29.10.14



Ser pai é padecer no paraíso?









EASY MONEY - O bom e velho rock and roll faz a diferença quando a guitarra é do Johnny Marr...

Um escritor sempre está trabalhando num livro, mesmo quando não está escrevendo. (Antonio Callado)


SALVE 29 DE OUTUBRO: DIA NACIONAL DO LIVRO - Em Ipanema, quase na esquina da rua Barão da Torre com Farme de Amoedo, tem um senhor que vende livros usados. Ele espalha seus livros pela calçada e tenta arrumar uns trocados com essa função. Faz muitos anos que usa aquele trecho da rua como seu ponto de negócio. Sempre que passo ali, olho rapidamente, apenas por uma curiosidade natural de quem ama os livros.

Semana passada, ao passar por ali, vi que ele estava vendendo dois exemplares do meu livro "A última canção de Bernardo Blues". Eram exemplares da primeira edição, do ano de 1997, publicado pela Francisco Alves Editora. (O livro foi relançado ano passado pela Editora Faces). Ao ver os exemplares do meu livro eu parei e, com certo orgulho, vi que ele estava em ótima companhia. Junto com ele, exemplares de "A moreninha", de Joaquim Manoel de Macedo; "Se houver amanhã", de Sidney Sheldon; "Agosto", de Rubem Fonseca; e "A paixão segundo G H", de Clarice Lispector, entre outros. Peguei um dos exemplares de "Bernardo Blues" e fiquei folheando. Então o vendedor se aproximou e foi logo dizendo: "vendo por três reais". Olhei para ele e sorri, pois estava surpreso com tudo aquilo. Foi então que ele disse: "esse livro é bom pra caramba, você vai gostar". Eu me dirigi a ele. "O senhor já leu?" O homem não titubeou, "Já li duas vezes. A história tem o maior suspense." Daí ele começou a contar a história e eu não tive dúvida alguma que ele já tinha mesmo lido o meu livro. "A história se passa aqui em Ipanema, por essa rua, por aquele bar...", me disse ele, apontando o Carolice, o botequim na esquina da Farme com Barão da Torre, onde acontece uma das cenas mais importantes da história. Peguei os dois exemplares, paguei ao vendedor e saí o mais rápido possível. É que se continuasse ali, diante dele, eu ia começar a chorar...

17.10.14



QUEM TEM MEDO DE GERALD THOMAS? - Ney Matogrosso fez um show na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, com produção de André Midani. Foi um show especial, com canções latinoamericanas. E para acompanhá-lo Ney montou uma banda formada por Dado Villa-Lobos, Charles Gavin. Dé Palmeira e pelo cantor Toni Platão, que abre o show com seu vozeirão cheio de estilo. Por conta do sucesso do show, a jornalista Lu Lacerda deu uma nota em sua coluna, e reproduziu a nota em seu Facebook. Pois bem. Gerald Thomas, que estava na plateia do show, publicou o seguinte texto, na área de comentários do post da Lu



Só tem que tirar o NÃO talento do cantor que entra antes do Ney - um HORROR sem talento - uma besta egoísta que quer ser exibir. Feio, sem talento e sem carisma. Alguma coisa casado com a D Colker, me disseram. Ney Matogrosso é DIVINO e não precisa dividir o palco com MEDÍOCRES aspirantes de NADA !!!



Toni Platão é um dos maiores cantores da história da MPB. Um interprete magnífico. Um artista sensacional. É um cantor do mesmo nível de Tim Maia, João Gilberto, Ney Matogrosso, Francisco Alves, Cauby Peixoto e tantos outros. Se o Brasil ainda não descobriu isso, pior para o Brasil. O país devia estar ajoelhado aos pés do Toni Platão. 

Como pode o Gerald Thomas se referir a um dos nosso grandes cantores nesses termos? Quem estava certo era o Antonio Calmon que só se referia ao Gerald Thomas como "Gerald Lamas"...


15.10.14



UMA LINDA MULHER - Gisele Bundchen está incrível no anúncio do perfume Chanel n.5. Dizer que ela está linda é chover no molhado. Ela sempre está linda. Mas nesse filme, dirigido pelo craque australiano Baz Luhrmann, ela consegue se superar. Não apenas como modelo, mas como atriz. Ela está incrível como uma modelo-surfista-mãe, vivendo uma crise no casamento. Na sua concepção visual, a propaganda tem ecos dos filmes do diretor, como O grande Gatsby e Moulin Rouge. E Gisele está totalmente à vontade num papel de tensão dramática. Depois desse anúncio, Baz Luhrmann tem a obrigação de escalar a modelo para seu próximo filme. Outra coisa bacana no anúncio é a trilha sonora. A música "The one that I want", que John Travolta e Olivia Newton John cantavam no filme "Grease", está irreconhecível na interpretação do cantor Lo-Fang, desde já alçado a condição de novo astro da música pop. Veja o anúncio? 
























