28.1.08




A melhor roseira não é a que tem menos espinhos, mas a que produz as mais belas rosas.



ANTI-CARNAVAL ESTÁ NAS RUAS DO RIO - Suvaco do Cristo, o bloco mais elitista do Brasil, faz desfile-relâmpago na zona sul e enterra o carnaval de rua do Rio. É um mito essa história de que o carnaval voltou com força total as ruas do Rio. Pelo que se viu nos desfiles dos blocos de carnaval do fim de semana pré-carnavalesco, o Rio de Janeiro tem muito folião para pouco carnaval. O desfile do Suvaco do Cristo foi o mais emblemático desse comportamento. Fundado e organizado por uma elite branca e burguesa da zona sul, o bloco, de uns anos para cá, só desfila pela manhã, sem divulgar o horário, para evitar muita aglomeração. Os elitistas do Jardim Botânico não gostam de se misturar com a plebe rude. O Suvaco do Cristo começou o desfile às dez da manhã e acabou ao meio-dia e meia. Foram apenas duas horas e meia de carnaval. Agora só ano que vem.

Acontece que cerca de 40 mil pessoas lotavam a Rua Jardim Botânico querendo mais carnaval do que o Suvaco do Cristo pôde oferecer. O bloco, num flagrante exemplo de falta de espírito carnavalesco, abandonou seus foliões, recolheu os instrumentos e foi embora deixando a multidão órfã daquilo que é o alimento do carnaval: a música. No melhor da folia, quando o público estava no auge da animação, acabou o samba. A multidão sem som tentava se virar como podia. Foi então que entrou em cena um rapaz chamado Nélio Garrido, dono da Box Mil Car Áudio, uma loja de som para carros da Ilha do Governador. Sabendo da peculiar falta de música do carnaval carioca, Garrido instalou caixas de som extras na sua camionete, deixando-a com potência para animar uma multidão. Quando a minguada bateria do Suvaco abandonou os foliões e guardou os intrumentos, o mega som da caminhonete entrou em cena com a potência máxima tocando os maiores sucesso do carnaval baiano: Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Babado Novo, etc. A multidão foi ao delírio. Todo mundo começou a dançar na maior animação. Subitamente, o carnaval do Rio pareceu ter ganhado mais vida e energia com a eletrificada música do carnaval da Bahia. Mas a felicidade do folião carioca durou muito pouco. Logo, homens da Polícia Militar se aproximaram do dono do automóvel e o obrigaram a desligar o som. Não adiantaram os apelos da multidão pedindo mais músicas. Os PMs afirmaram que tinham recebido uma ordem do Batalhão informando que som alto estava proibido.

Como é que é? Som alto proibido no carnaval? Isso aconteceu em pleno domingo, às duas horas da tarde, diante de uma multidão de jovens fantasiados, querendo dançar, cantar e pular. “Uma coisa dessas jamais aconteceria na Bahia”, dizia irritada a gerente de banco Carina Limeira, que completou: “Na Bahia o som nunca acaba”.

Restou aos foliões cariocas ficar andando de um lado para outro, bebendo cerveja e paquerando. As atrizes Claudia Ohana e Janaína Diniz chegaram ao desfile às duas horas e estavam indignadas com a falta de som. “Cadê a música desse carnaval, gente? É um bloco sem música”, dizia Janaína. “O bloco saiu às dez da manhã e já acabou? Isso é um absurdo. Quem estava nesse desfile?”, perguntava Claudia. Destilando bom humor, as atrizes ficaram se divertindo com o intenso movimento na Praça do Jóckey. “Nossa, tem cada bofe por aqui. Parece que o pessoal saiu da academia e veio direto para o samba. Ou melhor, para a falta de samba”, dizia Cláudia Ohana, observando o desfile de rapazes malhados que circulavam no pedaço.

