24.8.06




Nunca deixe de ter em mente que o simples fato de existir já é divertido.

FALA FOTO – A exposição de fotografias de Cora Ronai, na Galeria de Arte Mercedes Viegas é imperdível. Arte de vanguarda, esta é a primeira vez que é feita uma exposição com fotos tiradas por telefones celulares. Cora é a rainha dos gadgets. Sempre interessada nas maravilhas da tecnologia, ela vive ligada nos últimos lançamentos em termos de computadores, máquinas fotográficas, celulares e qualquer tipo de maquininha que torne mais prática e divertida a vida moderna.


As fotos são lindas. Ampliadas, expostas em quadros com molduras pretas, as imagens adquirem status de obras de arte. Uma foto da avenida Copacabana, feita de dentro de um táxi preso num engarrafamento, parece um quadro de Edward Hopper. Paisagens de Budapeste revelam uma cidade bucólica e nos remetem ao livro de Chico Buarque. Uma imagem noturna da cidade lembra uma cena do filme Blow Up. O detalhe de um quarto de hotel revela uma imagem poética. A melancolia das gotas de chuva numa vidraça se transforma numa das mais belas fotos da exposição. São cenas do cotidiano em que a artista (sim, a artista) mostra como tudo pode ser belo na simplicidade da vida cotidiana.


Cora Ronai classifica suas fotos como um diário: Eu nunca consegui fazer um diário escrito. O meu diário é fotográfico.

Galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea
Rua João Borges, 86 – Gávea – Fone: 2294.4305







A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião.
Steven Weinberg, prêmio Nobel de Física.






AÉCIO NEVES MERECE O PLANALTO O site oficial do governador de Minas Aécio Neves ressalta a declaração, feita num debate no jornal Folha de São Paulo, em que ele se declara a favor do casamento entre homossexuais. O material de divulgação da campanha a reeleição envia aos eleitores o artigo do jornalista André Petry, publicado na revista VEJA, em elogia a postura progressista do governador. Viva o Brasil moderno!


Aécio Neves tem carisma, talento e charme. É um homem inteligente e moderno, que freqüenta shows de rock e vai a Los Angeles assistir a entrega do Oscar. Pois bem. Com um político com esse perfil nos seus quadros, o PSDB escolheu o insosso Geraldo Alckmin para concorrer a Presidência da República. Puta que pariu! É por isso que Lula está em primeiro lugar nas pesquisas. Não é pelas suas realizações que o sapo barbudo vai ganhar a eleição. Ele vai ganhar a eleição porque os adversários são muito fracos. Se Aécio Neves fosse candidato à presidência duvido que Lula fosse reeleito.


Fernando Henrique Cardoso, que foi o principal articulador da candidatura de Alckmin, vai entrar para a história como o maior cabo eleitoral de Lula. Foi FHC quem elegeu Lula no primeiro mandado. Foi graças à decepção com seus oito anos de governo que o povo brasileiro mergulhou nessa aventura insana com o dono do PT. Afinal, se o governo de Fernando Henrique tivesse sido bom ele teria conseguido eleger José Serra. Agora o anti-cristo FHC entra em cena novamente, com seu objetivo de acabar definitivamente com a nação. Ele discartou José Serra e Aécio Neves, candidatos em condições de enfrentar Lula e escolheu Alckmin, o mais fraco e sem personalidade. Fernando Henrique Cardoso odeia o Brasil.





Leia a seguir o texto do jornalista André Petry, publicado na revista VEJA, que faz parte do mailing do candidato Aécio Neves.






Faz bem ouvir depoimentos como o do governador mineiro Aécio Neves. Numa sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, o governador disse que é um defensor do casamento homossexual. "Não me oponho à união civil entre homossexuais. Não coloco nenhuma objeção ao fato." Aécio Neves disse que o país tem demonstrado tolerância ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e defendeu a idéia de que a lei contemple esse avanço. Parece que disse pouco, mas é bastante.


Os políticos profissionais não gostam de externar posições claras sobre temas aparentemente controvertidos. No caso do casamento gay, têm receio de deflagrar a fúria da Igreja Católica, talvez a instituição mais intolerante do mundo à liberdade sexual, e sobretudo de perder o voto do eleitorado mais conservador. O comportamento esquivo dos políticos explica por que o casamento homossexual nunca é votado no Congresso Nacional, ainda que o tema circule por ali há mais de uma década. Explica, ainda, por que já houve tanto projeto apenas prevendo a convocação de plebiscito sobre o tema - pois é uma forma de agradar à comunidade gay sem afrontar os conservadores.


