21.1.15



OS QUE CHEGAM COM A NOITE - A editora Companhia das Letras está lançando com grande publicidade "A casa assombrada", novo livro de John Boyne, autor de best seller "O menino do pijama listrado". Aparentemente é uma história de suspense e horror, que está causando expectativa nos leitores que se encantaram com o primeiro livro do autor lançado no Brasil. O que chama atenção na publicidade de "A casa assombrada" é a sinopse divulgada pela editora. Pelo que conta, a história é idêntica a do livro "A volta do parafuso", um clássico da literatura inglesa, escrito por Henry James, um americano naturalizado inglês, autor de títulos como "Daisy Miller" e "Os bostonianos", cuja adaptação cinematográfica rendeu uma indicação ao Oscar à atriz Vanessa Redgrave. "A volta do parafuso" é um livro perturbador que confunde e assusta os leitores. O romance também ganhou uma instigante adaptação cinematográfica realizada em 1971, que ganhou o título de "The Nightcomers", e no Brasil foi batizado de "Os que chegam com a noite". O filme foi dirigido por Michael Winner e teve como protagonista Marlon Brando, num dos melhores papéis de sua carreira. Conta a história de uma governanta, que é contratada por um homem misterioso para cuidar de duas crianças numa mansão isolada no interior da Inglaterra. Longe de tudo e de todos, acompanhada apenas das crianças, a governanta adquire um comportamento estranho, fica assustada com os barulhos da casa, as sombras da noite, os sopros do vento, e com a figura de um homem misterioso que fica rondando o lugar.

O livro de John Boyne conta a seguinte história:

Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha e sem dinheiro suficiente para pagar o aluguel na cidade, ela se depara com o anúncio de um tal H. Bennet. Ele busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk – sem, no entanto, mencionar quantas são, quantos anos têm ou dar quaisquer outras explicações. Assim, ela larga o emprego de professora numa escola para meninas e ruma para o interior. Chegando a Gaudlin Hall, Eliza se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão lá. Não se veem criados. Ela logo constata que não há nenhum outro adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério. A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio-tempo, fica intrigada com janelas que se fecham sem explicação, cortinas que se movem sozinhas e ventos desproporcionais soprando pela propriedade. E então coisas realmente assustadoras começam a acontecer…

Já o livro "O menino do pijama listrado" é apenas razoável. Não conta uma história realmente marcante. É bem escrito, a história até consegue envolver o leitor, mas sofre de um sério problema conjuntural: é apenas mais um livro sobre o sofrimento dos judeus sob o julgo dos nazistas. Já se escreveu tantos livros e filmes sobre esse tema, que as histórias agora soam repetidas. O drama do menino, filho de um oficial nazista, que fica amigo de um garoto judeu preso num campo de concentração, soa superficial, apesar das boas intenções do autor. Nesse aspecto, só a nível de comparação, o romance brasileiro "O meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, é muito mais comovente e arrebatador, ao contar a infância de um menino às voltas com um mundo conturbado. No caso do brasileiro, o mundo conturbado é apenas a pobreza em que vive. Mesmo assim, o autor consegue ser mais comovente e mais visceral no seu objetivo de retratar o sofrimento infantil diante de um mundo hostil criado pelos adultos.





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