15.6.15



A arte é tão difícil quanto o amor. (Glauber Rocha)


BRASIL: AME-O OU DEIXE-O - O jornalista e cineasta Geneton Moraes Neto está lançando seu novo filme "Cordilheiras no Mar" no Festival de Cinema do Ceará. O filme também vai ser exibido na próxima edição do Festival do Rio, que acontece em outubro. "Cordilheiras no Mar" é um filme sobre Glauber Rocha. Mas não é um filme sobre o cinema do diretor brasileiro. É um filme sobre a política no Brasil no tempo de Glauber. Nos tempos do início da abertura política, Glauber teve uma atitude que causou polêmica entre a esquerda brasileira. Ele apoiou publicamente o projeto de abertura política proposto pelo então presidente da república General Ernesto Geisel. Os radicais de esquerda ficaram furiosos e, a partir desse momento, o discurso político de Glauber se tornou essencial para a transição do governo militar para um governo civil.

Inteligente e perspicaz, Geneton concentra o seu filme nesse momento histórico da vida brasileira. Semanas atrás encontrei o diretor na Livraria da Travessa do Leblon e ele estava muito entusiasmado com o filme. "Eu chamei o filho do Glauber para fazer o papel do pai dele no filme. Ficou sensacional. O filho é a cara do pai", me disse Geneton. E não é o Erik Rocha, o filho cineasta. É outro filho do Glauber que pouca gente conhece e que nunca foi ligado em cinema, artes ou polêmicas. 

O filme também tem depoimentos que foram feitos na época da abertura política. Geneton tinha até esquecido de algumas coisas. Mas, fazendo uma pesquisa em imagens antigas, descobriu depoimentos que tinha filmado na época da abertura e resolveu usar no filme. Depoimentos inéditos de personagens como Miguel Arraes e Francisco Julião e também de João Paulo dos Reis Veloso, Caetano, Jaguar, Gabeira, Fagner, Cacá Diegues e muitos outros.

Geneton Moraes Neto é um cineasta de mão cheia. Quando a gente morava em Recife, ainda adolescentes, ele já fazia filmes em Super 8 que costumavam lotar o cineclube local. Ainda muito jovem era um ídolo para a turma da sua geração, estudantes de Comunicação Social da Universidade Católica de Pernambuco. Mas, assim como cineasta, sempre foi um jornalista de vocação e talento. Menino de calças curtas já era colunista do suplemento infantil do Diário de Pernambuco, que se chamava Júnior. Nos dias de hoje "Júnior" é o nome de uma famosa revista gay. Outros tempos, outras histórias...

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