O casamento homossexual é uma realidade no Canadá e em alguns países da Europa, inclusive na católica Espanha, e será uma realidade no Brasil - mais cedo ou mais tarde. Trata-se de um avanço inevitável, como aconteceu com o divórcio ou o tabu da virgindade. Para quem tem dúvidas, basta conferir algumas decisões judiciais recentes:
Em julho, o juiz Rômolo Russo Junior, de São Paulo, determinou que o Instituto de Previdência do estado pagasse pensão ao companheiro de um servidor que falecera havia cinco anos. Em sua sentença, escreveu que o direito existe para que "o homem alcance o justo meio das coisas".
No mesmo mês, a juíza Mariângela Meyer Pires Faleiro, de Belo Horizonte, tomou decisão idêntica, ainda que a lei não preveja benefício previdenciário a casais homossexuais. Escreveu: "A Justiça não pode seguir dando respostas mortas a perguntas vivas".
Ainda em julho, a juíza Adair Julieta da Silva, de Cuiabá, reconheceu a união estável de um casal homossexual - antes que qualquer um morresse. O casal passou, assim, a ter benefícios previdenciários, direito a pensão alimentícia ou a herança, como qualquer casal heterossexual.
Outra decisão, também do mês passado, é ainda mais notável: o juiz José Antônio Cezar, de Porto Alegre, autorizou um casal homossexual a registrar o filho adotivo numa certidão em que não houvesse menção a "pai" ou a "mãe".


Quem sabe isso tudo - a declaração de Aécio Neves quebrando o padrão de hipocrisia dos políticos e as decisões judiciais dando exemplo de grandeza - ajude a desbloquear a legalização do casamento gay. Faria bem ao país. Ensinaria, aos socialmente conservadores, aos religiosos que identificam liberdade sexual com sinal do apocalipse, que a legalização do casamento homossexual é apenas uma reverência à diversidade e um triunfo da tolerância. Não faz mal a ninguém.






O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - Poeta, contista, ensaísta e compositor, Nei Lopes é um raro caso da união de talento artístico, erudição e articulação política a serviço da população brasileira. Em seu livro 20 CONTOS E UNS TROCADOS, o autor concilia, como poucos, o espírito popular dos subúrbios do Rio com a qualidade estética de uma grande obra. O universo dos contos é o do indivíduo negro, que vive o cotidiano das comunidades humildes e marginalizadas da cidade.


Entre diversas análises, o livro retrata a involução sofrida no mundo do samba desde a origem das primeiras escolas até a transformação do carnaval em um grande setor do turismo e do entretenimento. Malandros, pais-de-santo, compositores de escolas de samba, o subúrbio, o morro: personagens de um Rio de Janeiro que não se vêem nos cartões-postais da cidade, mas que desfilam com grande força literária na obra.


São 20 contos — e ainda mais seis (os “trocados” do título) — em que o autor nos conduz, com batuta de maestro, pelo dia-a-dia dos habitantes dos mais inesperados e marginalizados locais da Cidade Maravilhosa. Imagens, cenários; alegrias, decepções; vidas construídas, destruídas, reconstruídas. Assim o leitor vai descobrindo, conhecendo e se envolvendo com esses personagens tão reais a que Nei Lopes deu vida em sua aquarela carioca.


Com uma fluência que nos remete ao ritmo do mestre do samba, 20 CONTOS E UNS TROCADOS apresenta ao leitor um universo marginal e fascinante, em textos que reproduzem a oralidade popular de forma autêntica e marcante.



13.8.06




A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra a amnésia.

FEIRA LITERÁRIA DE PARATI – Um dos autores estrangeiros que vieram participar da FLIP é o britânico, radicado nos EUA, Christopher Hitchens. É um influente jornalista, autor de artigos que já foram publicados na revista Vanity Fair e em jornais como Washington Post, Wall Street Journal e New York Times. O sujeito é uma peste!

Circulando por Parati com ares de aristocrata, o jornalista saboreou a cachaça brasileira, admirou o casario colonial e se empanturrou de pratos típicos da culinária brasileira. Sua palestra, junto com Fernando Gabeira, foi polêmica. Ele é arrogante e prepotente na sua defesa dos interesses bélicos dos EUA e Israel. Em entrevista ao canal Globo News, ao comentar a guerra entre Líbano e Israel o senhor Hitchens foi lacônico e casual sobre o conflito e afirmou: A guerra faz parte da natureza do homem.

A guerra faz parte da natureza do homem? Nada mal para um britânico radicado em Washington. A guerra faz parte da natureza do homem? Sinceramente, eu, que faço parte da raça humana, não me reconheço nessa afirmação. Eu diria que A guerra faz parte da natureza do homem anglo-saxão.

Essa afirmação de que a guerra faz parte da natureza do homem revela, antes de mais nada, uma tremenda cara de pau do senhor Hitchens. Ele é um reacionário. Um fascista da extrema-direita. Só para se ter uma idéia, num artigo escrito para o Washington Post, o jornalista reconhece que os EUA invadiram o Iraque apenas por causa do Petróleo e, mesmo assim, defende a invasão americana, pois, segundo ele, não é justo que o dinheiro do petróleo iraquiano sirva para financiar a ditadura de Saddam Hussein. Ué? Então é justo que o dinheiro do petróleo iraquiano sirva para financiar a ditadura fascista de George W. Bush?

