28.2.15





Nada é impossível para aquele que persiste.


HERÓI NACIONAL - Ex-judoca olímpico e campeão de jiu-jitsu, o lutador Leonardo Leite trocou o quimono pela vestimenta informal de lutador de MMA e vem fazendo história em seu novo esporte. Nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, ele conseguiu seu segundo cinturão no Legacy, um dos mais importantes torneios de MMA do mundo. Numa disputada luta contra o americano Larry Crowe, o brasileiro venceu por nocaute técnico no segundo round e continua invicto nessa modalidade esportiva. 

Atleta disciplinado e dedicado, Leonardo Leite é dono de uma grande coleção de medalhas no judô e também no jiu-jitsu, artes marciais que sempre dominou com precisão e talento. Agora faz o mesmo sucesso como lutador profissional. Sua vitória está provocando euforia entre os praticantes de artes marciais no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, onde ele é muito querido, graças ao seu temperamento pacífico e sua personalidade serena, típica de um verdadeiro samurai.









26.2.15



A única forma de multiplicar a felicidade é dividi-la com alguém.


A MÚSICA DO MOMENTO! - Rodrigo Santoro tem aparecido nas telas do cinema e da TV convidando o público a assistir seu novo filme, Golpe Duplo, uma produção de Hollywood onde ele contracena com o astro Will Smith. O filme é bacana, bem produzido, diversão sem compromisso, ação e suspense com muito humor. O que me chamou atenção no filme, cujo título original é Focus, foi a inclusão da música I put a spell on you como um dos temas principais da trilha sonora. Não seria nada demais se essa não fosse a música de abertura de 50 tons de cinza. Não é curioso? No filme do Rodrigo Santoro quem canta é Joss Stone. Em 50 tons de cinza a música encanta na voz sublime de Annie Lennox. Ambas as interpretações são incríveis. Desse modo, podemos até afirmar que I put a Spell on you é a música do momento.

I put a spell on you, que podemos traduzir livremente como "eu fiz um feitiço pra você", "eu fiz uma macumba pra você" ou mesmo "eu roguei uma praga em você", é um clássico da música americana e já foi gravada por uma penca de artistas. Foi lançada em 1956 pelo compositor de rhythm and blues Jay Hawkins e nunca mais deixou de ser gravada. Uma das gravações mais famosas é a da cantora Nina Simone, assim como do grupo de rock Credence Clearwater Revival, que fez história quando interpretou a canção em Woodstock. Sua letra, que nos remete a uma paixão descontrolada, faz sucesso interpretada nos mais diversos estilos. Quem já gravou a música? Bryan Ferry, Ray Charles, Queen Latifah, Joe Cocker, Pete Townshend, Marilyn Manson, Bonnie Tyler, David Gilmour, The Animals, Bette Midler, Buddy Guy em dupla com Santana, The Heavy, The Kills e Sonique, entre outros. 


A letra da música:

I put a spell on you 
'Cause you're mine

You better stop the things you do 
I ain't lyin' 
No I ain't lyin'

You know I can't stand it 
You're runnin' around 
You know better daddy 
I can't stand it cause you put me down

I put a spell on you 
Because you're mine 
You're mine

I love ya 
I love you 
I love you 
I love you anyhow 

And I don't care 
if you don't want me  
I'm yours right now

You hear me 
I put a spell on you 
Because you're mine

















25.2.15



Um homem que não morreria por algo não é digno de viver.


A VOZ DO POVO - Está saindo do forno o novo livro de Sidney Rezende, um trabalho jornalistico em que ele investiga umas das fantasias mais frequentes do povo brasileiro: ser o Presidente da República. Com o título de "Ah, Se eu fosse presidente", o livro reúne o depoimento de diversas personalidades, famosos e anônimos, que contam o que fariam se fossem o presidente do Brasil. É o lançamento do livro certo, no momento preciso. Sem querer, muitos dos entrevistados apresentaram excelentes programas de governo. O jornalista diz que o objetivo do livro é, exatamente, provocar uma reflexão sobre o que se poderia fazer para melhorar o Brasil dos nossos dias. Alguns dos entrevistados apresentaram programas econômicos originais, outros deram prioridade a saúde com ideias bem elaboradas, houve os que apresentaram projetos ligados a segurança pública. E muitos preferiram declinar dessa possibilidade: "do jeito que as coisas estão, eu renunciava", confessou a carnavalesca Rosa Magalhães.

