29.6.11

















A FABULOSA LEA T - Ela foi a grande estrela da festa de entrega do prêmio Rio Sem Preconceito, promovido pelo Prefeito Eduardo Paes no Teatro Oi-Casa Grande. Simpática, bonita, elegante, delicada... Assim é Lea T, a célebre filha do jogador Toninho Cerezo. Depois de receber o prêmio das mãos de Christiane Torloni fez um discurso singelo. Ao falar do seu seu pai Léa ficou emocionada, começou a chorar. (Uma moça que estava sentada ao meu lado exclamou: tadinha!) No coquetel que se seguiu à premiação a musa dos transexuais foi a personalidade mais assediada. Todos queriam uma foto ao seu lado, um autógrafo ou simplesmente chegar perto dela.



Quem também fez sucesso na entrega do prêmio foi a dupla Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Os autores de Insensato Coração foram premiados por divulgarem na novela as leis que protegem os homossexuais. Gilberto Braga dedicou o prêmio ao seu companheiro, Edgar Moura Brasil, com quem mantém um relacionamento estável há trinta e nove anos. Ricardo Linhares também dedicou o prêmio ao companheiro, com quem vive há dez anos. Antes Bruno Chateaubriand já havia recebido seu prêmio e dedicado ao André Ramos, seu companheiro há quinze anos. A longevidade dos relacionamentos citados foi alvo da melhor piada da noite. O apresentador Toni Garrido disse que "quem quiser ter um relacionamento duradouro tem que ser gay". Vixe Mainha!





A apresentação de Bebel Gilberto foi o ponto alto da festa. Bebel só cantou três músicas: Aganju, Baby e Preciso dizer que te amo. A verdade é que ela está cantando cada vez melhor. Recriou as músicas e fez o que quis com a sua voz afinada e cristalina. No encerramento do evento o elenco do musical Hair cantou Let the sunshine in, uma das músicas da peça. Depois um coquetel com um DJ bacana tocando hits das pistas de dança.






26.6.11








CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Nunca vi um filme do Woody Allen que eu não pudesse chamar de obra-prima. Meia-Noite em Paris não foge à regra. É um filme tão bem cuidado, tão bem produzido, que dá gosto ir ao cinema. E esse filme, ao abordar os sonhos e angústias de um escritor, me tocou de um jeito muito especial. O fascínio que o escritor Gil Pender (o personagem de Owen Wilson) tem por Paris é algo que consigo entender perfeitamente. Aquela cidade, realmente maravilhosa, é um estímulo para quem tem compulsão de escrever. A idéia do diretor e roteirista de fazer seu personagem, sem nenhuma razão lógica, viajar no tempo e encontrar seus escritores favoritos, é um achado. Paris sempre foi e será uma grande inspiração para quem gosta de escrever. E andar por aquelas ruas, atravessar as pontes, olhar os monumentos, os edifícios, as praças e cafés... Estar ali já é uma viagem no tempo. Adoro quando Gil Pender encontra Francis Scott Fitzgerald, um dos meus escritores favoritos. Encontra Fitzgerald e Zelda, o grande amor de sua vida.



Na música Being Boring os Pet Shop Boys falam que encontraram por acaso uma caixa com velhas fotos e convites para festas adolescentes. Num dos convites estava escrito "vista-se de branco", citando a mulher de um escritor famoso dos anos 20. No filme de Woody Allen a mulher de Fitzgerald, Zelda, fala várias vezes que está se sentindo "boring", entediada, e isso me fez lembrar dessa música e do incrível clipe do Bruce Weber.



La notte brava é um filme italiano de 1959 que vi no feriado. A fotografia em preto e branco é idêntica a fotografia de Bruce Weber no clipe de Being Boring. Os planos, os closes e os rostos dos rapazes bonitos são idênticos. La notte brava, cujo título francês é Les Garçons e no Brasil chama-se A longa noite de loucuras, foi dirigido por Mauro Bolognini e roteirizado por Pier Paolo Pasolini. É uma história que envolve prostitutas e pitboys italianos e tem o mesmo clima do filme Juventude Transviada lançado quatro anos antes nos EUA, com James Dean no elenco. Jovens entediados e perplexos diante da própria juventude saem em busca de algo que dê sentido as suas vidas. Bolognini e Pasolini fizeram uma festa com esse ponto de partida e realizaram um filme fascinante.



