31.1.15





CINEMA E LITERATURA - Quando foi divulgado o nome de Patrick Modiano como o Prêmio Nobel de Literatura de 2014 uma grande interrogação tomou conta dos leitores brasileiros. Quem é Patrick Modiano? Nenhum dos seus livros havia sido publicado no Brasil. Não se sabia nada sobre esse autor francês. Mas havia algo de muito especial sobre ele. Patrick Modiano escreveu, junto com o diretor Louis Malle, o roteiro de "Lacombe, Lucien", uma jóia rara do cinema europeu. É um filme belíssimo, como todos de Malle, ambientado no interior da França, durante a ocupação nazista. Conta a história de um jovem e ingênuo camponês, um rapaz complexado que, para se afirmar diante do seu grupo social, resolve se aliar aos alemães contra seu próprio país. Esse tema, a segunda guerra mundial, é uma constante na literatura de Modiano. Afinal, ele nasceu em Paris, em 1945, fruto do romance entre um judeu italiano e uma atriz belga durante a ocupação alemã.

Agora a editora Record está lançando o primeiro livro de Patrick Modiano no Brasil, chamado "Remissão da Pena", uma novela literária que conta a infância de um garoto em Paris logo após o final da guerra. Ou seja, a própria infância de Modiano, narrada dentro de uma ficção.

E quem nunca viu "Lacombe, Lucien" vale a pena conferir. É um filme envolvente e charmoso, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Uma oportunidade de curtir a performance do ator Pierre Blaise, o interprete de Lacombe. Ele foi escolhido para o papel aos dezessete anos, sem nunca antes ter trabalhado como ator. Fez grande sucesso por causa do filme. Tinha tudo para se tornar um grande astro do cinema francês. Mas morreu num acidente de automóvel logo depois de completar vinte anos.



29.1.15




Você se especializa em alguma coisa, até um dia descobrir que a coisa se especializou em você. (Arthur Miller)



OS DESAJUSTADOS - O conto "Os desajustados", que deu origem ao célebre filme de John Houston, é um dos destaques do livro "Eu não preciso mais de você e outros contos", coletânea de textos curtos do dramaturgo Artur Miller, autor de clássicos do teatro como "Morte de um caixeiro viajante" e "As bruxas de Salem".  Nos contos - lançamento da editora Companhia das Letras - Miller descreve personagens apaixonados pela vida, mas que acabam se tornando vítimas dos caprichos do destino. Personagens como Roslyn Taber, uma mulher solitária que encontra o amor nos braços do cowboy Gay Langland, mas o casal entra em conflito quando descobre que ele caça cavalos para transformá-los em alimentos para cães. No cinema Roslyn Taber ganhou vida através de Marilyn Monroe, que foi casada com o Miller. O escritor tem tanto prestígio na cultura americana, que suas fotos são destaque no trailer oficial do filme. 



A MÁ EDUCAÇÃO - No mesmo dia em que a Dilma Rousseff fez o seu primeiro discurso de 2015, Ney Matogrosso deu uma entrevista bombástica à coluna Gente Boa, da jornalista Cleo Guimarães, e botou a boca no trombone. "O governo Dilma armou toda essa roubalheira", bombardeou o cantor, sem papas na língua. Indignado com o cenário político do Brasil ele ainda afirmou: "Mesmo quando eu não quero ver, eu vejo. E esse espetáculo da política está demais. A bomba estourou no colo dela". Matogrosso também cita o mau exemplo que as autoridades oferecem à população. "Os exemplos são os piores possíveis. E isso se reflete na violência policial, no comportamento das pessoas. Se podem matar, eu também posso. Se podem roubar, eu posso também. É esse o raciocínio". 

Essa questão do mau exemplo é, realmente, um capítulo que merece ser estudado com mais atenção. O governo lança o slogan de "Brasil, pátria educadora", e esquece que a educação também é feita de exemplos. Bons exemplos. E o governo não está dando bons exemplos. Pelo contrário. É um governo que não tem condição de ofertar educação a ninguém. Não precisa ser um observador muito atento para perceber, em setores da população, a aceitação do conceito de "se o governo pode roubar, eu também posso". O governo está, praticamente, induzindo o povo a corrupção e a roubalheira.


27.1.15



“Fui a mulher mais feliz do mundo nestes 26 anos em que estive com ela. Uma grande mulher, inteligente, engraçada, culta, amiga dos amigos, que teve uma vida extraordinária, e que viveu cada segundo como nunca mais. Morreu de mãos dadas comigo. Foi-se o amor da minha vida.” 

