30.10.03





O homem se distingue dos outros animais por ser o único que maltrata sua fêmea.

LAURA VIANA tem um blog muito bacana e me enviou um gentil e-mail, comentando um post publicado neste blog sobre o saudoso Petit, o surfista carioca que se tornou a mais perfeita tradução do Menino do Rio.


Você já sabe que eu gosto do seu blog e que sempre o visito à procura de
seus textos, de suas frases, das imagens e das novidades. Ao ler sobre o Petit, viajei no tempo, década de 1970. Eu estudava no Zaccaria, no Catete.
Éramos da mesma turma eu, Soninha, Tânia, Peçanha e Waltinho. Este, irmão do petit, que era de outra turma, e era apaixonado pela Soninha, que morava em Copacabana, na Miguel Lemos (ou seria Leopoldo Miguez?). Tínhamos 14/15 anos. Surfista, morando em Ipanema, Petit era a estrela do colégio, destacava-se léguas de todos nós mortais, nem tanto pela beleza, e sim pela atitude. Seu irmão Waltinho era um cara super legal e éramos (eu e Waltinho) amigos. Naquela época, a Soninha era apaixonada por um cara que ela namorava e esnobou o Petit. Disseram que ele sofreu com a rejeição da Soninha. É impossível alguém saber o que se passa pela cabeça de outra pessoa e a minha lembrança já está esmaecida. Não demorou muito fui morar em Brasília e nunca mais vi o Petit (tenho que perguntar o nome do Petit ao meu irmão, mas o celular dele não atende; digo depois). Apenas o acompanhava através da imprensa. Depois que voltei a morar no Rio, ainda me encontrei duas ou três vezes com a Soninha, a Tânia e o Waltinho. Quando soube da morte do Petit, preocupei-me em saber notícias do Waltinho, mas minha preocupação logo caiu no esquecimento. Hoje ao ler seu blog, senti vontade de ver o documentário.
É provável que através do documentário eu esteja procurando reviver um pouco da minha adolescência, através da imagem do Petit. Quem dera eu tivesse tido coragem para assumir minhas atitudes como o Petit, creio eu, assumiu as dele. Você saberia me dizer como, quando e onde eu poderia ver o documentário?
Um abraço - Laura Viana





Lupiscínio Rodrigues foi um grande compositor gaúcho, autor de algumas das mais belas canções da MPB. O sujeito foi uma espécie de rei da dor de cotovelo. Suas letras, que retratam amores em crise, traduzem com perfeição a solidão, o abandono e a saudade de quem já viveu um grande amor. VOLTA é uma de suas mais belas canções.


Quantas noites não durmo
a rolar-me na cama
a sentir tantas coisas
que a gente não pode explicar
quando ama


O calor das cobertas
não me aquece direito
não há nada no mundo
que possa afastar
esse frio do meu peito



Volta
vem viver outra vez ao meu lado
não consigo dormir sem teu braço
pois meu corpo está acostumado. "

O NOME DELE É ELISEU Como todo mundo já sabe o fotolog é um novo fenômeno da Internet. Dentro desse fenômeno, já começam a surgir suas primeiras estrelas. E no Brasil, uma das maiores estrelas do fotolog é, sem dúvida, aquele que ficou conhecido como MOBY. Mas, apesar do grande sucesso, o fotolog mudou o nome do rapaz, provavelmente por causa do famoso artista pop de quem ele tomou o nome emprestado. Agora MOBY está conhecido na rede como NTO. Seu verdadeiro nome é Eliseu de Oliveira Neto,tem 24 anos, é psicológo, nasceu em São Paulo mas vive em Florianópolis, que ele chama carinhosamente de Floripa. No fotolog do moço apenas fotos bem comportadas. Seu rosto, onde brilham dois belos olhos verdes. Fotos de objetos pessoais. Amigos. Ou partes do seu corpo, como pernas, tórax ou o muque. Com simplicidade e estilo ele criou um dos fotologs mais populares da rede. O sucesso é tanto que o moço até já deu entrevista para revista da OI.




O NOME DELE É SCOFIELD E por falar em fotolog, quem também está com um fotolog muito bacana é o jornalista Gilberto Scofield. Mr. Scofield escreve sobre economia e negócios. Mas está longe de ser um cara sisudo. Pelo contrário. Ele é jovial, bem humorado, inteligente e cheio de estilo. Marina W adoooora ele! No seu fotolog, denominado ATAQUE DE NERVOS, encontramos imagens de seu ambiente de trabalho, auto retratos, colegas de trabalho. Além de uma bela e comovente homenagem à sua amiga Mara Caballero. Imperdível.




Na sua homenagem a Mara Caballero, junto com uma bela foto, Scofield publicou um texto comovente, que ouso repetir aqui:


À minha querida amiga Mara Caballero, fonte eterna de bom humor, alto astral e alegria de viver, minha homenagem num trecho do Perdas & Ganhos, de Lya Luft:


"Fazendo um pouco de literatura, posso dizer que a morte é que escreve sobre nós - desde que nascemos ela vai elaborando conosco o nosso roteiro. Ela é a grande personagem, o olho que nos contempla sem dormir, a voz que nos convoca e não queremos ouvir, mas pode nos revelar muitos segredos.
O maior deles há de ser: a morte torna a vida tão importante!
Porque vamos morrer, precisamos poder dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo. Temos de ser decentes hoje, generosos hoje...devíamos tentar ser felizes hoje."



Mara, sentiremos todos a sua falta.

