31.8.03




Todos os animais, com exceção do homem, sabem que o principal objetivo da vida é usufruí-la.

A MULHER DE VERDADE - De todas as noticias dessa semana, a que me deixou mais triste foi a noticia da agressão do jogador Edmundo à sua esposa Adriana Sorrentino. A violência contra as mulheres é uma coisa que me deprime. Mas, além da violência, propriamente dita, o fato apenas ratifica a decadência do jogador, sempre envolvido em escândalos e confusões.


Adriana sempre foi uma espécie de Amélia, a mulher de verdade. Ela sempre esteve ao lado do marido nos momentos difícieis. E olha que, no caso do Edmundo, os momentos difíceis nunca foram poucos. Além disso, eles pareciam ter sido feitos um para o outro. Começaram a namorar ainda criança, aos treze anos de idade.


Adriana também sempre fugiu do estereótipo de mulher de jogador de futebol. Nunca foi loira. E viveu de forma discreta o seu papel de esposa e dona de casa. Ela nunca deixou de defender o marido. Mesmo quando o craque se envolvia em escândalos com outras mulheres. Como no caso do seu filho com a pin up Cristina Mortágua.


Edmundo parece ter mesmo uma vocação para a tragédia. Ele teve todas as oportunidades que a vida pode oferecer a uma pessoa. Talento para o futebol. Sucesso na vida profissional. Uma esposa dedicada e apaixonada. Mas, o próprio craque, tratou de desprezar cada um dos presentes que a vida lhe dedicou. A carreira no futebol ele jogou para escanteio com seu temperamento difícil e suas brigas e confusões. Sua falta de disciplina e o seu fascínio pela vida boêmia, regada a orgias, bebidas e drogas nunca foram boas companheiras para quem exerce a profissão de atleta. Apesar de tudo, ele parecia ter uma vida doméstica sossegada, ao lado da esposa Adriana. Parece que agora esse último refúgio do animal acabou. O que será dele agora que a mulher está pedindo o divórcio? Será que o craque vai conseguir superar mais esse drama?


Que Deus o Abençoe.

AQUELA ESTRELA é o nome do disco da sanfoneira Roberta de Recife, que eu tenho escutado sem parar. É um disco cheio de bossa, que nos remete ao estilo musical dos Tribalistas. Música brasileira de primeira linha. Roberta tem uma voz bonita. Além disso, é charmosa e chique a presença da sanfona no trabalho da cantora. As canções têm um astral que nos remete ao verão, ao carnaval. A vida é boa, que têm letra e música da própria Roberta, é uma dessas canções.


A VIDA É BOA


Vou te dizer a vida é boa
E tudo passa rapidinho
Quando você vê
No meio do caminho
Não sabe nada
Não viveu e já passou


Vou te dizer a vida é boa
Mas se sofre um bocadinho
Não é à toa que se pede um carinho
Não vale nada o amor que se guardou
Há se eu pudesse voltar o tempo
Parar tudo de novo como foi um dia



Eu andaria mais descalça
Não perderia um dia se quer
Nunca mais eu choraria por mal me quer
Eu mandaria flores
Mais do que recebi
Cuidaria mais de mim
Ia me fazer feliz


Não tenha medo de me amar
Não tenha mais medo de mim
Deixa perder a hora

A vida é uma só.

29.8.03




O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.



GENTE BOA – O jornalista Joaquim Ferreira dos Santos promoveu noite de autógrafos do seu livro O Que As Mulheres Procuram na Bolsa, na noite de quinta-feira na Livraria da Travessa, em Ipanema. Apesar do clima de inverno e da noite chuvosa, a casa estava lotada. Afinal, como disse um dos presente, quem tem coluna tem tudo. Durante o evento a livraria ficou parecendo uma sucursal do jornal do doutor Roberto Marinho. Estavam lá, entre outros, Isabel de Luca, Artur Dapieve, Zuenir Ventura, Arnaldo Bloch, minha queridíssima Patrícia Kogut, que me deu um abraço apertado e carinhoso. E mais Débora Colker, Tereza Rachel, Guilherme Karam, Tavinho Paes e a editora do livro, Luciana Villas Boas. Mas, nenhuma presença foi mais importante do que a presença da doce e bela Cíntia Howllet-Martin.


Tia Artur Xexeo, é claro, também foi prestigiar o lançamento do livro do seu velho amigo e protegido. Afinal, as duas são inseparáveis desde a época em que trabalhavam juntas na redação da revista VEJA.


O QUE AS MULHERES PROCURAM NA BOLSA é uma coletânea de crônicas. Lendo o livro tive a impressão que o autor vive, desesperadamente, tentando atingir um status intelectual que ele, definitivamente, não tem. Suas crônicas são chatas e ginasianas. Joaquim Ferreira dos Santos tenta se colocar para o leitor como se ele fosse um novo Antonio Maria. E essa pretensão o torna ridículo. Só porque ele organizou uma coletânea de crônicas do Antonio Maria, isso não faz dele um escritor genial.


Joaquim Ferreira dos Santos é apenas um bom repórter. Nada mais do que isso. Mas o jornal O Globo o vende aos seus leitores como se ele fosse um grande jornalista. Ele não está no mesmo panteão que um Paulo Francis ou um Jânio de Freitas. Pelo contrário. Ele é apenas um jornalista mediano, como seu colega Artur Xexeo. O Globo está vendendo gato por lebre. As crônicas do Joaquim publicadas no jornal às segundas-feiras são insuportáveis. Chatas. Repetitivas. Cheias de lugares comuns. Ele força uma barra na carioquice e no seu pseudoconhecimento da alma do Rio de Janeiro. Se ele fosse mais autêntico e não tentasse copiar o estilo de Antônio Maria e a verve de Nelson Rodrigues talvez escrevesse melhor.


Além disso, a exemplo de seu coleguinha Artur Xexeo, Joaquim é uma bicha passadista. Ele está o tempo inteiro olhando para trás. Cultivando o passado. Para as duas, tudo de bom, já aconteceu no passado. Na época em que eram mocinhas adolescentes. Certamente, a dupla não é fã da Madonna. Xexeo e Joaquim devem cultuar Shirley Bassey, Rossana Podestá, Rita Pavone, Sarita Montiel e Ann Margret. Quando entrevistada pela MTV no lançamento do disco American Life, um fã perguntou a Madonna se era verdade que no seu próximo show ela só iria cantar antigos sucessos. A estrela negou a informação com veemência e disse: “Eu nunca olho para trás. Eu só olho para frente!” Acho que o Xexeo e o Joaquim estão precisando ouvir a “material girl”.


Já houve um tempo em que os jornalistas procuravam a noticia. Saíam às ruas em busca de onde a noticia está. No jornalismo “moderno” a noticia deixou de ter importância. O importante é o jornalista. Cada vez mais o jornalismo olha para o próprio umbigo. Parece que o jornalista se encantou com as luzes dos próprios holofotes e decidiu competir com a noticia e se tornar mais importante do que ela. Foi a partir desse principio que surgiu o que eu chamaria de “padrão Artur Xexeo de jornalismo”.


Os profissionais da imprensa estão ficando cada vez mais trancados nas redações dos jornais, sabendo do mundo através da internet. E isso está acabando com o jornalismo. Até porque, a internet que chega na redação do jornal é a mesma que chega na casa das pessoas. Em breve, a função do jornal como “atravessador de notícias” estará obsoleta. Em vez de buscar a noticia no jornal o leitor, certamente, vai preferir simplesmente ligar o computador.

28.8.03




DECADENCE AVEC ELEGANCE – A grife YES, BRAZIL disse sim ao estilo brasileiro de fazer moda no lançamento da sua arrasadora coleção primavera verão. Pra deixar bem clara sua intenção a marca realizou um espetacular desfile-evento num templo sagrado da cultura brasileira. A quadra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira.


Ao som do reco-reco, pandeiro e tamborim a YES, BRAZIL decretou que a próxima estação terá estampas exóticas que nos remetem a fauna e a flora do país. O chifon é o tecido perfeito para realçar a sensualidade da mulher brasileira em minissaias, blusas e inusitados tops que adquirem vida própria quando usados com jeans banhados de cristais moídos ou realçados por strass. Tudo!


O bofe da YES, BRAZIL também aposta na ousadia e usa e abusa do direito e da obrigação de ser sexy. Bofe que é bofe não se intimida por convenções e veste cor-de-rosa. E ai de quem disser alguma coisa. Calças compridas com listras largas servem para serem usadas com camisas quase transparentes, que dão um tom afrodisíaco ao desenho do corpo. Mais que tudo!


