29.8.15



































PELA MEMÓRIA DE STUART ANGEL - Muita emoção e solidariedade na inauguração do busto de Stuart Angel, atleta do Flamengo e filho da estilista Zuzu Angel, A escultura foi feita por Edgar Duvivier e está localizada  na confluência das avenidas Venceslau Braz e Pasteur, no início da ciclovia que já leva o nome do guerrilheiro que combateu a ditadura no Brasil. Jovem idealista e sonhador, Stuart foi à luta por um Brasil melhor, mas foi capturado por uma ala mais radical dos militares. Preso, foi barbaramente torturado, pois seus algozes queriam que ele revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca. Destemido e corajoso, preferiu a morte a ter que revelar o esconderijo do companheiro. Seu corpo jamais foi encontrado.

Mas quem olhar a escultura em homenagem a esse mártir, vai vê-lo belo e feliz. O artista Edgar Duvivier fez uma escultura que o mostra jovial, feliz, sorrindo. E quem olhava para o busto de bronze durante a cerimônia de inauguração tinha a impressão que ele estava ali presente, feliz com a homenagem. Muito emocionada sua irmã, a jornalista Hildegard Angel, agradeceu a presença de todos: amigos da família e alguns senhores que foram colegas de faculdade do Stuart e que relembravam histórias da época da faculdade e dos tempos em que ele era atleta do remo, vestindo a camisa do Flamengo. Eliana Pittman saudou o homenageado cantando Cidade Maravilhosa. E o empresário Francis Bogosian encerrou a cerimônia com uma frase que deu o que pensar: "Diga não à ditadura. Seja ela de direita, seja ela de esquerda".

 

26.8.15



A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem para em qualquer topada.


A NOVA VOZ DO REGGAE - Sua música é irresistível. Assim como era a música de Bob Marley. Natural de Kingston, a capital da Jamaica, surge Koro Fyah, com um som de estilo único que vai fundo nas tradições do reggae e flerta com o Hip Hop e o Dancehall, estilo musical popular jamaicano surgido no fim dos anos 70. As letras tem mensagens pacifistas e prega a liberdade. Começou a fazedr musica muito cedo, influenciado por Peter Tosh e pelas canções de Stevie Wonder e Marvin Gaye que ouvia sua mãe cantando quando criança. Desde 2007 tocou em varias bandas até que decidiu se lançar numa careira solo. Ano passado lançou "New Day", sucesso instantâneo entre os fãs do reggae. Sua nova música "Red Eyes" acaba de chegar ao You Tube através de um videoclipe atrevido que celebra e cultua a marijuana, como é comum na Jamaica. Olha só...


23.8.15




















Uma obra de arte é o resultado excepcional de um temperamento excepcional.


CRIME PASSIONAL - O rock que vem de Seattle, nos Estados Unidos, ganha sangue novo com a banda A Crime of Passion, O grunge não morreu com Kurt Kobain, o ídolo do Nirvana. O rock visceral, com forte tom existencialista, que fez o sucesso de bandas como Alice in Chains, Pearl Jam, Soungarden e Mudhoney, ressurge na música heavy metal e no conceito pop do grupo A Crime of Passion.  

A banda existe desde 2010. Mas só a partir de 2012 os músicos começaram a lançar suas próprias músicas na internet, instigados pelo sucesso das apresentações ao vivo em bares e clubes. É formada pelo vocalista Thor Grant, George Williams na guitarra, Christopher Johnson na bateria, Timonthy Reel no baixo e Caete Nicholson na guitarra e nos vocais. Artistas que surgiram sob a influência do chamado grunge, o estilo de rock que deu fama a Seattle, a chuvosa cidade americana, que vive nublada durante oito meses por ano. 

2015 está sendo o ano da explosão do A Crime of Passion, que caiu no gosto da juventude local, tocando uma música que transita do puro e simples Rock até o Hard Rock, passando pelo Progressive Metal,  Extreme Metal, e pelo Melodic Metal. Eles pegam pesado nos arranjos, nos riffs das guitarras e nos vocais angustiados, como se, através da música, pudessem fugir do tédio, da melancolia e da perplexidade diante da vida. Há algo de sinfônico no estilo heavy da banda. Um estilo que celebra a força e a magia de Seattle como um templo do rock do século 21.

Clique AQUI e escute o som de A Crime of Passion. Músicas como "Elagabalus", "Epoch", "Philippine Dream", "The hideous dance begins", "Relics", entre outras. Destaque para "Transcend", um tema instrumental de grande beleza.

A banda acaba de lançar o videoclipe da música "A drowning", um filme de imagens sufocantes, que traduz com perfeição a sensação de desespero transmitida pela música. Assista...