 (Adriana Calcanhoto, sobre a morte de sua companheira Suzana de Moraes)






CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - A atriz Dira Paes é a grande homenageada da 18ª edição do Festival de Cinema de Tiradentes, que começou dia 23 e vai até 31 de Janeiro. Os 30 anos de carreira da atriz que estreou nas telas dirigida pelo inglês John Boorman em A Floresta de Esmeraldas e desde então já rodou 37 filmes, entre eles Corisco e Dadá, A festa da menina morta, Sudoeste e A beira do caminho. Por conta da homenagem, o festival exibe em primeira mão o novo filme estrelado por Dira, Orfãos do Eldorado, dirigido por Guilherme Coelho, a partir do livro de Milton Hatoum, um dos mais respeitados escritores brasileiros.

Orfãos do Eldorado é um livro sobre as lembranças dos bons tempos em que o ciclo da borracha dava as cartas na economia do Amazonas. Conta a história de Arminto Cordovil, interpretado por Daniel de Oliveira, herdeiro de um rico seringueiro, que vive conflitos com o pai e sua paixão por Dinaura, uma mulher misteriosa e sensual. Tem belas imagens da região amazônica e tórridas cenas de amor entre Dira e Daniel. É a estreia do diretor Guilherme Coelho no cinema de ficção, ele que é um realizador de documentários bem sucedidos como "Fala Tu" e o sensacional "PQD", um divertido e arrebatador retrato do grupamento de para-quedistas do Exército.  

 

26.1.15




O maior castigo do mal praticado é tê-lo praticado!





Na natureza não existem recompensas nem castigos. Existem apenas consequências...


COMO VIVER SEM ÁGUA? - A gente sempre acreditou que o Brasil era o país com o maior reservatório de água do planeta. Rios por todos os lugares, lagos, cachoeiras. E de repente, ficamos sabendo que não é bem assim. A interferência do homem na natureza, principalmente a partir dos anos 50 e, com mais força, no final do século 20, está provocando uam tragédia de proporções alarmantes. Não existe mais fartura de água. E a tendência é só piorar. No Brasil não existe essa possibilidade de ver uma luz no fim de túnel. Até porque essa luz não existe. Estamos caminhando para uma tragédia inevitável, de consequências imprevisíveis. Esse assunto já vinha me tirando o sono. Mas agora acabei de ler a entrevista do antropólogo e ambientalista Altair Sales Barbosa e fiquei realmente preocupado.

Leia a entrevista AQUI

Cansei do Brasil! Uma tragédia que vem sendo anunciada já há muitos anos. Mas que vem sendo ignorada sistematicamente por todas as camadas da sociedade. É um absurdo que, diante de tantas evidências da tragédia ambiental, o governo ainda insiste em fazer a transposição do rio São Francisco. Isso apenas para atender aos interesses de empreiteiras e políticos corruptos. O professor Altair acredita que, em dez anos, o rio vai estar seco.

Não podemos esquecer que a super população, o excesso de gente nas cidades, é um dos principais fatores do infortúnio do meio ambiente. E não existe na sociedade brasileira nenhum programa de planejamento familiar ou controle de natalidade. Entra governo e sai governo e o assunto é ignorado. Até o Papa Francisco já recomendou que os católicos parem de se reproduzir como coelhos. Isso foi uma forma de dizer aos seus fiéis que a natureza não está mais suportando tanta gente no planeta. Enquanto isso, no nosso Brasil varonil, nos últimos doze anos, tivemos programas de governo que estimulam a reprodução humana. A gente sempre na contramão.

Os seres humanos, para o planeta  Terra, são como pulgas para um cachorro. As pulgas colam no pobre animal e ficam ali, sugando o sangue do bicho até não mais poder. As pulgas humanas são ainda piores. Ficam ali no planeta sugando água, alimentos, energia...  O pobre planeta não aguenta mais e está morrendo. Triste e trágico.

25.1.15








A ARTE DE BARAHONA POSSOLO - Ele é a nova sensação da arte portuguesa. Seus quadros são assim: provocantes. Carlos Barahona Possolo possui um traço realista, quase fotográfico. E seus personagens são influenciados por figuras da mitologia e da religião. Tudo isso carregado de muita sensualidade. Nascido e criado em Lisboa, ele agora é, praticamente, um orgulho nacional. Artista tão popular que foi convidado pelo governo para criar o selo comemorativo dos quinhentos anos das viagens de Vasco da Gama. Que tal?


