31.12.08





FELIZ 2009 - SAÚDE E SORTE!!!
GOLDEN GAYS 2008Assumir pra quê? 2008 foi o ano em que esse negócio de assumir que é gay se tornou um comportamento old fashion. É isso mesmo. Nesse alvorecer de 2009 ser gay assumido é algo totalmente fora de moda. É ser careta, antigo, ultrapassado! Ninguém tem mais que assumir nada. O quente mesmo é ser não assumido. Cada um é do jeito que é. E ponto final. Pois bem. Esse é o espírito da lista dos gays mais importantes de 2008. A seguir, pelo sexto ano consecutivo, veja a relação dos gays que mais deram (deram?) o que falar em 2008. Quem foram eles?


HENRIQUE MEIRELLES – O Presidente do Banco Central é a biba mais poderosa do Brasil. Homem de confiança do Presidente Lula, ele deita e rola com as finanças do país. É Meirelles quem tem a chave do cofre-forte. Adepto da “especulação financeira acima de tudo”, é o reponsável pelo fato do Brasil ser o país onde se cobram os juros mais altos do mundo. Inteligente, culto e de hábitos sofisticados, o nome mais importante dos Golden Gays 2008, é um economista respeitado no mercado financeiro internacional e um dos nomes mais cotados para a sucessão do Presidente Lula.

PEDRO ANDRADE – Esse Pedro não pára! Modelo e estudante de jornalismo, Pedro é um sucesso na televisão americana onde apresenta dois programas: 1st Look, um guia de bares e lugares da moda em New York; e On the Rocks, um reality show onde ele pesquisa e revela o melhor bartender dos EUA. Fez editoriais de moda para a revista Tetu Magazine, a Bíblia dos gays antenados da Europa. Foi atração das colunas de fofoca quando namorou publicamente com Lance Bass, vocalista do grupo de música pop N´Sync. Seu sucesso em Nova York lhe rendeu uma participação, como convidado de honra, do programa Manhattan Connection. Precisa maior prova de prestígio? Pedro, que já foi casado com o ator Leonardo Brício, começou a fazer sucesso depois que ele mesmo espalhou em Nova York que ia ser protagonista de um filme do David Lynch. Era tudo mentira, mas vários jornais brasileiros publicaram a notícia falsa e isso acabou dando a maior confusão. Exatamente o que o esperto Pedro queria.

RONALDO FENÔMENO – Depois de ter feito uma orgia com três travestis o fenômeno do futebol brasileiro caiu na boca do povo. A machista torcida brasileira adorou saber que o grande atleta também é do babado. Afinal, deixar a namorada em casa e depois sair para pegar um travesti é um dos programas favoritos dos machões brasileiros. O fato é que o espisódio com os travestis transformou Ronaldo num ícone gay definitivo.

EDUARDO PAES – Os surfistas da Zona Oeste não vêem a hora do ano novo começar. É que o próximo Prefeito do Rio é protetor dos surfistas da Barra da Tijuca e arredores. Depois que Paes foi eleito no Rio e Kassab em São Paulo já se diz na Internet que a a parada gay vai ser na Via Dutra. Paes começou a carreira política como namorado de Rodrigo Maia, o filho biba do prefeito César Maia. Em 2008 ele supreendeu ganhando de Fernando Gabeira a eleição para Prefeito do Rio. Em 2009 vai entrar em cena na Prefeitura cercado de prefeitinhos tão belos quanto elegantes. Os gays cariocas prometem fiscalizar de perto a administração de Paes.

GILBERTO KASSAB – É o queridinho dos michês do Parque Trianon! Na última eleição foi chamado de gay pelos fascistas do PT, mas o povão não deu a mínima importância e o reelegeu para um segundo mandato. É ou não é uma bicha poderosa? Os eleitores o consideram competente, organizado, profissional e honesto. Com a eleição de Kassab os cidadãos paulistas mandaram um recado para os machões do PT: “Preferimos um Prefeito veado do que um Prefeito ladrão!”.

