30.5.05

LIBERTAS QUAE SERA TAMEN - A juventude dourada de Belo Horizonte se esbaldou neste fim de semana com o OI POP, um festival de música com bandas nacionais, produzido por Marcus Buaiz. Foram dois dias de shows, num estádio chamado Chevrolet Hall, onde tocaram além de bandas locais, grupos consagrados como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Jota Quest e O Rappa. Vibrei muito com o show do Capital, banda que, há muito tempo eu não via se apresentando.


Da janela do hotel onde fiquei hospedado, num bairro chamado Belvedere, eu podia ver uma paisagem bonita, que implicava em várias sequencias de montanhas. O verde das montanhas parecia emoldurado pelo azul do céu. Foi olhando aquela vasta imensidão que eu descobri porque o nome da cidade é Belo Horizonte.


Circulando pelas ruas arborizadas eu lembrava da primeira vez que havia estado na cidade, com apenas oito anos. Meu avô, que tinha ido participar de um congresso, resolveu me levar junto. Eu lembro com muita clareza da nossa felicidade quando visitamos o Mineirão, o magnífico estádio de futebol, que estava completamente vazio.


O fim de semana em Belo Horizonte foi muito divertido. Na área vip do Chevrolet Hall me diverti muito com o clima de festa. Muita cerveja, gente bonita, alto astral. Tudo bem no estilo do Marvus Buaiz. A atriz Taís Araújo, que estava na cidade em turnê com a peça Liberdade para as borboletas apareceu por lá, para se divertir ao som do rock. Taís se divertia com o povo que só a chamava de Xica da Silva, personagem que ela interpretou na novela que está sendo reprisada no SBT. A jogadora Virna e o ator português Ricardo Pereira também estavam por lá.


Quem também se divertiu bastante no Chevrolet Hall foi Sebastião Maciel, um amigo que eu só conhecia pela internet e tive o prazer de conhecer pessoalmente em Belo Horizonte. Depois de tê-lo visto "ao vivo" eu diria que ele parece um personagem de um livro do Rubem Fonseca.






O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - Em tempos de fundamentalismo religioso, um livro segue o caminho oposto e nos conta uma admirável fábula sobre a tolerância religiosa. O filho de Noé, de Eric-Emmanuel Schmitt, narra a história de Joseph, um garoto judeu que se encanta com a doutrina do cristianismo quando é obrigado a fingir que é católico para poder escapar da caça aos judeus promovida pelo nazismo. "Eles começaram com os judeus depois será a nossa vez", dia ao menino padre Poms, o religioso bonachão que o acolhe num internato para orfãos católicos.


Todas as semanas as crianças são levadas para uma espécie de feira, onde desfilam para casais sem filhos e pessoas solitárias interessadas em adotar os pequenos orfãos. Enquanto os pequenos andam num tablado, as pessoas ficam apontando e escolhendo os que querem levar para suas casas, como se estivessem num leilão. Joseph nunca é escolhido e essa rejeição faz nascer uma amizade mais consistente entre ele e o padre, que critica o garoto quando ele começa a se entusiasmar muito pelo cristianismo. Um dia os meninos orfãos descobrem que o padre tem um segredo. Ao seguir o religioso até uma velha igreja, Joseph descobre que, através de uma passagem secreta, se esconde uma sinagoga. E que, assim como ele, o padre também é um judeu disfarçado tentando sobreviver numa Bélgica dominada pela tirania de Adolf Hitler.


Escrita num ritmo ágil e envolvente, essa fábula comove e encanta ao mostrar a guerra através dos sentimentos e descobertas de uma criança. Mas, assim como os seus personagens, o livro também se disfarça para o leitor. Oculto pelo formato de um romance sobre a segunda guerra, O filho de Noé é um tratado filosófico sobre como pode ser civilizada a convivência entre diferentes religiões.


O filho de Noé é o quarto volume do Ciclo do Invisível, uma série de narrativas sobre os fundamentos de grandes religiões, escritos pelo mesmo autor. O primeiro volume, Milarepa, é dedicado ao budismo. O segundo, Seu Ibrahim e as flores do corão, é dedicado ao islamismo e já foi adaptado para o cinema, lançado no Brasil com o titulo de Uma amizade sem fronteiras, estrelado por Omar Sharif e o garoto Pierre Boulanger. O terceiro volume, Oscar e a senhora rosa é dedicado ao cristianismo.