O jornalista Sidney Rezende sempre sonhou ser Presidente da República. Nós fomos colegas de faculdade, estudamos juntos Comunicação Social na PUC e, desde aquela época, ele já nos dizia que um dia seria presidente do Brasil. E nossos colegas de turma concordavam plenamente. Sidney sempre foi certinho, muito correto em suas atitudes e, aos nossos olhos, ele seria um perfeito presidente, já que naquele tempo o país vivia um momento de transição para a democracia. A vida certamente fez com que ele mudasse o foco dos seus objetivos, mas o lançamento desse livro pode ser uma excelente plataforma de lançamento para uma candidatura. Por que não? Ele é um homem honesto, bem intencionado e um democrata nato. Tão democrata que preferiu ouvir (e publicar em livro) dezenas de opiniões que propõem soluções para os problemas brasileiros.

Sidney Rezende tem trinta anos de jornalismo. Num primeiro momento se destacou no jornalismo radiofônico. Foi ele quem produziu o primeiro programa jornalistico das rádios FMs, o "Panorama Brasil", do qual tive o privilégio de ser o editor de cultura. Numa época em as FM´s só tocavam música, ele propôs a criação de um espaço para o jornalismo na radio Panorama FM. Fez tanto sucesso que o José Roberto Marinho o convidou para fundar a CBN, "a rádio que toca notícia", primeira FM a se dedicar exclusivamente ao jornalismo, coisa que até então só acontecia nas rádios AMs. Atualmente Sidney é apresentador de noticiários da Globo News e da Rede Globo. E edita, com uma equipe de jovens jornalistas, seu site SRZD.

Espero que o lançamento de "Ah, se eu fosse o presidente" se transforme numa plataforma política para as eleições de 2018. Por que não? Mais do que nunca, a política brasileira precisa de sangue novo. Novos nomes, novas ideias, novos conceitos, novas possibilidades...   Chega de políticos profissionais que só vêem o Brasil como um negócio para ser utilizado em proveito próprio... A noite de autógrafos vai acontecer dia 10 de março, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon.

Para presidente, Sidney Rezende!

24.2.15




Desencanto

Eu faço versos como quem chora 
De desalento... de desencanto... 
Fecha o meu livro, se por agora 
Não tens motivo nenhum de pranto. 
Meu verso é sangue. 
Volúpia ardente... 
Tristeza esparsa... remorso vão... 
Dói-me nas veias. 
Amargo e quente, 
Cai, gota a gota, do coração. 
E nestes versos de angústia rouca 
Assim dos lábios a vida corre, 
Deixando um acre sabor na boca. 

– Eu faço versos como quem morre.







Imagem

És como um lírio alvo e franzino, 
Nascido ao pôr do sol, à beira d’água, 
Numa paisagem erma onde cantava um sino 
A de nascer inconsolável mágoa... 
A vida é amarga. 
O amor, um pobre gozo... 
Hás de amar e sofrer incompreendido, 
Triste lírio franzino, inquieto, ansioso, 
Frágil e dolorido...






Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos 
Ganhei um porquinho-da-índia. 
Que dor de coração me dava 
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
 Levava ele prá sala 
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos 
Ele não gostava: 
Queria era estar debaixo do fogão. 
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas… 

 — O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.


(A beleza de Gisele Bundchen e os versos de Manuel Bandeira: feitos um para o outro.)

22.2.15



No amor é um erro falar-se em uma má escolha, uma vez que, havendo escolha, ela tem de ser sempre má.



