28.12.04




A felicidade não é uma recompensa, é uma conseqüência.


* * * FELIZ 2005 * * *




SUSAN SONTAG ERA LÉSBICA - A comunidade GLS internacional está de luto com a morte da escritora Susan Sontag, aos 71 anos. Sontag foi uma militante do movimento gay desde os anos 60. Autora de livros como O amante do vulcão, Assim vivemos agora e Diante da dor dos outros. Durante muitos anos ela foi namorada da fotógrafa Annie Leibovitz, famosa pelas fotos de celebridades publicadas em revistas como Vanity Fair, Vogue e Interview. Juntas publicaram um livro onde as fotos de uma ilustrava os textos da outra. Não é lindo o amor? Segundo Gerald Thomas, Sontag também namorou a artista gráfica brasileira Bia Fleiter. A morte da escritora recebeu merecido destaque na imprensa brasileira. Uma curiosidade: os principais jornais cariocas, O Globo e Jornal do Brasil, escreveram belas resenhas no obituário da escritora. Textos bem escritos e informativos, que deram um apanhado geral sobre a obra de Madame Sontag. Mas, ambos os jornais, ignoraram completamente o fato da escritora ser homossexual. E o fato dela ser lésbica foi algo relevante na sua produção intelectual.




GENTE BOA - O prefeito de São Francisco Gavin Newson ficou popular nos EUA por ter defendido o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Rico e bonitão, Mr. Newson é um sucesso entre os moradores da aprazível cidade da Califórnia. Agora que está em fase de produção um filme sobre sua vida, o site Planet Out perguntou ao prefeito qual o ator que ele gostaria que interpretasse seu papel. Apesar de ser a cara de Christian Bale, Newson disse que gostaria de ter a cantora k. d. lang fazendo o seu papel.




O VERÃO DE 2005 - Janeiro vem aí, em clima de muito carnaval. E eu já reservei meu abadá para os agitos. Todas as terças tem Micareta no Canecão, com a cantora baiana Margareth Menezes. Quem, como eu, curte o carnaval da Bahia, tem muito o que se divertir. No carnaval passado Margareth Menezes quase me leva à loucura nas ruas de Salvador, com seu trio elétrico envenenado. Dia 20 começa o Cabofolia, micareta de Cabo Frio, que é o agito mais quente da região dos lagos. Além de tudo isso, todos os domingos, até o carnaval, tem o ensaio do bloco Se num guenta porque veio?, da galera animada de Ipanema.


O Fashion Rio começa dia 11 e vai até o dia 15. Vou trabalhar todos os dias fazendo a cobertura dos desfiles para o Jornal do Brasil. Só que, para mim, esse trabalho é pura diversão. Eu me divirto muito assistindo aos desfiles, acompanhando o nervosismo dos bastidores, encontrando pessoas e trocando fofocas e informações. Uma jornalista que trabalha comigo, ao receber o e-mail com a programação, suspirou fundo e desabafou: "Eu odeio o Fashion Rio. Não suporto aquela futilidade, aquele festival de caras e bocas, aquela discussão sobre o nada". Pois eu acho a futilidade muito construtiva. Adoro o ôba-ôba e me divirto muito com as caras e bocas.


A melhor balada de janeiro certamente será a festa que a Erika Palomino sempre promove durante o Fashion Rio. A incansável jornalista é uma festeira de mão cheia. Sua festa durante a temporada de lançamento da coleção primavera-verão incendiou o Hotel Glória. Boas vibrações e muito alto-astral. E logo no primeiro domingo do ano tem aniversário de Kati Pinto, figura muito querida entre os descolados do Rio. Kati vai festejar mais um verão recebendo amigos no restaurante Miss Tanaka, no Jardim Botânico. Fina! Para começar o ano com muita classe um presente para os leitores: dois poemas de Antonio Cicero. E o texto da reportagem publicada na edição de natal do Caderno H.





VITRINE

Que divisa o olhar desse moreno?
Namora os tênis atrás da vitrine
Ou a vidraça que os devassa e inibe
os seus reflexos serve-lhe de espelho
e ele recai na imagem de si mesmo,
igualmente visível e intangível?
É assim tantálica que ela me atinge
obliquamente e ao mesmo tempo em cheio
e mesmeriza, e sinto meio como
se eu o despisse e ele mal percebesse.
Quando olha para trás um instante, atino
sonhar e, salvo engano, ter nos olhos
cacos de um campo de futebol verde
feito o pano das mesas dos cassinos.




Canção do amor impossível

Como não te perderia
se te amei perdidamente
se em teus lábios eu sorvia
néctar quando sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada a poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia




A VOZ DO POETA - O poeta e ensaísta Antonio Cícero passou boa parte de 2004 debruçado sobre o computador escrevendo um novo livro de ensaios filosóficos. Abriu parênteses no seu cotidiano profissional para lançar seu segundo CD de poesias, A cidade e os livros, onde recita todas as poesias do seu livro homônimo lançado em 2002. Alguém já disse que a poesia só exerce a sua função quando recitada pela voz do próprio poeta. Cícero discorda.
- Eu acho que a poesia se completa quando ela está escrita. Eu tenho gravado meus poemas porque é uma forma diferente de faze-los chegar as pessoas. Quem quiser pode lê-los no livro. Quem quiser pode escuta-los no CD.


Publicando seus poemas em livros ou CDs, Cícero se consagrou como o grande poeta brasileiro do século XXI. Sua personalidade, seu temperamento, seu estilo de vida traduzem uma leitura poética da existência. Mas, como é ser poeta nesse novo século, vivendo num mundo com tantos conflitos bélicos, fundamentalismos ideológicos e capitalismo selvagem. Ainda dá para extrair poesia do mundo em que vivemos? A resposta do poeta surpreende:


- Eu acho que esses conflitos todos, resultantes de forças conservadoras, só estão vindo à tona dessa forma porque nunca, em toda a história da humanidade, o homem esteve tão perto de ser realmente livre. A evolução da tecnologia, da ciência, e da medicina estão aí nos surpreendendo a cada dia. As conquistas do feminismo, do movimento gay, e outros movimentos libertários já fazem parte do cotidiano da sociedade. A internet está permitindo que haja uma comunicação e uma troca de idéias de uma forma que ninguém jamais sonhou. Então as forças conservadoras estão desesperadas com isso. Porque sentem que estão perdendo o controle que exercem sobre as pessoas através do medo, do preconceito, da mentira e do terror. E estão tentando bloquear o processo de liberdade do homem através da força bruta. Mas não vão conseguir porque o que foi conquistado pelo homem não tem volta.


