31.1.11



O músico Joel Ferreira em fotos de Thereza Eugênia.


O VERÃO DE 2011 – O músico Joel Ferreira vive momentos de glória neste insensato verão de 2011. O palco em que costuma exibir o seu som, a calçada em frente ao hotel Arpoador Inn, se tornou o lugar mais badalado desta temporada de sol inclemente e entardecer de pura magia. É ao som do seu saxofone que os freqüentadores do point em frente ao Arpoador Inn admiram o pôr do sol. É ouvindo, ao longe, a música de Joel Ferreira que Gilberto Braga, vizinho do hotel, escreve cenas de sua divertida novela. Woody Allen adoraria conhecê-lo. Seu som mistura jazz e bossa-nova, deixando bem claro que é tudo uma coisa só. Música, divina música.


Joel toca na calçada do Arpoador Inn desde o verão de 2009. Foi quando conheceu a fotógrafa baiana Thereza Eugênia. Chique como só ela sabe ser, Eugênia estava tomando um Martini no bar do hotel, admirando o pôr-do-sol no mar ao longe, quando escutou aquela música maviosa brotando do saxofone de Joel. Ficou atordoada com a música e logo percebeu que havia um artista de talento à sua frente. Imediatamente sacou sua câmera e começou a fazer cliques e mais cliques. Naquele momento surgiu uma bela amizade. E Joel Ferreira se tornou muso de Thereza Eugênia, que passou a fotografá-lo com frequência.


O que Joel não sabia (e não sabe até hoje) é que Thereza Eugênia é queridinha dos grandes nomes da MPB. Já fotografou Marina, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Simone, Ivan Lins, Nana Caymmi, Tom Jobim, Paulinho Lima, Edu Lobo e Roberto Carlos, só para citar alguns. Fez capas de discos que se tornaram clássicos da música brasileira. Foi amiga íntima do grande Guilherme Araújo e de seus pupilos Gal, Caetano, Gil e Bethânia. (Ela tem fotos incríveis de uma jovem Maria Bethânia nadando nua na piscina de sua mansão na Joatinga). Muito em breve ela vai fazer uma exposição no OI Futuro de Ipanema com seu arquivo secreto de astros da MPB.


Thereza Eugênia é uma fotógrafa brilhante.


Semanas atrás Thereza Eugênia fez um almoço para seu muso. Baiana arretada, foi para a cozinha e preparou um delicioso caruru com moqueca de peixe temperada no dendê. Tive a sorte de ser convidado para a inusitada tertúlia. Junto com a comida saborosa, tive o privilégio de ouvir o som magnífico do saxofone de Joel Ferreira. E isso não foi tudo. Além da música de Joel todos nós tivemos o prazer de ouvir a poesia maravilhosa de Helen Queiroz, mulher do artista. Joel é casado com uma poetisa muito talentosa. Helen além de escrever poemas belíssimos, sabe recitar os poemas com a intensidade de uma grande atriz. "Vocês deviam fazer um trabalho juntos, reunindo música e poesia", eu disse ao casal, enquanto me deliciava de música, poesia e caruru.


28.1.11


O rio corta a rocha não por causa de sua força, mas por causa de sua persistência.




FLORADAS NA SERRA – Eu estive em Nova Friburgo em Outubro do ano passado, por ocasião da campanha eleitoral para o Governo do estado do Rio. A coligação partidária para o qual eu estava trabalhando fez uma carreata na cidade e eu fui fotografar e acompanhar o evento para depois narrar tudo no blog da campanha. O Rio é um lugar muito bonito e viajar por todos os lugares foi a parte boa desse trabalho. (A parte chata era ter que ficar vuduzando os adversários). A viagem até Nova Friburgo (e depois até Teresópolis) foi um passeio muito agradável. A serra, as montanhas, a floresta... Paisagens que parecem surgidas de um sonho. É tudo muito bonito. A natureza vibrante é um bálsamo para o espírito. Por parte da natureza havia tamanha serenidade que nada indicava que dali a dois meses uma tragédia sem precedentes ia se abater sobre aquele lugar.


A beleza e a magia da região só eram quebradas pela intervenção cruel da espécie humana. O ser humano é muito voraz. Sua ganância não tem limites. Durante o passeio até Nova Friburgo uma coisa me incomodou bastante. Em alguns trechos, exatamente nos lugares mais bonitos, onde a paisagem é mais deslumbrante, havia enormes painéis publicitários. Algum espírito de porco teve a péssima idéia de patrocinar a paisagem. Gigantescos outdoors anunciavam shampoos, automóveis, cervejas, supermercados, etc. Quem quisesse admirar a paisagem teria que pagar o pedágio de ver painéis publicitários. Uma violência contra a natureza e também contra todos que gostam de admirar a beleza pura e simplesmente.


“Se for eleito você promete acabar com essa palhaçada?”, perguntei ao candidato que me acompanhava no trajeto até Nova Friburgo. Ele fez sim com a cabeça e arrematou. “Essa praga de placas publicitárias poluindo visualmente a paisagem está espalhada por todo o estado. Quem vai para a Região dos Lagos também sofre com isso. Nos lugares onde a paisagem é mais bonita, lá mesmo é que tem mais outdoors”.


A falta de carinho com a natureza é algo muito presente exatamente nos lugares onde ela, a natureza, é mais vibrante. Por isso, quando vi pela TV as imagens da natureza revoltada contra os humanos que tanto lhe maltratam eu vibrei. No embate entre o homem e a natureza, sempre vou torcer pela natureza. Tudo tem um limite. Mas o ser humano é totalmente sem limites.


Foi chocante ver na TV as cenas das casas destruídas pelo rio que invadiu as margens e arrasou tudo. Mas, ora bolas! Centenas de casas foram construídas às margens do rio. Despejando lixo e esgoto diretamente em suas águas. Anos atrás, organizações ligadas ao meio-ambiente tentaram impedir construções de casas às margens dos rios da região. Os moradores entraram na justiça e, com o apoio de partidos populistas como o PT e o PDT, conseguiram o direito de construir suas casas debruçadas sobre os rios da região serrana. Agora a natureza veio cobrar a conta. Com juros e correção monetária. De minha parte só posso dizer: Viva a natureza e abaixo essa humanidade podre.

