30.3.03




LEBLON PRIDE - Parabéns a Vitor Belfort , que faz aniversário em primeiro de Abril. Na foto ele aparece ao lado do parceiro de tatame Rodrigo Medeiros, na época em que treinaram juntos em Los Angeles. Mr. Belfort está morando em São Paulo, onde se prepara para abrir uma academia que levará o seu nome. Ao mesmo tempo o super campeão de Vale Tudo treina pesado para a sua próxima luta, dia 6 de junho em Las Vegas.


Rodrigo Medeiros é estrela do jiu-jitsu brasileiro na Califórnia, onde possui duas academias. Rodrigo é um dos atletas brasileiros que vão participar do ABU-DHABI BRASIL, o famoso torneio de lutas patrocinado pelo Sheik dos Emirados Árabes. Será nos dias 17 e 18 de Maio, no Ibirapuera, São Paulo.

PROSA & VERSO - A publicação do livro Mulher de Um homem Só, no blog Liberal, Libertário, Libertino faz reforçar a vocação dos blogs como artífices da nova literatura brasileira. É na internet que está sendo publicada a grande literatura brasileira do século 21. E o mais incrível é que é uma literatura mais pura, mais autêntica, mais dinâmica.


A literatura que se têm conhecimento através dos livros, passa por uma espécie de filtro. Um espécie de censura que é ditada pelas editoras, que dominam o mercado de livros. São elas que escolhem e determinam o que o leitor vai encontrar nas livrarias. Na internet não existe essa figura onipotente. Cada um publica o quer, do jeito que quer, com as palavras que quer.


Então a literatura que se encontra da web, especialmente nos blogs, é uma literatura mais viva, mais verdadeira. Afinal, são palavras que se esvaem dos autores e vão direto para o leitor. Sem intermediários. É uma relação autor-leitor muito mais rica e profunda. Relação que dispensa a figura da editora mandando cortar ali, reescrever acolá. Isso é uma vitória da literatura. É a realização do desejo máximo de todo mundo que escreve. Chegar direto no leitor, sem intermediários.


Quem se dá ao trabalho de pesquisar na enorme quantidade de blogs que existe na internet se surpreende com a qualidade literária encontrada nos mesmos. Tem muita gente escrevendo coisas interessantes. O curioso, é que algumas pessoas escrevem por impulso e não têm noção do seu próprio talento. Nem sabem que são escritores. Esses é que são os melhores.

29.3.03




Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

UMA NOITE EM BAGDÁ – Os americanos não estão apenas bombardeando Bagdá. Estão, também, espalhando energia atômica. Balas de urânio têm sido disparadas na guerra. Balas que deixarão radiatividade no Iraque por muitas gerações. É o que denuncia Jonh Perry Barlow em artigo publicado no caderno do Globo chamado A Guerra de Bush. A lembrança de Barlow põe ainda mais lenha na fogueira da guerra.


Uma coisa no conflito já ficou clara. Para a opinião pública internacional, os americanos são os vilões nessa história. Não existe nada que o governo americano possa fazer para reverter essa situação. Nesse filme da guerra do Iraque o papel deles será sempre o de vilões. Nunca de heróis, salvadores da terra, como eles pretendem se mostrar.


A América, nesse momento, é uma nação acuada. É um país odiado, onde as pessoas vivem com medo. É compreensível que o povo americano esteja vivendo como se estivesse sendo perseguido por cães. Afinal, os EUA é um país governado por criminosos de guerra. Isso é o mínimo que se pode dizer do Presidente Bush e seus principais auxiliares. Criminosos de guerra! Mas poderíamos também chamá-los de assassinos. Escroques. Canalhas. Fascistas. Filhos da puta!!!!


Eles estão atirando bombas em mulheres, crianças e cidadãos inocentes, apenas para movimentar a indústria bélica, corporação da qual eles são testa-de-ferro. A motivação dessa guerra é a mais baixa possível. E a opinião pública internacional sacou a pilantragem deles. Principalmente agora quando cadáveres, começam a aparecer por todos os lados.

JACKIE MILLER CONTA – A literatura brasileira dá às caras na Internet. O blog Liberal, Libertário, Libertino disponibiliza para download o livro Mulher de um Homem Só Sexo e paixão no diáfano mundo do amor heterossexual. Leia correndo.




Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo...

PAULICÉIA DESVAIRADA – O jornal Estado de São Paulo publica reportagem que insinua que o namorado da prefeita Marta Suplicy, teria recebido propina de empresas que controlam linhas de ônibus no município. Eu sempre achei estranho que São Paulo, cidade administrada pelo PT, tivesse as mais caras passagens de ônibus. Agora, parece que ficou explicado porque. Luiz Favre não satisfeito em foder a prefeita, também estava fodendo toda a população do estado.


O que será que o Tio Lula vai dizer sobre isso? Ele parece ser tão íntimo de dona prefeita. Será que vai defende-la neste escândalo? Uma das coisas mais necessárias para o trabalhador é o transporte coletivo. É uma necessidade básica do operário. Pois esse setor, que é tão caro ao trabalhador, vive sendo alvo de negócios escusos nas principais administrações petistas.


Não podemos esquecer que, na época da morte do prefeito de Campinas, Celso Daniel, assassinado em circunstâncias até hoje nebulosas, pipocaram denuncias que envolviam o PT e cobrança de propinas das empresas de ônibus. Houve até acusações de que o então presidente do PT, José Dirceu, recebia dinheiro das empresas de transporte coletivo de Campinas. Essa nova denúncia encosta o PT na parede e abala a reputação do novo governo.

ESSA NOITE TIVE UM SONHO – Sonhei que estava dormindo. Quer dizer, no sonho eu também dormia. De repente começo a escutar uma voz masculina gritando, como se estivesse querendo me dar um aviso: Olha o avião! Olha o avião! Olha o avião! Acordo sonolento. Levanto da cama e vou até a janela. Vejo um avião enorme, voando bem baixo, vindo em direção ao meu edifício. Eu fico gelado de pavor. O avião vem em minha direção, passa rente ao meu prédio e cai logo depois. Essa seqüência é toda em preto e branco. Depois corta, como num filme, e eu estou olhando os destroços de um avião caído em Ipanema. Agora a cena é colorida. Uma cratera. Vítimas. Fumaça. Acordei perturbado. Fui ao banheiro e comecei a vomitar.

26.3.03




Todo mundo, antes de nascer, já foi um porra-louca!


