30.4.10

O Largo de São Francisco visto de dentro do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, a Sorbonne carioca.


Samantha a filósofa da beleza.

O aprendiz de filósofo Huan Cardoso toca na banda Experiência de Lucy e ainda encontra tempo para paquerar nos corredores da Sorbonne tropical.


O professor Rafael Haddock-Lobo o mais admirado e querido pelos alunos da Sorbonne.


A professora Maria das Graças Augusto, que os alunos só chamam de "Gal", é intima de Platão e sabe absolutamente tudo sobre a Grécia dos filósofos.

O piso da entrada principal da Sorbonne do Largo de São Francisco.

Guido Imaguire, o inteligente professor de Lógica, o samurai dos silogismos válidos.

Filósofos têm muito sono de manhã...


O pátio da Sorbonne carioca num dia chuvoso.

MORA NA FILOSOFIA

A SORBONNE É AQUIO Doutor em Filosofia Rafael Haddock-Lobo é o queridinho do momento entre os alunos do IFCS, a Sorbonne carioca. Suas aulas sobre o filósofo Nietzsche costumam levar ao êxtase os alunos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, no Largo de São Francisco. “Ele é o Sócrates do IFCS”, decretou uma de suas alunas, impressionada com a generosidade intelectual do Mestre. Haddock-Lobo segue a tradição platônica de ofertar o saber aos discípulos com prazer e generosidade. Valter Marcelo, um de seus alunos, não consegue falar do professor Haddock-Lobo sem deixar de usar a palavra “maravilhoso”. Pois bem. Nos corredores da Sorbonne do Largo de São Francisco os alunos só falam no livro Os filósofos e a arte, que o professor Haddock-Lobo está lançando pela Editora Rocco. É uma coletânea de textos onde algumas cabeças coroadas do pensamento em língua portuguesa escrevem sobre a relação entre a filosofia e a produção artística. Tem nomes como Fernando Santoro, Imaculada Cangussu, Kátia Muricy e Guilherme Castelo Branco, entre outros. Haddock-Lobo coordenou e editou o livro em que cada texto relaciona um filósofo importante a uma manifestação artística. Para celebrar o lançamento do livro os aprendizes de filósofo da Sorbonne tropical pretendem lotar a Livraria da Travessa (no centro do Rio), na próxima quinta, dia 6 de maio onde, a partir das 18:30, haverá um debate com a participação do Sócrates do IFCS e alguns dos autores dos artigos que compõem o livro.


OS FILÓSOFOS E A ARTE - O que têm em comum a filosofia e as artes? Desde a antiguidade, filósofos e artistas tentam desvendar, compreender e traduzir os mistérios da vida, do universo e do inconsciente, mas quais pensadores dedicaram seus estudos a compreender os processos de criação e apreciação artística? Em Os filósofos e a arte, 15 autores brasileiros revelam a relação entre estas duas áreas em ensaios sobre 15 filósofos, desde Platão até Derrida. Apesar das afinidades, a relação guarda alguns momentos de estranhamento. Platão, por exemplo, apresenta uma visão pragmática do papel da arte, enquanto Kant submete a apreciação do objeto artístico à comparação com a beleza da natureza, inicialmente com ligeira vantagem para os apreciadores da segunda.



Primeira obra a tratar exclusivamente da relação entre o pensamento filosófico e a arte, Os filósofos e a arte leva o leitor desde a antiguidade até a formação do conceito de estética moderna, com autores como Kant, Hegel e Schopenhauer; à estética contemporânea, a partir de Nietzsche; e aos pensadores ligados à escola de Frankfurt, como Adorno, cuja obra, com forte viés político, apontava a transformação das criações artísticas em mero objeto de consumo.



Organizado pelo doutor em filosofia Rafael Haddock-Lobo, o livro ajuda a compreender o pensamento de autores como Aristóteles, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Heidegger, Walter Benjamin, Marcuse, Adorno, Levinas, Merleau-Ponty, Deleuze, Foucault e Derrida, demonstrando como cada um buscou compreender o impulso de criação artística e a relação entre a arte e o seu próprio tempo.