O meu bonequinho particular também aplaudiu de pé ao filme A reencarnação de Peter Proud, um thriller com um toque de classe, que tem um excelente roteiro e uma direção vigorosa. Conta a história de Peter Proud, um professor universitário que vive atormentado por constantes pesadelos. Ele sempre sonha com um cara que está nadando num lago, à noite, então surge uma mulher num barco, e quando ele se aproxima a mulher o agride com o remo e ele morre afogado. O sujeito não encontra razão nem explicação para aquele sonho. Certo dia ele vê num programa que está passando na TV um lugar que lembra o cenário onde acontece seu sonho. Para entender o que está acontecendo, Peter Pround vai até esse lugar e ali acaba descobrindo coisas muito perturbadoras sobre a sua vida atual e sobre sua outra vida. É um filme muito bacana já que tem uma pegada de filme policial e ao mesmo tempo um interessante clima erótico. Foi lançado em 1975 e o diretor, J. Lee Thompson, é o mesmo do clássico Cabo do Medo, com Robert Mitchum que, anos depois, foi refilmado por Martin Scorcese. A trilha sonora de Jerry Goldsmith embala a obra-prima.








21.6.11

O preconceito é um fardo que confunde o passado, ameaça o futuro e torna o presente inacessível.




I PRÊMIO RIO SEM PRECONCEITO - Bebel Gilberto vai cantar no Rio no próximo dia 28 de Junho, durante a entrega do I Prêmio Rio Sem Preconceito, uma promoção da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio. Na festa 12 personalidades da vida carioca vão ser homenageadas por suas ações na luta contra o preconceito. Quem são os homenageados? Os nomes serão conhecidos na hora. A direção da cerimônia fica a cargo de Guilherme Piva e terá participações de Aloisio de Abreu, Luis Salém e Christiane Torloni. A festa vai rolar no Teatro Oi Casa Grande. Será que Toninho Cerezo vai receber esse prêmio?



20.6.11

Se pudesse viver novamente, na próxima vida tentaria cometer mais erros.

14.6.11


As filhas são amadas pelo que são e os filhos, pelo que prometem ser.



DE PAI PARA FILHA - Nunca fui muito fã do Toninho Cerezo na época em que ele era jogador de futebol. Ele nunca me chamou a atenção, talvez porque, na sua época de jogador, existiam muitos outros craques para serem chamados de ídolos. Só agora, depois que seu filho Leandro ficou famoso como a transexual Lea T é que passei a perceber a existência de Toninho Cerezo. Achava curioso que um jogador de futebol, um ente de um universo tão machista, estivesse vivendo a experiência de ter um filho fora dos padrões sexuais dito normais. E fiquei comovido com o texto que ele escreveu (publicado na revista Lola e reproduzido abaixo) falando sobre sua filha. Depois de ter lido o que ele escreveu acho que eu devia ter prestado mais atenção no seu talento de jogador de futebol.





Qual pai um dia não pensou desta maneira? Como seria bom se existisse um manual completo, que ensinasse e orientasse como ser pai em todas as etapas da vida dos filhos! Por mais que existam livros, manuais, conselhos bem-intencionados, a grande verdade é que exercer a paternidade vai muito além de conselhos e teorias. Todos sabem que cabe à paternidade uma parcela da responsabilidade de cuidar, educar, proteger e preparar os filhos para o ingresso na sociedade. Mas a alma humana é muito complexa, e estamos bem longe de saber tudo o que esse ser mutante chamado Homem é capaz de fazer, querer e ser… Meu menino, minha menina pra sempre, eternamente, os dois serão meus. Ainda no ventre, Leandro foi um filho esperado e amado. Na sua infância, seu sorriso doce e os cabelos cacheados não me indicavam qualquer tendência, era apenas uma criança, era apenas meu filho. Com o passar dos anos e a chegada da adolescência, conheci, na intimidade e nos momentos que passamos juntos, seu jeito diferente — a clara ausência de predileção por brincadeiras masculinas. Percebi interesse por assuntos ligados à arte e ao universo feminino. Por conta da minha formação familiar ter sido baseada em respeito, cresci em um ambiente livre e pude escolher jogar futebol e viver apenas com meus dons no campo. Como não tive o tão sonhado manual, “Como Criar Filhos”, criei os meus igualmente livres também para suas escolhas, sem cobranças nem imposições. Apesar de notar as diferenças, percebi também que nada poderia fazer, e tudo o que poderia dar a ela/ele era o meu amor incondicional, a segurança, o conforto e a certeza de que, em qualquer circunstância, por mais que longe, eu estaria sempre ao seu lado. Em alguma entrevista, Lea disse que a única coisa que gostaria de ter aprendido no futebol eram as embaixadinhas (veja só!), e que até tentou aprender, mas não foi muito bem-sucedida. Sei que trabalho em um ambiente teoricamente machista, mas nunca houve influência nem espaço para cobranças, apenas dei oportunidade de estar comigo caso quisesse. Pode ser que eu tenha sido negligente como pai, mas não há motivos para frustrações. Não podemos ser bons em tudo. E você, Lea T. Cerezo, sabe muito mais que embaixadinhas. Teve coragem de, elegantemente, tentar quebrar paradigmas e mostrar ao mundo que devemos aceitar, sim, as diferenças, ser tolerantes com a diversidade, entender e não julgar aquilo que não conhecemos. O caminho pode ser longo, mas com certeza não será o mesmo depois de você. A paternidade é livre de qualquer padrão, de qualquer critério imposto pela sociedade, filho deve ser aceito na sua totalidade, na sua integral condição de vida, independentemente de sua orientação sexual. Como diria o poeta Cazuza, “O tempo não para, não para, não, não para”, e filho crescido não cabe mais aos pais educar. Sendo assim, aqui ou lá, torço por você, Lea. Menino ou menina, Leandro ou Lea, não importa mais, sempre serei seu pai e você, orgulhosamente, um pedaço de mim.


