25.6.05




Não importa o tamanho da montanha, ela não pode tapar o sol.






Quando falar, cuide para que suas palavras sejam melhores que o silêncio.




PARIS EM CHAMAS - Ontem eu vi Tom Hanks e Audrey Tatou filmando O Codigo da Vinci, em frente ao Museu do Louvre. Eles estavam dentro de um Smart, um pequeno carro, muito popular em Paris, menor que um Fusca. Na frente do carro havia uma estrutura metalica onde uma camera estava acoplada. Como eu li o livro, sei exatamente a cena que eles estavam filmando. E o momento em que a jovem Sophie Neveau ajuda Robert Langdon a fugir do Museu, quando ele esta sendo interrogado pela policia. A cena foi filmada varias vezes, com a camera posicionada em diferentes angulos. Na frente do carro, depois atras, depois do lado. Apesar da estrutura montada em torno da filmagem, foi possivel ver os atores bem de perto. E havia uma luz especial dentro do automovel que deixava os atores bem iluminados.


A cena foi rodada na rue de Rivoli, bem em frente ao Museu. Varias ruas do centro de Paris foram interditadas para a realizacao do filme, o que provocou um imenso engarrafamento na sexta-feira a noite. Uma area ao lado do museu foi cercada e la haviam uns cinquenta veiculos que faziam parte da producao: caminhoes, trailers, vans e minivans. Um caminhao com um imenso guindaste foi posicionado em frente ao museu. No alto do guindaste uma estrutura com refletores iluminava toda a fachada do Louvre. Turistas, fanzocas e paparazzis se posicionavam alem das areas interditadas, tentando conseguir um melhor angulo para assistir as filmagens. Fotografos do Le Monde, Paris Match e Le Figaro nao paravam de fotografar os bastidores da filmagem que esta mobilizando Paris, neste animado verao europeu.


Apesar da estrutura gigantesca montada para o evento, o clima era bem relaxado e tranquilo. A equipe, os segurancas e os policiais envolvidos no trabalho eram muito simpaticos e pareciam estar adorando tudo aquilo. Eles nao perderam o bom humor nem quando dois adolescentes franceses, andando de patins, invadiram a rue de Rivoli bem no momento em que estava sendo rodada uma das sequencias. Na maior velocidade, os garotos invadiram a rua, conseguindo driblar os segurancas que tentaram dete-los. Em vez de ficarem irritados, todos riram muito, mesmo sabendo que a molecagem tenha atrasado o trabalho. C'est la vie, diriam os parisienses.






PARIS EM CHAMAS - Um sucesso a apresentacao da peca Mademoiselle Chanel, no Teatro Champs Elysees, na elegante avenue Montaigne, em Paris. Assisti ao espetaculo nesta quinta-feira, numa apresentacao apenas para convidados da Maison Chanel e da revista Elle. A diva Marilia Pera foi muito aplaudida por uma plateia predominantemente francesa. Foi uma experiencia curiosa assistir a esse espetaculo num teatro que fica quase do lado da Maison Chanel. Mesmo depois de ter assistido uma missa na Catedral de Notre Dame, visitado o Arco do Triunfo e passeado as margens do rio Sena, o que mais me impressionou foi a atuacao de Marilia Pera como Mademoiselle Chanel.


Esta quente na cidade. Ainda bem que pancadas de chuva desabam sobre Paris e refresca um pouco. Eu diria ate que refresca um pouco demais, pois a mudanca do calor para o frio torna-se muito brusca. C'est la vie. Tenho me divertido muito no "Baixo Saint Germain des Pres", um trecho do Boulevard Saint Germain onde fica o Cafe de Flore e o Les deux maggots, os cafes que eram frequentados por Sartre e Simone de Bouvoir. A praca ao lado dos cafes foi batizada de "Sartre-Bouvoir" em homenagem ao casal de escritores. A partir do final da tarde o lugar vira um ponto de encontro de artistas, intelectuais e gente descolada. Grande badalacao.