O trabalho de cada autor é descrito e interpretado por um estudioso de sua obra: Fernando Muniz, Fernando Santoro, Virgínia Figueiredo, Márcia Gonçalves, Rosa Maria Dias, Rosana Suarez, Marco Antonio Casanova, Katia Muricy, Imaculada Kangussu, Rodrigo Duarte, Ricardo Timm de Souza, Marilena Chaui, Ovídio de Abreu, Guilherme Castelo Branco e Paulo Cesar Duque-Estrada, que, em textos que combinam rigor acadêmico com uma linguagem acessível, lançam luz não apenas sobre a obra dos filósofos, mas também sobre as maiores questões e transformações do período em que viveram.
A SORBONNE É AQUI – O Doutor em Filosofia Rafael Haddock-Lobo é o queridinho do momento entre os alunos do IFCS, a Sorbonne carioca. Suas aulas sobre o filósofo Niezstche costumam levar ao êxtase os alunos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, no Largo de São Francisco. “Ele é o Sócrates do IFCS”, decretou uma de suas alunas, impressionada com a generosidade intelectual do Mestre. Haddock-Lobo segue a tradição platônica de ofertar o saber aos discípulos com prazer e generosidade. Valter Marcelo, um de seus alunos, não consegue falar do professor Haddock-Lobo sem usar a palavra “maravilhoso”. Nos corredores da Sorbonne do Largo de São Francisco os alunos só falam no livro Os filósofos e a arte, que o professor Haddock-Lobo está lançando pela Editora Rocco. É uma coletânea de textos onde algumas cabeças coroadas do pensamento em língua portuguesa escrevem sobre a relação entra a filosofia e a produção artística. Tem nomes como Fernando Santoro, Guilherme Castelo Branco, Imaculada Cangussu, Kátia Muricy e Guilherme Castelo Branco, entre outros. Haddock Lobo coordenou e editou o livro em cada texto relaciona um filósofo célebre a uma manifestação artística. Para celebrar o lançamento do livro os aprendizes de filósofo da Sorbonne tropical pretendem lotar a Livraria da Travessa (no centro do Rio), na próxima quinta, dia 6 de maio onde, a partir das 18:30 haverá um debate com a participação do Sócrates do IFCS e alguns dos autores dos artigos que compõem o livro.




OS FILÓSOFOS E A ARTE - O que têm em comum a filosofia e as artes? Desde a antiguidade, filósofos e artistas tentam desvendar, compreender e traduzir os mistérios da vida, do universo e do inconsciente, mas quais pensadores dedicaram seus estudos a compreender os processos de criação e apreciação artística? Em Os filósofos e a arte, 15 autores brasileiros revelam a relação entre estas duas áreas em ensaios sobre 15 filósofos, desde Platão até Derrida. Apesar das afinidades, a relação guarda alguns momentos de estranhamento. Platão, por exemplo, apresenta uma visão pragmática do papel da arte, enquanto Kant submete a apreciação do objeto artístico à comparação com a beleza da natureza, inicialmente com ligeira vantagem para os apreciadores da segunda.



Primeira obra a tratar exclusivamente da relação entre o pensamento filosófico e a arte, Os filósofos e a arte leva o leitor desde a antiguidade até a formação do conceito de estética moderna, com autores como Kant, Hegel e Schopenhauer; à estética contemporânea, a partir de Nietzsche; e aos pensadores ligados à escola de Frankfurt, como Adorno, cuja obra, com forte viés político, apontava a transformação das criações artísticas em mero objeto de consumo.
Organizado pelo doutor em filosofia Rafael Haddock-Lobo, o livro ajuda a compreender o pensamento de autores como Aristóteles, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Heidegger, Walter Benjamin, Marcuse, Adorno, Levinas, Merleau-Ponty, Deleuze, Foucault e Derrida, demonstrando como cada um buscou compreender o impulso de criação artística e a relação entre a arte e o seu próprio tempo.



