31.10.02



Richard Wheatcroft, rancheiro de Montana, fotografado por Richard Avedon
O QUE É A INVEJA? - Inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos. Não é necessariamente associada à um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.

A inveja é um dos sete pecados capitais na tradição Católica. É considerado pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bençãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

A inveja é freqüentemente confundida com o Pecado Capital da cobiça, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é probida nos Dez mandamentos da Bíblia.

É comumente associada à cor verde, como na expressão "verde de inveja". A frase "monstro de olhos esverdeados" (green-eyed monster, em inglês) se refere a um indivíduo que é motivado pela inveja. A expressão é retirada de uma frase de Otelo de Shakespeare. Outra expressão muito comumente usada no dito popular, para designar a inveja é a dor de cotovelo.

27.10.02

LIGIA, parceria de Tom e Chico, uma das minhas músicas favoritas da MPB

Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou à Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol

E quando eu lhe telefonei
Desliguei, foi engano.
Seu nome eu não sei,
Esquecí no piano as bobagens de amor
Que eu iria dizer

Não, Lígia, Lígia.

Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana

Um choop gelado em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon

E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome rasguei
Fiz um samba-canção
Das mentiras de amor
Que aprendí com você.

Lígia, Lígia.

E quando você me envolver nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol

Ligia, Ligia.



COPACABANA FOREVER – A primavera deixa a cidade cheia de esperança. Em frente ao Hotel Othon encontro o modelo André Resende fotografando um editorial de moda para uma edição russa da revista GQ . Enquanto o fotógrafo troca o filme da máquina nós conversamos. André é um gentleman. Um dos caras mais gentis e educados que eu já conheci na vida. Eu comento que acabei de vê-lo numa foto de página inteira no jornal O Globo, num anúncio da Sandpiper. Ele fica surpreso e diz que nem sabia que o anúncio tinha sido publicado. Diz que vai comprar o jornal assim que terminar a sessão de fotos.


Nesse momento a produtora das fotos se aproxima e pede para André vestir uma sunga mínima, da grife Gucci, com listras coloridas. Polidamente, André diz que não usa sunga apenas sungão. Diz que vai ficar com a marca do bronzeado aparecendo. A moça então troca a sunga por um sungão Dolce & Gabbana, com a estampa multicolorida. O modelo Gabriel Mattar, que também está participando das fotos, em tom de piada, diz que ele vai ficar um tremendo macho com aquele sungão. Os dois caem na risada, debochando da peça de roupa, sem se importar que é um modelo de uma das mais badaladas grifes internacionais.


Aliás, as roupas usadas no ensaio eram todos de grifes famosas. Fendi, Gucci, Versace, Tommy Hilfiger, Ermenegildo Zegna, Diesel, Versace, Gautier. Um verdadeiro dream team da moda internacional. E o estilo era moda praia. Ou seja, bermudas, calções, shorts, camisetas, camisas coloridas, sungas, sungões e chapéus.


André Resende é o atual queridinho da moda brasileira. Foi uma das estrelas do Rio Fashion Week. Já fotografou para as principais publicações de moda na Europa e nos Estados Unidos. Participou de três ensaios com o fotógrafo Bruce Weber. Ele é aquele garotão lindo que ilustra os anúncios da grife Sandpiper.


Gabriel Mattar também faz a linha superstar da moda brasileira. Lindo de morrer. Um corpo simplesmente fantástico. O verdadeiro show da vida. Ele é branco, lábios carnudos e uma longa cabeleira de caracóis castanhos fazem dele um tipo exótico bem adequado ao circuito internacional de moda.


Eduardo Rodrigues é outro super fera da moda internacional. Também já posou para Bruce Weber e foi capa da VOGUE italiana. Num intervalo da sessão de fotos o bonitão gaúcho me contou que já fotografou na Rússia, com Moscou coberta de neve e um frio de rachar. Disse que adorou a capital russa mas que detestou o frio. “ Para mim fotografar na praia é como fotografar na minha casa.” Além dos três rapazes haviam duas garotas que faziam figuração.