Muitos foliões que não conseguiram brincar no Suvaco resolveram tentar o desfile do Acadêmicos do Vidigal, no Leblon e, ao chegar lá, outra decepção. O Acadêmicos do Vidigal era um bloco com uma bateria de meia dúzia de gatos pingados e um carro de som improvisado num automóvel. Os percussionistas eram heróis buscando dar dignidade a uma folia que se arrastava. Em volta, uma multidão tentava arrancar um batuque daquela bateria, que não tinha a menor condição de animar um carnaval com tamanha quantidade de gente. O que salvou o pré-carnaval da zona sul no domingo foi um evento chamado Verão Tim, no Jardim de Alá, onde o DJ Gustavo Tatá ficava tocando música eletrônica para a multidão que não conseguiu abrigo no samba do carnaval de rua. Mesmo assim, João Sem Dedo, um moço bonitão da rua Farme de Amoedo se queixou aos amigos. “O som dessa rave tá muito baixo”. Definitivamente, o carnaval do Rio precisa aumentar o som.

O carnaval do Rio ainda não descobriu uma coisa que há décadas revolucionou o carnaval da Bahia: a eletrificação do som. Que me perdoem os puristas, mas o carnaval carioca precisa se eletrificar. Não dá para ficar mobilizando multidões com o som acústico das baterias. Todo ano é a mesma coisa. A falta de música e o som baixo são as maiores queixas dos foliões que brincam nas ruas do Rio. "O desfile do bloco Escravos da Mauá durou apenas uma hora e meia. Depois a música acabou e as pessoas ficaram bebendo e conversando, fazendo uma social. Acho que faltou música, mas mesmo assim foi divertido", disse o professor e ator Valter Marcelo, folião fiel ao seu bloco. “A Banda da Barra também acabou super cedo. Quando o carnaval estava começando a pegar fogo os músicos agradeceram a atenção e deram boa noite. Foi muito frustrante”, diz Anderson Almeida sobre o desfile do seu bloco favorito na Avenida Sernambetiba. No desfile do Simpatia é Quase Amor foi a mesma coisa. “Só quem tava perto da bateria é que conseguia ouvir o som. Tava uma guerra para chegar lá perto”, comentava na praça do Jóckey um folião vestido de mulher. Evoé!

26.1.08




É no coração do homem que residem o fim e o princípio de todas as coisas.
UMA LÁGRIMA PARA HEATH LEDGER - Evoé. Quando assisti O segredo de Brokeback Mountain pela primeira vez fiquei muito impressionado com o filme e com seus personagens. Havia ali uma compreensão do mundo masculino, que me pareceu totalmente inédita. Um olhar original sobre as relações humanas. Fiquei muito tocado pelo filme. Saí do cinema me sentindo mais sábio, mais informado sobre o comportamento masculino. Sobre a alma humana. Acho que fiquei sabendo mais sobre mim e sobre os outros homens.

Muita gente não gostou de Brokeback. Alguns críticos falaram mal do filme, dando a impressão que eles não gostaram da forma como foram retratados nas telas. Quando o assisti pela segunda vez, numa sessão promovida pelos meus queridos André Ramos e Bruno Chateubriand, no Roxy, ouvi comentários desabonadores de alguns espectadores. Um sujeito saiu do cinema dizendo que aquele filme devia durar apenas quinze minutos, já que não tinha “história”. Uma senhora dizia que não tinha visto a menor graça no filme.

Para mim Brokeback sempre foi uma obra-prima definitiva. Parece um daqueles filmes questionadores, tão comuns no cinema dos anos de 1970. Já o revi mais duas ou três vezes na TV, e sempre tenho prazer e encantamento com o filme. É triste e melancólico no seu desencanto com a vida. Ao mesmo tempo é belo pela verdade que transmite ao desnudar a alma masculina. Não é um filme sobre gays. É um filme sobre homens e seus segredos guardados no lugar mais escondido de sua alma.