TUCA ANDRADA – Bonito, talentoso, sexy e inteligente. Assim é o ator pernambucano Tuca Andrada. Em 2008 ele brilhou nos palcos cariocas como Joseph K, o lendário personagem do livro O Processo de Franz Kafka. Sua atuação rendeu aplausos da critica e do público. Tuca também mostrou seu talento na Rede Record interpretando Eric Fusili, um vilão psicopata da novela Os Mutantes. Mas Tuca faz sucesso mesmo é na Praia de Ipanema, ali em frente ao coqueirão, onde costuma causar furor com seu corpo sexy e malhado.

NEY MATOGROSSO – No auge dos seus 68 anos Ney é um exemplo de vitalidade para gays e heteros de todos os matizes. Em 2008 o cantor causou furor com o show “Inclassificáveis”, provando que seu estilo pessoal e sua personalidade atingem mesmo o coração da família brasileira. Profissionalismo em cena, figurinos exuberantes, efeitos especiais e coreografias exóticas fizeram a festa do público brasileiro e trouxe de volta às paradas Mal Necessário, um clássico do seu repertório que diz: “Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher. Sou a mesa e as cadeiras desse cabaré...”

DELFIM NETO – O Czar da economia no Governo Militar é um dos principais conselheiros do Presidente Lula no Brasil de 2008. Isso é ou não é uma bela demonstração de poder? Delfim Neto é um ícone gay desde a época da ditadura, quando dava as cartas na economia brasileira de então, enquanto chupava o pau dos melhores bofes do País. Foi a partir dessa época que ele ficou conhecido como A Gorda. Esse era o código que usava para pegar os bofes. A biba ligava pra casa de um rapaz lindo e moreno e, para não se identificar, deixava um recado pedindo para ele entrar em contato com A Gorda. Todos os rapazes bem dotados da época sabiam quem era A Gorda. Desde a ditadura, até o período democrático, A Gorda nunca saiu de moda. Delfim não é só um economista brilhante, como também um observador atento da vida brasileira. Mas, acima de tudo, é uma Messalina devassa capaz de fazer qualquer loucura por um bofe!

CARMO DALLA-VECHIA – Com seu personagem Zé Bob na novela A Favorita Carmo conquistou corações e mentes do público brasileiro. O herói que se dividiu entre Flora e Donatela foi um presente do namorado do ator, o novelista João Emanuel Carneiro. Mas foi no cinema que Carmo mostrou todo seu talento. No melhor filme brasileiro do ano, Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeira Prado, o ator comove e emociona como um fã obeccado por uma cantora, que acaba assimilando a personalidade da artista e acaba se transformando nela. Um show de interpretação.

ZECA CAMARGO – Conhecido na praia gay de Ipanema como Jeca Camargo, o apresentador do Fantástico deu muita pinta na tela da Globo em 2008. O mais deslumbrado personagem da TV brasileira deu muito o que falar não só na telinha como no seu simpático blog, onde opina sobre tudo. Até sobre a qualidade da programação das emissoras concorrentes. No início de 2008, ao almoçar num restaurante em Ipanema, quando foi pagar a conta, Zeca não se conteve e chamou o garçom de Fofinho. “Fofinho, traz a conta!”, disse o saltitante jornalista, provocando olhares curiosos de seus vizinhos de mesa. Pois é. Uma biba que chama o garçom de “fofinho” tem mais é que estar nessa lista.


25.12.08





Não há melhor amigo nem parente do que nós mesmos.
SÁBADO EM COPACABANADorival Caymmi tem uma música chamada Sábado em Copacabana em que ele exalta a felicidade que alguém desfruta quando tem a oportunidade de viver uma experiência simples e singela: passar um sábado em Copacabana. Pois bem. Meus melhores momentos de 2008 foram vividos nos sábados em Copacabana. Assistindo ao futebol de praia, me divertindo com meus amigos, bebendo nos botequins, fazendo farra, jogando conversa fora ou, simplesmente, vivendo. Parece que o sábado estimula a carioquice do bairro. Assistir a uma partida de futebol na TV de um botequim, numa tarde de sábado, é tão excitante quanto assistir uma partida na arquibancada do Maracanã. Vibração, energia, algazarra, zoação e amor ao futebol... Não importa se é Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense. Se tiver um time carioca na partida, é diversão na certa. O futebol, o botequim, a praia, a cerveja... Toda uma cadeia de elementos que leva ao caminho da felicidade...