A tranqüilidade com que defende suas idéias é a mesma registrada na sua voz quando recita seus poemas. E tanto a voz como as idéias traduzem uma visão otimista do futuro. Seu poema Guardar, titulo do livro lançado em 1996, está incluído na antologia Os cem melhores poemas brasileiros do século, organizada por Ítalo Moricone. Cícero também é autor de letras de grandes sucessos de música popular e, ao mesmo tempo, um filósofo apurado, autor do livro O mundo desde o fim.
- A filosofia é o empreendimento iluminista de crítica e destruição dos preconceitos que desnecessariamente cerceiam a liberdade e a criatividade, seja na vida, seja na arte.
Em 2004, Antonio Cicero se dedicou a escrever o livro de ensaios que está terminando de preparar para a publicação. Ele pretende, porém, dedicar 2005 à poesia:
- Meu único plano para o ano novo é escrever outro livro de poemas.




A ONDA QUE SE ERGUEU NO MAR - Fiquei apavorado com o maremoto na Asia. As imagens que vi na TV me deixaram angustiado. Acho que tão cedo conseguirei ficar tranquilo à beira mar. Semprei estarei à espreita de uma onda gigante. Curiosamente, nos dias que antecederam a tragédia, fiquei lembrando com frequência de um sonho que tive logo após assistir ao filme O dia depois de amanhã. No meu sonho, o mar invadia Ipanema, inundando tudo. Tanto que cheguei a colocar um post falando sobre isso. Será que foi coincidência ou alguma espécie de premonição?


23.12.04




O verdadeiro ato da descoberta não consiste em encontrar novas terras, mas sim em vê-las com novos olhos.

SONHO SEM FIM - Chove sem parar desde o primeiro dia do verão. À noite passada chovia tanto que eu sonhei que estava na praia. No meu sonho eu caminhava pela areia de Ipanema quando uma moça chamava meu nome. Eu olhava para ela, com os cabelos bem curtos e, a princípio, não a reconhecia. Depois percebia que era Cíntia Howllet. "Você cortou os cabelos?", eu perguntava. Ela apenas sorria, balançava a cabeça e saía caminhando pela areia. Acho que o sonho foi uma representação de um conto que li na coletânia do escritor Scott Fitzgerald, chamado Bernice corta o cabelo. E o conto, escrito em 1920, girava em torno de uma jovem que provoca um rebuliço na família e entre os amigos, depois de cortar seus longos cabelos.


Eu sonho todos os dias. E sempre lembro dos meus sonhos. Quando assisti ao filme O dia depois de amanhã, tive um sonho muito engraçado. O filme conta a história de uma brusca mudança no tempo, que provoca um maremoto, e ondas gigantescas invadem Nova York. A população foge apavorada, tentando escapar da fúria da água do mar. Pois bem. No meu sonho Ipanema era invadida pelas águas do oceano atlântico. As ruas do bairro ficavam todas inundadas, parecendo rios. Só que, ao contrário dos personagens do filme, os moradores de Ipanema adoravam aquilo. Ficavam felizes. Subiam no alto dos edificios e todo mundo ficava curtindo. Então eu chegava na janela de um prédio na rua Vinicius de Moraes e via a Cíntia Howllet passando num caiaque, que ela mesmo remava, com aquele seu gracioso estilo esportivo.


Outro dia sonhei que estava andando de helicóptero sobre o Rio, vendo as paisagens lá de cima. Parecia tão real que eu sentia meu corpo flutuar. No meio da viagem o piloto acendia um baseado e nós ficávamos fumando e viajando duplamente. Adoro sonhar. Acordado e dormindo.




FELIZ ANO NOVO - Em 2004 tive a oportunidade de ler livros incríveis. Variações Enigmáticas, do francês Eric-Emmanuel Schmitt, foi um presente que ganhei de Carlos Leal, da Editora Francisco Alves. É o texto de uma peça que já foi montada por Paulo Autran e Cecil Thiré. Um texto brilhante, desses que quando chega ao final, o leitor fica boquiaberto. O Código da Vinci me proporcionou momentos de grande prazer. 24 contos de F. Scott Fitzgerald é um livro para ser degustado como quem saboreia um buffet da Laura Pederneiras. Reli A Biblioteca da Piscina, de Alan Hollinghurst, depois que ele ganhou o Booker Prize. Abel Sánchez – uma história de paixão, é uma obra-prima do escritor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno. O livro é um primoroso tratado sobre a inveja e o ressentimento. Alguém espia nas trevas, de Mary Higgins Clark é um divertido romance policial, escrito com muita astúcia.


As duas melhores festas do ano rolaram no Hotel Glória. Primeiro foi a festa da Erika Palomino, durante o Fashion Rio. Música da melhor qualidade, iluminação à luz de velas, alto astral e só galera que trabalha com moda. Modelos, estilistas, produtores, fotógrafos. Depois teve a festa da DIESEL, que foi uma noite inesquecível. Parecia uma daquelas festas do filme O Grande Gatsby. Loucura total, super-produção, estilo e farra. A festa da FORUM no Parque Laje também marcou 2004. O casamento de Ana Luisa e Carlos Eduardo, na Casa Julieta de Serpa também foi de alto nível. Gente fina é outra coisa.


Má Educação, de Pedro Almodóvar e A Casa das Adagas Voadoras, de Zhang Yamou foram os melhores filmes que assiti em 2004. Teve também Os sonhadores, de Bertolucci e Diários da Motocicleta de Walter Salles, que são filmes lindos. O grande acontecimento cinematográfico do ano foi a mostra de filmes de Sergio Leone. Foi um privilégio poder rever clássicos definitivos do mago do cinema italiano na tela grande. Cinema ainda é a maior diversão.


Renata Sorrah foi a atriz do ano. No teatro ela fez uma impressionante Medéia, num espetáculo inesquecível. Denso, corajoso, levando a arte de representar às últimas consequencias. Na TV surgiu como a pérfida Nazaré, usando e abusando de trejeitos inspirados nas grandes vilãs de Hollywood Joan Crawford e Beth Davis. Gostei tanto de Brasileirinho, o show de Maria Bethânia, que assiti várias vezes. Já os discos de Bebel Gilberto e Jorge Benjor merecem aplausos. Assim como Peachtree Road, disco que Elton John lançou no final do ano.




ANSWER IN THE SKY, sucesso do novo disco de Elton John PEACHTREE ROAD, é uma parceria do cantor com seu velho amigo Bernie Taupin.


