30.1.09




O sujeito que pensa em sexo o dia inteiro é muito saudável.
Poesia de Eugênio de Andrade.


Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei as romãs a cor do lume.



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luzimpura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.




Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados.



Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes?




Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastamos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus

22.1.09




A melhor maneira de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.
O LEITOR - O alemão Bernhard Schlink, professor de Direito e Filosofia, cresceu num país mergulhado num ambíguo sentimento de culpa coletiva. Uma Alemanha em ruínas, com a sombra do nazismo e o horror do Holocausto contaminando a tudo e a todos. É nesse universo que o autor busca inspiração para sua ficção. No seu romance O Leitor, traduzido para 39 línguas, que acaba de ser lançado no Brasil, um homem iniciado sexualmente na adolescência por uma mulher mais velha, a reencontra anos depois num tribunal, acusada de ser oficial de um campo de concentração. A adaptação cinematográfica acaba de ser indicada ao Oscar de melhor filme. No elenco Kate Winslet e Ralph Fiennes, dirigidos por Stephen Daldry, diretor de ótimos filmes como As Horas e Billy Elliot.

Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Nele, Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro tomam banho, depois ele lê fragmentos de Goethe, Dickens, Tolstói e Schiller, e só então fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece, sem explicações, da vida de Michael.

Anos mais tarde, entretanto, ele a reencontra: acusada por crimes de guerra e por várias mortes em um campo de concentração nazista. Michael, como estudante de Direito, acompanha o caso debatendo-se entre as lembranças da antiga amante e a indignação pelos crimes. Tentando descobrir quem é a mulher que amou, ele gradualmente percebe que Hanna pode guardar um segredo que considera mais vergonhoso que homicídio.

As páginas deste romance trazem com lucidez a pergunta: como amar alguém que participou da maior atrocidade que o mundo já conheceu? A escrita de Schlink é limpa e despida de imagens e diálogos desnecessários, resultando em uma bela e austera narrativa sobre o esforço para preencher o vazio entre as gerações pré e pós-guerra na Alemanha, entre culpado e inocentes, entre palavras e silêncio.

A fronteira que separa pessoas normais da banalidade do Mal pode ser muito precária e é nesse fio da navalha que os personagens de Schlink caminham, para desconcerto e angústia dos protagonistas que com elas interagem, quase sempre homens de leis com poucas certezas quanto à sua legitimidade para julgar os outros.

20.1.09




Grandes obras são feitas por pessoas que não têm medo de serem grandes.
ELTON JOHN – Desde adolescente sonho em ouvir Elton John cantando ao vivo a música Skyline Pigeon, um hit da minha infância, a primeira música que ouvi do cantor inglês. Só que Elton nunca canta essa música nos seus shows. Por isso foi uma surpresa e uma grande emoção quando, durante o bis no show do Sambódromo, ele sentou no piano e cantou, sem o acompanhamento da banda, a música mais emblemática da minha infância. Foi mágico. Emocionante.

O show foi sensacional. Um mergulho nos anos 70, já que a maioria das canções é desse período. Isso não significa que o show tenha sido nostálgico ou datado. Pelo contrário. Elton trouxe os hits daquele período para o século 21 através de uma interpretação contemporânea das músicas. Arranjos com toques jazzísticos deram um toque de classe ao espetáculo. Acompanhado da mesma banda que toca com ele desde a juventude, o show foi, acima de tudo, um concerto de músicos competentes e talentosos.

Nem sempre os shows de Elton John, o Beethoven do rock and roll, seguem essa fórmula de privilegiar antigos sucessos, como na turnê Rocket Man, apresentada em São Paulo e no Rio. Na turnê anterior, por exemplo, chamada The Captain and the kid, Elton cantava seis músicas do último disco, que tinha o mesmo nome da turnê. Aliás senti falta de músicas do último disco, que é uma obra-prima.

O CD The Captain and the Kid, lançado em 2006, é um retorno de Elton John a um de seus discos mais emblemáticos Captain Fantastic and Brown Dirt Cowboy, de 1975. No álbum o cantor inglês recria algumas músicas do Captain Fantastic, dá continuidade a outras e faz uma grande homenagem aos anos dourados do rock and roll. De certa forma, a turnê de Rocket Man é uma continuação desse projeto, um mergulho do artista nos primódridos de sua carreira.