23.1.15



CANSEI DO BRASIL - Em entrevista publicada hoje na Folha de São Paulo o "novo" Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diz que o modelo do Seguro Desemprego no Brasil está ultrapassado. E depois diz que "o país está em período de austeridade, incluindo benefícios sociais". Período de austeridade? O cinismo dessa gente não tem limites. O tal "período de austeridade" é apenas para quem está do lado de cá. Para quem está do lado de lá, no lado dos que tem o poder, não existe austeridade alguma. O governo começou 2015 aumentando impostos e cortando benefícios sociais. Mas antes disso o Congresso Nacional e a Presidente da República se deram belos aumentos de salário. Para eles, nada de austeridade. Estão todos no bem bom, legislando apenas em seus próprios interesses. É revoltante. Essa esquerda que está no poder  se comporta como se fosse uma classe superior, que pode tudo e não precisa dar satisfações a ninguém. Uma esquerda que é mais de direita do que a própria direita. Está na cara que esse "programa econômico" não vai dar certo, já que ele é fundamentado em mentiras. O governo aumentou os impostos para aumentar a arrecadação. Certamente precisam de mais recursos para alimentar a corrupção desenfreada que acontece em todos os níveis de governo.

Cansei do Brasil!

22.1.15



DIÁRIO DA CORTE - Certa vez li na coluna do Paulo Francis, nos bons tempos da imprensa escrita, algo que me chamou atenção desde àquela época. Francis escreveu que, se nos anos de 1960 alguém dissesse para ele que no final do século 20 as religiões ainda teriam grande influência no mundo, ele não acreditaria. Na sua juventude, ele acreditava que, com a evolução da ciência e da tecnologia, os preceitos religiosos iriam perder o sentido. E as religiões deixariam de existir. Pois antes de morrer, em 1997, ele já havia se dado conta que estava enganado. A evolução da ciência, da tecnologia e da medicina não interferiu em nada na relação do homem com a religião. 

A terceira guerra mundial já está em andamento, dizem os profetas do apocalipse. E é uma guerra fundamentada em princípios religiosos. Nos dias de hoje, a maior parte da tensão que existe entre povos e nações, tem como ponto de partida as divergências religiosas. Cenas brutais de violência acontecem em nome de deuses e profetas. E tudo, no que diz respeito à religião, nos remete às trevas, ao passado, à escuridão, ao sombrio. É como se fosse uma reação contrária a evolução da ciência e da tecnologia. Um desejo de tirar o homem do iluminismo promovido pelo saber para deixá-lo dominado pelos seus instintos mais primitivos. Um desejo de viver numa idade das trevas.

Detesto muçulmanos!

   

21.1.15



OS QUE CHEGAM COM A NOITE - A editora Companhia das Letras está lançando com grande publicidade "A casa assombrada", novo livro de John Boyne, autor de best seller "O menino do pijama listrado". Aparentemente é uma história de suspense e horror, que está causando expectativa nos leitores que se encantaram com o primeiro livro do autor lançado no Brasil. O que chama atenção na publicidade de "A casa assombrada" é a sinopse divulgada pela editora. Pelo que conta, a história é idêntica a do livro "A volta do parafuso", um clássico da literatura inglesa, escrito por Henry James, um americano naturalizado inglês, autor de títulos como "Daisy Miller" e "Os bostonianos", cuja adaptação cinematográfica rendeu uma indicação ao Oscar à atriz Vanessa Redgrave. "A volta do parafuso" é um livro perturbador que confunde e assusta os leitores. O romance também ganhou uma instigante adaptação cinematográfica realizada em 1971, que ganhou o título de "The Nightcomers", e no Brasil foi batizado de "Os que chegam com a noite". O filme foi dirigido por Michael Winner e teve como protagonista Marlon Brando, num dos melhores papéis de sua carreira. Conta a história de uma governanta, que é contratada por um homem misterioso para cuidar de duas crianças numa mansão isolada no interior da Inglaterra. Longe de tudo e de todos, acompanhada apenas das crianças, a governanta adquire um comportamento estranho, fica assustada com os barulhos da casa, as sombras da noite, os sopros do vento, e com a figura de um homem misterioso que fica rondando o lugar.