Toninho Cerezo


13.6.11





































































BOMBEIROS EM CHAMAS

O desfile dos bombeiros do Rio de Janeiro na Avenida Atlântica foi melhor do qualquer parada gay. Alegre, festivo, másculo e alto astral. No meio daquela multidão de soldados eu me sentia como uma criança na Disneylandia diante do Mickey, do Pateta e do Pato Donald. Via tudo com olhos de encantamento. Eu já venho acompanhando o movimento dos bombeiros desde a primeira passeata. Na verdade, já acompanho o movimento dos bombeiros desde que me entendo por gente. Mas agora, durante essa campanha por melhores condições de trabalho, pude acompanhar como jornalista, mas também como cidadão solidário com a Instituição. Com esse espírito, participei ativamente (gostaria de dizer que participei passivamente) de todas as manifestações. Fui as passeatas, participei da manifestação em frente a Assembléia Legislativa, estive na manifestação em frente ao Quartel Central, almocei com os soldados a refeição feita na cozinha improvisada em frente a Alerj (num dia, um inesquecível talharim a bolonhesa; noutro dia, carne moída guisada com arroz e batata; noutro dia sopa de carne com legumes, sem falar nos sanduiches de mortadela... ), gritei palavras de ordem tipo "Cabral, você me paga mal", etc. Então no domingo, durante a parada em Copacabana, fui fazer uma foto do cabo Benvenuto Dalciolo, um dos líderes do movimento. E quando apontei minha câmera, ele veio em minha direção, pegou a câmera da minha mão, entregou para um amigo que estava ao lado dele e me disse: Eu não quero que você faça uma foto minha. Sou eu que quero fazer uma foto ao seu lado. Dito isso, ele me deu um abraço bem apertado, daqueles que só os homens verdadeiramente másculos sabem dar, enquanto seu amigo fazia a foto. Fiquei todo arrepiado.


É uma pena que o governo do estado não tenha sido habilidoso e carinhoso na hora de lidar com as reivindicações dos bombeiros. O fato é que eles são militares e o meu querido Sérgio Cabral detesta os militares. Não importa se são do Exército, da Marinha, da Aeronáutica ou do Corpo de Bombeiros. A palavra "militar" causa pesadelos e urticária no Governador. O pai dele foi preso pelos militares na época da ditadura. A família sofreu muito com isso. Ele viu a mãe chorando por causa da prisão do pai. Viu o pai atrás das grades, pois ele ia visitá-lo na cadeia. O menino Cabralzinho ficou traumatizado com tudo isso e desenvolveu um enorme desprezo pelos militares. Todo ano ele vai na Parada Gay, mas nunca foi na Parada de 7 de Setembro. Se tivesse consciencia do cargo que ocupa, ele teria que, obrigatoriamente, participar do desfile militar em comemoração a Independência do Brasil onde, todos os anos, o Corpo de Bombeiros é ovacionado pelo público. Mas seus traumas de infância não permitem sua presença no desfile. Ele se sente vingado esnobando os militares. "Viram o que vocês fizeram com meus pais? Agora eu estou me lixando pra vocês..."