Sábado passado houve a festa de confraternização do Copacabana Praia Clube, tradicional time de futebol de praia. Admirando o ritmo da festa, o alto astral das pessoas, a alegria sem culpa, o clima de solidadiredade eu me toquei que, apesar de todo o seu esforço, César Maia não conseguiu destruir o Rio de Janeiro. César machucou muito, é verdade, mas não acabou. A essência do que há de melhor na cidade ainda brota nas praias, nas esquinas, nas ruas arborizadas... Meses atrás, quando fui assistir a um jogo do Força e Saúde, caminhando pela Rua Paula Freitas notei a beleza das árvores que se harmonizava com a beleza dos edifícios. Havia uma tranqüilidade na rua. Uma calma típica do sábado à tarde...

Na festa do futebol de praia, na areia em frente a Rua Duvivier, estavam alguns dos maiores craques da areia: Denílson, Iury, Valois, Fabio, Binho, PC, Batata, Marcio Banana, Rogério, Bolinho, Jamaica, Felipe, Leo Gigante... A felicidade em forma de cerveja, churrasco e futebol. Um mundo de histórias engraçadas e fartos gestos de carinho.

Um dos momentos mais divertidos da festa foi quando Batata, o grande craque, um dos maiores batedores de falta da areia, contou sua experiência no show da Madonna. Batata (o nome dele é Ailton) é dono de uma empresa de turismo. Um grupo de turistas endinheirados de Curitiba veio ao Rio só assistir ao Sticky e Sweet e contratou seus serviços. O jogador fez o guia turístico e levou o grupo ao Maracanã. À vontade na sua festa, com uma lata de cerveja na mão, o jogador contava aos amigos como foi o show.
Disse assim o Batata:

“Galera, eu nunca vi tanto gay na minha vida. O Maracanã tava lotado de gays e lésbicas. Todo mundo se beijando, se agarrando, fumando, cheirando... Rolava de tudo naquele Maracanã! Nunca vi uma coisa daquela! Jamais iria num show da Madonna. Fui porque tava trabalhando. Mas nunca imaginei que fosse assim. Teve uma hora que fui no banheiro e tinha um cara chupando o pau do outro...”. Nesse momento da narrativa ele fez uma pausa, olhou pra mim, fez um carinho no meu rosto e disse: “Não tenho nada contra quem chupa pau. Mas em público?” Gargalhadas gerais. Depois continuou. “O pior é que eu reconheci um dos caras." E contou que era um dos donos de uma famosa grife carioca.
Decadence avec elegance!

Batata tem razão. Também notei que a platéia da Madonna era predominantemente gay. Nos dois shows tentei localizar algum bofe na multidão e não vi nenhum. Só bibas. A platéia era um verdadeiro congresso de gays, lésbicas e simpatizantes. Bibas de todo o Brasil vieram dar pinta com Madonna no Maracanã. Essa constatação me fez achar que talvez a razão do grande sucesso da cantora seja o fato dela ter atingindo o coração dos gays. As bibas adoram Madonninha! Quanto aos exageros da platéia, eu já havia notado isso no show de 1993, The Girlie Show. Naquela época a Material Girl tinha acabado de lançar Sex, um álbum com fotos sensuais, junto com o disco Erótica. Então havia uma forte tensão sexual na platéia. Só que em 93 haviam mais heterossexuais entre o público. De qualquer modo acho as pessoas vão ao show da Madonna dispostas a tudo! A cantora estimula a transgressão e o hedonismo nos seus fãs.

No dia anterior ao show, quando passei em frente ao Copacabana Palace (sim galera, eu fui pra porta do hotel) ouvi o seguinte diálogo entre um cameraman (com crachá da Rede Record) e seu assistente. O segundo dizia: “Puxa, como tem veado aqui na porta do hotel”, e o primeiro respondeu lacônico “o público dela é esse mesmo”. Bingo! Nesse mesmo dia, depois do futebol de praia, perguntei aos jogadores qual deles ia ao show da Madonna e todos responderam que não. “Eu gostava da Madonna antigamente, quando ela cantava La Isla Bonita. Essa Madonna de hoje tá muito diferente”, me disse um dos craques de pernas roliças. Eles foram ao show do Chiclete com Banana, que aconteceu no Rio-Centro exatamente um dia antes da estréia de Madonna no Maracanã. Bofe gosta mesmo é de micareta.