Eric-Emmanuel Schmitt é um dos nomes mais celebrados da literatura francesa contemporânea. Também ensaísta e dramaturgo, ele tem 15 livros publicados em 25 países. É um escritor de prosa contundente e com uma visão muito peculiar dos sentimentos humanos. Seu texto mais conhecido chama-se Variações Enigmáticas, uma peça de teatro que fez muito sucesso na França, na montagem protagonizada por Alain Delon. Conta a história de um escritor, ganhador do prêmio Nobel, que vive isolado do mundo, e sua paixão por uma mulher com quem se comunica apenas por cartas. Um dia ele recebe a visita de um jornalista que, a pretexto de entrevistá-lo, acaba lhe revelando que é o marido da mulher a quem o escritor devota toda sua paixão. A partir daí, num clima de suspense, os personagens discutem os mistérios do amor e das relações amorosas. Variações Enigmáticas é uma peça envolvente e cheia de reviravoltas que reúne em seu texto uma visão requintada do que é literatura e dramaturgia. No ano passado o texto foi lançado em livro pela editora Francisco Alves. A peça, que já foi sucesso em Tokio, Los Angeles, Berlim, Moscou e em Londres, teve no Brasil uma bela montagem dirigida por José Possi Neto e estrelada por Paulo Autran e Cecil Thiré.

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Nossos filmes favoritos devem ser vistos várias e várias vezes. Alguns filmes, quanto mais eu vejo, mais tenho vontade de ver. Um desses filmes eu revi este fim de semana: BOM DIA TRISTEZA , de Otto Preminger, adaptação para as telas do famoso romance da escritora francesa Françoise Sagan, Bonjour Tristesse. Há algo de especial nesse filme que eu não consigo definir o que é, mas que sempre me encanta, cada vez que eu o assisto. A história em si e a maneira como ela é contada, com aquele elenco, aquele clima e aqueles cenários sempre me comove.


A ficha técnica é um verdadeiro desfile de ícones. Otto Preminger é o diretor; Françoise Sagan é a autora do livro que deu origem ao filme; Saul Bass fez a abertura; Juliete Greco, a musa do existencialismo, aparece cantando o tema do filme numa boate. O elenco tem Jean Seberg, David Niven, Debora Kerr, Mylene Demongeot e Walter Chiari. Qualquer cinéfilo bem informado sabe o quão cult é esse elenco.


Jean Seberg tornou-se um mito do cinema quando fez Acossado, de Jean Luc Goddard, em 1960. Ela sempre será lembrada por esse filme, que a tornou uma especie de musa da "nouvelle vague", o cinema novo francês. Entretanto, dois anos antes, com apenas vinte anos, ela impressionou ao público europeu ao interpretar Cecile, a jovem adolescente que, sem querer, acaba provocando a morte da namorada do pai, durante uma temporada de verão na Riviera Francesa. É um filme belo, tocante, romantico, terno e um tanto quanto triste. Bom Dia Tristeza é o segundo filme de Jean Seberg. Um ano antes ela havia sido lançada nas telas pelo mesmo Otto Preminger no filme Joana D´arc, interpretando o papel título.







BOM DIA ALEGRIA - Numa tarde de outono, com praia de mar baixo, encontro Augusto, um amigo que eu não via há quase dois anos, jogando vôlei em Copacabana. Quando acabou a partida fomos dar um mergulho no mar, que estava uma delícia: refrescante e acolhedor. Augusto me contou que tinha acabado de chegar de Paris, que tinha curtido muito a cidade, que tinha namorado uma francesa maravilhosa e que Paris está uma festa por causa da comemoração do Ano do Brasil na França. Ele me disse que o fato de ser brasileiro abriu várias portas para ele na noite parisiense.


Ele viajou com o Rodrigo, um de seus melhores amigos, conhecido galã da rua República do Perú. Ri muito com as histórias da viagem de Augusto. As aventuras da dupla nos cafés de Amsterdam me deixaram cheio de idéias na cabeça. Mas, o mais bacana de encontrar com Augusto foi ver como ele está bem. "Eu saí daquele baixo astral em que eu estava", me disse ele, se referindo a alguns problemas pessoais do passado que ele conseguiu resolver em grande estilo.

23.5.05




Dominar a arte da discrição é melhor que usar a eloqüência.

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Foi com grande prazer que assisti, este fim de semana, ao filme Almas Mortas (Strait -Jacket), estrelado por Joan Crawford. O filme é uma produção de 1964, dirigido por William Castle , um famoso diretor de filmes B. Mas eu jamais classificaria Almas Mortas como um filme B. Pelo contrário. Eu classificaria o filme como uma pequena obra-prima. Uma jóia do cinema americano.