Well they say that it's a fact
If you watch the sky at night
And if you stare into the darkness
You might see celestial light


And if your heart is empty
And there's no hope inside
There's a chance you'll find an answer in the sky


Well they say that it's a shame
If you have nothing to believe
And if you can't hold on to something
You might as well die where you sleep


You don't need a prayer
And there's no price to ask why
Sometimes you'll find an answer in the sky


And it's all so much bigger than it seems
And it all overwhelms us now and then
And I'm banking on a chance we believe
That good can still control the hearts of men


Sometimes you'll find an answer in the sky


This life's a long old road
We shouldn't have to walk alone
But if you find the right companion
You won't feel so worn out when you've grown


All life is precious
And every day's a prize
And sometimes you'll find an answer in the sky


20.12.04




Felicidade é a certeza de que nossa vida não está se passando inutilmente.

RIO EM FESTA - Agora não tem mais jeito. 2004 está chegando ao fim e a temporada de festas toma conta da cidade. O sol não tem comparecido muito, dando a entender que o final de ano vai ser chuvoso. Será? De qualquer maneira Gilberto Scofield já está na cidade, distribuindo alegria e alto astral. Fala-se que George Michael vem passar o reveillon no Rio. A informação é de um jornalista inglês que foi avisado pela sua sucursal para ficar de olho no cantor, caso ele apreça mesmo por aqui. De qualquer maneira, Orlando Bloom, o ator que fez Paris no filme Tróia, já anda circulando por Ipanema.




A GLOBONEWS exibiu uma grande entrevista de Bebel Gilberto, esta semana. O legal do programa é que ele deu bastante espaço para Bebel falar sobre sua vida e seus projetos. Também foi muito legal ver clipes antigos, da época em que ela era garotinha. Durante a entrevista Bebel disse que tem planos de fazer uma grande turnê pelo Brasil. Quando esteve aqui, em novembro, durante o TIM Festival ela comentou com alguns amigos que o ingresso era muito caro. E que ela estava a fim de fazer shows com ingressos a preços mais populares. Cantar para o povo mesmo. Bebel está sendo esperada na cidade para as festas de fim de ano.






JE T´AIME BRÉSIL - Só vai dar Brasil em 2005 na França. O país será o grande homenageado no evento promovido pelo Ministério da Cultura francês que a cada ano homenageia um país diferente. Já foram homenageados países como Polônia, China e Argélia. 2005 será o último ano desse programa de homenagens e o Brasil foi escolhido pela popularidade que o país adquiriu entre os franceses nos últimos anos. A democracia brasileira, o fato do Brasil não ter apoiado a invasão do Iraque, o sucesso da música "Já sei Namorar" dos Tribalistas nas rádios francesas, Gisele Budchen, o futebol penta campeão, além do veneno e do charme da mulher brasileira. "Quel pays celui-là?" perguntam os franceses usando jaquetas com detalhes verde-amarelo e calçando sandálias havaianas com a bandeira do Brasil. O fato é que as relações entre o Brasil e a França estão cada mais afetivas, principalmente depois que aquele poderoso país do norte perdeu popularidade tanto lá como aqui.


Nada mais apropriado para celebrar essa relação de paz e amor que um ano inteiro de festas, shows, e eventos culturais. E o Ministério da Cultura da França junto com o Ministério da Cultura brasileiro estão empenhados em levar o melhor do Brasil para mostrar à França. Astros da MPB, uma das nossas mais bem sucedidas manifestações culturais, já foram convocados para apresentações em Paris. Vai ter shows de Maria Bethânia e MIlton Nascimento no Paris-Bercy. No dia 21 de junho, quando anualmente é celebrado na França o Dia da Música, Daniela Mercury vai mostrar o poder dos ritmos baianos. Em julho, no "La villete" um grande concerto de música brasileira reunirá Caetano, Gil, Lenine, Ivete Sangalo e o Ylê Ayê. E não é só a música popular do Brasil que terá espaço no evento. Villa Lobos, o nosso mais erudito compositor, terá suas músicas tocadas em concertos de músicos importantes como Nelson Freire, Rosana Lancelotte e Antônio Menezes.


Também serão realizados concertos de músicas produzidas pelas minorias étnicas da sociedade. Música de origem indigena e folclórica. Num pavilhão de exposições chamado Carreau du temple haverá, a partir de março, stands dedicados a todos os estados brasileiros. Ali, cada estado vai poder mostrar seu folclore, sua cultura, sua música, sua culinária, suas peculiaridades.


A idéia de homenagear o Brasil foi muito bem recebida pelo parceiros franceses contatados pelo governo do seu páís para participarem do evento. Galerias de arte, empresários, casa de shows, jornalistas. A receptividade dos franceses foi tão grande que surpreendeu até os organizadores do evento. O adido cultural Jean Paul Lefevre explica porque tanto interesse da Europa pelo Brasil.
- Foi o clima de guerra que ocorre no primeiro mundo que fez com que a velha Europa se voltasse para o Brasil. Para nós o Brasil, mesmo com os seus problemas, representa a juventude, o futuro. E a velha Europa precisa dessa juventude e desse futuro que o Brasil representa, para poder aliviar a tensão de um mundo tão cheios de conflitos e guerras. No último verão europeu eu pude observar garotas francesas circulando pelas ruas de Paris usando jaquetas com a bandeira do Brasil e calçando sandálias havaianas com as cores verde e amarela. Fazendo isso, elas estavam buscando um modo de vida diferente. Buscando esse jeito brasileiro de encarar a vida de maneira agradável.


Muitas das atividades ainda estão sendo negociadas, como por exemplo, a apresentação da peça em que a atriz Marilia Pera interpreta Coco Chanel, ícone máximo da moda francesa. O fato é que, de março a dezembro do próximo ano uma das pontes de Paris será iluminada com as cores do Brasil, assim como o país será motivo de decoração das vitrines dos grandes magazines e a nossa culinária será tema de diversos festivais gastronômicos. No dia 14 de julho, dia nacional da França, o presidente Lula será o convidado de honra dos festejos capitaniados por Jaques Chirac.
- Acho que o mais importante nesse evento - diz Lefevre - é o aspecto da diversidade e da modernidade. Nós queremos apresentar muito mais do que o aspecto exótico e folclórico. Acho que o ano Brasil-França será uma grande oportunidade do Brasil mostrar a Europa o que ele têm de mais moderno e contemporâneo.




Nunca tive problemas com droga. Só com a polícia...
(KEITH RICHARDS)




16.12.04




Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.


O LIVRO DO ANO - O livro de Dan Brown O Código da Vinci foi o grande acontecimento literário de 2004. Não só porque vendeu aproximadamente quinze milhões de cópias em todo mundo, sendo que mais de trezentos mil só no Brasil. O código foi um fenômeno por sua demonstração de força como livro. Numa época como a nossa, de culto à tecnologia, onde as pessoas preferem passar seu tempo em frente ao computador, curtindo blogs, fotologs, orkut ou simplesmente navegando, O Código Da Vinci deu uma grande demonstração de força do produto "livro". Ele mobilizou leitores em todo o mundo, que abandonaram as telas do computador, do DVD, do cinema e da TV, para mergulhar de cabeça em suas páginas recheadas de diversão, prazer e sabedoria.