Acorda, Alice! Diria eu se fosse assessor do Sérgio Cabral. Os militares dos dias de hoje não tem culpa do que aconteceu no passado. E os militares do passado só assumiram o governo porque a sociedade brasileira assim o quis. Ninguém quer assumir isso. Agem como se os militares tivessem tomado o poder à força. Não foi bem assim. Houve um governo militar por que a sociedade brasileira praticamente exigiu, paranóica de que os comunistas tomassem conta do Brasil. Da mesma forma que, no momento em que a sociedade brasileira começou a sinalizar que não queria mais um governo militar, eles deram início a abertura política que culminou com a democracia. Simples assim, como diria aquele anúncio. Além disso, o Sergio Cabral, pai, foi se meter com aquele bando de arruaceiros do Pasquim... Acabou preso. O que foi ótimo, não é mesmo? Ficaram todos alguns dias presos e agora estão milionários com as polpudas indenizações que são pagas as "vítimas" da ditadura. Pois é. Para pagar indenizações a terroristas aposentados não falta dinheiro. Mas para pagar um salário decente aos bravos bombeiros o dinheiro público não dá.


Cabral você me paga mal!





SEJA COMO VOCÊ É - Os conservadores religiosos certamente vão ficar de cabelo em pé. Pode uma criança de apenas 9 anos, fazendo a coreografia de Madonna no clipe da música Vogue, abalar as estruturas dos adultos hipócritas? Talvez sim, talvez não. Mas o garoto desse clipe nos diverte e nos faz sorrir com seu talento, sua inteligência e sua alegria de viver. Veja e divirta-se.

11.6.11
















BOMBEIROS EM CHAMAS - Foi com grande prazer que assisti a um espetáculo chamado Gala Roland Petit, com a orquestra e o corpo de baile do Theatro Municipal. O balé é uma adaptação de temas musicais criados por Georges Bizet para coreografias de Roland Petit. Os bailarinos e a orquestra do Municipal deram um show de talento e profissionalismo. Merecem todos os aplausos do mundo, pois o espetáculo foi muito bem encenado. A música executada com precisão e suavidade. E a dança executada com muita graça, leveza e incríveis piruetas. Além da música e da dança o balé se destaca pelo impacto visual, graças aos cenários e figurinos de Antoni Clavé.



Antes do espetáculo, porém, jantei com os bombeiros acampados em frente a Assembléia Legislativa. Os soldados improvisaram uma cozinha para alimentar a tropa em greve por melhores salários e o menu daquele dia foi um suculento talharim a bolonhesa. Macarrão é um dos meus pratos favoritos. Mas o macarrão dos bombeiros tinha um sabor muito especial, pois havia o tempero da energia, da força e do suor do trabalhador assalariado. (Noutro dia comi um delicioso guisado de carne moída com batata acompanhado de arroz e feijão. E havia também sanduiches de mortadella com nescau. Mas o melhor de tudo era a sopa de carne e legumes servida de madrugada. Hummmmm!) Durante toda a semana acompanhei com especial atenção a mobilização dos bombeiros em frente a Alerj. Acompanhei toda a movimentação como jornalista, mas também como um cidadão solidário com a reivindicação dos trabalhadores.


Lamento muito que as coisas tenham, de certa forma, saído do controle. A invasão do quartel central foi um erro dos rapazes. Mas, por outro lado, o grande responsável pela situação de confusão e caos que aconteceu é o governador Sérgio Cabral. Ele esteve muito mal assessorado nessa questão dos bombeiros. Tudo começou quando ele tirou os bombeiros da área de segurança pública e os colocou subordinados a Secretaria de Saúde que é comandada por uma piada chamada Sergio Cortes. O secretário de saúde, como o próprio Cabral e outros integrandes do seu governo, só estão interessados em participar de "jogadas e negociatas". Não estão interessados em governar ou administrar. Fazer o melhor para sociedade. Para eles governar é fazer marketing. Simples assim.



Para o governador você é um voto. Para os bombeiros você é uma vida! - Frase escrita na camisa de um bombeiro bonitão que circulava pelo pátio da Alerj. No domingo os rapazes vão fazer uma passeata na Avenida Atlântica. Eles prometem um desfile memorável, com destaque para os 439 bombeiros que foram presos. Certamente será um programa imperdível!


10.6.11

Não devo perguntar o que fizeram de mim, e sim o que vou fazer com o que fizeram de mim.