50 TONS DE VILLA-LOBOS - Não dá para não gostar de um filme que tem Villa-Lobos em sua trilha sonora. Pois na cena em que a mocinha Anastasia Steele vai, pela primeira vez, no apartamento do sedutor Christian Grey, no filme 50 tons de cinza, toda a sequência é ilustrada pela melodia envolvente das Bachianas Brasileiras n. 5. Como é uma sequência com poucos diálogos, a música tem uma presença muito forte na dramaturgia. A trilha é um dos trunfos do filme da diretora Samantha Taylor-Johnson. Na abertura, enquanto imagens mostram o mundo fascinante do milionário Christian Grey, ouvimos Annie Lennox cantando I put a Spell on you, um clássico da música americana que já foi gravado por Credence Cleawater Revival, Nina Simone e até Sonique. (Que fim levou Sonique?) Mas a trilha ainda tem Rolling Stones, Bruce Springsteen, Beyoncé e Frank Sinatra, entre outros.

Por alguns momentos, tive a impressão de estar assistindo a um remake de "Nove e meia semanas de amor", aquele antigo filme com Kim Basinger e Mickey Rourke, que tinha a canção Slave to love, do Bryan Ferry. Toda a lenda em torno de Cinquenta tons de cinza envolve uma aura de sexo, de prazeres proibidos, Mas, o que o filme nos mostra é uma história carregada de romantismo. Uma trama narrada com charme, elegância e que trata o sexo como uma parte integrante do amor.


Os atores são ótimos. Dakota Johnson é neta de Tippi Hedren (a atriz do filme Os pássaros, de Hitchcock), filha de Melanie Griffith e Don Johnson e enteada do Antonio Bandeiras. Ou seja, ela não poderia ser outra coisa que não uma atriz de cinema. Sabe lidar com a câmera e cativar o público com sua atuação. Jamie Dorman domina o filme, vivendo um milionário atormentado, que só consegue manter relações sadomasoquistas com as mulheres, onde ele atua como um dominador. É bom ator, além de bonito e sexy. Vale registrar a participação curta, mas vibrante, da atriz Marcia Gay Harden. O filme é uma boa diversão para casais de namorados. 



21.2.15


O progresso não é senão a realização das utopias.  



HOUVE UMA VEZ O VERÃO - Quando o horário de verão volta ao normal sempre bate uma sensação de nostalgia. Uma saudade daquilo que se viveu e do que não deu tempo de viver. Aquela certeza que o verão está indo embora, como areia escapando por entre os dedos. É o tempo. É a vida. Mágica e bela. Um mistério impossível de desvendar. Um verão que ainda pode nos trazer surpresas. Ou talvez não. De qualquer modo foi um verão muito quente. Talvez o mais quente que se tenha notícias. Enquanto isso o frio é tão grande nos Estados Unidos que congelou as cataratas. Observando esses fenômenos se pode afirmar que este está sendo um verão assustador. O fantasma de uma possível falta d´água rondando as grandes cidades, numa país que sempre teve abundância de líquido. Mas talvez seja só um momento, um susto, uma mensagem aos seres humanos. Um toque que a natureza está dando. Mas será que os seres humanos estão preparados para entender a mensagem que o tempo nos dá?

É preciso saber ouvir o vento. O vento nos diz coisas muito importantes. Mas nem sempre nós estamos abertos a ouvir e entender as palavras que o vento nos trás. Quem me disse isso, certa vez, foi Pai Gilberto, um mestre do candomblé muito querido em Ipanema. Ele motivava seus amigos a prestarem atenção nos desígnios da natureza, pois acreditava que ela mostrava caminhos. E quem fosse capaz de entender isso teria mais chances de sobreviver na roda-viva que é a existência humana.

Esse tem sido um verão de magníficas praias. Desde antes do natal até depois do carnaval o mar esteve calmo, de águas claras, temperatura amena e ondas perfeitas. Nada daqueles dias de ressaca, com ondas assustadoras e águas geladas, apavorando os banhistas. Como se o mar estivesse entendendo a necessidade do homem de ficar na água, por conta da intensidade do calor do sol. Então ele, o mar, se manteve como um refúgio para os desesperados com o calor.