Depois de trabalhar toda a semana
Meu sábado não vou desperdiçar
Já fiz o meu programa pra esta noite
E sei por onde começar


Um bom lugar para encontrar: Copacabana
Prá passear à beira-mar: Copacabana
Depois num bar à meia-luz: Copacabana
Eu esperei por essa noite uma semana

Um bom jantar depois de dançar: Copacabana
Um só lugar para se amar: Copacabana
A noite passa tão depressa, mas vou voltar se pra semana
Eu encontrar um novo amor: Copacabana

18.12.08





PRIMADONNAMadonna sabe tudo! Foi uma emoção incrível voltar a vê-la no Maracanã, quinze anos depois do inesquecível The Girlie Show, em 1993. Os dois shows da turnê Sticky e Sweet foram lindos e emocionaram o público. Chamava atenção a felicidade estampada no semblante das pessoas antes, durante e depois de cada apresentação. Aquele encontro com Madonna cada fã quis guardar como um momento mágico de suas vidas. E a cantora tem o poder de distribuir magia com sua arte. Salve rainha!

O melhor momento da Madonna aqui no Rio foi quando ela cantou Dress you up. Na parte final do show ela pede pra alguém da platéia sugerir uma canção e ela canta sozinha, com o acompanhamento do público. No segundo dia alguém levou um cartaz onde estava escrito Dress you up e ela cantou essa canção com a multidão e foi demais. Vibrei com o Maracanã inteiro cantando o refrão da música: Gonna dress you up my love / all over your body! Se Madonna tivesse me perguntado qual canção eu gostaria de ouvir minha resposta teria sido Dress you up.

Foi lindo quando ela cantou You must love me, uma canção romântica da trilha do filme Evita. É o momento do show em que ela tem oportunidade de soltar a voz. Heartbeat, a melhor música do novo disco, foi o momento mais incrível do primeiro dia, quando o show aconteceu debaixo de um dilúvio. Chovia muito no Maracanã! E era uma chuva bonita, caudalosa, que a iluminação do espetáculo tornava ainda mais magistral. Parecia que Madonna estava cantando atrás de uma cachoeira. Também foi debaixo do temporal que ela conseguiu as melhores performances de Miles Away e Give it 2 me.



You've got style,
that's what all the girls say
Satin sheets and luxuries so fine
All your suits are custom made in London
But I've got something that you'll really like

Gonna dress you up in my love
All over, all over
Gonna dress you up in my love
All over your body

Feel the silky touch of my caresses
They will keep you looking so brand new
Let me cover you with velvet kisses
I'll create a look that's made for you

Gonna dress you up in my love, in my love
All over your body, all over your body
In my love
All over, all over
From your head down to your toes

16.12.08





I just woke up from a fuzzy dream
You never would believe the things that I have seen
I looked in the mirror and I saw your face
You looked right through me, you were miles away

All my dreams, they fade away
I'll never be the same
If you could see me the way you see yourself
I can't pretend to be someone else

Always love me more, miles away
I hear it in your voice, miles away
You're not afraid to tell me, miles away
I guess we're at our best, miles away

So far away, so far away, so far away, so far away
So far away, so far away, so far away, so far away

When no one is around then I have you here
I begin to see the picture, it becomes so clear
You always have the biggest heart
When we're 6.000 miles apart

Too much of no sound
Uncomfortable silence, it can be so loud
Those three words are never enough
When it's long distance love

You always love me more, miles away
I hear it in your voice, miles away
You're not afraid to tell me, miles away
I guess we're at our best, miles away

So far away, so far away, so far away, so far away
So far away, so far away, so far away, so far away

I'm alright
Don't feel sorry, but it's true
When I'm gone, you realize
That I'm the best thing that happened to you

You always love me more, miles away
I hear it in your voice, miles away
You're not afraid to tell me, miles away
I guess we're at our best, miles away

You always love me more, miles away
I hear it in your voice, miles away
You're not afraid to tell me, miles away
I guess we're at our best, miles away

So far away, so far away, so far away, so far away
So far away, so far away, so far away, so far away









Where do we go from here?
This isn't where we intended to be
We had it all, you believed in me
I believed in you

Certainties disappear
What do we do for our dream to survive?
How do we keep all our passions alive,
As we used to do?