A igreja de Saint Sulpice e bem maior do que eu imaginei quando li O Codigo da Vinci. Fui visitar a igreja apenas por causa do livro e fiquei imaginando cada passo dos personagens la dentro. A chegada do vilao Silas que acredita estar escondido ali o segredo que move a historia. Olhando para o alto eu tentei imaginar a freira que o observa la de cima, no capitulo 22, ate ser assassinada pelo fanatico religioso. Quantas vezes Dan Brown, o autor, foi a igreja para poder situa-la no seu livro? O Codigo da Vinci continua sendo muito falado em Paris ja que, esta semana, comecaram as filmagens da adaptacao cinematografica na cidade, no Museu do Louvre, principal cenario dos acontecimentos do livro.


Emocionante mesmo foi assistir uma missa na Catedral de Notre Dame, passear pelo Marais, badalar na elegante avenue Champs Elysees e caminhar as margens do rio Sena. A temporada parisiense esta apenas comecando...


Amigos leitores, perdoem a acentuacao deste texto, ja que escrevo de Paris...

MOULIN ROUGE – Foi sensacional a festa de comemoração dos 30 anos de André Ramos e Bruno Chateaubriand, na mansão da avó do André, na Gávea. André e Bruno são inteligentes, divertidos, alto astral e adoram uma festa. A mansão foi toda decorada em vermelho, com muitas cortinas e rosas dessa cor. O terraço foi transformado em pista de dança. Em volta da pista, foram criados vários camarotes para os convidados mais vips. O DJ Zé Pedro arrasou na seleção musical. E os efeitos de luz com chuvas de papel picado ajudavam a aumentar a animação. No primeiro andar, num outro salão, música ao vivo da melhor qualidade.


Champanhe, champanhe, champanhe... Os garçons não deixavam nenhuma taça vazia. Os convidados seguiram a orientação do convite e se produziram como personagens do filme Moulin Rouge. Muitas dançarinas de cancan, melindrosas, vedetes e femme-fatales. Os homens desfilavam de fraque, cartola, suspensórios e gravatas borboletas, fazendo clima de gangsters e crupiês e cafetões. Tudo com muito charme e estilo.


Adoro Bruno e André. Eles estavam felizes e não pouparam esforços para dividir a felicidade deles com os amigos e as pessoas que eles curtem. Logo que cheguei na festa o André me deu um abraço afetuoso. Que bom que você veio, Waldir. Nós gostamos muito de você. Logo depois encontrei com o Bruno e ele estava muito engraçado com o cabelo cortado. Vestia um terno preto, gravata borboleta e uma esvoaçante capa preta com forro vermelho. No alto da pista de dança, reinando absoluto naquele cenário, um pôster gigantesco dos pombinhos, lado a lado.


Bruno e André se conheceram quando tinham treze anos e nunca mais se largaram. Eu acho que eles são um dos casais mais chiques do Rio de Janeiro. Como Toni Belloto e Malu, Jair e Marisa Coser, Hilde e Francis, Du e Cíntia, Nelson e Xixa Motta, Tarcisio e Glória, Michel e Paula Lupiac, Luiz Carlos e Lucy Barreto, Gilberto e Edgar...


Como a festa era num clima de Moulin Rouge, foi uma festa de excessos. Excesso de vermelho, excesso de produção, excesso de música, excesso de camarões empanados, excesso de champanhe... Bem, champanhe nunca é demais... O jantar foi uma loucura gastronômica. Cascatas e mais cascatas de camarões. Cascatas e mais cascatas de lagosta. Muita vitela. Assados e saladas. Cremes e molhos. Na hora em que fui me servir, eram tantas as opções, que eu não soube por onde começar. Então resolvi comer apenas lagostas...


Champanhe, champanhe, champanhe...


Dado Dolabella estava lindo de fraque e cartola. Não podia estar mais lindo com aquele sorriso envolvente estampado no rosto. Num dado momento ele passou ao meu lado, na pista de dança que estava apinhada de gente, e eu deixei a minha mão boba encostar acidentalmente na sua bunda. Foi uma sensação incrível. Foi como tomar um ecstase e sentir a música ecoando por todo o corpo como uma descarga elétrica. Foi a melhor sensação da festa de Bruno e André.