É compensador estar morrendo de calor à meia noite, vestir uma sunga e mergulhar nas águas serenas do mar, tendo por companhia um absurdo céu estrelado e uma lua que parece estar ali só por sua casa...

Escândalos, decepções, roubalheira...   O Brasil, por si só, tem nos perturbado muito mais que o sol implacável... Mas, e daí? A vida não pode parar por conta disso. Principalmente para quem ama e está disponível para ser amado...  

Adeus horário de verão...

 

20.2.15


Depois da ingratidão, a coisa mais difícil de suportar é a gratidão.


IMPEACHMENT NÃO É GOLPE - Em sua primeira entrevista coletiva de 2015, a presidente Dilma Rousseff disse que a corrupção na Petrobrás deveria ter sido apurada nos anos de 1990. Concordo com a feitora. A corrupção na Petrobrás deveria ter sido investigada quando Paulo Francis denunciou no programa Manhattan Connection que os diretores da empresa recebiam propinas e tinham conta na Suiça. Isso foi em 1996. Na época o presidente era Fernando Henrique Cardoso, que Francis, com sua ironia fina, gostava de chamar de sinhozinho ou de nhonho Fernando Henrique. Essa sempre foi uma bela descrição do comportamento de FHC com relação ao país que ele governava: se comportava como um sinhozinho  convivendo com a elite da Casa Grande e tratando o país como uma senzala, que devia trabalhar para ele. Paulo Francis, como sempre, acertou no alvo.

Fernando Henrique ignorou totalmente as denúncias do Paulo Francis e permitiu que os diretores da Petrobrás matassem o jornalista. Sim, leitores. FHC foi conivente com o assassinato do Paulo Francis. E seus colegas traíras do Manhattan Connection ainda fazem, nos dias de hoje, entrevistas de destaque com o pilantra! 

 
Mas, e a oposição? Na época das denúncias do Francis o PT de Dilma Rousseff era a principal força da oposição. Então porque o partido não esperneou e cobrou uma investigação das denúncias do jornalista? Já sei. Paulo Francis era implacável com o governo. Mas também o era com a oposição. Não costumava ser condescendente com a esquerda, que ele dizia que, se chegasse ao poder, iria provocar uma grande roubalheira nos cofres públicos. E não que o Francis acertou mais uma vez?

O PT de Dilma Rousseff foi conivente com a morte do Paulo Francis. O presidente da Petrobrás Joel Rennó deu a primeira facada, Fernando Henrique Cardoso deu a segunda facada e o PT de Dilma Rousseff deu a terceira e definitiva facada no peito do talentoso jornalista, provocando o enfarte que o matou. Mas ele foi tão brilhante no seu ofício que, mesmo depois de morto, está dando uma aula de jornalismo político e econômico ao Brasil.

É verdade que Fernando Henrique Cardoso fez muito mal ao Brasil. A instituição da reeleição, que ele comprou através de jogadas sombrias, apenas para se manter no poder como um Imperador, ou um sinhozinho, como gostava o Francis. A roubalheira do patrimõnio público nas privatizações foi de arrepiar. Mas, de todos os males que FHC fez ao Brasil, o maior mal foi ter permitido que o PT chegasse ao poder. Com seus escandalos de corrupção, sua roubalheira, sua atuação desastrada no segundo mandato, FHC decepcionou tanto a sociedade brasileira, que todo mundo não viu outra alternativa senão votar em Lula.

O que o povo brasileiro não imaginava é que Lula, Dilma e o PT iam conseguir o que parecia impossível: fazer um governo ainda pior, mais incompetente e mais corrupto que o governo FHC.

Impeachment não é golpe. A administração Dilma Rousseff está provocando inflação, desvalorizando nossa moeda e levando a Petrobrás ao fundo do poço. Não podemos ficar mais quatro anos assistindo mais um show de roubalheira e corrupção. Impeachment imediatamente!


   

Todas as falhas humanas provêm da impaciência.