A quadra da Mangueira ficou pequena para o público frenético que compareceu ao evento. Gente de moda, jornalistas, colunistas, empresários, starlets, playboys... Aproveitando a noite de inverno o “beautiful people” carioca se produziu com muito charme para assistir ao desfile dessa, que é uma das grifes que mais se identificam com o estilo mundano da cidade.


O desfile começou com uma feérica e ensurdecedora queima de fogos. A cada entrada dos modelos uma reação entusiasmada da audiência. Depois do desfile drinques e canapés e o som do DJ Dudu Garcia transformou a quadra da escola numa animada rave. A bebida farta animou os foliões que transformaram o evento num grande baile de carnaval ao som de música eletrônica. Durante a festa podia-se observar melhor o desfile das beldades que foram prestigiar o evento. Gays cheios de estilo exercitando todo o seu poder. Mulheres belíssimas circulando com modelitos inacreditáveis. E bofes maravilhosos dando aquele toque de masculinidade tão necessário nessas ocasiões. No auge da festa baseados foram acesos e alguns mais ousados não tiveram o menor constrangimento em sacar a boa e velha lança-perfume. Com a bênção da tradicional Estação Primeira de Mangueira.

25.8.03




Não basta ter sido bom quando se deixa o mundo. É preciso deixar um mundo melhor.

ESCÂNDALO!!!– Parem o mundo. Ignorem todas as bombas. Cancelem todas as explosões. Façam rufar os tambores da paz e da prosperidade. Abram seus corações e olhem para os irmãos ADRIEN e LAURENT Vieira de Melo, filhos de Sergio Vieira de Melo. Que bofes são aqueles? Que meninos lindos...


Olhar para aqueles rostos tristes é mais um motivo para se querer a imediata retirada das tropas americanas do Iraque. Os garotos estão levando para casa o corpo do pai, morto numa guerra forjada pelo governo americano. Um pai jovem que ainda tinha tanto para ensinar aos rapazes.


Sergio Vieira de Melo deve ter sido, realmente, um homem muito interessante. Sua figura pessoal, sua beleza, seu charme, seu sorriso. Sua lenda pessoal como desbravador de regiões em conflito. O trabalho na Onu. Os ternos elegantes. A fama de namorador. Todas essas elementos reunidos devem ter resultado num homem e tanto! E que ainda deixou para o mundo, como o presente de um cavalheiro, os filhos Adrien e Laurent.


Descanse em paz!



GEORGE W. BUSH é o pior presidente americano de todos os tempos Quem me disse essa frase demolidora foi o empresário norte-americano Wynston Leyland, durante jantar no Felice Café. Mr. Leyland é proprietário da Gay Sunshine Press a maior editora de publicações destinadas aos homossexuais, com sede em San Francisco. Sua editora é percussora do movimento gay, pois foi a primeira, em todo o mundo, a lançar produtos voltados para esse segmento da população. Todos os anos o empresário vem passar férias no Rio. Ele gosta de relaxar nos braços calientes dos rapazes cariocas.


Wynston Leyland tem se queixado muito da recessão no seu país. Diz que a economia americana está péssima para os empresários que não são do ramo do petróleo e da indústria bélica. E não esconde de ninguém a sua indignação com o presidente americano. Fascista é a palavra mais gentil que ele usa para se referir a W. Bush. Sua grande esperança é que as eleições do ano que vem permita o surgimento de um governo democrático no seu país.





O BOFE E A PINTOSA – A cidade de San Francisco, na Califórnia está vivendo dias de polêmica, por causa da próxima eleição a prefeitura, que será em novembro. Dois candidatos têm mobilizado o interesse da população. Em primeiro lugar nas pesquisas de opinião está Gavin Newsom , um playboy boa pinta, filho de uma rica família da Califórnia, que está sendo apoiado pela milionária família Getty. Em segundo lugar está o ativista do movimento gay Tom Ammiano , com seu discurso de forte teor esquerdista.


Gavin Newsom, é o candidato da direita e apesar de heterossexual, tem o apoio do eleitor gay mais jovem. Segundo o empresário Winston Leyland, morador da cidade há quatro décadas, a nova geração de homossexuais americanos cultua uma visão da figura masculina ligada a uma imagem máscula e viril. Por isso essa faixa da população estaria rejeitando a candidatura de Tom Ammiano, que é um gay afeminado e cheio de trejeitos.


Esse aspecto da próxima eleição tem provocado discussão na comunidade gay da cidade, provavelmente a mais ativa do planeta. Homossexuais mais velhos, que participaram das lutas pelos direitos civis dos homossexuais desde os anos 70, estão indignados. Depois de anos de luta pela dignidade do grupo, aparece essa nova geração de bichas (que encontraram um mundo muito melhor para elas, graças aos pioneiros do gay power) e deixam de apoiar um candidato do movimento gay pelo mais prosaico dos motivos: o candidato é uma pintosa.


Gavin Newsom tem 33 anos e é divorciado. Sua ex-mulher o trocou pelo ator Don Jonhson, ex marido da atual senhora Antonio Banderas, Melanie Griffith. Wynston Leyland, que é muito bem informado sobre o Brasil define Mr. Newsom de forma pouco lisonjeira. “Ele é um Fernando Collor. Tem a mesma arrogância. A mesma origem de família rica. O mesmo tipo de discurso. Até fisicamente eles são parecidos”.

24.8.03




IPANEMA EM CHAMAS – Depois de dois fins de semana com o tempo chuvoso , o sol e o calor deram as caras no Rio de Janeiro. E o carioca soube aproveitar bem as férias do frio e fez do calor uma festa. A praia do Castelinho, no posto oito, viveu momentos de êxtase, com a presença maciça da nova geração de garotas de Ipanema e meninos do Rio. À noite foi todo mundo para a festa de Iury, um morador da área, que fazia aniversário. O rapaz fechou a adega Rio Nápoles, na praça Gen. Osório, e contratou um grupo de pagode para animar a galera. O samba e a cerveja rolaram a noite inteira. Fazendo a alegria e a festa dos corpos bronzeados do pedaço.


NO BOTEQUIM - A mulher está sempre ao lado do homem, para o que der e vier; já o homem, está sempre ao lado da mulher que vier e der."


NA MANGUEIRA - A YES BRAZIL desfila sua incrivel coleção primavera-verão 2003/2004 na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Pela marca que desfila, pelo local do desfile e pela produção da TNT o evento tem tudo para ser um sucesso. Quarta-feira, dia 27.

MADAME SATÃ finalmente chegou a Hollywood. O filme de Karim Anouiz, que está sendo exibido na meca do cinema, recebeu crítica consagradora do jornal LA WEEKLY a mais influente publicação de cultura e comportamento de Los Angeles.


JACKIE MILLER CONTA A escrita em língua portuguesa dá as cartas na internet. CASTOR DE MARMORE dá uma saltada no pensamento português.


22.8.03





Príncipe encantado que nada... Bom mesmo é lobo mau!!! Que te ouve melhor... Te vê melhor... E ainda te come!

BAGDÁ ESTÁ EM CHAMAS – Quando Sergio Vieira de Melo foi escolhido como o representante da ONU no Iraque, o jornalista Cláudio Humberto da Rosa E Silva, em sua coluna no jornal O Dia, afirmou que o brasileiro tinha sido escolhido porque ele era visto com bons olhos pelo governo americano, particularmente pela megera Condolezza Rice. Quem é visto com bons olhos pela gang de Mr. Bush nunca parecerá bom aos olhos do povo iraquiano.


Cláudio Humberto, que já foi uma autoridade da República, na época do governo Collor, certamente sabe do que está falando. De qualquer maneira, mesmo para quem está de longe, sempre pareceu que a presença da ONU no Iraque era por demais subserviente aos Estados Unidos. Parecia que a ONU estava ali para legitimar a invasão americana, apesar de várias vezes Sergio Vieira ter se pronunciado a favor do Iraque para os iraquianos.


De qualquer maneira, a ONU está pagando o preço da sua subserviência. Desde sempre, a ONU como instituição deveria ter sido mais rígida com o governo americano, que é o responsável por todo o clima de terror que se instalou no Iraque. E no resto do mundo.