Veja o blog SOS RIOS DO BRASIL: http://sosriosdobrasil.blogspot.com/

26.1.11

Há muitas noites na noite.




Meu pai


Meu pai
meu pai foi
ao Rio se tratar de
um câncer (que
o mataria) mas
perdeu os óculos
na viagem


quando lhe levei
os óculos novos
comprados na Ótica
Fluminense ele
examinou o estojo com
o nome da loja dobrou
a nota de compra guardou-a
no bolso e falou:
quero ver
agora qual é o
sacana que vai dizer
que eu nunca estive
no Rio de Janeiro


(Poemas de Ferreira Gullar)




Ainda vai ficar em cartaz até o dia 30 de Janeiro, no Oi Futuro de Ipanema, a videoinstalação do cineasta Silvio Tendler sobre o poeta Ferreira Gullar. São projeções de artistas recitando poemas e cenas do documentário que está sendo feito sobre a trajetória do poeta. É um evento simpático e curioso. As projeções são feitas em cima de uma mesa de botequim. Maria Bethânia, Natália Timberg, Camila Pitanga, Helena Ranaldi, entre outros, tem suas imagens projetadas sobre a mesa enquanto recitam a poesia contundente de Gullar. É muito divertido.

Tomando um café no bar do centro cultural Silvio Tendler me contou que está muito animado com esse projeto. A exposição é apenas parte do processo de filmagem do documentário, que inclui imagens raras do poeta, cenas do Maranhão, seu estado natal e depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Também serão incluídas sequências filmadas durante a exposição no Oi Futuro. Junto com Silvio estava o músico Vitor Biglione, que tinha ido acertar com o diretor detalhes sobre a trilha sonora que vai criar para o filme Há muitas noites na noite. Temas musicais inspirados no tango argentino, como sugeriu Silvio. Biglione estava acompanhado da mulher, Elizabeth, apresentadora da Rede Record do Rio Grande do Norte. Eles tinham casado havia poucos dias e tinham interrompido a lua de mel apenas para encontrar o cineasta.

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

20.1.11


20 DE JANEIRO - Dia de São Sebastião. Sol de verão. Calor de 40 graus. Praias lotadas. Dia de comemorar o padroeiro do Rio de Janeiro.

I LOVE RIO - Ano passado, durante a campanha eleitoral, trabalhei como Assessor de Imprensa do candidato Fernando Peregrino ao Governo do Estado do Rio. Por causa desse trabalho tive a oportunidade de conhecer de verdade o Rio de Janeiro. Bairros distantes, subúrbios, favelas e o interior do estado. Lugares que eu nunca tinha conhecido. Comícios, carreatas e reuniões com associações de moradores fazem parte de uma campanha política. E eu acompanhava o candidato, fazia fotos, preparava material jornalístico e alimentava a imprensa e o blog oficial da campanha com todos os eventos. E foi por causa desse trabalho que conheci lugares como Japeri, Queimados, Anil, Coelho Neto, Costa Barros, Encantado, Deodoro, Gericinó, Marechal Hermes, Belford Roxo, Paciência, Cidade de Deus, Complexo do Alemão... Fiz um mergulho na cidade do Rio de Janeiro e tive uma surpresa mais do que agradável.


Para quem, como eu, vive enfurnado em Ipanema, esse trabalho foi um aprendizado e, ao mesmo tempo, um prazer. A gente sempre acaba achando que, além da zona sul, é tudo favela e lugares pobres. Não é bem assim. No subúrbio tem bairros muito bacanas, com aspecto civilizado, ruas arborizadas, com casas com quintal e jardim. Houve um dia que nós estávamos indo fazer um comício em Senador Camará e, até chegar lá, passamos por vários bairros e eu olhava curioso por todos os lados, vendo as ruas arborizadas, os prédios e casas de classe média, o comércio civilizado, etc. De repente, eu me virei para o motorista e perguntei: “Ué? Cadê as favelas dessa cidade?” Rogério, o nosso motorista, deu uma gargalhada. “Tá pensando que a zona norte é só favela, Waldir? Esse é o mal de todo mundo que mora na zona sul. Acha que depois do túnel só tem favela...”


Rogério é um cara incrível. Profissional, trabalhador, boa gente. Um cara sensacional. Ele tem um profundo conhecimento da zona norte. Sabe tudo sobre os lugares, as ruas, as pessoas. Uma verdadeira enciclopédia. E quando ele percebeu que eu estava interessado em conhecer aquele mundo maravilhoso que se descortinava à minha frente, ele me deu verdadeiras aulas sobre os bairros da zona norte. Eu já conhecia a região da Vila Militar, em Realengo, que é um dos lugares mais lindos da cidade, com suas ruas largas e arborizadas, e suas construções de uma arquitetura refinada. Mas, graças a esse trabalho, e o auxílio luxuoso de Rogério, eu conheci toda a região: Padre Miguel, Magalhães Bastos, Marechal Hermes, Bento Ribeiro e Rocha Miranda. Fiquei particularmente impressionado com um bairro chamado Vila Valqueire. Não sei porque, mas o nome desse bairro me dava a idéia de um lugar pobre, carente. Mas, não é nada disso. Vila Valqueire parece o Leblon. Só não tem a praia!


Bangu também me impressionou muito bem. Lá tem muitas ruas só de casas, sem prédios. Casas com jardim, quintal, em ruas bem asfaltadas e cheias de árvores. O verde dando um clima bucólico ao lugar. Eu olhava aquela paisagem com ares de espanto, enquanto Rogério rolava de rir. “O Rio de Janeiro é muito lindo, Waldir. Você é que precisa sair mais da zona sul!”, ele dizia, com ares de anfitrião. Mas também conheci lugares como Queimados e Belford Roxo que, mesmo sendo mais pobres, tem um certo charme, uma tranqüilidade que eu não consigo explicar. Talvez a explicação para esse charme esteja nas pessoas. Graças a esse trabalho eu posso dizer que redescobri as pessoas. Mesmo nos lugares mais pobres, como Cidade Deus e o Complexo do Alemão, as pessoas demonstravam uma falta de angústia, um bom humor, uma sensação de estar felizes com o que tem. E talvez esse seja o grande segredo do bem viver: ser feliz com o que se tem.