Do belo show apresentado na Praça da Apoteose vale a pena destacar a inclusão de músicas como Levon, Madman Across the Water e Ticket to the Pilot. Believe, música do disco Made in England foi uma escolha perfeita. A apresentação de Sorry, Seems to Be a Hardest World foi algo de muito especial. Essa música é linda e o visual do palco deu um clima diferente ao concerto. O final roqueiro com Crocodile Rock e Saturday Night is All Right For Fight agitou a platéia. Foi um show perfeito.

Quinze anos atrás, quando se apresentou no Estádio do Flamengo, Elton já tinha realizado um show sensacional. Naquele concerto ele apresentou canções como I Don´t Wanna Go On With You Like That, um hit dançável que fez muito sucesso nas rádios e pistas de dança, e Song of Guy, uma música instrumental muito querida pelos fãs do artista.




I believe in love, it's all we got
Love has no boundaries, costs nothing to touch
War makes money, cancer sleeps
Curled up in my father and that means something to me
Churches and dictators, politics and papers
Everything crumbles sooner or later
But love, I believe in love


I believe in love, it's all we got
Love has no boundaries, no borders to cross
Love is simple, hate breeds
Those who think difference is the child of disease
Father and son make love and guns
Families together kill someone

Without love, I believe in love
Without love I wouldn't believe

In anything that lives and breathes
Without love I'd have no anger
I wouldn't believe in the right to stand here
Without love I wouldn't believeI couldn't believe in you
And I wouldn't believe in me
Without love

I believe in love
I believe in love
I believe in love

19.1.09




Todo ato de bondade é um ato de poder!
O VERÃO 2009 – Que calor! Na Praia de Ipanema os meninos dizem que 2009 terá o verão mais quente da história. Olhando aqueles corpos tinindo de bronzeado eu penso que 2009 será o verão mais sexy da história.

A RAINHA DIABA – O desfile da marca Complexo B causou sensação no Fashion-Rio. A coleção da grife carioca se inspirou na Lapa e seus símbolos. E um desses símbolos foi Madame Satã, um deliquente gay que agitou a crônica policial dos anos dourados da boêmia romântica. E para lembrar Madame Satã o estilista Beto Neves convocou Milton Gonçalves, que já havia interpretado o personagem no cinema, no filme A Rainha Diaba. Taí um filme brasileiro que merecia um remake.

Além das roupas, do styling e da criatividade da coleção, chamou a atenção no desfile a presença do travesti Patrícia Araújo, uma cabrocha de tirar o fôlego. Acho que desde Roberta Close não surgia um fenômeno de feminilidade transsexual como a tal de Patrícia. Quando ela entrou na passarela a platéia veio abaixo.

Por essas e por outras é que acredito que 2009 será o verão mais sexy da história.

Na semana anterior ao desfile eu tinha visto a bela Patrícia andando pelo calçadão de Copacabana. Na rua ela provoca o mesmo rebuliço que causou na passarela. Deixou os homens doidos. Os caras ficavam apontando para ela, lançando olhares pecaminosos, assobiando. Mas naquela ocasião todo mundo tava achando que ela era apenas uma mulher gostosa.

“Pois é! Ela é aquilo tudo e ainda tem pau!”, me disse a trepidante Liége Monteiro depois do desfile. Liége é uma figura! Foi ela quem levou Patrícia para o desfile da Complexo B. O estilista queria um travesti para ilustrar o desfile de sua coleção e Liége sugeriu Patrícia, que conhecia a “moça” da Escola de Samba Grande Rio, onde todos os anos ela sai como passista.




MEU MUNDO CAIU – Um dos temas mais discutidos do sexy verão 2009 é a cantora Maysa, graças a magnífica minissérie apresentada pela Rede Globo. O talento da artista e sua personalidade forte foram muito bem retratados pelo programa escrito por Manoel Carlos. Muito se tem comentado sobre a verossimilhança de alguns fatos da vida da artista. A música e o temperamento de Maysa voltaram a ser assunto nas mesas de bares e nas rodas de conversa nas praias. Curiosamente nem a minissérie nem as biografias da cantora falam sobre suas aventuras homossexuais. Sim, leitores, ela tambem as teve!

Um dos segredos mais bem guardados e cultuados da MPB é a noite de amor entre Maysa e Gal Costa numa viagem de trem entre o Rio e São Paulo. Aconteceu nos anos 70, quando uma jovem Gal agitava a vida cultural carioca com o show Gal a Todo Vapor. Nessa época, o quente em Ipanema era mergulhar nas dunas da Gal, point da praia entre as ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Melo. Pois foi nesse contexto, durante uma viagem de trem pra São Paulo, que Gal ensinou a Maysa como se canta o Assum Preto.