O trabalho de cada autor é descrito e interpretado por um estudioso de sua obra: Fernando Muniz, Fernando Santoro, Virgínia Figueiredo, Márcia Gonçalves, Rosa Maria Dias, Rosana Suarez, Marco Antonio Casanova, Katia Muricy, Imaculada Kangussu, Rodrigo Duarte, Ricardo Timm de Souza, Marilena Chaui, Ovídio de Abreu, Guilherme Castelo Branco e Paulo Cesar Duque-Estrada, que, em textos que combinam rigor acadêmico com uma linguagem acessível, lançam luz não apenas sobre a obra dos filósofos, mas também sobre as maiores questões e transformações do período em que viveram.


24.4.10


A mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo.

CHORANDO SE FOI – O show da cantora Loalwa Braz, no Bar do Tom foi uma grande descoberta. Eu a conhecia apenas como a vocalista do grupo Kaoma, mas descobri que ela é muito mais do que isso. Loalwa é uma grande estrela da música popular. Sua voz potente e cheia de nuances encanta e seduz. O modo como ela canta, seus vocalises, seus trejeitos, tudo tem criatividade, inspiração e grande valor musical. Loalwa foi cantora de jazz na juventude e é nesse estilo musical que ela vai buscar inspiração para o seu canto. O repertório da artista também surpreende pelo bom gosto. Composições próprias em parceria com artistas franceses, argelinos e africanos. O ritmo pode ser um bolero, um samba-canção ou um merengue, mas tudo tem um saudável tempero de world music. A melhor música do show é um zouk (uma espécie de neo-lambada) que Loalwa, radicada na França, canta em francês. Uma suingante interpretação de La vie en rose é um dos destaques do show, assim como sua perturbadora versão das Bachianas de Villa-Lobos. Os grandes sucessos do seu tempo do grupo Kaoma também são atração à parte. Chorando se foi é um clássico da música pop e Loalwa Braz emociona o público quando a canta quase à capela, acompanhada apenas de um comovente acordeon. Em seguida a banda de ótimos músicos entra em cena e faz o público dançar com a versão original da lambada que fez sucesso no mundo inteiro.


Loalwa Braz tem um belo show nas mãos e o público brasileiro precisa prestar mais atenção na música dela.

16.4.10

Tiago Santiago lê a dedicatória que recebeu da novelista Gisele Joras, no lançamento do livro Um instante a pulsar na memória.


Bela, a feia? Não. Gisele, a linda! Gisele Itiê provocou suspiros na noite de autógrafos.

Renata Domingues levou flores para Gisele Joras.


João Camargo mostra a capa do livro de Gisele Joras.


O ator Sergio Meneses trocou figurinhas com o autor Luiz Carlos Maciel.



UM INSTANTE A PULSAR NA MEMÓRIA - A novelista Gisele Joras, autora da novela Bela, a feia, reuniu amigos e colegas da Rede Record na noite de autógrafos do seu livro Um instante a pulsar na memória, seu segundo romance. O livro narra a trajetória de um casal de amigos que decide se casar, apesar de ambos serem homossexuais. Alto astral e bem humorada Gisele comemorava os bons índices de audiência de sua novelam que fica no ar até o final de Maio.

A atriz Gisele Itiê, protagonista de Bela, a feia, estava na fila de autógrafos. "Linda! Absolutamente linda!", exclamava Luiz Carlos Maciel, supervisor de texto da telenovela, diante da atriz. Gisele apenas sorria e contava aos colegas os bastidores das cenas de ação que havia feito com Silvester Stallone no filme que ele rodou no Rio de Janeiro.

Luiz Carlos Maciel contava aos atores que está tentando convencer a direção da Record a autorizar a realização de um beijo gay na novela. "A primeira novela que tiver um beijo gay vai entrar para a história. Nos Estados Unidos beijo gay na TV já virou uma coisa banal. A Record precisa sair na frente. Não vai esperar que a Globo faça primeiro".

Renata Domingues chegou trazendo florespara a autora e declarando que foi de Gisele Joras o melhor papel que fez na TV, a vilã de Amor e Intrigas. Quem também causou alvoroço na Livraria da Travessa foi o novelista Tiago Santiago, ex-supervisor de teledramaturgia na Record, que agora escreve a novela Uma Rosa com Amor, no SBT. Santiago é o responsável pelo lançamento de Gisele Joras na TV, que aconteceu através de um concurso público de teledramaturgia que ele promoveu na emissora. Tiago foi muito paparicado pelos seus antigos colegas da Record. É que apesar de ter se mudado para o SBT, a relação do novelista com a Record é a melhor possível.