Por trás do ensaio o fotógrafo suíço Hans Peter Schneider . Ele parecia se divertir muito orientando os modelos a fazerem caras e bocas. Hans Peter fazia questão de fotografar os modelos bonitões em primeiro plano tendo ao fundo toda aquela fauna que freqüenta a praia de Copacabana em frente ao Othon. Prostitutas, turistas sexuais, vendedores ambulantes, salva-vidas, etc. Num dado momento Hans Peter pediu a produtora que convidasse um grupo de pagodeiros que divertiam turistas na praia para participarem da sessão de fotos. Os músicos então começaram a tocar enquanto os modelos sambavam e faziam coreografias e Hans Peter clicava cada detalhe da folia. A praia inteira parou para vê-los. Imediatamente eu lembrei do vídeo clip da música I get Along, do Pet Shop Boys, dirigido pelo Bruce Weber.


Depois da sessão de fotos André Resende me apresentou ao fotógrafo Hans Peter Schneider e ele foi super simpático. Disse que as fotos tinham ficado fantásticas e que essa era a terceira vez que fotografava no Brasil. Elogiou o profissionalismo e o bom humor dos modelos brasileiros. Hans Peter também me disse que a cidade tem uma luz perfeita para a fotografia e um clima que ele adorava. Depois o fotógrafo suíço me deu um cartão com o seu endereço eletrônico para que eu pudesse ver algumas de suas fotos publicadas na internet. O endereço é: www.hanspeterschneider.com





Atendendo a um convite da atriz Sabrina Korgut fui assistir ao espetáculo CONSTELLATION, no qual é uma das estrelas. Sabrina é uma atriz completa. Canta, dança, representa e tem humor. No palco ela interpreta uma vedete dos anos 50, cheia de energia e charme.


CONSTELLATION é um musical no estilo dos espetáculos off-Broadway. Conta a história de uma garota pobre de Copacabana que ganha num concurso de um programa de rádio uma passagem para Nova York no Constellation, um avião da Varig considerado o mais moderno dos anos 50. A peça é recheada com grandes sucessos da época como Only You, Smoke Gets in Your Eyes e Blue Moon.


A peça faz diversas referências a vários ícones da Copacabana dos anos 50 como Carlos Machado, a radio Nacional, a boate Sacha´s e o Clube dos Cafajestes. O Clube dos Cafajestes era uma turma de garotões de praia que marcaram época na Copacabana dos anos 50 e 60. Uma espécie de Turma da Farme de então. Eles costumavam aprontar nas festas e nas boates, e eram um perigo para as moças de família, que viviam sendo assediadas para ele. Pois bem. No dia que eu fui assistir ao espetáculo estavam todos lá. O Clube dos Cafajestes! Um grupo de velhinhos bem comportados, tomando seus drinques e curtindo muito a peça que, afinal de contas, falavam sobre a época em que eles eram os reis de Copacabana. Cada vez que era feita uma referência à turma eles aplaudiam muito e caíam na risada. Comovente!


Jorginho Guinle, outro ícone da época, também estava na platéia acompanhado do jogador Petkovic e esposa, além do produtor de cinema Fabiano Canosa e do ator Nildo Parente. Jorginho Guinle também foi aplaudido várias vezes em cena aberta porque ele é personagem do espetáculo. O ator Marlos Leme interpreta o jovem playboy milionário, que tenta seduzir a mocinha ingênua de Copa durante a viagem do Constellation. O jovem ator que interpreta Mr. Guinle é hilário. Ele realmente parece com o playboy e além disso, canta muito bem.


Mas quem rouba a cena são as três atrizes principais. Patrícia Levy, que interpreta a mocinha ingênua e sonhadora. Adriana Quadros que faz a mãe. E a estrelíssima Sabrina Korgut que faz a tia, vedete do Carlos Machado. Apesar do texto fraco e de uma direção acadêmica o espetáculo é muito bem produzido. As cenas musicais são apresentadas ao vivo, ou seja, sem nenhum playback. Os músicos são excelentes, assim como os figurinos e as caracterizações.