Joan Crawford como sempre dá um show nessse thriller magnificamente filmado em preto e branco. A história é bem curiosa. Lucy Harbin, personagem de Joan, é uma fazendeira casada com um homem mais moço. Um dia ela chega em casa encontra o marido na cama com outra mulher e mata o casal com golpes de machado, enquanto a filha de seis anos assiste a tudo. A mulher é considerada louca e fica vinte anos presa num sanatório. O filme começa exatamente quando ela sai do sanatório e vai morar numa fazenda onde outras pessoas começam a aparecer mortas com golpes de machado.


A história é muito bem escrita e o filme mantém um clima de suspense até o final. O diretor William Castle tem uma filmografia curiosa. Um ano depois de Almas Mortas ele lançou I saw what you did, também com Joan Crawford, que anos depois serviu de inspiração para o filme Eu sei o que vocês fizeram o verão passado. Em 1955 ele lançou um filme chamado The Americano, um faroeste estrelado por Glenn Ford, ambientado no Amazonas onde o mocinho lutava contra bandidos brasileiros. Dizem que o filme é um horror.




O MUNDO DAS TELENOVELAS - A história das telenovelas do Brasil agora está sendo contada na Internet. Um site chamado Teledramaturgia tem uma lista de todas as novelas já feitas no Brasil, com elenco, sinopse, curiosidades, bastidores e fotos. Desde antigas novelas da Excelsior como A Deusa Vencida e O Terceiro Pecado, até produções recentes como A Lua Me Disse e Essas Mulheres, passando pelas antigas produções da Tupi como Beto Rockfeller, As Bruxas, A ponte de Waterloo e Antonio Maria, sem esquecer os grandes sucessos da Globo como O Cafona, Irmãos Coragem e A Rosa Rebelde. O site é muito divertido e curioso, principalmente quando se lê as sinopses das novelas mais antigas. O site foi produzido e idealizado pelo pesquisador Nilson Xavier.




Árvores do Alentejo

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

(Florbela Espanca)

22.5.05




O sucesso parece ser, em grande parte, continuar se segurando enquanto os outros já se soltaram.

O PRAZER DE UM TAPA NA CARA – O destaque da semana, na TV, foi a volta do programa Saia Justa, agora com outro elenco e outro visual. Foi um bom programa. Divertido e curioso. As mulheres disseram coisas interessantes e muita bobagem. Destaque para Betty Lago afirmando com aquele seu jeito afetado. “O mundo é gay”. Mônica Walvogel está cada vez mais hilária. Marcia Tiburi, a escritora gaúcha, é um luxo. E fiquei com a impressão que, antes do décimo programa, Luana Piovani vai brigar feio com todas elas.


O que me chamou a atenção no primeiro programa foi o Momento Saia Justa, quando o ator Oscar Magrini perguntou as quatro se elas pediam para apanhar quando estavam fazendo amor. Realmente rolou uma tremenda saia justa. Luana ficou indignada com a pergunta. Ela não entendeu que o ator fez a pergunta porque ele fazia um personagem, numa novela, que batia na mulher, Silvia Pfeiffer, e ela adorava. Então, inspirado na história do seu personagem, ele perguntou se elas, quando faziam amor, gostavam de apanhar. Nenhuma das quatro respondeu.


Para mim, como telespectador, foi uma frustração. Elas ficaram visivelmente constrangidas, como se ele tivesse perguntado algum absurdo. Todas as quatro enrolaram, fizeram afirmações genéricas tipo: entre quatro paredes vale tudo. Mas ele não queria saber de tudo: queria apenas saber se elas pediam para apanhar quando estavam fodendo. Foi frustrante, pois elas apareceram na TV com umas caras de “minha família está vendo o programa em casa”. Ai que saco!


Como elas não responderam a pergunta do Oscar Magrini eu fiquei imaginando coisas. Acho que, das quatro, a que mais deve gostar de apanhar na cara quando está dando a boceta é a Mônica Waldvogel. Ela tem a maior cara de quem fala pro bofe: “Bate. Mas bate feito macho!” A Betty Lago também deve gostar de apanhar, mas como ela só namora com gay, é ela quem deve bater. A Marcia Tiburi deve ser dessas que gosta de apanhar na xoxota. E a Luana Piovani eu vou perguntar para o meu querido Marcos Palmeira, que já foi namorado dela.