AS MENINAS SUPER PODEROSAS – São minhas amigas Helena, Cris e Marina. Nós adoramos almoçar na livraria Letras & Expressões. Eu sempre como um inhoque fantástico que eles servem por lá. Na última vez que lá fomos Helena havia chegado de Barcelona e nos contou tudo sobre a viagem. Ela estava encantada com Madrid. Recordou o seu encontro com Jenifer Lopez, no lobby do hotel. Disse que a Jenifer é baixinha mas muito malhada. Hilária a Helena!


Cris é gaúcha e mora há pouco tempo no Rio. Mas é ela quem mais encontra amigos nas ruas de Ipanema. “Como tem gaúcho aqui no Rio”, diz ela com aquele sotaque sexy do Rio Grande do Sul. O apartamento dela tem uma vista incrível da praia de Ipanema. Marina mora no alto da Fonte da Saudade e sua vista inclui a Lagoa e o Cristo Redentor.


Foi com elas que eu assisti pela segunda vez AS HORAS. Eu fiquei tão impressionado com o filme que decidi assistir novamente. No cinema eu sentei numa fila e as três sentaram bem atrás de mim. Quando acabou a sessão e as luzes foram acesas eu me virei e fiquei impressionado com a expressão do rosto delas. Elas estavam lívidas!


Depois do cinema fomos tomar um café e conversar sobre o filme. As meninas tinham adorado. Na Visconde de Pirajá eu olhava para elas e as imaginava como as três protagonistas. Marina, sem dúvida seria Virginia Wolf. Além de ser totalmente dedicada aos livros é fã de Nicole Kidman. Cris seria o personagem de Juliane Moore. A mulher que larga tudo para poder encontrar a si mesma. E Helenaseria a Meryl Streep. A poderosa editora, cheia de personalidade. Sempre com um lenço chiquérrimo em volta do pescoço.


Outro dia fomos bisbilhotar a loja Contemporânea, em Ipanema. Os vestidos são pequenas obras-primas. As meninas super poderosas ficaram experimentando os modelos e tricotando com o vendedor, que era um sujeito hilário. A loja vende modelos dos mais badalados estilistas brasileiros. Eu me diverti muito com elas experimentando modelos de Alexandre H., Fausen Haten e Glória Coelho.

JACKIE MILLER CONTA - Urgente! Direto de Bagdá! O cotidiano de um Tenente americano no front iraquiano. O blog do Tenente Smash tem tudo para ser a nova sensação da internet. Ao vivo, do deserto, ele descreve o dia-a-dia de um soldado do império em meio a mísseis e tanques de guerra. Clique AQUI e leia boquiaberto.



GÁVEA MAGAZINE – O shopping da Gávea acaba de lançar sua revista. No primeiro número um ensaio fotográfico de Adriana Pitigliani, estrelado por Lui Mendes e as modelos Vanessa Fonseca e Silvia Missaja. Uma entrevista com Jorginho Guinle. Além de reportagem sobre os teatros do shopping. A jornalista Carla Porto publica uma nota sobre blogs, na página dedicada a Internet. A edição é um luxo e a distribuição é gratuita para os clientes do shopping. O endereço eletrônico da revista é www.revistagavea.com.br




A coragem alimenta as guerras, mas é o medo que as faz nascer.



Meu amigo Marcus Vinicius mora em Nova York. Ele mandou noticias sobre a vida numa das minhas cidades favoritas. Parece que o clima de guerra está totalmente integrado à vida americana.

Como foi o carnaval na Bahia? Por aqui, muito trabalho e pouca diversão. Agora, com esta paranóia da guerra, o clima não está nada agradável. Entre stresses e outros momentos truculentos, o meu cotidiano tem sido quase que normal. Roger está por aqui até domingo e todo o tempo livre que tenho, o que é pouco, será para estar com ele.


Hoje almocei com o Governador Pataki e com o arquiteto Daniel Libeskind, escolhido para reconstruir o World Trade Center, onde discutimos as metas a serem seguidas e tambem o apoio público. Dentro de dez a quinze dias, será assinado o contrato para início do planejamento da área. Amanha, terei uma reunião com o Secretary of Homeland Security e com Senadores e Deputados para discutirmos o inicio dos planos urbanos referente a transporte. Ou seja, fim de semana inteiro no escritório.


Estou organizando uma imensa exposicão que irá abrir no dia 31 de Março, no Winter Garden do World Financial Center, relatando toda a historia dos ataques terroristas e a trajetória até hoje, da escolha do plano final para o local do World Trade Center e o inicio da competição internacional para o Memorial permanente. Vai ser uma exposição super abrangente com objetos originais de todo o processo do ataque terrorista, resgate, planejamento e recontrução.


No mais, a paranóia da guerra paira sobre nossas cabeças e temos que nos deparar com tanques de guerra e o exército armado até os dentes nas ruas, além de policiais armados, esquadrão anti-terrorismo e cães farejadores. Agora a revista pessoal é algo normal nos lugares públicos. Enfim, que voces estejam bem aí no Rio. Um grande abraço e mande noticias.




Felizes os artífices da paz, pois serão chamados filhos de Deus! - Livro de S.Mateus

23.3.03




A guerra, a princípio, é a esperança de que a gente vai se dar bem; em seguida, é a expectativa de que o outro vai se ferrar; depois, a satisfação de ver que o outro não se deu bem; e finalmente, a surpresa de ver que todo mundo se ferrou.


JACKIE MILLER CONTA


Um blog direto de Bagdá. Where is Raed? Posts de quem está vivendo a guerra bem de perto.


Um blog direto de Porto Alegre. Mario Quintana Posts com o melhor do mais terno poeta gaúcho.


Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.



Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola. . .


Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe
.


Ele trabalha silenciosamente. . .
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente. . .




É instintivo da mente humana que um homem mais deseje os prazeres que lhe são proibidos.

PEDERASTAS GRAÇAS A DEUS - Durante o carnaval, no Rio de Janeiro, vários homossexuais foram agredidos verbal e fisicamente por rapazes de Ipanema. A agressão a homossexuais durante o carnaval já virou uma tradição, tanto quanto a Banda de Ipanema ou os desfiles das escolas de samba. Não que esse tipo de violência não aconteça durante o resto do ano. Só que, durante o reinado de momo, ocorre com muito mais freqüência, porque o carnaval, por suas próprias características, é uma festa que permite ao homossexual se expor de forma mais clara. E isso parece irritar os conservadores e moralistas.