Como diria Whoopi Goldberg, o mundo vivia melhor quando o presidente americano transava. Do alto de sua prepotência hitlerista George W. Bush declarou, a propósito da bomba que atingiu a ONU, que o “mundo civilizado” não iria se deixar afrontar pelo terror. “Mundo civilizado?” Ele se acha “mundo civilizado”? O sujeito invade um país que não estava incomodando ninguém, joga bomba em prédios e pessoas e ainda se acha “mundo civilizado”? Filho da puta!


Uma coisa é certa: está cada vez mais claro que o governo americano quer o petróleo do Iraque de qualquer maneira. Bush e sua gang de terroristas estão dispostos a qualquer coisa a fim de submeter o povo do Iraque e se apropriar de suas riquezas. É assustadora a persistência dos canalhas. Eles agem como bárbaros selvagens e ainda se julgam “mundo civilizado”.


Para quem está assistindo a esse conflito como se fosse um filme só resta torcer pelo povo iraquiano, que está reagindo com bravura à invasão ao seu país.

BAGDÁ ESTÁ EM CHAMAS – Por que não existem jornalistas brasileiros em Bagdá? Todo o noticiário sobre a guerra do Iraque, que se tem acesso no Brasil, é material de agências de notícias. A Globo, quando quer falar sobre a guerra ou chama o corresponde em Londres ou o corresponde em Nova York. Ou seja, a guerra, aos brasileiros, é contada do ponto de vista dos vilões, dos invasores. Isso é simplesmente irritante.


É muita subserviência aos interesses americanos, classificar o ataque à ONU de atentado terrorista. O que aconteceu, na sede da ONU, foi apenas um gesto de defesa da pátria por parte de guerrilheiros iraquianos. Eles estão apenas defendendo seu país que foi invadido por um povo inimigo que quer se apropriar de suas riquezas. Mas a imprensa brasileira não tem a devida isenção e classifica os fatos do ponto de vista que George W. Bush classificou de “mundo civilizado”.


Porque os jornais brasileiros não têm correspondentes em Bagdá? Vejam só no que a imprensa se transformou. Os jornalistas brasileiros só querem saber de ficar no refrigerado da redação, entediados, sabendo do mundo através do computador. Onde andam aqueles jornalistas de antigamente que iam atrás da notícia? É simplesmente bizarro que, mesmo tendo um brasileiro como representante da ONU no Iraque, nenhum jornal brasileiro tenha enviado um correspondente a Bagdá. O mundo lá fora pegando fogo e a imprensa brasileira, trancada em casa assistindo Mulheres Apaixonadas.

18.8.03




Amigo é a pessoa que sabe tudo sobre você e ainda assim lhe quer bem.

DIÁRIO DE MENINA MOÇA - Um frio cruel desabou sobre a cidade. A temperatura nunca teve tão baixa no Rio de Janeiro. Um vento gelado soprando do oceano, mesmo quando o sol aparece. As noites desses últimos dias foram perfeitas para ficar em casa, tomando chás e café com leite. Casacos. Moletons. Cachecol. Meias. A cama tem sido o lugar mais confortável do mundo. Gostosa. Ampla. Macia. Os melhores companheiros? A TV, o computador, o cd player.


Genet: uma biografia é o livro que leio sem parar. A vida do escritor Jean Genet, contada pela brilhante prosa do escritor americano Edmund White. O livro acabou de ser lançado pela editora Record, através da coleção Contraluz. A personalidade polêmica do escritor francês é esmiuçada com grande interesse por Edmund White, um intelectual meticuloso, que lê o trabalho de Genet de uma forma inteligente e escreve muito bem.


Na internet uma descoberta apaixonante: os BLOGS portugueses O tempo tem sido curto para tanto blog. Não consigo parar de ler. Textos inteligentes. Cultos. Além disso, a língua portuguesa ganha um charme todo especial quando escrita à maneira dos nossos ancestrais. Nos blogs lusitanos o leitor pode observar um pouco do ponto de vista europeu. Um pouco do olhar da Europa sobre o resto do mundo.


SABRINA KORGUT, a nova estrela do teatro brasileiro, foi elogiada por Bárbara Heliodora na crítica do espetáculo Ópera do Malandro. Aliás, a crítica de Madame Bárbara foi consagradora, não só para Sabrina, como para todo o elenco, incluindo a direção e a técnica. Sabrina Korgut está muito feliz com o resultado do trabalho. Ela me disse que adora trabalhar com Cláudio Botelho e Charles Moeller. “Eles são uns amores.” Sabrina já havia trabalhado com o casal na peça COMPANY. Aliás, a moça é uma veterana dos musicais brasileiros. Já fez teatro de revista para turistas na Churrascaria Plataforma e atuou, com sucesso, na comédia Constellation. Sempre cantando e dançando. Afinada como ela só, Sabrina grava esta semana, junto com o elenco, a trilha sonora do espetáculo. Ela conta que está nervosa com a possibilidade de gravar uma canção de Chico Buarque. Afinal, o tema do seu personagem é, nada mais, nada menos que Folhetim. Um clássico da MPB. “Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim...” O disco vais sair pela gravadora Biscoito Fino.




O tempo que se passa rindo, é um tempo que se passa com os deuses.

JORGE BENJOR faz show dia 30 de outubro no Armazém 6 do Cais do Porto. O show é apenas a principal atração de uma grande festa, com deejays tocando hip hop. Esse é um programa que eu não vou perder. A minha presença nesse evento é mais certa do que a presença do Benjor. Não perco esse show por nada no mundo. A abertura será do Rogê, aquele gostoso do Arpoador, que acabou de lançar um disco ótimo, cheio de estilo e modernidade pop. Os ingressos estão à venda nas lojas SANDPIPER.


BURT BACHARAT faz show domingo, no canal Multishow. Os fãs do maestro americano não podem perder. No repertório do programa todos aqueles grandes sucessos. Clássicos da música americana. The look of love. Say a little prayer. Raindrops keep fallin on my head. E a participação muito especial de Elvis Costello e Dionne Warwick. Programão.

DESESPERADA ESPERANÇA - Um grupo de psicólogos da Universidade do Maryland (EUA) apresentou um estudo no qual concluem que o conservadorismo é uma "doença psicológica". Os autores do estudo teorizam que o conservadorismo é explicável por uma série de "neuroses" ligadas "ao medo, à agressão, ao dogmatismo e à intolerância de ambiguidades". Na definição dos autores, "conservadorismo" abrange figuras como Hitler, Mussolini, o apresentador de rádio de direita Rush Limbaugh e o Presidente George W. Bush. O estudo foi financiado com 1,2 milhões de dólares atribuídos pelo Estado americano; alguns conservadores americanos já se queixaram que esta não é uma forma apropriada de gastar dinheiro público. No artigo, publicado na revista científica "Psychological Bulletin", os autores escrevem, contudo, que a sua teoria não implica que "o conservadorismo seja patológico, nem que as crenças conservadoras são necessariamente falsas".

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) criticou a decisão das Nações Unidas de suspenderem a organização Repórteres Sem Fronteiras da sua Comissão de Direitos Humanos. Para a FIJ, tal situação revela "uma preocupante evidência da grave crise que afecta a liberdade de imprensa a nível mundial".

16.8.03




Sejam esses tempos os melhores ou os piores, é o único tempo que temos.

ROBERT EVANS: O FILME DO ANO - Finalmente entrou em cartaz o filme O Show Não Pode Parar, que eu tive a oportunidade de assistir na última Mostra Unibanco de Cinema. O Show Não Pode Parar é uma biografia do grande produtor de cinema, o chefão de Hollywood Robert Evans, o homem que viabilizou a realização de clássicos como O Bebê de Rosemary, Chinatown, Love Story e O poderoso Chefão, só para citar meus favoritos. Narrado pelo biografado, o filme é uma viagem maravilhosa aos bastidores da indústria do cinema, contada por quem viveu esse universo desde à sua glória até a sua mais baixa decadência.


Os anos setenta foram gloriosos para o cinema, tanto o americano quanto o europeu. A influência dos Beatles, do movimento hippie, da cultura pop. Foi uma época em que arte era valorizada em detrimento do conceito de indústria cultural. Foi nesse mundo mágico em transformação que floresceu a carreira do produtor Robert Evans. Na sua cinebiografia ele conta a sua relação com os grandes estúdios e como decidiu ser um produtor independente.


O documentário é todo ilustrado com cenas dos filmes produzidos por ele, e também por cenas de bastidores, fotos, imagens da época, como por exemplo, as imagens da estréia do filme O Poderoso Chefão, em Nova York, a chegada das estrelas, os repórteres, os fãs, etc. Tudo ao som do hit Crocodile Rock de Elton John.