Mulheres bonitas? Vanessa de Oliveira, Jaqueline Brito (lindinha, lindinha), Antonia Leite Barbosa (muito sexy de minissaia preta, meias arrastão e luvas vermelhas), Narcisa Tamborideguy, Bianca Teixeira (com o namorado, Alex, um bofe fantástico), Manoela Colombo e a grande estrela da TV Record Adriana Garambone, que deu um show na pista dançando com um bofe fantástico, que ela trouxe de São Paulo.


Personalidades? Rute de Almeida Prado, Jair e Marisa Coser, Regina Casé, Leda Nagle, Cristina Franco (cheia de botox), Amin Khader, Humberto Saade, Sylvia de Castro, Eliana Pittman (que errou feio no figurino) Milton Cunha, Regina Lundgren, Almir Ghiaroni, Geórgia Wortman, Marcio Mothé, Edgar Moura Brasil, além da grande dama do colunismo social Hildegard Angel com o seu Francis.


Dancei muito com Jaqueline Brito, que estava a própria Nicole Kidman. Tanto que ela que conquistou um admirador na festa. Um advogado bonitão, sexy e sedutor que ficava o tempo inteiro atrás dela. Foi ele quem dispensou a policia, quando ela apareceu às três da manhã, chamada por vizinhos que não gostaram do som a todo o volume. Não existe lei do silêncio juridicamente, argumentou ele com os homens da lei, antes de afirmar que se eles não fossem embora ele iria ligar para o Antony Garotinho. Que bofe poderoso! Também, com aquele carão ele podia tudo. Mas eu já estava tão louco de champanhe que esqueci o nome daquele monumento, tão elegante de fraque e cartola. Só me lembro da luz feérica, da chuva de papel picado, da música exuberante, dos vestidos exóticos, das plumas e dos paetês... E da minha mão boba tocando suavemente o Dado Dolabella.






SER GAY É PADECER NO PARAISO – Foi muito legal a parada gay desse ano, na avenida Atlântica. Animada. Alto astral. A música tocada pelos DJs dos trios estava incrível. Atraía as pessoas com seu ritmo e energia. E tinha muita gente que não era gay assistindo ou participando: casais de namorados, pais com filhos, pessoas idosas. Todo mundo querendo se divertir, dançar e curtir o domingo em Copacabana.


A coisa que eu achei mais engraçada na parada aconteceu no Posto Seis, na concentração. Um grupo de rapazes machões de Copa, que jogam vôlei na praia todos os fins de semana, entraram no clima da festa e começaram a dançar como go go boys enquanto jogavam a partida. Conrado, Oscar, Menudo, Juan e Pernil. Como eles eram lindos e gostosos com suas sungas coloridas, as bichas ficaram loucas. Então começou a torcida. Muitos tirando fotos enquanto eles ficavam rebolando na areia, baixando a sunga e fazendo coreografias hilárias, ao som da música sensacional que explodia dos trio elétricos. Para mim esse foi o melhor momento do desfile.









O VALOR DO SILÊNCIO - Em alguns templos budistas, o voto do silêncio é sagrado e muito rígido. Em geral os orientais falam bem menos que os ocidentais. Saber escutar e só falar na hora certa, sem despediçar a oportunidade, é sinal de sabedoria. E a pratica da meditação, em todas as escolas budistas no Oriente, é a prática do silêncio. Somente em silêncio é possivel escutar a voz interior. Por isso, muitos provérbios do Oriente falam sobre o valor do silêncio e da sabedoria de quem sabe escutar. Para os orientais, menos é mais.




FORA LULA! – O Palácio do Planalto ofereceu quatro ministérios ao PMDB em troca de apoio integral do partido aos projetos do governo. O presidente Lula não se emenda. Oferecer quatro ministérios a um partido político em troca de apoio, é a mesma coisa que oferecer dinheiro a um político para ter esse mesmo apoio. Pois é. Para abafar o escândalo do mensalão, Lula oferece ao PMDB muito mais do que um mensalão. É incrível o despreparo do Presidente da República. Os ministérios do governo deveriam ser ocupados por pessoas de confiança do presidente, que fossem competentes nas suas áreas de atuação. É bizarro que o próprio presidente fique loteando o governo e “comprando” apoio político usando como moeda de troca cargos do primeiro escalão. É sórdido e imoral.




