24.1.07




Governe sua mente em vez de ser governado por ela.






O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO – O patético Secretário de Turismo Eduardo Paes se mostra indignado porque, segundo o jornal inglês The Guardian, militares americanos estariam vindo fazer turismo sexual no Rio de Janeiro, no período de férias da Guerra do Iraque. Paes disse aos jornais que vai procurar o Itamaraty e o Consulado dos EUA. Caso seja comprovado o turismo sexual vai tomar providências drásticas. Calma, bicha! Ué? Qual o problema dos militares americanos virem ao Rio atrás das mulheres cariocas? Não é o próprio governo federal quem afirma, em suas propagandas, que o melhor do Brasil é o brasileiro? Então...

Eu posso até imaginar os soldados dos EUA metralhando mulheres e crianças no Iraque, aterrorizando o povo de Bagdá com suas armas último tipo, enquanto sonham com uma noite de amor com uma bela carioca vestida apenas com um biquíni modelo fio dental.

Eduardo Paes faz coro com os conservadores e falsos moralistas que criticam aquilo que chamam de turismo sexual. Puxa vida! Todo turismo é sexual. Faz parte do anseio de um turista que visita qualquer país conhecer biblicamente um habitante do lugar que está visitando. Qualquer turista solteiro heterossexual que visita a França tem a fantasia de transar com uma francesa. É perfeitamente natural que homens solteiros que visitam o Brasil queiram conhecer intimamente o gingado da mulher brasileira.

A canção Garota de Ipanema, uma das músicas mais tocadas em todo mundo, faz uma descrição sensual da mulher brasileira. As imagens das mulheres nas praias do Brasil, com seus biquínis mínimos e seus glúteos arrebitados, fazem parte das fantasias sexuais de todos os homens do planeta. Sem esquecer das mulheres seminuas sambando nos desfiles das escolas de samba, um dos nossos maiores cartões postais. O Brasil é vendido lá fora como um país de muita sensualidade. E isso é ótimo. Primeiro, porque é verdade. O povo brasileiro é mesmo muito sensual. Segundo, porque isso é uma coisa bacana. Como costuma dizer a cantora Marina Lima, sexo é bom!

É perfeitamente natural que os soldados americanos queiram vir conhecer a sensualidade das nossas morenas, negras e louras. Os moralistas mal comidos esbravejam que isso é um estímulo a prostituição. E que esse tipo de turismo é degradante para nossas mulheres. Discordo em gênero, número e grau. O fato dos soldados americanos desejarem os corpos das brasileiras não diminui em nada as nossas mulheres. Pelo contrário. Com perdão do trocadilho, isso só mostra o poder de fogo das brasileiras.

Viva a mulher brasileira! Os pacifistas deveriam mandar fazer cartazes com fotos de belas cariocas vestindo seus mínimos fios dental, de costas, naturalmente, com os dizeres: deixem os iraquianos em paz. E enviar essas fotos para todo o contingente militar de George W. Bush. Talvez assim conseguissem acabar com essa guerra infeliz.

A reportagem do The Guardian cita em sua matéria, como principais atrativos da cidade, os bares, as boates e a termas Centauros, um clube de sexo localizado na rua Canning, em Ipanema. O lugar significa para os homens heterossexuais o mesmo que a Disneylândia significa para as crianças: um mundo de sonhos e fantasias sem fim. Algumas das garotas mais bonitas da Cidade Maravilhosa cobram em torno de R$ 200 por uma hora de sexo caliente com direito a serviço completo. A Centauros é freqüentada por turistas de todo mundo e também pelos homens mais cobiçados do Rio de Janeiro. A elite do futebol carioca, atletas, esportistas, jornalistas, empresários, artistas de novela. Homens que ninguém imaginaria que pudesse se dispor a pagar para transar são fregueses assíduos do clube.

Os lutadores de jiu-jitsu estrangeiros que vêm treinar no Brasil ficam loucos quando vão a Centauros. Muitos atletas da Europa e Estados Unidos que vêm fazer treinamento com equipes brasileiras já deixam reservada uma noite para ir a termas. No ano passado, durante o Jungle Fight, quando o lutador peruano Tony de Souza ganhou a luta, nos corredores do Hotel Tropical só se comentava que ele ia pegar o dinheiro do prêmio e gastar todinho na Centauros. Foi lá em Manaus que um cacique das artes marciais me contou que a termas é um lugar mitológico para os lutadores estrangeiros que visitam o Rio. Um turista solteiro que venha passar dez dias na cidade não tem tempo suficiente para conhecer uma moça, namorar, levar para jantar, até o momento em que aconteça a relação sexual. Se o cara quiser saber como a carioca é na cama ele vai ter que apelar para as garotas de programa. Qual o problema?

É ridícula a indignação de Eduardo Paes e de todo o coro de conservadores e moralistas que querem excluir o sexo das atrações turísticas da cidade. Desde sempre o Rio transpirou sexo. Tanto quanto o Pão de açúcar, a praia de Ipanema, a Lapa e o Corcovado, a bunda da mulher carioca sempre há de ser uma de nossas maiores atrações turísticas. Isso só faz corroborar com a afirmação do governo federal de que o melhor do Brasil é o brasileiro. Nesse caso é mesmo!


O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO – Não é só a mulher brasileira que é alvo das fantasias sexuais dos turistas. O homem brasileiro também goza (oba!) de excelente fama entre gays e mulheres de todo o mundo. É uma verdade absoluta: a sensualidade faz parte do DNA do nosso povo. Um dos maiores atrativos para os gays que visitam o Rio são os rapazes cariocas, considerados bonitos, sensuais e disponíveis.

Da mesma forma que existe a Centauros para os heterossexuais, existe a termas 117, na rua Cândido Mendes, na Glória, que atende aos homossexuais. Num amplo casarão funciona um centro de diversão para gays onde se encontram alguns dos mais belos exemplares do homem carioca. Bonitões do subúrbio, gostosões da Baixada, pauzudos de Niterói, atletas da Tijuca, garanhões do Méier, playboys da Rocinha, sacanas de Nova Iguaçu... Por um cachê de R$ 100 eles fazem tudo que os gays gostam: ativo, passivo e versátil. É por isso que o Calvin Klein não sai de lá!

Calvin Klein, o famoso estilista americano, é freqüentador assíduo da termas 117. Como muitos gays estrangeiros, ele também acha que o melhor do Brasil são os homens brasileiros, que considera sensuais, másculos e selvagens. E é mesmo. Quando está no Rio um dos programas favoritos de tia Calvin é se divertir na 117. Gulosa e rica, ela costuma subir para as confortáveis cabines do terceiro andar com três ou quatros garanhões cariocas, a quem costuma contemplar com generosos cachês em dólar. Não é uma maravilha? O bofe deixa mulher e filho no subúrbio, vai fazer a vida na zona sul e volta para casa com a carteira recheada de dólares. Calvin Klein é um sujeito que concorda com a afirmação de que o melhor do Brasil é o brasileiro. Ele sabe disso melhor do que ninguém...