Eu adoro que me batam na cara quando estou fazendo amor. É uma delícia. Principalmente quando o bofe sabe bater. Várias das minhas amigas curtem essa modalidade de fazer amor. Minha dentista já me confessou que adora. Michele, do Posto Seis, costuma me mostrar as marcas roxas do seu corpo quando a gente se encontra na praia. Priscilla, do Posto Oito, certa vez me disse que a primeira vez que ela apanhou de um rapaz, no momento de fazer amor, ela se assustou, ficou apavorada, achando que ele a estava agredindo. Ela tinha apenas dezesseis anos. Mas hoje, quando ela está namorando um bofe novo, a primeira coisa que ela fala para ele são as palavras mágicas: “Me bate!” Certa vez eu encontrei minha amiga Júlia na Visconde de Pirajá. Ela estava bem sexy, de minissaia, bota e óculos escuros. Típica garota de Ipanema. Quando ela me viu, tirou os óculos escuros, exibiu uma marca roxa no olho esquerdo e falou toda coquete: “Foi o Luciano quem fez isso. Estou apaixonada”.


Esse “Momento Saia Justa” me fez lembrar de um bofe que foi meu amante anos atrás. Reinaldo era um sujeito sensacional. Um garanhão de Copacabana. Lindo, charmoso, sensual. Seu corpo era perfeito. Todos os músculos no lugar. Peitoral, pernas de jogador de futebol, bíceps. Só que não tinha músculos de academia. Ele era malhado pela vida, pelo futebol de praia, pelas braçadas no mar. Eu ficava louco quando via no Arpoador aquele escândalo de bofe. Sua pele era macia, quente e tinha o sabor salgado do mar. Além de tudo isso, ele gostava de sexo e trepava muito bem. Adorava comer um cu. E ele tinha uma namorada, por quem era apaixonado, mas a tolinha não dava o cu para ele. Ainda bem...


Certa vez, nós estávamos transando, fazendo um sexo maravilhoso e, no entusiasmo, eu pedi pra ele: bate na minha cara. Ele parou um momento surpreso e me disse com ternura: Eu não gosto de bater. Eu só gosto de fazer carinho. E alisou sua mão suavemente sobre o meu rosto. Whal... Isso me deixou ainda mais louco por ele. Nunca vou esquecer esse momento mágico da minha vida sexual. Foi lindo ver aquele bofe maravilhoso, aquele Deus de Copacabana, por cima de mim dizendo que não gostava de bater. Eu só gosto de fazer carinho...


Entre idas e vindas, nosso caso durou alguns verões. Depois ele casou com a garota por quem era apaixonado e mudou totalmente de vida. Rompeu comigo e se afastou completamente dos antigos amigos. Parou de fumar maconha. Ficou totalmente careta. Hoje se dedica integralmente à família: a mulher e os filhos. O cara é completamente louco pelos filhos. E eu percebo que ele se preocupa em passar para as crianças uma imagem tradicional do que é ser um pai. Outro dia eu o encontrei por acaso. Ele agora já não é mais o garotão de praia que conheci, mas continua um homem muito gostoso. Eu só faltei implorar por uma noite de amor, mas ele me disse que tudo o que havia acontecido entre nós era coisa do passado...


Quando eu conheci Reinaldo ele tinha vinte anos. Aliás, nós tínhamos vinte anos. Nessa época eu era uma verdadeira sereia do Arpoador e ele estava sempre na praia. Eu ficava louco quando o via de sunga, aquele corpo maravilhoso bronzeado e aquele ar petulante de quem é dono do pedaço. Até que um dia ele se aproximou e me perguntou porque eu olhava tanto para ele... A partir desse dia ele passou a freqüentar meu apartamento. O sexo com ele sempre foi fantástico. Um verdadeiro show da vida. Mas nós também conversávamos muito. E eu adoro ouvir as histórias dos bofes. E certa vez ele me contou uma história sensacional que vou contar para vocês.


Um dia, quando fumávamos um baseado depois de fazer amor, ele comentou comigo que tinha morado seis meses na Alemanha e tinha conhecido várias cidades do País. Perguntei como e porque ele tinha ido parar na Alemanha. Ele me disse que quando tinha quatorze anos, estava na praia de Copacabana com um grupo de amigos e conheceu um alemão. O cara ficou louco por aquele garoto bonito e fez várias fotos dele na praia. O pai de Reinaldo, que é policial, se aproximou do turista, começaram a conversar e ficaram amigos. Então o alemão propôs ao policial fotografar o filho dele nu, mediante o pagamento de um cachê em dólar. E o pai dele simplesmente concordou. E autorizou o alemão a fotografar o filho pelado.