27.10.03




Tenho mais medo da mediocridade que da morte. (Bob Fosse)

MARA CABALLERO foi uma diva da imprensa brasileira. No seu trabalho como jornalista, Mara tinha como trunfos duas grandes qualidades: sofisticação e estilo. Era uma mulher que estava antenada, tanto com as tendências das ruas do Rio como com as tendências do que vinha lá de fora. A última vez que a vi, foi na sua festa de aniversário, no restaurante da Claude Amaral Peixoto, em Copacabana. Ela estava alegre, bem humorada e, sem medo de exagerar, posso dizer que ela estava radiante. De todas as suas atividades, a que estava deixando-a mais feliz, naquele momento, era o seu trabalho na radio Globo, onde fazia o programa NO FRONT DO ESTILO. Ela estava encantada com o radio e surpresa com o sucesso do seu programa, que falava de moda e estilo. Na festa, todos elogiavam a sua voz, que agora se destacava, já que todos a ouviam no radio. E ela demonstrou uma satisfação muito grande, por estar conseguindo dominar as dificuldades da realização de um programa de radio, uma novidade para ela.


MARA CABALLERO é uma jornalista que vai fazer falta na imprensa brasileira. Seu jeito leve e suave de escrever. Seu humor sofisticado. Seu olho clínico para a notícia. Ela tinha um jeito de ser jornalista que era só dela e essa é a característica mais difícil de se conseguir nessa profissão: personalidade. Para a imprensa brasileira foi uma perda irreparável. Descanse em paz, Mrs. Caballero! Descanse em paz...

CELEBRIDADE O que tem me deixado mais impressionado na novela do Gilberto Braga é a maneira cruel como o autor retrata a imprensa. Agora eu entendo porque a TV Globo teve tanto receio de produzir essa novela. É que Mr. Braga mostra a imprensa exatamente como ela é: um açougue, que expõe aos seus fregueses carnes retalhadas, vísceras e sangue. Em Celebridade, a imprensa é mostrada como um negócio escuso, uma maneira de ganhar dinheiro de uma forma vulgar, onde se manipula os mais baixos sentimentos do ser humano. A trama em que o Fábio Assunção fala mal do espetáculo do Simply Red, apenas porque a produção do show não lhe reservou o melhor lugar da platéia, descreve com precisão o sentimento usual da grande maioria dos jornalistas. Uma gente que há muito abandonou a ética da profissão, a ideologia do oficio e transformou o jornalismo num simples negócio.




NAVEGAR É PRECISO - Para alimentar a alma e enlevar o espírito, nada como a poesia certeira de Fernando Pessoa.

Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.


A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.


Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.




Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.



És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê
.

22.10.03




A beleza do corpo morre com o corpo. A beleza da alma é imortal.

PÉROLAS AOS POUCOS – O cantor e compositor paulista José Miguel Wisnik fez um pungente show de lançamento do seu disco, no Instituto Moreira Salles. Ele é um exímio pianista e suas composições transmitem essa virtuose. São canções de melodia rebuscada e que carregam na sua essência uma profunda consciência da música como arte. Wisnik também surpreende nas letras das canções que são rebuscadas, sutis e minimalistas.


“Assum Branco”, uma releitura do clássico da MPB “Assum Preto”, foi a canção que mais me impressionou. “Valsa Azul” é uma inusitada parceria do letrista Wisnik com o compositor Nelson Ferreira, criador de clássicos frevos pernambucanos. “Terra Estrangeira” é uma belíssima canção feita para o filme de mesmo nome. “Canção Necessária” é uma parceria com o músico carioca Guinga e “Tempo sem Tempo” foi feita junto com Jorge Mautner. O show teve a participação da cantora baiana Jussara Silveira e do músico Marcelo Jeneci.


O Instituto Moreira Salles é um centro cultural muito elegante. Fica situado na antiga casa da família Moreira Salles, na Gávea. Sempre que vou lá fico impressionado com o lugar. A arquitetura da casa. O piso de mármore. Os ambientes. Os jardins, com árvores exóticas e um riacho que atravessa o quintal. É tudo bonito, requintado e de muito bom gosto. Fica na rua Marques de São Vicente, 476.


Atualmente o Instituto está apresentando uma exposição da fotógrafa Madalena Schwarcz. São grandes fotos em preto e branco, distribuídas em três ambientes. No primeiro, são fotos de celebridades da cultura brasileira. Chico Buarque, lindo como sempre. Manabu Mabe. Clarice Lispector. Helio Oiticica. Tomie Othake. Tom Jobim, e outros. No segundo são fotos de anônimos. Gente pobre, na linha Sebastião Salgado. No terceiro módulo são fotos de travestis e transexuais. Fotos sensacionais do Dzi Croquetes, além de Ney Matogrosso, e muito mais.





FERNANDO GABEIRA, o nobre deputado federal, ao abandonar seu ex partido, fez uma bombástica revelação a sociedade brasileira. Gabeira disse que, tanto o presidente Lula, como o vice-presidente José Alencar ainda não chegaram na era da Internet. Eles não participam do mundo virtual. O governo federal precisa, imediatamente, convocar Cora Ronai para dar um curso intensivo aos nossos governantes. É inadimissível que, em pleno século XXI, o Brasil tenha um presidente que não está on-line. Alguém precisa dizer ao nosso querido presidente que o país que ele governa é uma das nações com o maior números de cidadãos conectados na Internet. E o presidente da república não pode ficar alheio a isso.


Quando o Gabeira fez essa revelação eu fiquei chocado. Agora eu entendo porque o Lula tem tantos Ministros. Agora compreendo porque ele faz questão de ter uma estrutura governamental tão grande e espaçosa. É porque ele não tem acesso a tecnologia. Se Lula fosse um cyber-presidente ele poderia governar o país com muito mais abrangência. Com muito mais domínio sobre as reais necessidades do país. E com uma equipe bem menor. Como presidente da república ele não pode se dar ao direito de ignorar a existência da Internet. Até porque, lidar com a Internet é a coisa mais fácil do mundo. Qualquer idiota consegue navegar na web. Até o presidente Lula.