O fato merece uma série de reflexões. É surpreendente que, em pleno século 21, esse tipo de intolerância ainda exista. Mesmo vivendo num mundo hiper sexualizado, um mundo onde o sexo está à disposição de todos em todos os lugares, é curioso que o homossexualismo ainda cause tanto estranhamento. Afinal, o homossexualismo é apenas uma face da sexualidade humana. Todo ser humano tem um componente homossexual dentro de si. Mas, nossa sociedade machista não admite isso. E por não admitir o homossexualismo que existe dentro de si é que o homem bate, agride e espanca aqueles que, não só admitem, como tem a coragem de priorizar o homossexualismo dentro da sua sexualidade.


Quando se vê diante de homens que se tocam, se acariciam e se beijam como um casal, alguns sujeitos se sentem ameaçados. A imagem de uma relação homossexual mexe com seus desejos mais íntimos. Desejos que eles ocultam no mais profundo esconderijo de suas almas. Desejos que eles sentem mas não admitem para si mesmo. Por isso, tanta necessidade de reprimir aqueles que ousam tornar público algo que para eles tem que estar escondido, oculto e camuflado.


Quando eu tinha onze anos minha mãe, Nadir, foi chamada no colégio em que eu estudava. A orientadora educacional disse para ela que eu tinha um comportamento muito delicado e que eu devia exercitar esportes viris. A pedagoga recomendou que eu devia praticar judô. Dona Nadir revidou e disse que o filho dela não gostava de praticar esportes, que preferia ficar em casa lendo, estudando ou assistindo novela, e que ela não via nenhum mal nisso. Mas nem todas as mães pensam assim. São elas quem primeiro percebem a tendência homossexual dos filhos. E quase sempre são elas quem primeiro reprimem esse comportamento, induzindo as crianças a sufocarem esses desejos, dizendo que isso é feio e que um homem não se comporta assim. E quando buscam orientação psicológica ou educacional para seus filhos, elas são aconselhadas pelos pedagogos a levarem seus filhos a praticarem “esportes viris” ou artes marciais, a fim de reprimirem desejos que, afinal de contas, já nasceram com as próprias crianças. Acreditam que agindo dessa forma as crianças ficarão curadas dessa doença perigosa. Assim, quando se tornam adultos e se deparam com uma exibição pública de homossexualismo, esses rapazes sentem uma necessidade urgente de reprimir aquilo que lhe foi reprimido na infância, como uma forma até de não decepcionar a própria mãe, que vê no homossexual um tipo inferior de ser humano.


O mais paradoxal nisso é que o preconceito contra os homossexuais é, na verdade, um preconceito contra as mulheres. O homossexual é discriminado na nossa sociedade machista exatamente por se aproximar em demasia do universo feminino. Quando ele deseja outro homem, quando exibe trejeitos femininos, quando se interessa pelos valores da mulher, ele está se aproximando demais do mundo da mulher. E a sociedade machista encara isso como uma traição. Afinal, um ser superior como o homem, trair seus ideais de masculinidade para se aproximar da mulher, esse ser tão inferior... Por causa disso ele deve ser reprimido. E punido. Agora durma-se com um barulho desses.


A verdade é que, se engana quem pensa que esses casos de violência expõem uma briga entre homossexuais e heterossexuais. Quem reprime e agride os homossexuais são outros homossexuais. Aqueles que não admitem a homossexualidade que dorme dentro de si. Os melhores amigos dos homossexuais são os verdadeiros heterossexuais. Os homens que têm sua sexualidade resolvida e que possuem um autêntico desejo pelas mulheres são os que melhor entendem e respeitam os homossexuais.


Quanto aos jovens de Ipanema, que optam pela violência só se pode lamentar por eles. Não se pode acreditar que dois homens se beijando seja algo mais imoral do que um grupo de homens que se juntam para espancar um só, dando-lhes socos, pontapés e chutes na cara. Eles podem até acreditar que o homossexualismo desmoraliza um homem. Mas a violência e, principalmente, a covardia, desmoraliza muito mais. É lamentável que, num momento em que tanta gente no mundo está pregando pela paz entre as nações, a sociedade se depare com pessoas que não conseguem viver em paz nem no próprio bairro em que moram.

20.3.03




A distância entre a amizade e o amor pode ser a distância de um beijo.

EU TENHO AMOR AO TRICOLOR – Fui ao Maracanã assistir a primeira partida da final do campeonato carioca. Para mim é sempre um prazer ir ao Maracanã, mesmo quando o Fluminense perde, como foi o caso do jogo desta quarta-feira. O Fluminense jogou mais que o Vasco, principalmente na primeira parte do primeiro tempo. Mas, futebol também é sorte. O Vasco deu sorte na partida e venceu por 2 x 1. Domingo será a grande final.


Choveu o tempo inteiro no Maracanã. Uma chuva fina e persistente. Antes da partida encontrei Iury, o craque do Copagalo, campeão de futebol de praia de Copacabana, que é tricolor doente. Iury estava super confiante na vitória do time. Deve ter saído do estádio frustrado com a derrota. Mas tudo bem. A decisão final é domingo.


No intervalo da partida encontrei André, Cacá e Binho, uma galera de Copacabana que eu conheço há muitos anos. Já fomos muitas vezes no Maracanã, juntos. Mas dessa vez eu os encontrei por acaso, no intervalo da partida. Eles foram bastante efusivos quando me viram mas eu os tratei friamente. Senti que eles ficaram tristes com isso mas eles são pessoas que eu deixei de gostar. Os caras estavam cheirando cocaína no intervalo do jogo. Vê-los se drogando me irritou profundamente. Eu não sei como eles agüentam. Os caras cheiram pó quase todos os dias.


Depois da partida encontrei com Robson e Denílson, que assistiram ao jogo na torcida do Vasco. Robson ficou me sacaneando dizendo que o Fluminense tinha perdido por minha causa, pois eu era pé frio. Depois ele se juntou a André e ao Cacá e foram no morro da Mangueira, comprar mais cocaína.


Voltei para casa irritado e deprimido. Meu time tinha perdido. Além disso, encontrar Robson, Binho, André e Cacá me fez muito mal. Quando tínhamos 18 / 20 anos éramos amigos. Eu adorava sair com eles, fazer farra, ir ao Maracanã, às boites. Os caras eram lindos e eu gostava de transar com eles. Mas, agora eu os olhava e via uns caras chatos, drogados, decadentes. Não consegui conter as lágrimas. Para piorar a situação, naquele momento eu sabia que os americanos já deviam estar bombardeando o Iraque. Percebi um grande nojo da humanidade. Cheguei em casa sentindo uma enorme vontade de fazer como Virginia Wolf e tirar minha própria vida. Concluí que acho chique, charmoso e superior olhar para o mundo e simplesmente dizer não.




A droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas.


