29.1.03



A Green Thought and a Green Shade de A. Woudhuysen (para Cora Ronai )
O DESFILADEIRO DO MEDO é o nome do novo livro do escritor e cineasta Clive Barker. O enredo é fascinante. Um famoso astro de Hollywood entra em pânico quando vê o seu rosto deformado depois de uma cirurgia plástica que não deu certo. (Será que ele se inspirou em Mickey Rourke?) Arrasado, o sujeito some da Meca do cinema, indo se esconder num lugar esquecido e de difícil acesso, Coldheart Canyon, o desfiladeiro que dá título ao livro. Enquanto isso, o presidente do seu fã-clube, intrigado com o sumiço do astro decide sair à sua procura e descobrir o que realmente aconteceu. Mas o vaidoso ídolo está disposto a fazer qualquer coisa para impedir que o seu rosto deformado seja tornado público. A partir desse conflito Clive Barker constrói um perfil ácido e cruel da Hollywood dos nossos dias.


CLIVE BARKER nasceu em Liverpool em 1952. É autor da série Livros de Sangue e de obras como O Jogo da Perdição, Raça da Noite e A Trama da Maldade. Também é autor de uma obra-prima chamada SACRAMENTO. Juntamente com o seu trabalho como contista e romancista ele é ilustrador, dirige, escreve e produz para teatro e TV. Seus filmes incluem sucessos como Hellreiser, Nightbreed, Candyman e Lord of Illusions. Clive Barker mora em Los Angeles com seu amante e companheiro, o fotógrafo David Armstrong.



The Protest de Boris Vallejo (Para Kristen Bjorn)
FEIRA DE VAIDADES – A edição de fevereiro da revista VANITY FAIR está tudo de bom. Na capa a bonitona Salma Hayek, fotografada pelo saudoso Herb Ritts. No interior da revista a interprete de Frida Kahlo no cinema aparece numa belíssima seqüência de fotos em preto e branco. Além disso o sofisticado magazine publica grande reportagem sobre a brasileira Lilly Safra. A revista continua achando suspeita a morte do banqueiro Edmond Safra, deixando a viúva multimilionária. E já que falamos do Brasil, a VANITY FAIR cobre de elogios o filme City of God, em cartaz nos cinemas americanos.


BRUCE WEBER ESTÁ VIVO – Ainda na edição de fevereiro da Vanity Fair um grande ensaio com fotos sensacionais do mago da fotografia Bruce Weber, feitas na Suíça. As fotos são lindas, naquele estilo mágico e encantador, característico de Mr. Weber. No texto, a revista compara as fotos feitas na Suíça com as fotos do álbum Rio de Janeiro, que Bruce fez aqui no Brasil com os rapazes da família Gracie e mais Luisa Brunet e Claudia Raia. Tem uma foto de página inteira de um garotão loirinho usando underwear que é uma loucura!



The Military in Bologna de Edna Bizon (Para Lilian Garcia)

ARMAÇÃO DE BÚZIOS – Fazia um pouco mais de um ano que eu não visitava o sofisticado balneário. Aproveitando as férias, passei cinco dias encantadores na residência de verão da poderosa Marina W . Sol o tempo inteiro. A cidade está um luxo só. As ruas asfaltadas e limpas. A orla-bardot muito bem cuidada. Nada de mendigos, nem gente morando nas ruas. Búzios está parecendo uma daquelas cidadezinhas da Califórnia como Newport e Laguna.


CABOFOLIA – Aproveitando a minha temporada em Búzios fui pular o carnaval no Cabofolia. Foi muito legal. Adoro uma micareta. Encontrei vários amigos e me diverti muito. Fiquei chocado quando li no Globo a cobertura da festa. Segundo o jornal o evento foi uma tragédia. Pois eu desminto o jornal. Eu não vi uma briga sequer. Pelo contrário. A festa estava super alto astral. E olha que eu não fiquei em camarote. Brinquei na pipoca, como um verdadeiro folião. Acho que, cada vez menos, a gente deve acreditar no que lê nos jornais.