FELICE CAFÉ – Encontro com Cláudio Parreiras no Felice Café. Sou fã do Cláudio desde a época em que ele era repórter, editor de arte e design gráfico da revista Interview, nos primórdios da revista, quando ela era grande e suas capas eram feitas com fotos preto e branco colorizadas. Há vinte anos Monsieur Parreiras mora em Paris, onde trabalha como produtor de moda. Duas vezes por ano ele vem ao Brasil fazer o “styling” da grife Lenny, nos desfiles do Fashion Rio. Esse ano o desfile da estilista Lenny Niemeyer conseguiu se superar e foi um dos destaque do festival de moda.


Cláudio é puro talento. Sabe tudo de moda e estilo. Já trabalhou com importantes “maisons” francesas, nas semanas de moda de Paris. É um excelente artista gráfico e um mestre do desenho, dono de traço original e inconfundível. No nosso agradável bate-papo no Felice Café, Cláudio me contou da sua vida em Paris e alguns segredos da cidade. A exemplo de Ruiz Bellenda e Bruno Astuto ele também é um grande admirador de Isabelle Adjani. Tanto que assistiu oito vezes a atuação dela no teatro, na peça A dama das camélias. Além disso ele tem um acervo de fitas com quase todos os filmes da estrela do cinema francês. Inclusive filmes raros no Brasil como Verão assassino, que registra uma das mais perturbadoras atuações da atriz.


Cláudio também me contou os bastidores do desfile e a repercussão na imprensa. Ele ainda vai ficar mais algumas semanas no Brasil, pois além de trabalhar na São Paulo Fashion Week, está preparando o catálogo com a coleção da Lenny para o próximo verão. Cláudio me pareceu estar feliz e realizado profissionalmente.

21.6.05




O homem se engana: reza para ter vida longa e teme a velhice.

A LINHA DA BELEZA – Vai ser lançado em novembro, pela editora Nova Fronteira, o aguardado livro do inglês Alan Hollinghurst, A Linha da Beleza. Mr. Hollinghurst está para a literatura inglesa assim como a dupla Pet Shop Boys está para a música pop. A linha da Beleza é o primeiro livro de temática gay a ganhar o Booker Prize, o prêmio máximo da literatura inglesa. O único livro do escritor lançado no Brasil é A biblioteca da piscina, que é pouco conhecido, mas que merece ser lido, pois é literatura de alto nível.




DECADENCE AVEC ELEGANCE – O que foi marcante na última edição do Fashion Rio? O desfile da Salinas, inspirado em Carmem Miranda. Foi bonito, definiu bem o conceito da marca, inovou e divertiu a platéia. O mesmo pode-se dizer do desfile da Lenny, grife que se dedica a moda-praia feminina de luxo. As modelos eram belíssimas, vestindo maiôs e biquínis sensuais, num desfile muito bem produzido. É curioso que, duas das marcas mais bem sucedidas em seus desfiles eram de moda-praia.


Vale destacar também o desfile da TOTEM, que lançou uma coleção primavera-verão inspirada na Bahia. Márcia Ganem e Cavendish também surpreenderam exibindo coleções com elementos de alta-costura. Puro luxo. A TNG apresentou uma coleção de muito bom gosto, com roupas que poderiam sair da passarela direto para as ruas. Para vender o conceito da marca, bastou a presença de Naomi Campbell na passarela. A Sandpiper fez o mesmo e vendeu o seu conceito investindo na presença sempre marcante do belo Paulo Zulu. Assim como a Colcci, que pegou pesado e trouxe Gisele Budchen.


Houve momentos de puro prazer, durante os desfiles. É sempre gratificante ver o trabalho de pessoas criativas e talentosas. Também é muito legal a troca de informações sobre tendências. Além disso é sempre um prazer a convivência, mesmo que fugaz, com pessoas como Cora Ronai, Lílian Pacce, Regina Martelli, Jaqueline Brito, Elle Alves, Rogério S, Cláudio Parreiras, Pedro Sales, Kika Gama Lobo, Napoleão Fonyat, Victor Dzenk, Iesa Rodrigues, Igor Fidalgo & Manoela, Sérgio Matos, Eloysa Simão, Regina Lundgren, Amin Khader, Rosangela Honor, Betty Lago, Constanza Pascolato, Patrícia Travassos, Heloisa Marra, Celina de Farias, Lorenzo Alysio, Júnior de Paula, Heloisa Tolipan, Sylvia de Castro, Vagner Fernandes e tantos outros.