PIERRÔS E COLOMBINAS - Estarrecido com o livro Carnaval, de poemas do Manoel Bandeira. Por puro acaso, fuçando as prateleiras da Livraria da Travessa, em Ipanema, ainda na ressaca de um carnaval maravilhoso, me deparo com essa jóia rara da literatura brasileira. Já ao tocar o livro, folhear suas páginas e sentir a textura do papel uma emoção estranha me provocou arrepios. Como se alguém tivesse, de propósito, colocado esse livro nas minhas mãos. "Depois do carnaval que você viveu, só Manuel Bandeira poderá colocar ordem nas suas impressões sobre o sentido da vida", parecia dizer no meu ouvido um folião sarado fantasiado de abelhinha. Sem pensar, busquei uma daquelas confortáveis cadeiras de leitura espalhadas pela livraria, sentei e comecei a saborear cada um dos poemas do Bandeira. 

Quanta beleza! Quanta magia! Quanta delicadeza no uso das palavras. O livro foi publicado originalmente em 1919, mas, o sentimento que de seus poemas exala, parece ter sido gerado no carnaval que acabou antes de ontem. As emoções que motivam a existência dessa festa pagã (mas de origem religiosa) são lindamente traduzidas nos jogos de palavras que a linguagem poética exige. O livro nos mostra o quanto o carnaval é eterno. Tudo o que motivou Bandeira a escrever seus versos na virada do século vinte é o que se vê e sente na folia gloriosa desse carnaval do alvorecer do século vinte e um.

Mesmo sendo um livro publicado em 1919, Carnaval fala de personagens que, naquela época, já eram do passado. Como os personagens clássicos  Pierrô e Colombina, ou mesmo a Vênus, deusa do amor e, obviamente, Baco, o deus da bebida. Você pensa que cachaça é água? Os poemas falam das fantasias, não apenas as vestimentas em si, mas também das fantasias que a mente repercute quando se enamora de alguém fantasiado. Romântico, o livro retrata o carnaval como uma festa pura.

   

Bacanal

Quero beber! Cantar asneiras 
No esto brutal das bebedeiras 
Que tudo emborca e faz em caco… 
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada 
No torvelim da mascarada, 
A gargalhar em douro assomo… 
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores, 
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos… 
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres, 
além de versos e mulheres? 
- Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!… 
Evoé Baco!

O alfange rútilo da lua, 
Por degolar a nuca nua 
Que me alucina e que não domo!… 
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!… 
Por que eu extático desfira 
Em seu louvor versos obscenos, 
Evoé Vênus!



19.2.15


A ironia é uma forma elegante de ser mau.


NO ESTILO DE ALAIR GOMES - Depois de ver um álbum de fotos de foliões se divertindo no carnaval, que publiquei no Facebook, o diretor de teatro Joaquim Vicente escreveu na área de comentários que as fotos eram dignas de "um Alair Gomes atualizado". Poxa vida! O Joaquim sabe fazer um ser humano feliz.  Sou fã do fotógrafo Alair Gomes e, realmente, me deixo influenciar pelo seu estilo quando faço minhas fotos, como as que estão logo abaixo. Receber o comentário elogioso do Joaquim foi um dos momentos mais sublimes desse carnaval 2015...

17.2.15


















BEATLES FOREVER - É um dos eventos mais bacanas do carnaval do Rio! Sem dúvida, o desfile do Bloco do Sargento Pimenta é um acontecimento original dentro de tudo o que acontece nas ruas da cidade. O mais bacana é que a festa acontece no Parque do Flamengo, um dos lugares mais bonitos do Rio, com muito verde, o visual da baía da Guanabara e uma infinidade de árvores lindíssimas.  O lugar é amplo, espaçoso e transmite uma sensação boa. Então o folião não fica naquele ambiente opressivo que acontece nos blocos que desfilam em ruas cheias de edifício, apertados entre barreiras de concreto. Além disso, o Parque do Flamengo parece ficar ainda mais bonito com a alegria da juventude e o astral elevado dos foliões.


