15.6.15


A paciência é uma virtude, exceto quando se trata de se livrar dos inconvenientes.


QUEM MATOU MARGARET THATCHER? - A escritora britânica Hilary Mantel nunca se conformou que Margaret Thatcher tenha morrido de derrame aos 87 anos, no ano de 2013. Acredita que foi uma morte banal e sem glamour para alguém que teve tanta influência na política internacional da segunda metade do século 20. Aos olhos da escritora, a dama de ferro, como Thatcher era conhecida por suas posições inflexíveis, merecia uma morte mais bem elaborada. Algo mais dramático e radical, para coroar uma vida que tanto interferiu na vida e nos destinos dos cidadãos britânicos. Sendo assim, movida por aquela fantasia de todo escritor de querer escrever a vida real, Hilary Mantel teve a ideia de conceder uma nova morte para Thatcher. Uma morte mais dramática, mais glamorosa, mais literária. Uma morte por assassinato.

Hilary Mantel nunca foi fã de Margaret Thatcher. Na verdade ela nunca suportou a dama de ferro, que considerava uma arrivista arrogante que vivia colocando a Grã-Bretanha em situações difíceis. E o que um escritor faz quando detesta uma pessoa? Escreve sobre ela. Muitas vezes colocando essa pessoa num personagem fictício. Mas Hillary Mantel acreditou que isso era ser boazinha demais com aquela bruxa que foi primeira ministra do seu país. E decidiu escrever um conto em que Thatcher tem o fim que realmente merecia: um assassinato. E esse é o enredo do conto "O assassinato de Margaret Thatcher", que faz parte da coletânea de histórias curtas de Hilary Mantel que a editora Record está mandando para as livrarias.

Uma das delicias de ser escritor é que a gente pode se vingar das pessoas apenas escrevendo sobre elas. Através da literatura podemos ser duros,  crueis e infames. Se algum vizinho é um cretino, insuportável ou canalha, nós escrevemos sobre. De forma sutil, ou de forma ostensiva. Como Hilary Mantel detestava mesmo Margaret Thatcher resolveu escrever sobre ela de forma clara e ostensiva. Mais do que isso. Decidiu matá-la. Nem que fosse na literatura.

No conto que dá titulo ao livro a Grã-Bretanha vive um momento conturbado na política externa e, também internamente, com cerca de 3 milhões de desempregados graças ao estilo da primeira-ministra. Dentro desse contexto Margaret precisa fazer uma pequena cirurgia ocular num clínica de prestígio. Uma mulher que mora num prédio da região, cuja janela da sala tem uma visão privilegiada da parte interna da clínica onde a dama de ferro vai fazer o procedimento, solicitou, naquele dia, um encanador para consertar um vazamento no banheiro. E quando o operário chega ao seu apartamento ela percebe que ele é jovem e charmoso demais para ser um encanador. E quando o sujeito abre a sua caixa de ferramentas, o que surge de lá é um rifle desmontável. 

Esse é só o começo da apaixonante história de Hilary Mantel.

O livro é composto por dez contos  que transitam entre os gêneros policial, suspense e terror. Mas que, na verdade, narram crônicas sobre personagens visivelmente capturados do mundo real. Certamente alguma vizinha antipática da escritora, ou o zelador pilantra do prédio onde mora, ou o gerente do banco onde ela tem conta. Personagens da vida real, que ela coloca no contexto do seu mundo ficcional e constroi histórias mirabolantes para deleite de seus leitores.  Eu recomendo...

        


Nenhum comentário: