27.3.07




A amizade começa quando, estando juntas, duas pessoas podem permanecer em silêncio sem se sentir constrangidas.

UMA LÁGRIMA PARA GUILHERME ARAÚJO – A última vez que eu vi Guilherme Araújo foi algumas semanas antes da sua morte. Eu tinha ido almoçar no Delírio Tropical e, como o restaurante ficava perto da casa dele, resolvi ir até lá para saber como ele estava e lhe dar um abraço. Quando cheguei na sua casa Guilherme estava na porta, sentado na cadeira de rodas, olhando o discreto movimento da rua Redentor. Era uma tarde linda. Ipanema estava calma, sossegada. Ele me sorriu e o seu sorriso me transmitiu serenidade.

Eu sentei no chão, no batente da porta e ficamos conversando eu, ele e Eliane, sua adorável enfermeira, uma mulher incrível que foi muito boa para ele. Naquela manhã eu tinha ouvido pela primeira vez os novos discos de Maria Bethânia, os dois CD´s que ela tinha acabado de lançar. E comentei com ele sobre os discos. “A Bethânia é uma mulher muito inteligente Waldir. Sempre foi”, me disse ele com admiração por sua eterna musa.

Eliane, gentil e atenciosa, me trouxe refrigerante e, de forma muito carinhosa, deu um remédio para ele. Depois nos contou um pouco da sua vida, que era muito feliz, que adorava morar no Alto da Boa Vista, que sua casa tinha uma linda vista para o verde. Eu perguntei a Guilherme pelas “meninas”, me referindo ao seu grupo de amigas do soçaite, e Guilherme sorriu, vaidoso. “Elas não me esquecem, me ligam o tempo inteiro”, disse ele.

Num dado momento da nossa conversa ele reclamou que estava com um pouco de dor nas costas. Dor talvez provocada pelo desconforto de estar na cadeira de rodas. Eu, então, sugeri a ele que trocasse a cadeira de rodas pelo sofá da sua sala. Eu colocaria o sofá na entrada da porta e ele poderia ficar no mesmo lugar sentado no sofá em vez da cadeira. Ele gostou da idéia. Então Eliane o afastou com a cadeira, eu carreguei o sofá, coloquei em frente à porta da sala e depois nós o carregamos e o colocamos no sofá.

Que ótima idéia, Waldir. Eu não tinha pensado nisso”, disse ele quando se sentiu mais confortável na maciez do sofá, que era bem a cara do Guilherme, com estampa de oncinha. Nesse momento, ao vê-lo tão fragilizado, fiquei emocionado, segurei na sua mão e falei: “Nossa Guilherme, quanto sofrimento né?” Ele então me olhou com ternura e, com a voz tranqüila, serena, e que me pareceu cheia de sabedoria, disse o seguinte:




Mesmo com todo esse sofrimento, eu ainda acho que não existe nada melhor que a vida. Mesmo com todo desconforto e sofrimento, no que depender de mim, eu quero viver até os cem anos.




Depois ficou sentado olhando com tranqüilidade para as árvores da rua Redentor, que estavam lindas, exuberantes e nos transmitiam vida e energia. Naquele instante eu senti uma paz que poucas vezes senti na vida. E a beleza que eu já via na rua, na iluminação que a tarde derramava sobre o verde frondoso da vegetação, na calma que a rua transmitia, na brisa suave que soprava sobre nossas faces, aumentou. Ficamos em silêncio simplesmente olhando a vida que naquele instante se fez ainda mais bela. Uma gostosa sensação de nostalgia me contaminou. Não sei porque, ali, esparramado no chão do batente da porta, imagens da minha infância começaram a surgir na minha mente. Uma sensação juvenil de quem tem todo o tempo do mundo pela frente. Uma emoção que eu não sentia desde quando era menino.

Assim foi o meu último encontro com Guilherme Araújo. O festeiro, o Midas do show-business, o homem que gostava de divertir as pessoas, o gentleman que sabia conquistar e fazer amigos, mesmo num momento de dor e sofrimento ainda teve forças para me dar uma lição de vida. Eu saí de sua casa me sentindo mais leve, feliz comigo mesmo, conseguindo olhar com mais generosidade para o mundo e para as pessoas. Ele sempre foi um gênio na arte de receber os amigos. E naquela tarde não foi diferente. Era impossível estar com ele e depois não se sentir feliz. Descanse em paz, querido Guilherme. Descanse em paz...





É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.

VERDADE TROPICAL Guilherme Araújo gostava de divertir as pessoas. Por isso ele escolheu a profissão de empresário e produtor de shows, eventos e festas. Ele sentia prazer em divertir os outros. No seu livro “Verdade Tropical”, lançado em 1997, uma espécie de biografia de sua carreira artística, Caetano Veloso fala muito de Guilherme Araújo e sobre o trabalho dele nos bastidores da MPB. O livro é inteligente, bem escrito, fácil e gostoso de ler. A seguir, publico alguns trechos do livro, em homenagem ao Guilherme.


DIVINO MARAVILHOSO Guilherme Araújo que se apaixonara pela força expressiva de Bethânia desde a primeira noite no Teatro Opinião, quis passar da condição de mero produtor de espetáculos à de verdadeiro empresário, e viu no grupo de amigos de Bethânia um possível elenco de contratados à altura de suas pretensões. Guilherme era um personagem fascinante. Prognata, de braços finos e ombros estreitos, ele, que com sua feiúra combinada a um ar imodesto tinha tudo para ser repulsivo, terminava por cativar quem quer que transpusesse a barreira do primeiro impacto e realmente dele se aproximasse. Havia uma espécie de nobreza no seu jeito franco de emitir opiniões originais sobre o mundo dos espetáculos. Ele repetia sem cessar um elogio a Bethânia que era uma síntese do seu critério: “Internacional, meu querido. Ela é a mais internacional de todas as artistas brasileiras”. Para ele, nós, ou outros baianos, éramos a confirmação do que ele vira em Bethânia. Éramos “chiques” e “modernos” e poderíamos ser “internacionais”. Mas, embora ele tenha vindo a trabalhar de fato com todo o grupo – e tenha permanecido ao lado de Gil, Gal e meu por muitos anos depois que Bethânia se desligou dele -, sempre me pareceu evidente que nenhum de nós jamais chegou a impressioná-lo como Bethânia o fez.

Ele abriu um escritório em Copacabana para dali dirigir os trabalhos e começou a fazer planos para seus novos contratados. Convidou Dedé para ser sua secretária. Ela, que, depois de uns meses num banco e outros num jornal, estava precisando de emprego, aceitou. Guilherme estava seguro quanto à Bethânia e Gil, cujas vidas profissionais tinham deslanchado. Mas não via nenhuma possibilidade de eu subir num palco para cantar e viver disso. Eu respondia, com uma segurança que o fazia rir incrédulo, que eu tinha certeza de ter talento para palco ou o que fosse, mas o fato é que o que ele considerava a única saída possível para mim era o mesmo que eu me imaginava fazendo: orientar os colegas, escrever canções e roteiros para seus shows, escrever releases para seus discos.

Quanto a Gal, esta sim devia viver de cantar e ele via mesmo um futuro radioso para ela na profissão, bastava que nós todos víssemos que, com sua voz lindíssima e sua figura doce, ela poderia tornar-se uma espécie de nova rainha do iê-iê-iê. Não uma cantora comercial qualquer, mas uma nova forma de cantora comercial, uma super-Wanderléa com um repertório inteligente. Isso ele dizia, e sorria de nossa reação temerosa e desconfiada. Sobretudo Dedé, para quem Gal era quase-irmã, temia que Guilherme viesse a atirá-la na mais degradante vulgaridade. O curioso é que os planos de Guilherme para Gal eram, afinal de contas, muito semelhantes aos que Rogério Duprat e eu estávamos a ponto de lhe propor. Eu nada dizia a Guilherme sobre isso, pois tinha medo de enfraquecer minha resistência a suas idéias mais frívolas, ou de contaminar a nobreza de propósitos do projeto rogeriano com o que corria o risco de ser mero comercialismo empresarial.




Uma discussão paradigmática desses conflitos sutis foi a que envolveu o nome artístico de Gal. Seu nome de batismo é Maria da Graça Costa Penna Burgos. Desde Salvador, escrevíamos Maria da Graça nos cartazes e nos programas dos shows do Vila Velha, e a chamávamos de Gracinha no dia-a-dia e, carinhosamente, de Gau. Havia e há milhares de Gaus na Bahia: é o apelido carinhoso de todas as Marias das Graças ou da Graça de lá. Na verdade, no caso da nossa Gal, Maria da Graça era apenas o nome que constava na carteira de identidade e era usado como nome artístico; para todos os efeitos, seu nome era Gracinha: assim é que nos referíamos a ela em presença de estranhos, assim é que a apresentávamos a novos amigos. Na intimidade, no entanto, nós a chamávamos de Gau.

Guilherme achava Maria da Graça inviável como nome de cantora. Ele considerava que era belo e nobre, mas sugeria uma antiga interprete de fados portugueses, não poderia servir para uma cantora moderna, muito menos – e aqui ele voltava a sorrir diabolicamente – para uma nova rainha do iê-iê-iê. Ele gostava de Gau. Nós também. Em primeiro lugar porque era seu nome real (isso era fundamental para nós), e depois porque era bonito e fácil de aprender, além de ser marcante, uma vez que no Rio (e em São Paulo, pelo menos) esse não era um apelido comum como na Bahia. Mas havia dois problemas: Guilherme achava vulgar e “pobre” artista de nome único. Para ele era indispensável um sobrenome se o nome não fosse composto, e mesmo os nomes compostos raramente eram aceitáveis: Maria Bethânia era, é claro, uma exceção genial. E Gau, escrito assim, com u, parecia-lhe pesado e pouco feminino. Como em quase todo o Brasil Gal e Gau têm pronúncia idêntica, achamos praticamente indiferente que a grafia fosse a escolhida por ele (que se referia a uma cantora francesa chamada Francis Gal como exemplo).

Restava a questão do sobrenome. Gal Penna? Gal Burgos? Guilherme, não sem razão, preferiu Gal Costa. Este era mais eufônico do que os outros dois. Ele não ousava sair dos nomes verdadeiros por saber de nossa intransigência quanto a isso. Mas eu não gostei. Eu achava que já tinha concedido o bastante em aceitar o l, que ele aceitasse o nome único: Gal, simplesmente era a melhor solução. Mas ele insistiu no sobrenome e eu disse que Gal Costa parecia um nome inventado, parecia nome de produto, parecia nome de pasta de dentes e, finalmente, se Gau não era suficientemente feminino, Gal era a abreviatura de general. Com a subida do general Costa e Silva ao poder, em substituição ao marechal Castelo Branco, Gal Costa passava a ser homônima do segundo presidente do período militar. Mas a própria Gal, de quem afinal devia ser a última palavra, aceitou o nome e ele funcionou muito bem com a imagem pop que se criou para ela.

O mais bonito de tudo foi que Roberto Carlos e Erasmo Carlos, atendendo a um pedido de fazer uma canção para o primeiro disco tropicalista que ela gravou, apresentaram Meu nome é Gal, em que, sem nada saberem das exigências de Guilherme, insistem no apelido monossilábico e, num texto escrito para ser declamado por ela, frisam que “não precisa sobrenome, pois é o amor quem faz o homem”.

Guilherme tinha como fórmula máxima de elogio a expressão “divino, maravilhoso!”, não raro complementada com um “internacional!” se o entusiasmo o exigisse. Essa marca de frivolidade era tomada meramente como tal por todos no nosso meio. Resolvi usá-la – também a título de homenagem aos aspectos grandiosos da personalidade de Guilherme – como mote para a canção que Gil e eu estávamos preparando para Gal cantar no próximo festival da Record (os participantes do festival não precisavam ser contratados da emissora: Gal cantaria nossa composição e, mesmo que fizesse sucesso, não assinaria com a Record e viria conosco para um programa que iríamos fazer na TV Tupi).

A canção trazia sugestões de clima de rebeldia estudantil contra a ditadura e quase prefigurava, em suas imagens violentas, a luta armada. A melodia era, deliberadamente, o pop mais doce e pegadiço. Mas as palavras chamavam uma “menina” (“quantos anos você tem?”) para participar de algo não dito, mas que se requeria a “atenção para as janelas no alto/ atenção, ao pisar o asfalto, o mangue/ atenção para o sangue sobre o chão”, tudo convergido para o refrão que se anunciava explicitamente: “atenção, tudo é perigoso/ tudo é divino, maravilhoso/ atenção para o refrão/ é preciso estar atento e forte/ não temos tempo de temer a morte”. Gal deu-lhe uma interpretação vibrante que marcou a virada de seu estilo, incluindo um repertório de sons vocais inédito entre nós, do qual não estavam ausentes nem os grunhidos de Janis Joplin nem os guinchos de James Brown. Divino, maravilhoso também foi o nome que escolhemos para o programa que estrearíamos na TV Tupi. (Caetano Veloso)





Guilherme Araújo diante do Papa João Paulo II, durante visita ao Vaticano. Guilherme está entre Gal e Dorival Caymmi. Ao lado de Gal, sua então namorada, Lúcia Veríssimo.





É PROIBIDO PROIBIR - Acho que foi ainda em maio de 68 que Guilherme me mostrou a reportagem da revista Manchete sobre os estudantes em Paris, na qual ele tinha encontrado a fotografia em que se lia, pichada numa parede, a frase “É proibido proibir” (que Buñuel em suas memórias diz ter sido tomada pelos estudantes aos surrealistas), a seu ver excelente para ser transformada em música. Diante da minha reação fria à sugestão, ele sorriu com o ar teimoso de quem sabia que ia terminar me convencendo. Eu achava o paradoxo engraçado, ms não tinha intenção de retomá-lo. Primeiro porque reconheci ali a natureza de choque efêmero desses ditos: se repisados, eles revelam uma ingenuidade que trabalha contra os próprios impulsos que os inspiraram. Depois porque eu não queria que se confundisse o nosso movimento com o movimento dos parisienses, nem no Brasil nem no exterior – se fosse o caso de algum dia o que fazíamos vir a ser conhecido fora (o que eu já esperava - e mesmo desejava – menos do que antes de ter meu primeiro disco pronto). Mas Guilherme não desistiu. Ele me pedia todos os dias que fizesse uma canção usando a frase. Finalmente me convenceu a fazê-la “só para ele”. (Caetano Veloso)






A VERDADEIRA BAIANA - Em 1997, quando completou 60 anos, Guilherme Araújo foi entrevistado pelo jornal O Estado de São Paulo e soltou o verbo. Nessa época ele ainda brigava na justiça com Gilberto Gil e estava afastado de Gal e Bethânia. Caetano sempre se manteve unido a ele. A entrevista não reflete exatamente o que era Guilherme, mas tem observações curiosas e, porque não dizer, venenosas, que ele faz sobre o Brasil e os artistas brasileiros, inclusive seus afilhados, a quem ele não poupa alfinetadas. Logo depois dessa entrevista ele entrou em acordo com Gil sobre a pendência na justiça relativa a direitos autorais de antigas músicas do cantor. Para provar que não guardava nenhuma mágoa do empresário Gil entrou com um pedido na Assembléia Legislativa da Bahia pedindo que fosse concedido a Guilherme o título de cidadão baiano. E ele ficou muito feliz com isso. "Agora eu sou a verdadeira baiana", disse ele a Gal Costa, quando a cantora ligou para lhe dar parabens pelo título.. Em seguida, quando doou à prefeitura do Rio sua casa em Ipanema, Guilherme chamou Bethânia para ser testumunha da doação. A partir daí os dois voltaram a ficar próximos.