WE DON’T NEED ANOTHER HITLER – A obsessão de George W. Bush em promover a guerra a qualquer preço não permite mais dúvidas. Foram eles (Bush, Cheney, Rumsfeld, Condoleeza e a indústria bélica da qual eles são testa-de-ferro) que promoveram os ataques de 11 de setembro. A guerra é um negócio lucrativo para essa gente. Um negócio que rende muito dinheiro. Eles já deixaram bem claro que são capazes de fazer qualquer coisa pelos seus objetivos sórdidos. Por que eles não seriam capazes de explodir o World Trade Center? Um ataque ao EUA seriam o álibi perfeito para conseguirem apoio nacional para uma guerra. Elementar, meu caro Watson! Diria Sherlock Holmes.


Eu pergunto neste momento: Quem vai deter essa gente? Sim, porque alguém precisa fazer alguma coisa. É preciso deter esses criminosos. Esses pilantras estão dando o golpe do século! Eles querem deixar o capitalismo refém da indústria de armas. E impor seu autoritarismo de algibeira ao resto do mundo.


Adolf Hitler também se achava invencível. Tinha a mesma arrogância e prepotência de George W. Bush. Acreditava que era superior, como homem e como raça. E acabou sendo varrido da história como um pária. Eu espero apenas, que a humanidade não tenha que pagar pelos desmandos do presidente americano tanto quanto pagou pelas loucuras de Hitler.




A MENTE É COMO UM PÁRA-QUEDAS. SÓ FUNCIONA SE ABRÍ-LO.

OUVIRAM DO IPIRANGA - Enquanto bombas explodem em Bagdá, a nossa elite política se dedica a saborear as delícias do poder, enquanto a plebe rude sofre, passa fome e vive sendo vítima da violência em todos os níveis. No dia em que América atacou o Iraque o presidente Lula passou o dia reunido com todos os seus ministros na Granja do Torto, comendo e bebendo do bom e do melhor. Se Lula fosse mesmo um bom administrador a primeira coisa que ele faria era reduzir para 1/3 a quantidade de ministros.


Tio Lula, como todo bom petista, adora fazer reuniões que não resultam em nada. Ele ficou treze anos tentando ser presidente e, agora que conseguiu, ainda não disse a que veio. O operário padrão não tem a menor noção do que é governar. Parece que está brincando de ser presidente. Ele e seus ministros dizem que vão fazer isso, que vão fazer aquilo, e nada acontece. O governo Lula é o governo das boas intenções.


O ministro da justiça, Marcio Tomas Bastos, em entrevista ao Boris Casoy, criticou a concentração de renda no Brasil e disse que o governo Lula vai fazer um grande trabalho de distribuição de renda. Alguém precisa dizer ao ministro que é impossível se fazer distribuição de renda com o governo cobrando taxas de juros de 26,5 %. É matematicamente impossível! A maior razão da concentração de renda no Brasil é exatamente os juros altos. Seria legal que, antes de sair distribuindo boas intenções, os ministros do Tio Lula combinassem o que dizer para evitar choques como esse.

18.3.03




GIVE PEACE A CHANCE

Everybody is talking about blagism
Shagism, dragism and madism
Ragism and tagism bob tailing
Thisism, thatism, ism, ism, ism
George Chisolm, yes

All we are saying
Is give peace a chance
All we are saying
Is give peace a chance


Everybody's talking about ministers
Sinisters, banisters, canisters
Roger Bannisters, bishops, bishops
Bishop Auckland, rabbis, Popeyes, bye-byes
Max Bygraves and everybody else

All we are saying
Is give peace a chance
All we are saying
Is give peace a chance


Everybody's talking about revolution
Evolution, The Everly Brothers, mastication
Euston Station, fladulation, flatulation
Regulations, integration, mediation
United Nations, congratulations

All we are saying
Is give peace a chance
All we are saying
Is give peace a chance


Everybody in the Soviet Union, unite
Go down to the shops and talk about John and Yoko
Timothy Leary, Barbara Windsor, Yoko Ono, Madonna
Bobby Dylan, Bobby Charlton, Eddie Charlton
Tommy Cooper and the Amazing Horseradish Dancers
Derek Baker, Norman Mailer, Alan Ginsberg and the Hare Krishna Three

All we are saying
Is give peace a chance
All we are saying
Is give peace a chance


Everybody's talking about gagism, tagism
Shagism, dragism, madism
Ragism, tagism, botulism, thisism, thatism
Listen to this

Everybody's talking about ministers
Sinisters, banisters, canisters
Bishops, bishops, Bishop's Avenue
Why not talk about Bishop's Avenue
I've got a lovely house on Bishop's Avenue

Everybody's talking about Popeye, Olive Oyl
Everybody, everybody, everybody, Mrs. Jean Schnook
Twenty Three Chepstow Villas
Because they are the next contestant on "Make a B-Side"

All we are saying
Is give peace a chance
All we are saying
Is give peace a chance




VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


(Poema de Augusto dos Anjos)

DÊ UMA CHANCE A PAZ - Da atriz Whoopi Goldberg, no programa do David Letterman, falando sobre o ex-presidente Bill Clinton: "O mundo vivia em paz quando o presidente americano transava!" Já a estrela Jessica Lange, que participou de um ato contra a guerra em frente a sede da ONU, criticou a sociedade americana que classifica as pessoas que são contra a guerra de anti-americanas.


Por falar em presidente que transa, a jornalista Miriam Dutra, que teve um rumoroso caso com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apareceu no jornal Em Cima da Hora, da Globonews. Direto de Barcelona, ela enviou uma matéria sobre o apoio do governo da Espanha à invasão americana ao Iraque, apesar de 90 % do povo espanhol ser contra a guerra.

17.3.03




Ao homem, tudo, porque nada peca; à mulher, nada, porque tudo peca.

MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS - Um mergulho imenso nas relações humanas, à partir do universo feminino, resultaram nos dois mais importantes filmes deste século 21: AS HORAS e FALE COM ELA. São dois filmes que demonstram uma enorme paixão pelas mulheres. Amor, carinho e compreensão, de uma forma como jamais foi mostrada na criação artística. O curioso é que ambos os filmes tem por trás da criação artistas gays. O que só faz mostrar como os homossexuais amam as mulheres. Muito mais do que qualquer homem heterossexual já pode demonstrar.