Mr. Evans conta como conheceu Ali MacGraw, se apaixonou por ela e como a moça o convenceu a comprar os direitos do best seller de Erich Segall. O homem conta a dificuldade que teve em convencer os chefões de Hollywood a investirem no filme que para eles era apenas uma boba estória de amor. E confessa que só se propôs a realizar a produção porque estava apaixonado pela atriz que queria ser a mocinha do filme. Love Story foi um dos maiores sucessos de bilheterias dos anos 70.


Mr. Evans fala muito bem de Roman Polanski. Elogia o profissionalismo e a competência do diretor polonês. Assim como a sua fidelidade como amigo. Mr. Evans produziu os dois maiores sucessos de Polanski. O Bebê de Rosemary e Chinatown. São deliciosos os comentários sobre os bastidores de filmagem desses dois clássicos. O genial produtor conta como convenceu Mia Farrow a continuar no filme quando a destrambelhada decidiu abandonar a produção por pressão do seu então marido Frank Sinatra, que a queria em casa cozinhando para ele. Robert Evans simplesmente levou-a a uma sala de projeção, mostrou algumas cenas de O Bebê de Rosemary e disse a mulher: “Mia, você vai ganhar um Oscar!” A atriz preferiu se separar de Sinatra e continuar no filme.


O que destruiu a carreira de Robert Evans foi a cocaína. Nos seventies já cheirava-se muito. Noitadas no Studio 54, regadas a muito pó. Farras. Orgias. Mr. Evans parece ter ficado muito abalado depois que foi abandonado por Ali MacGraw, que o trocou pelo gostosão Steve McQueen. No inicio da década de 80 seu nome foi encontrado na agenda de um traficante encontrado morto em Los Angeles. Ele não tinha nada a ver com a história, nem estava na cidade na ocasião do crime. Mas a imprensa fez uma festa pelo fato do seu nome constar da agenda da vítima. O escândalo fez com que ele encontrasse dificuldades em realizar novos projetos.


Quem gosta de cinema não pode perder esse filme.





Homens são ensinados a pedir desculpas por suas fraquezas. Mulheres, por sua força. (Feliz Aniversário, Madonna)


MARIJUANA LIBRE – Laurinha, uma querida amiga do curso de comunicação da PUC me liga dizendo que precisa falar comigo, com urgência. Está precisando de um conselho. Marcamos um chá, no seu elegante apartamento no Leblon, onde ela vive com o marido e um casal de filhos lindos. A moça é casada há dez anos com Afonso, que ela também conheceu na PUC, mas o marido desistiu do jornalismo e progrediu cuidando da empresa da família. Eles formam um casal feliz e harmonioso.


Durante o chá Laurinha afirmou que só eu poderia ajudá-la. Ela me disse que queria adquirir maconha e não sabia como. Eu levei um susto. Ela sempre foi tão bem comportada. Tão careta. Que novidade era aquela? Laurinha então me contou que tinha descoberto que o seu marido Afonso fumava maconha quando ia jogar bola com a sua turma, às quintas-feiras. O marido nunca havia fumado, mas como os amigos do futebol fumavam ele, às vezes, ia no embalo. Então a mulher descobriu que todas as vezes que o marido fumava, ele ficava cheio de tesão. “Ele fica uma coisa, Waldir. Parece outro homem”.


A história me provocou gargalhadas. Ri tanto que acabei derramando chá na minha chiquérrima camisa Sandpiper. Principalmente quando ela me disse que queria sempre ter maconha em casa. “Eu quero que ele fume sempre Waldir. Todo dia agora, depois do jantar, eu já quero deixar o cigarrinho dele pronto.”. Ah, as mulheres... Como elas são diabólicas...

MARIJUANA LIBRE – Assisti hoje, no canal Multishow o clipe do Bezerra da Silva, dirigido por Gringo Cardia. A música chama-se A Semente e é um samba que conta a história de um sujeito que planta algumas sementes no quintal, sem saber do que se trata. Então a policia invade o barraco dele quando começa a nascer umas plantas frondosas.


A letra tem um inteligente duplo sentido e sugere que as sementes eram maconha. Mas, se a música tem alguma sutileza o clipe trata de destruí-la. Enquanto o clássico Bezerra da Silva canta sua música, as imagens em preto e branco que surgem na TV são surreais. Pessoas expelindo fortes jatos de fumaça pela boca. Pelas orelhas. Ao mesmo tempo aparecem enormes galhos de maconha na tela. É muito legal!!!





HAPPY BIRTHDAY TO YOU – Madonna completou 45 anos, com a mesma pose de grande diva da cultura pop. Feliz aniversário, Baby!!! E por falar na eterna Material Girl, o Multishow está exibindo um vídeo-remix da música Hollywood que é muito legal. Até então eu nunca tinha assistido a um remix de um clipe. Só conhecia remix de canções. Pois bem. A poderosa lançou um remix com imagens ainda mais surreais da canção Hollywood, que também foi remixada. Lady Madonna é tudo!!!

GLAUCO MATOSO sempre foi um dos mais incisivos poetas brasileiros. E o instinto poético do Sr. Matoso está mais do que presente no poema a seguir, que teve por inspiração a tentativa da igreja católica em crucificar as bichas. Dom Eugênio Sales, publicou hoje, mais um artigo patético criticando as relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo. Assim, o poema do Sr. Matoso é, obrigatoriamente, dedicado ao Dom Eugênio.


SONETO 752 DA NOVA INQUISIÇÃO


O papa e Bush, unidos, cagam regra
banindo o casamento gay da lista
das leis "normais": agora esta conquista é um "risco" e a sociedade "desintegra".


De novo a cantilena: o gay desregra
a vida, e quem num vício tal persista
só pode ser doente ou anarquista,
um vândalo que a Lúcifer alegra.


São eles, governantes, não os gays
os grandes responsáveis pelo mal,
reais e verdadeiros seis-seis-seis!


Católicos de merda e o capital
levaram todo o mundo ao ódio aos reis,
mas sempre o amor de iguais quase é casal.


(Glauco Matoso)

14.8.03




Dificuldades são como as montanhas. Só se aplainam quando avançamos sobre elas.

HOLLYWOOD ENDING – Nunca assisti a um filme de Woody Allen que eu não pudesse chamar de obra-prima. E o diretor nova-iorquino mantêm a escrita neste seu último filme, batizado no Brasil de Dirigindo no Escuro. O filme é uma crítica ao estilo americano de ver e fazer cinema, onde não cabe um entendimento do cinema como uma forma de arte que se propõe a fazer o espectador refletir. Atualmente os filmes de Woody Allen não fazem mais sucesso nos Estados Unidos. Mas são considerados obras de arte na Europa, principalmente na França e no Brasil.


Como sempre, o filme de Mr. Allen parte de uma idéia sensacional. Um diretor decadente fica psicologicamente cego quando é escalado por uma grande companhia para dirigir um filme. Com medo de perder sua grande chance ele esconde a cegueira e dirige o filme assim mesmo. O filme acaba sendo um fracasso na América mas faz um grande sucesso na França, onde é considerado uma obra de arte. Como sempre acontece com os grandes artistas, a arte de Allen é, antes de mais nada, um espelho dele mesmo.


Mesmo criticando o cinema americano, existe um olhar de ternura do diretor sobre o seu mundo e a sua arte. É tudo muito engraçado e inteligente. O mais bacana no filme é que, ao fazer sua critica ao cinema americano ele não esqueceu de homenagear os países onde seus filmes são um sucesso. A França é citada como o lugar onde o seu filme foi considerado uma obra prima. E o Brasil, que entende e pretigia os seus filmes, merece um carinho especial do diretor. Num diálogo ele diz que sua ex-mulher casou com um milionário e foi viver no Brasil.


Alguns dos meus filmes favoritos, são filmes que têm o próprio cinema como tema. Falando dos bastidores, dos atores, dos fãs e de tudo o que diz respeito a essa forma de arte. Dentre os meus favoritos estão: 1-O dia do gafanhoto; 2-Sunset Boulevard; 3-Los Angeles Confidential; 4-O último magnata; 5-Mulholand Drive.