Segundo o Globo várias pessoas tiveram celulares roubados. Será que isso ainda é notícia? Não precisa de micareta para as pessoas ter seus celulares roubados. Basta andar na avenida Rio Branco, no centro da cidade. Ali não se pode mais falar em telefone celular por causa dos larápios. Um morador de Cabo Frio escreveu uma carta para o jornal reclamando do consumo de drogas, dizendo que os jovens se drogavam e ficavam tirando a roupa em público. Mas essa foi exatamente a parte boa do evento. Viva o strip tease!



QUANDO SÓ RESTAR O MUNDO é o título do novo livro de Mauro Pinheiro, um escritor inquieto e original. Ele é mais conhecido pelo seu livro de estréia o clássico CEMITÉRIO DE NAVIOS, uma jóia rara da literatura brasileira.


24.1.03




Remadores no rio Chateau, de Renoir (Para Paulo Pelicano)


Foto: Waldir Leite

22.1.03




High Noon de Edward Hopper (Para Leo Jaime)



CARIOCA é um sujeito que carrega um RIO dentro de si. - Domingo de sol, praia lotada, Copacabana em estado de graça. Na praia, em frente a rua República do Peru encontro a galera do Força & Saúde, tradicional time de futebol de praia. Augusto, Rodrigo, Alexandre e Carlinhos. Batemos papo. Atualizamos as fofocas. Todo mundo conta o que fez no reveillon. Carlinhos e Augusto foram para Angra. Rodrigo e Alexandre foram para Trancoso. Numa barraca ao nosso lado tem um rádio ligado. De repente o radio começa a tocar a música “Já sei namorar”, com Os Tribalistas. Imediatamente os rapazes começaram a dançar em plena praia lotada, fazendo coreografias divertidas. A praia inteira parou para olhar aqueles garotos lindos, dançando de um jeito tão sexy. É incrível o carisma da música “Já sei namorar”. É uma canção que realmente conquistou o coração dos brasileiros. Em todos os lugares, quando começa a tocar essa música as pessoas gritam e começam a dançar.


O campeonato de futebol de praia continua incendiando as areias de Copacabana. O torneio é um dos eventos do verão carioca que eu mais gosto. As partidas são verdadeiras operetas na areia da praia. Como prima-donas de um espetáculo lírico, os atletas driblam a bola como se estivessem driblando a própria vida. Ao fim da primeira fase do campeonato já se pode fazer alguns registros. Yuri, o atacante do Copagalo é o melhor jogador do campeonato. Ele está em grande forma, com um estilo apurado e cheio de ginga. Triste é a situação do time “Meus Amigos”. Foram sete partidas e sete derrotas. Era de cortar o coração a tristeza de Cacá, o artilheiro da equipe. Ele estava transtornado depois da partida de domingo.

21.1.03



Um tributo a Herb Ritts na imagem de Madonna como uma autêntica Femme Fatale

TOTALMENTE HITCHCOCK - Uma pena que Femme Fatale, o novo filme de Brian de Palma não tenha recebido nenhuma indicação para o Globo de Ouro. O filme é ótimo. Uma delicada obra prima, no melhor estilo Alfred Hitchcock. Mas com aquele tom mais perverso característico do Brian. Um roteiro inteligente, criado para servir aos delírios cinematográficos do diretor. A seqüência inicial, do roubo dos diamantes, numa sessão de cinema do Festival de Cannes é genial. As surpresas do script. A beleza da fotografia. A precisão da trilha sonora de Ryichi Sakamoto. O titulo. É tudo tão original e prazeroso para quem está assistindo. Além disso, o filme tem a cara do Brian de Palma. Quem conhece a obra dele vai concordar com essa afirmação. No sentido da originalidade do seu trabalho, Brian de Palma é uma espécie de Almodóvar do cinema americano. Portanto, acho que a imprensa de Hollywood perdeu uma grande oportunidade de premia-lo, ou pelo menos celebra-lo indicando-o para um dos prêmios.

