29.7.14






FALANDO DE CINEMA - O cinema gaúcho promete dar o que falar no Festival de Gramado, que começa no dia 8 de agosto. Seu representante é o épico "Os senhores da guerra", dirigido pelo cineasta Tabajara Ruas. Uma adaptação do livro de José Antonio Severo, romance histórico ambientando no auge da revolução de 1923. O fio condutor da trama é a história verídica dos irmãos Júlio e Rafael Bozano, ricos, bonitos, cultos, unidos por uma profunda amizade, mas que, por uma trama do destino, acabam lutando em lados opostos da guerra civil que aconteceu no sul do Brasil. É uma produção ambiciosa, que vai ser exibida nos cinemas em duas partes, cada uma com uma hora e meia de duração. Além disso, o filme já foi rodado com ganchos para, em seguida, ser exibido na TV como uma minissérie de cinco capítulos.

O atores Rafael Cardoso e André Arteche interpretam os irmãos Júlio e Rafael. O gaúcho Rafael Cardoso, que atualmente pode ser visto na novela Império, de Aguinaldo Silva, é aquele ator que interpretou um dos irmãos incestuosos no polêmico filme "Do começo ao fim", de Aluisio Abranches. Já o diretor Tabajara Ruas é também um talentoso escritor, autor de livros como "A região submersa" e "O fascínio". Na publicidade o filme se define como "a maior produção do cinema gaúcho de todos os tempos".

Veja o trailer do filme:  




FALANDO DE CINEMA - O que há de mais criativo e original no atual cinema brasileiro vem de Pernambuco. Desde Amarelo Manga e Baile Perfumado, passando por A febre do rato e O som ao redor, até, mais recentemente, o dilacerante Tatuagem que lançou Jesuíta Barbosa. São filmes originais, com linguagem própria e uma narrativa atrelada ao cinema europeu. Diferente dos filmes produzidos entre o Rio e São Paulo que, salvo exceções, tem grande influência dos truques da TV. Agora, duas novas produções do cinema pernambucano surgem cercadas de expectativas. 

"A luneta do tempo" tem direção do cantor Alceu Valença, em sua primeira incursão como diretor de cinema.   Um épico sobre o cangaço, tendo como protagonista o lendário Lampião. Com uma linguagem que se deixa influenciar pelo "movimento armorial" criado por Ariano Suassuna, o filme é, ao mesmo tempo, um musical com ritmos do nordeste como o coco, o frevo e a embolada, mas com diálogos baseados nas falas dos repentistas, ícones da cultura nordestina. "O poder é irmão da policia, que é prima carnal do estado e de uma cega chamada justiça", diz Lampião, numa determinada cena.  "A luneta do tempo" conta a sua história através dos olhos de uma criança que vive numa fazenda do agreste, observando a vida e a cultura do lugar. Anos mais tarde, já adulto, ele volta à região para fazer um filme sobre o cangaço, cujo personagem principal é Lampião. É um filme dentro do filme. Que tal? "A luneta do tempo" vai ser lançado na mostra competitiva do Festival de Gramado, que começa dia 8 de agosto.

"A história da eternidade", de Camilo Cavalcante já estreou com o pé direito. Recebeu o prêmio de melhor filme e melhor diretor no Festival de Paulínia, em São Paulo. O longa conta três histórias de amor, tendo como cenário mais uma vez o agreste nordestino. E esse não é o único ponto em comum com o filme de Alceu Valença. Irandhir Santos, escolhido melhor ator em Paulínia graças a sua atuação como um artista epilético, é quem faz o Virgulino Lampião, protagonista do filme "A luneta do tempo". 

Veja Irandhir Santos e Hermila Guedes em cenas do filme de Alceu Valença...