Isso não é tudo. Além de ter vendido milhões de exemplares, o livro estimulou o lançamento de outros titulos que tinham relação com os temas tratados no romance, movimentando o mercado editorial de forma impressionante. Foram lançados desde biografias de Leonardo Da Vinci, passando por diversos titulos sobre Maria Madalena, sociedades secretas e o Santo Graal, até ensaios sobre as obras de arte citadas no romance. Tudo isso fez de O Código da Vinci um bastião do poder de força do produto "livro" no alvorecer do século XXI. É o primeiro grande fenômeno editorial desse novo tempo. Foi como se ele tivesse sido escrito para mostrar ao mundo que, apesar dos atrativos promovidos pelos avanços da tecnológia, o livro ainda é a grande fonte de diversão, saber e apuro intelectual.


O formato do romance é o de uma história policial. Começa com um crime no Museu do Louvre, um suspeito que o leitor sabe inocente e um detetive que precisa apresentar um culpado para salvar sua reputação profissional. Mas, por trás desse lugar comum literário, o autor promove uma interessante discussão sobre os ícones da igreja católica e sobre como o cristianismo, ao longo dos anos, buscou relegar a mulher a uma condição muito inferior ao homem, associando-a a figuras profanas. Ao criticar de forma contundente essa questão, o livro torna-se um libelo feminista de grande alcance. Desde o feminismo queima-sutiã dos anos 60 que não surge nada tão revolucionário em termos de feminismo como o livro de Dan Brown.


O romance defende a teoria de que Maria Madalena foi casada com Cristo e que ela nunca foi prostituta. E que os guardiães do cristianismo procuraram difamá-la por puro machismo, pois se sentiam ameaçados com o poder da mulher de gerar a vida humana. Assim, segundo a trama de Dan Brown, a igreja católica buscou associar a mulher a um ser pecaminoso e profano, idéia que o autor defende, lembrando que não existem mulheres em cargos importantes na igreja católica e que, na idade média, milhões delas foram levadas à fogueira por causa dos conceitos machistas escondidos no pensamento cristão. Whaal, diria Paulo Francis...


Ao observarmos a maneira fundamentalista como a igreja condena o aborto, em pleno século XXI, podemos considerar que faz sentido o raciocínio do escritor. Condenar o aborto, marginalizar a mulher que ousa dispor do seu próprio corpo, é uma maneira infame da igreja colocar a mulher numa situação de inferioridade em relação ao homem.


O mais bacana do romance de Dan Brown é que ele provoca o leitor e o estimula a uma discussão intelectual. Com isso ele cumpre a sua função como "livro". Além de promover momentos de intenso prazer ao leitor, com sua trama recheada de personagens fascinantes e reviravoltas inesperadas, O Código Da Vinci estimula discussões, faz pensar, provoca reflexões e surpreende o leitor, dando-lhes a sensação que ele está fazendo uma grande descoberta sobre a história da humanidade. Mas, a grande descoberta que o leitor faz ao ler o romance é que a literatura ainda tem a capacidade de mudar o homem. E mudando o homem, muda o mundo!






CARNAVAL 2005 - O bloco carnavalesco de Ipanema SE NUM GUENTA PORQUE VEIO? continua animando o verão carioca com os ensaios no Chiko´s Bar. A diretoria do bloco é formada por uma rapaziada muito bacana de Ipanema, galera alto astral que frequnata a praia em frente a rua Vinicius de Moraes: Marcelo Verruga, Marko Kabul, Fred Neci, Michell e Sandrinho. O enredo do desfile é "Zona Sul em festa, o surgimento de uma nova era". O samba que vai animar o desfile é de autoria de Fabinho Monterosso, e Fernandinho Maia. A letra é a seguinte:


O SONHO SE CONCRETIZOU
DE UMA HISTÓRIA DE BAR
HOJE CANTA A CIDADE
É FESTA, É FELICIDADE
NO AR, UM CLIMA ENVOLVENTE


ACABOU A PELADA, METE MÃO NA GELADA
AGORA EU QUERO É CURTIÇÃO...(ÔÔÔ!)
E QUANDO MENOS SE ESPERA, TA NA BOCA DA GALERA
VAI ROLAR A PEGAÇÃO


HUM, DOIS TRÊS
HUM, DOIS TRÊS E JÁ
VIRA A CARA, FAZ CHARMINHO
QUE AGORA EU VOU BEIJAR


FIM DE SEMANA TA AÍ...(ÔÔ...)
VOU ME EMBEBEDAR, ME DIVERTIR
JÁ CHEGOU O VERÃO, UMA LINDA ESTAÇÃO
DE PRAIA, CALOR E FANTASIA
O "SE NUM GUENTA" SURGIU PRA MOSTRAR O SEU VALOR
ABENÇOADO PELO CRISTO REDENTOR
SÓ LAMENTO..., PAULISTA E MINEIRO
É MALANDRAGEM, SOU CARIOCA, SOU DO RIO DE JANEIRO!


A ZONA SUL ECOOU, EM LIBERDADE
Tô DOIDÃO DE SKOL, TRANQUILIDADE
HOJE EU VIVO EM PAZ E ALEGRIA
O "SE NUM GUENTA PORQUE VEIO?" VAI ATRÁS DA BATERIA


14.12.04




As pessoas mais insuportáveis são os homens que se acham geniais e as mulheres que se acham irresistíveis.


RENATO RUSSO VIVE - Eduardo Moscovis é o nome mais cotado para o papel do roqueiro Renato Russo, no filme que vai contar a história de sua vida. O sucesso do filme Cazuza é o maior estímulo do diretor Antonio Carlos Fontoura, para realizar a produção, que terá roteiro de Luiz Fernando Borges e será recheada de sexo, drogas e muito rock´n roll, como foi a vida real do cantor. A trajetória de sucesso do conjunto Legião Urbana, claro, promete ser o ingrediente mais saboroso do filme. Antonio Carlos Fontoura dirigiu um dos meus filmes favoritos A Rainha Diaba, que a Globo exibiu com sucesso há poucos dias. O personagem principal, que dá titulo ao filme, é inspirado em Madame Satã. Milton Gonçalves está ótimo no papel. Também no elenco Odete Lara e Stephan Nercessian.