AS HORAS é uma adaptação do livro homônimo do escritor Michael Cunningham. No começo de sua carreira, quando lançou seus primeiros livros, Mr. Cunningham costumava ser definido pela mídia como um “escritor gay”, por ser homossexual e ter o universo gay como ponto de partida de suas obras. Só que, ele cresceu tanto como escritor, sua literatura se tornou tão maior do que qualquer rótulo, que a própria mídia passou a se sentir constrangida em classifica-lo como um “escritor gay”. Agora o define apenas como o maior escritor americano da atualidade. Em AS HORAS, os conflitos das relações humanas e a perplexidade do homem diante dos reveses da vida são mostrados com grande sensibilidade e sob uma ótica deveras original. E para isso, o escritor usa como recurso o seu amor pelas mulheres. O seu desejo de que elas acertem, sejam felizes e vivam suas vidas muito além do que o mundo masculino possa determinar.


FALE COM ELA é dirigido por Pedro Almodóvar, um cineasta homossexual, que dedicou sua filmografia a vasculhar com muito talento e carinho o mundo surpreendente das mulheres. O roteiro de Fale Com Ela foi escrito em Salvador, na casa de Caetano Veloso, onde o cineasta esteve passando férias. Mas, algo do livro de Michael Cunningham deve tê-lo inspirado na realização do filme. Tanto que, numa cena de Fale Com Ela, aparece de forma bem clara, um exemplar do livro As Horas, na cabeceira de um personagem.


O mais importante nesses dois filmes é a maneira adulta e profunda com que eles fazem seus questionamentos. São filmes que, de maneira inquestionável, nos dão prazer. Mas, muito mais do que prazer, são filmes que nos fazem pensar sobre a vida. São filmes que nos fazem refletir sobre nós mesmos e sobre a humanidade. São filmes que nos fazem aprender. Ao sair do cinema o espectador tem a absoluta certeza de ter aprendido mais sobre si e sobre o destino do ser humano.

RENATO GAÚCHO foi atração desse domingo de sol de Ipanema. O treinador do Fluminense foi o centro das atenções, já que ele conseguiu levar o fluzão às finais do campeonato, derrotando o Flamengo com o singelo placar de 4 x 0. Mr. Gaúcho é carioquíssimo. Ele não sai da praia em frente a rua Vinicius de Moraes. Aquele pedaço de praia é uma espécie de quintal de sua casa. Seu escritório. Sua área de lazer. Câmeras e fotógrafos ficaram o dia inteiro à postos buscando um ângulo, um close especial do craque. E ele lá, fazendo charme, com ares de uma estrela de Hollywood. Tudo sem perder aquele seu jeito de homem simples e de bom coração.


Renato Gaúcho comemorou a vitória do Fluminense jogando futevôlei com sua turma de praia. Estavam lá Barbosa, que está parecendo um vampiro com aparelho nos dentes. Lelé, um atleta brilhante. Ele foi um dos caras que inventou o futevôlei. Pedrinho, que está meio gordinho. Fernando, Fred Neci, Bernardo, Maranguape, Cazuza, Helinho. Quando acabou a partida Renato foi tomar uma ducha, no chuveiro instalado ao lado da rede, e os fotografos e câmeras ficarão todos registrando o seu banho, tentanto captar o melhor ângulo do craque no banho. A final do campeonato carioca, que será entre o Flu e Vasco promete ser o grande agito da cidade esta semana.




Há um limite além do qual não é salutar para o gênero humano ocultar a verdade a fim de não ofender com a mesma aqueles cuja mente está fechada.

CLAUDIO GOMES - A loja Contemporânea é uma espécie de Daslu de Ipanema. Nas vitrines da loja a fina flor da moderna moda brasileira. Alexandre Herchtovich, Glória Coelho, Fause Haten, etc. O grande destaque da loja, no entanto, é uma linha de camisas criadas pelo estilista Cláudio Gomes. Cláudio é um gênio do design. A escolha dos tecidos. Os cortes perfeitos. Os detalhes. Os botões. As golas, com um desenho todo especial. Tudo nos remete a um estilo original e rebuscado. Olhando sua linha de camisas senti vontade de chorar como Mia Farrow chora no filme O Grande Gatsby ao ver as camisas de Robert Redford. Havia uma camisa feita com um tecido indiano bordado que era uma obra prima. Em vez da vitrine da Contemporânea ela devia estar exposta numa galeria do Museu de Arte Moderna ou quem sabe no Louvre. As camisas do Cláudio Gomes são obras de arte. Uma arte que merece ser aplaudida de pé.

PHILISHAVE – Os jornalistas Nelson Feitosa e José Viterbo Jr. não dividem mais o mesmo aparelho de barbear. Um dos casamentos mais bem sucedidos do nosso gay society chegou ao fim. Além de toda uma vida em comum, Nelson e Zé construíram quase um império editorial. Nelson Feitosa criou a revista Sui Generis, dedicada ao público gay, que durante cinco anos foi como uma bíblia para esse segmento da população. Na trilha da Sui Generis os pombinhos lançaram diversos produtos na área editorial. A revista GODIVA, para o público feminino. SUPERFÃ, dedicada aos ídolos da TV. HOMENS, substituta da Sui Generis. E publicações eróticas como PORN e HOMENS.

13.3.03




Nem todos tem a mesma disposição e interesse. Todos teriam o melhor, mas como nem todos são capazes de praticar o melhor cumpre a cada pessoa observar o caminho que combina com sua própria disposição, interesse e habilidade.





JONH PERRY BARLOW , o papa da Internet, (foto acima) revelou-se um grande folião durante o carnaval baiano. Eu o conheci no conforto e na segurança do camarote do Ministro Gilberto Gil. Mas, minha admiração por ele surgiu, quando eu o vi declinar do convite de desfilar em cima do trio elétrico EXPRESSO 2222 e preferir sair pulando na pipoca, no meio dos endiabrados foliões baianos. E o mais incrível é que ele se saiu muito bem. O gringo enfrentou com galhardia os vários quilômetros do desfile e a multidão ensandecida que corria atrás do trio, hipnotizada pela música de Gil, Caetano e seus convidados. Barlow dançou o tempo todo, flertou com as moças, bebeu muitas cervejas e, literalmente, suou a camisa.


Durante o desfile, no meio da multidão, eu percebi que Mr. Barlow levava consigo, uma pochete amarrada na cintura. Eu o puxei num canto e falei no seu ouvido para ele tomar cuidado. Afinal, sair pulando atrás de um trio é ficar no limite entre o êxtase e o terror. Infiltrados no meio da farra sempre existem falsos foliões que estão ali para roubar os mais distraídos, principalmente se forem turistas desavisados. Mesmo assim ele se saiu muito bem. Em duas situações em que falsos foliões tentaram bancar os espertos ele teve jogo de cintura para se livrar deles, sem perder o ritmo da festa.