Deep in my heart I'm concealing
Things that I'm longing to say
Scared to confess what I'm feeling
Frightened you'll slip away

You must love me
You must love me

Why are you at my side?
How can I be any use to you now?
Give me a chance and I'll let you see how
Nothing has changed

You must love me


8.12.08




O melhor enfeite de natal talvez seja apenas um grande sorriso.
CONTROLE REMOTO - A festa de confraternização de fim de ano dos roteiristas da Rede Record foi com um animado almoço no Porcão Rio´s. Com a bela vista do Pão de Açúcar ao fundo, os escritores mandaram ver nas picanhas, maminhas e filés da badalada churrascaria enquanto faziam um balanço dos acertos e erros da teledramaturgia nesse ano de 2008. Estavam lá desde Tiago Santiago, o novelista e supervisor de teledramaturgia da emisssora, até Renata Dias Gomes, neta de Janete Clair e Dias Gomes, que faz parte da equipe de roteiristas da novela Chamas da Vida, de Cristiane Fridman.

Também marcaram presença Luiz Carlos Maciel, Doc Comparato, Marcilio Moraes, Altenir Silva. Gibran Dipp, Antonio Carlos Fontoura, Gustavo Reiz, Camilo Pellegrini, Joaquim Assis, Paula Richard, Vivian Oliveira, Denise Crispun, Ana Clara Santiago, Sylvia Palma, Margareth Boury, René Belmonte... Autores que moram em São Paulo, como Emilio Boechat, Nélio Abbade e Lauro César Muniz não puderam comparecer. Já Maria Cláudia Oliveira, uma das mais talentosas autoras do time da Record, não pôde ir por que o encontro foi no dia de folga da babá. Então a escritora teve que ficar em casa cuidando da sua filha Gabriela.

O sucesso de Chamas da Vida foi um dos assuntos mais comentados no almoço. A equipe de redatores está muito satisfeita com a repercussão da novela, mas se queixaram que têm trabalhado muito. É que uma série de contratempos fez com que vários capítulos fossem reescritos: acidentes e problemas de saúde com pessoas do elenco. Todo mundo no almoço elogiou a atuação dos atores André di Mauro e Letícia Colin, o pedófilo e a garotinha, atual casal-fetiche da TV brasileira. Mas também foi uma unanimidade as criticas a atuação de Roberto Bomtempo como o travesti Docinho, na mesma novela. “Ele está péssimo”. “Bomtempo destruiu o personagem”. “Aquele papel deveria ser do Gilberto Grawonski”. Foram alguns dos comentários...

Luiz Carlos Maciel, guru intelectual da maioria dos escritores presentes, foi o primeiro a chegar. Divertido, inteligente e bem humorado fez comentários pertinentes sobre os roteiros das novelas em cartaz. Já Doc Comparato, autor do mais importante livro sobre roteiros do Brasil, disse que está na hora de surgir uma nova geração de novelistas. Antonio Carlos Fontoura causou polêmica quando elogiou a novela Três Irmãs. “Adoro as novelas do Antônio Calmon. Sempre tem muita praia, surfe e garotas de biquíni. Acho relaxante e alto astral”, disse Fontoura, que já trabalhou com Calmon no cinema. “Quando conheci o Calmon ele nem era gay”, disse o roteirista provocando gargalhadas.

Um garçon foi convocado para fazer a foto do grupo no jardim do restaurante, com o Pão de Açúcar ao fundo. O vento que soprava da baía da Guanabara deu trabalho a Renata Dias Gomes. Ela não sabia se segurava sua vasta cabeleira ou sua minissaia, divertindo seus colegas com a dúvida. Vivian Oliveira contou que está grávida e foi muito paparicada, já que é muito querida por todos. Gustavo Reiz, um craque de histórias para adolescentes, contava do sucesso do seu último livro “Sonhos de umas férias de verão”. Conta a história de Marcelo Pitbull, um adolescente que muda sua vida quando se apaixona por uma garota durante as férias numa praia paradisíaca. Já Marcílio Morais e sua equipe eram só expectativa com a estréia do seriado A Lei e o Crime, dia 5 de Janeiro.

3.12.08





Para a mulher, o homem é um meio: o objetivo é sempre o filho.