Cenas fortes e belas do filme "A história da Eternidade"



28.7.14


O SOL DA LIBERDADE - Uma coletânea de textos sobre os movimentos culturais e políticos do Brasil, desde os anos 60 até os dias de hoje. Assim é o livro "O sol da liberdade", de Luiz Carlos Maciel, que acaba de ser lançado pela Editora Vieira e Lent. "A proposta deste livro é mexer com as ideias como uma criança que brinca", diz Maciel sobre a publicação. Considerado o guru da contracultura da geração hippie, é curioso ler o filósofo Maciel dissertando sobre as manifestações que aconteceram no Brasil em 2013. "Quero escrever um livro sobre os black blocs", diz, num tom irreverente. 

Em entrevista concedida ao site "Do próprio bolso", dedicado a "ideias, irreverência e contracultura", Luiz Carlos Maciel falou sobre a internet. Vejam só as observações que o guru da contracultura fez sobre a moderna tecnologia.



Nós estamos vivendo um tempo de grande prestígio da irresponsabilidade.

Como a vida já é pervertida, com a “perversão virtual”, fica duplamente pervertida. (risos) Essa é uma ideia que me ocorreu agora...A internet é uma maravilha e eu me sirvo utilmente. É um almanaque, que satisfaz a curiosidade e se pode pesquisar qualquer coisa, mas é também um repositório de perversões humanas que se caracteriza pela irresponsabilidade que a internet propicia, aliás, nós estamos vivendo um tempo de grande prestígio da irresponsabilidade. Como eu sou um sartreano de origem, enfatizo a liberdade e assim, a responsabilidade do indivíduo em tudo que se faz. O que percebo atualmente é um incentivo a irresponsabilidade. Então você pode entrar na internet, criar um “fake” e falar besteira, qualquer conversa perversa que se encontra na sua mente imunda. Quando eu falo em mente imunda, quero dizer que todas as mentes são imundas, isso os psicólogos já descobriram e é inútil você contestar e dizer que é um anjo. Daí você descobre qualquer imundície da sua mente e coloca na internet. A internet é um almanaque maravilhoso e um esgoto, fétido também. Então nisso ela também é parecida com a vida. E propicia acesso ao que é bom, a exemplo da informação; e ao que é horrível, como essa extroversão descarada. Não é só a internet que estimula a irresponsabilidade atualmente. Uma prática que é admitida pelas autoridades, que é a de você denunciar crimes sem se identificar, a denúncia anônima, é um estímulo à irresponsabilidade. Tivemos a morte sob tortura do Amarildo, na Rocinha, que foi resultado de uma denúncia anônima. Um inimigo do Amarildo, (provavelmente, o Amarildo se relacionava com muitos bandidos) queria se vingar dele por algum motivo, telefonou para a UPP falando que ele sabia onde estava o Paiol de armas e explosivos dos traficantes da rocinha. Então a PM fez o interrogatório e o Amarildo disse que não sabia e aí então resolveram utilizar suas técnicas mais avançadas de interrogatório que antigamente chamava-se de tortura e que agora são consideradas apenas de “técnicas de interrogatório”, inventadas pelos americanos. A tortura não teve efeito, Amarildo continuou negando que sabia de alguma coisa e os policiais então, o mataram. Por quê? Porque tem um irresponsável que fez a denúncia anônima e ninguém procura este cara. Ninguém quer saber quem foi este cara. Isso é uma coisa que não interessa nem às autoridades, nem a chamada justiça, a ninguém...o cara fez e tá bem bom... Alguém fez investigação sobre quem denunciou e que levou a tortura e morte do Amarildo? Não, eles acham isso normal, a irresponsabilidade passou a ser normal. Então o progresso nos conduziu a este estado de irresponsabilidade total. Nisto não se pode dizer que foi reversão da História, porque antigamente havia mais responsabilidade. Lembro-me do meu pai que era advogado e dizia que o Direito era o reino da responsabilidade e exigia que você fosse responsável por tudo, pelas palavras e atos. Hoje em dia não é assim, o Direito aceita passivamente a irresponsabilidade.




A palavra 'acaso' é blasfêmia. Nada no mundo é por acaso.