Na entrevista ao Estadão Guilherme fala da morte: "Quero ser cremado. Vi a Carmem Miranda morta, tailleur vermelho, toda maquiada, e o Tom Jobim, também maquiado. Mas no Brasil, enterro é sempre uma coisa penosa. Vou deixar dinheiro para uma festa e quero minhas cinzas atiradas do Pão de Açúcar, onde organizei grandes carnavais". clique AQUI e leia a íntegra da entrevista.


DIVINO, MARAVILHOSO (Caetano e Gil)

Atenção
Ao dobrar uma esquina
Uma alegria
Atenção, menina
Você vem?
Quantos anos você tem?

Atenção
Precisa ter olhos firmes
Pra este sol
Para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão:
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para a estrofe, pro refrão
Pro palavrão
Para a palavra de ordem
Atenção
Para o samba-exaltação

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão:
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para as janelas no alto
Atenção
Ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção
Para o sangue sobre o chão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte


21.3.07




Há várias maneiras de ser entendido. Ser claro é uma delas.

HÉLIO GRACIE SUPERSTAR - Eu adoro os Gracies. Por isso fiquei muito feliz quando vi a enorme fila que se formou na Saraiva Mega Store, a livraria onde o patriarca Hélio Gracie autografou seu livro Gracie Jiu-Jitsu. A fila começava no fundo da mega livraria, atravessava todo o salão e ia até o corredor do Shopping Rio Sul. Quando Hélio Gracie completou 90 anos eu o entrevistei para o Jornal do Brasil e ele contou do projeto do livro e falou sobre as coisas que estava escrevendo. Observações sobre as lições que a vida lhe ensinou.

O livro ficou muito bonito. Tem uma impressão luxuosa e fotos bem produzidas em que o velho samurai aparece lutando com o filho Rorion. A diagramação elegante dá qualidade ao produto. Um belo trabalho editorial da Saraiva. Mas esse não é o único livro que Helio Gracie está lançando neste momento. Apenas nos Estados Unidos está saindo Gracie Submission Essentials, em que Helio, dessa vez em parceria com o filho Royler, ensina os segredos das finalizações numa luta. Eu adoro essa palavra, “submission”, quando usada no universo das artes marciais.





Gracie Submission tem a mesma qualidade editorial do seu similar brasileiro. Em 280 páginas Royler Gracie aparece treinando com o pai e depois com seus alunos David Adiv e Wellington Megaton. As fotos são de Ricardo Azoury, um ex-aluno de Rolls Gracie, um dos filhos de Hélio que morreu num acidente de asa delta. Azoury utiliza os seus conhecimentos do jiu-jitsu para imprimir movimento e composição às suas fotos. Os textos são de Kid Peligro um escritor e lutador que assina colunas regulares em várias publicações de artes marciais no Brasil e nos EUA.

Livros ensinando técnicas de jiu-jitsu são um novo filão para a família Gracie na América. Já foram lançados diversos volumes dessas publicações sempre com sucessos de vendas. Livros como The Gracie Way, Brazilian Jiu-Jitsu-Theory and Tecnique, Brazilian Jiu-Jitsu Self Defense, Brazilian Jiu-Jitsu Black Belt Technique, Brazilian Jiu-jitsu Submission Grappling, Ultimate Fighting Techniques e The Essencial Guard. Os livros com os segredos do Jiu-Jitsu começaram a ser publicados por iniciativa e patrocínio do sheik dos Emirados Árabes Tahnoon Bin Zayed, uma figura muito importante para a história dos Gracies nos Estados Unidos.





O milionário Sheik Tahnoon é louco pelo jiu-jitsu. Ele aprendeu essa arte marcial com os Gracies na época em que fazia faculdade na Califórnia. Quando acabaram os estudos na América e ele voltou para Abu Dhabi, a capital dos Emirados, Tahnoon levou o Jiu-Jitsu para lá. Interessado em participar mais daquele mundo que considera fascinante, ele inventou um campeonato em que os atletas lutavam Jiu-Jitsu sem quimono. A luta é disputada com os atletas vestindo apenas sungão. Assim ele criou uma nova modalidade esportiva que recebeu o nome de Submission Grappling que, na prática, é o Jiu-Jitsu sem quimono. Sem o quimono o atleta tem apenas o corpo do adversário para segurar. Sexy, sexy, sexy!

A partir do momento em que conheceu os Gracies o Sheik se envolveu completamente com o Jiu-Jitsu se tornando um entusiasta do esporte. Abriu uma academia em Abu-Dhabi. Seus seguranças são todos lutadores. E anualmente promove o ADCC, o campeonato de lutas de Abu Dhabi, no qual Royler Gracie foi três vezes campeão. Foi ele quem patrocinou os primeiros livros sobre a técnica da família nos EUA. O Sheik é amigo pessoal de Renzo, o primo de Royler, com quem costuma fazer passeios a cavalo por entre as dunas dos desertos das Arábias. Aliás, o Renzo é outra figura de destaque no reino dos Gracies. Mora em Nova York onde dá aulas para a polícia e treina com o cineasta Guy Richie o marido da Madonna. Ele aparece no documentário sobre a turnê Re-Invention Tour, que Madonna lançou em 2006, com direito a crédito e tudo.





A chegada de Rickson Gracie na livraria Saraiva Mega Store foi triunfal. Seu carisma fez com que todas as atenções e todos os flashes se voltassem para ele, que atendia aos fãs e jornalistas com a paciência de um samurai. O público não esquece que ele já ganhou um milhão de dólares numa luta no Japão. Suas vitórias nos ringues marcaram época e estimularam o sonho de muitos atletas jovens que hoje são lutadores famosos. Sua beleza latina impressionou o fotógrafo americano Bruce Weber que, em visita ao Rio, em 1985, o fotografou de sungão em frente ao Copacabana Palace e inclui dezoito fotos do bonitão no álbum que fez sobre a cidade. Rickson mora na Califórnia, mas está passando uma temporada no Rio, curtindo a vida de solteiro depois que o seu casamento acabou. Outro dia eu vi na praia do Arpoador tomando sol e observando os surfistas deslizando sobre as ondas. Na praia ele exibia tanto estilo quanto nos ringues: vestia sungão preto, chapéu de palha na cabeça e usava uma canga enrolada no pescoço como um cachecol. Ele estava uma figura. Pena que eu não tinha levado minha câmera fotográfica para a praia. Senão teria feito uma foto que iria deixar o Bruce Weber babando de inveja.






ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU – A vinda do Papa Bento XVI ao Brasil me inspirou a escrever um artigo para minha coluna no site do jornalista Sidney Rezende. O texto é sobre como os valores católicos interferem no caráter do povo brasileiro. A melhor parte da coluna é a reação dos leitores. Um deles chegou a me chamar de jumento. Não é a glória para um colunista?


15.3.07




Experiência não é o que acontece com um homem. É o que um homem faz com o que lhe acontece.

PET SHOP BOYS - As bichas arrasaram. Ar-ra-sa-ram! Neil Tennant e Chris Lowe, os Pet Shop Boys encantaram o público que lotou o Credicard Hall para vê-los cantando novos e antigos sucessos. O show tem um conceito sofisticado, como tudo o que é produzido pelo duo. No palco uma mulher e cinco rapazes se revezam fazendo os vocais e executando inspiradas coreografias. Além disso, apenas Neil nos vocais e Chris com seu inseparável teclado. Nada de banda. Guitarra? Bateria? Baixo? Para quê essa parafernália? A música é toda gravada. Desde sempre os meninos foram adeptos da tecnologia a serviço da música pop. E essa tecnologia esteve presente no magnífico show apresentado por eles no Credicard Hall.

No repertório canções que marcaram época como Domino Dancing, Rent, Suburbia, West End Girls e Go West. Cada música embalada por recursos visuais que hipnotizavam o público. Os bailarinos deram um show à parte. Criativos, performáticos, apresentaram coreografias inteligentes. Em alguns momentos do show um gigantesco telão mostravam imagens pré-gravadas dos dançarinos enquanto eles repetiam a mesma coreografia no palco. O efeito foi lindo! Os figurinos, os cenários e as projeções valorizavam as canções. Todos esses elementos reunidos tratavam de mostrar cada música como um bem produzido videoclipe. Um luxo.

Um momento particularmente mágico do show. Durante a música Dreaming of the queen, Neil Tennant e os vocalistas se apresentam vestidos de preto e com a expressão compungida, enquanto o imenso telão, ao fundo, projeta imagens do velório da princesa Diana. Dreaming of the queen, com sua melodia terna e melancólica, foi composta quando a princesa ainda era viva e lançada no disco Very. Os versos da canção são pungentes: Dreaming of the queen, visiting for tea, you and her and I, and Lady Di.


Do disco novo, Fundamental, cantaram Minimal, um hit dançante que é sucesso nas pistas e fez o público bailar à vontade. A melodiosa balada Numb teve uma apresentação luxuosa, com os dançarinos vestidos como soldados do exército de Napoleão, enquanto o telão exibia, em preto e branco, cenas de passeatas e revoluções. Dramático e comovente. Numb é uma música belíssima. Uma das mais bonitas do repertório dos meninos. Vale a pena comprar o disco Fundamental apenas para ouví-la. Numb está para os Pet Shop Boys assim como O lago dos cisnes está para Tchaikovski.

Home and Dry teve uma apresentação muito bonitinha, cantada à capela, com Neil tocando violão e participação discreta dos vocalistas. Puro deleite. Flamboyant é uma das minhas canções favoritas. A apresentação no show foi linda, mas a música não é muito conhecida do grande público, já que foi gravada num CD bônus chamado Fundamentalism, que só foi lançado na Inglaterra, junto com o álbum Fundamental.

No final do show, quando "as duas" cantaram It´s a Sin, o Credicard Hall se transformou num baile de carnaval, ou melhor, numa festa X-Demente, com todo mundo cantando e dançando no mesmo astral. Quando os artistas saíram do palco o público ficou gritando, pedindo para que eles cantassem Being Boring, mas não foram atendidos. Infelizmente Being Boring, uma das canções mais emblemáticas da música pop dos anos 90, ficou fora do show. Sorry, como diria Madonna.

Com 25 anos de carreira, o duo Pet Shop Boys soube amadurecer evoluindo. Eles continuam elegantes, chiques e sofisticados. O seu radical estilo gay de observar a vida, o mundo e a arte atravessou barreiras e tocou o coração do grande público, independente de orientação sexual. Ao mesmo tempo, suas canções e seus videoclipes compõem a definitiva trilha sonora para as conquistas e sofrimentos dos gays nas últimas duas décadas.




DREAMING OF THE QUEEN (Tennant/Lowe)


Dreaming of the Queen
Visiting for tea
You and her and I
And Lady Di

The Queen said: "I'm aghast
Love never seems to last
However hard you try"
And Di replied

That there are no more lovers left alive
No one has survived
So there are no more lovers left alive
And that's why love has died
Yes, it's true
Look, it's happened to me and you

Then carriages arrived
We stood and said goodbye
Diana dried her eyes
And looked surprised

For I was in the nude
The old Queen disapproved
But people laughed and asked
For autographs

And there were no more lovers left alive
No one had survived
So there were no more lovers left alive
And that's why love had died
Yes, it's true
Look, it's happened to me and you

I woke up in a sweat
Desolate

For there were no more lovers left alive
No one had survived
So there were no more lovers left alive
And that's why love had died
Yes, it's true
Look, it's happened to me and you


14.3.07




Se nada de estranho te surpreendeu durante o dia é porque não houve dia.

GENTE FINA É OUTRA COISA - Foi animadíssima a festa do Príncipe Russo Alessandro Wassilieff na sua ampla cobertura em Botafogo, com vista deslumbrante para a Baía da Guanabara. Ao lado do companheiro Cláudio Soares, Sua Alteza recebeu seus convidados vestindo roupa de gala e ostentando o brasão da família Wassilieff, além das medalhas que seu avô, Michel Wassilieff, recebeu de Nicolau II, o último imperador, que foi destronado pela evolução russa. Axé!

O príncipe Alessandro é um desses europeus bem nascidos que vêm passar férias no Rio, se encantam com a cidade e não querem mais ir embora. Alessandro veio passar férias na cidade em 1982 e decidiu viver aqui para sempre depois que conheceu Lúcio, um encantador moreno de olhos verdes que foi seu companheiro durante alguns anos e que, quando o relacionamento acabou, ele adotou como filho. Não é linda essa história? Lúcio, seu ex-caso, agora é seu filho adotivo. O rapaz é empresário e está abrindo um restaurante em Búzios especializado em pratos feitos com batata. Civilizado, ele tem uma ótima relação com Cláudio, atual companheiro de Sua Alteza. Como diria Antônio Calmon, gente fina é outra coisa.

Sua Alteza tem, na Urca, um escritório de International Insurance and Financial Consulting, onde representa empresas da Europa, como a Danmark, Seguradora de Saúde Internacional. Entre seus clientes figuram caixa-altas como Ivo Pitanguy, Lenny Niemeyer e João Gilberto, entre outros.

Alto astral, elegância e bom humor foram as principais características da festa de Alessandro. Ao vivo, um grupo musical tocava de Tchaikovski a Tom Jobim. Garçons atentos serviam vinhos e proseccos e os quitutes saborosos do buffet de Maria Emília Stern que ainda brindou os convidados com um deliciosos jantar: Filet à moda de Moscou, salada de camarões, salada russa e ravióli, só para citar alguns dos itens do menu. Mesas redondas espalhadas pelo terraço da penthouse estavam cobertas com toalhas vermelhas que ostentavam o brasão da família. E havia flores por todos os lugares da casa. Na sala chamava atenção uma cristaleira repleta de ovos Fabergé, cada um mais lindo que o outro. Relíquias herdadas dos velhos tempos do Império.