AS CORES DA VIDA - Um sucesso a noite de autografos do oftalmologista Almir Ghiaroni, que se aventurou no mundo da literatura e lançou seu primeiro romance que recebeu o titulo de As cores da vida. A fila começava dentro da pizzaria Gattopardo e ia até a entrada do Sky Lounge, na calçada da Lagoa. O médico não escondia sua felicidade com a presença de tantos amigos, fãs e pacientes. Marcos Gasparian, o dono da Argumento, editora que publica o livro, parecia surpreso com a quantidade de gente que queria um autografo do escritor. Antes do lançamento, tive a oportunidade de entrevistar o médico para uma reportagem para o Jornal do Brasil, cujo texto publico a seguir.


"Uma história que joga muito com a sincronismo entre as pessoas". Assim o oftalmologista Almir Ghiaroni define As cores da vida, livro que marca a sua estréia como romancista. O lançamento será no Gattopardo, dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, a padroeira dos olhos. E os olhos, especialidade do dr. Ghiaroni, tem uma participação fundamental na trama dessa história de paixão, amizade e maturidade. O que teria motivado o médico bem sucedido a mergulhar no mundo onírico da literatura?
— Eu já publiquei artigos e ensaios sobre minha atividade profissional, mas nunca havia me passado pela cabeça ser romancista. Comecei a escrever este livro em outubro de 2003, movido por uma necessidade quase incontrolável de falar sobre as minhas descobertas na medicina, sem precisar recorrer a um texto acadêmico.


O dr. Almir Ghiaroni é um especialista em catarata, doença dos olhos que atinge o ser humano principalmente na terceira idade. A maioria das operações de catarata são feitas em pacientes com mais de setenta anos. De tanto fazer esse tipo de cirurgia, o oftalmologista observou que, quando curados, os pacientes rejuvenescem.
— Eles voltam a fazer esportes, ficam com a auto-estima mais elevada, o semblante adquire uma expressão mais jovem. Tornam-se outras pessoas. Descobrem um novo sentido para a existência.


As cores da vida, conta exatamente a história de um pintor que estava encontrando dificuldades de exercer o seu oficio por causa da catarata e o seu encontro com o médico que faz a cirurgia. Ao se ver curado, o artista volta a pintar com mais clareza, sem dificuldades com as cores e a luminosidade que caracterizam a doença. Ele fica tão grato ao médico que o operou que o transforma no seu melhor amigo e confidente. A partir daí conta ao cirurgião a comovente história do grande amor de sua vida. A ficção é inspirada na vida real, mas não totalmente. Dr. Ghiaroni ficou muito sensibilizado com o resultado da cirurgia que fez no pintor italiano Enrico Bianco, que foi obrigado a abandonar seu ofício quando estava com catarata. Ao se ver curado, o artista voltou a pintar com grande sensiblidade e emoção. E aquilo comoveu o médico a tal ponto que ele decidiu escrever um livro, mas não um livro técnico e sim um romance.
— Escrevendo esse livro eu pude estreitar meus contatos com o mundo das artes. O mundo da medicina é muito possessive, frio e técnico. E eu queria falar de emoção, de sentimento e da beleza que é o encontro entre os seres humanos.


No prefácio do livro o artista plástico Enrico Bianco destaca que o grande suporte da história é a amizade que surge entre o médico e seu paciente.
A descoberta da literaura deu um novo ânimo a vida do médico. Ele descobriu que não tem a menor dificuldade em escrever. Tanto que já está preparando um novo livro. Há pelo menos dois anos suas tardes de sábado são dedicadas exclusivamente a escrever. Seus escritores favoritos são Norman Mailer, Morris West, Paulo Coelho e Millôr Fernandes, que escreveu o texto de apresentação do livro. Dentre o que leu recentemente, dr. Ghiaroni ficou muito impressionado com o fenômeno editorial que é o livro de Don Brown O código da Vinci.
— Gosto dos romances que passam informações aos leitores. E O Código Da Vinci é um livro culto. Diverte o leitor e, ao mesmo tempo, passa informações preciosas. Quando fui à Paris, em junho, visitei lugares e obras de arte que são citados no romance. E olhei tudo de outra forma pois o livro tinha me transportado para dentro de sua história e tudo aquilo me pareceu muito familiar.


Almir Ghiaroni já leu toda a obra do pensador Deepak Chopra, com quem já fez workshop em Nova York.
— Ele mescla muito bem os elementos da vida moderna com a medicina de antigamente.
Ele recomenda As cinco pessoas que você encontra no céu, uma comovente fábula do escritor Mitch Albom, que faz o leitor refletir sobre o real significado da existência. Outra paixão do oftalmologista é o cinema. Na juventude, quando ainda estudava medicina, Ghiaroni trabalhou fazendo legendas para o cinema. E afirma:
— Já me disseram que o meu livro daria um belo filme.

12.12.04




Precisamos decidir como podemos ser valiosos, em vez de pensar em quão valiosos somos.

CAFÉ SOCIETY - Foi uma noite maravilhosa, de paletós e vestidos longos, o casamento de Ana Luisa de Cstro e Carlos Eduardo na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa. O elegante palacete da praia do Flamengo, tombado pelo patrimônio histórico, esteve lotado de personalidades do high society, do gay society, do jornalismo e da moda. A mãe da noiva, a jornalista Sylvia de Castro é, antes de tudo, uma socialite. Freqüentadora assídua dos salões elegantes do Rio, ela também tem livre trânsito no suntuoso mundo da moda. Champanhe, champanhe, champanhe...


O cenário do casamento merece destaque especial. Como descrever tanto requinte e elegância? Carlos Alberto de Serpa, o bem sucedido empresário e educador, fundador da Cesgranrio, acertou em cheio quando, ao lado da mulher Beth Serpa, decidiu transformar o suntuoso palacete num ambiente refinado, acessível à todos os cariocas de bom gosto. Lá são realizadas exposições das mais diferentes expressões de arte, concertos de música clássica e popular, desfile de modas e de jóias, lançamentos de livros e CD´s, casamentos, coquetéis e jantares sociais e de negócios, além de eventos performáticos e empresariais.


O palacete, inspirado no estilo do Primeiro Império, possui ricos detalhes em bronze dourado, portas espelhadas, medalhões com motivos mitológicos, colunas gregas, escadarias, vitrais extraordinários e muitos lustres de Baccarat. E dispõe de salão de chá, salão de antiguidades, bistrô, galeria de arte, cinema, pérgula, além de dois ambientes que já caíram no gosto do high society: o requintado restaurante Blason, com decoração do século XIX e cozinha francesa e o J Club, recém-inaugurado piano-bar que se destaca como espaço de boa música.


