18.9.16




Digno de liberdade só é quem sabe conquistá-la todos os dias.


DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE ELE - Muito antes de se tornar conhecido por seu trabalho na Globo News, Geneton já era famoso e querido em Pernambuco. Antes de entrar na Universidade ele já era jornalista. Ainda menino tinha uma coluna no suplemento infanto-juvenil do Diário de Pernambuco, onde já mostrava sua força na concepção de ideias e no uso da palavra escrita. Fazia filmes de Super-8 que eram cultuados pela juventude e reunia pequenas multidões quando exibidos. Era, por temperamento e natureza, um agitador cultural. Mais trde começou a escrever artigos retumbantes sobres os eventos culturais da Veneza Brasileira, fossem eles peças de teatro, lançamentos de livros, espetáculos de dança, música, etc. Tinha uma coluna chamada Geléia Geral, onde contava tudo sobre os movimentos artísticos e culturais da cidade. Em Pernambuco todo mundo sabia que ele iria longe no jornalismo. Além disso, tinha um carisma natural que atraía a simpatia e o respeito da pessoas. Seu jeito sincero e educado cativava a todos. Foi um ídolo dos seus colegas da Universidade Católica que o admiravam e seguiam seus passos. Bons tempos de juventude em Recife! 

Os carnavais em Olinda eram magníficos. As sessões de filmes de arte no cinema Art Palácio eram concorridíssimas. Ali a juventude descolada assistía a filmes como Os deuses malditos, de Visconti; O conformista, de Bertolucci; O jardim dos Finzi Contini, de Vittorio de Sica; Amargo Pesadelo, de John Boorman; Macbeth, de Polanski; Os Girassois da Rússia, da Carlo Ponti. Depois do cinema íamos beber no bar da livraria "Livro 7" e trocar nossas impressões sobre os filmes e os cineastas. Era forte o impacto daqueles filmes sobre nós. E era tão saudável e divertido falar dos livros que estávamos lendo. Os clássicos da literatura latinoamericana que bombavam na época: Puig, Garcia Marquez, Juan Rulfo, Vargas Lhosa... E havia os discos que marcaram fortemente aqueles tempos como Qualquer Coisa, do Caetano; Ave Noturna, do Fagner; Geraes, do Milton... E comíamos pastel no beco da rua 7 de Setembro. 

A praia da galera era em Rio Doce, na casa de Wilson Urquiza e Camilo, dois caras super bacanas que também amavam o jornalismo. Frequentávamos o Bar Grego, no antigo Cais do Porto. E havia em torno de Geneton uma turma divertida e alto astral que se adorava: Adriana Engrácia Oliveira Costa, Paulo Cunha, Nara Lúcia, Alba Carvalho, Leucio Guerra, Amin Stepple, Paulo Brás, Wanda, Bel Cursino, Socorro, Dinê Sardá, Dóris, Juliana Coentro...

Foram tempos felizes de encontros e descobertas. Vivemos a nossa juventude intensamente. A gente se divertia, sonhava e tinha uma enorme sede de saber. E isso é o que importa nesse momento. 

Descanse em Paz, Geneton...












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