O problema do Bloco do Sargento Pimenta é a música. Alguém precisa ser amigo daqueles músicos e dizer a verdade: eles destroem com a música dos Beatles. Para quem não sabe o Sargento Pimenta se caracteriza por tocar apenas músicas dos Beatles em ritmo de carnaval. Poxa vida! É uma sacanagem com Lennon e MacCartney. Eles não merecem uma coisa dessas. Os músicos do Sargento Pimenta acabam com as músicas dos Beatles. O que aqueles músicos fazem é um atentado tão grave quanto aquele que vitimou o pessoal do Charlie Hebdo. Os meninos que tocam são péssimos músicos. Eles tocam mal, cantam mal, são péssimos arranjadores. A música que eles fazem é indigesta. Não é porque o bloco se chama Sargento Pimenta que eles deveriam se dedicar a música dos Beatles. Eles não tem competência para tocar Beatles. Não tem talento, não tem refinamento, não tem delicadeza. Deveriam ser menos pretensiosos e fazer como os demais blocos: tocar apenas músicas de carnaval. Misturar Lennon e MacCartney com uma batucada de quinta é uma afronta!

Mas, mesmo com sua música indigesta, o Sargento Pimenta consegue fazer um evento digno de nota no Aterro do Flamengo. Eles conseguem reunir pessoas de todas as gerações que vão ali para beber, flertar, se divertir e divertir os outros. Ou seja, curtir os bons momentos da vida. E assim seja...



















EVOÉ - O momento mágico do carnaval 2015 no Rio foi o desfile do Cacique de Ramos, no centro da cidade. Foi realmente incrível. É um bloco de empolgação que desfilou pela primeira vez no carnaval de 1961 e nunca mais parou. Marcou época com seus desfiles que arrastaram multidões e fizeram a festa de diferentes gerações de foliões cariocas. O grupo viveu um período de ostracismo, na época que o César Maia era prefeito, mas nunca deixou de marcar presença na folia carioca. César Maia, durante o seu (des)governo, perseguia o carnaval de rua. Dificultava a vida dos blocos, não dava autorizações para desfiles. Ele queria que o carnaval do Rio ficasse restrito ao sambódromo. Essa explosão do carnaval de rua, que acontece nos dias de hoje, tem muito a ver com o Eduardo Paes, que gosta da folia e liberou geral. Agora o Cacique está de volta aos bons tempos, trazendo verdade, alma e paixão a folia carioca. 

O ponto forte do Cacique de Ramos é a música. O bloco sempre investiu numa ala de compositores com talento. A bateria é muito bem ensaiada, com ótimos percussionistas e ritmistas. Eles tem orgulho pelo fato de que alguns dos maiores sucessos do carnaval do Rio sejam músicas que surgiram nos seus desfiles, como Vou Festejar e Coisinha do pai, que foram gravadas por Beth Carvalho. Além de "Caciqueando", o hino oficial do bloco. Quando eles tocam essas músicas durante o desfile é de ficar arrepiando, por conta da vibração que brota dos instrumentistas e dos integrantes do grupo. 

O Cacique de Ramos é o maior...


15.2.15



























NOS EMBALOS DA FOLIA - A comunidade francesa do Rio de Janeiro tem um bloco de carnaval só para eles. É o bloco "Ulalá Balancê", que desfila todo sábado de carnaval, numa promoção da Aliança Francesa e do Consulado. O bloco é ótimo e sempre arrasta uma multidão em todos os anos. No carnaval de 2015 não foi diferente. Os franceses capricharam nas fantasias e enfrentaram com muito ritmo e alegria o calor do dia ensolarado. O refrão do samba dizia: "Vem pro Ulalá Balancê / Sou França, sou folia /  parabéns para você /  de braços abertos, meu Redentor / Te abraça a Torre Eiffel como prova do seu amor". Foi um desfile bonito e comovente, que saiu de frente do Clube dos Marimbás, na avenida Atlantica, e foi até a rua Santa Clara. E no começo e no fim do desfile eles tocaram o hino da França em ritmo de samba.