JOVEM PAN – Os jogos pan-americanos tem sido uma surpresa agradável, pela quantidade de medalhas que o Brasil vem ganhando. Ao mesmo tempo, os jogos têm nos permitido assistir momentos marcantes do esporte. Como a vitória de Fernando Meligeni, que se despediu da carreira com uma medalha de ouro. E a performance do nadador Rogério Romero, que aos 33 anos, mostrou que está cheio de gás e conquistou a medalha de ouro. Além do que, o grande atleta, Rogério Romero parece ser um tremendo gostoso. Aliás, por falar em natação, alguém pode me explicar que roupas são aquelas que eles estão usando para competir? Uns moletons colantes até o tornozelo? Que horror! Queremos homens de sunga! A natação é a competição mais aguardada dos campeonatos exatamente porque os atletas têm os melhores corpos e o público pode vê-los de sunga. Parece que o torneio de Santo Domingo está lançando esta moda sem graça. O que nos salvou foi o torneio de pólo aquático. O jogo final entre Brasil e Estados Unidos reuniu alguns dos melhores corpos da competição. Os jogadores de pólo aquático ficam muito sexies de sunga e com aquelas toucas que eles usam para proteger os ouvidos. As câmeras colocadas embaixo da água captaram as imagens mais eróticas do PAN, quando os jogadores, na disputa pela bola, ficavam puxando as sungas uns dos outros. Beleza pura, como diria Caetano Veloso.

GENTE BOA – O povo GLS está cada vez mais indignado com Artur Xexéo. No instante em que o homossexualismo se torna o assunto do momento, o editor de cultura do Globo, mesmo tendo duas colunas semanais no jornal, simplesmente ignora o tema. Homossexualismo é um tabu para o jornalista Artur Xexéo. Enquanto a igreja católica tenta crucificar as bichas e a televisão americana apresenta um punhado de seriados gays, o colunista só fala na morte da Fernanda. Pois é. O mundo pegando fogo lá fora e o Xexeo trancado dentro de casa, assistindo Mulheres Apaixonadas.


Já que o Xexeo é tão noveleiro. Já que ele acha que a novela das nove é o evento cultural mais importante do mundo, ele poderia pelo menos falar das personagens lésbicas. As maravilhosas Clara e Rafaela. Mas, nem das personagens gays de sua novela favorita o sujeito fala. Homossexualismo é um assunto proibido para Xexeo. Um tabu. Um mito. Um segredo. Que pena. Ele poderia muito bem brindar os leitores falando um pouco de sua experiência. No momento em que a igreja questiona o casamento gay ele devia se pronunciar. Afinal, o jornalista vive a duas décadas com o mesmo homem.


Militantes do movimento gay carioca estão indicando o nome de Artur Xexeo para ganhar o prêmio PAU DE SEBO do Grupo Gay da Bahia. Todos os anos o GGB – Grupo Gay da Bahia outorga a personalidades da vida nacional dois importantes prêmios. O OSCAR, é entregue àqueles que, de alguma forma, foram bacanas com os gays. E o prêmio PAU DE SEBO é entregue aos que, de alguma forma, não foram bacanas com os gays. Pois é. Xexeo vai ser indicado ao prêmio PAU DE SEBO.


O mais chato de tudo é que a atitude do Xexeo diante do homossexualismo se reflete no caderno que ele edita. Não é só na coluna. O Segundo Caderno também tem uma atitude “em cima do muro” com relação a produção cultural de conteúdo homossexual. E não deveria ser assim. Afinal, o editor do suplemento é homossexual. E as Organizações Globo nunca descriminaram seus funcionários por causa de sua orientação sexual. Pelo contrário. Além disso, a redação do Globo está cheia de homossexuais. Talentosos. Brilhantes. Profissionais. E sufocados por Artur Xexeo.


Se Artur Xexeo não tivesse tanto pudor em falar sobre homossexualismo, se esse assunto não fosse um problema tão sério para ele, sua coluna certamente seria mais interessante. O jornalista teria mais opções como tema de suas crônicas. O que não pode é o editor de cultura de um jornal importante como O Globo ficar nesse dilema: ou fala da morte da Fernanda ou debocha da MPB.



JACKIE MILLER CONTA – Vem da terra dos nossos ancestrais portugueses o blog MAR SALGADO . Lá como cá os blogs também estão dando o que falar. Através do MAR SALGADO podemos entrar em contato com uma dezena de blogs de Portugal. A propósito, lá eles escrevem blogues. E viva o bolinho de bacalhau, Fernando Pessoa, e o Vasco da Gama.




Estilo é a deficiência que faz um sujeito escrever sempre do mesmo jeito.

MADONNA pode incluir o Brasil na turnê do show American Life. Essa possibilidade vem me tirando o sono. E me fazendo lembrar o inesquecível The Girlie Show, que ela apresentou no Maracanã. Foi o mais incrível show que assisti na vida. As músicas. Os bailarinos. Os cenários que se moviam. Os efeitos. As coreografias. A luz. O astral da platéia, que parecia uma multidão de fanáticos.


Ela cantou quase todas as músicas do disco Erótica. Foi impressionante vê-la cantando Deeper and deeper, no alto de um globo espelhado. Ou submergindo numa fogueira depois de cantar Fever. Mas, o momento que eu mais gostei do show foi quando ela cantou La Isla Bonita. Foi fantástico. O arranjo da música estava diferente, com uma outra levada. Um ritmo latino e caliente que levantou o público. Além disso havia uma coreografia muito original e cheia de bossa. No final da música foram jogadas enormes serpentinas coloridas no meio da platéia. Foi lindo!


Naquela noite o Maracanã realmente viveu um momento de glória. O público estava muito excitado com a presença dela no Brasil. A mulher tinha acabado de lançar o livro SEX que saiu quase ao mesmo tempo que o álbum Erótica. E tudo isso mexeu muito com a cabeça do público. As pessoas foram para o Maracanã dispostas a tudo. Todos queriam experimentar e pirar. No gramado super lotado de onde assisti o show a animação era total. Casais de todos os sexos no maior chamego. Grupos de pessoas fumando maconha. Grupos de pessoas cheirando cocaína. Uma esfregação. Uma pegação. Um frenesi. Parecia que o mundo ia acabar depois do show e todos queriam aproveitar ao máximo os últimos momentos. Ao som da garota material, é claro. Foi lindo!


A presença de Madonna no Rio de Janeiro mobilizou toda a cidade. Uma multidão, da qual eu me orgulho muito de ter feito parte, ficou plantada na porta do Hotel Caesar Park, em Ipanema, esperando um momento para vê-la. Gritando seu nome a plenos pulmões. Tinha muita bicha dando pinta. Jornalistas. Curiosos. O lugar virou uma festa. O quiosque, em frente ao hotel, ficava tocando as músicas da cantora, no volume mais alto possivel. Quando tocava Vogue, uma multidão ficava imitando as coreografias da música. Uma ferveção.


Os bailarinos do show iam a praia em frente ao hotel e os fãs aproveitavam para fazer perguntas sobre a estrela. Tentavam saber algo mais sobre a mulher. E os bailarinos falavam mal dela. “Ela não é o que vocês estão pensando”, disse um deles para o meu amigo Ruiz Bellenda. Um dia Madonna apareceu na janela do salão no segundo andar do hotel. Deu adeus para os seus fãs que ficaram maravilhados com a sua aparição. Como se estivessem diante de Nossa Senhora. Madonna significa Nossa Senhora. Depois a grande dama da musica pop jogou algumas flores em direção ao público e desapareceu na imensidão do hotel.


Assisti a alguns dos maiores shows de música pop que foram apresentados no Brasil. Cindy Lauper, Eurithmics, Duran Duran, Michael Jackson, Shakira, Siouxsie and The Banshes, Nirvana, Bob Dylan, Lisa Stansfield, Sheryl Crow, Bon Jovi, Whitesnake, Iron Maiden, Queen, Iggy Pop, Sting, Chuck Berry, Gene Loves Jezebel, Echo and the Bunnymen, Tina Turner, Guns´n Roses, Red Hot Chilli Pepers, Ramones, A-ha, Cocteau Twins, entre outros. Mas, nenhum foi tão arrebatador quando o show da Madonna no Maracanã.


OS DEZ MELHORES SHOWS DE MÚSICA POP


1 – Madonna
2 – Paul McCartney
3 – Elton John
4 – Rolling Stones
5 – Pet Shop Boys
6 - Rod Stewart
7 – David Bowie
8 – Billy Idol
9 – Brian Ferry
10- Simply Red

10.8.03




Não se queixe de estar ficando velho. Pense nas pessoas que não puderam ter este privilégio.