Enquanto no Brasil o presidente e o seu vice ignoram as vantagens da Internet, nos Estados Unidos George W, Bush tem até um BLOG Agora imaginem só, Bush tem um Blog. Além disso o ditador norte americano possui o seu próprio site GEORGEWBUSH.COM Isso sem esquecer do site oficial da Casa Branca. Assim, habilmente conectado na WEB o presidente americano pode mentir à vontade e disseminar a maldade, o fascismo e o terror. Cruz credo!




SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO – Renato Gaúcho está de volta ao Fluminense e isso me deixou muito contente, pois adoro Renato e acredito que ele se identifica com o clube. Acho o treinador perfeito para o Fluminense. Não devemos esquecer que no ano passado ele levou o time à final do campeonato brasileiro. Esse ano a coisa anda feia para o Fluzão, mas isso não é culpa do treinador. Vários fatores colaboraram para isso. Principalmente, o injusto afastamento do Renato no meio do ano.


Pessoalmente, eu acho que a grande tragédia do Fluminense é o goleiro. Um time de futebol que se preza não pode ter um goleiro chamado FERNANDO HENRIQUE. É azar na certa. A conjunção desses nomes, Fernando e Henrique, não permite o progresso de ninguém. O Brasil que o diga. Acho que o Fluminense deve dispensar imediatamente o goleiro Fernando Henrique e contratar um goleiro chamado Lula. Até porque, Lula é um autêntico nome de jogador de futebol.

20.10.03




Em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade.

CANNABIS FREE – PESSOAS NORMAIS QUERENDO DIREITOS IGUAIS - Dia 1 de novembro está sendo instituído o dia nacional da maconha no Brasil. Nesse dia serão realizadas manisfestações pacíficas em várias cidades do Brasil, reivindicando a legalização da maconha. Em São Paulo, na avenida Paulista, a partir das 14 horas haverá uma passeata onde todo mundo deve ir com cartazes e/ou camisetas com símbolos da erva. Os organizadores estão convocando a população a participar do evento através da internet. Quem quiser participar deve contatar os organizadores pelo e-mail: passeataverde@bol.com.br E viva a maconha!




IS BLACK BEAUTIFUL? Kofi Annan, Benedita da Silva, Condoleeza Rice, Colin Powell… Parece que os negros estão com tudo, na política internacional. Nunca houve, na história da humanidade, uma época em que os negros tivessem tanta participação nas altas esferas do poder, como atualmente. Kofi Annan é o todo poderoso da Onu. Condoleeza e Colin são dois dos principais assessores de George W. Bush. No Brasil, Benedita, ao lado de Gilberto Gil, fazem parte do Ministério do governo Lula. Talvez seja o momento de perguntar: O que mudou no mundo com a presença dos negros no centro do poder? Será que o mundo se tornou melhor por causa disso? Parece que não.


No Brasil, a presença de uma mulher, negra e favelada no Ministério se transformou num problema antes mesmo do governo completar um ano. A ministra Benedita se transformou numa vergonha para as mulheres, as negras e as faveladas. A mulher teve uma oportunidade de ouro, ao ser convidada para o Ministério. E o que é que ela fez pelo país? O que é que ela fez pelas mulheres, negras e faveladas? Nada, absolutamente nada. A única coisa que ela fez foi causar um grande constrangimento à nação.


No seu trabalho como Ministra Benedita nunca disse a que veio. Ela sempre se comportou como uma figura decorativa, que estava ali apenas para se beneficiar das benesses do poder. Para culminar, ainda se envolveu nesse escândalo de gastos do dinheiro público em benefício próprio. Nos seis meses em que foi governadora do Rio ela dava a impressão de que não tinha a menor idéia do que estava fazendo ali. Benedita da Silva é uma grande pilantra. Ela usou sua imagem de mulher, negra e favelada para subir na vida e agora que subiu ela está mais interessada em usufruir as vantagens do poder. E o povo que se foda!




Nos Estados Unidos a coisa é muito mais séria. O mafioso George W. Bush, que deu um golpe de estado no seu país, parece que gosta de viver cercado de negros. Parece uma tentativa dele de se mostrar um democrata, um homem progressista, atento aos anseios das minorias. Ele viajou para o continente africano, para tentar conseguir definitivamente o apoio dos afros descendentes. Entre os seus principais assessores ele tem três negros. Colin Powell, Condoleeza Rice e Kofi Annan.


É isso mesmo, leitores. Kofi Annan! Afinal a ONU não passa de um órgão do governo americano que existe para manipular seus interesses no resto do mundo. E Kofi Annan não passa de um assessor de George W. Bush. Aliás, no caso de Mr. Annan, ele é menos que um assessor. É um capacho. Um baba ovo. Um puxa saco. Aliás, foi o próprio governo dos EUA que manipulou para que Annan assumisse o seu cargo na ONU. Ou seja, ele está ali como homem de confiança do presidente americano. Como capacho de um governo fascista.


No caso de Condoleeza Rice, a mulata não é a tal. Basta olhar para a cara daquela neguinha e ver o quanto ela é má. A vagabunda quer fazer com os povos de origem árabe, a mesma coisa que os nazistas fizeram com os judeus. Preconceituosa. Racista. Fascista. Tirana. Condoleeza Rice é a maldade em figura de gente. O mulatinho Colin Powell não fica atrás. Procura intimidar o resto do mundo através do potencial bélico do seu governo. É a sombra de Mr. Bush no que diz respeito a armas e munições.