E Gal Costa não foi o único namoro de Maysa com uma mulher. A grande Maysa teve um rumoroso caso com a atriz Djenane Machado. Isso foi na mesma época em que Maria Bethânia namorou a Renata Sorrah. Renata e Djenane, jovens, lindas e talentosas atuavam na novela O Cafona, grande sucesso do autor Bráulio Pedroso. Renata interpretava Malu, uma jovem rica cuja família estava à beira da falência. Djenane interpretava Lucinha Esparadrapo, uma garota riponga que morava numa comunidade hippie. Por causa do caso entre Bethânia e Renata parece que ficou na moda o namoro entre divas da MPB e jovens estrelas de novela. O fato é que Maysa foi convidada a fazer uma participação especial na novela O Cafona para promover seu novo show. E na gravação ela conheceu a bela Djenane. Reza a lenda que Djenane esteve na platéia em todas as apresentações de Maysa no Canecão. Era olhando para os olhos da atriz que Maysa cantava Meu mundo caiu.

Não é lindo o amor?


15.1.09






As pessoas costumam sofrer mais do que a situação exige.

POEIRAS EM ALTO MAR Cometi um engano num texto publicado logo abaixo, sobre o aniversário de Kati. Ali escrevi que o jornalista Geneton Moraes Neto havia dito que o diretor de TV Luiz Fernando Carvalho era “o Visconti do Jacarezinho”. Geneton mandou um e-mail esclarecendo que não havia sido ele, e sim o colega Amin Stepple o autor do apelido. Já fiz a devida correção. A confusão ocorreu por que Geneton e Amin são velhos amigos. Ambos fazem parte da mesma geração de talentosos e brilhantes jornalistas pernambucanos que foram meus ídolos na adolescência. Amin Stepple está escrevendo um blog chamado Poeiras em alto mar . Ali ele publica crônicas recheadas de ironia e humor, em parceria com Roberto Borges. Crônicas como essa a seguir:


O CAÇADOR DE SÓCIAS

__ Não existe mulher difícil, e sim mal cantada.
Existem os clichês. Até sedutores seriais os colecionam. Nem todos. Fabiano Negão, por exemplo, se orgulhava de duas coisas. Sedutor serial assumido, jamais recorreu a esse tipo de frase nas improváveis conquistas do sexo oposto. Leitor de poetas tísicos do século XIX, Fabiano Negão qualificava os clichês como vulgares. Ou, como preferia dizer: “vulgares e silvestres”. Aliás, ele nunca conseguiu compreender a expressão “sexo oposto”.
__Oposto a quem? Não a mim, alma gêmea das mulheres.
E a segunda fonte de orgulho? Fabiano Negão não escondia a soberba de ser reservista de terceira categoria. Caserna, repetia, é antro de boiolagem. Nascera para os prazeres mundanos da vida civil. O apelido advinha da pele tostada em prolongada exposição aos ultravioletas à beira do Atlântico. Nunca se incomodou com o apelido colocado pelos amigos, alguns invejosos do seu desempenho com o “sexo oposto”. Outros, mais sarcásticos, chegaram a ensaiar um derivativo patronímico: Fabiano pardo-ibge. Não colou. E o afetuoso Negão permaneceu, numa boa.

As praias, com seus quilômetros de biquínis sarados, sempre foram território liberado para Fabiano Negão exercitar o donjuanismo. Mas, como as espécies evoluem, atualmente se considerava um trânsfuga da solaridade. Poetizava o recolhimento:­­­­­
__ Já tenho poeira de alto mar demais na epiderme.
Os ambientes climatizados se tornaram os preferenciais. Shoppings, torres polares de observação: no lugar da quase nudez da praia, a nudez apenas sugerida, insinuada, a ser explorada. Um cruzamento de pernas, um eventual “relâmpago” (como ele, numa licença meteorológica, denominava o lance de calcinha), o decote audacioso, a beleza católica do “cofrinho”. Trabalho mais para arqueólogo, a pesquisar com habilidade tesouros ocultos, imperceptíveis para os amadores.
__ Embora tenha horror às múmias, acho bela a arqueologia, uma profissão que requer paciência, muita paciência.