AMOR MAIS QUE DISCRETO – Uma inédita canção de amor homossexual é uma das atrações do repertório do show de Caetano Veloso para promoção do disco . A singela Amor mais que discreto foi composta quando o disco já estava pronto e teve como fonte de inspiração a música Ilusão à toa, do compositor de Jazz e Bossa Nova Alfredo José da Silva, mais conhecido como Johnny Alf, um dos maiores artistas gays do Brasil.

Johnny Alf devia publicar sua biografia e contar para quem ele escreveu os versos de Ilusão à toa, uma singela declaração de amor não correspondido. Desde sempre Johnny Alf foi um exímio pianista adorado por todos os compositores da Bossa Nova. Nessa época Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Nelson Motta e Marcos Valle, entre outros, eram alguns dos homens mais bonitos do Brasil. Eles eram lindos. Deslumbrantes. Verdadeiros sonhos de consumo. E Johnny Alf, o único gay da turma, vivia sendo paparicado por todos eles, graças ao seu talento como músico, compositor e arranjador.

Johnny Alf varava as noites tocando piano com Tom Jobim na época em que Tom parecia um galã de Hollywood de tão lindo. Bebiam muito uísque e compunham e faziam arranjos pela madrugada adentro. Alf foi amigo de Ronaldo Bôscoli que era machão ao extremo. Fazia pescaria com Menescal, que também era um galã da época. E tinha o Marcos Valle, que era apenas um surfista adolescente quando procurou o respeitado Alf para lhe mostrar suas primeiras canções. Não é possível que circulando com tanta desenvoltura por entre homens tão maravilhosos Johnny Alf não tenha feito pelo menos um boquete.


No seu livro Noites Tropicais Nelson Motta conta que, nas tertúlias musicais promovidas por sua mãe, dona Cecília Motta, na época da Bossa Nova, o Johnny Alf sempre aparecia na sua casa acompanhado de um garotão bonito. Foi a única vez em que houve um comentário público sobre a homossexualidade do pianista. Muito discreto na sua maneira de ser, Johnny Alf só dá pinta nas letras de suas músicas. Ilusão à toa não é a sua única canção com conotação gay. Eu e a brisa, seu maior sucesso, é considerado um verdadeiro hino para os gays dos anos 60.

Será que foi só a música de Johnny Alf que inspirou Caetano Veloso? Ou será que depois de ter se separado de Paula Lavigne o astro baiano resolveu curtir um amor que não ousa dizer seu nome?






AMOR MAIS QUE DISCRETO (Caetano Veloso)

Talvez haja entre nós o mais total interdito
Mas você é bonito o bastante
Complexo o bastante
Bom o bastante
Pra tornar-se ao menos por um instante
O amante do amante
Que antes de te conhecer
Eu não cheguei a ser

Eu sou um velho
Mas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha

Os livros, filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal
eu chegasse a ver que você vinha
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já uma alegria
Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu antes, seu agora, seu depois
Sem ser remotamente
Sequer imaginado
Por qualquer de nós dois






ILUSÃO À TOA (Johnny Alf)

Eu acho engraçado
Quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância
Que me extasia

Meus olhos sentem
Minhas mãos transpiram
É um amor que eu guardo há muito
Dentro em mim
E é a voz do coração que canta assim
Assim

Olha, somente um dia
Longe dos teus olhos
Trouxe a saudade do amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho

Mas embora agora eu tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa


23.1.07




Nada assenta melhor ao corpo do que o crescimento do espírito.






PET SHOP BOYS CANTAM NO RIO - A dupla Pet Shop Boys faz show no Rio dia 14 de Março. A apresentação faz parte de uma turnê sul americana para promover Fundamental, último disco lançado pelo grupo e incluem apresentações em Bogotá, Buenos Ayres e Santiago. No Brasil os meninos se apresentam em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. O concerto carioca será no Claro Hall, o mesmo lugar onde eles se apresentaram da primeira vez em que vieram ao Rio.

Fundamental, o CD lançado no ano passado, é uma obra-prima. Mas, qual dos discos dos meninos não é uma obra-prima? Desde que surgiu em 1986 com o disco Please, e o hit West End Girls que a dupla só lançou discos fundamentais para quem curte música pop. O que dizer de Behavior, o disco que tem Being Boring, umas das mais belas canções dos anos 90? E o CD Very, que apresenta a regravação de Go West do Village People? E o Actually que contem a música What Have I Done to Deserve This? E o fantástico Introspective que tem a música Domino Dancing? Foram pioneiros da música eletrônica, mas, ao contrário dos cultores desse gênero musical que sempre apostaram num som pesado, eles optaram por investir em acordes sofisticados, em melodias elegantes, quase sinfônicas. Nas letras e na atitude buscaram inspiração em Oscar Wilde, Scott Fitzgerald e Tchaikovski e sempre adotaram uma elegante postura gay.

Fundamental é um disco impecável. As músicas têm aquela sofisticação comum a todos os trabalhos dos meninos. Mas, é importante destacar Numb, a faixa mais instigante do CD, uma canção absurdamente romântica que parece ter saído de um livro de Jane Austen. Também são desse CD músicas comoventes como Luna Park e Casanova in Hell. Junto com o disco Fundamental foi lançado apenas nos EUA e Inglaterra um CD bônus chamado Fundamentalism, que tem alguns remixes da obra dos artistas e inclui o hit In private, que tem a participação de Sir Elton John. A canção Flamboyant, (letra abaixo) uma das mais bonitas de Neil Tennant e Chris Lowe também faz parte do Fundamentalism.