Eis o que eu queria dizer: a presença de pessoas negras no centro do poder não melhorou em nada o mundo em que vivemos. Pelo contrário. Só fez piorar, na medida em que esses negros demonstram que, como seres humanos são todos uns desclassificados. É por isso que o escritor João Carlos Rodrigues é contra a existência de cota para negros, no Brasil. A cor da pele não faz ninguém ser melhor ou pior que outrem. Afinal, só existem dois tipos de pessoas: as boas e as más. E os negros que ascenderam ao poder político fazem parte do segundo grupo. Mas talvez isso seja uma característica da profissão que escolheram. Política é uma profissão de gente má.


A América contemporânea vive uma busca incessante de se desculpar com seus cidadãos afro-americanos pela forma como a sociedade americana tratou os negros, ao longo dos anos. A América sente uma necessidade de beneficiar seus negros como uma forma de amenizar o forte preconceito racial que existe até hoje. Talvez isso justifique a preocupação do governo W. Bush em ter uma forte presença negra no governo. Provavelmente, foi esse o motivo de sua recente viagem ao continente africano. Fazer média com a população negra.


Essa tentativa da sociedade americana em ser tolerante com seus afros descendentes ficou clara no caso do esportista O J Simpson, que matou a mulher num crime violento e selvagem. Todo mundo sabe que foi ele quem matou. Afinal, se não foi ele quem foi? Mas, mesmo assim o sujeito foi absolvido. E ele foi absolvido apenas por ser negro. A sociedade americana não agüentou o fato de um negro, que representava a democracia social e racial do país, ser condenado a cadeira elétrica. Não aquele negro que para eles era um símbolo. Um ídolo do esporte. Um homem que tinha superado a cor da pele e tinha chegado no topo da escala social.




Quando saiu o veredicto do júri que julgou o assassino, a cantora Madonna, chocada com a absolvição declarou: “Eu sempre soube que a sociedade americana teria que pagar o carma pela forma como tratou seus afros descendentes ao longo dos anos”. Touché, Madonna. Touché!




ATENÇÃO: Este blog está com novo e-mail: waldirleite@hotmail.com

19.10.03




O que você fizer hoje é algo muito importante. Afinal, você está trocando um dia da sua vida por isso.

A DAMA DE FERRO – É o assunto do momento no circuito lesbian-chic da cidade. A governadora Rosinha G. foi assistir ao show da cantora Joanna, no Teatro Rival. As mulheres homossexuais ficaram excitadíssimas com isso. “Será que elas voltaram?”, perguntava uma moça decidida, fumando um cigarro atrás do outro, numa mesa do bar Bofetada. “Elas nunca acabaram”, assegurava uma morena escultural, enquanto acariciava a perna da amiguinha a seu lado.


O fato é que, desde a época em que Rosinha G. era apenas a primeira dama da cidade de Campos que existe, no imaginário gay carioca, a lenda de que Joanna e Rosinha seriam muito mais do que boas amigas. É por isso que a governadora do Rio é tão popular entre as lésbicas. As meninas acreditam piamente que a governadora é uma delas. Tanto que, na época das eleições, chegou a ser fundado um movimento chamado Triângulo Rosinha, visando conseguir a adesão dos gays à candidatura da governadora.




A GRANDE DAMA – Durante um passeio até o Leblon aproveito para visitar a grande dama do teatro brasileiro Duse Nacarati. Era um final de tarde e tomamos um café delicioso. Conversamos e rimos muito. Duse me contou que não perde um capítulo da novela Cubanacan porque adora o corpo do Marcus Pasquim. “Eu acho esse homem um tesão”, ela dizia quando a imagem do bofe aparecia nas chamadas da novela, na TV sem som.


A Duse é muito engraçada. Ela tem um humor muito pessoal. E tem aquele seu jeito de atriz que parece que está o tempo inteiro representando. Contou que foi ótimo participar da turnê da peça Aqui Se Faz Aqui Se Paga, onde ganhou um bom dinheiro. Contou da sua viagem a Portugal com Leonardo Viera, um de seus melhores amigos. O ator estava fazendo uma novela na TV portuguesa e mandou convida-la para passar uma temporada com ele. E o Leo, como todo mundo sabe, é um gentleman. E adora a Duse. Ele a levou para conhecer os lugares mais incríveis de Portugal. A mulher ficou encantada.


No nosso bate-papo, Duse falou muito bem do Miguel Falabella, a quem ela chama simplesmente de “O louro”. Contou que “O louro” a cobre de presentes. Que ficou muito contente com a festa que ele fez em sua homenagem. Que “O louro” é um homem bom e generoso. Que “O louro” liga todos os dias para ela. Falamos também da peça Karma Cor de Rosa e da crítica Bárbara Heliodora, que arrasou com o espetáculo. Duse me disse que entendeu a crítica e que Bárbara Heliodora já tinha sido sua professora de teatro. De resto, conversamos sobre nossos amigos e planos para o verão.

18.10.03




As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.

Eu fui dar em Budapeste... – É com esta frase, cheia de tão profundo conceito existencial, que Chico Buarque começa o seu livro Budapeste. O nosso querido Chico sempre foi um alquimista das palavras, um mago da arte de escrever, um sujeito que sempre soube usar e abusar das letras, como já vimos em tantas e tantas canções. No livro Budapeste Chico Buarque demonstra ao seu público que soube apurar e depurar, ao longo dos anos, a sua capacidade de lidar com as palavras e fazer delas motivo de prazer para os seus fãs. Mais do que nunca o letrista expõe, para deleite do seu público, a sua capacidade narrativa, o seu talento de provocar paixão e felicidade a todos os que lêem seus escritos.