23.10.02



22.10.02

Chama-se auto-fidelidade o disco que o cantor Ritchie acaba de lançar. Depois de ficar anos e anos sem gravar, Ritchie volta ao mundo da música pop com um disco muito legal. Melodias suaves que soam muito bem à sua voz. Minha canção favorita neste disco é Lua, Lua, feita em parceria com Alvin L.

LUA, LUA
Lua, lua
Venha me dizer
Que luz é essa que eu não posso ver
Lua lua
Estou tão sozinho
Eu só vejo pedras no caminho
Lua, lua
Seja meu radar
Meu farol aceso em alto-mar
Lua, lua
Mande um sinal
Reflita em mim seu brilho digital
Lua, lua
Feito um balão
Num céu escuro e sem coração
Lua, lua
Faça estar aqui
O amor que eu sem querer perdi
Lua, lua
Tente outra vez
Desfaça o nó que o destino fez
Lua, lua
Mande um sinal
Reflita em mim seu brilho digital
Porque hoje é sábado! Numa linda tarde de primavera caminho em direção à praia para assistir ao jogo entre o Lá Vai Bola e o Copagalo, nas areias de Copacabana. A rua Souza Lima está linda. Arborizada, calma, quase deserta. As árvores frondosas transformam a rua num túnel verde. Uma brisa refrescante sopra, dando um ar de tranqüilidade à tarde. Na janela do apartamento de um dos prédios da rua vejo Dorival Caymmi e sua mulher Stella. Debruçados sobre a janela, o casal também saboreia a tranqüilidade e a paz daquela tarde de sábado. Sorrio para eles e eles me devolvem o sorriso. Fico comovido com esse encontro e penso: Esse é o verdadeiro Rio de Janeiro. Sigo o meu caminho cantarolando os lindos versos de Dorival Caymmi. "Só louco / amou como eu amei / só louco / quis o bem que eu quis / oh insensato coração / porque me fizeste sofrer / porque de amor para entender / é preciso amar...”
Escuto sem parar Empty Sky, um disco apaixonante. É o primeiro album de Elton John, lançado em 1969, uma época particularmente promissora para o rock. Sempre fui apaixonado por ele e suas músicas costumam me tocar de um jeito muito especial. Em seu disco de estréia Elton John já exibia toda a força da sua música, que iria conquistar o mundo. Ouvindo o disco hoje, mais de trinta anos depois de lançado, dá para saborear o frescor de sua voz e a pureza do sentido de sua música. Foi nesse disco que ele gravou o clássico Skyline Pigeon, uma de suas canções mais pungentes. Também é desse disco a irresistível balada Lady What´s Tomorrow. Na capa um desenho do astro com cara de menino, dedilhando os teclados do seu inseparável piano.


Junto com Empty Sky escuto Songs From The West Coast, o último disco lançado por Elton John. É quase o mesmo disco. Ambos têm a mesma verdade musical. A mesma alma. Todas as músicas feitas em parceria com Bernie Taupin. Mas, ao mesmo tempo existe um abismo conceitual entre os álbuns. Cada um tem a personalidade muito forte. Estilos bem diferenciados. Em seu último disco Elton se mantêm o senhor das baladas irresistíveis e presenteia os fãs com canções antológicas como This train don´t stop here anymore, I want love e Ballad of the boy in the red shoes.


Skyline Pigeon

Music by Elton John
Lyrics by Bernie Taupin
Available on the album Empty Sky



Turn me loose from your hands
Let me fly to distant lands
Over green fields, trees and mountains
Flowers and forest fountains
Home along the lanes of the skyway

For this dark and lonely room
Projects a shadow cast in gloom
And my eyes are mirrors
Of the world outside
Thinking of the way
That the wind can turn the tide
And these shadows turn
From purple into grey

For just a Skyline Pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
He can spread his wings
And fly away again
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You've left so very far behind

Just let me wake up in the morning
To the smell of new mown hay
To laugh and cry, to live and die
In the brightness of my day

I want to hear the pealing bells
Of distant churches sing
But most of all please free me
From this aching metal ring
And open out this cage towards the sun