Fabiano Negão se dizia um cultor da paciência, excêntrico traço oriental de sua personalidade. Graças a essa característica, se tornara exímio seguidor de mulheres nos shoppings, uma técnica refinada de aproximação, aprimorada em manuais de sobrevivência em florestas tropicais, tática infalível na busca e caça da presa. Orgulhava-se do seu sofisticado know-how:
___ Seguir mulheres é uma arte para poucos.
As espécies evoluem. Fabiano Negão superara a etapa de seguir mulheres apenas por serem gostosas, tesudas. Ele vivenciava outro estágio de sedução. Seguir sim, mas só as que fossem sósias de mulheres célebres, sem levar em conta a área em que atuassem: atrizes, cantoras, modelos, até ministras, a depender das circunstâncias. Predestinado para o ofício, Fabiano Negão, nos poucos momentos em que violava a discrição (um dos mandamentos do sedutor), relatava para os amigos o butim das expedições. O cast de sósias de mulheres famosas incluía surpreendente biodiversidade, algumas que só o gosto de Fabiano Negão poderia justificar, pouco importa.

Alguém da turma, viciado nas indefectíveis listas, chegou a anotar alguns nomes das originais das sósias que não resistiram à sua lábia aliciante:· Wilza Carla, vedete que brilhou nos anos 70/80, célebre pela seiva dos seios, divindade de tetas totêmicas. Fez sucesso como jurada de TV e atriz de filmes undergrounds. Angela Rô Rô, cantora de voz bonita e rouca, colega de farra do cineasta Glauber Rocha e de operários de construção. Autora de versos cálidos, capazes de evaporar em pouco tempo uma garrafa de Bacardi: “Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada...”· Zezé Macedo, atriz da época de ouro das chanchadas. Fez dezenas de filmes, ao lado de monstros sagrados da comédia como Oscarito e Grande Otelo. Linda, à sua maneira. Helena Ramos, grande e bela dama do cinema erótico. Pernas pioneiras e maravilhosas. Promessa de felicidade para as mãos calejadas de toda uma geração. Vera Fischer, atriz e deusa de púbis insurrecto.

Personalidade aditivada, iconoclasta, óvni a deixar rastros luminosos pelo céu de anil.
Pela questionável contabilidade de Fabiano Negão faltava apenas uma sósia para fechar o ciclo de suas mil conquistas. O brasileiríssimo e cabalístico milésimo, única contribuição dos matemáticos brasileiros para a valorização dos números superlativos. Perfeccionista, Fabiano Negão se impôs rigoroso controle de qualidade.
­­­__ Ou uma sósia de Luana Piovani ou nada. Paro na 999.
Os raides aos shoppings se tornaram diários. Sabe-se que a sorte é uma das aliadas dos príncipes. Final de tarde, corredor iluminado por vitrines de lingerie, eis que Fabiano Negão se depara com uma das mulheres mais lindas que o milagre da proteína já produziu.
__ Se eu tivesse sido cineclubista nos anos 60, pensaria que estaria diante de Monica Vitti.
Mas não. A moça era a cópia perfeita de Luana Piovani, que os nacionalistas assinantes de revistas de fofocas alardeiam como a reprodução nacional da atriz italiana. O impacto vertiginoso mexeu com o experiente conquistador. Toda vez que cruzava o olhar com uma felina, de longas e bem cuidadas unhas, Fabiano Negão lamentava que Hollywood não mais lançasse filmes de aventuras na selva. E filosofava:
__ A humanidade perdeu muito depois que abandonou as filhas de Tarzan nas selvas do Congo.

Contrariando um de seus principais predicados de sedutor, a paciência oriental, Fabiano Negão seguiu a sósia de Luana Piovani por pouco tempo, bem abaixo da média padrão, estimada em trinta minutos. Quando a moça sentou na praça da alimentação, Fabiano Negão, irrequieto, cedeu à ansiedade. Se aproximou, pediu licença e sentou. Apostou no elemento surpresa:­
___ Você é a milésima sósia de minha coleção.
Pasma, sem entender nada, a jovem perguntou:
__ Sósia de quem?
Confiante na abordagem, Fabiano Negão, com a voz meio trêmula, revelou:
___ Sósia de Luana Piovani.
O estalo da tapa no rosto de Fabiano Negão ecoou pela praça da alimentação. As unhas do clone do produto similar nacional da atriz italiana traçaram rascantes relevos na cara do conquistador, iguais aos que se aprende nos livros de geografia da sexta série. Abatido, Fabiano Negão não perdeu a pose aristocrática. Pediu desculpas e se retirou, como um Rondon incompreendido e alvejado por flechas venenosas.Refugiado num banco do corredor das lojas de lingerie, com a visão ainda turva, lembrou como consolo da frase que lera no romance “Suave é a Noite”, de Scott Fitzgerald.
__ “Creio que a culpa foi minha. Nunca conte uma coisa a uma mulher antes de terminada”.