GENTE BOA – O povo GLS está cada vez mais indignado com Artur Xexéo. No instante em que o homossexualismo se torna o assunto do momento, o editor de cultura do Globo, mesmo tendo duas colunas semanais no jornal, simplesmente ignora o tema. Homossexualismo é um tabu para o jornalista Artur Xexéo. Enquanto a igreja católica tenta crucificar as bichas e a televisão americana apresenta um punhado de seriados gays, o colunista só fala na morte da Fernanda. Pois é. O mundo pegando fogo lá fora e o Xexeo trancado dentro de casa, assistindo Mulheres Apaixonadas.


Já que o Xexeo é tão noveleiro. Já que ele acha que a novela das nove é o evento cultural mais importante do mundo, ele poderia pelo menos falar das personagens lésbicas. As maravilhosas Clara e Rafaela. Mas, nem das personagens gays de sua novela favorita o sujeito fala. Homossexualismo é um assunto proibido para Xexeo. Um tabu. Um mito. Um segredo. Que pena. Ele poderia muito bem brindar os leitores falando um pouco de sua experiência. No momento em que a igreja questiona o casamento gay ele devia se pronunciar. Afinal, o jornalista vive a duas décadas com o mesmo homem.


Militantes do movimento gay carioca estão indicando o nome de Artur Xexeo para ganhar o prêmio PAU DE SEBO do Grupo Gay da Bahia. Todos os anos o GGB – Grupo Gay da Bahia outorga a personalidades da vida nacional dois importantes prêmios. O OSCAR, é entregue àqueles que, de alguma forma, foram bacanas com os gays. E o prêmio PAU DE SEBO é entregue aos que, de alguma forma, não foram bacanas com os gays. Pois é. Xexeo vai ser indicado ao prêmio PAU DE SEBO.


O mais chato de tudo é que a atitude do Xexeo diante do homossexualismo se reflete no caderno que ele edita. Não é só na coluna. O Segundo Caderno também tem uma atitude “em cima do muro” com relação a produção cultural de conteúdo homossexual. E não deveria ser assim. Afinal, o editor do suplemento é homossexual. E as Organizações Globo nunca descriminaram seus funcionários por causa de sua orientação sexual. Pelo contrário. Além disso, a redação do Globo está cheia de homossexuais. Talentosos. Brilhantes. Profissionais. E sufocados por Artur Xexeo.


Se Artur Xexeo não tivesse tanto pudor em falar sobre homossexualismo, se esse assunto não fosse um problema tão sério para ele, sua coluna certamente seria mais interessante. O jornalista teria mais opções como tema de suas crônicas. O que não pode é o editor de cultura de um jornal importante como O Globo ficar nesse dilema: ou fala da morte da Fernanda ou debocha da MPB.




O trabalho de cada homem, seja na literatura, música, pintura, arquitetura, ou qualquer outra arte, é sempre um retrato dele mesmo.

MULHERES APAIXONADAS Eu acho a Fernanda o personagem mais chato da novela, junto com a Raquel. As tramas que envolvem esses personagens são arrastadas e pesadas. Além disso eu tenho a sensação que os personagens são maiores que as atrizes que os interpretam. Mas como todas duas são mulheres de diretores da Globo, é compreensível que elas tenham tanto destaque. O que eu mais gosto na novela é o romance da Silvia com o motorista de táxi. Aquilo é ótimo. Pena que apareça tão pouco. Também gosto da Paulinha. O personagem é sensacional e a atriz fantástica. O núcleo da escola é muito bacana. Tanto os alunos como os professores. Acho que a novela poderia se passar totalmente na escola.


Bala perdida e câncer de mama, na mesma novela, é over. O clima ficou pesado então eu tenho mudado de canal. Eu sei que a vida é dura e implacável com as pessoas, mas a Hilda é um personagem tão legal. Não merecia esse sofrimento. Além disso, aquele marido é fantástico. É o marido dos sonhos de toda mulher. Eu me recuso a assistir a cena em que ela vai ter que contar o seu drama para aquele homem, que é o melhor homem do mundo. Era um refresco para o espectador ver aquele casal feliz no meio daquele drama todo. Os autores da novela erraram em pegar pesado com eles.


A melhor coisa da novela, entretanto é o namoro de Clara e Rafaela. O assunto é muito bem conduzido pelo autores, que não tiveram medo de serem ousados. Os climas entre as duas. As palavras de carinho. A implicância da Paulinha. É tudo muito bem conduzido. Tudo muito leve sem causar nenhum desconforto ao espectador. As atrizes fazem a sua parte com muito talento e se jogam nos personagens sem medo de ser feliz.

TV GAY - A nova sensação da TV americana é um programa chamado Queer Eye For The Straight guys (Um olhar gay para um cara heterossexual). No programa cinco homossexuais especializados em moda, decoração, etiqueta, gastronomia e boas maneiras dão um trato na vida de um bofe. Decoram o apartamento, ensinam a cozinhar, escolhem novas roupas. Dão dicas do que fazer para que os bofes possam conquistar suas mulheres. Cada semana, os homossexuais encaram um bofe diferente.


Como diria o machão Artur Xexeo, vamos a pergunta que não quer calar: Quando a Globo vai passar esse seriado? Se o Boni ainda fosse o todo poderoso certamente a emissora já teria comprado os direitos de transmissão. A televisão americana está cheia de seriados com temática gay. Não podemos esquecer o clássico Queer as a Folk, que a TV A exibe com o extravagante titulo de Os Assumidos. É sensacional esse programa. É uma espécie de Mulheres Apaixonadas só com personagens homossexuais. A Globo está marcando touca com o seu público em não exibir esse programa. Outro seriado, chamado Boy Meets Boy, cujo tema é o encontro entre rapazes, vem batendo recordes de audiência em Nova York. Enquanto isso no Brasil...

9.8.03




Viver é aceitar que cada minuto é um milagre que não poderá ser repetido.

DESCANCE EM PAZ – De todas as manifestações de pesar sobre a morte do doutor Roberto Marinho a que mais me chamou a atenção foi a de um cientista político americano (eu não gravei o nome do sujeito) que disse que foi o presidente das Organizações Globo quem inventou o conceito de globalização, muito antes dos teóricos, técnicos, políticos e economistas cunharem esse termo. Ele quis dizer que desde os primórdios as Organizações Globo sempre tiveram em sua filosofia empresarial uma visão afeita a globalização. A começar pelo nome da empresa.


Para mim ele sempre foi um ídolo. Um herói nacional. Por tudo que construiu. Por tudo o que viveu. Um sábio. Um poeta. O seu romance com dona Lili, uma mulher que conheceu na juventude e que foi reencontrar no auge da terceira idade, é digno de um conto de fadas. Doutor Roberto será sempre um exemplo para todos os brasileiros. Descanse em paz...


INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA


A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!


Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...



(Mário Quintana)

8.8.03




Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o teu silêncio.

DESTINO INSÓLITO, o filme de Guy Ritchie, estrelado por Madonna, é uma deliciosa viagem ao cinema europeu dos anos setenta. A narrativa. As locações. O ritmo. As referências. Tudo nos remete a Dino Risi, Antonioni, Brigite Bardot, O sol por testemunha e Candelabro Italiano. A própria escolha do tema, um remake de um antigo filme de Lina Wertmuller, dá a dica sobre os anseios cinematográficos do diretor. Ao refazer o filme italiano Guy Ritchie não se preocupou em atualizar a história. Ao contrário, ele tratou de viajar com seus atores para o universo cinematográfico que pretendia retratar. O resultado é sensacional.


Madonna interpreta uma dondoca mimada e temperamental que, durante as férias, vai fazer junto com o marido e amigos um cruzeiro pelo mar mediterrâneo. Na viagem ela conhece Pepe, um marinheiro italiano simplório e comunista. Durante a viagem ela o maltrata o tempo inteiro, pois não suporta as maneiras rudes do rapaz. Um conflito se instala entre os dois. Em seguida, depois de um acidente, o casal vai parar numa ilha deserta.


Na ilha deserta o marinheiro decide se vingar da granfina e resolve maltratá-la na mesma moeda. Deixa-a faminta e a submete a várias humilhações. Quando a mulher reage o italiano bate nela. Aliás, Madonna apanha muito nesse filme. O casal fica um mês numa ilha árida, comendo apenas os peixes que o homem captura no mar. Aos poucos a dondoca fresca vai se apaixonando por aquele homem rude, que a xinga o dia inteiro. Ao mesmo tempo a brutalidade dele vai se transformado numa descontrolada paixão. Quando finalmente o casal é resgatado o amor que os une será posto à prova pelo mundo que os espera muito além daquela ilha.