17.10.02





Rio 40 Graus! É muito chato acordar pela manhã e ler nos jornais que o Palácio do Governo foi metralhado por bandidos. Que atrevimento dessa gente: metralhar a casa da Bené! Esse não é o Rio de Janeiro que me fascina. Mas, enquanto os bandidos ameaçam a sociedade com o terror absoluto, a zona sul ferve com o calor da praia. O sol brilha inclemente sobre os nossos corpos dourados. A água do mar clara e límpida, com a temperatura perfeita para aliviar o calor. Mergulho e encontro um cardume de minúsculos peixes coloridos. Nado como uma criança feliz e fico embaixo da água até a respiração agüentar. Sob o mar vejo os reflexos do sol provocando um delírio visual. Que lindo! Fumo um baseado no Posto Nove depois mergulho novamente. Quero saborear aquele mundo submarino doidão.


Antes de mergulhar, corro na ciclovia. Para provar que, apesar do terror, a vida é bela, encontro Chico Buarque caminhando no calçadão, suando bicas. Encontrar Chico Buarque me deixa com o coração cheio de esperanças. Tão cheio de esperanças que naquele momento eu decido votar no Lula. Depois, mentalmente, faço uma lista com as dez músicas do Chico Buarque que eu mais gosto.
1. Januária
2. Essa Moça Tá Diferente
3. Baioque
4. Sem Fantasia
5. Atrás da Porta
6. Com Açúcar com Afeto
7. Tire as Mãos de Mim
8. Bom Conselho
9. Gota D’Água
10. Sem Açúcar








Leio com atenção o livro SONHOS de Ana Miranda. É uma obra bem interessante. Nos anos 70 Ana Miranda costumava anotar num caderno todos os seus sonhos. Quando acordava ela escrevia tudo o que tinha sonhado. Ao longo do tempo os vários cadernos se perderam menos um, que relata os seus sonhos no período de dezembro de 72 a março de 76. Esse caderno de sonhos que sobrou ela publicou num livro editado pela Dantes. É um livro fascinante e perturbador.


Sonho de Ana Miranda, em 21 de dezembro de 1972 Um homem arromba um cofre, com uma mulher sentada em seu colo. Ela admira um anel de brilhante em seu próprio dedo. Usa óculos escuros, tem cabelos louros e veste roupa estampada. Quando me vêem, os dois param o que faziam e ficam me olhando, assustados.
Eu lhes digo que não posso condena-los pelo que fazem. Mas eles devem fazer escondido, para que eu não veja. Eles continuam a arrombar o cofre, e tiram dali as minhas jóias. Eram as jóias da minha mãe. Eu choro.



Eu sou fascinado pelo mundo dos sonhos. Sonho diariamente. Outro dia tive um sonho curioso. Sonhei que eu estava na platéia de um show, assistindo com atenção alguém que cantava a música Trem das Onze do Adoniran Barbosa. Eu escuto a música sem conseguir ver o cantor por que tem muita gente na platéia. De repente consigo ver quem está cantando. E esse alguém sou eu.


Não posso ficar / nem mais um minuto com você / sinto muito amor / mas não pode ser... / Moro em Jaçanã / se eu perder este trem / que sai agora às onze horas / só amanhã de manhã / e além disso mulher / tem outra coisa / minha mãe não dorme enquanto eu não chegar / sou filho único / tenho a minha casa p’ ra olhar...


Trem das Onze é uma música que me transporta à infância. Eu me lembro exatamente do momento em que ouvi essa música pela primeira vez, na versão original com o conjunto Demônios da Garoa. Foi numa oficina de automóveis. Eu devia ter quatro ou cinco anos. Talvez menos. Meu pai tinha levado o automóvel para consertar na oficina. Enquanto o mecânico mexia no motor eu fiquei brincando dentro do carro e o rádio estava ligado. Enquanto eu brincava, aquela música entrava pelos meus ouvidos. Eu parei para prestar atenção aos versos da música. Naquele momento um sentimento muito forte se apoderou de mim, ainda criança. Fiquei emocionado. Comovido. Principalmente com o trecho que dizia: e além disso mulher, tem outra coisa, minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. Eu era uma criança, uma pura e ingênua criança, mas meu coração ficou particularmente marcado por aqueles versos. Tenho certeza que foi por isso que sonhei com essa música tantos anos depois.