Pois foi neste lugar tão especial que Ana Luisa e Carlos Eduardo se tornaram marido e mulher. Mesas finamente decoradas com arranjos florais foram espalhadas por todos os lugares. No piano-bar o DJ animava uma pista de dança enquanto garçons belíssimos serviam espumantes e destilados. Aliás, os rapazes do cerimonial da Casa Julieta de Serpa merecem destaque especial. Belos, elegantes e educados, são treinados para que a presença deles faça parte daquele ambiente com a mesma harmonia que os lustres de Baccarat e as cortinas de seda.


A colunista Hildegard Angel estava chiquérrima, ao lado do marido, o empresário Francis Bogosian. Da sua mesa ela comandava a festa com muito charme. Todas as personalidades do grand monde carioca iam até lá, como que para pedir a bênção a uma mãe de santo poderosa. Pude assistir de camarote ao beija-mão, já que fui um dos privilegiados que puderam sentar à sua mesa, ao lado do empresário Jair Coser, o maior exportador de café do Brasil, com a mulher Marisa, mais Celina de Farias, Gilson Martins, Mary Carvalho e Sebastião Marinho. Champanhe, champanhe, champanhe...


Circulando pelos salões Tânia Caldas, Vilma Guimarães Rosa com um exuberante colar de esmeraldas, Alice Tamborindeguy, Clara Vasconcelos, Moreira Franco, os muchachos André Ramos e Bruno Chateubriand, Mario Borrielo, Carlos Alberto e Beth Serpa, Leda Nagle e muitos outros. O arquiteto Éder Meneghine exibia o noivo da mesma forma como muitas das socialites exibiam suas jóias. Isso mesmo, leitores. O noivo. O narcisista Éder apresentava a todos um rapaz muito bem apessoado, elegantemente vestido, como seu noivo e avisava que o casamento será em janeiro, numa grande festa na sua mansão da Barra da Tijuca. Depois de muito champanhe, e do delicioso jantar foi o momento de curtir a pista de dança até o fim da noite.


Durante todo o mês de dezembro, até o dia 6 de janeiro, a Casa Julieta de Serpa estará sendo palco de um gigantesco presépio, com cenário e figuras em tamanho natural, além de iluminação e efeitos especiais. Quem viu a beleza que foi o presépio no ano passado vai ficar ainda mais encantado este ano. No primeiro andar foi montada uma casa de Papai Noel, com atores representando o bom velhinho e um grupo de duendes. Programa perfeito para a família, casais de namorados e crianças em geral. Feliz Natal!




A ERA DO JAZZ – Se alguém quiser dar como presente de natal algo realmente valioso, gostaria de sugerir o livro 24 Contos de F. Scott Fitzgerald, da Editora Companhia das Letras. Eu estou lendo esse livro e tendo verdadeiros orgasmos a cada página virada. É inestimável o valor literário dos textos constantes desse livro. Para valorizar ainda mais a sofisticada literatura do autor de O Grande Gatsby, a tradução foi feita pelo mestre Ruy Castro. Cada vez que eu pego o livro é como se ali estivesse contido o mistério mais sublime que rege a existência humana.


Vivendo na América nos anos 20 do século passado, seus personagens são puro fascínio. Personagens como John T. Unger, o rapaz de uma cidade do interior, que vai fazer faculdade na cidade grande e lá fica amigo de um jovem milionário excêntrico que o convida a passar férias na casa dos seus pais. Durante a viagem o amigo lhe revela que o pai é o homem mais rico do mundo e pede que ele não revele isso a ninguém. Como também pede segredo do lugar onde fica a residência da família. John T. Unger fica encantado com a família do amigo e com o lugar fascinante onde vive sua família. Um palácio cheio de objetos de ouro, localizado num vale verdejante, com lagos, animais selvagens, cachoeiras. Depois de um breve romance com a irmã do rapaz, o herói do conto descobre que as pessoas que são levadas a visitar a família nunca mais voltam para suas casas. O Pai as mata para que a pessoa não revele ao mundo a existência de tamanha fortuna.


As histórias sempre têm algo de trágico, mas Scott Fitzgerald se revela um romântico. Pois, quase sempre, suas tramas têm um final feliz.


7.12.04




Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca.

COISAS DE MULHER - A jornalista ANA MARIA BAIANA publicou interessante artigo no site COMUNIQUE-SE, sobre o arrranca-rabo envolvendo Antonio Calmon e os jornalistas Daniel Castro e Ricardo Valladares. O que motivou o artigo de La Baiana foi o comentário do novelista, classificando o trabalho de seus desafetos como "coisas de mulher". Este blog reproduz aqui o texto da badalada jornalista.


Muito já foi dito sobre a legitimamente folhetinesca missiva de Antonio Calmon, provocada por e dirigida a jornalistas que acenderam seu pavio. De tudo na carta, uma coisa me chamou a atenção de um modo tal que não posso deixar de comentar, por mais que eu queira me manter fora do alcance deste arranca-toco.Foi este trecho aqui: “Por que vocês odeiam tanto as mulheres? Por que você faz um trabalho de mulher?” Eu até estava seguindo o fiapo de raciocínio da trama novelesca na primeira frase. Na segunda Calmon me perdeu. Podem me chamar de ingênua, mas eu achava, sinceramente, que este tipo de expressão e a mentalidade que ela revela estavam mortas e incineradas em sociedades civilizadas. A não ser que Calmon estivesse sendo irônico – uma possibilidade, decerto, mas uma possibilidade um pouco remota diante do tom apoplético do resto do texto.


O uso da expressão “trabalho de mulher” para definir tudo o que é trivial, insignificante e desprezível era muito usado quando comecei a trabalhar profissionalmente, três décadas atrás. Nesse tempo não tão remoto, jornalismo cultural era repleto de status, projeção e salários relativamente bons. Era, portanto, a província de homens. Durante um bom tempo, fui considerada um fantasma _-certamente o pseudônimo de algum jornalista do sexo masculino impedido de trabalhar pelos rigores da censura. Claramente aquilo que eu fazia, do modo como eu o fazia, era trabalho de homem, não de “de mulher”.


Na verdade, o primeiro endosso público do meu trabalho veio através de uma nota superbem intencionada de uma pessoa que, ao longo do tempo, aprendi a apreciar, respeitar e admirar, e por quem tenho grande carinho. Ele disse, sem meias palavras, que eu “escrevia igual um homem”. Conhecendo o contexto, tomei a frase como um elogio. Mas isso foi, como disse, algumas décadas atrás. Jamais imaginaria que, em pleno 2004, alguém fosse tentar ofender outra pessoa dizendo que ela faz “trabalho de mulher “ - teria sido esta a intenção da frase? Ou teria sido um pouco pior - que mulher é intrinsecamente fofoqueira, maledicente, mesquinha como Calmon desenha, na carta, seus algozes/oponentes?