Quem estava na festa do Alessandro? Uma enorme quantidade de gays. Sozinhos ou com seus companheiros, eles deram aquele toque especial de charme e modernidade. Isso aqui está parecendo uma parada gay, exagerou o divertido promoter Gilberto Castelo Branco, organizador dos eventos mais animados de Búzios. Gilberto é uma grande figura. Divertido e inteligente, ele provocou muitas gargalhadas ao contar seus casos sobre a época em que era funcionário da Tv Globo. Ele trabalhava na informática e cuidava dos computadores dos autores de novela. Instalava os programas formatados pela empresa e atendia pessoalmente aos novelistas. Graças a Deus hoje eu não tenho mais que aturar aquelas bichas histéricas que escrevem novelas. Meu Deus. Eu paguei todos os meus pecados suportando aquela gente. Tadinho do Gilberto.

Personalidades da sociedade carioca também foram levar o seu carinho ao príncipe russo: Dalal Ashcar, Mírtia Galloti, Alice e Alicinha Tamborindeguy, o juiz da Comarca de Búzios João Carlos Corrêia, o Cônsul da Rússia Alexandre Naletov, o Cônsul da Ucrânia Ihor Tumasov, a chefe da Missão Econômica da Ucrânia Tatiana Anischuk e Victor Pshenko, Cônsul Geral da Bielorússia.

O casal mais simpático da festa era formado pelo holandês Herman Dielemans e pelo brasileiro Eduardo Moraes. Os pombinhos se casaram na Holanda e vieram morar em Búzios numa bela mansão na praia da Ferradura, que transformaram numa pousada de luxo chamada Maison du Chene. Ali eles só hospedam quem eles querem. Turistas europeus, para ser mais específico. Aliás, muita gente de Búzios estava presente. É que Alessandro, ou Sacha, como chama o seu companheiro Cláudio, tem casa no balneário e é muito querido no pedaço. Cláudio tem uma agência de turismo na cidade e promove passeios numa enorme escuna que circula pelas praias paradisíacas do lugar, lotada de turistas. Nome da embarcação: Príncipe Alessandro. Não é lindo, o amor?


10.3.07




O homem mais pobre não é o homem sem dinheiro: é o homem sem sonhos.

LUZ DO SOL – Esta semana a direção da TV Record reuniu um grupo de jornalistas para mostrar cenas da próxima novela da emissora. Luz do Sol é escrita por Ana Moretzsohn, com a colaboração de Ana Clara Santiago, Denise Crispun, Emilio Boechat e Gustavo Reiz. É uma história romântica ambientada no Rio de Janeiro. Gente jovem, ricos deslumbrados, malucos beleza, zona sul, surfistas, paixões de verão, gente em busca do amor e da felicidade. Parece uma novela do Antônio Calmon. Um dos temas musicais, inclusive, é a canção Garota Dourada, que foi tema do filme Menino do Rio, dirigido pelo Calmon. Na trilha de Luz do Sol a música é cantada pelo Felipe Dylon, que criou um arranjo bem reggae para a nova versão. O produtor musical Marcio Antonucci também foi buscar inspiração no cinema para o tema de abertura. A canção escolhida foi a homônima Luz do Sol, canção que Caetano Veloso compôs para o filme Índia, de Fabio Barreto.

O ponto de partida de Luz do Sol é o desaparecimento de uma criança. A história começa quando Drica, uma menina rica, filha de Stella Maris, personagem da Luisa Tomé, desaparece durante sua festa de aniversário de cinco anos, um baile a fantasia. A família, dona de um estaleiro, se desestrutura com o desaparecimento da garotinha, que é seqüestrada, foge dos seus algozes, sofre um acidente e vai parar em Saquarema, na casa de Agenor, um pescador, interpretado por Leonardo Brício. A mulher do pescador, Eliana, personagem de Patrícia França, que havia perdido um filho meses antes, fica encantada com a menina. O casal resolve criá-la como filha na praia onde moram, um lugar de difícil acesso. Quando chega nesse ponto a novela dá um salto de doze anos. A menina desaparecida se transformou numa adolescente linda, surfista de Saquarema, que pega as melhores ondas. Um dia, durante um campeonato ela vai conhecer um rapaz bonito e se apaixonar por ele, sem saber que o lindinho é seu irmão. Nossos comerciais, por favor...

Durante a apresentação da novela Luz do Sol os diretores da Record pareciam muito animados com os resultados obtidos com a nova programação da emissora. Antes da exibição o diretor artístico Hiran Silveira fez um discurso inflamado onde elogiou o trabalho dos atores, da direção e da produção. E exaltou a façanha deles terem conquistado o segundo lugar em audiência na TV aberta. “O projeto da Record é um projeto sério. Agora estamos na briga pelo primeiro lugar. E vamos chegar lá mais rápido do que vocês imaginam”, dizia ele com segurança, firmeza e um certo tom de desafio. Sob aplausos efusivos Hiran Silveira completou: “Todos os que estão aqui estão fazendo história. Vocês estão fazendo a história da nova televisão brasileira”. Waal!

O diretor comercial Walter Zagari acompanhou o entusiasmo de Hiran Silveira e disse que ainda esse ano vão ocorrer muitas novidades na Record. “O mercado vai ficar estarrecido com o que vem por aí”, disse Zaguri, que foi interpelado pelo ator Bemvindo Siqueira: “Todos nós que trabalhamos na Record somos recordistas”.

O elenco é formado por Paloma Duarte, Giusepe Oristânio, Eliana Gutman, Karine Carvalho, Floriano Peixoto, Beth Coelho, Lea Garcia, Paulo Figueredo, Bruno Ferrari, Thiago Gagliasso, Paulo Figueredo, Françoise Fouton, Maria Ribeiro, Petrônio Gontijo, Suzana Werner, Gracindo Júnior, Rogério Fróes, Esther Góes, Luiz Carlos Miéle, Lea Garcia, Daniel Andrade, Luiz Henrique Nogueira,Stella Freitas, Sonia Guedes, Sonia Lima e mais uma dezena de atores jovens, nomes que a emissora está lançando.

Quem também está no elenco é Elke Maravilha, cujo personagem Urânia é uma mulher muito louca, uma excêntrica, que vai se tornar uma espécie de guru para a turma jovem da novela. Já Zezé Mota interpreta Odete Lustosa, uma executiva, gerente do estaleiro que é um dos cenários da novela. Odete é uma mulher tirana e autoritária, que ganhou o apelido de Condoleeza dos colegas de trabalho. Zezé tem tudo para arrasar nesse papel. José Dummont, o homem que virou suco, é Fausto, um pescador envolvido com contrabando, que morre no décimo capítulo. O ator foi contratado pela Record e já está escalado para atuar em Caminhos do Coração, de Tiago Santiago, a próxima novela das dez.

Luiza Tomé estava linda, totalmente à vontade no seu papel de grande estrela da Record. Foi saudada pelo diretor comercial como uma grande aquisição da empresa. Sobre o papel na novela Luiza contou que tem sofrido muito nas gravações porque seu personagem perde a filha no inicio da novela e esse drama vai acompanhá-la até meados da história. Como ela é mãe tem se deixado impressionar pelo desenrolar da história.

Maria Ribeiro interpreta uma DJ e para isso tem feito estágios em casas noturnas do Rio. A atriz sugeriu a direção da Record produzir uma série de anúncios com os atores dando um depoimento de como estão felizes trabalhando na empresa. Para o elenco que veio da Globo como Marcelo Serrado, Lavinia Vlasak, Luisa Thomé e Patrícia França ela sugeriu que todos aparecessem falando diretamente para o espectador: Faça como eu, mude para a Record!