Alguém em Parati precisa mandar Christopher Hitchens ir tomar no cu. Ele é um republicano convicto. (Mais convicto que Caio Blinder.) Admirador confesso de George W. Bush, a quem considera um grande estadista que está redesenhando o mapa do mundo. Eu posso com essa boneca? Não dá para respeitar um intelectual que defende o fascismo. Na sua obsessão de elevar Bush ao status de grande estadista ele foi um crítico feroz de Michael Moore, a quem chamou de cínico e mentiroso. Well, pelo menos Moore foi cínico e mentiroso por uma boa causa...

Essa declaração de que a guerra faz parte da natureza do homem é muito conveniente para quem trata a guerra como um negócio. A invasão do Iraque pelos EUA é, essencialmente, um golpe financeiro. O equivalente a um assalto a banco. É natural que um cidadão anglo-americano defenda esse conceito, já que ele significa dinheiro no seu bolso. Para os anglo-saxões o lucro, o poder econômico, está acima de qualquer conceito de ética ou moral. Vale tudo para lucrar. Inclusive invadir outro país e se apropriar de suas riquezas depois de jogar bombas sobre crianças e mulheres grávidas, explodir templos religiosos e humilhar um povo e uma cultura. Foi a assim que a América construiu seu império. Bullshit, Mr Hitchens!






O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM – Eu preferia que a FLIP – Feira Literária de Parati tivesse trazido da Inglaterra a escritora Tilly Bagshawe, autora de um livro muito divertido chamado Adorada. A trama é ambientada nos bastidores de Hollywood e os personagens são produtores de filmes, astros em ascensão, arrivistas do mundo do cinema, top models, advogados de grandes corporações, fotógrafos de moda. A autora mistura personagens de ficção com pessoas reais como Mel Gibson e Alexander McQueen, numa história muito bem contada. O humor brota das observações inteligentes que Tilly Bagshawe faz do mundo do cinema com seu glamour e suas tragédias. As reviravoltas dos personagens são saborosas. O leitor se diverte tanto quanto se estivesse assistindo uma boa novela de TV.


Steve Barry é outro autor que poderia ter vindo para a FLIP. Seu primeiro livro lançado no Brasil, O terceiro Segredo, é uma arrojada trama de crimes e conspirações ambientada no Vaticano. Steve Barry é um ex-advogado, apadrinhado de Dan Brown, que abandonou os tribunais para se dedicar à literatura. Seu novo livro A profecia Romanov é uma aventura de espionagem ambientada na Rússia cosmopolita, quando o povo russo está indo às urnas pedindo a volta monarquia.


Val McDermid tem um livro lançado recentemente no Brasil: Um corpo para o crime. A literatura policial não cansa de surpreender o leitor com mirabolantes histórias sobre crimes, criminosos e detetives inteligentes. Essa história é ambientada numa pequena cidade da Inglaterra, no auge do sucesso dos Beatles. Uma menina de 13 anos, fã do Paul McCartney desaparece misteriosamente da casa de sua mãe. Num bosque, perto de sua casa, suas roupas são encontradas manchadas de sangue, além de outras evidências de que tenha sofrido algum tipo de violência. Um fotógrafo, seu padrasto, que costumava presenteá-la com discos dos rapazes de Liverpool, é acusado do crime depois que a polícia descobre um envelope com fotos do homem abusando sexualmente da menina. George Bennet, o jovem policial que investiga o caso, consegue provas contra o fotógrafo, que acaba sendo preso. Mesmo que o corpo da garota nunca tenha sido encontrado, o acusado vai a julgamento e é condenado à morte. Depois da morte do fotógrafo o livro dá um salto no tempo. Trinta anos depois, quando está prestes a se aposentar, o policial encontra uma mulher e reconhece nela a menina dada como morta. É excitante.







O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - Dan Brown bateu todos os recordes da literatura com seu livro O código da Vinci, fenômeno incontestável, que deixou milhões de leitores ávidos pelo seu próximo romance A chave de Salomão. O curioso é que, antes mesmo do novo livro ser publicado, já está chegando às livrarias Guia para A chave de Salomão de Dan Brown, escrito por um certo Gregg Taylor, jornalista especializado em temas não ortodoxos como sociedades secretas, história alternativa e mistérios do inconsciente.

Guia para A chave de Salomão de Dan Brown aborda, tópico a tópico, os assuntos que serão tratados no próximo livro de Brown, incluindo a maçonaria, a pirâmide, o olho que tudo vê, o pentagrama, a cruz rosada, o esquadro e o compasso, etc. Assim, ficará ainda mais fácil acompanhar Robert Langdon em sua próxima aventura. Gregg Taylor aponta caminhos da continuação das aventuras do professor de Harvard especialista em simbologia, que desvenda em Paris o assassinato de um membro do Priorado de Sião. Em sua nova aventura ele se envolverá com símbolos ocultos dos Estados Unidos. Guia para A chave de Salomão de Dan Brown desvenda a simbologia republicana reproduzida nas armas e na moeda americanas. Indica como e por que os novos enigmas recorrem a simbolismos egípcios, rosa-cruzes e maçônicos e relaciona-os à arquitetura de Washington.