Esta pequena reflexão paralela oferece um breve insight em um aspecto intrigante do atual estado de coisas em boa parte do jornalismo cultural – teria ele voltado aos meados do século 20, quando a cobertura da produção cultural não-erudita resumia-se, com raras exceções, a fofoca? Louella Parsons, Hedda Hopper, Candinha. Poderosas, sim. Populares, sim. Mas dificilmente no topo da pirâmide da consideração, do respeito, do status profissional. Trabalho de mulher, num tempo em que, em muitos países, mulheres não votavam e precisavam da permissão do marido para abrir crediário.


Temos hoje mulheres em todas as esferas da vida pública e profissional, e curiosamente nossa cultura da celebridade reinstaurou a fofoca no centro do que já foi um dos setores mais nobres do jornalismo. E então, num momento de fúria, um leitor ferido diz que seus possíveis detratores fazem “um trabalho de mulher”. É uma curiosa escolha de palavras para um estranho modo de fazer jornalismo. - Ana Maria Baiana




QUEM TEM MEDO DE ANTONIO CALMON? - Antonio Calmon nunca foi escritor. Mas, como sempre soube fazer política e fazer o jogo dos poderosos, conseguiu se lançar como autor da TV Globo. O saudoso diretor Paulo Ubiratan certa vez disparou para Mario Lúcio Vaz: "O Calmon não é do metier. Ele não sabe escrever novela." Pena que Mario Lúcio não escutou Ubiratan. Ele manipula a direção da Globo através de chantagens. Como essa agora que inventou, de que estava com problemas no coração e pediu licença para fazer tratamento de saúde. Calmon nunca teve coração portanto, não existe a menor possibilidade de que tenha um enfarte. Essa foi apenas uma forma que encontrou de culpar terceiros pelo fracasso de mais um abacaxi que ele arrumou para a Globo. Um abacaxi chamado Começar de Novo.


Dessa vez os culpados são os jornalistas Daniel Castro, da Folha e Ricardo Valladares da Veja. Eles fizeram reportagens sobre o fracasso de audiência do abacaxi do Calmon e, por isso, se tornaram vilões aos olhos do "vampirão". Falta trama, conflito e charme à novela. Furioso com as reportagens, Mr. Calmon, mandou um e-mail detonando os jornalistas, esculhambando-os profissionalmente e culpando-os pelos seus problemas cardíacos. (Leia o e-mail logo abaixo)


A relação de Calmon com a imprensa nunca foi das melhores. Aliás, as relações de Calmon nunca foram boas com ninguém. Na sessão de lançamento do último filme que dirigiu, Garota Dourada, ciente da mediocridade do seu trabalho, ele ameaçou o crítico Rubens Ewald Filho, que estava presente à sessão: "Se falar mal do meu filme eu te cubro de porrada". Quando lançou a minissérie Sex-Appeal ele xingou o jornalista Sergio D´Ávila, da Folha, porque não gostou da crítica do rapaz. "A bicha não entendeu minha história".


Na época da novela Olho no Olho, um dos maiores fracassos da história da TV Globo, ele criou muito caso com a imprensa carioca. Na época da novela a colunista de TV do jornal O Globo era Patrícia Andrade. Irritado com as seguidas notas zero que a colunista dava a novela, o tirano Calmon ligou para a redação do jornal xingando a jornalista com os palavrões mais cabeludos que ele conhecia. Outra vitima do Calmon, nessa época foi Telmo Martino, que escrevia crônicas também para O Globo. Irritado com algumas piadas do jornalista, Calmon tramou uma vingança diabólica: criou uma personagem em Olho no Olho chamado Telma, convidou a atriz Iara Jamra para o papel e toda vez que ela se apresentava a algum personagem dizia: "o meu nome é Telma, jornalista e mulher".


O fato é que Calmon escreve novelas horríveis e não quer que ninguém fale mal. A vida toda ele foi assim. Um sujeito que ganha a vida no grito. Agora quer intimidar a imprensa no grito. De todas as suas novelas, a única que fez sucesso foi VAMP, graças a direção de Jorge Fernando e ao trabalho dos colaboradores Vinicius Vianna e Tiago Santiago, que hoje é autor na nova versão da novela A Escrava Isaura. Aliás, o Tiago está se divertindo muito com o novo fracasso do Calmon. Afinal, ele foi uma das vítimas do "vampirão", que sempre quis derrubá-lo e o perseguia na TV Globo.


Leia a seguir o e-mail que Antonio Calmon mandou para os jornalistas, com cópia para meio mundo. Mas, melhor que tudo, clique aqui e veja no UOL o e-mail e a opinião de dezenas de leitores comentando a novela e a polêmica. Antes porém, caros leitores, é bom se benzer. Para lidar com Calmon é sempre bom se proteger com a benção dos céus. Que Deus nos proteja.





Bom dia, Daniel Castro! Dormiu bem? Como se sente depois de ter provocado em mim uma crise de hipertensão? Feliz? Realizado? Parabéns!, a partir de hoje você será finalmente famoso, quer queira, quer não. A má notícia? Você se meteu com um sujeito que não tem medo de nada, que escreve mil vezes melhor e que fará tudo para devolver o café da manhã que você me serviu anteontem.Meu coração poderia ter explodido. Uma veia em meu cérebro poderia ter estourado. Mas, para desgraça sua, isso não aconteceu. Por que você faz esse tipo de coisa? Inveja? Para agradar seu editor? Acha que consegue um aumento? Espera tornar-se Um Deles? Péssimas notícias para você, Daniel. Você jamais será Um Deles. Quarenta anos, uma coluna de tv num jornal esnobe, os artigos realmente importantes sendo escritos pelas duas mulheres, a barriguinha crescendo, essa vidinha de merda... Não vejo muito futuro para você. 



Você e o Ricardo Valladares trocam figurinhas quem nem duas colegiais maldosas no início da puberdade? Ele te contou como torceu minhas palavras e jogou-me contra a jovem atriz? Vocês deram risadinhas malvadas com a dor que ele inflingiu a ela, culpando a mim, e que você agora repicou? Vocês acham que podem manipular a verdade a esse ponto, impunemente? Eu vi esse outro cretino, pomposo e arrogante, com sua roupa cafona e barba pretensiosa, andando pela festa da novela como se fosse dono dela. Foram logo me avisando: esse cara é uma cobra, cuidado com ele! Ele me cumprimentou do alto da sua mediocridade. Patético e deslumbrado, um infeliz que nem você, visivelmente mal resolvido. Ao telefone, mal conseguia disfarçar o prazer que estava sentindo em me apunhalar. Eu só queria promover a Carolina Ferraz. Ele estava mais interessada em desmoralizar a Giselle Itiê. Por que vocês odeiam tanto as mulheres? Por que você faz um trabalho de mulher? 


