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor.



POESIA NO OUTONO - Eucanãa Ferraz agita a literatura brasileira com o lançamento de "Escuta", seu novo livro de poemas, dia 16 de Abril, na Travessa de Ipanema. O poeta carioca já publicou livros que são verdadeiros clássicos da poesia brasileira: Desassombro, Cinemateca e Rua do Mundo, entre outros. Divide com Antonio Cícero a responsabilidade de serem herdeiros de Carlos Drummond de Andrade, no que diz respeito à verdade de seus escritos poéticos. Sua poesia é brilhante, vivaz. E um novo livro desse autor será sempre um acontecimento dentro do universo literário do Brasil. Eucanãa sabe manipular as palavras com encanto e magia e o resultado da sua criação sempre se transforma em aprendizado e emoção para quem lê. 

"Agora, é preciso que me mates. Eu te disse 
 uma vez: quero que me mates. E peço mais, 
 que sobre o defunto dances sonhes cantes
 rias para que sobre o chão não paire
 nada menos que a tua alegria".

No livro "Escuta" o poeta promete aos seus leitores levar poesia as tragédias do cotidiano, aos conflitos bélicos e aos confrontos inevitáveis que fazem parte da existência humana. Mas também vai temperar seus escritos com exemplos de alegria, ternura e lirismo, sem abrir mão da ironia e do deboche sutil.

"Porque a mulher disse ao homem 
vá ver se eu estou na esquina 
ele foi.
E lá estava ela. Na esquina. 
Só que mais leve mais doce mais bonita. 
Dali mesmo foram juntos
 comprar cigarros para sempre".

1.4.15


A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.


O homem não é mais do que a série dos seus atos.


ROMANCE NOIR - Rio Negro 50 é uma história policial que retrata a vida carioca sob o ponto de vista da população negra da cidade. O autor, Nei Lopes, é um sujeito incrível. Além de romancista e compositor é pesquisador da cultura negra na vida brasileira, com vários títulos publicados sobre o tema, entre eles o Novo Dicionário Banto do Brasil. Rio Negro, 50 é um romance saboroso, que começa com um crime de conotações racistas, que acontece no dia em que a seleção brasileira perde a Copa de 1950. A partir daí o livro retrata a vida dos negros no Rio de Janeiro daqueles tempos. Um livro charmoso e envolvente.   


Nada de grande se realizou no mundo sem paixão.

MORA NA FILOSOFIA - Note-se, antes de mais nada, que se requer num povo certo grau de cultura intelectual para que se possa filosofar. Diz Aristóteles que "o homem começa a filosofar depois de ter provido às necessidades da vida". Visto a filosofia ser atividade livre, não egoística, e sobrevir com o desaparecimento das angústias e necessidades, o espírito deve estar temperado, elevado e revigorado em si mesmo. Importa que as paixões se encontrem amortecidas, e que a consciência tenha progredido ao ponto de poder pensar o universal. Pelo que, a filosofia pode considerar-se uma espécie de luxo, se por luxo entendemos aqueles gozos e ocupações que não concernem às primeiras urgentes necessidades exteriores enquanto tais. Deste ponto de vista, a filosofia é, sem dúvida, supérflua. Mas a dificuldade está em saber o que é o necessário e o supérfluo: do ponto de vista do espírito, a filosofia é o que há de mais indispensável.

(Hegel)