9.8.06




É um grande privilégio ter vivido uma vida difícil.

TONY PLATÃO ATACA NOVAMENTE Negro Amor, o show de lançamento do novo disco de Toni Platão estreou em grande estilo no Mistura Fina da Lagoa. O grande Platão não decepciona nunca. O rei da voz sempre surpreende e encanta com seu vozeirão másculo, que oscila do João Gilberto ao Luciano Pavaroti com grande facilidade.


O show do Mistura Fina é o mesmo show da livraria. Só que agora ele está cantando num lugar que tem mais espaço para os músicos e para a platéia. Além de ser um palco com pedigree, onde já se apresentaram nomes como Marcos Valle, Jonhny Alf e Paul Muriat. Totalmente à vontade Toni Platão encantou o público que foi aplaudí-lo na estréia. Fãs dedicados e fãs famosos como Débora Colker, Guilherme Leme e Claudia Jimenez. Duas músicas novas foram incluídas no repertório: The man who sold the world, do David Bowie e Dia 36 de Arnaldo Batista. Além disso, mudou o texto. O que já era ótimo ficou excelente. O próximo show certamente será no Canecão.


A banda consegue um casamento perfeito com o vocalista. O acordeom tocado por Rodrigo Ramalho faz uma diferença incrível nos arranjos das canções. Não existe nada de folclórico ou regional no instrumento. O acordeom de Monsieur Ramalho é absolutamente pop. Suas interferências nos arranjos de Mamy Blue e Calígula Free Jack são demenciais, como diria o Nelsinho Motta antigamente. No palco Ramalho se apresenta de roupa preta e óculos escuros e fica parecendo um ceguinho de Caruaru. Um ceguinho muito chique. Uma bela presença em cena. O baixo de Wlad reforça a dramaticidade das interpretações do cantor. O violão de Sergio Diab é a delicadeza em pessoa. E a bateria de Bruno Wanderley dá ritmo e compasso às pretensões musicais do grupo. Bingo. A força deles como banda pulsa na interpretação de The man who sold the world, um clássico do rock que comoveu e encantou a platéia que lotava o Mistura e aplaudia e uivava ao final de cada canção. Bravo, Toni. Bravo!!!


The man who sold the world

We passed upon the stair, we spoke of was and when
Although I wasn't there, he said I was his friend
Which came as some surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago

Oh no, not me
I never lost control
You're face to face
With The Man Who Sold The World

I laughed and shook his hand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years I roamed
I gazed a gazely stare at all the millions here
We must have died along, a long long time ago

Who knows? not me
We never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World






HELOISA HELENA PARA PRESIDENTE William Bonner e Fátima Bernardes foram péssimos com a Heloisa Helena durante a entrevista exibida no Jornal Nacional. A escolha das perguntas e a forma como eles se comportaram, interrompendo a entrevistada todo o tempo, deixou claro que eles, como jornalistas, têm preconceito contra a candidatura dela. Aliás, de um modo geral, a imprensa brasileira, conservadora e machista, sempre analisa a candidatura da Heloisa Helena com um olhar de preconceito e desdém. Os jornalistas agem como se ela estivesse sendo presunçosa ao se lançar candidata. Well... Presunçosos todos os candidatos são.


Não acho que Heloisa Helena seja um gênio, uma mulher incrível e maravilhosa que vai resolver os problemas brasileiros. Nada disso. Apenas acho que, entre ela, Lula e Alckmin, prefiro votar nela. O Lula, para mim, significa decepção, frustração. Acho ele cínico e mentiroso. Alckmin é um FHC Reloaded. O partido dos tucanos poderia ter escolhido o carrancudo José Serra ou o beefcake Aécio Neves, mas preferiu o insosso do Alckmin. Entre o ruim e o péssimo eu prefiro a incógnita.


Na entrevista do JN William Bonner e Fátima Bernardes deixaram escapar suas falhas e limitações como jornalistas. Eles podem ser bons apresentadores de TV, mas isso não significa de forma alguma que sejam bons jornalistas. E muito menos que eles sejam bons entrevistadores. Se a entrevista tinha a duração de apenas 11 minutos e meio, é lógico que esse tempo deveria ser bem aproveitado. Os entrevistadores deviam ter feito perguntas mais objetivas.


O belo Bonner questionou o fato dela não ter experiência administrativa. Ora bolas, Bonner. Lula e FHC também não tinham experiência administrativa e, nem por isso, conseguiram acabar com o Brasil. Fátima Bernardes, num tom surpreendentemente arrogante, questionou a candidata pelo fato dela chamar os ministros de empregadinhos de Lula, alegando que isso revelaria um despreparo dela para o cargo. Puxa vida. Eu acho que o termo empregadinhos do Lula é um termo perfeito para definir esses ministros do governo. Ministros que estão no cargo por conchavo político e não por competência profissional. Essa poderia ter sido uma boa pergunta se fosse uma entrevista com uma hora de duração, mas, para uma entrevista curta, me deu a impressão que Fátima quis, deliberadamente, dar uma rasteira na Heloisa.