CITY OF GOD – O melhor programa para este domingo, véspera do feriado de São Sebastião, foi ficar em casa, assistindo pela TV a entrega do Globo de Ouro aos melhores do cinema do ano passado, segundo a imprensa especializada em cinema. Um baseado numa mão. Uma taça de prosecco na outra. Pirei assistindo ao programa. Adoro aquela gente. Nicole, Di Caprio, Scorcese, Bono, Renée, Meryl, Salma, Elton, Nicolas, Sharon, Arnold, Brendan...


Vibrei com a premiação do Richard Gere, melhor ator de comédia ou musical. Sou fã dele desde seu primeiro filme Looking for Mr. Goodbar. Nunca entendi porque ele nunca foi nem indicado para o Oscar. Penso que é a primeira vez que ele recebe um prêmio como ator de cinema. Acho que agora, que ele está ficando velho, de cabelos brancos, vai começar a ser indicado por todos os filmes. Os atores jovens e bonitos sempre são preteridos nas premiações em favor dos velhos ou feios com talento. Um exemplo disso foi a premiação de Jack Nicholson como melhor ator de drama. Acho Jack Nicholson um chato. Torci o tempo inteiro para Leonardo Di Caprio. Ele é tão cool... Além disso, é um ator fantástico. Merecia o prêmio pelo conjunto de obra.


Sharon Stone é o máximo. Ela foi super alto astral quando entrou em cena para entregar o prêmio de melhor ator de comédia ou musical. Ela vibrou quando o vencedor foi Richard Gere, deixando claro que estava torcendo por ele, seu colega no filme Intersection. Nicole Kidman estava linda. As Horas, o filme pelo qual ela ganhou o prêmio de atriz dramática, deve ser ótimo. Aliás, a Nicole só tem feito filmes ótimos. Moulin Rouge, Os Outros...


Eu adoro Elton Jonh. Não consigo parar de repetir isso. Foi muito legal vê-lo apresentando os indicados para Melhor Canção. Ele também vibrou com a vitória do U2, que fez a música para o filme Gangs of New York, deixando claro que estava torcendo por eles. Mas eu gostaria que tivesse ganhado Die Another Day, o tema do 007. Já pensou se a vencedora tivesse sido a Madonna? Elton ia ter que entregar o prêmio a ela. A saia ia ficar justíssima. Afinal Elton Jonh declarou que “Die Another Day é o pior tema já feito para um filme de James Bond”. Mas eu não concordo com a bicha. Acho que ele está com recalque porque, apesar de inglês, nunca foi convidado para fazer o tema de um James Bond, coisa que até o A-Há já fez. Espero que minha adorada Madonna tenha mais sorte na entrega do Oscar.


Claro que o grande momento da noite foi a entrega do premio de Melhor Filme Estrangeiro. Do ponto de vista estritamente cinematográfico, foi justa a vitória de Talk to Her. Mas foi legal ver a reação da elite do cinema mundial quando foi anunciada a indicação de City of God, o representante do Brasil. Agora torço para que, ao lado da Madonna, City of God dê o troco na entrega do Oscar.


Pedro Almodóvar é um gênio da humanidade. Ele é um Picasso. Um Gauguin. Um Renoir. Um Rembrandt. Uma antítese da humanidade para seres medíocres como George W. Bush e Tony Blair. E Hollywood reconheceu isso quando o ovacionou, assim que foi anunciado o seu filme como o melhor entre os estrangeiros. Talk to Her é uma obra prima incontestável. Uma jóia rara. Um clássico definitivo como Casablanca, Blade Runner ou Shane.


Como os americanos são alienados! Dentre todos os premiados Almodóvar foi o único que se lembrou de falar na eminência de uma guerra e fazer um apelo pela paz. Nos seus discursos de agradecimento as estrelas de Hollywood só falaram de seus egos e de seus umbigos. De como ficaram nervosos com as indicações. De como aquele prêmio era importante para sua carreira. Mas, o grande artista é aquele que está mais atento ao mundo à sua volta. Ave Almodóvar.