A notícia da morte de Heath Ledger, o ator do filme, me deixou numa tristeza profunda. Seu personagem Ennis Del Mar era um homem tão triste, tão atormentado pelo seu desejo. Um cara simples que carregava um trauma de infância. Quando criança o pai o havia levado para ver o cadáver de um sujeito que tinha sido assassinado de forma violenta. Seu crime: ir para a cama com outro homem. Del Mar cresceu atormentado por essa visão. Quando se viu apaixonado pelo seu colega cowboy a imagem da infância lhe voltou a mente e fez com que ele recusasse as propostas de vida em comum que Jack Twist lhe fazia.

Heath Ledger me chamou a atenção quando apareceu com 21 anos interpretando o filho do Mel Gibson no filme O Patriota. “Que cara lindo”, pensei eu no escuro do cinema, quando ele surgiu loirinho, com pose de galã, ar de príncipe encantado. Eu fiquei achando que ele seria apenas mais um rostinho bonito das telas de Hollywood. Quando o revi em Brokeback Mountain Ledger estava irreconhecível. Estava mais másculo, sisudo, sério. O novo visual fazia parte da composição e do caráter do seu personagem. Ainda assim ele continuava sexy e atraente. Foi então que percebi que ele era um ator talentoso, que sabia compor um personagem.

Seu verdadero nome era Heathcliff, o mesmo nome do herói do livro O Morro dos Ventos Uivantes, de Emile Bronté, um dos mais sombrios romances da literatura universal. E eu percebo uma estranha coincidência nestes nomes. O Heathcliff da literatura foi protagonista do Morro dos Ventos Uivantes, enquanto Heathcliff Ledger ficou famoso por um filme sobre as montanhas de Brokeback. Soube de sua morte pelo MSN. Francisco Rezende, um amigo, entrou na linha e perguntou: Viu quem morreu? Levei um susto antes mesmo de saber quem era. Ao ler na internet a notícia de sua morte senti um vazio muito grande. Uma sensção de incredulidade. Em algum momento sentí vontade de xingá-lo. Vontade de gritar com ele: você não, cara. Ainda está muito cedo para você morrer. Ainda não é o momento. Só horas depois é que consegui chorar.

Descanse em paz, cowboy. As montanhas de Brokeback sempre vão lembrar de você...







A amizade é uma alma feita de dois corpos.








MADONNA NEGRA? - A música Four Minutes To Save The World é a faixa de lançamento do novo disco da Madonna que está indo para as rádios nos próximos dias. Por causa disso os fãs da cantora estão à beira de um ataque de nervos. “O que será que ela vai aprontar dessa vez”, diz Ruiz Bellenda, fã da Madonna desde que ouviu Holliday pela primeira vez, há vinte e cinco anos atrás, como ele gosta de afirmar. Existe uma grande expectativa em torno desse disco. Uma das faixas, The Beat Goes On, já toca nas rádios desde novembro do ano passado, depois de ter sido pirateada por um DJ, que colocou a música na internet. O resultado é que todas as rádios do mundo baixaram a canção, que se transformou num hit instantâneo. Uma música suingada, com pitadas de hip hop. Não se sabe se essa música vai estar no disco. Ou pelo menos, se essa versão pirateada estará na edição final do disco.

Ainda não se sabe o nome do novo álbum. O assunto é tratado como segredo de Estado pela gravadora. Mas o que não falta é especulação. O que se sabe sobre o CD é que a artista trabalhou com os produtores mais quentes da música pop atual: Timbaland e Justin Timberlake. Timbaland é uma figura quase onipresente nas rádios de música pop. Ele é o produtor por trás do explosivo sucesso de Nelly Furtado, com quem aparecia cantando Promiscuos. Timberlake lançou em 2006 um dos discos mais celebrados dos últimos tempos: FutureSex/LoveSounds. Além dos dois papas do pop o disco terá uma participação de Pharrel Williams, seu parceiro na balada Hey You, que a cantora apresentou no Live Earth. Numa entrevista no final do ano passado Timberlake disse que o CD terá um forte influência da música negra. Por causa disso surgiram boatos que o nome do disco seria Black Madonna.