TRISTES CAMELOS - Um pequeno romance existencialista. Assim é o livro Tristes Camelos, de Daniel Corrêa, que a Editora Faces acaba de lançar. Com um sensível uso das palavras o jovem autor narra uma intrigante paixão não correspondida. Há um frescor na narrativa de Tristes Camelos. E também uma suavidade na tristeza do personagem narrador ao reafirmar a prioridade da existência sobre a essência. Há um poema impregnado em cada parágrafo, como se o autor quisesse seduzir o leitor, da mesma forma em que busca seduzir a mulher alvo de sua paixão. É belo e consistente.



Um trecho de Tristes Camelos:



Quando mostrou o rosto , a voz e o sonho, não soube que era como espelho. Tudo parecia resto de outros rostos, pedaços de outros abraços e sonhos quebrados entre os dela. E eu era assim tão dela , e sabia, até mais que eu poderia, que moraria entre os dedos dela se soubesse ser ela. Não quero dizer agora que a amo ou justificar por que me escondi. Ou por que não notei ou pelo menos não demonstrei que senti o ar sumir quando ela chegou com aquele jeito, e andava como se anda com os dedos no piano, chovia dentro de mim e fazia tudo esmaecer. Lembro da voz, do rosto no ombro, do modo como se entregava à música. Tirou meu ar ao entrar. Queria ficar ali, me ajoelhar, beijar e lamber a barriga. Queria implorar de novo.


5.6.11



A audácia sem juízo é perigosa, e o juízo sem audácia, inútil.




SOU UM FEIXE DE NERVOS EXPOSTOS - Wilma Lessa foi uma mulher incrível. Inteligente, culta, elegante, guerreira. Era uma feminista com muita convicção e sofria muito por viver num mundo muito machista. Ela não aceitava a idéia da mulher existir para atender aos interesses dos homens. Houve um período da minha vida que tivemos uma convivência muito próxima. Tivemos noitadas memoráveis em festas, bares e boates. Passeios inesquecíveis em praias distantes. E também compartilhamos momentos bacanas em seu apartamento cheio de livros. A literatura era uma paixão comum. Ela escrevia contos e poemas e era louca por Juan Rulfo, um incrível escritor mexicano. Os latinoamericanos eram seus escritores favoritos. Sentada no sofá da sua casa, bebericando uma taça de San Raphael, sacudindo as enormes pulseiras em seu pulso de pele imaculadamente alva, ela lia trechos de livros de Vargas Lhosa, Garcia Marquez e Manuel Puig. E a trilha sonora era sempre com Ornella Vanone, Astor Piazzolla e Belchior. Wilma era uma pessoa muito intensa. Vivia a vida com muita verdade, com muita paixão. Quando ela morreu, em pleno carnaval, fiquei muito triste. Outro dia sua irmã Noemi me mandou alguns dos seus poemas. Fazem parte do projeto de um livro que teria por nome "Sou um feixe de nervos expostos". Já os li tantas vezes e sempre imagino estar ouvindo sua voz os recitando em voz alta.




Hoje minha pele reagiu

A teu cheiro

estes costados largos

o calor intermitente



A história se repete
mas a gosma da boca
saliva grossa
é outra
única
porque tua



E me alimenta

No âmago
Aquela coisa interna
invisível aos olhos
Mas que habita

Cada poro

Centímetro de pele

Cabelos

Arrepios.



Qual vento bravio
Mas que aquece
E acalma





DESCOBERTA



Constatei em pânico

Que intrincheirada
Nas barreiras intelectivas
Sondava-me a paixão.



Hesitei,
Perplexamente não senti
Recuei frente ao óbvio:
E como um heterossomo
Mantive-me ao fundo
Deitada sobre os olhos
Que não vêem
Porque amar dói



Preferi ficar mofando

Da paixão que te guiava

E fazer pirraça

Para não admitir

Estou lhe amando, homem



1.6.11









FEIJOADA COMPLETA - Famoso por sua tradição no futebol de praia e também por sua animada e organizada torcida, o Copaleme faz festa de confraternização dia 5 de Junho, Domingo. A partir das 13 horas vai rolar uma incrementada feijoada no Clube Copaleme, ali na Ladeira Ary Barroso. Um programão para todos que curtem um programa bem carioca: futebol + samba + feijoada. Os torcedores apaixonados costumam dizer que: "O Copaleme é o Maior Império Esportivo Olímpico Universal Praiano de Todos os Tempos". Será uma boa oportunidade de conferir se isso é verdade.