16.10.02




FEMME FATALE, o novo thriller de Brian de Palma estréia em novembro nos cinemas do Rio. O filme é ambientado no meio cinematográfico internacional, com cenas filmadas no Festival de Cannes. É a história de uma deusa de cinema que é perseguida por um paparazzi, vivido por Antonio Banderas. O filme é estrelado por Rebecca Romij,-Stamos e Peter Coyote. E a trilha sonora é de Ryuichi Sakamoto.

Meu camarada Royler Gracie chegou ao Brasil depois de mais uma temporada nos Estados Unidos. Ele foi participar de um torneio internacional de jiu-jitsu, o First Southwest BJJ Championships 2002, realizado no Arizona. Assim que chegou de viagem Royler me ligou para dizer que tinha trazido um presente para mim. Um tênis Reebock chiquérrimo, azul e branco com detalhes amarelos. Além de uma T-Shirt do evento. Irado!


Royler me contou que o evento foi muito bem organizado e super profissional. Com prêmios em dinheiro para os participantes. Royler não competiu. Participou do evento dando assessoria a organização e coordenando as arbitragens. Vários lutadores brasileiros participaram do evento e voltaram ao Brasil com os bolsos cheios de dólares. Segundo ele o jiu-jitsu está cada vez mais popular na América, onde é conhecido como Brazilian Jiu-Jitsu. Royler também me trouxe um exemplar da revista Grappling, uma nova publicação americana de artes marciais que o traz na capa.


Antes de viajar para o Arizona Royler Gracie foi entrevistado por Marilia Gabriela para o programa De Frente com Gabi, no SBT. Ele me contou que a entrevista foi super legal e que a Marilia Gabriela deixou-o bem à vontade. O tema do programa é o sucesso que o jiu-jitsu vem fazendo nos EUA. A entrevista vai ao ar dia 25 de Outubro.
COPACABANA MON AMOUR Sábado de sol inclemente. No final da tarde um evento imperdível. Amistoso entre o OURO PRETO e o LÁ VAI BOLA, dois dos mais celebrados times de futebol de praia de Copacabana. O amistoso foi em comemoração ao aniversário de 21 anos do OURO PRETO. O jogo foi muito bem disputado e o LÁ VAI BOLA ganhou de 3 x 0. Depois da partida houve um churrasco no Legionários, o botequim da rua Constante Ramos que é uma espécie de sede etílico-social do time. O churrasco foi super animado, reuniu os dois times mais uma penca de amigos e teve um bolo confeitado nas cores do OURO PRETO: amarelo e preto.


O OURO PRETO tem uma das histórias mais singelas da areia de Copacabana. Uma história que remete a paixão que o brasileiro tem pelo futebol. O time foi fundado pelo Doutor Moisés Kushmir, apenas para que o seu filho Rogério, um apaixonado por futebol, tivesse um time para jogar bola. Na época da fundação Rogério era um menino de pouco mais de dez anos. Durante todos esses anos o Doutor Moisés foi a patrocinador do time, participando da organização de campeonatos, comprando uniformes, e pagando a cerveja tradicional que costuma ser bebida depois das partidas. Foi assim que o Doutor Moisés tornou-se uma pessoa conhecida e querida por toda uma geração de jogadores de futebol de praia de Copacabana. O filho Rogério cresceu e se tornou um típico homem carioca, boa pinta, gente boa, professor de educação física de um tradicional colégio da cidade.