27.7.14



OS JORNALISTAS PRECISAM APRENDER A OUVIR - A gigantesca massa humana que foi às ruas reivindicar mais qualidade de vida no ano passado obrigou-nos a refletir sobre o melhor modelo de como levar informação da luta social ao cidadão brasileiro. É como se nosso ofício diante daquela fratura exposta tomasse de 7 X 1. O impacto dos protestos repercutiu nas mídias local e global. Na ocasião, a imprensa foi duramente criticada. Talvez um pouco menos que governantes que não conseguiram melhorar os seviços de transporte, saúde, educação e segurança do país. O movimento popular entrou para a história e provavelmente demorará muito tempo a se repetir. 
O reflexo é sentido até hoje. Foi um bom momento para transformações. Mas ele foi desperdiçado. Esperava-se inovações nas práticas democráticas na nossa relação com a sociedade. É frustrante constatar que elas não vieram. Nem por parte da estrutura política e nem pelo modelo de gestão da Comunicação. 
Paralelamente, a "Mídia Ninja" e as ações dos black blocs partiram para o confronto e suas ações desencadearam mudanças na forma de cobertura de manifestações públicas. Principalmente da maneira como os repórteres sempre cobriram estes eventos. Ficou perigoso identificar o profissional com o veículo de comunicação a que ele pertence. Os repórteres foram descobrindo aos poucos, e de repente, que ocupar as ruas era muito perigoso. Alguns se intimidaram. Nosso dever é o oposto. Jornalistas têm a obrigação de estar justamente onde não se quer que eles estejam. Levar a notícia é parte inerente da vida de quem jurou se dedicar a este ofício. 
Neste momento, estamos mal parados. Nos últimos 15 meses, assistimos impassíveis a multiplicação do "Jornalismo Biquíni", aquele que "mostra coisas interessantes, mas esconde-se o essencial". O jornalismo tornou-se partido político e o jornalista torna-se notícia. E ainda pensa que isso é o certo. Não é. Antes de tudo isso, já se reclamava que a imprensa publicava a acusação sem devida apuração. Quantas vezes ouvimos que a denúncia ganha destaque na capa e o desmentido é publicado no rodapé da página interna. 
Não é de hoje que nos acusam de destruir reputações. Tom Wolfe, colega ilustre, já disse isso certa vez: "Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma". Um dia um empresário me disse com toda a educação: "Por que quando realizo um evento importante no meu hotel vocês não citam o nome do estabelecimento? Mas se tiver um incêndio num quarto o nome do hotel é estampado na capa em letras garrafais?". 
Precisamos parar de apontar o dedo em riste para quem julgamos ser os culpados. Jornalista não prende, não realiza inquérito, não julga. Jornalista deve informar tudo o que é pertinente ao fato. Não existe neutralidade,e sim, isenção. Notícia não tem somente dois lados, e sim vários. Em alguns casos, incontáveis. 
Jornalista está se achando mais importante do que ele é. E com esta falsa convicção estamos sendo conduzidos para o cadafalso. 
Esta longa introdução é para chegarmos até uma conclusão simples: nós, jornalistas, não gostamos de ouvir. Não sabemos ouvir. Não aceitamos críticas. Somos arrogantes mesmo que não pensemos isso de nós. Talvez porque sejamos tão ludibriados, enganados por fontes maldosas e presos a horários perversos, que já partamos do princípio que estamos certos.
Por não termos paciência com o outro, mesmo que este "outro" seja a fonte que alimenta nosso "produto", estamos multiplicando este "ebola da arrogância" para as novas gerações de profissionais. E o grave é que os meninos que estão chegando são filhos de uma escola deficiente, com má formação cultural, educacional e intelectual. E o mais grave, essa turma diz detestar política. Arrisco dizer que a maioria sequer sabe a diferença do que faz um deputado para um senador. 
Nas redações, nossos templos de trabalho, os jornais de papel e as revistas raramente são abertos. Nada é lido. Os garotos dizem que esse hábito é para idoso. O aparelho de TV fica ligado num só canal. Por isso se tem uma visão única. Neymar disse que jogadores brasileiros têm preguiça de treinar. Jornalistas têm preguça de ler. O rádio, veículo sempre atual, é algo alheio à "cultura" da nova geração.  
Mas será que os focas não se informam pela internet? Falso. A esmagadora maioria prefere trabalhar no ar condicionado, não circular onde está a notícia, não andar pelas ruas, não conversar pessoalmente com o povo. Se pudessem escolher a opção, seria navegar nas redes sociais. Os jovens curtem basicamente o que circula no Facebook. 
O compromisso primário da profissão: "Para quem trabalho? Para que serve meu ofício? Dedicação máxima para levar informação para quem não tem, ser útil aos pobres" são utopias. Na verdade, estamos caminhando para algo parecido com o que fez o mocinho de o "Planeta dos Macacos". Seu laboratório gerou uma nova espécie de símio. 
O problema de não sabermos ouvir as ruas está nos empurrando para o descrédito. A imprensa surtou. Ao mesmo tempo que se chama ativistas sociais de vândalos, também é permitido chamá-los de jovens. Depende da ocasião. O pêndulo vai para um lado ou para outro conforme interesse específico. As redações que outrora abrigava o pluralismo da sociedade hoje é reduto da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu.
Vamos ouvir mais a opinião pública e menos a publicada. Antes que seja tarde.
(Texto de Sidney Rezende publicado no blog SRZD)