Alguns atores de Luz do Sol saíram do elenco de Cidadão Brasileiro, a novela que antecedeu Vidas Opostas. Alguns deles não conseguiram esconder a frustração com a experiência. Meu personagem em Cidadão Brasileiro foi muito mal aproveitado, disse Bemvindo Siqueira. Cidadão Brasileiro foi uma novela de um personagem só, comentou outro artista que pediu para não ter o nome citado. De qualquer modo estavam ambos muito animados com seus personagens em Luz do Sol.







Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde de novo
Em folha, em graça , em vida em força, em luz
Céu azul que venha até onde os pés
Tocam na terra e a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio ,
Córrego pro rio, rio pro mar
Reza correnteza , roça a beira a doura areia
Marcha um homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza coisa mais querida-
A glória da vida
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde de novo
Em folha, em graça, em vida, em força , em luz



8.3.07




O pior cego é aquele que manda ver.

DROGAS PARA O POVO - Foi como uma luz surgindo no fim do túnel a proposta do governador Sergio Cabral de descriminalização da maconha. Depois de oito anos governado pelo casal Garotinho, fundamentalistas religiosos comprometidos com o atraso, o estado do Rio foi surpreendido pela sensatez iluminista do novo governador. A maconha deve sim, ser legalizada, para segurança da população. Aliás, não só a maconha, mas todas as drogas deveriam ser legalizadas. É uma questão de senso democrático. Se o cidadão quer consumir drogas ele tem todo o direito de fazê-lo. É uma escolha individual. O estado não tem o direito de interferir em assuntos de foro íntimo do individuo. É como convicção religiosa ou orientação sexual. Cada um tem a sua e, desde que não incomode o vizinho, tem o direito de viver sua vida de acordo com suas convicções. Mas existe uma corrente conservadora e antidemocrática que não aceita a liberdade de escolha do outro. Uma vertente autoritária que só acredita na sua própria verdade.


Um dia as drogas serão legalizadas. Não é possível afirmar se daqui a cinco, dez ou quinze anos. Mas, muito em breve, as drogas poderão ser adquiridas em lojas especializadas. A questão é saber, até lá, quantos inocentes vão padecer com os conflitos que a sombra da ilegalidade provoca. Até porque, nas ruas, na vida real, as drogas já são praticamente legalizadas. Só está faltando colocar isso no papel. Basta olhar para a história da humanidade, nas últimas décadas, para ter consciência dessa verdade. Nos anos 70 ninguém acreditaria no fim do comunismo, na queda do muro de Berlim, nem na vitória do capitalismo na Rússia. Pois bem. Bastou uma década para que ocorressem todas essas surpreendentes mudanças no mundo, com muito menos traumas do que qualquer estudioso pudesse supor. Nos anos 60 e 70 as pessoas pronunciavam a palavra comunismo baixinho, com medo de serem ouvidas, pois havia na sociedade pavor dessa corrente de pensamento político. Por causa desse medo milhares de seres humanos morreram tragicamente, ou foram torturados ou foram exiladas de seus países e suas famílias. Hoje em dia as pessoas não só falam em comunismo com naturalidade como não conseguem entender como essa filosofia de vida pode ter causado tanta tragédia e horror no passado. O mesmo vai acontecer com as drogas. Haverá um tempo, quando a cocaína estiver sendo vendida nas farmácias e a maconha nos supermercados, em que as pessoas vão olhar para trás e não vão conseguir entender porque as drogas provocaram tantas mortes, prisões, tiroteios e guerrilhas.


Por esta razão o pensamento do governador Sergio Cabral com relação as drogas deve ser visto como a postura de alguém que está vislumbrando o futuro. É importante para a retrograda política brasileira a presença de um político que olhe para frente. Que entenda o mundo vislumbrando o futuro e não voltado para o passado, como é comum na nossa República. A sociedade precisa aprender a lidar com as drogas de uma forma civilizada e tolerante. A intolerância é a mãe de todos os conflitos. E as pessoas que não consomem drogas têm sido muito intolerantes com os adeptos do consumo. E essa é uma das maiores causas da violência decorrente do comércio de drogas ilícitas.


É claro que as vozes do contra vão reagir e espernear. Parte da população prefere viver num mundo de trevas, obscurantismo e intolerância. Ao mesmo tempo existem perversos interesses econômicos por trás do comercio ilegal de entorpecentes. As drogas movimentam muito dinheiro e, todos aqueles que se beneficiam desse dinheiro, vão fazer de tudo para que esse mercado continue na ilegalidade. Existem grandes corporações que se beneficiam economicamente da ilegalidade das drogas e vão fazer todo o possível para manter essa situação, mesmo que saibam que, legais, as drogas permitiriam uma sociedade mais segura. O poder judiciário, por exemplo, jamais vai querer que as drogas sejam legalizadas, pois juízes e advogados perderiam um grande mercado de trabalho. Para eles quanto mais conflitos, prisões, mortes e tiroteios melhor. Para essa gente, não importa o que é melhor ou mais seguro para a sociedade. Importa o que é melhor para seus interesses corporativos. Interessa o que é melhor para o seu próprio bolso.


Para a polícia as drogas são um negócio tão lucrativo quanto o é para os traficantes. Nos dias de hoje a polícia não está interessada em dar segurança a população, mesmo sendo essa a sua função primordial. A polícia só quer saber de correr atrás de traficantes, mesmo que, para isso, tenha que colocar em risco a segurança dos cidadãos. Eles sabem que onde tem droga tem dinheiro e é isso o que interessa. Para a polícia a droga é, antes de tudo, um negócio e isso não se aplica apenas nos casos de policiais corruptos. Entre outras coisas, as instituições policiais usam as drogas e traficantes como argumento para fazerem lobby junto a governos a fim de conseguir recursos para suas corporações.


O governo americano é o principal lobista da indústria bélica. Os republicanos defendem os interesses dos fabricantes de armas, por isso vivem estimulando conflitos em todos os lugares do mundo, com o baixo interesse de movimentar esse mercado. Para a indústria de armas a ilegalidade das drogas é um grande negócio, pois os fabricantes podem vender armas para a polícia, para combater os traficantes, e para os traficantes, para combater a polícia.


No meio desse jogo sujo de sórdidos interesses corporativos está a população: sozinha, desprotegida, usada e manipulada pelos donos do poder. Os consumidores de drogas já deixaram bem claro que não vão abrir mão do seu prazer por causa da repressão. Resta ao cidadão comum refletir sobre uma única questão: o que é mais seguro para a sociedade? Um mundo em guerra onde corporações mafiosas duelam pelo dinheiro dos entorpecentes? Ou uma sociedade moderna convivendo de forma civilizada com o consumo e o comércio das drogas?




AS DROGAS E O SEXO - Uma das principais razões do alto consumo de drogas na nossa época é a associação entre drogas e sexo. Pouco se fala sobre isso, mas, de formas diferentes, tanto a cocaína como a maconha são estimulantes sexuais. Muita gente consome essas drogas como forma de exercitar sua libido. Não podemos esquecer que a humanidade está no auge da permissividade sexual. Hoje em dia as pessoas se sentem mais à vontade para se expressarem sexualmente. E muitas vezes essa expressão sexual está ligada ao consumo de drogas. Quem busca um sexo mais selvagem, mais voluptuoso, geralmente consome cocaína, que provoca no consumidor a ilusão de um desejo mais voraz. Já a maconha produz um efeito mais realista no seu usuário, pois é uma droga mais suave e sensorial que atinge todas as formas de prazer: o prazer de saborear uma boa comida, o prazer de ouvir uma música, o prazer de admirar uma paisagem bonita, o prazer de aspirar o perfume de uma flor. O mesmo acontecendo com o supremo prazer do sexo.