A carreata em Belford Roxo foi muito divertida. Perecia o desfile de um trem elétrico durante o Carnaval. Uma multidão seguindo os carros. Um grupo de motoqueiros da região abrindo caminho. E eu me diverti muito com tudo aquilo. Também foi muito excitante participar do comício no Complexo do Alemão. Esse lugar sempre provocou arrepios na minha imaginação. Pois ali, na região hoje pacificada, eu me senti totalmente à vontade. Fiz muitas fotos dos moradores, conversei com as pessoas. E paquerei muito os rapazes do lugar. Eu percebi que o comício, para eles, foi como um evento, um acontecimento na comunidade. Observei que eles tinham se preparado para receber os políticos ali presentes. Além do Peregrino estavam Antony e Clarissa Garotinho. Então os moradores do Alemão vestiram suas melhores roupas, calçaram seus melhores sapatos, deram o melhor de si. Reparei também, que a última moda entre os meninos do subúrbio, é fazer as sobrancelhas. Fiquei impressionado com a quantidade de homens de sobrancelhas depiladas no subúrbio do Rio. Até os milicianos de Campo Grande depilam as sobrancelhas. É mole, ou quer mais?


Ao descrever o comício no Complexo do Alemão, no blog da campanha, eu destaquei o clima de evento social dos moradores e descrevi suas roupas, seu comportamento, suas sobrancelhas depiladas. E acabei sendo incompreendido pelo candidato Fernando Peregrino, que mandou um e-mail me criticando. “Por favor, mude esse texto imediatamente. Isso aqui é um blog político e não uma coluna social!” Peregrino é um cara super legal e sempre valorizou o meu trabalho. Eu expliquei que, para os moradores da região, aquele tinha sido sim, um evento social, por isso aquele nosso encontro merecia um tratamento como se fosse da coluna da Hilde. E ele acabou aceitando meus argumentos.


A zona oeste também me provocou surpresas por sua beleza e encanto, mas também por suas mazelas. Santa Cruz e Campo Grande me deram uma deliciosa sensação de espaço. Tudo me pareceu espaçoso, largo, distante. O verde ainda marca uma presença muito forte em toda a região e isso é muito bacana. Mas lá é uma região totalmente dominada pela milícia. E eu tive a oportunidade de conhecer uns milicianos bem de perto. Certo dia houve um comício num clube em Campo Grande. Enquanto Peregrino dircursava lá dentro, eu e Rogério ficamos do lado de fora, já que o clube estava lotado. Mesmo lá fora, havia muita gente. E esse acúmulo de pessoas nos eventos de que participávamos nos dava a sensação que íamos conseguir levar a eleição para o segundo turno. O que acabou não acontecendo. Aproveitando o movimento ali fora, notei um grupo de rapazes bonitinhos conversando na praça que ficava em frente ao clube. Todos vestiam calças e camisetas pretas. Camisetas estilo “mamãe tô forte”, que realçavam os músculos trabalhados em academias. Eu olhei para eles. Eles olharam para mim. “Galãs da zona oeste”, pensei. Fui ficando logo animado e interessado em fazer novas amizades. Rogério percebeu minha animação e me deu um toque imediatamente. “Cuidado com esses caras, Waldir. Eles são milicianos!”. Só então olhei mais atentamente e percebi que, o que eles carregavam na cintura, não eram capangas. Eram pistolas.


Um deles, que parecia o líder, me cumprimentou com um gesto com a mão. Eu respondi com um sorriso perverso e sedutor, achando excitante estar diante do perigo. Enquanto isso Rogério me dava toda a ficha do bofe. “O nome desse cara que te cumprimentou é Ângelo, conhecido aqui na área como Anjinho. Ele é o chefe da milícia aqui da região. Quem quiser ter van, tem que pagar taxa pra eles. Está vendo aquele ponto de táxi, ali do outro lado? Quem quiser parar ali, tem que pagar taxa pra eles. Esses bares e restaurantes aqui da região... Todo mundo paga taxa de segurança para o Anginho. Se não pagar eles fecham o bar. Esse Anginho é mau pra caramba!” Enquanto Rogério me contava os bastidores da vida urbana em Campo Grande um carro da polícia se aproximou e parou diante do grupo de milicianos. Os milicianos se aproximaram do carro da polícia, trocaram algumas palavras e muito sorrisos, depois o carro da polícia foi embora como se nada tivesse acontecendo. “Parece que a relação deles com a polícia é a melhor possível”, disse eu a Rogério, que deu um sorriso malicioso e retrucou. “Waldir, só existe milícia onde tem polícia. Esse Anginho também é policial. Ele tirou licença da polícia, pra se dedicar a milícia”.


Nesse dia, quando estávamos saindo do comício, já no automóvel que nos traria de volta para a zona sul, Anginho se aproximou do nosso carro. Estávamos eu, no banco do carona, Rogério na direção e, no banco de trás, Fernando Peregrino e sua esposa Edir. Anginho botou a cabeça dentro do carro e eu pude vê-lo bem de perto. Bonito, ar de garotão e as sobrancelhas depiladas lhe davam um ar de Cristiano Ronaldo do subúrbio. “Queria cumprimentar o senhor, candidato. E dizer que aqui na zona oeste está tudo certo, está tudo sob controle.” Nós ficamos estupefactos com a audácia do bofe. “Vocês viram que atrevimento?”, perguntei a todos. “É por essas e por outras que, caso eu ganhe a eleição, quero que a sede do governo seja na zona oeste, para acabar com a folga dessa gente”, respondeu o candidato, aborrecido com aquele constrangimento.


O Rio de Janeiro continua sendo!

19.1.11

O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos.