Mas não é só isso. O mundo da moda também é movido por vaidades e egos inflados. Às vezes torna-se insuportável a convivência com tanta gente fútil e superficial, burra e sem cultura, que acha que basta sentar na primeira fila, colocar óculos escuros e ficar fazendo anotações num caderninho que isso já faz dela uma pessoa insubstituível no mundinho fashion. Ronald Villardo, por exemplo. Não sabe fazer outra coisa a não ser imitar o estilo da Érika Palomino e se acha um gênio do jornalismo. Ele circulava pelo pilotis do MAM fazendo o maior “carão”, como se fosse o dono do Fashion Rio. Eu posso com essa bicha?


E por falar em Érika Palomino, porque que ela estava tão azeda? Normalmente a Érika é uma fofa, mas dessa vez ela estava puro azedume. Ainda bem que os garotos que trabalham com ela são ótimos. Aliás, foi do lounge da Érika o melhor brinde do evento: um boné de veludo da Corduroy. Puro luxo!


É preciso dar um chega pra lá nas assessorias das grifes. É um trabalho que é feito por aspones: uma gente chata e desorganizada, que se acha mais estrela que a própria Gisele. Acho que a grande tendência para a próxima temporada primavera-verão é “abaixo as assessorias”. De todas as assessoras, nenhuma conseguiu ser pior do que Lalá Guimarães. A mulher é chata, burra, desorganizada, arrogante, prepotente. Ela é tão desnaturada que ganhou dos “fashionistas” o apelido de “Lelé Guimarães”. Bem feito!

16.6.05




Há pessoas que se apegam à sua opinião não porque seja verdadeira, mas por que é sua.

DECADENCE AVEC ELEGANCE - Naomi Campbell estava deslumbrante quando entrou na passarela da TNG, ao som de Rock the Casbah, o super hit do grupo The Clash. O público não acreditou quando as luzes se apagaram e a música surgiu vibrante, com aquele seu ritmo irresistível que contagia as pistas de dança. E foi então que Naomi surgiu, gingando seu corpo fantástico ao ritmo da música e escancarando seu largo sorriso de rainha negra.


O desfile da Salinas foi sen-sa-ci-o-nal. Inspirado no mito de Carmem Miranda, as modelos lindinhas desfilaram produzidas como pin ups dos anos quarenta, para valorizar o look dos biquinis que eram menos cavados e pareciam shortinhos. O cenário era composto por quarenta toneladas de bananas. Eu nunca vi tanta banana na minha vida. Um grupo musical tocava ao vivo os maiores sucessos da pequena notável. Cora Ronai ficou tão encantada com o visual do cenário que fez várias fotos depois que o desfile acabou. Cora me mostrou as fotos no visor de um sofisticado telefone celular último tipo que ela havia adquirido e as fotos ficaram muito bacanas.


Desde sempre, os desfiles da Santa Ephigênia são os mais concorridos do Fashion Rio, graças ao talento do casal Luciano Canale e Marco Maia, os estilistas da marca. É que a moda da Santa Ephigênia é sempre sinônimo de classe e elegância. A coleção foi toda inspirada em ícones da moda dos anos 70. Puro luxo. Na disputada primeira fila do desfile várias personalidades do high society carioca. Quem também marcou presença no desfile foi o ator Luis Salem, acompanhado da diva Zezé Polessa. André Ramos, com o seu querido Bruno Chateubriand, estava um charme de cabelos longos.