No raciocínio simplista de Fátima Bernardes o termo empregadinho é ofensivo já que a maioria dos cidadãos brasileiros são empregados. Na verdade, quando a candidata usa a palavra empregadinho está apenas se utilizando de um recurso permitido pela língua portuguesa para fazer o desenho do personagem que ela quer ilustrar: um sujeito subserviente, um leva-e-trás, um puxa saco do patrão.







CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO – É puro deleite cinematográfico o filme Zuzu Angel. O roteiro eficiente conta com muita propriedade um dos episódios mais dramáticos da ditadura militar: a história da modista que foi morta pelos militares por denunciar a tortura do seu filho guerrilheiro. O diretor Sergio Rezende transformou essa história num filme de ação e suspense, sem esquecer de presentear a audiência com fartas doses de emoção.


Em primeiro lugar, o que mais chama atenção no filme é a performance dos atores. Mesmo os que não são muito conhecidos são grandes nomes do teatro. Sendo assim as atuações são densas. Cada gesto, cada olhar, cada respiração traz consigo uma forte carga de emoção. É através da densidade dos atores que a direção consegue traduzir para o público o clima opressivo do Brasil dos anos 70. De um modo geral todos os atores merecem destaque por suas atuações. Mas, nenhum deles merece tanto aplauso como o veterano Nelson Dantas.


O Brasil precisa aplaudir de pé o trabalho desse ator. Num determinado trecho do filme, Zuzu Angel, desesperada com a morte do filho, vai procurar o pai do Lamarca e o encontra trabalhando como sapateiro. Ela está nervosa e começa a falar coisas para ele. O homem não diz nada, apenas olha para ela enquanto conserta um sapato. E ele exibe uma expressão tão cheia de significados que chega a arrepiar a platéia. Com apenas um olhar Nelson mostra toda a perplexidade do seu personagem diante dos acontecimentos. Nesse momento Zuzu e a platéia percebem que o velho sapateiro é apenas um sofredor igual a ela. Numa única cena, sem dizer uma só palavra, Nelson Dantas mostrou toda a sua grandeza como ator. A atuação foi um belo canto do cisne. O ator morreu alguns dias depois da filmagem.


Quando estive em Havana uma cubana assanhada me disse, certa vez, no balcão do bar La Bodeguita que o Brasil tem muitos bons atores. Isso foi uma coisa que me chamou atenção em Cuba: o prestígio que os atores brasileiros têm entre os cubanos por causa das novelas brasileiras que são exibidas na República de Fidel. Pois bem. Em Zuzu Angel impressiona a qualidade do trabalho dos atores. Patrícia Pilar tem uma atuação digna de uma Fernanda Montenegro. Não existe erro. No olhar, no gesto, no choro e no sorriso ela conta a história do personagem: o sonho do seu trabalho com a moda e a angústia com a tragédia do filho.


Flavio Buraqui, que fez uma bichona lânguida em Madame Satã, surpreende e arrasa como um militar cruel que participa das sessões de torturas. Aramis Trindade, o tenente que trai os militares, é um grande ator do teatro pernambucano. Um artista brilhante. Quem já teve a oportunidade de vê-lo no teatro ficou bem impressionado com o seu trabalho. Othon Bastos e Ângela Vieira estão corretíssimos. E Luana Piovani surpreende no papel de Elke Maravilha. Zuzu Angel é um belo filme.






ROSAS VERMELHAS PARA HILDEGARD ANGEL – A atriz Regiane Alves está ótima no papel da jovem Hildegard Angel, uma das filhas de Zuzu Angel. A atriz é parecida com a Hilde e interpretou como muita graça e leveza a hoje grande dama do colunismo social. Ao mesmo tempo, o filme, sem ter esse objetivo, faz justiça a Hilde, sempre muito criticada por nunca ter se envolvido em projetos políticos. Mas, ter vivido sua vida da forma como viveu, trabalhando como atriz e jornalista, também foi uma opção política.


No auge da ditadura, quando a barra pesou para sua família, com a morte de seu irmão e de sua mãe, assassinados pelos militares, Hildegard poderia ter fugido do país, pedido asilo, mas ela continuou no Brasil como se nada tivesse acontecido. Mergulhou no teatro, sua grande paixão, e, em seguida, no jornalismo, que acabou se transformando numa prioridade na sua vida.


O lançamento desse filme me deixou numa felicidade enorme. Faz tempo que eu não me sinto tão feliz, disse Hildegard logo após a estréia. A realização do filme sobre a via crucis da sua mãe foi, também, conseqüência de um exaustivo trabalho, por parte dela, para viabilizar a realização do mesmo. Eu me lembro ainda hoje a emoção de sua voz quando me contou que finalmente o filme sobre sua mãe ia ser feito. Trabalhando com ela no Caderno H pude acompanhar seu envolvimento com a produção, cedendo material para o diretor, roupas para a figurinista, consultas para os roteiristas. Sua alegria ao participar dos encontros com Patrícia Pillar para falar de Zuzu, mostrar fotos, objetos pessoais, etc. Em todo o processo havia nela muita alegria. Certa vez saiu mais cedo do jornal e nos avisou toda coquete: Hoje eu e o Francis (seu marido) vamos fazer figuração no filme sobre a mamãe.