NOVA ORDEM SEXUAL – O escritor Zeca Fonseca está a mil por hora. Nem bem acabou de lançar seu romance Pandemonium e já está preparando um livro de contos. No momento ele finaliza o livro e seleciona os contos que vão fazer parte da coletânea. E para instigar seu público Zeca Fonseca acaba de publicar um dos novos textos no site da Editora Faces. Assim o leitor poderá ler um dos contos, antes do livro ser publicado. Nesse processo há duas curiosidades que devem ser destacadas: a temática do livro, uma história futurista sobre a sexualidade das próximas gerações, e a forma como o conto está sendo comercializado pela Internet. O processo é bem original: o leitor coloca seu e-mail no site e, imediatamente recebe um arquivo com o conto. Depois de ler, paga quanto quiser. O preço do conto é o preço da satisfação do leitor!


Nova ordem sexual é um conto hilário. Narra, numa linguagem quase jornalística, a vida sexual do ser humano no futuro, num mundo onde os heterossexuais serão uma minoria perseguida e discriminada. Depois que cientistas descobrem que a violência do homem é provocada pela testosterona, esse hormônio passa a ser tratado com drogas poderosas que praticamente acabam com a violência e as guerras. Nesse mundo de paz e harmonia a homossexualidade passa a ser a relação normal. Os presidentes de todos os países do mundo são gays, já que ser homossexual, no futuro descrito por Zeca Fonseca, é algo que valoriza o homem. Enquanto isso, os pouco heterossexuais restantes são perseguidos e descriminados. Para conseguir sobreviver nesse admirável mundo novo, os heteros se disfarçam vestidos de mulher.

Kakakakakakakakaka.!!!!


O conto de Zeca Fonseca é divertido, curioso e original. Ao vislumbrar a vida amorosa num futuro distante ele apresenta uma visão crítica da sexualidade nos dias de hoje. Quem leu seus romances O adorador e Pandemonium consegue perceber que o escritor é um heterossexual convicto, um apaixonado, quase obcecado pelas mulheres. É interessante que essa visão de um mundo do futuro protagonizado por uma sociedade homossexual tenha partido de alguém com uma vivencia absolutamente heterrossexual. Quando liguei para ele, a fim de comentar o conto, Zeca disse: “Eu me considero uma espécie em extinção”, e pelo tom de sua voz percebi que ele estava adorando ter algo em comum com o mico leão dourado.

Seria Zeca Fonseca um novo H. G. Wells? Seu conto é um excelente argumento para um filme do Ridley Scott ou do Steven Spielberg. Sua descrição do futuro é algo sui generis, só para fazer um trocadilho com aquela antiga revista gay. Seria muito divertido assistir a um filme que mostra os heterossexuais sendo perseguidos e discriminados por sua sexualidade. Pitgays apontando os caras e lhes atirando pedras. E gays politicamente corretos defendendo as minorias humilhadas. "Coitadinhos! Eles são heteros, mas são legais...", diria um biba defensora dos direitos humanos.

Leia a seguir dois pequenos trechos do conto Nova ordem sexual. Mas é recomendável que você participe de toda a experiencia proposta pelo escritor. Vá até o site da editora, digite seu e-mail no lugar indicado, receba o conto e, depois que ler, pague por ele quanto quiser. Nem que seja R$ 1.


O link da Editora Faces: http://www.editorafaces.com.br/





Num tempo futuro, não tão distante dos dias hoje, o mundo todo, a Terra, portanto, será oficialmente de maioria gay. Por uma questão de preservação da espécie, todas as mulheres serão homossexuais ou bissexuais porque somente elas terão liberdade para ir e vir num mundo onde toda a forma de prazer será aceitável. Exceto o prazer heterossexual. Por isso existirá uma enorme variedade de pênis artificiais, incrivelmente verossímeis, na tentativa de substituir o que por ventura restou de desejo heterossexual nas mulheres. Os homens heterossexuais serão irremediavelmente banidos e os poucos que conseguirem sobreviver serão transformados em objeto de fetiche para mulheres corajosas que ousarem burlar a lei. Lei gay.





Inicialmente alguns milhares de machos resistirão; espalhados e acuados, sobrevivendo de maneira muito variada e criativa à ameaça mortal que pesará sobre suas cabeças. Isso os obrigará a camuflarem-se como fazem os gays de hoje, que neste futuro serão os heróis de um mundo assumidamente heterofóbico. A perseguição aos heterossexuais será facilmente explicável, levando-se em consideração a perseguição sofrida pelos homossexuais nos séculos anteriores. Ou seja, o modus operandi enrustido dos gays de hoje será repetido pelos heterossexuais de amanhã, que sofrerão o mesmo tipo de limitação e discriminação. Pode ser que esta inversão de papeis ganhe contornos de vingança. Deste modo, o sofrimento dos héteros será ainda maior.


12.1.11

Os craques do Jiu-Jitsu posando para a posteridade.


Mestre Royler Gracie no seminário para lutadores estrangeiros.


Respeito e harmonia são fundamentais para os praticantes do Jiu-Jitsu.


É preciso ter força e saúde para encarar o ritmo do Jiu-Jitsu.


O sorriso do atleta domina essa foto.


Os gringos atentos aos comentários de Mestre Royler.


É preciso estar atento e forte!


Gracie! Uma marca que é sinônimo de Jiu-Jitsu.



O VERÃO DO JIU-JITSU – O tatame da academia Gracie do Humaitá tem estado concorrido nesses dias quentes de verão. Lutadores de várias regiões do Brasil e do exterior aproveitam a temporada de férias e verão para praticar sua luta marcial com quem mais entende do assunto: Royler Gracie. Dentre os lutadores está um grupo de vinte americanos, interessados em acrescentar um toque brasileiro ao seu estilo de luta. Entre um treino e outro os atletas visitam praias e pontos turísticos da cidade.


Royler Gracie é um cidadão de Ipanema. Adora o Rio, cidade que combina com seu estilo de vida. Mas desde que o pai, Hélio Gracie, morreu, Royler se mudou para San Diego, na Califórnia. A América se tornou um excelente mercado de trabalho para lutadores brasileiros, especialmente se eles tem o sobrenome Gracie. Royler conhece os EUA de ponta a ponta, já que trabalha viajando por academias em todo o país dando seminários daquilo que os americanos chamam de “brazilian jiu-jitsu”. São aulas em academias, universidades, quartéis e clubes.