AS DROGAS E GEORGE BUSH - O falso moralista governo Bush demonstra grande preocupação com o tráfico internacional de drogas. Com seu estilo de resolver as questões políticas como se ainda estivéssemos no velho oeste, Bush só falta sacar o revólver quando o assunto é o tráfico de drogas. Ao mesmo tempo, o mundo pós-George Bush é um mundo que estimula as pessoas a consumirem drogas. Muitos usuários consomem drogas por causa da angústia de viverem num mundo de guerra e violência. Muitas pessoas sofrem quando assistem na TV as barbáries que são cometidas no Iraque. As pressões da vida moderna através do capitalismo selvagem, do terrorismo, da guerra e da injustiça social fazem com que muita gente sofra com essa realidade e busquem as drogas como uma forma de se aliviar da dor que esse mundo provoca. E o principal responsável por esse mundo que leva as pessoas a se drogarem é o presidente Bush e sua ideologia fascista. Ninguém se iluda. Os milhares de soldados americanos que estão no Iraque são futuros consumidores de drogas em potencial. Quando voltarem para a América e lhes bater a consciência das atrocidades que cometeram na guerra eles vão buscar alívio na maconha e na cocaína. Não seria exagero dizer que o governo Bush é o maior incentivador do consumo de drogas em todo o mundo.




AS DROGAS E O POSTO NOVE - No último verão surgiu uma nova moda no Posto Nove, reduto do pensamento libertário no Rio de Janeiro. Desde os anos 60 um reduto de consumidores de drogas, a nova moda entre os jovens que freqüentam aquele trecho de praia é não consumir droga nenhuma. Uma das frases mais ouvidas no verão 2007 foi: eu parei de fumar. Será que essa moda pega? O fato é que muitos jovens bronzeados que freqüentam o pedaço estão achando que o quente mesmo é não fumar maconha. Não tem nada a ver com repressão, nem com caretice. Tem a ver apenas com a idéia de adotar um novo estilo de vida.




AS DROGAS E O GABEIRA - Gabeira amarelou. Essa foi a conclusão de um bronzeado garotão do Posto Nove ao comentar o artigo, publicado na Folha de São Paulo, onde o deputado federal Fernando Gabeira contesta as idéias de Sergio Cabral sobre a descriminalização da maconha. Gabeira desde sempre defendeu uma postura mais tolerante com relação a maconha e, por causa disso, angariou popularidade entre os jovens. Agora, quando o governador do Rio levantou a mesma bandeira, ele publicou um artigo dizendo que a sociedade brasileira não está preparada para a legalização da maconha e que isso só pode acontecer depois que houver uma total reformulação da polícia. Aos fãs do deputado federal essa teoria soou estapafúrdia. Uma total reformulação da polícia parece algo utópico e irreal. Logo Gabeira, que sempre pareceu um político centrado e com os pés na terra, resolveu usar argumentos frouxos para contestar uma idéia que ele mesmo sempre defendeu. O artigo de Gabeira contestando Sergio Cabral deixou nos eleitores a impressão que o deputado federal ficou com ressentimento pelo fato do governador ter levantado uma bandeira que ele julgava sua. Que pena. Ninguém esperava por isso, mas parece que o Gabeira realmente amarelou.


4.3.07




Tem dia que de noite é foda!

LUIS PIMENTEL & SUAS DECLARAÇÕES DE HUMOR – Um dos grandes jornalistas cariocas do nosso tempo, Luis Pimentel lança o livro Declarações de Humor, dia 8 de março na Casa de Cultura Laura Alvim. Pimentel é uma personalidade que dá dignidade a imprensa. Um sujeito que leva a sério o seu ofício. Ao contrário de muitos jornalistas que lidam com a sua profissão como uma maneira vulgar de ter poder ou status social, Pimentel é daqueles para quem o jornalismo é algo natural, uma característica do seu caráter e personalidade.

Eu tive a oportunidade de desfrutar da sua convivência profissional quando ele foi editor do Caderno B, do Jornal do Brasil. Quem assinava a editoria do caderno era o Ziraldo, mas quem, efetivamente, editava o suplemento cultural era o Pimentel, já que ele era um colaborador de confiança do cartunista. Pimentel editava o B com uma dignidade, uma pureza e um amor ao seu ofício que chegava a ser comovente.

Seu entusiasmo pelo trabalho na redação era contagiante. Ele não deixava dúvidas que ali era seu ambiente natural. O seu respeito pelo trabalho dos colegas era digno de nota. Tinha entusiasmo pelo trabalho de seus colaboradores e buscava sempre levantar a bola de todos, valorizando seus textos e opiniões. Ao contrário de certos editores que buscam sempre puxar o tapete da sua equipe, para que possa brilhar sozinho.

Luis Pimentel já escreveu romances, livros de humor e alguns livros infanto-juvenis. Em parceria com Dante Mendonça escreveu Piadas Para Sacanear Vascaínos (Para alegria dos flamenguistas) e Piadas Para Sacanear Flamenguistas (Para alegria dos vascaínos). Para jovens e crianças publicou O peixinho do São Francisco, Uma vez uma avó e Um menino chamado asterisco. Romancista dos bons, são dele os livros O calcanhar da memória e Um cometa cravado na tua coxa.




LA LUNA – O eclipse lunar foi o melhor programa para a noite do último sábado. Durante todo o dia não houve uma única nuvem no céu infinitamente azul. À noite o céu continuou límpido permitindo uma observação bem nítida do fenômeno. A praia de Ipanema ficou lotada de curiosos interessados em testemunhar o momento em que a sombra da terra iria escurecer a lua. Só faltou alguém virar lobisomem para o evento ser perfeito. No Posto Nove um grupo ficou tocando violão em volta de uma fogueira enquanto uma pequena multidão batia palmas cantarolando velhos sucessos de Bob Marley. A fogueira tinha se tornado necessária, já que o vento que vinha do mar era bem frio. Quando a lua começou a escurecer um enorme transatlântico todo iluminado surgiu por trás das pedras do Arpoador, dando um toque ainda mais exótico aquela noite tão especial. Foi incrível.


DEVE SER BOM SER VOCÊ – Um sucesso na Internet o site do jornalista Sidney Rezende, que é âncora da CBN e da Globonews. É lá no site do Sidney que, uma vez por semana, escrevo uma coluna de variedades. A crônica mais recente, um texto chamado O legado de Brizola, provocou a ira dos brizolistas de carteirinha. Nunca fui tão xingado em minha doce vida. Os fãs de Leonel Brizola não querem admitir que o seu guia espiritual foi um dos responsáveis pela situação de caos social do Rio de Janeiro. Se tiver saco leia AQUI!


2.3.07




Cada momento da nossa vida é um ensaio para o que vem a seguir.