O fato é que os fãs de Madonna estão de olho em Londres, onde a cantora se encontra, cuidando dos últimos preparativos para o lançamento da primeira faixa do novo CD. Segunda-feira ela deve começar a gravar o videoclipe da música Four Minutes to Save the World com a participação da dupla Timbaland & Timberlake nos vocais e nas coreografias. E como será o visual da estrela nesse novo disco? Será que ela vai vir loura? De cabelos curtos, médios ou longos apliques? Será que ela vir morena? Ou será que ela vai surgir negra?


18.1.08




Mesmo que cinquenta milhões de pessoas digam uma tolice, ela continua ainda a ser uma tolice.


CÉSAR MAIA MERECE MORRER – Não vou pagar o IPTU! Estou adorando essa campanha contra o Prefeito mais canalha que qualquer cidade do Brasil já teve. Por tudo de mal que fez a essa cidade, César Maia merecia ser queimado em praça pública. Deixar de pagar o principal imposto da prefeitura é o mínimo que qualquer cidadão decente pode fazer. Esse sujeito é um canalha. Um pilantra. Um cínico. Um político sórdido e ladrão.

Ao ver o estado em que se encontra o Rio de Janeiro, a sujeira, a mendicância, favelas em todos os lugares, a desordem urbana, as ruas esburacadas eu chego a uma conclusão triste e aterradora:

A democracia fez um mal muito grande ao Brasil.

Aqueles que lutaram por democracia, por diretas já, pelo direito da população votar, se vêem diante da constatação de que isso não melhorou em nada a situação do Brasil. Pelo contrário. Eleger seus representantes não significou uma evolução na vida dos brasileiros. Nem a nível municipal, nem estadual e muito menos federal. As melhoras ocorridas no país são decorrentes de um desenvolvimento natural da sociedade. E da evolução da ciência, da tecniologia, dos meios de comunicação, da economia e da cultura. Tudo isso aconteceria de qualquer modo, independentes de termos ou não eleição.

A democracia, ou melhor, a compreensão que se tem de democracia no Brasil, é totalmente equivocada. Nas ruas, o que vemos, é que as pessoas entendem democracia como o direito de qualquer um fazer o que bem entender. As pessoas levam seus cães para fazerem as necessidades nas vias públicas e acham que estão exercendo seu direito democrático de sujar as calçadas.

A transformação de áreas de proteção ambiental em favelas, com o apoio e a ratificação do Prefeito César Maia, é uma situação emblemática do que acontece no Brasil pós-democracia. Para a pseudo democracia brasileira, tudo o que é público é para ser apropriado pelo mais esperto. Aquele que for mais rápido. A apropriação indébita de nossas florestas e parques públicos é apenas uma versão popular do modo como autoridades da República se apropriam do dinheiro público. Democracia, para essa gente, é pegar o que é público e transformar em seu.

César Maia é um emblema, um símbolo dessa mentalidade. Um gangster da política brasileira que estimulou a favelização da cidade em troca de votos para eleger o filho deputado federal. Filho da puta! Ninguém sabia quem era Rodrigo Maia. De repente o sujeito é eleito deputado federal. Ora bolas! Em momento algum o prefeito canalha pensou na cidade. Para ele o Rio sempre foi apenas um lugar que ele explora de um jeito escroto, da mesma forma que um gigolô explora uma prostituta.

10.1.08




Há mais poder em um dedal de lágrimas do que em um barril de lógica.


DECADENCE AVEC ELEGANCE Gisele Bündchen, como sempre, deu show no lançamento da coleção outono-inverno da Colcci. Além de bela a modelo transmite estilo, charme, elegância e alegria de viver. Vê-la na passarela é uma experiência única. As roupas que usava eram incríveis. Aliás, essa foi a melhor coleção da Colcci. As roupas das meninas estavam muito bacanas, assim como as peças dos rapazes. O Mateus Verdelho, por exemplo, usou um jeans branco com uma estampa que imitava manchas de tinta que foi um arraso. Vou comprar um jeans igual. Gostei também das botas dos rapazes e dos tênis em lurex, mas esses eu não tenho coragem de usar.