Já faz tempo que o mercado de trabalho está aquecido na América. Mas Royler sempre relutou em se mudar para a terra de Barack Obama. Além da óbvia identificação com o Rio, Royler sempre foi muito apegado ao pai e não queria ficar longe dele. Gostava de ir visitar o velho no sítio em Teresópolis pois se sentia bem convivendo com ele. Cada conversa, cada bate-papo com Hélio era um novo aprendizado. Curtia seu humor e sua sabedoria. Buscava aprender o máximo e procurava trazer o aprendizado para as aulas que dá aos seus alunos que só o chamam de Mestre Royler. Agora o Rio de Janeiro é o lugar onde o filho mais novo de Hélio Gracie costuma vir passar o verão. E aproveita a viagem para conferir a evolução dos seus alunos na Academia do Humaitá e trazer lutadores americanos para um treino com a técnica brasileira.
Colombiano como Shakira, Luis Carreno machucou a orelha durante o treino.


Carreno quer apurar sua técnica de luta com os lutadores brasileiros.


Um aluno aplicado nos treinos.


Muito concentração ao enfrentar um bom adversário.


Defendendo as cores da Colombia.


Fazendo pose com o Mestre Royler Gracie



O GAROTO DA COLOMBIA – Entre tantos estrangeiros que treinam na Academia Gracie do Humaitá chama atenção o colombiano Luis Carreno. Ele está sempre disposto a treinar, querendo novos desafios e atento a cada movimento dos brasileiros. Quer tirar o máximo do aprendizado que está tendo no Brasil para levar para seus alunos na Colômbia. Sua convivência com lutadores brasileiros faz com que ele fale um português com um suave sotaque colombiano. Fala pausado e aparenta ser uma pessoa calma e generosa. Ele começou a treinar taekwodo aos cinco anos de idade, na sua cidade natal, Barrancabermeja, que foi fundada em 1536 e hoje é a sede da principal refinaria de petróleo do país.


O Jiu-Jitsu entrou em sua vida aos vinte anos, através do professor Amaury Bitetti. Dois anos depois, em 2003, se mudou para Nova York onde passou a treinar com o Christiano Bertolucci e teve a oportunidade de treinar com lutadores experientes e profissionais como Renzo, Royce e Rodrigo Gracie. Seu interesse pela técnica do Jiu-Jistsu brasileiro fez com que ele pudesse treinar com nomes importantes desse esporte no Brasil como Ricardio Libório, Vitor Shaolin e Paulão Rezende.


Depois de aperfeiçoar sua técnica no Brasil e nos Estados Unidos Carreno voltou para a Colômbia. Lá ele aplica seminários nas principais cidades do país como Bogotá, Armênia, Bucaramanga e Valledupar. Também treina militares do exércicito colombiano. E faz um trabalho social dando aulas a crianças cegas. Até Março Carreno fica no Rio aperfeiçoando seu estilo e técnica com os brasileiros que considera donos de um estilo refinado de lutar.


11.1.11

As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens, nem aventuras, nem novas descobertas.





Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.


Adeus


(Poema do português Eugênio de Andrade)

7.1.11

A Banda Brasil, com a vocalista Priscilla, agitando o carnaval do bloco Me Esquece.



Mensagem na camiseta do bloco: Homens pelo fim da violência contra a mulher.


Sérgio Major tem os olhos cor de ardósia, mas não é filho do Chico Buarque.


O sorriso cativante da rainha da bateria do bloco Me Esquece.


Fernando Lourenço Sérgio é o mentor intelectual do carnaval mais animado da zona sul.


As foliãs só querem se esbaldar ao som da Banda Brasil.


Do Leblon até a favela Dona Marta: O melhor carnaval do Rio.


Os foliões de Ipanema se esbaldando no carnaval do bloco Me Esquece.


Fernando Lourenço Sérgio e Sérgio Major: dupla de garanhões do carnaval carioca.


A quadra da Mocidade Unida do Santa Marta ferve com os ensaios do bloco Me Esquece.


"O bar nosso de cada dia" é o samba-enredo que vai agitar o Carnaval 2011.


É festa, é folia, é samba, é calor, é carnaval!





SAMBA, SUOR E CERVEJA - O bloco carnavalesco Me Esquece é quem está dando o tom bronzeado do verão carioca de 2011. Será um verão longo, já que o carnaval acontece apenas em Março. Mas, até lá, o ziriguidum dos cariocas antenados está garantido. Os ensaios do Me Esquece estão fazendo a festa da pacificada favela Dona Marta, em Botafogo. É que o bloco favorito da juventude dourada da zona sul fez um convênio, uma joint venture com a escola de samba da favela, que desfila no terceiro grupo. O negócio é o seguinte: a escola cede a quadra para os ensaios do bloco no verão e, em troca, os garotões da zona sul trabalham na infra-estrutura da escola durante o desfile no Carnaval. O fato é que, no carnaval de 2010, o convênio já deu super certo. E está se repetindo no verão de 2011.


Ziriguindum!


A cada quinze dias o Me Esquece agita a “comunidade” de Botafogo. (Desculpem, leitores, mas eu detesto a palavra comunidade. Então vou começar o texto novamente). A cada quinze dias o Me Esquece agita a favela de Botafogo. Ao contrário dos ensaios das grandes escolas que começam onze horas da noite e varam a madrugada, o ensaio do Me Esquece começa às quatro da tarde e acaba meia noite. A galera vaid direto da praia para o samba. E logo cedo a quadra da escola fica lotada. Então a mocidade bonita que não consegue entrar se espalha pelas ladeiras do morro e fica bebendo cerveja, azarando e promovendo batuques nas barracas que os moradores da região improvisam em frente de suas casas para faturar algum. Assim o carnaval que tem como epicentro a quadra da escola se espalha pelos becos, ladeiras e escadarias da Dona Marta.


Ziriguindum!