9.4.10


A admiração é própria da natureza do filósofo; e a filosofia deriva apenas da estupefação. (Platão)

MORA NA FILOSOFIA


Dizem que uma injustiça é, por natureza um bem, e sofrê-la, um mal, mas que ser vítima de injustiça é um mal maior do que o bem que há em cometê-la. De maneira que, quando as pessoas praticam ou sofrem injustiças uma das outras, e provam de ambas, lhes parece vantajoso, quando não podem evitar uma coisa ou alcançar a outra, chegar a um acordo mútuo, para não cometerem injustiças nem serem vítimas delas. Daí se originou o estabelecimento de leis e convenções entre elas e a designação de legal e justo para as prescrições da lei. Tal seria a gênese e essência da justiça que se situa a meio caminho entre o maior bem – não pagar a pena das injustiças – e o maior mal – ser incapaz de se vingar de uma injustiça. Estando a justiça colocada entre estes dois extremos, deve, não preitear-se como um bem, mas honrar-se devido à impossibilidade de praticar a injustiça.

(Trecho do livro A República, de Platão)


Uma discussão densa sobre o que é realmente a justiça e seu real significado no relacionamento entre os homens e a estrutura social em que vivem. Esse tem sido o tema das mais divertidas aulas de Filosofia do IFCS. A base de toda a discussão é o livro A República, de Platão, que trata o assunto com profundidade e vigor. Na República o filósofo Sócrates tem uma longa conversa com os irmãos de Platão, Adimanto e Glaucon, sobre o que é realmente justiça e injustiça. É uma conversa permeada de argumentos inteligentes e observações pertinentes sobre a alma humana e o jogo social a que o homem está submetido. Mas, no meio de toda aquela “profundidade” os gregos sempre encontram um espaço para destilar um veneno, fazer um gracejo ou simplesmente “dar uma pinta”. Por exemplo, no meio de uma discussão sobre as vantagens de ser justo ou injusto, Sócrates faz uma referência ao amante de Glaucon. É uma referência superficial, quase casual. Mas depois de ler esse trecho eu fiquei curiosíssimo para saber quem é o tal amante de Glaucon.


Adoro ser fútil! Sendo assim, por um lado leio A República, a obra-prima de Platão, com o interesse de um devotado filósofo. Mas, por outro lado, eu devoro o livro com a voracidade fútil de um leitor da revista Caras. Fico todo o tempo interessado em saber quem andou comendo quem na Grécia antiga. Sócrates, por exemplo, teve um caso com o bravo guerreiro Alcebíades, como bem nos conta Platão no seu livro O Banquete. Desconfio inclusive que Platão foi apaixonado por Sócrates, que foi seu mestre na juventude. Quando Sócrates foi condenado à morte (Os trinta tiranos condenaram a biba a tomar cicuta!) Platão tinha algo em torno de vinte anos e a morte do mestre o deixou tão traumatizado que ele foi vagar pelo mundo e só começou a escrever seus textos depois dos quarenta anos, sempre usando o falecido mestre como seu principal personagem. No seu livro Teeteto Platão, com a desculpa de refletir sobre o que é a ciência, o conhecimento, narra um jogo de sedução entre Sócrates e o jovem adolescente chamado Teeteto. Mergulhado nas tramas ardilosas da filosofia grega eu, um humilde aprendiz de filósofo do IFCS, me pergunto: seria Teeteto um livro autobiográfico? Estaria Platão nos revelando o seu caso com Sócrates ao escrever seu brilhante tratado sobre o que é o conhecimento?


Acho que Rick Martin teria sido muito feliz se vivesse na Grécia antiga. Com aquele corpinho e com o seu talento para a música e a dança ele teria feito muito sucesso entre os filósofos gregos. Rick nunca ia precisar revelar no seu blog que era homossexual. Para os gregos isso era algo absolutamente natural. Além disso, os gregos sabiam cultuar o corpo e valorizavam a prática da ginástica. Mas tinham consciência que o corpo era apenas a prisão da alma e que essa, a alma, também precisava ser exercitada através da música, da cultura, do saber e do conhecimento.