No site de Chico Buarque você pode saber tudo sobre ele. Pode ouvi-lo lendo um trecho de Budapeste. E ter acesso a todas as letras de suas músicas. Letras como a da música Sem Fantasia, uma canção apaixonada que fez parte da trilha da peça Roda Viva. Por trás de uma música de protesto, o que se ouve é o lirismo de uma inusitada canção de amor, carregada de sentimento e sensualidade.


Sem Fantasia (Chico Buarque)


Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu


Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

A ONU É UÓ – O Conselho de Segurança da ONU, capitaneado por Kofi Annan, reconheceu a invasão americana ao Iraque. A decisão é, antes de mais nada, uma ofensa à memória do diplomata Sergio Vieira de Melo. Além disso, a atitude da ONU só comprova que a instituição é apenas um órgão a serviço dos interesses do governo americano. Por trás dessa imagem de instituição voltada para a democracia e a união entre os povos, o que existe é uma organização a serviço do fascismo. Kofi Anan é uma espécie de moleque de recado de George W. Bush. Um baba ovo. Um capacho. Por outro lado, é impressionante observar como países como a França e a Alemanha, que trazem na sua história séculos de civilização, se curvam diante de uma gangue de cowboys de seriado de aventuras.

OS REIS DO TATAME - Um sucesso o lançamento do livro BRAZILIAN JIU-JITSU, dos primos Royler e Renzo Gracie. O evento foi na academia FIT EXPRESS, um conglomerado esportivo localizado na Barra da Tijuca. Os astros do jiu-jitsu deram dezenas de autógrafos aos fãs, amigos e familiares que foram prestigiar o lançamento.


ROYLER chegou acompanhado da esposa, Vera, e das quatro filhas. Orgulhoso e feliz, ele mostrava a todos as edições do livro na França, no Japão e nos Estados Unidos. Além disso ele contava o passeio que havia feito de asa delta, naquela tarde. Contou que tinha chegado bem perto do Cristo Redentor antes de pousar em São Conrado. RENZO é um humorista nato. Ficou todo o tempo fazendo piadas e brincando com os convidados, a maioria praticantes ou fãs de artes marciais.

13.10.03




Viva um dia de cada vez... e será mais fácil continuar vivendo

CADERNO H é o nome do suplemento editado por Hildegard Angel que o Jornal do Brasil publicará todos os sábados, a partir de novembro. O Caderno H será dedicado a cultura, comportamento e estilo, tendo o espírito carioca da cidade como ponto de vista. O verão do Rio promete ser o prato principal da publicação. Os lugares mais badalados das praias como o posto nove, o Pepe, o Castelinho, o country clube e o Arpoador serão alvos permanentes de reportagens do Caderno H. Hildegard Angel pretende, com o seu caderno, reativar o espírito do antigo Jornal da Praia, sucesso dos verões dos anos 70.




HILLARY 2004 - Os cavaleiros do apocalipse de Washington se dedicaram, essa última semana, a defender, com mais afinco, a presença de tropas americanas no Iraque e a enfatizar que a guerra foi uma coisa boa para o país e para o mundo Para defender suas idéias a turma de W. Bush dedicou-se a aterrorizar os cidadãos americanos, dizendo que os terroristas continuam sendo uma grande ameaça para a vida americana e todo aquele blá blá blá. Pobre país cujo governo, para defender suas posições, precisa aterrorizar o seu povo apontando-lhes o apocalipse.


O mundo precisa ficar de olhos bem abertos. Os pilantras da Casa Branca não estão dispostos a largar o osso. Eles certamente vão vir com tudo na eleição presidencial do ano que vem. Por enquanto ainda contam com o apoio da população. Mas o percentual de cidadãos que apóiam a política belicista do governo vem diminuindo. Isso significa que W. Bush pode ter problemas na eleição. E é exatamente aí que mora o perigo.


Os golpistas do partido republicano não vão entregar o país de mão beijada. Certamente eles já devem ter um PLANO B para o caso de o país se encantar com a candidatura de Hillary Clinton, por exemplo. E esse PLANO B pode ser algo muito perigoso para o povo americano. Por exemplo. Aliados do próprio governo podem articular um grande atentado terrorista na América, apenas para assustar a população e conseguir apoio para a reeleição. Essa gente é capaz de tudo!




BAGDÁ É AQUI! – A pista de dança principal da boate Bunker, todas as quintas-feiras se transforma numa pequena sucursal de Bagdá. É que nessas noites quem reina absoluto é o DJ SADDAM, uma espécie de tirano ditador do circuito hip hop do Rio. É o DJ homônimo do ditador iraquiano quem pilota as carrapetas e enlouquece a pista de dança com o suingue irresistível do hip hop. O ritmo importado dos negros americanos chegou para ficar e se transformou no perfeito antagonista da chamada música eletrônica. E o DJ SADDAM, um autêntico discípulo do hip hop, faz a moçada vibrar com a mais perfeita seleção de clássicos desse ritmo.


Na última quinta feira, para uma casa lotada, o DJ SADDAM contava que está se preparando para lançar o seu segundo CD. “Dessa vez vou vir com banda. Gabriel, o pensador que me aguarde”. Na pista de dança as musas do Arpoador-Inn Michele, Letícia e Alessandra se entregavam de corpo e alma ao suingue que brotava das caixas de som. Os ragazzos da República do Peru estavam lindos. Jorge, Sunny, Rodrigo e Miguelzinho. Cláudio do futevôlei. Além da presença muito especial do campeão mundial de vale tudo Rodrigo Minotauro, acompanhado de uma bela ruiva.

9.10.03




A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.