Nunca esqueci o primeiro desfile do Me Esquece. Um dos organizadores do bloco, Fernando Lourenço Sérgio, me convidou para uma feijoada de lançamento do bloco. Eu fui apenas por que ele era namorado de uma amiga muito querida, Andréa Lago, neta do compositor Mario Lago, autor de Amélia, um clássico da MPB. Chegando lá eu achei curioso, pois os organizadores do bloco eram uns rapazes super bem comportados. Eu poderia dizer até que eles eram caretas, mas depois descobri que essa palavra não é adequada para definí-los. Eles são loucos por samba, carnaval e futebol. E por isso resolveram fundar o seu próprio bloco carnavalesco que, originalmente, se chamava Me Esquece Que é Sexta. O nome do bloco seria um recado para suas namoradas, a quem eles pediam alforria nas sextas-feiras para poder caírem na gandaia. O primeiro desfile foi na Lagoa Rodrigo de Freitas e reuniu apenas a galera que vai à praia em frente a Rua Vinícius de Moraes. Mas, o sincero espírito carnavalesco de seus organizadores fez com que o bloco crescesse a cada ano e perdesse parte do nome. Agora o desfile do bloco é no Leblon, tem uma organização super profissional, uma bateria nota dez, uma banda sensacional que toca sucessos de carnavais passados e o som do DJ Markus Kabul para agitar corações e mentes dos foliões. Atrás do bloco uma multidão com as pessoas mais bonitas da zona sul.


Ziriguindum


Eu conheci a favela Dona Marta graças aos ensaios do Me Esquece. Até então não conhecia aquela região do bairro de Botafogo. E quando cheguei lá, pela primeira vez, fiquei encantado com o alto astral que se espalhava por todos os lugares. As ladeiras tomadas pelos belos e belas da zona sul. Os moradores da área super simpáticos, buscando oferecer o melhor para os visitantes. A policia pacificadora convivendo em harmonia com os foliões. E um agradável clima de carnaval da Bahia naquele cenário multicolorido. Todas as casas da favela foram pintadas com cores vibrantes e a gente tem a sensação de estar dentro de uma pintura naif sobre os morros cariocas.


Ziriguindum!


Quando cheguei na quadra da Mocidade Unida do Santa Marta o samba do Me Esquece ecoava por todos os lugares. “A lotação está esgotada, não temos mais ingressos”, me disse a simpática moça da bilheteria quando fui comprar meu tíquete. Claro que eu podia usar meus contatos e conexões para entrar imediatamente, mas ali fora estava tão divertido e agradável que preferi ficar um pouco no meio da rua. Comprei uma cerveja geladíssima na barbearia em frente a quadra e fiquei vendo o movimento em ritmo de carnaval. Dois PMs bonitões circulavam por ali, falando com todo mundo, como se fossem mestres de cerimônias, ou MC´s, como gostam de dizer os moradores do pedaço. Grupos de lindas meninas bronzeadas da zona sul se divertiam à vontade, se sentido seguras e protegidas. Aquele lugar parecia o retrato de um Brasil ideal pintado por um artista naif. Um luxo!


Cerveja, cerveja, cerveja...


A um rapaz que estava parado perto de uma escadaria eu perguntei onde ficava a estátua do Michael Jackson. “Eu sou guia da favela. Se quiser, eu levo o senhor até lá”, me disse o moreno sestroso, com seus incríveis olhos cor de mel. Respirei fundo e tomei um copo de cerveja num gole só. “Okay, quero que você me mostre a estátua do Michael Jackson”, respondi. E saí atrás dele, por entre becos, escadarias e ladeiras, enquanto o moço contava histórias divertidas sobre o lugar e seus habitantes. O passeio fez com que eu me sentisse numa espécie de Disneylândia do Rio de Janeiro. “A Madonna também já esteve aqui mesmo onde a gente está passando”, disse ele, me fazendo se sentir especial por estar pisando no mesmo lugar que já havia sido pisado pela grande dama do pop.


Cerveja, cerveja, cerveja...


Eu já estava super animado quando decidi cair no samba e resolvi entrar na quadra. “O Fernando Lourenço está aí? Sou convidado dele”, disse eu a moça da bilheteria. Imediatamente ela sacou um celular, trocou duas palavras e fez um sinal para que eu aguardasse. Não deu tempo nem de beber um copo de cerveja. Fernando Lourenço surgiu glorioso na entrada da quadra e quando ele abriu os braços eu tive certeza que estava diante de um rei do carnaval. Aquele rapaz tímido que tinha fundado um singelo bloco em Ipanema estava dando um novo colorido ao carnaval da cidade. E senti que havia algo de revolucionário no modo como ele e seus amigos, rapazes da zona sul, se aproximaram do samba autêntico executado pelos nativos da favela.


Ziriguidum!


Dentro da quadra a vida era só alegria. Primeiro uma roda de samba. Depois a bateria do bloco tocando junto com a bateria da Mocidade Unida. E no final a Banda Brasil agitando ainda mais a folia, misturando MPB, com frevo, samba e música baiana. O mais bacana é que todos são músicos de qualidade e oferecem o que há de melhor para o público. Boa música, animação, bebida, farra e consciência social. A renda da festa organizada pelos meninos ricos vai para as obras sociais da região. Além disso, o evento é reforçado por uma campanha contra o machismo. A camisa do bloco tem estampada nas costas uma frase singela: Homens pelo fim da violência contra a mulher.


Evoé!


3.1.11


A diferença entre o sexo pago e o sexo grátis é que o sexo pago costuma sair mais barato!



O PRAZER DE LER – Uma jóia rara da literatura brasileira. Assim é Revolta, o romance de Márcio Souza, que tive a oportunidade de ler na última semana de 2010. É gratificante para quem ama a literatura encontrar um livro como esse. Uma história contada com refinamento literário por um autor com um perfeito domínio do seu ofício. O prazer de ler se renovando a cada página, a cada nova trama traçada pelo autor, um dos grandes da literatura brasileira.


O amazonense Márcio Souza é um craque. Quando surgiu no mercado literário do Brasil com Galvez, O imperador do Acre surpreendeu críticos e leitores com uma literatura original, culta e contundente. Galvez se tornou seu principal livro de referencia. É por esse título que ele geralmente é lembrado. Mas minha admiração por Márcio Souza se consolidou quando li seu romance A Condolência, uma obra-prima incontestável da literatura brasileira.


