4.2.15




UMA LÁGRIMA PARA ODETE LARA - Quando garoto eu era fascinado por Odete Lara. Fascínio que me acompanhou pelo resto da vida. Menino ainda eu a via numa antiga novela da TV chamada As Bruxas e prestava muita atenção em todas as suas cenas. Olhava com admiração suas fotos nas revistas e, com quinze anos, li seu livro "Eu nua" e fiquei muito impressionado com tudo que ela viveu e sofreu. Escrito com muita verdade e emoção, o livro conta sua infância sofrida, problemas de doença na família, culminando com o suicídio dos pais. Depois ela narra sua luta para exercer com dignidade seu trabalho de atriz. O difícil começo, numa época em que havia muito preconceito com a sua profissão. A sua beleza provocava paixões e ódios. No livro ela conta a história de um sujeito que se apaixonou por ela e a perseguia, numa época em que ela morava em São Paulo. Munido de um revólver, dizia que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém. Assustada ela acabou se mudando para o Rio de Janeiro, onde teve mais sorte na profissão.

Foi uma mulher que provocou paixões. Foi casada com o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho e com os cineastas Fernando de Barros e Antonio Carlos Fontoura. Com o primeiro, que também foi casado com Maria Della Costa, fez o filme "Moral em Concordata". Com o segundo atuou em "A Rainha Diaba", um grande sucesso do cinema nacional. Um de seus romances mais famosos foi com o roteirista Euclydes Marinho. Ela já era uma deusa do cinema e ele um adolescente de dezesseis anos quando viveram um tórrida história de amor. Ele abandonou a família no Rio e foi viver com a atriz no sítio dela em Friburgo.

Eu a conheci pessoalmente por ocasião do lançamento do seu segundo livro, "Minha Jornada Interior". Fiz uma entrevista com ela e, nesse período, estivemos juntos várias vezes em eventos sociais. Conversamos muito e eu sempre dizia como a admirava e o quanto tinha ficado impressionado com a leitura do "Eu Nua". Ela sempre me tratava com doçura e carinho. Nos últimos anos tinha se tornado budista e isso tinha feito um grande bem para ela. Parecia estar feliz ao ter uma compreensão maior das coisas da vida.

Descanse em paz, Odete!


Um comentário:

José Vitor Rack disse...

Lindo Waldir. Tb partilho deste fascínio.