O alemão voltou para o seu país, mas não esqueceu os brasileiros amáveis que conhecera em sua estada no Rio. Agradecido, sempre mandava postais de Berlim. Um ano depois estava novamente no Rio, trazendo presentes para toda a família do garoto: o pai, a mãe e o irmão. Dessa vez ficou num apartamento alugado por temporada, que o próprio pai do menino arrumou. E era lá que ele fotografava o menino pelado. Fotografava nu e chupava o pau dele. O alemão ficou um bom tempo no Rio e, quando precisou voltar para a Alemanha perguntou ao policial se podia levar o garoto para passar um tempo com ele lá fora. E o pai autorizou, mediante um pagamento em dólar, o filho de quinze anos viajar para a Europa com o seu amigo alemão. E foi assim que ele passou seis meses viajando de Mercedes pela Alemanha, conhecendo cidades lindas e sendo fotografado e sendo chupado pelo fotografo alemão.


Eu cheguei a conhecer esse alemão na casa do Reinaldo. O sujeito vinha sempre ao Brasil e agora já ficava hospedado no apartamento da família. Eu tinha ido até lá para ficarmos juntos e quando cheguei o hóspede estava se preparando para sair. Fomos apresentados. Ele era charmoso, simpático e boa pinta. Trocamos algumas palavras e quando ele saiu eu fiz uma cena de ciúmes. “Você agora vai ficar curtindo aqui com esse cara?” Reinaldo sorriu compreensivo e me respondeu. “Agora eu já estou velho demais pra ele. O alemão só gosta de garotinho”.

18.5.05




A ti cabe guardar teus segredos, não aos outros.

11.5.05

A LUTA NA SELVA - Vai ser no próximo dia 21 de Maio a quarta edição do JUNGLE FIGHT, o campeonato mundial de Vale Tudo realizado em Manaus, produzido pelo lutador Wallid Ismail em sociedade com o multi-milionário japonês Antonio Inoki, com o apoio do governo do Amazonas. O torneio, que será realizado no ginásio do Hotel Tropical, vai contar com grandes nomes do circuito internacional de lutas como o francês Kassim Anan, o japonês Shinzo Machida e brasileiros como Fredson Paixão, Jorge Patino e Gustavo Ximu, o namorado da delegada Monique Vidal.




O Choro de África


O choro durante séculos
nos seus olhos traidores pela servidão dos homens
no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas
nos batuques choro de África
nos sorrisos choro de África
nos sarcasmos no trabalho choro de África


Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal
meu irmão Nguxi e amigo Mussunda
no círculo das violências
mesmo na magia poderosa da terra
e da vida jorrante das fontes e de toda a parte e de todas as almas
e das hemorragias dos ritmos das feridas de África


e mesmo na morte do sangue ao contato com o chão
mesmo no florir aromatizado da floresta
mesmo na folha
no fruto
na agilidade da zebra
na secura do deserto
na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos
mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens


o choro de séculos
inventado na servidão
em historias de dramas negros almas brancas preguiças
e espíritos infantis de África
as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas


o choro de séculos
onde a verdade violentada se estiola no circulo de ferro
da desonesta forca
sacrificadora dos corpos cadaverizados
inimiga da vida


fechada em estreitos cérebros de maquinas de contar
na violência
na violência
na violência


O choro de África é um sintoma


Nos temos em nossas mãos outras vidas e alegrias
desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas - por nós!
E amor
e os olhos secos.


(Agostinho Neto - 1961)




APESAR DE VOCÊ, LULA - Explodem por todo o Brasil escândalos envolvendo políticos e instituições públicas. Alguns deles envolvendo diretamente o governo federal, como no caso do presidente do Banco Central, que vive sendo acobertado pelo Planalto, mas que parece está envolvido até o pescoço em negociatas fraudulentas com instituições financeiras. No caso do Banco Central está claro que o presidente Lula entragou a chave do galinheiro para a raposa.


Odeio o MST! Não suporto esses pilantras sem-terra. É um absurdo que essa gente tenha sido recebida pelo presidente, que ainda botou na cabeça o boné vermelho do movimento. Lula não é um presidente. É uma piada.


A democracia está sendo uma decepção para os cidadãos brasileiros. Já existem setores da sociedade que estão até preocupados com os rumos que o país está tomando. Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco a população vai estar nas ruas, fazendo passeata pedindo a volta da ditadura. Pobre Brasil!




O Sal da Língua


Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

(Eugênio de Andrade)

8.5.05

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - O filme Kinsey - Vamos falar de sexo, é ótimo. Um roteiro inteligente e uma direção segura fazem com que o filme emocione a platéia falando de um tema bem controverso: a dificuldade do ser humano em falar da sua sexualidade e da sexualidade alheia. É divertido e informativo. Já Cruzada, do Ridley Scott é chatissimo. Muito bem produzido, com excelente cenas de batalhas mas o filme é fraco. Chato e maçante. Curiosamente, o ator Liam Neesom está nos dois filmes.