Foi Antônio Calmon, amazonense como Marcio, quem me sugeriu ler A Condolência. “Você tem que ler esse livro. É sensacional”, disse Calmon certa vez, me entregando um exemplar que tirou de sua biblioteca particular. A Condolência é um thriller ambientado nos bastidores do regime militar no Brasil. Ação, suspense, perseguições, tiroteios, crimes. Parece um desses livros de espionagem escritos por Ian Fleming ou John Le Carré. Só que com uma realidade e um tempero bem brasileiros.


Na seqüência li A ordem do dia, outro belo exemplar da vibrante literatura de Marcio Souza. Depois foi a vez de Mad Maria, um de seus livros mais famosos. Em Mad Maria Marcio Souza leva o leitor ao êxtase com sua competência, seu talento para contar uma história na linguagem literária. Durante um período da minha vida foi Márcio Souza quem me alimentou com seus petiscos literários, da mesma forma como, em outros períodos, já tinha havido José Lins do Rego, Jorge Amado, José de Alencar e Rubem Fonseca.


Revolta, o romance que li nos últimos dias de 2010, é ambientado durante a Cabanagem, uma revolta popular que aconteceu entre os anos de 1835 e 1840 na província do Grão-Pará, atual estado do Pará. Revolta é modo dizer. Foi uma guerra mesmo. O nome Cabanagem tem origem no fato da revolta ter sido insuflada pelos “cabanos”, como era chamado o povo pobre, mestiço, que vivia em cabanas nas margens dos rios da região. Tanto os cabanos, como a elite local formada por fazendeiros descendentes de portugueses, queriam a independência do Grão-Pará, insatisfeitos com o governo do Brasil no período regencial.


O romance de Márcio Souza é ambientado nos primeiros seis meses de 1835. Pesquisador e grande conhecedor das histórias da região amazônica, ele descreve com riqueza de detalhes a vida no Grão-Pará naquele momento histórico. A vida das pessoas, os conflitos, a arquitetura, os figurinos, as paixões, os lugares, a comida... É um mergulho muito esclarecedor num período da vida brasileira em que houve uma guerra.


O herói do romance, que mistura ficção com fatos e personagens reais, é um rapaz chamado Maurício Vilaça. No início da trama Maurício está em Baltimore, nos EUA, estudando para ser um grande comerciante, quando recebe uma carta de sua família avisando que o seu padrinho foi morto numa emboscada dos revoltosos. Para sua surpresa o padrinho lhe deixou como herdeiro de toda a sua fortuna. Apesar do clima de guerra no Pará Mauricio resolve voltar a Belém e ficar ao lado de sua família. Ali ele se torna uma testemunha ocular da violência, da guerrilha e dos conflitos sociais de uma terra sem lei e sem ordem.


Maurício é um jovem culto e bem nascido, que tenta viver da melhor forma possível, em meio ao caos e o terror. É através do olhar de Maurício que o autor conta a sua história. O herói branco e aristocrata tem um lado romântico e se apaixona por Joaninha, uma linda jovem de dezesseis anos, de origem pobre. O romance não pode se realizar, já que o rapaz não é bem visto pela comunidade onde vive a moça, lugar de onde surge boa parte da onda revolucionária que assola a cidade de Belém.


Mas, enquanto não realiza seu amor pela donzela pobre, o rico Maurício vive toda uma vida de prazeres carnais. Mulheres de todos os tipos são seduzidas pelo belo e sedutor Maurício. Sejam elas aristocratas, reclusas, pudicas, atiradas, solteiras, casadas, escravas, mestiças, prostitutas... Em meio a explosões, ataques, guerrilhas e cenas de extrema violência e dramaticidade, Maurício se deita e se deleita com todas as mulheres que surgem à sua frente. E o romancista não se impõe nenhum tipo de censura aos desejos de seu carismático personagem. Com o mesmo talento com que descreve os conflitos da guerrilha e as tramas políticas daquele tempo, o autor descreve com riqueza de detalhes as vicissitudes da vida sexual de seu herói. Assim Márcio transforma o seu livro sobre a tragédia de um momento histórico no Brasil num saboroso e picante romance erótico. Em meio a uma guerra sangrenta, onde todos parecem viver no limite de suas vidas, a libido dos personagens explode com o mesmo fulgor dos tiros de canhão. E esse olhar abrangente e comprensivo sobre os personagens que viveram aquele trágico momento histórico parece definir bem o caráter do povo brasileiro, segundo o olhar arguto de um de seus mais brilhantes escritores.


Revolta, de Márcio Souza, é um livro sensacional.


1.1.11

Liliana Rodrigues recebe o carinho de um de seus convidados para o reveillon no Chopin.


Alexandra e o seu amigo do peito


Champanhe, champanhe, champanhe...


Luiz Carlos Miéle no trepidante reveillon de Lili


Foi uma festa inesquecível...


Uma noite de casais apaixonados...


Liége e Luiz Fernando adorados por todas as tribos do Rio


A primeira década do século 21 agora é passado. Viva a nova década!


Nestor Rocha, Luiz Bellando, Liliana Rodrigues e Ricardo Rosenfeld


Paz e harmonia foram os grandes pedidos para 2011


Ignês Costa e Silva, a padroeira de Ipanema


Todos queriam guardar uma lembrança da festa de Lili


Alexandra: afinal uma mulher de negócios!


REVEILLON – A queima de fogos na Praia de Copacabana cada ano fica mais bonita. É um espetáculo grandioso, mágico e perturbador. Os fogos riscando o céu com cores e luzes. E as imagens de luz refletindo nas águas plácidas do oceano. Os desenhos psicodélicos das explosões são incríveis e provocam êxtase. É curioso. No momento das explosões sempre tenho a sensação que o mundo vai se acabar daquele jeito. E quando a gente pensa que o show de luzes, cores e explosões está no fim sempre acontece uma surpresa, algo mais feérico e diferente que comove e emociona. E junto com o festival de fogos colorindo o mundo tocou a música de Villa-Lobos que deixou tudo ainda mais bonito.


Assistir a queima de fogos foi o ponto alto da festa do casal Liliana Rodrigues e Nestor Rocha, no quarto andar do Edifício Chopin, bem ao lado do Copacabana Palace. Liliana e Nestor são pessoas adoráveis e receberam seus convidados com tudo o que há de bom e do melhor. Os garçons não permitiam que nenhuma taça de champanhe ficasse vazia. E se alguém preferia um outro drinque bastava pedir que era servido, mesmo que fosse a mais exótica das bebidas. Os canapés estavam deliciosos. Mas, o melhor de tudo, foi o astral positivo. O bom humor das pessoas. O otimismo. O tratamento carinhoso. A animação. Ou seja, o apartamento de Lili e Nestor foi o lugar perfeito para começar um novo ano.