Na minha convivência com a Hilde sempre me impressionou uma coisa: quando ela lembra da mãe, do irmão, é sempre com alegria. Sempre que relembra fatos do passado, são sempre episódios em que existe humor e uma enorme alegria de viver. Ela nunca fala da mãe e do irmão de forma melancólica e triste. Nas várias vezes que me falou do Stuart ela repetia com orgulho: Meu irmão era um rapaz muito bonito, Waldir. Era um homem liiiindo. O Stuart era de parar o comércio. E me contava que o irmão malhava naquela academia de Copacabana que até hoje tem um braço de halterofilista desenhado em néon.


Da mãe suas lembranças também são bem humoradas. Lembranças sempre associadas a bucólica Ipanema dos anos 70, quando os ipanemenses podiam sair de suas casas e deixar a porta aberta. A amizade de Zuzu com Ethel Moura, a dona da Bijou Box. A visita de Joan Crawford ao ateliê de costura, quando a grande estrela de Hollywood mandou a adolescente Hilde sair da sala e Zuzu respondeu que a casa era dela e ela ficava onde quisesse.


Na época da ditadura, enquanto sua família estava sendo destruída pelo desatino do governo militar, Hilde fazia teatro. Chegou a fazer mais de uma dezena de peças. Trabalhou como atriz na novela Selva de Pedra, de Janete Clair, atuando ao lado de Regina Duarte, Francisco Cuoco, Dina Sfat e Carlos Eduardo Dolabella. Em Selva de Pedra Hilde interpretava Beatriz, a dona de uma galeria de arte que ajudava a artista plástica Simone, papel de Regina Duarte. Ela não ficou na novela até o final. Pediu a Janete Clair para sumir com o seu personagem, pois o diretor, Walter Avancini, era um tirano. O Avancini não gostava de quem fazia teatro e marcava o horário das gravações no mesmo horário das peças. Então eu tive que escolher entre a TV e o teatro e eu preferi o teatro. Hilde também me contou que os atores da novela ficavam horas e horas em pé, esperando o momento de gravar, já que o Avancini não permitia que eles sentassem nos sofás dos cenários para descansar. Não tinha nada desse conforto de hoje em dia no Projac.


Suas histórias sobre os bastidores do teatro e da TV mereciam um livro. Hilde tem aventuras divertidas e curiosas para contar. Ainda fazendo teatro começou a trabalhar como jornalista, escrevendo uma coluna de TV. Era a Patrícia Kogut da época. Certa vez publicou uma nota sobre o Carlos Eduardo Dolabella, informando aos leitores que a Globo não tinha renovado o contrato do ator. Dolabella ficou furioso e foi no teatro tomar satisfações. Ao encontrá-la o ator começou a gritar: eu vou te bater. Hilde saiu correndo pela coxia e foi se proteger atrás da veterana atriz Yara Cortes, que a defendeu da fúria do então jovem galã, com a mesma intensidade dramática com que defendia seus personagens no teatro e na TV.


Hildegard Angel é apaixonada pelo seu trabalho de colunista social. É uma profissional que adora o que faz. Fazendo a coluna ela se diverte muito. É uma mulher que curte eventos sociais, chás com as amigas ricas, jantares, almoços. E, principalmente, casamentos. Romântica, Hilde adora um casamento. Nunca vi ninguém gostar tanto de um casamento como Hildezinha. Principalmente se for um casamento bem produzido e se os noivos tiverem sobrenome. Ela acha importante, para a cultura e a história do País, reverenciar as famílias tradicionais e os rituais que regem a vida daqueles que detém o poder e a fortuna. Hilde faz parte, de verdade, do mundo descrito na sua coluna. Ela mesma é uma granfina. Uma mulher rica, muita bem casada com um homem que a ama de verdade e a trata como uma princesa. Hilde merece.


Uma coluna social nem sempre agrada todo mundo. Alguns leitores acham que aquilo retrata um mundo de futilidades. Outros associam os ricos e poderosos a pessoas inescrupulosas e desonestas, o que nem sempre é verdade. Sendo assim, muitas vezes os leitores ficam ofendidos ou indignados com alguma posição adotada pela coluna ou pela colunista. E às vezes reagem de forma ofensiva. E sempre que as pessoas querem criticá-la ou magoá-la recorrem ao seu drama familiar para fazê-lo. Como é que você, filha da Zuzu Angel, escreveu isso ou aquilo. Esse é o expediente mais comum. Claro que isso já a magoou muito. Mas hoje em dia ela ri muito disso. Várias vezes, no JB, ela me chamou na sua sala para me mostrar o e-mail de algum leitor zangado que fazia referência a sua mãe. Certa vez, escrevendo sua coluna, Hilde perguntou o que eu achava de uma nota maliciosa que ela ia publicar no dia seguinte. Eu falei que a nota estava ótima, mas que ia render polêmica. Ela então deu uma gargalhada e comentou: Já vi que amanhã eu vou receber um daqueles e-mails zangados falando da minha mãe.