Jonh Barlow estava acompanhado de um casal de amigos, Bob e Daisy, que eram ainda mais animados do que ele. Durante o desfile conhecemos um outro casal de americanos. Acabamos formando um grupo e ficamos juntos até o final. O curioso é que a garota estava com a perna engessada e usava muletas. Mesmo assim ela seguiu o trio até o final sem perder a animação. Em alguns momentos o seu namorado a carregava nos ombros enquanto nós carregávamos as muletas.


Bob e Daisy são jovens, bonitos e super carinhosos. Eles estavam encantados com a energia do carnaval. A festa. A música. As pessoas. O cenário à beira-mar. Num momento em que nós paramos para comprar cerveja, ele me disse: “E pensar que até dois dias atrás eu estava no Maine, morrendo de frio, com neve até o joelho.” Quando ele disse que era do Maine eu fui logo perguntando: “Você conhece o Stephen King?” Ele deu uma gargalhada. Para quem não sabe, Stephen King é natural do Maine e é lá que ele costuma ambientar suas histórias de terror.


Quando acabou o desfile do trio elétrico do Gil nós ainda pulamos com a Timbalada que vinha logo atrás, num outro trio. Quando voltamos para o camarote a coisa lá continuava pegando fogo. O bom é que ainda havia muita cerveja gelada. Bebemos algumas e corremos para a pista de dança, dominada pela música techno. Foi então que Jonh Barlow vestiu uma luva preta na mão esquerda. Na ponta de cada um dos dedos havia luzinhas vermelhas que faziam desenhos hilários na pista de dança. Era como se a ponta dos seus dedos emitissem jatos de luz. O efeito especial chamou a atenção de todos os presentes.


Quando paramos de dançar e fomos para a varanda o dia já estava amanhecendo. No horizonte, manchas avermelhadas coloriam o céu que estava mudando da noite para o dia. O mar também adquiria uma cor bonita aquela hora da madrugada. Ficamos hipnotizados, admirando o show da natureza com a mesma reverência com que vibramos com a força e a energia do carnaval baiano.


JONH PERRY BARLOW é o personagem de um belo artigo da jornalista Cora Ronai , publicado hoje no jornal O Globo. Para ler o texto é só visitar o site da Cora, clicando AQUI!

12.3.03




O JORNALISMO É A SEGUNDA MAIS ANTIGA PROFISSÃO (Paulo Francis )

CONEXÃO MANHATTAN – O melhor do último Manhattan Connection foi a exibição de tapes do saudoso Paulo Francis. Francis sempre foi uma fonte de inspiração para mim. Todo o meu blog é inspirado na sua coluna Diário da Corte, que ele publicou durante anos no Globo, nas quintas e domingos. Nesses dias eu abria o jornal direto na página dele, buscando o seu humor ferino e suas críticas ácidas. Adorava suas polêmicas. Admirava sua opinião, mesmo quando discordava dela. Foi inesquecível sua briga com Caio Túlio Costa. Eu gostava do jeito como ele era implacável com os políticos, de um modo geral. Foi na coluna dele que eu aprendi a chamar Fernando Henrique de “sinhozinho” e “nhonho”. Também adorava quando ele aparecia na TV, com seus comentários sarcásticos. Waaal. Sinto falta do seu texto preciso e de suas opiniões sempre inteligentes impregnadas de talento e bom humor. Descanse em paz, querido Francis. Descanse em paz...


Eu sempre entendi o jornalismo como uma forma de expressão artística. E acredito que essa atividade exige de seus profissionais muito mais talento e vocação do que formação acadêmica. Na época da faculdade o Mino Carta era quase um deus para mim. Afinal, ele foi o fundador de algumas das mais bem sucedidas revistas brasileiras. Realidade, Veja e Isto É. Sou fã do Sidney Rezende desde a época em que estudamos na PUC. Mesmo antes de se tornar um jornalista famoso ele sempre foi um obcecado pela imprensa, atividade a qual dedica sua vida. Adoro Erika Palomino . Ela tem estilo, humor e personalidade. O site dela é tudo de bom. Também gosto muito do Boris Casoy, apesar de acha-lo conservador e fã do Fernando Henrique. Admiro o texto do Pepe Escobar, que eu curtia muito ler quando ele escrevia na Folha. Também admiro o texto de Amin Steple, apesar de agora ele se dedicar ao telejornalismo. Decidi dedicar um post aos grandes jornalistas brasileiros depois de assistir ao vídeo do Paulo Francis no GNT. É que, para mim, ele sempre foi a perfeita tradução do que é ser um jornalista.


AQUI, OS JORNALISTAS A QUEM EU DARIA O PRÊMIO PAULO FRANCIS DE IMPRENSA:


1. Sidney Rezende; 2. Érica Palomino; 3. Boris Casoy; 4. Pepe Escobar; 5. Hildegard Angel; 6. Marcelo Balbio; 7. Caio Blinder; 8. Mino Carta; 9. Cora Ronai; 10. Mara Caballero; 11. Joelmir Betting; 12. Cláudio Humberto; 13. Nelson Feitosa; 14. Patrícia Andrade; 15. Joyce Pascovitch; 16. Amin Steple; 17. Geneton Moraes Neto; 18. Cecília Costa; 19. Fritz Utzeri; 20. Luiz Zanin.




BLUE PAIXÃO é um delicioso livro de poemas do jornalista Miguel de Almeida, com ilustrações de Ivald Granato. Na dedicatória que me fez, por ocasião do lançamento, o autor escreveu: “Ei, Valdir, as vagas noites de hortelã e lãs. Abraços. Miguel.”


meu amor é punk
acende cigarros com os pés
diz mal de meus sonhos
acha lixo beijo na boca
tira a roupa pisa nos dedos
faz strip tease pelas praças
e ama o amor miolos confusos


fica triste sim mas sem dor
me vê chorar nas baladas melosas
e não acredita:
- amar é morrer
ter o peito nas mãos
o coração oco meio enguiçado


e ri nas brigas
do aço quente na carne triste
diz que a vida é assim e pronto





Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado. Mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado.

HOUVE UMA VEZ O HORÁRIO NOBRE – Existiu uma época em que a TV Globo tinha uma coisa que eles chamavam de horário nobre. Um horário dedicado a shows e espetáculos produzidos pelos mais talentosos artistas do show business nacional. Mas isso foi na época do Boni, quando a Globo tinha uma cabeça pensante que orientava sua programação com talento e competência. Hoje, como a emissora não passa de uma empresa acéfala, que vive das glórias do passado, os telespectadores tem que se contentar com essa coisa indigente e grosseira chamada Big Brother Brasil. O programa é um culto à mediocridade. Um espetáculo que se dedica a transformar pessoas medíocres em celebridades. Quanto menos o sujeito tiver a dizer, quanto mais fútil e vazio ele for, mais chances tem de se sobressair neste festival de inutilidades.