5.7.14























A NOITE DO REBU - Muita alegria e alto astral na festa de lançamento da nova versão da novela O Rebu, original de Bráulio Pedroso, agora com roteiro de George Moura. A alegria e o astral pra cima do elenco e equipe pareciam genuínos. A certeza e o conforto de terem feito um trabalho artisticamente satisfatório era o motivo da felicidade. "A Patrícia Pillar está incrível nesse papel. Vocês viram a expressão do rosto dela?", comentava Dira Paes, depois da exibição de algumas cenas da novela, em diversos telões espalhados pelo palacete onde foi realizada a festa. Vera Holtz e Cássia Kiss, muito animadas, deram show na pista de dança. José de Abreu usava paletó sobre uma camisa vintage da seleção brasileira. Jesuíta Barbosa, com seu simpático sotaque nordestino, dizia que não via a hora da novela estrear. "Por tudo que aconteceu nas gravações, eu acho que ficou muito bacana". Aliás, todos os artistas comentavam que a gravação da novela foi algo de muito especial. "Aconteceu algo sobrenatural com a gente na realização do trabalho", disse o diretor Luiz Villamarim na apresentação do elenco. Daniel de Oliveira, Sophie Charlotte, Marcos Palmeira, Hossem Minussi e todos os outros concordaram. Vamos todos assistir a partir do dia 14 de Julho, um dia depois da final da Copa do Mundo, o resultado artístico dessa experiência. Afinal, a primeira versão de O Rebu foi uma obra-prima...  

2.7.14





















A COPA DAS COPAS - Muita alegria e diversão com a Copa do Mundo, no Rio de Janeiro. Mas também um pouco de tristeza e melancolia. As oitavas de final, com a eliminação de algumas seleções, provocam sentimentos controversos. No jogo entre Estados Unidos e Bélgica os torcedores americanos deram um show de alegria e alto astral em Copacabana. Festeiros, promoveram um alegre carnaval durante toda a partida, torcendo pelo seu time com uma paixão tão intensa quanto a paixão dos brasileiros. Mas, como o time foi eliminado (2 x 1), a alegria se transformou numa imensa tristeza. O futebol também é uma paixão norte-americana. Enquanto isso os belgas, mesmo em menor número, botaram pra quebrar, depois que o juiz deu a partida por encerrada. Fizeram uma festa inesquecível.