You live in a world of excess
where more is more and less is much less
A day without fame is a waste and
a question of need is a question of taste

You're so flamboyant the way you look
It gets you so much attention
Your sole employment is getting more
You want police intervention
You're so flamboyant the way you live
You really care that they stare
And the press deployment is always there
It's what you do for enjoyment

You live in a time of decay
when the worth of a man is how much he can play
Every day all the public must know where
you are, what you do 'cause your life is a show and

You're so flamboyant the way you live and
it's not even demeaning
You're so flamboyant It's like a drug
you use to give your life meaning
You're so flamboyant
The way you look It gets you so much attention
Your sole employment
Is getting more
You want police intervention

Every actor needs an audience
Every action is a performance
It all takes courage You know it
Just crossing the street
well, it's almost heroic
You're so flamboyant

There you are at another preview
In a pose the artist and you
To look so loud may be considered tacky
Collectors wear black clothes by Issey Miyake

You're so flamboyant the way you look
It gets you so much attention
Your sole employment is getting more
You want police intervention
You're so flamboyant The way you live
You really care that they stare
And the press deployment is always there
It's what you do for enjoyment

You're so flamboyant
You're so flamboyant








UMA LÁGRIMA PARA MEG GUIMARÃES – Semana passada houve luto entre os pioneiros dos blogs no Brasil. É que morreu a blogueira Meg Guimarães, umas das pessoas que, de certa forma, formatou o blog brasileiro. Meg escrevia o Sub Rosa, um dos mais charmosos diários virtuais já feitos no Brasil. Além disso, ela era uma presença constante nos demais blogs, sempre fazendo um comentário ou mandando um e-mail com sugestões, críticas ou observações. Havia sempre um tom afetuoso e familiar nas suas intervenções. Numa época em que ninguém sabia o que era blog, num mundo em que, quando a palavra blog era citada as pessoas perguntavam o que era aquilo, Meg Guimarães já reinava absoluta com o seu Sub Rosa, fazendo comentários sobre filmes, acontecimentos, músicas e escritores, sempre com um humor delicado e uma envolvente força existencial.


No início de 2005 eu fiz um comentário sobre o Sub Rosa. Disse que apesar do crescimento do número de diários virtuais, o blog da espevitada Meg Guimarães continuava sendo um dos mais interessantes da web. Ela se divertiu muito com o fato de eu tê-la chamado de espevitada e escreveu algo a respeito no Sub Rosa. Nós nunca chegamos a nos conhecer pessoalmente, mas tínhamos um carinho muito bacana um pelo outro, na base do nunca te vi, sempre te amei. Fiquei muito triste quando soube da noticia.

Em 23 de Fevereiro de 2005, no seu Sub Rosa, Meg Guimarães dedicou um simpático texto a esse blogueiro. Ela escreveu o seguinte:

"Antes da hora, não é hora; depois da hora, não é mais hora; só é hora na hora.", do blog do Waldir Leite.


Bom, eu acho que o nosso QUIZ está sendo o maior sucesso, porque vi que vocês, meus amores, nem quiseram comentar aí no post abaixo com a rosa que ganhei do meu querido Gravatá (sei que os amigos ficaram felizes por mim, certo?);-) -e em que eu coloquei os poemas maravilhosos de Eugénio de Andrade; de José Carlos Ary dos Santos e de Mario Cesariny. Compreendo!;-) vocês ficaram paralisados de emoção, certo? Pois bem, eu dediquei os poemas ao estupendo jornalista ( Jornal do Brasil) WALDIR LEITE, responsável por artigos de peso como foi a matéria sobre Dom Helder Câmara:"O SANTO REBELDE". no domingo passado. Awesome! Simplesmente emocionante! No Caderno H

Às vezes, ser muito discreta resulta em injustiça, e creio que esse foi o caso. Waldir é dono de um dos blogs mais acessados da blogosfera, por todos que querem ficar bem-informados, antenados; enfim saber *aqueeela* informação que você não encontra em lugar nenhum; que você ouvia falar, mas não tinha confirmação. Tá tudo lá. Informações sobre um show que bombou? Lá voce encontra: o aquecimento; as infos stage and backstage; making of e pós-produção, quem, quando, como e onde, quando saíram, as esticadas etc... É um hapenning.
E, como se não bastasse, ele possui as duas qualidades que admiro em jornalistas: o humor e a capacidade de indignação. E - além do mais - Waldir é escritor.
Sempre fui sua admiradora à distância, discreta, uma fã encantada, transitando entre aquele universo mágico do blog e a contundência do jornalista.
Aí como Deus é Pai, e nem tudo são espinhos:-) - eis, para meu deleite, uma nota sobre o SubRosa onde...? E-xa-ta-men-te! Leia lá, no blog. E eu, moça tímida e recatada, fiz o que faço sempre. O quê de mais belo? Poesia! E ainda mais que Waldir é amigo de amigo meu. Waldir é amigo do meu querido professor - um dos mais 'essenciais' filósofos e poetas dessa Terra Brasilis e da Portogalia que é ANTÔNIO CÍCERO, um dos melhores professores que já tive, que me ensinou a ler os gregos (os mitos, em especial)de uma perspectiva absolutamente trágica, poiétika; a contrapelo; another shape! , não-socrática. Ele é demais, um verdadeiro despertador de consciências (Gente eu fuui discretíssima, agora me empolguei;-)
Ah sim ele -( não o Antônio Cícero), o Waldir numa linda nota: SUB ROSA (uma rapsódia em azul) me chamou de espevitada...:-)
O que os meus 13, 14, ou 15 fiéis acham? Espevitada?! Sou-o?;-))
Então é isso.



19.1.07




O que está para trás e diante de nós são pequenos detalhes se comparados
com o que se passa dentro de nós.





O NOME DELA É ESTER – Quando Madonna se tornou uma discípula do judaísmo e começou a estudar a Cabala mudou o seu nome para Ester, em homenagem a essa mulher que é um dos mais fascinantes personagens da Bíblia. Alguns fãs, por se acharem muito íntimos da estrela, costumam chamá-la simplesmente de Ester, a soberana da Babilônia cuja beleza sempre esteve à altura de sua imensa sabedoria. Agora os fãs de Madonna vão poder saber tudo sobre Ester, a rainha que salvou o seu povo. É que a editora Record está lançando O QUARTO DOURADO, romance da escritora americana Rebecca Kohn.

A história bíblica da rainha Ester, invejada por sua perseverança, charme e beleza incomparável, igualada apenas por sua intensa sagacidade, inspirou mulheres ao longo dos séculos. A trajetória desta que é uma das figuras mais admiradas do Antigo Testamento, e uma das mulheres mais poderosas da Bíblia, ganha contornos de romance histórico através do texto de Rebecca Kohn .

Capturando as paixões e intrigas políticas que tornaram o legado de Ester atemporal, O QUARTO DOURADO cria um complexo e convincente retrato da pessoa por trás do mito. Com acurada pesquisa histórica e riqueza de detalhes, a autora recria as particularidades do Império Persa. E reinventa a vida da rainha que saiu dos estratos sociais inferiores da Babilônia para se transformar na pessoa mais querida do rei e salvar seu próprio povo da destruição.

Órfã e aterrorizada, Ester, nascida em Hadassah, precisa esconder sua origem ao começar uma nova vida com o primo, um homem bem posicionado na corte, a quem está prometida. Sua beleza estonteante chama a atenção e logo ela é raptada para o harém real. E é na luxúria desse mundo proibido que se transforma em mulher. Ester conquista o que procura: o coração do Rei Xerxes e a libertação do seu povo. Mas a sua ascensão ao trono tem um preço: terá que voltar às costas a tudo o que alguma vez desejou, e entregar o corpo a um homem que nunca amará.