19.8.15



















UMA NOITE COM TONI PLATÃO - Foi no elegante auditório do Centro Cultural de Furnas que o cantor Toni Platão fez o primeiro show de lançamento de LOV,seu novo CD. LOV são os iniciais da expressão em latim Labor Omnia Vinci,  "o trabalho tudo vence", como ele mesmo explicou durante o show. E disse que a citação em latim não tem nada a ver com o fato dele ter o como sobrenome o nome do filósofo grego. "A citação em latim é porque eu sempre li muito Asterix", disse, entre uma música e outra. No repertório do CD basicamente músicas do novo disco e alguns sucessos antigos como Negro Amor e Movimento dos Barcos.

Na verdade a apresentação do show fazia parte da gravação de um programa ao vivo apresentado pelo lendário radialista Fernando Mansur, para a radio MPB-FM, E apesar de o evento fazer parte do lançamento do novo CD, não existe o CD físico, nem gravadora. O disco está disponível apenas na internet. "A não existência do disco físico me dá uma sensação de liberdade. Afinal, em breve nem mesmo eu terei mais corpo físico", disse, arrancando gargalhadas da platéia. 

Toni está cantando cada vez melhor. Parece estar mais consciente de sua voz. E no palco parece manter um perfeito domínio cênico. Diverte o público com histórias engraçadas e encanta com o novo repertório. A interpretação de "Volta por cima", um clássico incontestável da MPB, recebeu um novo arranjo que deu um frescor à música que já foi gravada por grandes nomes da MPB. Toni Platão ainda faz mais um show no Beco das Garrafas para, como ele diz, testar o repertório. E dia 21 de setembro faz o show oficial de lançamento no Teatro NET Rio.

Depois do show Toni recebeu seus fãs, posou para fotos e depois, junto com a mulher Débora Colker, rumou com seus músicos e o empresário Rafael Borges, (ex Legião Urbana) para um lugar muito especial. "A gente vai tomar uma cerveja lá no meu botequim". É assim que  Toni se refere ao "Rebouças" um botequim que fica na rua Maria Angélica, quase esquina com a rua Jardim Botânico: "meu botequim". É um lugar bem simples, um botequim à moda antiga, um típico pé sujo, mas que é um dos lugares mais badalados  da zona sul do Rio. Frequentado por artistas que moram no Jardim Botânico e redondezas, estudantes da PUC, boêmios e notívagos de vários calibres. "Pode escrever que aqui a gente trata muito bem o Toni Platão", me disse Seu Alberto, o dono do Rebouças, quando fiz uma foto dele junto com o cantor. "Eu adoro seu Alberto e esse botequim. Esse português é um sujeito fabuloso", disse Toni com a voz embargada. E contou histórias curiosas do botequim. E como seu Alberto defendeu duas garotas que estavam se beijando no bar e por isso foram alvo de piadas machistas de  alguns frequentadores não habituais. "Não mexam com as garotas, elas são minhas freguesas e fazem o que quiserem aqui no meu bar".

Toni estava feliz e fez questão de repetir isso várias vezes. Falou de como sentia falta de Cássia Eller, lembrou dos tempos do seu primeiro show solo, depois que sua banda Hojerizah acabou. Falou do trauma que foi a morte de sua mãe quando ele tinha apenas 19 anos. "Quando minha mãe morreu eu pirei. Era um cara certinho, mas essa perda fez com que eu abandonasse tudo o que era certinho na minha vida. Acho que foi por isso que resolvi ser cantor". Toni também falou de suas experiências traumáticas com as gravadoras de disco, na época em que existiam gravadoras. "Quando comecei minha carreira solo uma gravadora queria me lançar como um novo Fabio Júnior, daí eu fiquei apavorado e saí fora. Acabei ficando com fama de difícil. Mas eu nuca fui uma pessoa difícil. Apenas não estava interessado em ser um novo Fabio Júnior", disse às gargalhadas.


Mas seu maior prazer foi mesmo falar do novo disco. "Foi um parto fazer esse trabalho, mas estou muito satisfeito com o resultado. Não tinha grana nenhuma para produzir, mas consegui reunir alguns dos melhores músicos disponíveis no mercado. Todo mundo tocou no disco com amor e disposição. Foi uma experiência incrível".

12.8.15




O oposto de falar não é escutar. O oposto de falar é esperar.