Ver a Gisele Bündchen foi uma emoção. Mas não foi só ela. O casting da Colcci era incrível. Uma juventude linda, cheia de amor para dar, pronta para ser devorada. Gostei muito de ter visto o desfile. Mas foi um sacrifício chegar até o Centro Cultural de Ação da Cidadania. A assessoria da Colcci é muito desorganizada. A entrada foi muito confusa. As pessoas da recepção mal educadas e grosseiras. Colocaram a maior dificuldade para o trabalho dos fotógrafos e cinegrafistas. Alguém precisa avisar aos produtores da Colcci que todo aquele circo é montado para os fotógrafos e cinegrafistas que vão reproduzir as imagens de Gisele por toda a mídia.

Bom mesmo foi encontrar Jorge Ben Jor na platéia. Adoro Ben Jor. E sempre esbarro com ele nos desfiles da Gisele Bündchen. Ele também é fã da nossa top e está sempre na fila do gargarejo, atento a todos os detalhes do que rola na passarela.

A ferveção no Fashion Rio começou logo pela manhã com o desfile do estilista Victor Dzenk no Copacabana Palace. Ali tudo deu certo. Uma organização impecável. Serviço de primeira. E o cenário do desfile não poderia ter sido mais bem escolhido: os salões onde funcionava o antigo cassino do hotel. Lustres fantásticos. Colunas. Escadarias. Um cenário de sonho. Patrícia Brandão, a linda relações públicas do hotel, recebendo a todos. Seguranças educados. Outro nível. Não tinha nada a ver com o favelão fashion da Colcci.

A coleção outono-inverno do Dzenk foi inspirada na história do hotel Copacabana Palace, dos anos 20, quando foi inaugurado, até o show dos Rollings Stones, ano passado. Para falar desse tema o estilista injetou glamour na passarela. E uma incrível paixão pela moda. Um vestido com estampas do rosto de Marlene Dietrich, uma das hóspedes famosas do hotel, virou objeto de desejo das mulheres da platéia.
Depois do desfile o estilista ofereceu um breakfast aos seus convidados. Garçons elegantes ofereciam taças de champanhe logo na entrada. Café, leite e uma variedade de sucos exóticos. Pães, bolos, torradas. Uma infinidade de queijos. Havia tanto ovos mexidos como caviar. Enquanto saboreavam os acepipes os fashionistas comentavam o desfile e botavam as fofocas em dia. E fofoca é algo que não pode faltar no mundo da moda.

A trilha sonora foi o elemento mais marcante no desfile de Melk Z Da. Depois do desfile todos queriam saber quem cantava a música tema da coleção outono-inverno do estilista. Melk é um sujeito talentoso e mostrou uma série de modelos arrasadores que pareciam buscar inspiração no gótico nordestino. Elegantes e alegres looks inspirados em vestidos de casamento. Modelitos para serem usados pela noiva, pelas convidadas, madrinhas ou sogras. Curiosamente, vestidos de noiva, são peças raras no Fashion Rio. E Melk arrasou na proposta de noivas para todos os apetites e critérios.

De que vale ter tudo na vida, uma antiga canção do cantor brega José Augusto, revista por um grupo de rock pernambucano chamado Rádio de Outono, foi a única canção utilizada na trilha. Gravada num leve ritmo de tango, com um charmoso teclado imitando um bandoneon, a música foi repetida à exaustão durante os quase vinte minutos de desfile. O arranjo charmoso e original podia ser definido como uma mistura do Gotan Project com Alceu Valença. Chamava atenção, principalmente, a timbre da vocalista. Uma voz de personalidade, com um leve toque de taquara rachada.

Quando os jornalistas perguntaram a Melk Z Da quem cantava a música do desfile ele apontou para uma moça no camarim e disse: “É aquela ali. Bárbara Formiga”. A imprensa cercou a moça e ela falou de sua banda, sua relação com a música e contou que a idéia original era o grupo se apresentar ao vivo durante o desfile, mas não foi possível por razões técnicas.