Que bom que Hilde está feliz com o lançamento do filme. Depois de tudo o que passou ela merece toda a felicidade do mundo.


1.8.06




Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. O conhecimento o ajuda a ganhar a vida. A sabedoria o ajuda a construir uma vida. - Bráulio Estima


OS REIS DO TATAME Xande Ribeiro foi o grande vencedor da maratona de artes-marciais que foi o XI Mundial de Jiu-Jitsu no ginásio do Tijuca Tênis Clube, de 26 a 30 de Julho. Roger Gracie mais uma vez foi vice-campeão. Nas edições anteriores Roger sempre ganhava todas as lutas, mas quando chegava na final acabava esbarrando no amazonense Ronaldo Jacaré, que sempre levava a melhor. Como esse ano Jacaré não competiu o que se dizia nos tatames da cidade é que Roger finalmente seria o vencedor. Eis que surge Xande Ribeiro, irmão do super campeão Saulo Ribeiro, que se consagra como o número 1 do torneio.


A luta entre Xande e Roger foi um evento. Cada um tinha sua própria torcida, já que são de academias diferentes. Roger é a estrela maior da academia Gracie-Barra. Xande é atleta da academia Brasa. Vibrantes e barulhentos, os torcedores ofereciam incentivo aos seus favoritos com gritos, berros, uivos, assovios e aplausos. Abre mais as pernas, Roger, berrava um torcedor. Não deixa ele sair dessa posição, Xandinho, grasnava outro. Enquanto isso os lutadores, esparramados no centro do tatame, parecendo alheios ao mundo à sua volta, executavam uma coreografia sensual feita de golpes e chaves. Pareciam feitos de borracha, tal a capacidade de contorcionismo dos corpos treinados com disciplina e obsessão. Às vezes parecia que os dois atletas eram uma só pessoa, tal a capacidade que tinham de se moldar aos caprichos do corpo do outro.


Leonardo Leite fez uma bela luta com Delson Pé de Chumbo. O atleta, que também é faixa-preta de judô, deu um show no campeonato. Leo leva a luta muito a sério. Para ele a prática das artes marciais é um exercício de caráter religioso. E sua atitude nos bastidores do torneio reforçava isso. Muito concentrado, se isolava de todos no intervalo entre as lutas. Ficava num canto atrás de um painel publicitário, o olhar perdido, parecendo alheio. Quando entrava na área de luta não olhava para ninguém, olhava para o além. Todos os seus sentidos estavam voltados para os golpes que pretendia usar a fim de dominar o adversário e submetê-lo à sua força. Foi a sua postura como praticante de Jiu-Jitsu que transformou a luta com Gabriel Napão numa disputa eletrizante. Uma disputa muita técnica, tanto na demonstração de força como na resistência aos golpes do adversário.


Roberto Tozzi foi outra grande figura do torneio. Tozzi é enorme. Fisicamente, parece um touro bonitão. Mas, ao mesmo tempo, é um sujeito doce, gentil. Ele não perde a doçura nem quando está rolando no tatame, disputando uma luta feroz com outro atleta. Tem um semblante sereno. Um sorriso afetuoso. Respeitoso com o adversário. Uma tranqüilidade de quem está ali participando de uma festa de confraternização entre amigos. Um autêntico Samurai.


Rodrigo Comprido é um dos atletas mais celebrados do Jiu-Jitsu. Ganhou a luta contra Ismael Mota, mas perdeu para Roger Gracie. Em ambas as ocasiões, sua atitude perante o resultado foi a mesma: tranqüilidade e profissionalismo. Rodrigo é dono de duas academias: uma no Rio outra em Búzios. Na academia de Búzios, uma casa em frente a praia de Geribá, ele dá aula apenas para atletas estrangeiros interessados em aprender os macetes do Jiu-Jitsu praticado no Brasil. Atualmente Rodrigo desenvolve um projeto interessante. Ele quer abrir em Ipanema uma academia de defesa pessoal apenas para gays.


Ismael Mota é um personagem do Posto Nove. No melhor estilo menino do Rio está sempre na praia conversando com outros lutadores ou admirando a beleza das garotas de Ipanema. É gaúcho e está no Rio tentando a sorte como atleta de lutas. No XI Mundial ele ganhou a primeira disputa, mas perdeu a segunda para Rodrigo Comprido. O juiz me roubou!, dizia ele, chateado, no vestiário do estádio.


Bráulio Estima é puro carisma. O lutador pernambucano de 26 anos é ágil e rápido. Um atleta que sabe levar o combate para o lado que quer. Bráulio também sabe conduzir a platéia. Se ele fosse um artista de teatro eu diria que ele tem timming. Numa luta de muita categoria derrotou Delson Pé de Chumbo, colega de academia, por seis pontos a quatro. Vive entre o Brasil e a Inglaterra, já que é professor de Jiu-Jitsu numa academia em Birmingham. Bráulio Estima também é um rapaz muito bonito, como todos podem ver na foto acima. E ainda tem esse nome encantador.