A maturidade do homem consiste em haver reencontrado a seriedade que tinha no jogo quando era criança.






É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.
SÁBADO EM BOTAFOGO - Sábado passado houve almoço de confraternização da minha turma da faculdade. Alunos e professores reunidos num restaurante em Botafogo para contar novas e velhas histórias dos bons tempos do curso de Comunicação da PUC. Foi bem mais divertido do que eu imaginava. Uma alegria enorme em rever as pessoas e lembrar como foram felizes os anos que passei na PUC. Algumas pessoas eu não via desde a sala de aula, duas décadas atrás. Outras se tornaram amigas de toda a vida.

Da minha turma o aluno mais famoso é o jornalista Sidney Rezende. Lembro dele bem jovem, sempre adotando uma posição de liderança entre os alunos. Logo no começo do curso ele fundou uma revista, chamada Proposta e me convidou para escrever artigos. Até hoje, sempre que se envolve em algum projeto, ele sempre me chama para participar. Pela sua atitude na sala de aula e também pelo seu interesse pelo curso e pelos nuances do jornalismo, seus colegas nunca tiveram dúvidas que o Sidney seria um dos grandes. “Vocês ainda vão me ver apresentando o Jornal Nacional”, nos disse ele certa vez nos pilotis da PUC.

O mesmo Sidney Rezende jovial e falante esteve presente no almoço de confraternização de seus colegas de curso. Mesmo sendo o mais famoso da turma, ele fez questão de prestigiar seus antigos colegas de turma. Quando alguém elogiou sua jovialidade, sua pele jovem, seu sorriso franco e seu alto astral, ele comentou. “Fiz cinquenta anos esse ano. Eu, Madonna e a Bossa Nova”. Sidney lembrou histórias divertidas da nossa época da Faculdade e contou casos muito bacanas da PUC dos dias de hoje, onde agora é professor.

Foi muito bom rever a professora Rosangela Ainbinder, que eu não encontrava desde a sala de aula. Suas aulas eram cultuadas pelos alunos da minha turma. O pensamento do filósofo Nietzsche era assunto constante de suas aulas. Foi Rosângela quem nos apresentou o trabalho do artista MC Escher, cujas gravuras ela usava como referência para debates entre os alunos. A minha turma adorava a Rosângela, pois a considerava “muito louca”. Durante o almoço, quando perguntamos se ela ainda usava as ilustrações de Escher para estimular o debate entre os alunos, ela respondeu que sim. Mas que agora também usava o filme Matrix para discutir o pensamento Nietzsche.

O professor Silvio Tendler também estava no almoço. De todos os professores que já tive na vida, o Silvio é o que mais leva ao pé da letra sua função de Mestre. Sempre foi super atencioso com seus alunos, se sente responsável por eles. É cuidadoso, paternal. Gosta de orientar e acompanhar a trajetória de cada um depois que sai da Faculdade. É um sujeito que tem vocação pra professor e exerce seu ofício com uma atitude que sempre comoveu e impressionou seus alunos.

Moema Toscano foi outra presença que emocionou a todos. Uma professora que nos marcou muito com suas aulas precisas e conscientes. Sua atitude sempre elegante e firme foi um marco no nosso curso de Comunicação. Durante o almoço Sidney sempre se referia a nossa professora com muita reverência, muito carinho. E isso foi muito bonito. Foi bom poder admirar sua beleza e elegância através das marcas do tempo no seu rosto e nos seus cabelos imaculadamente brancos. O professor Bernardo Monteiro nos fez rir muito com suas histórias tragicômicas sobre o mercado imobiliário da zona oeste, onde tem uma construtora. E o professor César Romero Jacob nos deu uma aula de política, ao analisar o resultado das últimas eleições no Rio de Janeiro.

Conversei bastante com a Liliana Rodrigues, cuja presença deu muito charme ao nosso almoço. Liliana é uma pessoa divertida e alto astral. Durante o almoço nos falou de sua trajetória pessoal, de sua experiência como apresentadora do RJTV, do casamento, dos filhos homens que vivem lhe fazendo perguntas indiscretas. “Meus filhos são muito curiosos. Vivem me perguntando o que é que eu faço na cama, se eu transo assim, se eu transo assado. Fico sem saber o que responder”, dizia ela provocando gargalhadas. No almoço também estavam Maria Tereza Marques Moreira, Marilene Lopes, Roberto Faustino, Mary Anne Sá, Ligia Ortiz e mais um monte de gente.