FESTA NA TERRA SANTA - O bicho vai pegar em Jerusalém. Em agosto será realizada a Jerusalem WorldPride 2005: Love without Borders , uma parada gay internacional, quando homossexuais do mundo inteiro vão se reunir na capital israelense com o intuito de celebrar a paz, os direitos humanos e a tolerância da forma que mais gostam: dançando, cantando e dando pinta. "Não existe melhor lugar no mundo para declarar que os direitos humanos ultrapassam as fronteiras culturais e étnicas, que podemos respeitar nossas diferenças pacificamente e que o amor não conhece fronteiras", diz a Jerusalém Open House, entidade que organiza o evento, para quem não existe lugar no mundo que precise mais ouvir essas mensagens, já que Jerusalém é uma cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, mas dividida pela intolerância religiosa.


Israel é um dos lugares mais liberais com relação à homossexualidade e isso faz da capital, Jerusalém, lugar perfeito para essa manifestação. A parcela mais liberal da comunidade judaica apóia a realização do Jerusalém World Pride, mas grupos radicais estão se manifestando contra a realização da grande parada. Ao mesmo tempo, autoridades policiais afirmam que não podem garantir a segurança da festa já que haverá grandes multidões por todos os lugares e isso pode facilitar o surgimento de atentados a bombas. Alheios a essas questões tão heterossexuais, os gays só pensam em se divertir na Cidade Santa. DJs do mundo inteiro já estão agendados para animar as diversas pistas que serão montadas nas ruas da cidade. Serão dez dias de comemorações com torneios esportivos, concertos de música clássica e popular, festival de cinema, desfiles de moda, comícios e celebrações religiosas. Será que o mundo continuará o mesmo depois dessa manifestação?

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Quem não teve a oportunidade de assistir De-Lovely, a biografia de Cole Porter no cinema, agora já pode curtir o filme em DVD. É um filme sensacional, dirigido por Irvin Winkler, que acerta em cheio ao contar a vida do compositor americano. Tanto ao utilizar a linguagem dos antigos musicais, quanto ao recorrer ao ritmo ágil dos videoclipes para narrar episódios da vida glamurosa e trágica do compositor de Night and Day, o filme surpreende e encanta. Aliás, os números musicais são um show à parte.


Kevin Kline e Asley Judd estão perfeitos como o casal Porter. Inclusive, um dos aspectos mais interessantes do filme é a narrativa da relação amorosa do casal, assim como das escapadas homossexuais do músico, sempre envolvido com outros rapazes. O roteiro é muito bem estruturado e serve com perfeição a idéia de contar, através das músicas, a vida e os amores do compositor. É um filme romântico, sensível e muito bem realizado, que apresenta uma perfeita harmonia entre direção, roteiro, elenco, músicas, coreografia, fotografia e direção de arte.





O QUE ACONTECEU A BABY GRACE? - Quando o sol saiu essa semana, depois de alguns dias de chuva, fui caminhar no calçadão e encontrei minha querida amiga Graça Motta. Ela foi super carinhosa comigo, falou que eu estava sumido e me pegou pelo braço e saímos conversando pelo calçadão. Ela me contou do programa de TV que está fazendo com a arquiteta Bebel Klabin e falou que está namorando um rapaz muito bacana, que é irmão do Luiz Fernando Carvalho. Falamos muito do Sebastião Maciel, nosso amigo da Internet, que nós adoramos, sem nunca tê-lo visto pessoalmente. “Ele só me chama de Baby Grace!”, me disse ela depois de comentar que é impressionante como ele sabe tudo sobre televisão.


Minutos antes de encontrar a Graça eu cruzei com o Chico Buarque que fazia a sua tradicional caminhada. O Chico chique como sempre, sem camisa, vestindo apenas um calção verde. Será que é para combinar com a cor dos olhos? Pois bem. Quando eu encontrei a Graça a primeira coisa que ela me perguntou foi: “Você viu o Chico? Tão lindo, todo suado...” Depois ela fez uma cara bem maliciosa e me perguntou: “Será que ele vai foder na praia hoje?” Caímos na gargalhada, pois foi muito engraçado o jeito como ela falou. A Graça é uma menina e sempre vai ser uma menina...






