12.4.15




O amor. Claro, o amor. Fogo e chamas por um ano, cinzas por trinta. Ele bem sabia o que era o amor. (O leopardo, de Lampedusa)


O MAGNÍFICO LAMPEDUSA - Em meio a infinita série de escândalos de todos os níveis envolvendo políticos brasileiros, tem aparecido como uma possível solução para a crise sem fim, a realização de uma reforma política. Ai meus sais!, diria o saudoso jornalista Tarso de Castro. O elenco que defende  a tal reforma nem sabe disso, mas tem como guru o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Aliás, de todos os que defendem a reforma política, um deles sabe muito bem quem é o Lampedusa: Fernando Henrique Cardoso. Ele. Sempre ele! O culpado de tudo! Lampedusa é, praticamente, um guru de FHC, que sempre seguiu fielmente a máxima do personagem principal do livro O Leopardo, a obra prima do escritor: "Tudo deve mudar para que tudo fique como está".

Esse é o objetivo da pretensa reforma política: tudo deve mudar para que tudo fique como está. FHC segue essa máxima desde sempre. Ele é praticamente a encarnação do personagem D. Fabrizio, o protagonista do romance, um aristocrata que prevê sua decadência quando Garibaldi começa a luta pela unificação da Itália. Mas, através de uma manobra astuta o sujeito consegue se manter no topo quando "mudanças" acontecem na política italiana. Tudo graças a seu ardiloso sobrinho Falconeri, que pronuncia a frase que deu fama ao livro e que se tornou uma espécie de epitáfio do pensamento do escritor. 

"A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".

 
O romance de Lampedusa foi adaptado para o cinema por Luchino Visconti, um dos grandes do cinema italiano. Numa produção realizada com extremo requinte, o diretor reuniu no mesmo elenco Alain Delon e Claudia Cardinale, ambos no auge da beleza e da juventude. Além de Burt Lancaster, Romolo Valli, Pierre Clementi e Giuliano Gemma. O filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1963. Vale a pena ler o livro ou ver o filme, para entender com mais clareza o que se passa no Brasil de hoje.   




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