Madonna está ótima num personagem que é quase uma caricatura dela mesma. Seu ar entediado durante o cruzeiro é impagável. Assim como os climas entre ela e o ator Adriano Giannini. As brigas entre os dois são incríveis, principalmente por causa dos tabefes que ele dá nela. Numa seqüência sensacional, que retrata uma alucinação do marinheiro, Madonna aparece dançando em frente a uma orquestra, dublando uma musica cantada por outra cantora. Ela está gloriosa nesse momento.


Guy Ritchie se revelou um diretor muito inteligente com esse filme. Ele foi beber na fonte mais sagrada da cinematografia internacional. Os neo-realistas do inicio dos 70. Só isso já é uma razão mais do que justa para prestar atenção no seu filme. As citações a esse universo aparecem em toda parte, inclusive na escolha do ator principal, filho de Giancarlo Giannini, um ator-símbolo daquela época. Antes de tudo, Guy e Madonna, revelam ter cultura cinematográfica, ao escolherem realizar esse projeto. Infelizmente o filme não fez uma grande carreira no cinema. Mas tem tudo para emplacar em DVD.

6.8.03




Mães querem que os filhos cresçam e se tornem presidentes, mas não querem que se tornem políticos.

O NOME DELE É TOMÁS – As revistas semanais Época, Carta Capital e Isto É dão destaque a estréia em São Paulo da peça A Flor do Meu Bem Querer, de Juca de Oliveira. A peça está causando sensação na opinião pública paulista, pois o texto, ao criticar políticos famosos, faz referência ao filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista da Globo News Miriam Dutra Schmidt.


Tomás Schmidt nasceu no dia 26 de setembro de 1991, foi batizado sem o sobrenome paterno e atualmente vive em Barcelona, na Espanha, onde a mãe é correspondente. O pequeno Tomás sempre foi o grande tabu do governo FHC. Durante os oito anos de governo o assunto não provocou o menor interesse da mídia, apesar de toda a imprensa nacional ter conhecimento do assunto.


A imprensa brasileira, num inexplicável silêncio, nunca se pronunciou sobre o tema. Com exceção de um ou outro órgão que tratou do assunto superficialmente. Tanto, que poucas pessoas no Brasil sabem dessa aventura extra-conjugal de FHC. A alegação dos editores dos principais jornais brasileiros é que o assunto tratava da vida pessoal do Presidente da República, por isso deveria ser respeitada a sua privacidade. Aliás, muita gente defende essa teoria de que a vida pessoal do Presidente tem que ser preservada a todo custo.


Vida pessoal? Presidente da República não tem direito à vida pessoal. E quando essa alegação é utilizada por jornalistas ela se torna patética. Desde quando a imprensa respeita a vida pessoal de alguém? A imprensa matou a princesa Diana por não respeitar sua vida pessoal. No caso de FHC, o que acontece, é que a existência de Tomás Schmidt esconde um assunto que toca muito de perto a ética jornalística: a promiscuidade existente entre os profissionais do setor e os figurões da república. Talvez por isso a imprensa tenha sido tão discreta com esse assunto. Afinal, protegendo o presidente a imprensa estaria se autoprotegendo.




TOMÁS SCHMIDT nasceu fadado a se tornar uma das mais importantes personalidades da nossa república, na virada do século. Quando sua mãe ficou grávida ela era correspondente da Globo em Brasília e namorava o senador FHC havia bastante tempo. Os pombinhos costumavam sair juntos e eram vistos de mãos dadas em lugares discretos da cidade, já que dona Ruth morava em São Paulo. Na época o papai FHC já despontava nas pesquisas para a presidência da república e ao saber que a amante estava grávida, entrou em pânico e teve um ataque. “Você quer acabar com a minha vida sua vagabunda?” gritou o futuro presidente antes de tentar agredir a moça fisicamente. Miriam Dutra foi salva de levar umas porradas por Ana Tavares, a fiel secretária de FHC, que conseguiu conter a fúria do seu patrão. Os gritos do senador exigindo que ela fizesse um aborto ecoaram pelos corredores. A moça se recusou a fazer o aborto. Com o impasse FHC pediu ajuda ao companheiro José Serra, afinal um escândalo poderia prejudicar sua candidatura. Foi José Serra quem negociou com o então diretor de jornalismo da Globo, Alberico de Souza Cruz, a transferência da moça para a Europa, onde ela deveria ficar quietinha para não atrapalhar o projeto político do PSDB.


TOMÁS SCHMIDT , parece ter nascido virado para a lua. Segundo o jornal Caros Amigos, quando nasceu o pimpolho foi batizado pelo próprio Alberico de Souza Cruz, o homem mais poderoso do jornalismo brasileiro. Afinal, ele era o editor responsável pelo Jornal Nacional. É que o diretor de jornalismo da TV Globo ficou tão comovido com o drama da sua subordinada, grávida e abandonada pelo bofe, que resolveu tomar para si a responsabilidade sobre a criança e se tornou padrinho da mesma.


Se FHC tivesse tido um filho com a empregada da sua casa. Ou com uma amiga da dona Ruth. Ou com alguma correligionária do PSDB era compreensível o argumento de que esse seria um assunto de ordem pessoal do Presidente. Mas ele teve um filho com uma jornalista que é funcionária da maior empresa de comunicação do país. Além disso, o filho da moça foi batizado pelo diretor de jornalismo dessa mesma empresa. Neste ponto o assunto deixa de ser a vida pessoal do presidente e passa a ser a vida dos cidadãos brasileiros. Afinal, que isenção o jornalismo da Globo poderia ter, ao tratar do governo FHC, se o diretor de jornalismo era padrinho do filho bastardo do presidente?


Só para se ter uma idéia, na metade do primeiro mandato de FHC Alberico de Souza Cruz foi demitido da Globo. Colegas do jornalista contam que ele quis usar a prerrogativa de ser padrinho do filho do presidente para impor um nome de um amigo para a presidência da Caixa Econômica Federal. Fernando Henrique se sentiu ameaçado com a exigência e se queixou com a alta direção da empresa que demitiu o rapaz, substituindo-o pelo saudoso Evandro Carlos de Andrade.




Apesar de nunca ter aparecido com o merecido destaque na mídia, as relações pessoais entre esses personagens têm sido motivo de especulações no circuito mais bem informado da sociedade brasileira. Ninguém acredita que a jornalista Miriam Dutra tenha simplesmente concordado em viver na Europa, criando o filho do Presidente do Brasil, pelos belos olhos do Fernando Henrique. Essa saída estratégica da moça certamente foi negociada. O que a sociedade brasileira tem todo o direito de saber é: em que termos essa saída estratégica foi negociada.


Uma lobista carioca, serpente venenosa, acostumada a freqüentar os corredores do Congresso Nacional e os salões impecáveis do Palácio do Planalto garante que a jornalista Miriam Dutra exigiu do Presidente da República um milhão de dólares. Por cada ano de governo. Eu posso até imaginar a bela Miriam Dutra, com seu sensual sotaque gaúcho, encurralando FHC com seus argumentos, cheia de ressentimentos por ter sido rejeitada. “Eu quero um milhão de dólares, Fernando. Senão eu apareço na capa da revista Caras, junto com o teu filho Tomás.”


É claro que não se pode confiar muito na afirmação de alguém que é lobista profissional. Mas todo o mistério que envolve a relação do ex-presidente com essa moça só faz estimular o surgimento de especulações. Afinal, diariamente lemos nos jornais casos semelhantes de mulheres que deram o golpe da barriga. E todas elas costumam cobrar um preço bem caro pelos filhos que carregam. Porque com o ex-presidente teria sido diferente? Será que Miriam Dutra é mais decente que Luciana Gimenez?


O fato é que, se FHC pagou um milhão de dólares, por cada ano de governo, para a sua amante, ele tem que explicar aos contribuintes de onde saiu esse dinheiro. Será que ele pagou do próprio bolso? Ele tem esse dinheiro? Se não foi do próprio bolso será que foi do nosso bolso? Será que o povo brasileiro, que já paga tanto imposto, também tem que pagar os custos das trepadas milionárias do seu presidente?




