24.10.12


Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.

SIDNEY SHELDON À BRASILEIRA - Uma história fascinante e bem contada. Assim é "Águas Turvas", o romance de Helder Caldeira, autor de, entre outros títulos, "A primeira presidenta", biografia de Dilma Roussef.  Com uma narrativa no estilo do americano Sidney Sheldon em seus melhores momentos, o livro conta a história de Gabriel Campos, um médico brasileiro, recém formado, que causa alvoroço numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, quando vive um relacionamento amoroso com Justin Thompson, um jovem executivo, filho de uma tradicional família republicana. O caso entre os dois rapazes faz eclodir uma série de conflitos familiares, tendo  como pano de fundo, a crise econômica pós 11 de Setembro. "Águas Turvas" tem uma trama envolvente, com dramas familiares que podiam estar acontecendo no interior de Minas ou no Complexo do Alemão, mas que o autor preferiu ambientar, com ironia e fascinação, no coração da América de George Bush. É um livro gostoso de ler, divertido e possui uma curiosa perspectiva no seu olhar sobre as relações humanas.  


18.10.12


Se duas pessoas se amam, uma à outra, não pode haver um final feliz.



















A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER – Foi um privilégio conhecer o diretor Philip Kauffman, por ocasião de sua visita ao Armazém da Utopia, sede do Festival de Cinema do Rio. Sempre fui fã do roteirista de “Os caçadores da Arca Perdida” e diretor de clássicos como “Os eleitos”, “Sol Nascente” e de um filme que adoro, “A insustentável leveza do ser”.  Foi uma honra apertar sua mão e dizer o quanto eu gosto da versão cinematográfica que ele fez do livro de Milan Kundera. Mesmo que centenas de pessoas já lhe tenha dito isso.

Ele é um excelente diretor. Tem a capacidade de dar um toque de classe ao seu cinema. Lembro como fiquei surpreso quando vi “Os eleitos” pela primeira vez e fiz questão de guardar o nome do diretor para não perder seus próximos filmes. Desde então estou sempre ligado em tudo o que faz. “Hemingway & Gelhorn”, filme que veio lançar no festival, é uma jóia rara. Uma delicada história de amor adulto sobre dois escritores de temperamento forte

(Na entrevista coletiva uma jornalista inexpressiva me causou náuseas quando disse ao diretor que não tinha gostado do filme. “Achei muito longo”, disse a aprendiz. Poxa vida! Os jornalistas não estavam ali para dar suas opiniões pessoais sobre o filme e sim para entrevistar o diretor. Mas, existem jornalistas que fazem questão de serem mais importantes que a notícia...)

Depois, nos corredores do Armazém, tive a oportunidade de conversar com ele e disse que não tinha achado o filme longo. Disse que para mim o filme tinha passado como um clipe, que tinha assistido com grande prazer. E que achava bacana o fato de seus filmes terem uma duração maior que as duas horas usuais de um filme comercial. Então o diretor chamou seu filho Peter, produtor do filme, que estava afastado, conversando com a Hilda Santiago, diretora do festival, e me apresentou o rapaz. “Veja Peter, ele não acha o nosso filme longo”, disse o diretor, com um tom serio na voz.

Philip também disse que escolheu o Clive Owen para o papel porque ele é muito parecido com o Hemingway quando jovem. “As pessoas costumam lembrar do Hemingway mais velho, de barba branca, mas na juventude ele foi um homem muito bonito e sedutor”, contou ao dissertar sobre como fez as pesquisas para a realização do filme. Foi incrível também ele contando detalhes das filmagens. O filme tem cenas em Paris, em Cuba e na Espanha. Mas foi todo rodado em São Francisco. E ele contou como, com um orçamento pequeno, conseguiu transformar o cais do porto da cidade num pedaço de Havana, e uma rua do centro num boulevard parisiense...

Cinema é a maior diversão...




12.10.12








LUTA EM FOTOS – Marcelo Alonso é um dos fotógrafos que mais admiro. Acompanho com atenção seu trabalho desde o início. Ele é um dos fundadores da revista Tatame, a bíblia das artes marciais. A primeira publicação nacional dedicada a registrar o mundo das lutas e dos lutadores. A primeira vez que eu vi o Vítor Belfort, então com 17 anos, foi numa foto dele, publicada na Tatame. Lembro que comprei a revista e mostrei para meu amigo Antônio Calmon. “Olha como esse lutador é bonito!” E era mesmo. Aos 17 anos, fotografado por Alonso, o Vitor realmente era um rapaz belíssimo.