5.1.09




O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.
O ANIVERSÁRIO DE KATI – O fotógrafo dinamarquês Kenneth Willardt, que passou o reveillon no Rio, foi um dos convidados da animada festa de aniversário de Kati Pinto, no dia 2 de janeiro. Willardt é fotógrafo de moda e celebridades. Radicado em Nova York é casado com a designer brasileira Patrícia Pericas. O casal ultra fashion marcou simpática presença na festa. O bombado (fisicamente e profissionalmente) diretor de arte Cláudio Braz também estava lá. Assim como o banqueiro Marcus Vinicius. E também: Doutor Roger Levi com o artista plástico Gilvan Nunes. Luiz Carlos Góes com Joaquim Vicente. Marcus Alvisi. Rubens Araújo. Rosa Marques Moreira. Lidoka. Luiz Fernando Borges. E mais um monte de gay bacana...

Kati é uma figura! Ela tava linda num modelito Lenny Niemeyer, presente do maridão, o jornalista Antonio Carlos Miguel. Já há alguns anos sua festa é o melhor pós-revéillon da cidade. Merecia fazer parte de um calendário off. Enquanto degustava queijos, vinhos e um monte de guloseimas, todo mundo ia contando as fofocas mais quentes do reveillon e revelando suas perpectivas para esse ano. Marcus Alvisi contou que pretende remontar sua adaptação do livro Dentro da Noite, do cronista João do Rio. A menção ao nome de João do Rio provocou uma animda discussão sobre o escritor e seus trabalhos mais relevantes.

Entre tragos e goles Kenneth Willardt acabou ficando na berlinda. Todo mundo queria saber como foram as sessões de fotos com Rihanna, Keira Knightley (foto abaixo) e Drew Barrymore. O cara é simpático, boa gente e conversou um pouco sobre seu método de trabalho. Alguns convidados da festa moravam em Nova York e, por causa disso, a cidade foi um dos assuntos das rodas de conversas. Num dado momento alguém falou em Bebel Gilberto e um mal estar se instalou no ambiente. “É melhor a gente nem falar em Bebel Gilberto”, resmungou alguém com uma taça de vinho na mão, para depois emendar: “Em Nova York ninguém suporta Bebel Gilberto. Com seu temperamento difícil ela conseguiu se indispor com a cidade inteira!”. Eita!

Champanhe, champanhe, champanhe...

Luiz Carlos Góes, um dos redatores do programa Toma lá dá cá, contava sobre sua peça As Cachorras Quentes, comédia que vai ser estrelada pela top model Gianne Albertoni, com direção de Marcus Alvisi. Aliás, foi o próprio Alvisi quem dirigiu Luana Piovani na peça Pássaro da Noite. E por falar em Luana, nas festas de reveillon um dos assuntos mais comentados foi o fato dela ter sido eleita A Mala do Ano, pelos leitores da coluna do Artur Xexéo. La Piovani foi a piada do reveillon 2008! Pelos comentários parece que a escolha foi uma unanimidade.

O seriado Capitu, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, também foi alvo de comentários apaixonados. “A melhor coisa de Capitu foi a crítica do Diogo Mainardi dizendo que o Michel Melamed parecia o Dick Vigarista”, disse um dos convivas dando uma gargalhada. Realmente, a crítica do Mainardi foi muito inteligente e perspicaz. O Melamed ficou mesmo idêntico ao Dick Vigarista do desenho animado. Mas eu adorei Capitu. A narrativa, a direção, o ritmo, a encenação. Achei tudo brilhante! Com essa minissérie o Luiz Fernando Carvalho fez jus ao apelido que lhe foi dado pelo jornalista pernambucano Amin Steple, no blog Sopa de Tamanco: o Visconti do Jacarezinho!

O show da Madonna, é claro, foi outro assunto que mobilizou as rodas de conversa na festa de Kati. Afinal, os gays eram maioria na festa. “Assisti ao show em Nova York e no Rio”, disse Marcus Vinicius rodopiando na pista de dança ao som de Get Together. Aliás, a festa de Kati foi a vingança da Madonna. Apesar de seu show não ter aparecido na lista de Melhores do Ano do jornal o Globo, a pista só bombou quando o DJ Antonio Carlos Miguel (crítico de música do jornal) tocou Confessions on a dance floor. Nesse momento todas as bibas correram para a pista, fazendo coregrafias incríveis. A animação foi tanta que fez tremer o piso do primeiro andar da mansão.

Champanhe, champanhe, champanhe...