A PREMIAÇÃO - O cinema brasileiro é que foi o grande vencedor do Festival do Rio, já que se fez presente com filmes de excelente nível técnico e artístico. Filmes como "Sangue Azul", "Obra", "Casa Grande", "O último cine drive-in", "O outro lado do paraíso", "Trinta", "Ausência" e "O fim e os meios", mostram que o cinema brasileiros está vivendo um momento de muita criatividade. "Obra", do paulistano Gregorio Graziosi, é um suspense, com uma linda fotografia em preto e branco, que encantou o público com sua linguagem sofisticada e sua estética que lembra os filmes de Antonioni. "Casa Grande", de Fellipe Barbosa, tem aquele humor corrosivo e inteligente dos melhores filmes de Woody Allen. Roteiro e direção numa afinação perfeita. Um filme que provoca gargalhadas da plateia, mas que ao mesmo tempo comove ao retratar o espírito solidário do povo brasileiro. "O último cine drive-in" é uma história sobre o amor ao cinema. Othon Bastos emociona como o dono de um "cine drive-in", que ama tanto o cinema, que batizou seu filho de "Marlombrando". Escrito assim mesmo, tudo junto. "O outro lado do paraíso" é sobre a construção de Brasília e o golpe de 64, vistos aos olhos de uma criança. É triste e belo ao narrar a força de vontade de um trabalhador brasileiro honesto e voluntarioso. "Trinta" conta a história do carnavalesco Joãosinho Trinta, interpretado nas telas por Matheus Nachtergaele. Com clima de super produção, conta a história de um homem que se dedicou com afinco a arte e a cultura. "Ausência" tem um clima do neo-realismo italiano e conta a história de um menino pobre, que foi abandonado pelo pai. A ausência paterna acaba fazendo com que ele supere essa falta na amizade que sente pelo professor gay. "O fim e os meios", de Murilo Salles, foi todo filmado em Brasilia e aborda a relação delicada entre uma jornalista que cobre política e um senador sem escrúpulos. Filmes com ótimos roteiros, boa direção e bem produzidos só fizeram ressaltar aquela velha máxima de Luiz Severiano Ribeiro que diz que "cinema é a melhor diversão".

8.10.14










O ASTRO DO MOMENTO

IRANDHIR SANTOS atuou em quatro filmes exibidos no Festival do Rio 2014. Sendo que três deles foram na mostra competitiva: "Obra", "Ausência" e "Permanência". Além disso, ele é um dos protagonistas do filme "A luneta do tempo", de Alceu Valença, onde faz o papel de "Lampião". Em todos as produções sua presença no elenco fez diferença graças a um dedicado trabalho de ator. 




O BEIJOQUEIRO


Matheus Nachtergaele ganhou o apelido de "o beijoqueiro" do Festival do Rio 2014. O ator, que interpreta Joãosinho Trinta no filme "Trinta", que conta a vida do carnavalesco carioca, deu muito beijo na boca durante o festival. Beijou Michel Melamed, na estreia de "Trinta", no Teatro Municipal. Beijou Irandhir Santos no lançamento de "Permanência, de Leonardo Lacca. E beijou o diretor pernambucano Lírio Ferreira na sessão de gala de "Sangue Azul", grande vencedor do festival.











 A JURADA 

A presença constante de Malu Mader deu um charme todo especial ao Festival do Rio 2014. Como jurada da comissão que escolheu os melhores filmes da mostra competitiva, ela estava diariamente no Cinépolis Lagoon, conferindo as películas que disputavam o Troféu Redentor. Sempre discreta, elegante e simpática. Também estava sempre presente na sede do festival, no Armazém da Utopia, no armazém 6 do Cais do Porto, no centro do Rio. Se recusava a fazer qualquer comentário sobres os filmes que assistia, até o momento da premiação. Mas ela chegou a comentar com amigos que tinha ficado muito impressionada com as cenas de sexo do filme "Sangue Azul", que ganhou o prêmio de Melhor Filme. Malu também marcou presença nas telas. Ela é a narradora do filme "Cássia", que conta a a vida da cantora Cássia Eller.













PRÊMIO FELIX - Mateus Solano e Jean Willys roubaram a cena durante a entrega do Premio Felix aos melhores filmes de conteúdo LGBT, do Festival do Rio. O ator e o deputado entregaram, respectivamente, os prêmios de melhor filme e documentário, na cerimônia especial que aconteceu na noite dessa segunda no saguão do CCBB, tendo Júlia Lemmertz e o cineasta Aluízio Abranches como mestres de cerimônia. Roberta Miranda e Rogéria, na plateia, foram muito assediadas pelo público. Todos queriam fazer “selfies” com as estrelas. O filme “Xênia”, do cineasta grego Panos H. Koutras ganhou como melhor filme. “Toda terça-feira”, de Sophie Hyde ganhou um prêmio especial. “De gravata e unha vermelha”, de Miriam Chnaiderman, ganhou o Felix de melhor documentário. Os filmes foram escolhidos por uma comissão julgadora que contou com o novelista João Emanuel Carneiro, a cineasta Malu de Martino, a diretora argentina Albertina Carri e Wieland Speck, um dos diretores do Festival de Berlim e criador do Prêmio Teddy, que serviu de inspiração ao Premio Felix.

5.10.14




QUASE UM WOODY ALLEN - Uma grata surpresa o filme "Casa Grande", do diretor Fellipe Barbosa, exibido na mostra competitiva do Festival do Rio. A partir de um roteiro inteligente, o diretor construiu um filme bem sucedido na sua proposta de retratar a decadência de uma certa burguesia e seus conflitos com a parcela menos favorecida da sociedade. Tudo isso sem partir para a violência gratuita ou para o discurso panfletário. Barbosa consegue efeitos contundentes apelando para a inteligência, a elegância e a sofisticação. "Parece um filme do Woody Allen", alguém comentou na saída do Cinépolis Lagoon, onde foi apresentado. Pura verdade. "Casa Grande" provoca gargalhadas, surpreende o público a cada cena e faz o espectador sair do cinema com a sensação que passou bons momentos na sala escura.