Essa foto, do Vitor treinando com Carlson Gracie, e muitas outras que contam a história das artes marciais no Brasil nos últimos vinte anos, estão na exposição 20 anos de lutas: do Vale Tudo ao MMA, que reúne fotos de Alonso e de seu colega Susumu Nagao. Nesse período Alonso fotografou tudo o que aconteceu nessa atividade esportiva. Todos os campeonatos de jiu-jitsu, os primeiros torneios de vale-tudo, até chegar ao profissionalismo do MMA. Viajou para todos os lugares do mundo fotografando o que gostava, já que ele mesmo luta jiu-jitsu. Tóquio, Las Vegas, Barcelona, Londres, Chicago, Manaus, Paris...  Onde houvesse um campeonato Alonso estava lá, com sua câmera, registrando os lutadores em seus melhores ângulos.

De tanto encontrá-lo em campeonatos, acabamos ficando amigos. E tenho muito orgulho da sua amizade. Alonso é um sujeito fabuloso. Um homem tranqüilo, que vive para sua arte. Além disso, é um jornalista brilhante, que fundou a revista Tatame num momento em que os espetáculos de luta e os lutadores eram vistos com preconceito e desconfiança pela mídia e pelos patrocinadores. Ele acreditou naquilo. Teve feeling! Sabia que um dia o Brasil iria parar para ver os shows de luta. E estava certo. Investiu no seu trabalho, naquilo em que acreditava, e hoje pode colher os frutos do seu sonho.

A exposição de fotos de Marcelo Alonso está em cartaz no Shopping Rio Sul. Fotos como essas vistas logo abaixo.

  























FOTOS DE MARCELO ALONSO

8.10.12




O FELLINI DO JAPÃO - Um dos filmes mais interessantes do Festival do Rio é "Termas Romanas", do japonês Hideki Takeuchi. Uma história muito louca sobre um arquiteto da Roma antiga que escorrega na banheira de uma sauna, viaja no tempo, e vai parar no Japão dos dias de hoje. Fica impressionado com a tecnologia da vida moderna, principalmente no que diz respeito as casas de banho japonesas. Quando volta para sua Roma antiga, através do mesmo processo, ele cai nas graças do imperador Adriano por adaptar para sua época, algumas das coisas que ele viu no futuro. O curioso é que os personagens italianos são interpretados por atores japoneses. É hilário ver o Imperador Adriano e os políticos do senado romano  com os olhos puxados.

"Você é o Fellini do Japão", eu disse ao diretor Takeuchi, após a sessão no cine Sesc Botafogo. Ele deu uma risada e contou que filmou parte de sua história no mesmo estúdio onde Fellini realizou alguns dos seus filmes. "Se houve o "Roma de Fellini", então seu filme é o "Roma de Takeuchi", disse ao cineasta. Ele adorou e começou a falar sem parar, emitindo aqueles sons engraçados da língua japonesa, enquanto seu intérprete tentava acompanhar o ritmo.  Takeuchi adora o Rio, cidade que conheceu dois anos atrás. "O Rio é uma das três cidades mais incríveis do mundo. A outra é Nápolis", traduziu seu interprete, depois dele emitir seus conceitos, bebericando uma taça de vinho tinto, admirando a linda vista da Baía da Guanabara que o Cais do Porto permite. Contou que seu filme é um sucesso de bilheteria no Japão e que também está fazendo sucesso na Itália. "Quero passear um pouco pela cidade, pedalar em Copacabana e andar de asa delta", disse sobre sua agenda. Está tentando aprender a falar um pouco de português e  gosta muito da sonoridade das palavras "Copacabana" e "Ipanema", mas que acha estranha a sonoridade da palavra "Leblon". "Penso que o Brasil tem a sociedade mais evoluída do planeta, atualmente",. 

"Termas Romanas" tem, como ator principal, Hiroshi Abe, artista muito popular no Japão. Um sujeito bonito e talentoso, que diverte e emociona a platéia. O roteiro parece o enredo de uma escola de samba. É um samba do crioulo doido. Mas um samba muito bem executado. E a direção é inventiva, "felliniana". Pelas gargalhadas do público durante a sessão, o filme tem tudo para ser um sucesso de bilheteria no Brasil.








JOGADOR FRANCÊS VAI FAZER FILME NO RIO - O lendário jogador do futebol francês Eric Cantona, que fez história vestindo a camisa do Manchester United, está no Rio. Veio participar do Festival de Cinema que acontece na cidade já que, atualmente, se dedica a trabalhar como ator e produtor de filmes. Além, é claro, de ser o treinador da Seleção Francesa de Futebol de Praia. Cantona está com seus irmãos Jean Marie e Joel Cantona. O trio se reuniu na manhã desta segunda-feira, 8 de Outubro, com Walkíria Barbosa, diretora do festival e dona da produtora brasileira Total Filmes. Juntos, eles vão produzir um filme a ser rodado no Rio, sobre garotos do futebol de praia que sonham ser jogadores profissionais, para ser lançado antes da Copa do Mundo. O filme, uma história de ficção, vai ser dirigido pelo cineasta Philippe Dajoux e terá as participações de Romário e Zidane. Quinta-feira, 11 de outubro, Cantona, que trabalhou como ator no filme Elizabeth, com Cate Blanchet, e já foi dirigido por Ken Loach, vai participar da festa de encerramento do festival, no cine Odeon.