Um dos grandes dramas da vida moderna é que nós estamos vivendo numa época onde as pessoas topam qualquer negócio por dinheiro. Não importa ética, moral ou princípios. O importante é que se ganhe dinheiro. Vale desde assaltar um banco. Seqüestrar um publicitário. Posar nu mesmo que você não tenha corpo para isso. Botar uma barraca de camelô na principal avenida da cidade, mesmo que seja proibido. Clonar cartões de crédito. Não importam os meios. O que vale é o fim, desde que esse fim seja a carteira cheia de dinheiro. E o Big Brother Brasil é um programa de TV que celebra esse tipo de raciocínio. Aquelas pessoas sem conteúdo estão ali para arrumar uma grana. Não importa que elas sejam sem talento, medíocres ou vazias. O dinheiro que elas vão ganhar é mais importante do que qualquer coisa que elas possam ter para dizer aos telespectadores. E o BBB valoriza esse culto ao nada, como um grande acontecimento. E pensar que quando eu era criança a atração do horário nobre da Globo era o Elis Especial.

9.3.03




O FUTEBOL NÃO É UMA QUESTÃO DE VIDA OU MORTE. É MUITO MAIS SÉRIO DO QUE ISSO.




COPACABANA ME ENGANA – Foi um sábado muito especial. Dia de decisão do campeonato de futebol de praia. Um clássico da areia. Lá Vai Bola, o tradicional time do posto seis, versus Copagalo, que reúne os rapazes do morro do Cantagalo. Mais carioca impossível. No campo, em frente a rua Bolívar, o clima era de total excitação. A final do campeonato seria em duas partidas. A primeira o Lá Vai Bola havia ganhado de 2 x 0, portanto, tinha a vantagem na segunda partida. Podia perder de 1 X 0 que seria campeão.


Começa a disputa. Os dois times fazem um primeiro tempo equilibrado, até que, no último minuto o Copagalo faz um gol. Clima tenso no intervalo. O Copagalo excitado com a possibilidade de virar o jogo, que para eles seria uma questão de honra. E o Lá Vai Bola desconcertado ao perceber que as coisas não seriam tão fáceis como imaginavam. Começa o segundo tempo. A bola rola na areia. Fora de campo, as torcidas dos dois times incentivam suas equipes, quando alguém aponta para o céu. Nuvens assustadoramente negras se aproximam, vindas do Leme. De repente, começa uma ventania desconcertante. Guarda-sóis começam a voar, enquanto banhistas fogem correndo. No calçadão, cadeiras e mesas são reviradas. O vento forma uma camada de areia que flutua sobre o solo. O mesmo vento que faz a bola desviar do seu destino cada vez que é chutada. Num desses desvios ela vai balançar a rede do Lá Vai Bola. Segundo gol do Copagalo.


Começa a chover torrencialmente em Copacabana. A praia, o calçadão. Tudo fica deserto. Naquela chuva torrencial, com uma ventania que poderia tranqüilamente ser chamada de vendaval, os dois times continuam impassíveis, como se nada tivesse acontecendo. Estavam disputando uma final e era isso o que importava. Não ia ser uma tempestade que ia faze-los parar. De um lado o desespero surdo do Lá Vai Bola, que a essa altura já tinha perdido a vantagem. Do outro lado o Copagalo, vendo surgir à sua frente a possibilidade da vitória. No Lá Vai Bola alguns dos maiores nomes do futebol de praia da atualidade: Bruninho, Pedrinho, Jorge Zen, Jamaica e Batata. No Copagalo apenas uma estrela. Um garoto de 23 anos chamado Iury.


A tempestade continua caindo sobre Copa. A partida fica confusa pois a água e o vento atrapalham a visão dos jogadores e mudam o destino de suas jogadas. Mas os rapazes continuam jogando, obcecados pelo futebol. Dominados pela disputa. Cinco minutos antes de acabar a partida, num lance absolutamente genial, o Copagalo faz o terceiro gol. Festa para um lado, desespero para outro. Final da partida. A entrega das medalhas foi debaixo de muita chuva, vento e frio. Mesmo assim o Copagalo fez questão de dar a volta olímpica, carregando o bonito troféu, carregando em seus rostos uma comovente mistura de chuva, suor e lágrimas.


Meia hora depois do final do jogo a chuva cessou. O Copagalo se reuniu para comemorar a vitória num botequim da rua Miguel Lemos. Os jogadores ainda vestidos com o uniforme do time, carregando uma medalha no pescoço. Nem eles mesmos pareciam acreditar na vitória. Quando cheguei no bar Iury me abraçou, a voz já meio bêbada: “Agora os caras do Lá Vai Bola vão ter que me aturar. Sou campeão! Campeão do futebol de praia de Copacabana”. Encheu meu copo de cerveja. A expressão do seu rosto era de pura felicidade. Uma felicidade que o deixava ainda mais bonito. Mais sexy. O sorriso franco. Os olhos brilhando. Ele não tinha feito nenhum dos gols mas tinha participado de todas as jogadas. No intervalo da partida, os jogadores do Lá Vai Bola comentaram: “Iury está muito solto. Alguém tem que ficar marcando ele o tempo inteiro.” No bar Iury festejava, bebendo doses cavalares de uísque com energético: ”Os caras ficaram no maior recalque, não é?” Depois encheu mais uma vez meu copo de cerveja. “Vamos beber, cara. Vamos comemorar essa vitória, que hoje eu tô para o que der e vier!


Enquanto isso, no botequim do Lá Vai Bola, no posto seis, o clima era de desolação. Alguns jogadores nem apareceram para beber. Os que apareceram lá estavam decepcionados e frustrados. Quando cheguei PC me deu um abraço e com os olhos cheio de lágrimas colocou uma medalha de vice-campeão no meu pescoço. “A gente não foi campeão dessa vez mais vai ser da próxima. Futebol é assim mesmo. Um dia a gente ganha. Outro dia a gente perde.” A vida também é assim.