Eu vou lhe dar a decisão
botei na balança e você não pesou
botei na peneira e você não passou
mora na filosofia
pra que rimar amor e dor
se seu corpo ficasse marcado
por lábios ou mão carinhosas
eu saberia, ora vai mulher...
à quantos você pertencia
não vou me preocupar em ver
teu caso não é de ver pra crer
tá na cara

RADIO PLATÃO - Segundo os gregos a música é um elemento básico para o desenvolvimento espiritual. A alma precisa da música a fim de preparar o seu caminho para a eternidade. Para Platão a ginástica, o exercício físico é essencial, para o desenvolvimento humano. Para contrabalançar com as atividades físicas ele recomenda a música que aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento, molda o caráter e também restaura a saúde. Por isso este blog foi no You Tube e fez uma seleção de cinco canções para este fim de semana:

Caetano Veloso cantando Mora na Filosofia, a canção de Monsueto e Arnaldo Passos:
http://www.youtube.com/watch?v=0x2mpUQTCqw

Maurizio Graf cantando a música maravilhosa que Ennio Morricone compôs para o filme Uma Pistola para Ringo:

Caetano Veloso canta It´s a long way, uma música que é puro alento:

Herb Alpert cantando uma das mais belas canções de Burt Bacharach:

O irresistível Rick Martin dando pinta num dos seus maiores sucessos:

6.4.10

MORA NA FILOSOFIA – O ano letivo do IFCS, o Instituto de Filosofia e Ciencias Sociais (a Sorbonne brasileira), só começou na semana santa. O imponente prédio do Largo de São Francisco, no centro do Rio, voltou ao seu cotidiano de frenesi intelectual. A busca do conhecimento e do saber permeia os instintos dos que circulam avidamente pelos corredores e escadarias do prédio. Alunos e professores, com seus narizes empinados e suas poses de privilegiados do saber, agem e pensam como se estivessem mesmo na Sorbonne. As salas de aula estão caindo aos pedaços, as paredes pedem uma pintura urgente, faltam pias e torneiras nos banheiros, o sistema da internet nunca funciona, mas ninguém perde a pose. “A Sorbonne é aqui”, parecem gritar as almas penadas que circulam fagueiras pela universidade.


Há realmente algo de relevante na paixão pelo saber observada em tantos alunos. Um encanto com a possibilidade de conhecimento adquirida através do estudo das idéias dos grandes pensadores: Descartes, Platão, Aristóteles, Heródoto, Nietzsche, Levi Strauss, Ludwig Wittgenstein, Jacques Derrida, Spinoza, Kant e muitos e muitos outros. A biblioteca da universidade é uma maravilha. É rica de conteúdo, além de organizada e profissional. Quem gosta de livros fica com vontade de morar na biblioteca do IFCS. E tem também os professores...


Eu gosto mesmo é da filosofia antiga. Platão e sua turma de gregos desvairados. A filosofia moderna cansa um pouco a minha beleza. Toda a filosofia moderna, em maior ou menor grau, foi açoitada pelo Cristianismo. Deus que me perdoe, mas, como o Cristianismo introduziu a noção de pecado na vida moderna, todo o pensamento que surgiu depois de Cristo, carrega uma cruz que me parece pesada e cansativa. Os gregos não tinham a noção de pecado, então o pensamento de Platão não tem essa cruz. Há uma leveza, uma suavidade, mesmo quando ele toca nas feridas mais doloridas da alma humana.


É por isso que eu considero um privilégio assistir as aulas da professora Maria das Graças Augusto, uma especialista em Filosofia Antiga. Ela é uma senhora muito distinta e culta, que sabe tudo sobre os gregos e suas idéias. Assistindo suas aulas, prestando atenção na intimidade com que ela fala dos gregos, eu sempre tenho a sensação que ela acabou de fumar um baseado com Platão. Ela tem uma intimidade com Platão que me encanta e me seduz. Sempre fazendo citações em grego, ela tem se dedicado a esmiuçar com gana e afinco todos os segredos do livro A República, uma espécie de bíblia da filosofia antiga.


