25.12.08

SÁBADO EM COPACABANADorival Caymmi tem uma música chamada Sábado em Copacabana em que ele exalta a felicidade que alguém desfruta quando tem a oportunidade de viver uma experiência simples e singela: passar um sábado em Copacabana. Pois bem. Meus melhores momentos de 2008 foram vividos nos sábados em Copacabana. Assistindo ao futebol de praia, me divertindo com meus amigos, bebendo nos botequins, fazendo farra, jogando conversa fora ou, simplesmente, vivendo. Parece que o sábado estimula a carioquice do bairro. Assistir a uma partida de futebol na TV de um botequim, numa tarde de sábado, é tão excitante quanto assistir uma partida na arquibancada do Maracanã. Vibração, energia, algazarra, zoação e amor ao futebol... Não importa se é Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense. Se tiver um time carioca na partida, é diversão na certa. O futebol, o botequim, a praia, a cerveja... Toda uma cadeia de elementos que leva ao caminho da felicidade...

Sábado passado houve a festa de confraternização do Copacabana Praia Clube, tradicional time de futebol de praia. Admirando o ritmo da festa, o alto astral das pessoas, a alegria sem culpa, o clima de solidadiredade eu me toquei que, apesar de todo o seu esforço, César Maia não conseguiu destruir o Rio de Janeiro. César machucou muito, é verdade, mas não acabou. A essência do que há de melhor na cidade ainda brota nas praias, nas esquinas, nas ruas arborizadas... Meses atrás, quando fui assistir a um jogo do Força e Saúde, caminhando pela Rua Paula Freitas notei a beleza das árvores que se harmonizava com a beleza dos edifícios. Havia uma tranqüilidade na rua. Uma calma típica do sábado à tarde...

Na festa do futebol de praia, na areia em frente a Rua Duvivier, estavam alguns dos maiores craques da areia: Denílson, Iury, Valois, Fabio, Binho, PC, Batata, Marcio Banana, Rogério, Bolinho, Jamaica, Felipe, Leo Gigante... A felicidade em forma de cerveja, churrasco e futebol. Um mundo de histórias engraçadas e fartos gestos de carinho.

Um dos momentos mais divertidos da festa foi quando Batata, o grande craque, um dos maiores batedores de falta da areia, contou sua experiência no show da Madonna. Batata (o nome dele é Ailton) é dono de uma empresa de turismo. Um grupo de turistas endinheirados de Curitiba veio ao Rio só assistir ao Sticky e Sweet e contratou seus serviços. O jogador fez o guia turístico e levou o grupo ao Maracanã. À vontade na sua festa, com uma lata de cerveja na mão, o jogador contava aos amigos como foi o show.
Disse assim o Batata:

“Galera, eu nunca vi tanto gay na minha vida. O Maracanã tava lotado de gays e lésbicas. Todo mundo se beijando, se agarrando, fumando, cheirando... Rolava de tudo naquele Maracanã! Nunca vi uma coisa daquela! Jamais iria num show da Madonna. Fui porque tava trabalhando. Mas nunca imaginei que fosse assim. Teve uma hora que fui no banheiro e tinha um cara chupando o pau do outro...”. Nesse momento da narrativa ele fez uma pausa, olhou pra mim, fez um carinho no meu rosto e disse: “Não tenho nada contra quem chupa pau. Mas em público?” Gargalhadas gerais. Depois continuou. “O pior é que eu reconheci um dos caras." E contou que era um dos donos de uma famosa grife carioca.
Decadence avec elegance!

Batata tem razão. Também notei que a platéia da Madonna era predominantemente gay. Nos dois shows tentei localizar algum bofe na multidão e não vi nenhum. Só bibas. A platéia era um verdadeiro congresso de gays, lésbicas e simpatizantes. Bibas de todo o Brasil vieram dar pinta com Madonna no Maracanã. Essa constatação me fez achar que talvez a razão do grande sucesso da cantora seja o fato dela ter atingindo o coração dos gays. As bibas adoram Madonninha! Quanto aos exageros da platéia, eu já havia notado isso no show de 1993, The Girlie Show. Naquela época a Material Girl tinha acabado de lançar Sex, um álbum com fotos sensuais, junto com o disco Erótica. Então havia uma forte tensão sexual na platéia. Só que em 93 haviam mais heterossexuais entre o público. De qualquer modo acho as pessoas vão ao show da Madonna dispostas a tudo! A cantora estimula a transgressão e o hedonismo nos seus fãs.

No dia anterior ao show, quando passei em frente ao Copacabana Palace (sim galera, eu fui pra porta do hotel) ouvi o seguinte diálogo entre um cameraman (com crachá da Rede Record) e seu assistente. O segundo dizia: “Puxa, como tem veado aqui na porta do hotel”, e o primeiro respondeu lacônico “o público dela é esse mesmo”. Bingo! Nesse mesmo dia, depois do futebol de praia, perguntei aos jogadores qual deles ia ao show da Madonna e todos responderam que não. “Eu gostava da Madonna antigamente, quando ela cantava La Isla Bonita. Essa Madonna de hoje tá muito diferente”, me disse um dos craques de pernas roliças. Eles foram ao show do Chiclete com Banana, que aconteceu no Rio-Centro exatamente um dia antes da estréia de Madonna no Maracanã. Bofe gosta mesmo é de micareta.






Depois de trabalhar toda a semana
Meu sábado não vou desperdiçar
Já fiz o meu programa pra esta noite
E sei por onde começar


Um bom lugar para encontrar: Copacabana
Prá passear à beira-mar: Copacabana
Depois num bar à meia-luz: Copacabana
Eu esperei por essa noite uma semana

Um bom jantar depois de dançar: Copacabana
Um só lugar para se amar: Copacabana
A noite passa tão depressa, mas vou voltar se pra semana
Eu encontrar um novo amor: Copacabana

Madonna vem aí...

 

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