O VOZEIRÃO ESTÁ DE VOLTA - Um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos está lançando disco novo. E o Brasil precisa parar tudo e aplaudir de pé desse gênio do nosso cancioneiro popular. Ele, Toni Platão, está de volta. Com sua voz inconfundível e sua charmosa personalidade artística. O astro da MPB está com a voz cada vez melhor. No suingue, na interpretação, na potência vocal e no jeito de cantar ele vai de Pat Boone a Nelson Gonçalves, passando por Sinatra, João Gilberto e Tim Maia, sem que em nenhum momento ele deixe de ser o bom e velho Toni Platão.

Com relação ao seu trabalho anterior, o novo CD, chamado LOV (assim mesmo, sem o "E", que pode ser traduzido por "amô") produzido por Berna Ceppas, tem uma sonoridade totalmente diferente. Uma sonoridade cool, dramática e teatral. Voz e arranjos se harmonizam como se feitos um para o outro. E uma presença marcante de sax, trombones e trumpetes. 

"O Berna me cercou de pessoas fantásticas, que compraram a história e vieram fazer o disco no amor. O nome do disco vem disso, do trabalho e do amor com que todos se envolveram. O parto foi longo e doloroso, mas valeu a pena", diz Toni, orgulhoso do seu novo rebento.


E o que dizer do repertório? Bem...  Toni Platão arrasa na interpretação de Volta por cima, o clássico samba-canção de Paulo Vanzolini. Ele praticamente reescreve a canção com seu jeito de cantar. O mesmo se pode dizer de I never cry, uma antiga balada do Alice Cooper, que ele (en)canta acompanhado apenas de um violão elétrico. É um momento mágico de um CD que é todo magia. Você não sabe o que te espera, composição de Toni Platão em parceria com Cabelo, é uma das faixas mais bacanas. Uma canção popular, divertida, radiofônica e suingada onde Platão tem a oportunidade de soltar o seu lado Reginaldo Rossi, sem medo de ser feliz. Magia negra, de Donni Araújo, é um saleroso hit com uma pegada latina que é puro deleite para os ouvidos. Tem também uma versão de My cherie amour, a irresistível  balada de Stevie Wonder, e canções feitas para tocar os nossos corações como Já é tarde, de Márvio dos Santos, Agora quem parte sou eu, de Paulo Sérgio e Deve ser isso que se chama amor, de Alvin L. Destaque absoluto é a pungente Dias estranhos, letra e música de Platão, que abre o disco com chave de ouro.

Lov é um CD belíssimo. Daqueles que a gente não consegue parar de ouvir...






CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Antonioni não morreu! Essa parece ser a mensagem do diretor paulista Gregorio Graziosi, com o seu filme Obra, que estreia nesse 13 de Agosto nos cinemas brasileiros. Com uma fascinante fotografia em preto e branco, o filme conta a história de um arquiteto interpretado por Irandhir Santos que, ao fazer uma obra num terreno de sua família, descobre algumas ossadas enterradas no local. Ao tentar descobrir o que aquilo significa, a película adquire tons de film-noir. Graziosi criou um espetáculo áudio visual que mescla arquitetura, efeitos sonoros, artes plásticas, musica, teatro e fotografia e poderia, se o diretor fosse irônico, se chamar "Obra de arte". Ao assistir o filme conseguimos perceber de um modo muito claro a presença do diretor. Sim, o belo Gregório acredita no "filme de diretor". Suas ideias e sua percepção de cinema estão presentes de forma bem clara em cada cena, em cada enquadramento, em cada fotograma.

Original, charmoso e inteligente, parece um filme do Antonioni, com seus personagens angustiados, seu ritmo próprio e conflitos existenciais. E mostra a cidade de São Paulo como um personagem concretista, interferindo com poesia e brutalidade na vida de seus habitantes. 

Como uma forma de promover a estreia do seu longa metragem, Gergório Graziosi disponibilizou no YouTube o curta-metragem Monumento, filme experimental que também tem a cidade de São Paulo como sua principal inspiração. Veja abaixo: 



6.8.15



FELIZ ANIVERSÁRIO, MADONNA - Semana que vem, mas precisamente no dia 16 de agosto, Madonna completa 57 anos. E os fãs da cantora se mobilizam para comemorar a data em grande estilo. O principal fã clube da cantora, que centraliza suas atividades no site "madonnaonline" está organizando uma série de festas de aniversário (com o nome de Festonna) por várias cidades do Brasil. Em Fortaleza a Festonna vai ser dia 7 de agosto. Em Belo Horizonte, dia 21. Em São paulo, dia 14. E por aí vai. A Festonna do Rio de Janeiro será no dia 15 de agosto, no Espaço Sacadura, um espaço para festas localizado na Gamboa, rua Sacadura Cabral, 147.




