6.2.15









A CERIMÔNIA DO ADEUS - O velório de Odete Lara foi no Parque Lage, um castelo localizado dentro de um bosque, que já serviu de cenário para filmes marcantes do cinema brasileiro como Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, e Terra em Transe, de Gláuber Rocha. Poucas pessoas estiveram lá. Mas eram pessoas que a amavam de verdade. Ela não tinha familiares. No livro "Eu nua" ela conta que sua família era ela, seu pai e sua mãe. Com a morte de seus pais, ela ficou sozinha. E como nunca teve filhos, sua família se resumia a ela mesma e seus amigos. Mas estavam lá seus dois ex maridos, o roteirista e cineasta Euclydes Marinho e o cineasta Antonio Carlos Fontoura. Seus outros dois ex maridos, Oduvaldo Vianna Filho e Abilio Pereira de Almeida, são falecidos. Ao lado do caixão, um quadro. Um desenho do rosto da atriz feito pelo artista plástico Darcy Penteado em 1957.

Euclydes Marinho estava muito emocionado. Ficou um bom tempo ao lado do caixão, rezando uma prece, enquanto fazia um carinho no rosto dela. Depois sentou sozinho, num canto mais reservado e chorou. O casal viveu uma tórrida história de amor. Foram casados durante muitos anos.

Antonio Carlos Fontoura, que dirigiu Odete nos filmes Copacabana me engana e A rainha diaba, foi quem cuidou da atriz nos seus últimos anos de vida. Esteve sempre presente e soube ser um amigo de verdade no momento em que sua musa mais precisou. Daniel Filho também foi no velório dar um último adeus a atriz, que conhecia desde o início dos anos de 1960. Quem também esteve no velório foi Luiz Carlos Lacerda que a dirigiu no filme O princípio do prazer, última participação de Odete Lara no cinema. Num dado momento os quatro ficaram ao lado do caixão, lembrando momentos em que estiveram junto à ela, comentando as cenas e os filmes em que mais gostaram da sua atuação. Nada mau para uma estrela. No momento de sua despedida, quatro grandes diretores trocando impressões sobre sua beleza, seu talento, sua maneira de atuar, seu jeito de lidar com câmera, sua doçura como pessoa.

Adeus, Odete!






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