BLOCO DE NOTAS é o nome do blog do Leo Jaime. Consegui chegar até ele através do blog da Elis Monteiro ,que também é muito foda. (Ela vai ficar chocada com esses termos...) Leo é um velho amigo mas eu tinha perdido o contato com ele, desde a mudança para São Paulo. Agora poderemos saber noticias do Leo através do BLOCO DE NOTAS .


17.1.03




Burt Lancaster


VEREDA TROPICAL - Nem tudo foi flores da mata atlântica, nas minhas férias na Bahia. Apesar da beleza e do astral do lugar, fiquei indignado com a especulação imobiliária no eixo Trancoso-Arraial. Estão loteando tudo na maior cara de pau. Aquela área de mata atlântica não é tombada? Há pouco tempo atrás, quando alguém ia admirar a vista, nos fundos da igreja de Trancoso, só via o verde da floresta e a imensidão do mar. Agora, onde era apenas floresta, tem um monte de bangalôs e casas de veraneio. Olhando aquelas construções eu entendi Osama Bin Laden. Pois, a vontade que eu tive foi de explodir aquilo tudo. Um monumento à arrogância e a prepotência. Uma falta de respeito com o patrimônio histórico e ecológico do Brasil. Aquela é a região do descobrimento do Brasil e por isso foi tombada. Durante quase quinhentos anos ela conseguiu se manter intacta. A partir dos anos FHC começou uma liberação total na área. Afinal, o próprio filho do ex-presidente possui casa na região. Ele e o publicitário Nizan Guanaes, importante aliado do governo passado. Pessoas com influência suficiente para derrubar toda e qualquer proteção que a região pudesse ter. Desde que servisse para beneficiar interesses de aliados.


A revista FORBES-BRASIL que chegou nas bancas ontem, traz em sua capa o empresário alemão Michael Stepf-Gail, o homem forte por trás do Club Méd, o gigantesco resort que foi inaugurado no final do ano passado na praia de Taipe, entre Trancoso e Arraial. O empresário é grande proprietário de terras na Bahia, onde é conhecido como o Schumacher de Trancoso. A revista FORBES exalta o Club Méd como uma maravilha do turismo empresarial e mostra apenas o lado que interessa aos donos do negócio. A FORBES não conta que para construir o Club Méd foi provocado um verdadeiro estupro ecológico na região. Trechos imensos de mata atlântica foram derrubados. Rios foram desviados. Foram feitas construções na praia, no lugar que as tartarugas vêem fazer a desova. Além disso, o lixo do resort é jogado num trecho da mata que restou. O Club Méd também mandou construir uma escada que desce pela falésia até a praia. E não satisfeitos, instalaram holofotes dentro das falésias para iluminá-las durante a noite.


Falésia: Nome dado a terras ou rochas altas e íngremes à beira-mar.


As falésias da região de Trancoso-Arraial fazem parte do patrimônio histórico nacional. Elas são citadas por Pero Vaz de Caminha, o primeiro colunista social do Brasil, na sua famosa carta ao rei de Portugal. Ele as descreve poeticamente, contando como os navegantes as avistaram do mar, até chegar ao porto seguro, onde puderam desembarcar. É a história do Brasil! Durante quase 500 anos as falésias conseguiram se manter intactas, exatamente como Pedro Álvares Cabral as encontrou em 1500. Até a chegada do Club Méd a região.

16.1.03




Montgomery Clift

MY NAME IS BOND - A primeira coisa que fiz quando voltei da Bahia foi assistir Die Another Day, o novo James Bond. Acreditem,não existe cinema em Porto Seguro. A sequência inicial do filme, quando 007 entra em cena surfando no mar da Coréia é antológica. Deu charme e modernidade ao personagem. Também viajei com as sequêcnias ambientadas em Cuba, país que eu visitei no ano passado e adorei conhecer. O castelo de gêlo, quartel general do vilão, também é puro delírio cinematográfico. Jinx é ótima. E aquele vilão coreano com diamantes encrustados no rosto é tudo de mal!