Ano passado o Doutor Moisés faleceu. Esse foi o primeiro aniversário do time sem a presença do seu fundador e patrocinador. Então o seu filho Rogério organizou a festa de aniversário com o mesmo carinho com que o seu pai teria feito. Um super churrasco, com cerveja liberada e um bonito bolo de aniversário. Na hora de cantar o “parabéns” dava para sentir a emoção dele e de todos os jogadores, rapazes bonitos de Copacabana, cultuando a paixão maior do homem brasileiro: o amor pelo futebol.
SANGUE EM BALI


Mais um ataque terrorista mata inocentes e espalha dor e mágoa pelo planeta. A explosão ocorreu no lugar mais badalado da ilha onde centenas de pessoas se divertiam e curtiam momentos de alegria e felicidade. Que mundo é este em que vivemos? Depois de anos de civilização parece que o homem não aprendeu nada. Apesar da tecnologia, da moda, do cinema, das artes, da cultura, vivemos como selvagens. A humanidade não tem salvação!

10.10.02





RIO QUARENTA GRAUS Sábado foi dia de caruru na casa de Anna Dantes, a toda poderosa dona da Livraria Dantes, o centro cultural mais hype da zona sul. Depois de passar o dia inteiro na praia, foi ótimo devorar um prato de caruru, no autêntico estilo baiano. Levei uma caixa de fraldas da Turma da Mônica já que Anna está esperando bebê para breve. Lucas Santana, o maridão, recebia a todos com carinho e atenção. No almoço encontrei meu querido amigo Leonardo Neto. A galera da peça Dentro da Noite. Marisa Monte e Kátia Bronstein exibiam seus barrigões de futuras mamães.


Depois de almoçar caruru, jantei acarajé com meu amigo americano Wynston Leyland, que mandou buscar o petisco no restaurante Siri Mole, que fica ao lado da sua cobertura no Arpoador. Enquanto conversávamos bebíamos taças de champanhe Veuve Clicquot. Wynston estava de malas prontas para voltar à América. Ao contrário de mim, ele é um sujeito que vive fugindo do verão. Quando é verão na América ele foge para o Brasil. Quando é verão no Brasil ele volta para a América.


Wynston se queixa dos Estados Unidos. Diz que o país está completamente dividido. Metade das pessoas apóiam George W. Bush. A outra metade gostaria que o presidente americano sumisse da face da terra. Meu amigo americano mostra-se muito animado com as eleições no Brasil e faz um discurso a favor do Lula. Eu digo para ele que vou votar no Garotinho. Ele fica exaltado perguntando se eu estou louco. Eu dou de ombros e trato de beber goles e mais goles de Veuve Clicquot.


Toca o telefone na casa de Mr. Leyland. É o escritor João Silvério Trevisan ligando de São Paulo. Ele fala com Wynston sobre o seu último livro. Depois o gringo me passa o telefone e eu troco algumas palavras com o Trevisan. Ele é muito simpático comigo. Trevisan é um escritor que eu admiro desde a adolescência. Seu livro Devassos no Paraíso é um cult para mim.


No domingo à noite, depois de votar, vou até o Esporte Gol. Meu camarada Saddam, grande DJ da noite carioca, está tocando hip hop no clube. Diante das carrapetas ele anima a pista de dança com músicas que são um convite à dança. Faz um gesto carinhoso quando me vê ao longe. Os organizadores da festa são super gentis comigo e me oferecem drinques.


Adoro o Saddam! Ele é ótimo DJ. Muito melhor que Calbuque ou Tom Leão que se julgam os moderninhos da noite carioca. Aliás, os moderninhos tem o maior recalque do Saddam só porque ele é lutador de jiu-jitsu. Apesar do nome e de seu jeito de bad boy, Saddam é um amor de pessoa. Um cara finíssimo e super alto astral. Eu me acabei na pista ao ritmo de seus sucessos.
As bancas de jornais da cidade estão vendendo o DVD do filme O Dólar Furado, um clássico do western-spagetti. O Dólar Furado é de uma época em que o filme de faroeste era um gênero cinematográfico como o filme de suspense ou filme musical. O gênero fazia tanto sucesso de público que rompeu os limites de Hollywood e passou a ser produzido na Itália. O estilo chegou a produzir clássicos como Por Um Punhado de Dólares ou O Bom, O Mau e O Feio, dirigidos por Sergio Leone e estrelados por Clint Eastwood. O Dólar Furado é um clássico dessa época e conta a pungente história de dois irmãos que são atacados por foras-da-lei. Um deles morre o outro é salvo do tiro por uma moeda de um dólar que carregava no bolso. Esse dólar ele vai usar como amuleto durante sua luta para vingar a morte do irmão. Estrelado por Giuliano Gemma o filme é embalado por uma canção de Fred Bongusto. Uma das mais belas trilhas já compostas para um filme.