Bárbara Formiga, também conhecida em Recife como Bárbara Jones, surpreendeu a imprensa quando revelou que também é estilista, formada pelo Senac. A moça é uma das sócias da grife Meketref, especializada em roupas para jovens. A Meketref foi uma das sensações da última edição do Oi Fashion Tour na capital pernambucana.



6.1.08




Não há elevadores na casa do sucesso. Devemos galgar os degraus um a um.


O VERÃO DE 2008 – Leio sem parar o livro Dossie História. Bonito e muito bem editado, é uma reunião de oito reportagens de Geneton Moraes Neto, um dos grandes jornalistas brasileiros. O livro reflete o talento de um digno representante de sua profissão. As matérias têm um profundo senso de jornalismo. Os personagens enfocados foram muito bem escolhidos, na medida em que cada um traz em sua história pessoal fatos de profundo interesse público. E Geneton percebe isso de um modo inteligente ao traduzir para o leitor a importância daqueles personagens para a história contemporânea.


São oito capítulos e oito reportagens. No primeiro capítulo, na redação de um pequeno jornal em Londres, Geneton conversa com Abdel Bari Atwan, o homem que entrevistou Bin Laden. A partir desse encontro, o repórter brasileiro criou uma matéria jornalistíca que faz parecer que estamos diante de um texto do Ian Fleming para um dos romances de James Bond. Há tensão, suspense, e um “quê” de guerra fria. Os personagens parecem dentro de uma trama de ficção muito bem arquitetada. Mas, infelizmente, aquilo é o mundo real. É jornalismo. Leia um trecho a seguir:




Atwan bate no peito: diz que os três dias que passou em companhia de Bin Laden em Tora Bora o transformaram no jornalista que mais tempo ficou com o líder da Al-Qaeda, antes ou depois do 11 de Setembro.

Quem é, afinal, esse homem a quem Bin Laden fez tantas confidências, antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Abdel Bari Atwan é um palestino, nascido na Faixa de Gaza. Radicado na Inglaterra, dirige um jornal de língua árabe que é publicado em Londres, o Al-Quds al-Arabi. A chance de um encontro dface a face com Bin Laden nas montanhas de Tora Bora nasceu depois de um convite da Al-Qaeda.

Não por acaso, Atwan se tornou especialista em Bin Laden. Aceitou nosso pedido de entrevista, mas demonstrou ser um homem desconfiado. Vive olhando para os lados, como se estivesse se guardando contra a investida de algum intruso imaginário. Sobre a mesa de trabalaho, ao lado do teclado do computador, mantém um terço islâmico ao alcance da mão, para quando quiser enviar aos céus uma prece a Alá. O bigode é de Saddam Hussein.. Os cabelos devem ter passado por uma tintura rejuvenescedora.

Jornais publicaram que Osama Bin Laden chegou a andar com um cartão de visita de Atwan no bolso. Atwan já declarou, escreveu e repetiu que não endossa nem apóia a “agenda da Al-Qaeda”. Mas é certo que o encontro nas montanhas de Tora Bora serviu para estabelçecer uma relação de confiança entre o bigodudo Atwan e o candidato a califa Osama Bin Laden.





Os demais personagens do livro são figuras instigantes. Há pessoas que conviveram de perto com Mohammed Atta, o imigrante egípcio que se transformou no líder dos terroristas suicidas do 11 de setembro. Carl Bernstein, um dos repórteres do caso Watergate. O militante palestino que causou escândalo ao declarar que estava disposto a explodir como homem-bomba. Um octagenário soldado nazista que fala das atrocidades cometidas nos campos de batalha. O filho que vive em guerra contra o pai. E também o relato de uma mulher que descobriu um terível segredo de família.


Histórias reais que Geneton conta para o leitor com o talento de um grande repórter. Na apresentação do livro o autor diz que se considera “um pequeno tarefeiro da memória. Porque, em última instância, a memória é a grande matéria-prima do jornalismo”. É isso aí!