Os editores dos grandes jornais brasileiros, que sempre protegeram a VIDA PESSOAL do presidente têm a obrigação profissional de levantar essas questões e coloca-las para a opinião pública. Mas a imprensa brasileira se recusa terminantemente a tocar nesse assunto. E sabem porque? É que, como FHC estava com o rabo preso com a imprensa, durante o seu governo ele foi mais do que generoso com as empresas de comunicação e os grandes jornais e revistas. Atendia as reivindicações de todos com presteza e generosidade. Quem não se lembra do PROER da mídia, quando o BNDES assumiu as dívidas em dólares das grandes empresas de comunicação? Em troca as empresas jornalísticas lhe ofereceram o silêncio.


É preciso deixar bem claro que as considerações contidas nesse blog não pretendem, de forma alguma, fazer qualquer tipo de acusação ou imputação as Organizações Globo e suas diversas empresas, que merecem as maiores deferências pela qualidade e competência do seu trabalho. Afinal, o doutor Roberto Marinho e seus filhos não têm culpa das relações promíscuas existentes entre seus funcionários e figurões da república.


De qualquer maneira essa situação inusitada coloca em cheque não só a atuação de Fernando Henrique Cardoso como Presidente da República, como também uma outra poderosa instituição nacional: a imprensa. Desde a definitiva instalação da democracia no País a imprensa brasileira tem se colocado como guardiã da liberdade de informação e guardiã dos valores morais que sustentam a sociedade brasileira. Sempre se comportando como uma instituição acima de qualquer suspeita, a imprensa tem sido implacável com políticos e autoridades envolvidos em corrupção e sempre exigindo a abertura de CPIs para investigar todo e qualquer deslize dos poderosos da sociedade. Mas, esse silêncio da imprensa com relação ao affair Miriam Dutra-FHC levanta suspeitas sobre a instituição. Como diria Artur Xexeo, vamos a pergunta que não quer calar: “Será que a imprensa brasileira conseguiria sobreviver a uma CPI ?”

3.8.03




Aquele que busca o céu na terra, certamente dormiu na aula de Geografia.

SEXO É BOM! – O assunto da semana foi o documento da igreja católica criticando o relacionamento entre homossexuais, alegando que esse comportamento é uma ameaça a instituição da família. O documento é uma pérola de intolerância e preconceito que tenta induzir as famílias católicas a discriminarem os gays, vistos como uma ameaça aos seus valores. Acontece que as famílias católicas estão cheias de homossexuais. Assim, o documento da igreja católica induz as mães a rejeitarem seus filhos gays. Induz os irmãos a desprezarem seus irmãos gays. Conclama os pais a desaprovarem seus filhos gays. Acho que o documento da igreja católica é que é a verdadeira ameaça à família.


Desde sempre a igreja católica teve uma atitude repressora com relação ao sexo, de uma forma geral. Para a igreja o sexo deve ser praticado apenas para a procriação. Esse é um dogma da igreja católica. O sexo como forma de prazer ou simples necessidade biológica não existe. A repressão sexual aos seus fiéis, como também aos seus sacerdotes, sempre foi um alicerce da igreja católica. O sexo sempre foi usado por esta poderosa instituição religiosa como uma forma de ter absoluto controle sobre os seus fiéis. Para isso a igreja tratou, ao longo dos anos, de mostrar o sexo como um pecado, como algo sujo e digno de vergonha. Com exceção quando praticado como forma de procriação.


O sexo é uma dádiva que Deus, através da natureza, concedeu ao ser humano. É um prêmio, uma graça, uma bênção. É através do sexo que o ser humano mais se aproxima do divino. É através do êxtase proporcionado pela atividade sexual que o homem espiritualmente chega mais perto de Deus. E a igreja sabe bem disso. Por essa razão que a igreja católica reprime tanto o sexo. É que assim a igreja cobra um pedágio dos seus fiéis. Ou seja, para se chegar a Deus através do sexo é preciso pagar um pedágio a igreja, obedecendo cegamente aos seus dogmas e preceitos.


A repressão sexual é a forma mais perversa e primitiva de se manter controle sobre o ser humano. O homem reprimido sexualmente torna-se mais fácil de ser manipulado, diferentemente de alguém realizado sexualmente. Não é por acaso, que é nesse ponto, da repressão sexual, que o pensamento da igreja católica se comunga com o pensamento do governo americano. Ambos usam a instituição “família” como desculpa para disseminarem seus pensamentos conservadores e falsos moralistas.


Nesse mundo de meu Deus, se existe alguém menos indicado para falar de “família” esse alguém é George W. Bush. Gostaria de saber se ele teve alguma consideração pelas dezenas de famílias iraquianos que foram vítimas de suas bombas inteligentes. Os homossexuais não são ameaça a família alguma. Quem serve de ameaça às famílias do mundo inteiro é o presidente Bush com o seu comportamento hitlerista.




As tentações, ao contrário das oportunidades, sempre lhe darão muitas segundas chances.

A IMPORTÂNCIA DE DAR O CU – As conquistas dos homossexuais nos últimos anos têm deixado os conservadores de cabelo em pé. O sucesso das paradas gays em todo o mundo. A presença de personagens homossexuais nos programas de TV, no cinema e na publicidade. A influência da cultura gay no comportamento da sociedade. Foram estas as razões para o pronunciamento oficial da igreja católica sobre o homossexualismo. Como também para o discurso neomoralista do presidente americano.


Os conservadores não admitem o cu como fonte de prazer. E essa é a razão da grande tragédia da humanidade. Até hoje, mesmo depois de dois mil e três anos de civilização o homo sapiens ainda não conseguiu aprender a lidar com o seu próprio cu. O cu ainda é um mistério insondável para o ser humano. Um tabu cultuado com requinte pela civilização machista que desde sempre habitou o mundo. É o tabu do homem com relação ao seu próprio cu que faz nascer esse preconceito obsessivo contra os homossexuais.


Os cientistas sempre afirmaram que o sol é o centro do universo. Pois eu peço licença aos leitores desse blog para discordar da ciência. Para mim, filósofo de Ipanema, o centro do universo é o cu. É em torno desse delicado órgão do corpo que gira toda a glória e toda a tragédia da existência humana. É por causa do cu que os humanos constroem o progresso da vida. Como também é por causa do cu que os homens destroem e matam seus semelhantes.


Certa vez, no programa do David Letterman, a atriz Whoopi Goldberg, ao comparar Bill Clinton com George W. Bush, disse a seguinte frase: “O mundo vivia melhor quando o presidente americano transava.” É no sexo que está o grande segredo da existência humana. Por isso mesmo, desde o mais remoto dos tempos, o homem vem tendo sua sexualidade manipulada por interesses de corporações religiosas e governos fascistas que tentam de qualquer forma esconder que só existe uma porta para a liberdade do homem: o sexo.




Ame profundamente e com paixão. Você pode se machucar, mas é a única maneira de viver a vida completamente. Não apenas no que diz respeito ao amor por uma pessoa, mas também no que diz respeito à vida profissional. Devemos procurar nosso caminho, e segui-lo com determinação. As coisas devem ser feitas com paixão, com interesse e dedicação.




JACKIE MILLER CONTA Santo Mário Social Club é um blog com personalidade. Seus personagens são incríveis. Pedro, o treinador. Paty Pinto. Érica Palomino. Santo Mário afirma que Bel Kutner é o teatro. E que seu sonho dourado é se tornar uma barbie até o próximo verão.

O ESCRAVO é nome da famosa ópera de Carlos Gomes, que acabei de ouvir na radio MEC FM. Eu já tinha ouvido muito falar dessa ópera, mas nunca a tinha escutado. Fiquei encantado. A música tem acordes belíssimos. Acordes que contam a história do triângulo amoroso entre o homem branco Américo, o escravo Iberê e a índia Ilara. O romance, ambientado na época da proclamação da república, é cantado com climas e reviravoltas, através de árias de grande beleza. A radio MEC apresentou a gravação original da montagem realizada em junho de 1959, durante as comemorações de cinqüenta anos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O elenco é maravilhoso assim como o coro e a orquestra.


Ouvir a radio MEC-FM é um dos grandes prazeres que tenho na vida. A programação de música clássica é de alto nível. Outro dia acordei de manhã e quando liguei o radio estava tocando O Lago dos Cisnes de Tchaikovski, que é a música mais perfeita já composta até hoje. A semana passada a radio apresentou um especial sobre a família Strauss, do célebre compositor do Danúbio Azul, que foi uma beleza. Sem falar nos diversos programas sobre o repertório clássico que a emissora apresenta durante todo o dia.