Danilo Índio deu show na faixa marrom. Apesar do corpo magro tem muita força e uma grande capacidade de se livrar dos golpes dos adversários. Danilo também luta Vale Tudo e participou do Jungle Fight 6, em Manaus. É um atleta que luta para o pai, seu maior ídolo, um homem chamado Índio, que no passado foi um grande lutador, contemporâneo do velho Hélio Gracie. Índio, o pai, estava na platéia e isso já deixou o atleta emocionado. E cheio de gás na disputa com os adversários.


Robert Drysdale nasceu nos EUA e veio morar no Brasil quando tinha dez anos. Se identificou de imediato com os encantos do País Tropical e com a mais brasileira das artes marciais: o Jiu-jitsu, arte marcial que começou a praticar em 1998. Quando os pais voltaram para a América ele optou por ficar no Brasil. Atualmente Drysdale mora em Itu, cidade do interior de São Paulo, onde tem uma academia. Enfrentou com garra Roger Gracie, mas não resistiu aos ataques da fera.


Marcio Feitosa está morando em Los Angeles, mas fez questão de vir ao Rio participar do Mundial. Veterano do torneio, o atleta está radicado nos EUA, que se tornou um disputado mercado de trabalho para brasileiros praticantes de Jiu-Jitsu. Na primeira luta Marcio machucou a cabeça, então, na segunda, lutou com a cabeça toda enfaixada. Ficou engraçado. Parecia que o sujeito estava lutando com um turbante.




AQUI fotos do XI Mundial de Jiu-Jitsu





OS REIS DO TATAME – O adolescente Kron Gracie venceu seis lutas seguidas e está se preparando para seguir os passos do pai, o mítico Rikson Gracie, ainda hoje o mais bem sucedido dos lutadores brasileiros. Não teve jeito. Depois de finalizar todos seus oponentes na Copa do Mundo, Kron repetiu a dose e finalizou seis adversários no XI Mundial de Jiu-Jitsu. Com isso, Kron faz um saldo de onze finalizações, e ganhou a faixa marrom depois da final, dada pelo tio Royler Gracie. Pega que é tua garoto!, gritou o tio. Até receber a faixa marrom, Kron ainda passou por José Eduardo, da Academia Carlson Gracie e na final enfrentou Daniel Trindade, da academia Oswaldo Alves, de Manaus. Mas se os dez adversários bateram antes dos dez minutos, Trindade endureceu e chegou a pontuar, com uma raspagem. Kron reverteu o placar e quase finalizou numa chave-de-pé, bem defendida por Trindade. Na seqüência, Kron raspou, passou a guarda e pegou as costas, de onde obrigou o amazonense a bater aos 6min10s.






OS REIS DO TATAME – Fora da área de luta, nas arquibancadas e platéia, o clima era de muita festa e confraternização. Grandes astros das artes marciais circulavam no estádio do Tijuca Tênis Clube, dando prestigio e glamour ao torneio. Saulo Ribeiro torcendo muito pelo irmão Xande Ribeiro. Márcio Pé de Pano incentivando os atletas da Barra-Gracie. Ronaldo Jacaré, Carlão Barreto, Bebeo Duarte, Juan Jucão. O super astro do Vale Tudo Wanderley Silva muito cumprimentado por todos. Royler Gracie com a mulher Vera. Ricardo Macchi, o eterno cigano Igor da novela, matando saudades dos tempos de lutador. A lutadora japonesa Kanako Inaba filmando tudo com sua cãmera. Sem esquecer o pessoal da imprensa especializada, como o jornalista Marcelo Alonso que fotografava tudo para a revista Tatame. Comandando a festa Carlos Gracie, o presidente da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu.






OS REIS DO TATAME - Os jornalistas Hashimoto Kinya e Go Matsuyama foram achacados por policiais quando voltavam do estádio do Tijuca Tênis Clube e iam para Copacabana. O taxi em que estavam foi fechado por uma viatura da Policia Militar. Os soldados fardados revistaram a bolsa e a carteira dos rapazes. Tocaram o terror e disseram que iam ter que levá-los presos porque eles estavam sem os passaportes. Caso eles não quisessem ser presos teriam que dar dinheiro. Os japoneses então ofereceram cem reais. Os policiais disseram que eles tinham mais dinheiro na carteira e acabaram levando quatrocentos e cinquenta reais.

No Rio de Janeiro está assim. Quando o sujeito não é assaltado pelos bandidos é assaltado pela policia. Hashimoto e Go estavam indignados no último dia do campeonato. Rio never more! bradava Hashimoto repetidas vezes num engraçado ingles com sotaque japones. Essa é a quinta vez que a dupla vem ao Rio cobrir o Mundial de Jiu-jitsu para a revista GONG uma das mais importantes publicações de artes marciais do Japão.