Inspirado em uma heroína lendária, O QUARTO DOURADO levanta questões instigantes a respeito do preço da liberdade e das relações de poder entre homens e mulheres. Ilumina de forma assombrosa um dilema épico entre os desejos do coração de uma mulher e as obrigações impostas pelo seu destino.

Rebecca Kohn nasceu em Chicago. Desde criança, alimentava o sonho de se tornar escritora, o que logo a levou a escrever contos e poemas. Formou-se em literatura inglesa, com especialização na ficção do período vitoriano e nos poetas do Romantismo. Após sair da faculdade, trabalhou como editora em um periódico de economia e finanças. Segundo a autora, o convívio diário com números e fórmulas a tornou uma pesquisadora meticulosa e exigente, o que a ajuda a escrever seus romances.


O QUARTO DOURADO (trecho do livro)

Fui conduzida à presença do rei Xerxes no seu palácio real, no décimo mês, que é Teveth, no sétimo ano de seu reinado. Mas eu não fui levada a ele naquela primeira noite no meu próprio corpo. Eu era uma deusa, uma suma sacerdotisa de Ishtar, uma estátua, uma virgem. Eu falei muito, eu me calei. Estava ansiosa por servi-lo. Estava relutante. Estva preparada para o que quer que o rei desejasse que eu fosse. Mas minha carne não era minha. E eu não traí Mardoqueu sendo eu mesma. Caminhamos até o harém, atravessamos o salão, e passamos por outra porta guardada por um soldado que ia dar num corredor. A opulência do palácio do rei excedia em muito dos aposentos de Hegai. Ricas tapeçarias em lã cor de violeta pendiam de varetas de prata do comprimento de dois homens. O tapete sob meus pés era macio e grosso como um colchão estofado de penas. Estátuas de mármore branco polido, a maioria de mulheres nuas, estavam postadas a intervalos regulares. Muitas dela, como vim a saber mais tarde, eram despojos de guerra contra os gregos.

Paramos na extremidade de um grande pátio interno. Tirei de dentro da capa o jarro de vinho que Hegai tinha me dado para que eu me acalmasse. Um dos eunucos ergueu seu véu para que eu pudesse beber, depois pegou o vinho e colocou-o sobre a mesa. Centenas de velas de sebo iluminavam o pátio com um tal brilho que parecia de manhã. Pude ver o calçamento, um mosaico de lápis-lazuli e madrepérola. Flores de lótus brancas flutuavam numa grande bacia de mármore no centro do pátio. Nos cantos mais escuros havia divãs dourados e prateados, e ramos de jasmim enroscavam-se pelas colunas de alabastro. (...)

Os homens resmungaram pela demora em se tirar o véu que me cobria, mas o rei fez sinal para que se sentassem e ficassem calados. Quando ele se aproximou criei coragem dizendo a mim mesma pa ser forte por Vadhut, Freni e Puah. Não tremi quando ele desnudou meus seios e minha cabeleira dourada, mas meus ossos estavam se desmanchando como uma folha seca. Olhei-o nos olhos como se fosse sua igual. E o vi amansar diante de mim como se fosse um simples pastor e eu, a deusa, o tivesse em minhas mãos.

A própria Ishtar não ficaria mais satisfeita com a beleza daquele imponente mortal: sua testa larga, seus olhos escuros e profundos, seu nariz forte, seu quixo resoluto. Cada uma de suas pernas era grossa como um cedro-do-líbano, e seus ombros eram largos como os rios da Babilônia. Sua barba era uma floresta de zimbro perfumado.Com os olhosele beijou cada febnda do meu corpo. Os outros homens desapareceram da minha visão. O rei ergueu os dedos e acariciou meus seios nus como se fossem frutos proibidos. Meus ossos se dissolveram em mel. Ele se afastou de mim. Tragam-na para o meu quarto, ordenou o rei.



TURISTAS NO RIO – Logo abaixo tem um post com esse mesmo título em que narro algumas aventuras de turistas que foram assaltados por policiais do Rio de Janeiro. Impressionado com o que leu um rapaz de Curitiba me mandou um e-mail contando sobre uma de suas lembranças da cidade. Assim:

Waldir, o Rio é realmente lindo, mas a polícia é uma merda. Em outubro do ano passado, fui com meu namorado passar uns dias na cidade maravilhosa (somos curitibanos). Saímos de um pub em Copacabana, por volta das 3h da manhã e fomos, de taxi, para a pizzaria Guanabara. No caminho fomos abordados por um carro da polícia, que já foi logo perguntando para o taxista: "é gringo??" Com a negativa, fomos apenas revistados e seguimos viagem... Decepcionante... Sempre leio teu blog e adoro as histórias! Abraço, Rafael


18.1.07






O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Portanto,
cuidado com o que planta
.

DECADENCE AVEC ELEGANCE Flávio Canto, o top medalhista olímpico, um dos homens mais chiques e elegantes do Rio de Janeiro, foi o destaque na primeira fila do desfile da TNG. A presença do atleta do judô deu um toque de classe aos eventos do Fashion Rio. Bem humorado e alto astral ele contou que tem treinado com afinco para fazer bonito no PAN. Mas o assunto favorito do rapaz é o seu projeto social na Rocinha. Sua preocupação em ajudar jovens carentes através do judô é algo verdadeiro e sincero. Desde a primeira vez que eu o entrevistei para o Jornal do Brasil, antes das Olimpíadas de Atenas, que ele só falava dos seus alunos da Rocinha. Flávio foi ao Fashion Rio a convite da OI, empresa que patrocina o festival de moda e que também é patrocinadora do atleta. Ao me encontrar, na entrada da tenda onde foi realizado o desfile, ele me deu um abraço bem apertado. E esse abraço foi, para mim, a melhor coisa que aconteceu no Fashion Rio.

O desfile da TNG foi bacana. A moda masculina tinha inspiração militar nos jeans esverdeados, nas jaquetas de cortes geométricos e nos acessórios usados pelos meninos. A moda feminina parecia inspirada nas espiãs russas da literatura policial. Golas rulês, saias rodadas, capas e casacos compridos que davam um ar de mistério as garotas. A entrada de Reynaldo Gianechini na passarela provocou frissom no público feminino. Vestindo jeans, sem camisa e uma enorme e esvoaçante capa colorida, ele lembrava um super-herói. Curiosamente, o ator parecia pouco à vontade nas roupas que usava. O figurino de sua última entrada na passarela o deixou muito deselegante. Eu não estaria exagerando se dissesse que ele estava cafona. Quem manda...