TV VANGUARDA – José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, depois de um período de total discrição, tem aparecido na mídia falando sobre o que mais entende: televisão. Em suas entrevistas BONI tem afirmado que falta ousadia a televisão brasileira. Suas opiniões, suas críticas e sua visão esclarecedora só nos faz reconhecer a falta que ele está fazendo nos lares brasileiros. Se hoje o Brasil tem uma das televisões mais desenvolvidas do mundo deve-se muito ao BONI. Ao seu talento, inteligência, perseverança e senso de oportunidade. É lamentável que ele não esteja exercendo uma função de ponta dentro da televisão brasileira.


A TV Globo era muito melhor quando dirigida pelo BONI. Com a saída dele, o telespectador pode perceber sensivelmente o esvaziamento da Globo. Faltam idéias interessantes, novidades e surpresas na programação. E as coisas que funcionam ainda hoje são heranças do tempo do BONI. Da época em que ele reinava absoluto nos corredores do prédio do Jardim Botânico. Dando esporro nos diretores incompetentes ou reclamando dos autores cujos textos não aprovava. Ou então mandando flores para algum artista que estivesse levantando os índices de audiência ou presenteando com um vinho de rara safra algum funcionário que estivesse merecendo. Sua presença física e sua personalidade forte fazem falta na Globo de hoje em dia, que parece uma televisão acéfala. Uma TV sem personalidade definida. Sem a ousadia dos bons tempos. Sem um lider. Alguém para dirigir com firmeza o padrão globo de qualidade. A impressão que se tem é que hoje todo mundo manda na Globo. Qualquer Marlene Matos. Qualquer Luciano Hulk. Qualquer aventureiro se arvora grande conhecedor da TV brasileira. É uma pena.


Clique AQUI e conheça mais sobre a TV VANGUARDA o canal de TV do BONI

ROYLER GRACIE promove noite de autógrafos do seu livro BRAZILIAN JIU-JITSU, na Academia Fit Express, na Barra da Tijuca. O evento será dia 16 de outubro, a partir das 19 horas. No coquetel só será servida comidas saudáveis, sucos, açaí e outras frutas da estação. Certamente o evento contará com a presença das maiores estrelas dos tatames brasileiros. Royler acabou de chegar de Los Angeles onde foi participar de um workshop com atletas americanos.




O meu querido amigo LUIZ FERNANDO GUIMARÃES está uma pilha de nervos. É que na próxima semana ele estará vivendo um tempo de estréias. Na terça vai haver o lançamento do filme OS NORMAIS, adaptação para o cinema do seriado televisivo. A exibição será simultânea em vários cinemas de um shopping na Barra da Tijuca, apenas para convidados, que depois serão brindados com um coquetel. Será que Hollywood é aqui? Na quarta estréia no Teatro dos Quatro a peça O Caso da Rua ao Lado, um texto do francês Eugène Labiche dirigido por Alberto Renaut. Já estão sendo feitos ensaios abertos do espetáculo, que é produzido pelo próprio Luiz Fernando. O palco do teatro será pequeno para abrigar os talentos de Otavio Muller, Clarice Niskier e Nelson Dantas, que dividem a cena com Luiz, num cenário de Gualter Pupo Filho, iluminado por Maneco Quinderé e figurinos de Claudia Kopke.




MARIJUANA – Muito legal a reportagem sobre a maconha, publicada domingo no caderno da Família, no jornal O Globo. Sem medo de ser feliz, a jornalista Márcia Cezimbra expôs para a família brasileira toda a hipocrisia que envolve o uso da maconha. Os conservadores ficaram melindrados com o tom progressista da reportagem. Já os maconheiros aprovaram com louvor o apoio que o jornal deu aos seus hábitos de consumo. Desde já Márcia Cezimbra é forte concorrente ao Prêmio Paulo Francis de Jornalismo que esse BLOG pretende instituir no final do ano.

8.10.03




Se a vida lhe der pedras, não desista. Faça delas degraus e suba.

MENINO DO RIO – O cineasta Luiz Carlos Lacerda está lançando um novo filme: “Viva Sapato”, que teve uma sessão de lançamento no Festival do Rio muito badalada. No rastro do lançamento o diretor deu uma entrevista reveladora para o fotógrafo Pedro Stephan, que está publicada no site do MIX BRASIL contando várias histórias divertidas sobre sua vida pessoal. Lacerda fala da sua paixão avassaladora por Lúcio Cardoso, quando aos 17 anos chegou a sair de casa para ir viver com o escritor cinquentão. Xinga Agnaldo Silva, a quem chama conservador, ditatorial e reacionário. Conta como ele e Antonio Calmon se revelaram homossexuais para o pessoal do cinema brasileiro. E descreve como era a pegação na Copacabana dos anos sessenta.


Luis Carlos Lacerda, também está lançando A MORTE DE NARCISO, um documentário sobre o top fotógrafo brasileiro Alair Gomes, que está sendo muito aguardado pelo público brasileiro mais antenado. O filme tem cenas inéditas do garotão Petit, surfista que foi o muso inspirador de Caetano Veloso na música Menino do Rio. Petit foi fotografado por Alair muito antes da música de Caetano, o que mostra sua vocação para muso inspirador de importantes artistas brasileiros, quando se tratava de mostrar a cidade através de seus meninos. Pois Petit também foi muso inspirador de Mr.Lacerda, que o filmou no píer de Ipanema. E estas cenas são mostradas no documentário, como também uma seqüência em que rapazes nus recitam poemas clássicos. Ao falar sobre o mitológico surfista de Ipanema Luis Carlos Lacerda não é nem um pouco reticente. “Na época o Petit com uns 14/15 anos, era meu amigo, todo dia ia na minha casa para irmos juntos à praia”.