BABADO FORTE - Até hoje não foi descontado o cheque que Gisele Budchen doou para a campanha Fome Zero. É que o programa de combate a fome do governo ainda não tem nem uma conta corrente. Imagina-se quantas pessoas morreram de fome no período compreendido entre a entrega do cheque e a data de hoje. É incrível como o principal projeto social do governo é oco. Sem consistência. O projeto Fome Zero é apenas um desejo. Uma vontade. De prático, ainda não foi feito nada. E já teria dado tempo do governo ter feito algo de prático nesse sentido. A impressão que se tem, observando o governo Lula, é que eles não tem nenhum projeto de governo. E que eles copiam o estilo FHC de governar simplesmente porque não sabem fazer de outra forma. E agora, parece ficar claro, que o sonho de Lula não era se tornar presidente do Brasil. O sonho dele era se tornar um novo Fernando Henrique! Que horror! Que horror!

8.3.03




TODA A VIDA É SONHO E OS SONHOS, SONHOS SÃO

WE DON`T NEED ANOTHER HITLER - Os jornais publicam com estardalhaço o resultado de uma pesquisa feita nos EUA, afirmando que se houvesse uma eleição hoje George W. Bush perderia. Ora, meus caros. Mr. Bush não ganhou nem a última eleição. Esqueceram que a eleição americana foi decidida no tapetão? O mais incrível nessa história toda é que, um sujeito que nem foi eleito pela maioria do seu povo, está levando o mundo inteiro para um abismo.


A entrevista de Saddam Hussein na televisão deixa claro que, se os EUA quisessem, resolveriam essa pendenga com o Iraque de forma diplomática. O problema é que o Hitler americano não quer resolver pendenga nenhuma. Aliás, nem existe pendenga. O que ele quer mesmo é promover uma guerra para justificar os gastos do seu governo com armas. Afinal, o pai dele é lobista da indústria bélica.


Outro dia o noticiário da TV mostrou uma reportagem feita em Bagdá. Um garoto nativo vestido com a camisa da seleção brasileira. Era uma criança linda, que sorriu para o repórter e disse ser fã do Rivaldo. Depois a TV mostrou adolescentes nas ruas da cidade. E um grupo de cidadãos numa peixaria. Pessoas comuns, como as que encontro diariamente pelas ruas do Rio. Pois bem. São essas pessoas que serão as maiores vítimas da guerra. São elas que terão os corpos dilacerados pelas bombas de Mr. Hitler W. Bush.

5.3.03




A HUMILDADE É A MAIS DIFICIL DAS VIRTUDES CRISTÃS

ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO - Foi um êxtase completo. Sair pulando atrás do trio elétrico, no meio de uma multidão enlouquecida pela música e pela energia do carnaval. Em cima do Expresso 2222 os maiores ícones da música baiana. Caetano e Gil. E eles cantaram todos aqueles sucessos. A Filha da Chiquita Bacana. Chuva Suor e Cerveja. Um Frevo Novo. Piaba. A multidão foi ao delírio. Junto com eles convidados de peso. Samuel Rosa. Arnaldo Antunes. Elza Soares. Toni Garrido. A folia da Bahia está com tudo.


No meio da farra e da multidão encontrei o americano Jonh Perry Barlow, o papa da internet, completamente dominado pela folia. O gringo suava bicas e a expressão do seu rosto era de pura felicidade. Com ele estavam Bob, um amigo do Maine, Daisy, sua namorada e mais um casal de americanos. A moça tinha a perna engessada e pulou atrás do trio, de muletas. Sem se importar com os baianos atrevidos que passavam a mão na sua bunda. Saímos pulando atrás do Expresso 2222 por toda a avenida oceânica. Jonh Perry Barlow se saiu muito bem como folião.


Quando voltávamos, no final do desfile do Expresso 2222, encontramos o trio da Timbalada, que estava melhor ainda. Dançamos a valer com a percussão delirante dos negros baianos. E demos gargalhadas com as coreografias malucas dos foliões. No início da tarde eu já tinha delirado com um trio chamado Salsalitro que só tocava músicas cubanas. Salsas, merengues e rumbas. Sucessos de Célia Cruz. Adoro ritmos latinos e o grupo era tocava muito bem. Além disso teve o trio de Ivete Sangalo, de Daniela Mercury, do Araketu... O carnaval de Salvador é um delírio...

4.3.03

EXPRESSO 2222 – Entre um trio e outro, hora de ir ao camarote do Ministro Gilberto Gil. Garçons gentis serviam a melhor bebida. Uísque com energético. Cerveja sempre gelada. Para repor as energias não faltava comida no buffet. Acarajé crocante a noite toda. Caldinhos deliciosos. De camarão, feijão e peixes. Além de churrasquinho e frios diversos. Mas isso era só no começo. No meio da noite era servido um jantar. Lagosta, filé, saladas inacreditáveis. E na madrugada, quase ao amanhecer, vários tipos de massas.


Quem não queria se misturar com a plebe rude nos trios lá embaixo, podia ficar dançando na magnífica pista de dança, com DJ´s incríveis. Marky. Zé Pedro. Nado Leal. Dolores. Negralha. Tocava de tudo. De música eletrônica até remixes de antigos sucessos de Roberto Carlos. Eu preferia ficar circulando e encontrando as pessoas. Ou vendo a passagem de algum trio através da varanda, que nos dava uma visão privilegiada. Um dos lugares mais disputados era o cyber-café, montado pela American On Line. Os foliões não largavam os computadores. Os trios elétricos passando e todo mundo ligado na internet.


Quem estava lá? Os ministros Antonio Palocci, Humberto Mota, Jaques Wagner e Gilberto Gil. O prefeito de Salvador Antonio Imbassahy. Marcus Vinicius. Gilda Matoso. Graça Mota. Cecília Assef. Serginho Groissman. Sandra de Sá. Fernanda Torres e Andrucha vestido com a roupa dos Filhos de Gandhi. Jorge Mautner. (Adoro Mautner!). Nelson Jacobina. David Brazil. Amin Khader. Carolina Dieckman. Leda Nagle. Tania Alves. Luana Piovani. Margareth Menezes. Rogerio Gallo. Marcus Mion e Babi. Marcelo Negrão. Silvia Patrícia. Preta. Juliet Taymor. Elliot Godenthal. Carolina Dieckman. Tania Alves. Bebel Lobo. Kiki Lavigne. Paula, Caetano e Tom, o filho mais novo.


Produzindo e coordenando tudo isso, Flora Gil. Sempre gentil e carinhosa, ela recebia celebridades, atendia aos jornalistas, animava foliões e dava ordens as dezenas de empregados do camarote. Tudo isso sem perder o timming. O alto astral. Consciente que o camarote fazia parte de um grande baile de carnaval, que se espalhava por toda a cidade de Salvador.