Já o DJ Nick Deboni resolveu comemorar o aniversário da cantora lançando um remix da música Devil Pray, uma balada romântica do novo CD, que ele transformou num típico hit para pistas de dança. Com apenas 18 anos, Nick Deboni cresceu ouvindo Madonna. Quando bebê sua mãe o amamentava ouvindo os CD´s da cantora. Daí que ele sempre quis produzir o remix de uma música da artista, mas queria encontrar a música certa. E foi ouvindo o último CD, Rebel Heart, que descobriu Devil Pray edecidiu recriar a canção num outro clima. 



4.8.15














Não são os homens, mas as ideias que brigam...


O DIA DA INDEPENDÊNCIA - A rebelião de Stonewall aconteceu em Nova York e foi um conjunto de episódios violentos que teve início em 28 de junho de 1969 no bar Stonewall Inn, se espalhou pelas ruas vizinhas e durou vários dias. Foi um conflito que tinha de um lado gays, lésbicas e transgêneros e do outro a polícia de Nova York. O Stonewall é um bar frequentado por gays e vivia sendo invadido pela polícia que, no longínquo ano de 1969, ainda perseguia homossexuais, que eram acusados de comportamento impróprio apenas pelo fato de serem gays. Nesse 28 de junho os gays resolveram dar um basta nas humilhações e decidiram enfrentar a polícia como machos. A porrada comeu para tudo quanto é lado. E a partir de então a rebelião de Stonewall ficou reconhecida como o conjunto de eventos catalisadores dos movimentos pelos direitos civis de gays e lésbicas.

Agora, chega aos cinemas, com estreia prevista para setembro nos EUA, o filme que conta a história desse curioso evento que deu início a uma revolução no comportamento ocidental.  Dirigido pelo cineasta alemão Roland Emmerich, que assinou blockbusters como "Independence Day", "O dia depois de amanhã", e "Stargate", o filme "Stonewall" chega aos cinemas cercado de expectativas. O trailer que acaba de ser divulgado começa com um discurso de Barack Obama e mostra cenas fortes de um tempo em que ser gay na América era motivo para se apanhar da polícia. O elenco é encabeçado por Ron Perlmann, o ator de Hellraiser, e por Jonathan Rhys Myers, que foi dirigido por Woody Allen em Match Point.

Veja o trailer...




















Só há um tipo de amor que dura: o não correspondido.


MORA NA FILOSOFIA - Nunca assisti a um filme do Woody Allen que eu não pudesse chamar de obra-prima. Como é que ele consegue se superar a cada filme? Tenho blog há mais de quinze anos e já escrevi muito sobre filmes desse diretor. E sempre começo o texto com a mesma frase, que faço questão de repetir: nunca assisti a um filme do Woody Allen que eu não pudesse chamar de obra-prima. E seu mais novo filme, Homem Irracional, não é diferente: um filme magnífico, onde roteiro e direção se entrosam com perfeição para ofertar prazer intelectual e sensorial a quem assiste. Woody Allen, como sempre, não abre mão nem da sofisticação, nem da inteligência.

Dessa  vez o diretor faz um mergulho profundo no mundo da Filosofia. Seu protagonista, Abe, personagem de Joaquim Phoenix, é um professor de Filosofia atormentado pelo fantasma de seu melhor amigo que morreu na guerra do Iraque. Sobrevive graças aos seus conhecimentos do pensamento de Kant, Sartre e, principalmente, Kierkgaard, Nas aulas que ministra na universidade ele discursa sobre questões cruciais da existência humana como o livre-arbítrio, o existencialismo, o desejo de se rebelar contra o pré-estabelecido. E para lidar com esses temas o roteirista criou diálogos primorosos, que dão um toque de classe ao seu filme. Com um professor tão cheio de ideias e interpretado por Joaquim Phoenix é claro que uma aluna tinha que se apaixonar por ele. E não só a aluna. Uma professora, mesmo sendo casada, não esconde seu desejo pelo professor rebelde e charmoso que bebe no campus da universidade.

Sim, o filme se passa quase todo no campus de uma universidade americana, mas o filme foi rodado na Irlanda. O angustiado, sofrido e bêbado professor muda de comportamento depois que ele experimenta na vida real uma de suas mais radicais teorias filosóficas. (Melhor não contar, para não estragar a surpresa de quem for ver o filme.) A partir daí, a história se transforma e o filme ganha um delicioso toque de Alfred Hitchcock. A história vai num crescendo, até chegar a um final surpreendente.

"Homem Irracional" é um filme apaixonante, que provoca e questiona conceitos filosóficos. Mais uma obra-prima para a conta de Woody Allen.