Outro professor que me causa admiração e respeito no IFCS é o Rafael Haddock Lobo, com quem me dediquei a estudar Hegel no semestre passado. Sofri muito com esse filósofo. Eu não estaria exagerando se afirmasse que, nos últimos dez anos, poucas pessoas me fizeram sofrer tanto quanto Georg Friedrich Hegel. Putz! Mas, ao mesmo tempo, com seu humor, seu alto astral, seu charme como professor o Haddock Lobo soube me aliviar da dor de encarar esse psicopata alemão. As idéias do Hegel, contidas no seu livro A Fenomenologia do Espírito, até que são interessantes. Mas, o modo como ele as coloca, o modo como ele se posiciona, são por vezes bizarros. Hegel estudou num seminário protestante, por isso eu acredito que suas teorias filosóficas ficaram amarradas nos conceitos de pecado promulgados pelo Cristianismo. Para Hegel filosofar é carregar uma cruz. Ainda bem que o professor Haddock Lobo consegue fazer com que essa cruz seja leve para seus alunos.


Ficou perplexo? Essa é a pergunta que o professor Alberto Oliva sempre faz a seus alunos depois de discorrer sobre o tema permanente de suas aulas: a teoria do conhecimento. Oliva tem uma visão abrangente da filosofia e consegue, de um modo inteligente e sagaz, misturar o pensamento clássico e o moderno, sem provocar choque de idéias. Suas palestras são divertidas e inteligentes e motivam o aluno a freqüentar a sala de aula. Com ele estudar e aprender é algo prazeroso, confortável. 



1.4.10

É melhor ter amado e ter perdido, do que nunca ter perdido nada.
O RETORNO DE RINGO – Uma jóia rara do You Tube: o tema musical que Ennio Morricone compôs para o filme O Retorno de Ringo, um faroeste espaguete dos anos 60. Aliás, o You Tube tem um vasto material com as trilhas que Ennio Morricone fez para filmes que, na época, foram considerados filmes B. Mas o tempo provou que muita coisa da produção daquele período eram obras-primas. O Retorno de Ringo é um desses filmes. Tem uma boa história, uma boa direção e uma trilha sonora magnífica. Clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7XYZU5CWEt0



A NOITE DO MEU BEM – Leio no blog da Marina W que Nonato, um jogador de futebol de praia de apenas 19 anos, foi o grande amor de Dolores Duran. Foi para esse atleta que a grande Dolores compôs a canção A Noite do Meu Bem, seu maior sucesso, um clássico da música popular brasileira. O blog da Marina W é aqui:
http://marinaw.com.br/

A NOITE DO MEU BEM


Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem


Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! eu quero o amor o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem


Ah! como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda ternura que eu quero lhe dar.




SONIA RABELLO – Admiro muito essa mulher. Professora de direito urbanístico, Sonia Rabello é culta, inteligente e sofisticada. Ela primeira suplente do Partido Verde na Câmara Municipal do Rio. O site dela também está na minha lista de favoritos: http://www.soniarabello.com.br/



MORA NA FILOSOFIA – Quando quero ler algo realmente inteligente vou direto no blog ACONTECIMENTOS, do poeta e filósofo Antonio Cícero. Ali tem ótimos artigos sobre filosofia, belos poemas e discussão de alto nível. Sobre seu oficio Cícero disse: Considero-me poeta, simplesmente: e isso, principalmente logo que termino de escrever um poema. Como dizia o poeta inglês W. H. Auden, é só nessa hora que a gente sabe que é poeta. Antes disso e depois disso, a gente não sabe se ainda é poeta. Leia aqui:
http://www.antoniocicero.blogspot.com/

Alguns Versos

As letras brancas de alguns versos me espreitam
em pé no fundo azul de uma tela atrás
da qual luz natural adentra a janela
por onde ao levantar quase nada o olhar
vejo o sol aberto amarelar as folhas
da acácia em alvoroço: Marcelo está
para chegar. E de repente, de fora
do presente, pareço apenas lembrar
disso tudo como de algo que não há de
retornar jamais e em lágrimas exulto
de sentir falta justamente da tarde
que me banha e escorre rumo ao mar sem margens
de cujo fundo veio para ser mundo
e se acendeu feito um fósforo, e é tarde.