DECADENCE AVEC ELEGANCE – Foi um suspense digno de Alfred Hitchcock o desfile de Sta Ephigênia. Parecia que a platéia estava assistindo a um filme de terror no momento em que o sanguinário vilão se prepara para atacar a mocinha. Foi nesse clima que a platéia assistiu a moda outono-inverno criada por Marco Maia e Luciano Canale. É que os criativos estilistas obrigaram as meninas a desfilarem usando saltos plataforma altíssimos. Os mais altos que alguém possa imaginar. Não satisfeitos com isso eles substituíram a passarela tradicional por uma ponte com o piso muito liso. A platéia assistiu ao desfile achando que a qualquer momento as modelos iam escorregar e cair. O que quase aconteceu com uma delas. Nesse clima ninguém conseguiu prestar muita atenção nas roupas de gosto duvidoso. O fato é que os pavorosos saltos plataforma destruíram o desfile da Santa Ephigênia. Uma pena.






DECADENCE AVEC ELEGANCE – “Os meus vestidos longos são realmente longos. E os curtos são realmente curtos”. Foi com essa frase de profunda inteligência, exibida no telão antes do desfile, que a estilista Eliza Conde apresentou a sua coleção outono-inverno 2007. Apesar da retórica de araque o desfile chamou atenção pelo bom gosto, sofisticação e elegância. As roupas eram lindas, delicadas, femininas. Os esvoaçantes vestidos longos mereciam ser premiados pela criatividade contida. Os detalhes e o acabamento todos feitos sob medida. Um luxo só.

A estilista Eliza Conde é filha do ex-prefeito do Rio e atual Secretário das Culturas Luiz Paulo Conde. A presença do político esperto na primeira fila do desfile da filhota agitou os jornalistas e fotógrafos presentes ao evento. O pessoal da imprensa cercou o sujeito como urubus na carniça. E essa figura de linguagem é perfeita para definir o que são os jornalistas, uns urubus, e o que é Luiz Paulo Conde, uma carniça.

A imprensa carioca precisa ser mais crítica. Deram ao Conde um tratamento de celebridade e estrela quando deveriam ter lhe virado às costas. Luiz Paulo Conde é um dos responsáveis pelo estado lastimável em que se encontra o Rio de Janeiro. Na época em que foi prefeito ele apenas seguiu a cartilha do César Maia e permitiu o crescimento das favelas e a invasão de áreas de proteção ambiental. Vamos nivelar por baixo! Esse parecia ser o lema do seu anti-governo. O glutão nunca fez nada pela segurança pública. Governou a cidade como um marajá fazendo acordos políticos espúrios que foram de encontro aos interesses da população. Um político sórdido que, como administrador, só conseguiu administrar seus próprios interesses.

Luiz Paulo Conde foi secretário da Rosinha Garotinho. Sua habilidade como político é tanta que ele saiu de uma quadrilha e entrou em outra. Agora é Secretário das Culturas do governador Sergio Cabral. Poxa! Com tanta gente no Rio de Janeiro com preparo na área cultural o Sérgio Cabral escolheu para gerenciar essa área um político que está apenas utilizando sua atuação na secretaria como plataforma para tentar se reeleger prefeito no próximo ano. Só isso já demonstra a má fé que está por trás do discurso de Sergio Cabral.

No mesmo dia em que Conde foi incensado pela imprensa deslumbrada que cobre o Fashion Rio a ex-miss Brasil Leila Schuster foi atacada por dois ladrões quando se dirigia ao desfile da Alessa, numa concessionária de veículos em Botafogo. Os bandidos, numa moto, puxaram a bolsa da mulher. Como a bolsa se enroscou na mão dela os pilantras a esfaquearam. Nenhum jornalista se lembrou de perguntar ao Conde o que ele tinha achado do episódio. A polícia, lacônica como sempre, limitou-se a dizer que os bandidos são menores de idade que atuam na região. Eles sabem disso e não fazem nada porque os filhos da puta são menores de idade. Aqui no Brasil os menores de idade são tratados como a vaca é tratada na Índia. Se na Índia a vaca é sagrada aqui no Brasil os menores são sagrados e ninguém pode fazer nada contra eles. Que merda!






DECADENCE AVEC ELEGANCE O lugar mais fervido do Fashion Rio é o estande da OI, a patrocinadora do evento. O lugar é aconchegante, tem um DJ incrível que toca house music com remixes de Justin Timberlake, Pet Shop Boys e Scissor Sisters. Ali a bebida é farta, as comidinhas são tudo de bom e os funcionários da empresa são educados e gentis. É para o estande da Oi que vão os modelos bonitões quando acabam os desfiles. É lá que eles vão flertar com as cobiçadas tops que circulam no pedaço e com as meninas bonitas que sonham serem descobertas por algum produtor de moda. A azaração é o ponto forte do lugar que, a partir das oito da noite, fica lotado. Nos intervalos dos desfiles eu sempre dou uma passada no estande da OI para fazer um lanchinho, tomar um drinque e ver o movimento do povo fashion. É o melhor estande do lugar. Na quarta-feira dei uma passada lá depois do desfile da TNG. O lugar estava super lotado, mas, como eu sou vip, pude entrar sem nenhum problema.

O segundo estande mais badalado do Fashion Rio é o do Jornal do Brasil. O jornal pode estar indo mal das pernas, mas o estande do JB sempre é um dos mais animados do festival de moda. Principalmente agora que ninguém corre mais o risco de encontrar a Ana Tahan dando pinta por lá. Os brindes do JB são super concorridos. Todas as mulheres queriam ganhar uma bolsa colorida que as bonitas recepcionistas distribuíam para os convidados. Coordenando tudo a sempre simpática Tânia Caldas, uma pessoa que sempre vale a penar encontrar nos eventos sociais.






DECADENCE AVEC ELEGANCE – O que mais gosto do Fahion Rio é o movimento social. É divertido encontrar pessoas que raramente vejo. Dei boas gargalhadas com o Amin Khader, pois vimos o desfile da marca Reserva juntos. Como é uma grife de moda masculina, na passarela só havia rapazes lindos. Que bofe é esse?, perguntava Amin cada vez que um bonitão entrava na passarela. Ai que tórax!, esbravejou ele quando um belo garotão entrou na passarela com um casaco aberto no peito. E que peito! As roupas da Reserva são incríveis. Tem cortes masculinos e um acabamento perfeito. As camisas são tão lindas quanto as que Jay Gatsby, o personagem do livro O grande Gatsby usava. Moda também é cultura!