7.10.03

A FORMIGONA Silviano Santiago entregou a editora Rocco os originais de um romance pornográfico. Já estou ansioso para ler esse livro e poder avaliar se ele tem algum valor literário. Silviano, sempre tão acadêmico em sua literatura, terá que provar aos leitores que a pornografia também pode ser acadêmica. Tão acadêmica como seus romances entediantes. Também será interessante analisar como Madame Santiago, uma bicha melancólica e contida, traduzirá para o público suas fantasias eróticas com o poeta Affonso Romano de Sant´anna.

BÚZIOS ALÉM DO ARCO ÍRIS A cidade de Búzios foi palco no último fim de semana do I FINDE GLS, uma espécie de congresso de gays e lésbicas, que animou a acolhedora cidade praiana do estado do Rio. Durante o evento houve palestras e debates sobre a legalização da parceria civil entre casais do mesmo sexo. Como também um workshop sobre a questão da violência contra homossexuais. Mas, o que atraiu o grande público foram os eventos festeiros como as raves e a badalação na rua das Pedras, o centro nervoso da cidade.


FARME IN GERIBÁ foi o nome da rave realizada na praia de Geribá, a mais badalada de Búzios. Um trecho da praia foi todo decorado com enormes bandeiras do arco-íris onde o DJ Jackson Araújo tocava os grandes sucessos da música eletrônica. Aproveitando o sol e a praia, uma multidão de gays, lésbicas e simpatizantes transformou o evento num animado carnaval.


A noite a fechação foi na rua das Pedras, onde o comercio local decorou suas vitrines com bandeiras do arco-íris buscando atrair os participantes do evento. Os restaurantes criaram pratos especiais como Testículos de Peru, Camarão ao Arco-Íris, Lagosta Bombada, Barbie Chic e Salada GLS (gostosa, leve e saudável). Os turistas convencionais, que costumam passar os fins de semana na cidade entraram no clima e se divertiram com o show de Rogéria, no Fashion Café e com a top drag paulistana Renata Bastos, que circulava pela cidade caracterizada de Brigitte Bardot, fazendo muito sucesso com crianças e adolescentes. Todos queriam uma foto ao lado da Brigitte Bardot cover.


O ator Luis Salem esbanjou estilo no seu show no Fashion Café. Também estavam na cidade algumas das mais badaladas estrelas do nosso gay society. André Fisher, do Mix Brasil, com o namorado. O casal Carlos Tufvesson e André Piva, expoente da luta pela legalização da união civil no Brasil. Ronald Villardo, editor do site da Érika Palomino. Cláudio Nascimento, do Grupo Arco-Íris. Isabelita dos Patins. Rogéria. Luis Salem. O jornalista Nelson Feitosa, que foi com o jovem namorado. Só faltou Artur Xexeo!


Cessar Cigliutti e Marcelo Suntheim, o primeiro casal civil homossexual da Argentina deu uma palestra contando sua experiência e a reação da sociedade portenha ao fato. O deputado estadual Carlos Minc impressionou a todos com os seus argumentos contra a homofobia. E as atrizes Tâmara Taxman, Ângela Leal e Andréa Guerra fizeram questão de participar do evento pois, segundo elas, “ser contra o preconceito é o máximo!”.


A esticada final foi na boate TENDA, onde todo mundo dançava até o sol raiar. Gays adolescentes circulando muito à vontade. Rapazes fortinhos dançando sem camisa, exibindo músculos trabalhados e tatuagens exóticos. Surfistas bronzeados trocando carícias sensuais. Um colírio para os olhos. Garotas decididas azarando umas às outras. Casais heterossexuais se esbaldando na pista de dança. E muito beijo na boca. Todo mundo beijando todo mundo. E tome pegação! O agito foi tanto que o DJ Jackson Araújo comentou: “As pessoas se comportam como se o mundo fosse acabar amanhã”. Quem há de saber?

3.10.03




Jamais corte o que pode ser desatado.

CELEBRIDADE Alexandre Pires, o cantor brasileiro que se tornou uma estrela internacional, cantou para George W. Bush na Casa Branca. Emocionado por cantar para personagem tão ilustre, o cantor não segurou as lágrimas e acabou chorando no ombro do presidente americano. Fico feliz pelo sucesso do Alexandre Pires. Quando estive em Cuba, no ano passado, pude testemunhar o seu sucesso cantando em espanhol. As rádios cubanas tocavam suas músicas todo o tempo. E o seu clipe estava no hit parade da MTV Latina. Definitivamente, a mulata é a tal. O site oficial da CASA BRANCA registrou com destaque o encontro entre Mr. Pires e Mr. W. Bush.


Entretanto, minha história favorita sobre Alexandre Pires, é aquela que rola nas arquibancadas do Maracanã. Quem acompanha os bastidores do futebol carioca sabe do que estou falando. Toda vez que o jogador Caio entra em campo, a torcida adversária costuma gritar o nome do cantor. É uma das histórias mais divertidas do futebol brasileiro.


Conta-se nos vestiários do Maracanã, que certa vez, depois de um show no Canecão, Alexandre Pires foi flagrado pagando um boquete no Caio, dentro de um carro estacionado no Mirante do Pasmado. A história teria se tornado pública, porque policiais que faziam ronda no local teriam abordado os pombinhos bem na hora h. Ao perceberem que estavam diante de celebridades, os policiais pediram dinheiro para não prende-los por atentado ao pudor. Mesmo recebendo dinheiro, os canalhas policiais deram com a língua nos dentes. A notícia chegou a ser publicada, sem dar o nome aos bois, na coluna do Renato Mauricio Prado, no Globo.