FOLIA NO ARRAIAL - Deitado numa rede e ouvindo o canto dos pássaros que voavam entre os galhos das árvores que ainda restam da mata atlântica, eu li MEDO e Outras Novelas, de Stefan Zweig. Fiquei impressionado com o livro. Através do seu texto, o autor parece adquirir um controle absoluto sobre os sentimentos do leitor. Eu já tinha ficado muito impressionado com esse escritor desde que havia lido Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher, outra coletânea de novelas.



Ah quanta melancolia!


Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.


Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.


Fernando Pessoa, 3-9-1924.

9.1.03

FOLIA NO ARRAIAL - Não foi por acaso que o Brasil foi descoberto aqui em Porto Seguro. Não foi por acaso que foi a partir daqui que brotou uma nação chamada Brasil. EXiste uma magia muito forte brotando em cada canto desse lugar. Um encanto, um astral mágico e especial. É como se aqui houvesse uma porta mágica que une o Brasil ao universo. Um canal de comunicação do homem com algo muito maior e mais profundo do que tudo que ele conheceu e construiu. E essa energia pode ser sentida em cada onda do mar que quebra na praia. Em cada estrela que brilha no céu. Em cada lufada de vento que faz a folha do coqueiro balançar. Em cada pôr-do-sol que encanta os corações enamorados. Em cada canto do passarinho. Em cada sombra silenciosa que enche a noite de paixão.

FOLIA NO ARRAIAL - O sol tem brilhado todos os dias. Sempre com uma brisa suave que nos acaricia a alma. Durante o dia a maré está baixa então o mar se transforma numa imensa lagoa, onde se pode ficar dentro d'água o tempo que se quer. Pela manhã acordo com passarinhos que me vêm gentilmente dar bom dia. Abro a janela e através de um pedaço da mata atlântica posso ver o mar que me aguarda sereno. A imagem do oceano, vista através do coqueiral, me faz lembrar imagens da minha infância.


Nas ruas, becos, trilhas e ladeiras não se fala sobre o mundo lá fora. O único assunto é a farra do dia. Ou a festa que se irá logo mais à noite. E conhecer um monte de gente legal que só está interessada em fumar um baseado e mergulhar no oceano e dançar ao som caliente que brota das caixas de som do bar em frente à praia e paquerar e sentir as possibilidades de romance à nossa volta. Life is Beautiful.

AMAR é simplesmente o jeito feminino de dizer O MAR.

FOLIA NO ARRAIAL - Toda noite tem uma festa diferente. A lua sempre reinando num céu invariavelmente estrelado. Se numa noite tem luau na praia do Parracho, na outra tem festa do pirata na Cabana Grande. Ou então uma rave na Magnólia. Ou uma festa de arromba no Platô. O certo é que a noite do Arraial ferve. O povo aqui quer aproveitar ao máximo cada momento da vida.

6.1.03

FOLIA NO ARRAIAL - O show do Araketu foi muito legal. Foi uma experiência de vida estar ali, naquele momento, com aquelas pessoas, curtindo aquele show. Eu nunca tinha visto tanta alegria reunida num só lugar. Havia a paisagem: um coqueiral à beira-mar. E em volta do palco, no centro do terreno, uma multidão cheia de energia, vibrando com tudo aquilo que a vida lhes estava oferecendo. Uma noite estrelada. Uma música amparada nas raízes baianas. Pessoas bonitas e disponíveis. Bebidas e drogas. E uma vontade louca de viver aquele verão como se fosse o último verão de nossas vidas.


Na verdade o show foi um grande baile de carnaval ao ar livre. A noite toda todo mundo dançando e vibrando com os sucessos do carnaval baiano. Foi emocionante quando o dia começou a amanhecer. A noite lentamente se transformando em dia. A sutil mudança nas cores do céu. O sol nascendo lentamente e a música vibrante da Bahia tocando a todo volume e uma multidão de corpos suados gritando, pulando, se abraçando, se beijando, se amando... Foi lindo. Havia uma felicidade tão grande na expressão das pessoas que quase podia se ver a forma fisica da felicidade.