Ronald Villardo também é uma figura. Assisti o desfile da Elisa Conde ao lado dele. Ronald deu uma enorme gargalhada quando a estilista, no vídeo de apresentação antes do desfile, disse a frase que marcou a sua apresentação. Os meus vestidos longos são realmente longos. E os curtos são realmente curtos, disse a modista, provocando um ataque de risos no jornalista. Ronald é inteligente, bem informado, entende de moda e escreve muito bem. Foi por causa dele que parei de usar a palavra lounge para definir os cercadinhos da imprensa e dos patrocinadores. Eu prefiro a palavra estande, decretou ele.

Antonio Carlos Miguel e Katy Pinto foram ao Fashion Rio apenas para assistir ao desfile da Santa Ephigênia e ficaram chocados com o desfile. Aqueles sapatos horríveis destruíram o desfile, disse ACM boquiaberto. Já Jorge Salomão, sobre o mesmo desfile, contou que ficou o tempo inteiro rezando um mantra para as modelos que dizia apenas: Não caiam, não caiam, por favor não caiam, não caiam...

Sylvia de Castro, minha adorada coleguinha do JB, estava chocada com a violência sofrida por Leila Schuster. Sylvinha é uma excelente editora de moda e sabe tudo sobre os bastidores do mundinho fashion. Já o meu querido Júnior de Paula foi implacável ao final do desfile da TNG: Estava tudo errado nesse desfile. A TNG arrasou com Gianecchini.


16.1.07




O mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.


GENTE FINA É OUTRA COISA – O melhor da festa de aniversário do promotor do Ministério Público Marcio Mothé foi a luxuosa presença de Maria Bethânia. A cantora é madrinha das pequenas Nina e Júlia, as filhas de Mothé e fez questão de prestigiar seu compadre. Totalmente à vontade, vestindo jeans, camiseta e sandálias havaianas, a cantora saboreou a feijoada sem desgrudar um instante das afilhadas. Sambou com a bateria da Grande Rio e puxou o parabéns pra você de braços dados com o pai do aniversariante. Totalmente família. Mais tarde, quando o samba acabou, entrou o DJ tocando o som trance típico das raves. A música techno ecoou por todos os cantos do aprazível sítio onde foi realizada a festa. Preocupado com os ouvidos sensíveis de Bethânia, uma diva da requintada MPB, Marcio foi pedir desculpas pelo som que estava tocando. A artista não entendeu o porquê. Pára com isso. Eu estou adorando essa música, disse.

O sítio em Vargem Grande onde Marcio comemorou seu aniversário é um lugar perfeito para um almoço dominical entre amigos. A exuberância do verde da paisagem oferece descanso para a mente. Tanto nas montanhas como nos jardins a presença da natureza se faz presente de forma harmônica e serena. Há tranquilidade no lago com cisnes e marrecos. E trilhas na mata para quem quer privacidade com a natureza. Foi nesse ambiente bucólico que Marcio reuniu as pessoas importantes de sua vida: os pais, as filhas, os amigos de longa data e colegas de trabalho como juízes, advogados e policiais. Também havia uma enorme quantidade de simpáticas barbies. No bar os rapazes que serviam os drinques faziam malabarismos com as garrafas e shows pirotécnicos soprando labaredas de fogo. Um arraso.

Quem estava na festa era a delegada Monique Vidal. Muito simpática com seus exuberantes cabelos loiros, Monique foi com o marido, o lutador de vale tudo Gustavo Ximú e com os filhos Laura e Gustavo Júnior. Musa do escritor Nelsinho Motta a delegada me contou que costuma trocar e-mails com o autor do livro Bandidos e Mocinhas. O Nelsinho é uma figura, me disse ela sorridente. Gustavo Ximú é um lutador conhecido no circuito internacional de lutas, com vitórias importantes no Japão e em Las Vegas. Por causa disso sempre é convidado para ministrar seminários em academias no exterior. Recentemente chegou do Hawai onde participou de treinamentos em várias ilhas do arquipélago. Em fevereiro Ximú vai participar, aqui no Rio, da seletiva para o campeonato de Abu Dhabi, o lendário torneio de lutas promovido pelo sheik dos Emirados Árabes. E em março o atleta já tem agendada mais uma luta no Japão. Ele vive lutando no exterior e me deixa aqui sozinha, disse a delegada apaixonada, fazendo um carinho no bonitão.

Denise Romano é uma das grandes amigas do Marcio. Ela é uma personagem dos bastidores da indústria do disco no Brasil. Trabalhou muitos anos na gravadora EMI-Odeon e agora é gerente do setor de música clássica da gravadora Universal. É queridinha dos vários artistas com quem já trabalhou, de Marisa Monte aos Paralamas do Sucesso. Maria Bethânia adora a Denise e só a chama de Minha Dê. O presente de Denise para Marcio? Todos os CD´s da Bethânia. Quando chegou na feijoada com sua irmã Lílian, uma adorável ex-bailarina da TV Globo que hoje é produtora de eventos, Denise foi logo contando aos amigos que estava exausta. Eu saí do ensaio da Mangueira às cinco da manhã. Sambei a noite inteira. Madame Romano, que sempre foi Salgueiro de carteirinha, contou que esse ano o melhor ensaio entre as escolas do Rio é o da Mangueira. Curiosamente, a galera do Posto Seis me falou a mesma coisa.

Marcelo Arar, o empresário da noite carioca, também foi prestigiar a feijoada de Marcio Mothé. Ele é um rapaz talentoso e tem uma identificação muito grande com a juventude carioca da zona sul que costuma prestigiar suas festas e eventos. Neste verão de 2007 Arar está organizando quatro festas por semana na cidade. Um samba de raiz todas as terças, na Nuth. Baile funk às quintas no Pátio Lounge. Noites de hip hop às sextas na Six. E uma mais que animada noitada de samba com black music todos os domingos no Pátio Lounge. Em comum em todas as festas as pessoas mais bonitas da cidade. Em 2008 Marcelo Arar vai se candidatar a vereador.

Fui à festa do Marcio com o jornalista José Viterbo, um bom amigo com quem trabalhei nas revistas Sui Generis e Homens. Viterbo é uma figura e fazia divertidos comentários sobre os figurinos das barbies. Todas elas estão usando bermudas de grife e tênis importado. Esse é o figurino básico de uma típica barbie carioca, dizia ele destilando veneno. No carro Viterbo botou pra tocar o ótimo CD do grupo inglês Scissor Sisters que tem uma faixa em homenagem a uma prática sexual chamada golden shower. No refrão da música a banda não se cansa de repetir: Queremos mais limonada, queremos mais limonada...

Caipirinha, caipirinha, caipirinha...






