8.6.15










Há três acontecimentos na existência humana: nascimento, vida e morte. Nascemos sem saber, morremos sem querer e esquecemos de viver.


OS REIS DO IÊ IÊ IÊ - Em 1966, Hunter Davies era um jornalista interessado em saber mais profundamente sobre a história dos Beatles. Já havia entrevistado os rapazes e lido os poucos livros publicados sobre o quarteto, mas ninguém ainda havia passado muito tempo com eles ou ido além das perguntas óbvias sobre a fama e o sucesso. A ideia de escrever um livro definitivo sobre a banda do momento parecia perfeita e, surpreendentemente, eles toparam. Brian Epstein, o empresário, não apenas concordou com a empreitada como ainda garantiu: depois que o livro saísse, durante dois anos os Beatles não falariam com mais ninguém além de Davies. “The Beatles” foi publicado em 1968 e, como se sabe, em 1970 a banda não existia mais, tornando seu livro a única biografia autorizada de um dos grupos musicais mais influentes da história.

Durante 18 meses entre 1967 e 1968, Davies acompanhou John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison em shows, gravações, turnês e em momentos particulares, em casa, com suas famílias. Reuniu fotos raras, entrevistou pais, esposas e amigos dos músicos, documentou a infância e a vida pré-Beatles dos quatro, e contou a história do The Quarrymen, banda formada por John que serviu como espécie de base para o grupo.

Depois de seu primeiro lançamento, em 1968, a biografia só cresceu à medida que a importância da banda para a história da música se confirmava. Hoje, os papéis rabiscados que Davies catava no chão dos estúdios Abbey Road para incluir no livro valem milhões; o escritor acredita que cerca de 5 mil pessoas ao redor do mundo vivam do legado dos Beatles: sejam escritores, pesquisadores, acadêmicos, artistas, vendedores de souvenirs ou funcionários da indústria do turismo e de museus.

Para atualizar a história, Davies revisitou seu texto para esta nova edição, que está sendo lançada no Brasil pela Editora Record. Ele não mudou o que escreveu na década de 1960: “Se tivesse que me manter atualizado com todas as revelações subsequentes eu precisaria reeditar esse livro todo ano. Trata-se de um registro acurado, mais ou menos, do que eles acreditavam na época”, diz. Mas adicionou um prólogo com material novo, uma reflexão sobre a história dos integrantes após o fim da banda e detalhes dos bastidores da negociação do livro. Entre as informações novas incluídas no prólogo está uma letra de música inédita de George Harrison, rabiscada num papel que o músico entregou para Davies quando ele lhe pediu “um exemplo de sua caligrafia”.

No fim, também como parte da revisão, há ainda relatos sobre personagens entrevistados por Davies e que morreram ao longo destas quase cinco décadas. Entre eles estão a tia Mimi, que criou John Lennon; Linda McCartney, a primeira mulher de Paul; o guia espiritual Maharishi, o mestre de cerimônias do Cavern Club Bob Wooler e o gerente de produção original e muito amigo da banda Neil Aspinall.

The Beatles é um livro para ser lido e saboreado.





Um comentário:

José Vitor Rack disse...

Aspinall era uma figura. Infelizmente falecido.