9.10.02




Domingo foi dia de aluguel. Ou melhor, dia de eleição. Eu voto na esquina da minha casa para tornar o aluguel mais prático. Pois bem. Este ano não teve jeito. Demorei três horas para votar. Um saco! Uma fila enorme, cheia de gente que ficava um tempão na urna. A minha sorte é que na fila, bem na minha frente, tinha um rapaz bonitinho, bem jovem. Então eu tratei logo de transformar o limão da votação numa limonada bem gostosa. Tratei logo de fazer amizade com o bofe, que era bem jovem e disse para mim que pela primeira vez votava para presidente. Então eu fiquei conversando com ele, falando da importância da democracia e do voto. Dei uma verdadeira aula de Educação Moral e Cívica para o jovem. Eu sou um canalha!


Quando saiu o resultado da eleição senti um certo alívio. Nenhuma das seis pessoas que eu votei foi eleita. Que máximo! Mas achei legal a eleição de Denise Frossard e Jandira Feghali, por exemplo. Eu não votei nelas simplesmente porque esqueci que elas estavam concorrendo. Eu sou um eleitor muito relapso. Se votar não fosse obrigado eu jamais teria ficado três horas numa fila. Teria passado o dia inteiro na praia.
O filme Um Lobisomem Americano em Londres realmente é cultuado. Vários leitores escreveram para falar sobre o filme e fazer comentários sobre o post. O leitor Luis Fernando, velho amigo deste blog escreveu para me lembrar que nos créditos finais do filme aparece uma dedicatória para Lady Di. Eu tinha esquecido deste detalhe. O filme é dedicado a ela. Já o meu querido blogueiro Renato, do ABBA , escreveu para lembrar que Bruce Weber também dirigiu o clip da música Se A Vida É... dos Pet Shop Boys.

2.10.02




Tiradentes Esquartejado de Pedro Américo


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia. (1931)

Fernando Pessoa



Last Summer de Eric Fischl

1.10.02




Lapping Sounds along the Shore de Eric Fischl

NOS EMBALOS DE IPANEMA – Segunda feira de pânico na zona sul. As ruas de Ipanema estão vazias. As lojas fechadas. A população caminha assustada e cabisbaixa. Um clima de filme catástrofe se instala nas ruas. Um sentimento de revolta se apodera de mim. Fico irritado com a covardia das pessoas. Preciso pagar uma conta e a Caixa Econômica Federal está fechada. Um banco do governo se submetendo à ameaças de traficantes! Funcionários da Telemar, dispensados pela empresa, saem apressados do edifício voltando para suas casas. Grito com eles: “Covardes! Covardes!” Para relaxar vou à praia e o mar, como sempre, me acaricia a alma.


Na hora do almoço nenhum restaurante funciona. A geladeira está vazia e os supermercados fechados. Caminho faminto por Ipanema. O restaurante Via Farme está aberto. Escolho uma mesa bem na varanda. Sou o único cliente. Peço um Talharim a Matriciana e me delicio com a massa. Observo a rua quase sem movimento a não ser umas pessoas que caminham apressadas querendo chegar logo a algum lugar.


Sinto desprezo por aquelas pessoas que fogem. Acho a atitude delas ridícula. Não sinto nenhum medo ou apreensão. E me sinto feliz por isso. Por não ser um covarde. Nem agir como um covarde. Almoço tranqüilamente na varanda do restaurante. Olhando a Farme de Amoedo vazia e sem movimento eu me pergunto: Será que não tem homem nessa cidade? Cadê os homens de Ipanema? Cadê os pitboys da rua, famosa pelos seus valentões. Cadê os pitboys da Farme? Certamente ficaram trancados dentro de casa, se escondendo embaixo da saia da mãe, se cagando de medo. Eles só são valentes na hora de agredir as bichas.