TURISTAS NO RIO – Um cidadão carioca pegou um táxi em Copacabana e seguiu em direção a Lagoa. O táxi entrou na rua Antonio Parreiras e seguiu pela Barão da Torre. Quando o carro passou na esquina da Teixeira de Melo, ali na subida da favela, foi parado por policiais que ficam na cabine que foi instalada pela PM para tentar dar um pouco de ordem no pedaço. Pois bem. Um dos policiais se aproximou do motorista do táxi e perguntou se o passageiro era gringo, turista. Como o motorista disse que não o tira mandou o táxi seguir em frente. Ora bolas! Por qual razão o policial queria saber se o passageiro era gringo? Para dar boas vindas a cidade? De modo algum. Se o passageiro fosse “gringo” ele certamente ia dar um jeito de extorquir o coitado. O fato é que os turistas que vêm ao Rio, quando não são assaltados por bandidos, são assaltados por policiais.

Quando eu estava em Paris nas comemorações do Ano do Brasil na França conheci um belga e ficamos amigos. Ele adorava o Brasil e ficou me paquerando só por que eu era brasileiro. Conversamos muito. Ele falava português pois já tinha morado em Portugal e me falou com encanto da sua temporada no Rio de Janeiro no verão anterior. Num dado momento Louis me contou uma história bizarra. Certa vez estava se dirigindo até a Farme de Amoedo. Queria ir até o bar Bofetada tomar um chope e paquerar. Quando estava vindo de Copacabana se atrapalhou e, em vez de entrar na Farme, onde fica o Bofetada, entrou na Teixeira de Melo e só na entrada da favela percebeu que estava na rua errada.

Quando dobrou a Barão da Torre foi abordado por um policial que o acusou de ter ido a favela comprar droga. Ele negou e explicou que tinha apenas entrado na rua errada. O policial insistiu que Louis tinha ido comprar droga e que ele tinha que pagar para ele senão seria levado para a delegacia. E, antes que Louis esboçasse qualquer reação, o policial enfiou a mão no bolso dele, pegou sua carteira, tirou todo o dinheiro, devolveu a carteira vazia e depois o mandou ir embora. Quando o belga me contou isso eu fiquei tão constrangido e envergonhado que eu me senti na obrigação de transar com ele apenas para compensar a sacanagem que a policia brasileira tinha feito com o cara.

No carnaval de 2006 um turista israelense chamado Abrahão foi obrigado a dar dez reais para um policial que o abordou quando ele se dirigia ao baile funk de Rio das Pedras. Abe, como ele gostava de ser chamado, um garotão boa pinta de 20 anos, adorou o Posto 9 e logo fez amizades com garotas, rapazes e salva-vidas. Você parece um carioca, eu dizia para ele quando o encontrava na praia todo bronzeado. Foi lá no Posto 9 que falaram para ele do baile funk de Rio das Pedras. Ele quis conhecer o lugar e foi de táxi com dois outros turistas. No caminho para o baile foram parados por policiais que fizeram a mesma alegação. Diziam que eles tinham ido comprar droga e que seriam presos caso não pagassem dez reais cada um. A policia daqui é totalmente diferente da polícia de Israel, me disse ele chocado com a atitude dos PMs cariocas que se corrompem por dez reais.

Não podemos esquecer também o caso dos jornalistas japoneses que, ano passado, vieram cobrir o mundial de jiu-jitsu para uma das mais importantes revistas de artes marciais do Japão. Quando voltavam para o hotel foram parados por um camburão. Os policiais pediram os passaportes e, como eles tinham deixado os documentos no hotel, alegaram que teriam que levá-los preso, a não ser que pagassem uma propina para eles. Assustados os japoneses ofereceram duzentos reais. Você tem mais dinheiro, disse o policial pegando a carteira do jornalista e levando todas as cédulas, num total de quase quinhentos reais. Apesar de ter havido uma denúncia e do caso ter sido noticiado pelo jornal O Globo nada foi apurado e os PMs continuam nas ruas roubando mais turistas.

Socorro Sérgio Cabral!


9.1.07





Quem se apaixona por si mesmo não têm rivais.

IPANEMA EM ÊXTASE – Foi puro delírio a apresentação do DJ Tiesto na rave que rolou no domingo nas areias da praia de Ipanema. Uma multidão de clubers lotou a praia para dançar ao som do que há de melhor em termos de música eletrônica. E a rave acabou se transformando num grande baile de carnaval à beira-mar. Muita gente bonita se esbaldando ao som do batidão que ecoava poderoso das caixas de som.

O som começou a rolar um pouco depois das quatro da tarde. Logo nos primeiros acordes uma multidão foi se aproximando do palco onde estava o DJ como que hipnotizadas pela música. Parecia uma cena de Contatos Imediatos do Terceiro Grau. A tarde estava bonita apesar do dia nublado. O sol apareceu depois das cinco e foi muito bom poder mergulhar no mar ao som do baticum que pipocava vigoroso das carrapetas. Na areia garotas sexies dançavam jogando malabares coloridos, deixando a paisagem ainda mais bonita.

Depois de tomar várias cervejas e ficar dançando no meio do povão vi o querido Marcio Mothé do outro lado da cerca que separava os simples mortais da área vip. Marcio me perguntou o que eu fazia no meio do povão. “Venha para a área vip”, disse ele, me dando um cartão magnético que permitia a entrada no cercadinho em frente ao palco que estava reservado para convidados da produção do evento. Aceitei o convite, mas preferi ficar mais um pouco no meio da plebe rude, pois lá estava cheio de bofes maravilhosos. Além do que, eu odeio ser vip!

Só quando já estava meio bêbado resolvi entrar no cercadinho, para ver o que rolava na região dos privilegiados. A chamada área vip estava melhor do que eu podia imaginar. O lugar ficava bem em frente as caixas de som, então podia-se sentir a vibração da música de modo muito presente. Uma grande animação havia tomado conta das pessoas. Encontrei vários amigos. Cada um mais doido que o outro. E em todos havia um clima de muita harmonia e confraternização. Todo mundo só queria saber de dançar e se divertir. Pessoas bonitas sacudiam seus corpos exibindo coreografias engraçadas. Parecia que estávamos todos participando de um grande espetáculo musical.


Ao meu lado dois rapazes lindos se sacudiam no mesmo ritmo. De início pensei que estava tendo uma alucinação, vendo dois bofes idênticos. Igualmente lindos. Mas depois percebi que os bonitões eram gêmeos. Do outro lado a atriz Maria Paula, com um grupo de amigas, dançava sem parar. Miguel Kelner e a namorada Adila se esbaldavam na pista de areia. E mais um monte de gente bacana: o empresário Fred Neci, que fez a maior festa quando me viu, desejando feliz ano novo; Rogerinho, um dos rapazes mais bonitos de Ipanema; a galera do Posto Nove; as gatinhas de Ipanema que vão à praia em frente ao Country; Alexandre Agra; Duda Nagle; Beto Neves, o estilista da grife Complexo B. Foi uma ferveção. No final da festa encontrei minha querida amiga Heloisa Tolipan e Júnior de Paula, colegas do JB, que tinham ido entrevistar o DJ Tiesto. Rimos muito comentando os bastidores da festa.