Adoro Bruno e André. Eles são sempre tão amáveis e gentis. Quando me viu Bruno foi logo perguntando se eu já tinha recebido o convite para a festa de aniversário dos pombinhos que será no próximo sábado. Como eles adoram promover festas bem produzidas, o Rio promete parar no próximo sábado, véspera da parada gay na cidade, durante a comemoração dos 30 anos dos meninos. A mansão na Gávea da avó do André será transformada num imenso cabaré onde haverá shows de música e performances. A piscina estará cheia de champanha até a broda. O convite chiquérimo, que tem um texto de apresentação da Regina Martelli, pede que todos se vistam com figurinos de cabaré. É que a festa terá um clima que pretende misturar o Moulin Rouge com os inferninhos da Berlim pré-Segunda Guerra.


Carlos Tufvesson não lançou coleção no Fashion Rio, mas isso não impediu que seu nome fosse um dos mais citados no pilotis do MAM. Tudo por causa da sua decisão de casar no fim do ano com o seu companheiro de longa data André Piva. Muito mais do que a celebração em si, o que excitava o povo da moda eram os boatos sobre a festa de arromba. Uma promoter bem informada dizia que os pombinhos vão fechar a Marina da Glória, tal e qual Luciano Hulk e Angélica. Sem dúvida alguma, será o casamento do ano.




ROCK THE CASBAH (THE CLASH)

Now the king told the boogie men
You have to let that raga drop
The oil down the desert way
Has been shakin' to the top
The sheik he drove his Cadillac
He went a' cruisnin' down the ville
The muezzin was a' standing
On the radiator grille

Shareef don't like it
Rockin' the Casbah
Rock the Casbah
Shareef don't like it
Rockin' the Casbah
Rock the Casbah

By order of the prophet
We ban that boogie sound
Degenerate the faithful
With that crazy Casbah sound
But the Bedouin they brought out
The electric camel drum
The local guitar picker
Got his guitar picking thumb
As soon as the shareef
Had cleared the square
They began to wail

Now over at the temple
Oh! They really pack 'em in
The in crowd say it's cool
To dig this chanting thing
But as the wind changed direction
The temple band took five
The crowd caught a wiff
Of that crazy Casbah jive

The king called up his jet fighters
He said you better earn your pay
Drop your bombs between the minarets
Down the Casbah way

As soon as Shareef was
Chauffeured outta there
The jet pilots tuned to
The cockpit radio blare

As soon as Shareef was
Outta their hair
The jet pilots wailed

He thinks it's not kosher
Fundamentally he can't take it.
You know he really hates it.




O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - Após o sucesso de Sempre caro e O outro mundo, Marcello Fois, a mais recente estrela do policial italiano, apresenta um novo e inquietante mistério a cargo de Bustianu, o peculiar e inesquecível advogado-poeta. SANGUE DO CÉU é, tal como sugere Manuel Vázquez Montalbán no prefácio, “a confirmação de um singular escritor e a abertura de um novo universo de ficção que ganhará cada vez mais leitores de incondicional fidelidade”.


Em SANGUE DO CÉU, Fois retorna à Sardenha do final do século XIX, com trilhas que sobem colinas de onde se descortina uma paisagem impressionante. Na pequena cidade de Barbágia, um rapaz acusado de homicídio põe fim à própria vida na prisão. Mas a dúvida persiste: Filippo Tanchis se matou realmente? Ou será que alguém considerou mais útil calá-lo para sempre? Para essas e muitas outras perguntas Bustianu deverá achar as respostas contando apenas com a ajuda de sua mente perspicaz.


Intrigado, Bustianu vai envolver-se totalmente neste mistério sem saber que acabará por ter de confrontar-se consigo próprio, com as suas fragilidades e as suas certezas. Por entre a cor mórbida de sangue e a impetuosidade da chuva solitária que se derrama sobre uma natureza e uma paisagem esgotadas, sente-se o pulsar do seu coração turbulento e agitado. De amor e de medo.


Terceira aventura de Bustianu, SANGUE DO CÉU tem a cor turva do sangue e a consistência da chuva, sempre a chuva, insistente e teimosa, que parece não dar tréguas e cessará apenas quando a investigação terminar. O livro é mais um título da Coleção Negra, Série Especial Noir Europeu, dedicada aos maiores mestres da ficção policial do Velho Continente.