Antes do show fui tomar um drinque no Beco das Cores. É uma galeria com bares e lojinhas que fica no centro do Arraial. O lugar estava lotado, reunindo as pessoas mais apetitosas do pedaço. As moças mais bonitas e os homens mais gostosos. Elas usavam shorts e tops que pudessem exibir o frescor do seu bronzeado. Os bofes vestiam bermudões coloridos, caidos na cintura, de modo a deixar perceber a marca do bronzeado. Tenis ou sandália japonesa. E no pescoço colares enormes de pedras coloridas. Todo mundo milimetricamente produzido, mas fingindo ser casual.


No Beco das Cores cada um usa e abusa do seu estilo. Moças bonitas cruzam suas pernas cobiçadas enquanto bebem saquê. Casais enamorados bebem champanhe como se estivessem se preparando para um swing. Sentados em confortáveis sofás, no canto do jardim, um grupo de jovens fuma maconha num sofisticado narguilé. Ao meu lado um grupo de rapazes saboreia uma lança perfume, enquanto bebem cerveja. Todo mundo se preparando para enfrentar o carnaval que estava por vir, numa noite inesquecível.




4.1.03

FOLIA NO ARRAIAL -Definitivamente, a praia do Parracho é o grande centro da animação em Arraial. É no Parracho que a juventude dourada vem se divertir e lançar moda que são seguidas em todo o Brasil. Verdadeiras caravanas vieram do Rio de Janeiro para se divertir nas festas de fim de ano da região. Gente sarada, bonita e colocada. No dia 2 de dezembro um grupo de seis rapazes tijucanos subiram a ladeira que vai da praia até o Arraial completamente nus, exibindo seus corpos malhados e gritando: A Tijuca quer gozar!!! A Tijuca quer gozar!!!


Durante o dia na Praia do Parracho são realizados torneios de futevôlei. À tarde um grupo de rapazes e moças dançam lambaerobica enquanto são seguidos pela multidão com coreografias para lá de sensuais. No Parracho fuma-se maconha com a mesma naturalidade com que se bebe água. Além disso, a galera cheira lança-perfume como se consome coca cola.


A noite tem o Beco das Cores, onde vai todo mundo circular, ver e ser visto e exibir seu look de verão. Arraial está sendo o grande point do verao brasileiro da era pró-Lula. A modista Lenny Niemeyer dá um toque de classe e elegância, circulando pelo povoado. Bolão, o professor de jiu-jitsu, deu um tempo da Filadélfia e veio matar saudades do Brasil no litoral sul da Bahia. Ele fica dançando lambaeróbica, com seu corpo malhado, rebolando a bunda carnuda de um jeito que chega a ser quase imoral.





FOLIA NO ARRAIAL - O sol voltou a brilhar no paraíso. Arraial D´Ajuda vive em clima de festa 24 horas por dia. Durante o dia a festa é na praia. À noite a cidadezinha ferve. Caixas de som se espalham por toda a cidade. E as pessoas dançam o tempo inteiro. Coreografias ensaiadas que me dão a sensação de estar no meio de um filme musical.


Pela manhã vou à praia. Procuro as praias mais distantes para evitar um pouco de badalação. No final da tarde é hora da tradicional lambaeróbica do Mestre Markão, na praia do Parracho. Um grupo de rapazes e moças fazem coreografias sensuais em cima de uma plataforma enquanto a platéia lá embaixo tenta imitar a coreografia. O evento é uma festa diária no local. Muita gente bonita. Corpos sensuais. Um total clima de pegação. O Arraial ferve!


A pousada em que estou hospedado é muito legal. Os quartos são super transados e ela fica no centro de um terreno de mata atlântica. O café da manhã é servido numa área no meio do jardim, onde macaquinhos vêm comer pedaços de frutas nas mãos dos hóspedes. Depois do café, cheios de deliciosas iguarias, o dono da pousada oferece um baseado aos hóspedes. Segundo ele, é para as pessoas entrarem no clima do Arraial. A noite o silêncio é total. Dos quartos, no primeiro andar, pode-se ver, entre os coqueiros, a lua refletindo no mar. É muito lindo...