“Uma nova década!”, me lembrou a capotante Alexandra Ataíde, linda de morrer com seu modelito branco. “Mais do que um novo ano, em 2011 nós vamos começar uma nova década”, me disse minha querida amiga. Alexandra é uma danada! Quem a vê com seu rosto de menina levada nunca imagina que ela é uma excelente profissional do mercado financeiro. Ela trabalha com ações, bolsa de valores e outros babados do universo capitalista. “Vamos fazer um brinde à nova década”, sugeriu a lindinha, ao lado de um belo rapaz. “É seu namorado?”, sussurrei no seu ouvido, curioso, mas ela respondeu que era apenas um amigo. Mas ao longo do reveillon pude perceber que eles eram beeeeeeemmmmm amigos!


Champanhe, champanhe, champanhe...


“Meu querido Waldir!”, foi assim que Sydney Pereira, o homem forte da TurisRio me recebeu no reveillon chez Lili! O Sydney é sempre muito gentil comigo e fazia um tempão que eu não o via. “O Waldir é um grande escritor”, disse ele para um amigo que estava sentado ao seu lado. “Eu jamais esqueci aquele seu conto sobre os jogadores de pólo aquático da Tijuca”, falou Sydney enquanto um garçom enchia minha taça. Fiquei sinceramente comovido com o seu carinho. Um elogio sobre a minha literatura, faltando poucos minutos para a chegada de 2011, foi um presente e tanto. Esse conto, chamado “A Tijuca quer gozar”, foi publicado no início da década passada na revista Homens. E mesmo assim ele ainda lembrava... Obrigado Sydney! Feliz 2011 pra você também...


Champanhe, champanhe, champanhe...


O reveillon da Lili e do Nestor estava cheio de personagens da coluna da minha querida e adorada Hildegard Angel. Muitos dos personagens que a Hilde adora circularam pelo animado salão de Lili. Pena que a própria Hilde não pode estar presente. Ela foi convidade de honra de Dilma Roussef para a posse em Brasilia. Afinal, quem pode, pode! Mas a grande dama do colunismo social foi muito lembrada na festa do Chopin. “Não vejo a hora de ler tudo sobre a posse da Dilma no blog da Hilde”, disse Ana Clara Hermann para um grupo de dondocas que dançavam animadas ao som do DJ Dudu Mena, filho do Guilherme Lamounier.


Por um dos telões montados na areia da praia a gente podia ver os atletas brasileiros no lançamento do logotipo das Olimpíadas de 2016. Enquanto isso, no salão, um verdadeiro desfile de personagens hildegardianos. O Deputado Júlio Lopes, cada dia mais gostoso, estava por lá. Com ele a linda namorada Kitty Monte Alto. O diretor de novelas Marcos Paulo com Antonia Fontenelle. A Condessa italiana Giovana Deodato. Milene e Chilco Peltier. Nicole Tamborindeguy. Ricardo e Luciana Rosenfeld. Rawlson de Thuin. Gisele Fraga. Luiz Carlos Miéle com Anita. A protetora de Ipanema Ignês Costa e Silva com Sérgio. Liége Monteiro e Luiz Fernando deixaram a festa ainda mais animada...


Champanhe, champanhe, champanhe...


Quando começou a contagem regressiva nos telões da praia um frenesi tomou conta do salão. Estava chegando a hora. 2011 se aproximava de forma irreversível, enquanto a primeira década do século 21 estava se transformando em passado. Toda a festa se dirigiu aos janelões do apartamento e cada um se acomodou como pode para assistir de camarote, do quarto andar do Chopin, a sensacional queima de fogos na Praia de Copacabana. E quando os primeiros riscos coloridos iluminaram o céu, foi um festival de ohs e uis, assovios, aplausos e gritinhos. Ninguém conseguia se conter diante da beleza retumbante dos fogos pipocando sobre o mar, os transatlânticos ancorados lá longe, a multidão vibrando na Avenida Atlântica, as pessoas se abraçando... Tudo parecia tão harmonioso... Foi incrível...


Na festa da Liliana acontecia uma surpresa atrás da outra. Durante a explosão dos fogos todos os convidados se voltaram para a janela, para ver o espetáculo pirotécnico. E quando o show de luzes e cores acabou e os convidados se voltaram para o salão, como que por magia, a ceia já estava servida. Ai que loucura, teria dito a Narcisa se estivesse presente. Liliana brindou seus convidados com um requintado festival gastronômico: bacalhau, salmão, risotos, filés, massas, caldos... Sem falar nas incríveis sobremesas... Todos começaram 2011 com corpos e almas muito bem alimentados...


Champanhe, champanhe, champanhe...


Já fazia mais de uma hora que a nova década tinha começado quando chegou o trepidante Ricardo Amaral com a sua Gisela, ou melhor, Santa Gisela, como suas amigas do soçaite gostam de chamá-la, por causa da sua generosidade com o próximo. Pois é. Tudo o que faltava na festa era uma santa! Ricardo e Gisela estavam no reveillon do Copacabana Palace, com o Prefeito Eduardo Paes e o pessoal do Comitê Olímpico que tinha vindo lançar a logomarca Rio 2016. Mas o casal, dos mais queridos da vida carioca, fez questão de tomar um champanhe chez Lili. E, ao mesmo tempo em que Gisela contava para as amigas os detalhes do reveillon do Copa, Ricardo falava do sucesso do seu livro sobre a vida mundana do Rio de Janeiro.


Enquanto isso a pista de dança fervia. Depois de começar os trabalhos com música eletrônica o DJ evoluiu para os grandes sucessos da disco music. Mas depois das duas da manhã, com todo mundo já bem animado, ele bancou o criativo e agitou a pista com sucessos de artistas bem populares como Sidney Magal e Gretchen. Foi então que o Carnaval começou...


Feliz nova década!