Um homem casado, com filhos, que inventa fofocas sobre a vida conjugal de um homem descasado, com filhas, não é um homem digno de respeito. O Marcos Paulo te perturba tanto assim, Daniel? Você acha que ele não é um galã, meu bem? Você não tem vergonha de fazer mexericos da Candinha? E seus ideais de juventude, onde foram parar? Temos muitos meses pela frente. Toda vez que mencionar meu nome ou meu trabalho, cada vez que agir tão baixo com outra pessoa como fez comigo anteontem, eu juro que descerei sobre você e te exporei nu, a todos. Você é transparente, Daniel Castro. Senti a depressão e a covardia na tua voz ao telefone. Por mais neutro e digno que tente ser seu estilo, você está lá inteiro, no esplendor da sua insignificância. Vai ser moleza. 


Não importa que você não leia minha mensagens, a conselho de seu analista ou advogado. Os outros lerão. Não importa que você mude seu endereço de e-mail ou ponha um filtro em seu computador. Os outros saberão. Estarei sempre mandando mensagens como essa. Com a mesma frieza com que você e o Ricardo Valladares provocam sofrimento nas outras pessoas. Seja bem-vindo ao Outro Lado. Aprendi com um samurai cego: para poder bater nos outros, é preciso saber apanhar. Eu vou te ensinar a apanhar, Gafanhoto, lição por lição. As hemorrídas do fã purista do pop vão arder. 

Antonio Calmon



1.12.04




Uma vida inútil eqüivale a uma morte prematura.

"Desgraçados dos que medem mal e pesam mal! Desgraçados daqueles que, quando outros medem para ele, exigem medida cheia; mas, quando eles próprios medem para outros, diminuem as medidas e o peso." (O Alcorão)




BABADO FORTE - Dom Paulo Evaristo Arns voltou a criticar o governo. Segundo Ricardo Boechat, na sua coluna do JB, o sacerdote lamentou a demora na abertura dos arquivos da ditadura. Afinal, um governo que surgiu de um partido, teóricamente de esquerda, deveria ser o primeiro interessado em abrir os arquivos da ditadura. Porque então tanta relutância? Relutância? Não é essa a palavra. Porque tanto desinteresse do governo em revelar para a sociedade os segredos dos porões do governo militar? Aliás, a atitude do governo petista no que se refere aos bastidores da ditadura é mais uma constatação de que o Lula apenas faz tudo igual a Fernando Henrique. Não se pode esquecer que FHC assinou um decreto tornando invioláveis os ditos arquivos. O que será que Fernando Henrique teme? O que será que FHC tem a esconder?


O mistério sobre os arquivos da ditadura dá margens a todo tipo de especulação. Tanto nos meios jornalisticos como nos quartéis das três armas, as histórias sobre os arquivos são as mais sórdidas possíveis. Sobre Fernando Henrique Cardoso conta-se que ele teria dedurado integrantes da esquerda. Gente da imprensa paulista da época. Uma serpente venenosa, que se arrasta com muita volúpia pelos corredores do Estado Maior das Forças Armadas, contou em Brasilia que a revelação dos arquivos da ditadura pode provocar uma mancha gigantesca na biografia de FHC.


Mas não é só o ex-presidente que faria a linha "o passado condena". A cúpula do PT também ficaria na maior saia justa com a revelação dos tais documentos. Diz-se que o partido escalou Aloisio Mercadante para bloquear qualquer possibilidade de revelação da misteriosa papelada composta de relatórios, depoimentos, fotos e transcrições de interrogatórios. O que o PT teria a esconder sobre isso? O que o governo Lula gostaria de não ser revelado? Dom Paulo Evaristo Arns ficaria chocado...


Um militar reformado, que era assessor de importante general do regime militar, revelou em Brasilia que José Genoíno, o presidente do PT, teria entregue os guerrilheiros do Araguaia que morrerram fuzilados pelo exército. Segundo ele, é isso que o PT tanto teme. Que seja revelado à opinião pública que o poderoso presidente do PT na verdade foi um traidor dos seus companheiros. Como se sabe, José Genoíno foi guerrilheiro no Araguaia. Fazia parte do grupo que queria acabar com a ditadura através da guerrilha. Pois bem. Segundo esse militar, José Genoíno foi preso e negociou com os militares. Em troca de sua liberdade, ele entregaria os companheiros. Sendo assim, o hoje líder do PT teria conseguido escapar sem nehum arranhão. Mas seus companheiros foram todos fuzilados porque os militares souberam onde eles estavam e já chegaram atirando. E os arquivos da ditadura teria a transcrição do interrogatório feito a Genoíno. Whaal, diria o saudoso Paulo Francis!


Além de José Genoíno um outro importante "membro" do PT ficaria numa, digamos, saia justa. Nada mais, nada menos que o todo poderoso José Dirceu. De acordo com jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, os arquivos da ditadura teriam comprovantes de que Dirceu foi espião do serviço secreto cubano. Há quem garanta, inclusive, que ele é agente da polícia secreta cubana até hoje. Tem carteirinha e tudo. Não se pode definir o quanto existe de verdade e de especulação nessas informações. Mas tudo isso só vai poder ser esclarecido quando os arquivos da ditadura forem abertos ao público. Afinal, é a história do país que precisa ser contada com todos os pingos nos is. E se o PT, a exemplo de FHC, quer impedir que os arquivos sejam abertos é porque eles têm algo a esconder. O que será?




EU TE AMO, MEU BRASIL!
Letra e música: Don e Ravel


As praias do Brasil ensolaradas,
O chão onde o país se elevou,
A mão de Deus abençoou,
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor.


O céu do meu Brasil tem mais estrelas.
O sol do meu país, mais esplendor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.



Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil.
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!
Ninguém segura a juventude do Brasil.


As tardes do Brasil são mais douradas.
Mulatas brotam cheias de calor.
A mão de Deus abençoou,
Eu vou ficar aqui, porque existe amor.



No carnaval, os gringos querem vê-las,
No colossal desfile multicor.
A mão de Deus abençoou,
Em terras brasileiras vou plantar amor.


Adoro meu Brasil de madrugada,
Nas horas que estou com meu amor.
A mão de Deus abençoou,
A minha amada vai comigo aonde eu for.



As noites do Brasil tem mais beleza.
A hora chora de tristeza e dor,
Porque a natureza sopra
E ela vai-se embora, enquanto eu planto amor.