1.12.08




Os grandes escritores nunca foram feitos para suportar a lei dos gramáticos, mas sim para impor a sua.
SOPA DE TAMANCO - Está fazendo o maior sucesso na internet o texto sobre a imprensa brasileira, que Geneton Moraes Neto escreveu no seu blog Sopa de Tamanco. Como o Geneton é meu ídolo de infância, fiz questão de reproduzir o artigo logo abaixo. É o seguinte: quando criança eu lia todos os domingos a coluna que Geneton assinava no Júnior, o suplemento infantil do Diário de Pernambuco. Com treze anos ele já era colunista do jornal e escrevia coisas que me impressionavam. E quando eu descobri seu artigo no blog, ao ler aquelas palavras, por instantes voltei a me sentir aquele menino curioso que lia avidamente as páginas coloridas do Júnior, o jornal feito para a garotada. Curiosamente, hoje em dia, Júnior é o nome de uma revista gay.



ANÚNCIO FÚNEBRE - OS JORNALISTAS ESTÃO ENTERRANDO O JORNALISMO - Começa a chover. Não me ocorre outra idéia para me proteger do aguaceiro: paro na banca para comprar um jornal. Em época de "crise econômica", eis um belo investimento, com retorno imediato: além de me brindar com notícias interessantes, o jornal, quando dobrado e erguido sobre a cabeça, cumpre garbosamente a função de guarda-chuva.

O jornal é de São Paulo. Poderia - perfeitamente - ser do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado brasileiro. Eu disse "notícias interessantes" ? Em nome da verdade,retiro o que disse.

Pelo seguinte: não sou nenhum fanático por informação, não passo quatorze horas por dia conectado, não sou desses jornalistas que, à falta do que fazer na vida, acham que não existe nada sob o sol além do jornalismo. Em suma: considero-me apenas um consumidor mediano de notícias. Ainda assim, eu já sabia de noventa e cinco por cento do que aquele jornal tentava me dizer na primeira página.

O que o jornal me dizia, nos títulos ? Que o São Paulo "abre cinco pontos sobre o Grêmio". Que novidade! Qualquer criança de dois anos que tivesse passado diante de um aparelho de TV na véspera já sabia. Nem preciso falar da Internet. "Chuvas em Santa Catarina matam 20". Que novidade! "Obama divulga nomes de cargos-chave". Que novidade! "EUA podem injetar até US$ 100 bi no Citigroup". Que novidade!

Não é exagero: eu já tinha recebido todas essas informações na véspera.

Tive a tentação de voltar à banca, para pedir meus dois reais e cinquenta de volta. Mas, não: resolvi dar um crédito de confiança ao jornal. Quem sabe, como guarda-chuva ele teria uma atuação melhor. Teve.

De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era "novidade" para mim: "Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase". Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo.

Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta ? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?

Os autores dessas obras-primas ( primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso.
É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão.

Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos.

Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.

Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.


Qualquer criança desdentada sabe que não existe nada tão fácil na profissão quanto "derrubar" uma matéria. Há sempre um idiota de plantão para dizer : "ah, não, o jornal X já deu uma nota sobre esse assunto"; "ah, não, o jornal Y publicou há trinta anos algo parecido" e assim por diante. O resultado desse exercício de trucidamento jornalístico é o que se vê: uma imprensa chata, chata, chata, chata. É raríssimo aparecer um salvador de pátria que pergunte: por que jogar notícias no lixo, oh paspalhos ? Por que é que vocês não procuram uma maneira interessante e original de contar - e oferecer ao publico - uma história ? Haverá sempre uma saída!

A regra vale para jornal impresso, revista, rádio, TV, internet, o escambau.

Mas, não. Contam-se nos dedos da mão de um mutilado de guerra os jornalistas que devotam o melhor de suas energias para fazer um jornalismo vívido e interessante. Já os burocratas e assassinos, numerosíssimos, continuam golpeando o Jornalismo aos poucos. Vão matá-lo, cedo ou tarde, é claro.