Adoro essa história. Pagar um boquete num jogador de futebol é a glória. Eu passei a gostar do Alexandre Pires depois que torcedores do Fluminense me contaram essa história, com brilho nos olhos, na arquibancada do Maracanã. E hoje, ao ver o cantor sendo consolado por George W. Bush (a pessoa que eu mais detesto nesse mundo) eu fiquei feliz por ele ter chegado lá. Mas, ao mesmo tempo, aquilo não me disse nada. Para mim Alexandre Pires é muito mais genial por ter pagado um boquete no Caio do que por ter sido consolado por George W. Bush.




CELEBRIDADE – Minha maior fantasia secreta sempre foi pagar um boquete no jogador Edmundo. Desde a primeira vez que o vi jogar futebol. Muito antes dele ter se tornado um ídolo popular, eu já acalentava esse sonho secreto. Para mim ele é um símbolo sexual definitivo. Um dos homens mais sexies do futebol brasileiro de todos os tempos. Eu já o vi de sunga na praia e ele é tudo. Tudo e um pouco mais.


Pois bem. Recentemente estava eu numa festa no Copacabana Palace, entre taças de champanhe e canapés de caviar, pérolas e diamantes, junto com o farfalhar de sedas e cetins, quando me aparece David Brazil e, como quem não quer nada, conta que já pagou um boquete no Edmundo. O mundo sumiu sob os meu pés. Durante alguns segundos eu quis matar David Brazil. Estrangula-lo. Mas respirei fundo, bebi um gole do champanhe e consegui controlar a minha inveja.




CELEBRIDADE – O futebol brasileiro sempre me inspirou sexualmente. Na minha infância havia os bigodes de Rivelino e as pernas do goleiro Leão. Certa vez Leão posou para um pôster da revista NOVA só de sunga. Minhas tias compraram a revista e eu fiquei maravilhado quando vi a foto. Certamente foi uma imagem que marcou minha infância.


Depois vieram outros ídolos. Eder, da seleção brasileira, foi uma paixão arrebatadora. Eu chorei muito quando a seleção em que ele jogava foi desclassificada. Chorei por ele mais do que pela seleção. Júnior, Alemão, Ricardo Gomes, Paulinho Criciúma, Renato Gaúcho, Leandro. Essa seleção fez a alegria dos meus momentos de solidão na adolescência.


Um jogador que eu adorava e achava extremamente sexy era o Carpegiani.
Foi um grande astro do nosso futebol. Jogava com estilo e personalidade. Depois ele se tornou técnico de futebol. Na época em que jogava no Flamengo Carpegiani era muito gostoso. Eu tinha o maior tesão por ele. Até que um dia eu vi escrito atrás da porta do banheiro de um botequim da rua MIguel Lemos a seguinte frase: “Já chupei o pau do Carpegiani”. Fiquei arrasado!

1.10.03




Todas as vezes em que você pensa que a TV atingiu o pior nível possível, um novo programa começa e espanta porque o poço tem cada vez mais fundo.

AMORES POSSIVEIS o filme de Sandra Werneck, vai ser exibido pela Globo em outubro. Taí um filme que merece ser revisto. Adorei quando o assisti no cinema. É um filme original, sofisticado, inteligente e popular.


O que eu mais gostei em Amores Possíveis é que o filme não tem favela, nem gente pobre, nem bandidos da falange, nem retirantes nordestinos. Como é bom assistir a um filme brasileiro sem esses lugares comuns. Eu me recuso a ir a um cinema para assistir a miséria do Brasil. Eu já vejo isso todos os dias nas ruas. Esse aspecto da sociedade brasileira nos é jogado na cara todos os dias. Não vou pagar ingresso para assistir um espetáculo deprimente, que eu já assisto cotidianamente de graça.


Em Amores Possíveis os personagens são civilizados, profissionais bem sucedidos. Os atores vestem roupas chiques e elegantes. Os cenários e as locações são de extremo bom gosto estético. Além disso, o filme tem uma linguagem própria. É um filme que trás consigo um olhar original sobre a arte de fazer cinema. Ao mesmo tempo, parece um filme americano, tal a qualidade técnica da sua produção.


Foi um sucesso nos cinemas. Ficou semanas em cartaz. Eu demorei a assistir porque eu não suporto Murilo Benicio. Acho ele um chato. Over acting. O pior é que o chamam para fazer todos os filmes brasileiros. Mas confesso que gostei muito da sua atuação em Amores Possíveis. Ele faz três personagens e defende o trio com muito talento. A Carolina Ferraz, por sua vez, dá um show. Em certos momentos chega a lembrar Dina Sfat tal a intensidade de sua atuação. No geral, todos os aplausos para a diretora, que construiu uma jóia valiosa do cinema brasileiro. Sem favelados. Sem jagunços. E sem retirantes...




O NEGÓCIO DA POBREZA – Os índices da pobreza e da miséria no Brasil são cada vez mais alarmantes. Os números são assustadores. Além dos números, em si, a miséria brota nas ruas onde é jogada na cara de todos aqueles que não fazem parte desse mundo de miseráveis. Ao mesmo tempo, existe um culto à miséria, dentro da vida brasileira. Isso é típico de um país católico. O catolicismo reverencia a pobreza, a miséria. E isso parece arraigado ao comportamento social do país.


O fato é que a pobreza, na sociedade brasileira, é um negócio. Um grande negócio. Tem muita gente vivendo de ser pobre. Uma faixa da população que é pobre por profissão. Ao mesmo tempo tem toda uma elite política e econômica que manipula a pobreza. Um grupo que precisa que existam muitos pobres para que possa manter o seu status quo.