A CENSURA BATE À PORTA – Os escritores brasileiros, em especial os que escrevem para a televisão, estão indignados com a tentativa do governo Lula em fazer ressurgir a censura através de um certo Manual da Nova Classificação Indicativa, que orienta os autores na elaboração de seus textos. A censura ditatorial começa assim. Primeiro lançam um manual que censura a TV, depois vão querer censurar os jornais, a Internet, a edição de livros. O presidente Lula é um reacionário e sua equipe de governo reza pela mesma cartilha. Sua declaração de que às vezes a violência é uma questão de sobrevivência é uma ofensa a todos os brasileiros, em especial àqueles que foram vítimas da violência. Eu imagino os cidadãos franceses lendo essa declaração do presidente do Brasil, depois de saberem que três de seus cidadãos foram barbaramente assassinados por um filhote de Lula, um coitadinho que eles tiraram da rua e deram uma vida melhor. Não satisfeito em ser um presidente alienado, que não dá nenhuma prioridade a segurança pública, Lula ainda tenta justificar os criminosos. Meu Deus! Como alguém que adota essa postura pode se achar no direito de querer intervir na liberdade de criação de escritores e diretores de TV? Para Lula o povo brasileiro é sempre um coitadinho que precisa da compaixão dele para que o país possa progredir. Então tá. O governo Lula criou no Brasil a indústria dos coitadinhos.

Esta semana um grupo de roteiristas da ARTV – Associação Brasileira de Roteiristas Profissionais de Televisão e outros veículos de Comunicação esteve no Ministério da Cultura para um debate com Orlando Senna, diretor de áudio visual do Ministério que estava representando o Ministro Gilberto Gil. A principio Orlando Senna, que já trabalhou com Glauber Rocha, foi simpático às reivindicações dos roteiristas. Do outro lado a repórter de TV do jornal O Estado de São Paulo Leila Reis, petista de carteirinha, defende o manual e acusa os roteiristas de estarem fazendo lobby para a TV Globo. É o exótico caso de uma jornalista que é a favor da censura. Vade retro! Pessoalmente, eu acho que a TV Globo já fez muito mais pela informação, a cultura e a educação do país do que todo o governo brasileiro pós-64. O novelista Sebastião Maciel, colaborador de Carlos Lombardi na novela Pé na Jaca participou da reunião e conta como foi o encontro de escritores com o Ministro Interino.




Estivermos ontem no Ministério da Cultura e fomos muito bem ouvidos pelo Orlando Senna, representante do Ministro Gilberto Gil, que por ser do meio artístico compreendeu o nosso discurso e se integrou afetivamente a este. Entretanto, diversas vozes parecem dizer o contrário, principalmente em off. Um censor demonstrou terrível preconceito ao nos fazer acusações. Outros setores do governo estão determinados em impor suas falsas verdades e seus podres poderes. E ainda somos massacrados por uma elite jornalística alienada e factual que nos confunde com os interesses de uma só Empresa ou de um corporativismo aquém. Mas, o que está em discussão, com esse manual do Ministério da Justiça não é um começo de controle. É o aval político e civil ao controle-absoluto do estado contra a verdade artística. Já estamos perseguidos pelo Ministério Público, seguimos todas as cartilhas, discutíveis ou não, que nos podam ao que julgam apropriado ao nosso horário, já há a classificação indicativa, vai haver o chip de indicação etária da tv digital e, sobretudo, há o controle remoto e a vontade soberana do telespectador. Assim como há a soberana liberdade de expressão. Mas, ainda assim, querem que o criador (seja o roteirista, autor ou diretor) se subordine ao Estado. E isso não é cabível, não compreensível, nem aceitável.




Sobre o mesmo assunto, Carlos Lombardi, autor de novelas como Cubanacan e Perigosas Peruas deu o seguinte depoimento:

Ontem, durante o capítulo da minha novela, estava com o Mauro Wilson e o Vinícius Vianna. Entrou o comercial, depois de uma cena de comédia, de cara a Fátima Bernardes mandou a chamada do Jornal Nacional - com a história do menino. Na hora o Mauro falou "Meu Deus, minha filha tá assistindo a novela" e eu pensei nos meus, lá em São Paulo, que com certeza levaram o mesmo susto. É óbvio que não quero censurar jornal. A notícia está lá. É fato e eu tenho que aprender como explicar um crime desses pros meus filhos. Mas faz algum sentido essa discussão toda? Faz algum sentido discutir se pode se falar bunda ou nao na novela das 7 quando no intervalo a realidade vem alcançar a gente a toda velocidade. Essa notícia ali, direta, crua. Como a mudança de posição do Ministério da Justiça é cosmética...

Para Carlos Lombardi esse manual do Ministério da justiça tem três coisas que o incomodam e ele mesmo especifica a seguir:

1 - O controle. Não é sugestivo, indicativo. Ele é controle. Se determinam que meu produto não pode passar as 19 horas, a coisa é irrecorrível.
2 - Trata todos nós, produtores de cultura, como tontos irresponsáveis que não sabemos em absoluto o que fazemos. Tenho certeza que jamais vou conseguir que todos concordem comigo, mas faz parte do meu trabalho ficar atento ao que fere ou não a MORAL MÉDIA do público. Novela que não vai de encontro com a Moral Média, não funciona. É simples assim. Temos responsabilidade. Não somos irresponsáveis.
3 - Estou lutando pelo meu sustento. Pelo meu direito a trabalhar, que pode ser cortado por um funcionário público. Não aceito. Se isso for aprovado, vou ter que me virar. Tenho dois filhos pra sustentar. Mas não aceito essa condição de tutela. Não quando há controle remoto. Não aceito que se coloque sobre meus ombros a tarefa de educar ninguém. Sou pago para divertir. Diversão não é pecado, diversão não é feio. É meu trabalho, que faço com todo esforço, cuidado e orgulho. Não sou um pedagogo, sou um dramaturgo.
Desculpe, mas já vi esse filme. Mudaram o elenco, mas os personagens são exatamente os mesmos e os objetivos, se forem bons, só mostram pessoas que não tem a mínima noção do que seja dramaturgia, liberdade ou até mesmo uma sociedade. Censura é censura. Imposição é imposição. Não há adjetivo nem circunstância que alterem o substantivo.




Renata Dias Gomes, a doce e bela neta de Janete Clair e Dias Gomes, é contratada da TV Record, onde é uma das redatoras da novela Alta Estação. Para se posicionar contra a censura Lulista a jovem novelista revela uma preciosidade histórica encontrada nos arquivos do seu avô:

Por acaso eu peguei o livro do meu avô hoje para procurar um dado da história das novelas - queria tirar uma dúvida sobre a audiência do Roque Santeiro - e olhem que curioso o trecho que eu encontrei sobre a proibição de Roque Santeiro em 1975!

A inesperada proibição de Roque, aliás, A Fabulosa História de Roque Santeiro e Sua Fogosa Viúva, a Que Era Sem Nunca Ter Sido, colheu-nos de surpresa, eu já no qüinquagésimo primeiro capítulo, e Janete já com Bravo no ar. A proibição não era apenas insólita, mas cercada de mistérios (como a proibição de O Berço do Herói, peça que serviu de inspiração para a novela); a Censura, a princípio, dizia apenas que a novela era imprópria para o horário das oito. Perguntamos se seria liberada para o horário das dez. A resposta era ambígua, talvez, mas os cortes seriam tantos, que dos primeiros capítulos só restariam poucos minutos. Pedimos que nos mandassem esses capítulos com os cortes feitos. Bem, nesse caso teriam que rever os cortes e possivelmente haveria outros, era melhor que desistíssemos da novela. Enfim, entendemos que a novela estava proibida, e eles, por motivos que só viríamos a descobrir muitos anos mais tarde, não tinham a hombridade de enviar um despacho com essa decisão.