AS SEREIAS DE AMSTERDAM – Segunda-feira o Cônsul Geral dos Países Baixos Ronald Brower promoveu um coquetel na sua cobertura na Lagoa, para comemorar o Dia Nacional da Holanda e o aniversário da Rainha. Na lista de convidados, figuras da sociedade, artistas, diplomatas e autoridades. Logo na entrada da residência a bandeira da Holanda e uma foto da Rainha. Garçons solícitos serviam vinho, champanhe, e cerveja Heineken. Além de petiscos deliciosos. Chique como ele só, Ronald recebia os convidados com o seu companheiro Charles Ide. Champanhe. Champanhe. Champanhe...


Ronald e Charles são incríveis. Inteligentes, bem humorados, divertidos, alto astral. Estão juntos a 25 anos. E adoram o Rio. O enorme apartamento em que moram, de propriedade do governo holandês, é decorado com muito requinte e bom gosto. Além disso, tem uma vista sensacional da Lagoa, que impressionava a todos os convidados. Ronald, grande anfitrião, mostrava o visual da Lagoa: o espelho d’água, os edifícios em volta, a iluminação feérica. Num dado momento ele apontou ao longe, um grupo de luzes que pareciam piscar e disse: “Estão vendo aquelas luzes? É a Rocinha. Não parece um colar de pérolas?”


Ronald e Charles não se cansavam de falar que adoravam o Rio. O Cônsul dizia que já está se esgotando o seu prazo de permanência no Rio e que ele está tentando prolongar a sua temporada na cidade. E que, caso o governo holandês o transfira para outro país ele pretende vir muito à cidade. Para tanto comprou um apartamento, que está sendo reformado. “Mandei derrubar paredes, retirar o piso e rebaixar o teto. O imóvel está parecendo uma escultura do Cildo Meireles”, dizia ele as gargalhadas.


Ao ouvir tantos elogios ao Rio de Janeiro um carioca incrédulo perguntou: E os defeitos da cidade? E os assaltos? As favelas? E o caos urbano? O Cônsul abriu um sorriso nos lábios e afirmou: “Todas as cidades têm defeitos. Eu ainda acho que o Rio tem mais qualidades que defeitos. Nós já temos uma casa no canal de Amsterdam, um castelo no sul da França e compramos esse apartamento para ser a nossa residência de verão”. Champanhe. Champanhe. Champanhe...


Uma brisa agradável soprava suave. Uma lua gloriosa iluminava a noite e fazia resplandecer o Cristo Redentor. É outono...


2.5.05




A felicidade não é uma recompensa, é uma conseqüência.

APESAR DE VOCÊ, LULA! - Fruto de sete anos de pesquisa, MINISTÉRIO DO SILÊNCIO, novo livro do jornalista Lucas Figueiredo, traça, pela primeira vez, a história do serviço secreto brasileiro, desde o surgimento de seu embrião, em 1927, até os dias de hoje. Baseado em 26 quilos de documentos inéditos, o livro traz uma revelação bombástica. Conforme documento confidencial obtido pelo autor, em 2003, já no governo Lula, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) fez um acordo com serviços secretos da América Latina para vigiar os movimentos que tratam da "questão da pobreza". Ou seja, enquanto o presidente Lula se apresenta no exterior e no Brasil como líder do combate à pobreza, seu serviço secreto espiona aqueles que trabalham com a questão. Uma contradição em termos e ação. Com a palavra, Ministério do Silêncio.


Você sabia que o serviço secreto brasileiro, diferentemente da CIA e do Mossad - que estão voltados para o inimigo externo -, tem poder para investigar e perseguir cidadãos brasileiros? E que em 78 anos de existência, nascido muito antes do golpe militar de 64, o serviço secreto do Brasil acumula mais barbaridades (chantagem, perseguição política, cumplicidade em assassinato, tortura e ocultação de cadáveres, estelionato etc.) que sucessos entre seus feitos? Aliás, você sabia que existe serviço secreto no Brasil e que ele se encontra ativo e sem controle?


Como um monstro que ronda a democracia do país, o serviço secreto brasileiro nasceu em 1927, no governo Washington Luís; deu os primeiros passos durante a década de 1950, no governo JK, um dos mais democráticos e liberais da história, quando perseguia quem quer que fosse identificado como comunista; e chegou à maturidade durante a ditadura militar (1964-1985), quando ganhou musculatura e vitalidade. Para a surpresa de muitos, não foi enquadrado com a redemocratização do país e, apesar do malabarismo dos comunicados oficiais dos governos de plantão de 1985 para cá, continua vivo. O jornalista mineiro Lucas Figueiredo, autor do premiado Morcegos Negros, conta em MINISTÉRIO DO SILÊNCIO, com surpreendentes detalhes, a história do serviço secreto no Brasil. Um livro inédito e revelador.