O livro de John Boyne conta a seguinte história:

Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha e sem dinheiro suficiente para pagar o aluguel na cidade, ela se depara com o anúncio de um tal H. Bennet. Ele busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk – sem, no entanto, mencionar quantas são, quantos anos têm ou dar quaisquer outras explicações. Assim, ela larga o emprego de professora numa escola para meninas e ruma para o interior. Chegando a Gaudlin Hall, Eliza se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão lá. Não se veem criados. Ela logo constata que não há nenhum outro adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério. A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio-tempo, fica intrigada com janelas que se fecham sem explicação, cortinas que se movem sozinhas e ventos desproporcionais soprando pela propriedade. E então coisas realmente assustadoras começam a acontecer…

Já o livro "O menino do pijama listrado" é apenas razoável. Não conta uma história realmente marcante. É bem escrito, a história até consegue envolver o leitor, mas sofre de um sério problema conjuntural: é apenas mais um livro sobre o sofrimento dos judeus sob o julgo dos nazistas. Já se escreveu tantos livros e filmes sobre esse tema, que as histórias agora soam repetidas. O drama do menino, filho de um oficial nazista, que fica amigo de um garoto judeu preso num campo de concentração, soa superficial, apesar das boas intenções do autor. Nesse aspecto, só a nível de comparação, o romance brasileiro "O meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, é muito mais comovente e arrebatador, ao contar a infância de um menino às voltas com um mundo conturbado. No caso do brasileiro, o mundo conturbado é apenas a pobreza em que vive. Mesmo assim, o autor consegue ser mais comovente e mais visceral no seu objetivo de retratar o sofrimento infantil diante de um mundo hostil criado pelos adultos.





20.1.15



DOCES BÁRBAROS - Tia Maria Bethânia, no show em que comemorou os cinquenta anos de carreira, posou ao lado dos sobrinhos Moreno, Zeca e Tom, filhos de Caetano Veloso. Não é linda essa foto? Como artista ela está cada vez mais jovem, mais moderna, mais sábia. Seu último disco, "Meus Quintais", é belíssimo...

18.1.15



NUNCA HOUVE CALOR COMO ESSE - Depois de uma vida inteira dedicada à praia, posso afirmar, sem medo de errar, que nunca houve um calor como esse. Os cientistas comprovam que 2014 foi o ano mais quente da história da humanidade. Nem precisava. Tenho sentido isso na própria pele. Ficar no sol tem provocado dor. Ao mesmo tempo em que o sol está implacável, a praia, no Rio de Janeiro, tem estado maravilhosa. Desde antes do Natal que o mar está calmo. Caribenho, como se diz por aqui. Águas claras, temperatura amena, poucas ondas. Um mar perfeito para aliviar do calor intransigente, que não nos dá trégua.

Bom mesmo nesta temporada de verão é a praia noturna. As noites estreladas tem oferecido o clima perfeito para um mergulho bem depois do pôr do sol. Neste sábado, no posto seis, no canto direito da praia de Copacabana, os banhistas noturnos viveram momentos de especial felicidade, ao mergulhar na praia ao lado de uma grande quantidade de peixes. Peixes por todos os lados. De vários tipos e tamanhos. Peixes que pareciam felizes quando davam pulos sobre a água,  "Fish are jumping", como na letra da música Summertime, que George Gershwin compôs para o musical "Porgy and Bess". Lindo e comovente.



16.1.15


FRESCATTO NO OMBRO - A imensa torcida do futebol carioca está no maior frisson, desde que foi anunciado o novo patrocinador do Fluminense, a empresa Frescatto. O nome da empresa é que vem causando polêmica entre os admiradores de todos os times. Os torcedores machões do Fluminense se sentem incomodados com o fato da palavra "frescatto" estar associada a palavra "fresco", que é um sinônimo de homossexual. Já a imensa torcida flamenguista está vivendo um momento de êxtase, pois já identificou no nome do patrocinador mais uma excelente oportunidade de provocar os torcedores do seu principal adversário. Os flamenguistas adoram provocar a torcida tricolor chamando-os de "tricoletes" ou "meninas do fluminense" e agora já estão bolando mil maneiras de associar a palavra frescatto a vida sexual dos fãs do time do Fred. Vale lembrar que a Frescatto é uma empresa que comercializa peixes e frutos do mar, e tem esse nome para realçar que seus produtos são frescos. 




PRECE PARA UM CONDENADO - Em meio a tantas notícias trágicas que nos chegam nesse início de 2015, uma se destaca pelo inusitado do seu conteúdo trágico. Neste sábado (daqui a pouco mais de 24 horas) o brasileiro Marco Archer Moreira vai ser fuzilado na Indonésia, pelo crime de tráfico de drogas.  De nada adiantaram os pedidos de clemência. O governo daquele país foi intransigente e quer que o fuzilamento sirva de exemplo. Não por acaso, a Indonésia é o país com maior população muçulmana do planeta. Parece até que toda a barbárie do mundo parte dos muçulmanos. Submeter uma pessoa a um pelotão de fuzilamento em pleno século 21 é algo perturbador. É uma pena muito dura e brutal. Selvagem e radical. Agora só nos resta rezar para que um milagre aconteça. Que Deus tenha compaixão desse pobre rapaz!