Dançar pra não dançar
Rita Lee

Dance, dance, dance
Gaste um tempo comigo
Não, não tenha juízo
Dê-se ao luxo de estar sendo fútil agora

Dance, dance, dance
Faça como Isadora
Que ficou na história
Por dançar como bem quisesse

Um movimento qualquer
Sobe à cabeça e os pés
Sinta o corpo
Você está solto
E pronto pra vir...

Dance, dance, dance
Num programa de índio
Vai rodar um cachimbo
Que é pra paz não dançar na tribo

Um movimento qualquer
Sobe à cabeça e os pés
Sinto o corpo
Você está solto
E pronto pra vir me amar



UM BRASILEIRO NA CHINA – No meio dos agitos da festa do DJ Tiesto encontrei o jornalista Gilberto Scofield, correspondente do jornal O Globo e da Globo News na China. Ele veio passar as festas de fim de ano no Brasil. Veio matar saudades da família e do namorado Marcelo. Aproveitamos a ocasião para bater um papo rápido, enquanto lá no horizonte o sol mergulhava no mar, dando uma cor especial a noite que surgia. Adoro o Gilberto e tenho grande admiração pelo seu trabalho. Costumo ler com muito interesse as reportagens que manda da China. Ele não se limita aos aspectos técnicos de uma reportagem e sempre lança mão do recurso de um cronista, procurando dar um tom mais humano às suas matérias sobre economia, política e comportamento. Gilberto me contou que fica na China até 2008, quando pretende cobrir as olimpíadas de Pequim. Depois pretende mudar de ares. Quer voltar ao Brasil ou, quem sabe, mudar para Paris.

Na sua viagem ao Brasil Gilberto acertou com uma editora a publicação de um livro contando suas aventuras na China. Não tem nada a ver com as reportagens que ele tem publicado regularmente no Globo. No livro ele narra suas observações sobre o cotidiano do povo chinês. Os costumes, os anseios, as peculiaridades. Fala do modo como o povo chinês convive com suas próprias diferenças. Conta da vida nas províncias, assim como o cotidiano das grandes cidades. Relata os bastidores da produção cultural chinesa e desvenda a vida gay dos rapazes de olhos puxados. Você vai adorar, Waldir. Tem um capítulo inteiro que eu falo sobre um restaurante em Pequim que serve pênis no cardápio, me disse ele enquanto dávamos boas risadas.

5.1.07




Os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem. Feliz 2007!


PINTE O SETE EM 2007 - A primeira vez que ouvi falar no Black Eyed Peas eu estava no Posto Nove. Conversava com o diretor de teatro Ruiz Bellenda quando alguém passou entregando filipetas para um show no Cais do Porto. Ruiz olhou a filipeta e falou em tom de exclamação: o Black Eyed Peas vai tocar no Rio! Eu perguntei quem era o Black Eyed Peas. "É o grupo que canta Shut Up”, ele respondeu cantarolando o refrão da música num tom engraçado, meio teatral, meio debochado. Shut up, to shup, to shut up, to shut up... Eu conhecia a música, mas não sabia o nome do grupo que a cantava. Mesmo assim não me animei em ir assistir ao show do grupo. Às vezes morro de preguiça de sair de Ipanema. Mas, se Ipanema não foi ao Black Eyed Peas o Black Eyed Peas foi a Ipanema. E arrasou no show de reveillon.

O grupo tem um repertório onde não faltam hits dançantes, desses que agitam qualquer pista de dança. E eles tocaram tudo no show: Shut up, Where´s the love? Pump it, My humps e a graciosa versão de Mais que nada, sucesso de Jorge Benjor, gravada por Sergio Mendes nos anos 60. Fergie, a vocalista, marcou presença com seu vozeirão irresistível. Bonita e sensual a loura mostrou que no palco tem a mesma força que no disco. A platéia, um mundo de gente, vibrou com o show ao vivo na praia de Ipanema.

O camarote da Nokia, o patrocinador da festa, estava cheio de paulistas. E isso foi ótimo porque livrou o lugar daquelas figuras carimbadas que estão em todos os eventos do Rio. A maioria dos convidados eram pessoas ligadas a empresa: diretores com seus familiares, representantes da marca, homens de negócio. E os vips presentes ao lugar eram pessoas realmente vips: a socialite Tânia Caldas, cada dia mais linda, com a filha Maria Cortez; o psicanalista Paulo Próspero, a jornalista Cleo Guimarães, as atrizes Sylvia Buarque, Betty Lago e Eliane Giardini, os atores Paulo Betti e Chico Diáz, o apresentador Zeca Camargo, o produtor Mario Canivello, a bela Bianca Byington e o pintor Daniel Senise.

Tinha também André Fisher, editor do site Mix Brasil, contando que depois do carnaval está saindo o primeiro número da sua revista JÚNIOR, uma publicação para o público gay que pretende ser a rival da G-Magazine. Oba! Mil vezes oba! JÚNIOR se propõe a ter em suas páginas melhores bofes e melhores textos. E um conceito mais sofisticado do que significa ser gay. Uau! Que medo! Já o estilista Victor Dzenk contava que sua próxima coleção, a ser lançada dia 14 de janeiro no Fashion Rio, terá como tema o México, sua cultura, folclore e Frida Kahlo.

Gays e lésbicas marcaram presença no camarote com muita animação e assanhamento. Muitas meninas de mãos dadas. Outras trocando apaixonados beijos na boca. Vários rapazes circulavam com seus namorados no maior clima. Tudo isso por entre grupos familiares, casais heteros, bofes civilizados, crianças e adolescentes. Tudo na maior harmonia, como deve ser uma festa de reveillon.

O personagem mais vip do reveillon da Nokia, em Ipanema, foi o atleta Leonardo Leite. O faixa preta de jiu-jitsu e judô está cada dia mais bonito. Como é que um homem nasce uma vez só e nasce bonito daquele jeito? Ele é enorme, tem cara de príncipe de contos de fadas, e, além disso, é um cavalheiro educado e gentil. O mundo precisa descobrir esse rapaz e se ajoelhar aos pés dele. Leonardo Leite está na equipe de judô que vai representar o Brasil nos jogos pan-americanos, ao lado de Flavio Canto e Leandro Guillero.

PINTE O SETE EM 2007!