1.3.12

Poemas de Josefina Campos.



Céu e Arte

Arrancar dos céus
Esta manhã
E tragá-la como a um bebê
Em lãs de contemplação

Plantar no ventre
A transformação
E tragá-la:
Envolvê-la como a um bebê
Em útero de gratidão!

Plantar na terra
A consolação
E tragá-la
Envolvê-la como a um bebê
Em ninhos de comunhão!

Devolver ao céu
O amanhã
E lançá-lo:
Libertá-lo como a um homem pássaro
Nas asas da imensidão!


As crianças da minha vida

As crianças da minha vida
Se puseram travestidas
Com fantasias de adultos
A correrem mundo afora...

Eu fiquei sobressaltada
De vê-las tão apressadas
Essas crianças mal ouvidas,
Brincando de passarás.

Deixaram na minha história
Alguns sorrisos furtivos
Cachos loiros, besourinhos, maracás...
Vários deses de glória,
Um monte de rezas e orgulhos,
Muitos brinquedos e entulhos
Umas sonosras gargalhadas
E um gosto de nunca mais.


Só, de manhã

Sol brilhante, trem de perdão
Soledade, solitude,
Solicitude, solidão
Somos nós e, que fazer...

Se não for mesmo
Amanhecer felizes
Por mais um sol?
Beira de rio, Beira de amor...

Por entre dores, enquanto passas,
Eu testemunho os meus amores
As minhas graças, os meus humores,
Minha desgraça de ser tão só
- sem mim, sem ti,
Só para ti, Só para mim
De sol a sol

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