A HORA DO PRODUTOR - Fabiano Gullane é um dos mais bem sucedidos produtores da recente safra do filme nacional. Sua produtora, a "Gullane Filmes" está envolvida em diversos projetos de sucesso, como "Até que a sorte nos separe", atualmente em cartaz. No Festival do Rio a Gullane apresentou "Chamada a cobrar", de Anna Muylaert e o filme português "Tabu", onde é a produtora associada. Na foto acima a atriz Ana Moreira, do filme "Tabu" aparece entre o produtor português Miguel Gomes e Fabiano Gullane. 

5.10.12







OS JOVENS E O MAR - O filme dos irmãos  Julian e Joaquim Azulay, "Gauchos del Mar", que foi traduzido como "Cowboys do Mar" tem lotado todas as sessões. No sábado muita  gente voltou da porta do cinema Estação Sesc Botafogo, onde foi exibido. Houve até espectadores que queriam comprar ingressos para assistir ao filme sentados do chão, mas a gerente intransigente não permitiu. É um filme belo e comovente, tanto nas suas imagens de lugares paradisíacos, quanto no estilo de vida que propõe. Desde já é um clássico filme de surfe. Aliás, os filmes com essa temática tem feito tanto sucesso, que na edição de 2012 o festival criou a mostra "Midnight Surf". Que tal? Pois "Gaúchos del Mar" (eu prefiro o título original, apesar de "Cowboys do Mar" também ser bacana), com sua incrível trilha sonora, está sendo exibido na mostra "Midnight Surf".

Julian e Joaquin Azulay injetaram beleza e juventude ao festival. Julian é arquiteto formado e Joaquin estuda para ser Administrador de Empresas. Ficaram surpresos como o filme que produziram conseguiu se destacar em meio a tantos trabalhos geniais exibidos no Festival do Rio. O pai deles veio da Argentina especialmente para assistir a exibição.  E estava muito orgulhoso do sucesso dos garotos dentro e fora das telas. 


FILME NA PRAIA - Um dos eventos mais incríveis do Festival do Rio foi a exibição do primeiro filme de Hitchcock, "The Pleasure Garden", com a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem tocando ao vivo a trilha sonora. A música foi composta especialmente para o filme por esse jovem da foto acima, Daniel Cohen, um músico de apenas 24 anos. "Eu assisti ao filme dezenas de vezes e fui compondo a música aos poucos", me disse ele, depois da sessão. Parecia feliz por estar participando do evento. Foi a primeira vez que o filme foi exibido fora da Inglaterra. Na verdade, depois de restaurado, ele foi exibido apenas três vezes em Londres.

The Pleasure Garden tem uma linda fotografia. É cheio de climas e a música realça esse aspecto. O suspense, característica do cineasta, já está presente com muita verdade. O filme já nasceu sendo um "típico Hitchcock". Tem uma sequência em que um homem afoga uma mulher no mar que é impressionante. E o estilo com que ele, no futuro, iria filmar Grace Kelly e Kim Novak, já está presente na sua estreia como diretor. 

Quando eu conversava com Daniel Cohen depois da sessão, disse que gostava muito de trilhas de filmes. E comentei que um dos meus compositores era o Angelo Badalamenti.  Cohen arregalou os olhos, surpreso, e me disse que simplesmente adorava o Badalamenti. "Em alguns momentos da minha composição eu me inspirei na trilha que ele compôs para Blue Velvet", disse. Jerry Goldsmith é outro compositor que ele curte. "A música do filme Aliens é sublime", afirmou o jovem talentoso.




CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - A farra do cinema continua. E um filme tem sido apontado por todos como o grande destaque do festival. Tabu, de Miguel Gomes, integrante da mostra "Imagens de Portugal". E que imagens! O filme é todo rodado em preto e branco e os personagens falando com aquele delicioso sotaque português deixou a plateia do Cine Odeon Petrobras boquiaberta. É um filme romântico e envolvente. Leticia Sabatella estava na plateia e depois da sessão só tinha elogios para o filme. Dê uma olhada no trailer e tire suas próprias conclusões.

4.10.12















FESTIVAL DE CINEMA DO RIO