Não há organismo que resista à repetição dos botes dos abutres ( um dia, quando estiver prostrado à beira de um pedaço de mar verde da porção nordeste do Brasil, farei - de memória - uma lista dos crimes que já vi serem cometidos, impunemente, nas redações. Se tiver paciência para juntar sujeito e predicado, prometo que farei um post. Almas ingênuas podem acreditar que absurdos não acontecem com frequência nas redações. Mas, em verdade, vos digo: acontecem, diariamente. O pior, o trágico, o cômico, o indefensável é que os assassinos do Jornalismo são gratificados com férias, décimo-terceiro, plano de saúde, aposentadoria, seguro de vida e vale-alimentação. Detalhe: lá no fundo, devem achar que ganham pouco....Quá-quá-quá).


Um detalhe inacreditável: em qualquer roda de conversa numa redação, em qualquer congresso ( zzzzzzzzzzz) de Jornalismo, é possível ouvir que há saídas simplíssimas. Bastaria tomar - por exemplo - providências estritamente "técnicas": em vez de repetir papagaiamente(*) nos títulos aquilo que a TV e a internet já cansaram de divulgar, por que é que os jornais não destacam na primeira página a informação inédita, o ângulo pouco explorado, o detalhe capaz de prender a atenção do coitado do leitor na banca ? Pode parecer o óbvio dos óbvios, mas nenhum jornal faz. Qualquer lesma semi-alfabetizada sabe, mas nenhum jornal faz. Se fizessem este esforço, os jornais poderiam, quem sabe, atiçar a curiosidade do leitor indefeso que entra numa banca em busca de uma leitura atraente. Coitado. Não encontrará. É mais fácil encontrar um neurônio em atividade no cérebro de Gretchen.

Fiz um teste que poderia ser aplicado a qualquer estagiário de jornalismo: tentar achar, no exemplar que tenho em mãos, informações que rendam títulos menos burocráticos e mais atraentes do que os que o jornal trouxe na primeira página. Em quinze segundos, pude constatar que havia,sim, no texto das matérias, informações mais interessantes do que as que foram destacadas nos títulos óbvios. Um exemplo, entre tantos: a chamada do futebol na primeira página dizia "São Paulo abre 5 pontos sobre o Grêmio". Por que não algo como "TREINADOR PROÍBE COMEMORAÇÃO ANTECIPADA NO SÃO PAULO" ou "JOGADORES DO SÃO PAULO PROBIDOS DE IR A PROGRAMAS DE TV"? A matéria sobre as enchentes dizia que, depois do maior temporal dos últimos dez anos, Santa Catarina enfrentava racionamento de água potável - um duplo castigo. E assim por diante. Daria para fazer dez chamadas diferentes. Mas.....o jornal repete na manchete o que a TV já tinha dito.

Quanto ao futebol: com toda certeza, as informações que ficaram escondidas no texto eram mais atraentes do que a mera contagem de pontos que o jornal estampou no título da primeira página! Afinal, cem por cento dos torcedores do São Paulo já sabiam, desde a véspera, que o time disparara na liderança. Não é exagero dizer: cem por cento sabiam. Mas, a não ser os fanáticos por resenhas esportivas, poucos sabiam que o treinador tinha proibido os jogadores de participarem de programas de TV, para evitar comemorações antecipadas. Por que, então, esconder o detalhe mais interessante ? É o que os editores fazem: tratam de sepultar a informação mais atraente em algum parágrafo remoto, lá dentro do jornal. Depois, querem que o leitor saia da banca satisfeito por ter pago para ler o que já sabia....

Estão loucos.

Resumo da ópera: os assassinos do Jornalismo, comprovadamente, são os jornalistas. É uma gentalha pretensiosa porque acha que pode decidir, impunemente, o que é que o leitor deve saber. Coitados. O que os abutres fazem, na maior parte do tempo, em todas as redações, sem exceção, é simplesmente tornar chata e burocrática uma profissão que, em tese, tinha tudo para ser vibrante e atraente.

Mas nem tudo há de se perder. Os jornais podem, perfeitamente, ser usados como guarda-chuva. Fiz o teste. O resultado foi bom: cheguei tecnicamente enxuto ao destino.

(*)Papagaiamente: neologismo que acabo de criar, iluminado por uma inspiração animalesca.