Ilustrado com fotos e documentos inéditos; e recheado de depoimentos de agentes e ex-agentes, o livro consumiu mais de sete anos de pesquisa de Lucas, que reuniu 26 quilos de arquivos sigilosos e mais de 100 horas de entrevistas com agentes e aposentados do serviço secreto, conseguindo assim a mais completa radiografia sobre o tema no Brasil. Apesar da aridez do assunto, Lucas conseguiu uma fluidez de texto comparável aos melhores romances de aventura, que prende o leitor página a página.


"Em todos os países democráticos, o serviço secreto está voltado para o exterior. A CIA, por exemplo, não pode investigar cidadãos norte-americanos dentro dos Estados Unidos (isso é feito pelo FBI, o equivalente à nossa Policial Federal)", conta Lucas. Com base em pesquisas feitas para o livro, Lucas descobriu que no Brasil ocorre exatamente o contrário. "De 1927 a 2005, o serviço secreto investigou e perseguiu os cidadãos brasileiros, sobretudo aqueles envolvidos com tentativas de organizar a sociedade", diz. MINISTÉRIO DO SILÊNCIO revela que, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o serviço secreto realizou operações como a Andorinha (agentes secretos que utilizam o corpo e a atividade sexual para se aproximar e tirar segredos de seus alvos). Que gente baixa!


Para o autor, do jeito que está não faz sentido para o Brasil ter um serviço secreto. "Um serviço secreto só é bom quando lida exclusivamente com o inimigo externo. O serviço secreto brasileiro tem de se preocupar com os estrangeiros que querem sabotar o Mercosul, praticar biopirataria na Amazônia, usar o território brasileiro para apoio de terroristas, roubar segredos etc. Brasileiro suspeito de praticar crime é problema da polícia, do Ministério Público e da Justiça, e não do serviço secreto. Se for para investigar brasileiros, o serviço secreto pode muito bem ser extinto. Já vai tarde e não fará falta", declara. MINISTÉRIO DO SILÊNCIO é uma obra que servirá de referência sobre o assunto durante muito tempo. Um retrato impressionante desse órgão público federal que age nas sombras, não obedece às leis e que parece obcecado com um único "inimigo": você.


Lucas Figueiredo nasceu em Belo Horizonte em 1968. Foi repórter investigativo da Folha de S.Paulo por sete anos, atuando em Brasília e São Paulo. Escreveu também para as revistas Playboy, República, Primeira Leitura e Defue Sud (Bélgica) e realizou coberturas no Peru para o serviço brasileiro da rádio BBC de Londres. Recebeu três prêmios de jornalismo - BDMG, Folha e Esso. Atualmente é repórter especial do jornal Estado de Minas em Belo Horizonte. Em 2000, Lucas Figueiredo publicou, também pela Editora Record, o livro-reportagem Morcegos Negros - PC Farias, Collor, máfias e a história que o Brasil não conheceu. Ministério do Silêncio é seu segundo livro.





MAIS UM SHOW DE NICOLE - Um supense do primeiro ao último minuto. Assim é o filme A interprete, estrelado por Nicole Kidman e Sean Penn. A atriz está excelente, no papel de Silvia, uma tradutora que trabalha na ONU e escuta o que não devia no equipamento de som da Organização e, por isso, passa a correr risco de vida. Ela anda de lambreta pelas ruas de Nova York e tem um passado misterioso na Africa do Sul o que acaba levantando suspeitas sobre a possível participação dela num atentado contra o presidente de um país africano. Agora é só agurdar o próximo filme da atriz: A feiticeira, adaptação do antigo seriado da TV.



AÉCIO NEVES 2006 - O Lula já teve sua grande oportunidade e não soube aproveitar. No próximo ano vai ter eleições novamente e o operário padrão ainda não disse a que veio. O que mais se ouve nas rodas de conversa são eleitores do Lula se dizendo decepcionados com o seu governo. E nessas mesmas rodas um nome sempre é citado como opção para 2006: Aécio Neves. E o mais interessante é que ninguém o vê como um salvador da pátria ou como a grande esperança do Brasil. Os eleitores o vêem apenas como um alternativa razoável, diante do quadro negro que se vê no horizonte político do Brasil. A idéia de um Presidente como uma grande esperança para a nação se acabou com Lula. E isso é bom. Assim o próximo Presidente deverá ser alguém de quem a sociedade não vai esperar muito.