Marcello Fois nasceu em Nuoro, na Sardenha, em 1960. Fez parte de um grupo de autores que buscava inspiração nas tradições sardas. Antes de criar o personagem Bustianu, que o transformou também um sucesso de público, escreveu peças de teatro e nove romances que lhe valeram prestigiados prêmios literários. Atualmente, Fois vive e trabalha na Bolonha.

13.6.05




O segredo da felicidade é saber cair nas tentações.

9.6.05

DECADENCE AVEC ELEGANCE - No site oficial do Fashion Rio tudo sobre a a maratona da moda que começa esta semana. O conteúdo jornalistico do site está a cargo da TNT Assessoria de Estilo, com edição da dupla Tereza Duarte e Toni Oliveira. No site, informações sobre tudo que vai rolar na temporada primavera verão 2006 da moda brasileira. Nas passarelas do MAM estarão estrelas da moda como Gisele Budchen, que desfila para a Colcci; Naomi Campbell, que desfila para a TNG; e Paulo Zulu, que vai emprestar seu charme e veneno vestindo a moda da Sandpiper. Algumas coleções já provocam curiosidade. A Santa Ephigênia, por exemplo, vai exibir uma moda inpirada na Blu Blu, a célebre butique que ditava a moda na Ipanema dos anos 70. Já Victor Dzenk usa como referência o teatro de Shakespeare ao apresentar sua coleção cujo tema será "Sonho de uma noite de verão".






REALIDADE (Florbela Espanca)

Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho...
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho...

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada...
E a minha cabeleireira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho...

Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci...

Tens sido vida fora o meu desejo
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei... se te perdi...

CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO - Eu estava com saudades de Isabelle Adjani . Fazia tempo que eu não via um bom filme com ela. Por isso, quando seu nome surgiu na tela do DVD eu senti um arrepio. Só o nome da estrela já é capaz de me proporcionar uma emoção. Imediatamente vieram à minha mente as lembranças de O inquilino, Adele H, Nosferatu, Obsessão, Subway, Camille Claudel, A rainha Margot e Diabolique.


Em Bon Voyage, seu último filme, ela aparece cantando, em belas imagens em preto e branco. E para mim, é sempre uma delícia assistir um filme falado em francês. Neste filme, Isabelle interpreta Viviane Denvers, uma famosa atriz de cinema que mata um fã que a persegue, dias antes da Alemanha de Hitler invadir a França. Uma mistura de filme de espionagem com comédia romântica.


Como sempre Isabelle está ótima interpretando uma estrela maluquete às voltas com nazistas, espiões e a resitência francesa. O filme de Jean Paul Rappeneau tem uma produção requintada onde tudo funciona com perfeição: cenários, figurinos, fotografia, trilha sonora e elenco. Pena que não tenha sido lançado nos cinemas. Os fãs de Isabelle iriam assistir várias vezes.


Tenho vários amigos que são fãs de Mme. Adjani. Ruiz Bellenda, por exemplo, o célebre diretor de teatro curitibano. Ele sabe tudo sobre a atriz, viu todos os filmes que ela fez e poderia escrever um livro sobre ela. É tão obcecado por Isabelle que descobriu em Curitiba uma atriz, Adiana Ferreira, que é igualzinha a estrela francesa. Na beleza e no talento. Já Bruno Astuto se deu ao luxo de vê-la interpretando A dama das Camélias no teatro.


Uma curiosidade: no filme Uma amizade sem fronteiras, de François Dupeyron, uma adaptação do livro de Eric-Emmanuel Smitt, estrelado por Omar Sharif, Isabelle Adjani faz um pequeno papel, uma ponta, onde interpreta Brigitte Bardot. É um filme incrível.







O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - O comissário Salvo Montalbano conquistou seu lugar na galeria dos ilustres detetives da literatura noir, ao lado de Sam Spade, Phillippe Marlowe, Lew Archer e Maigret. Seu criador, o italiano Andrea Camilleri, fez questão de criar um policial diferente, avesso às armas, culto, dono de gostos refinados, apesar do “jeitão” siciliano de ser. Em GUINADA NA VIDA, mais um título da Coleção Negra, dedicada aos mestres do gênero, Montalbano volta com todo charme e perspicácia.


Dessa vez o inspetor toma emprestado um pouco da perplexidade do autor com a violência nos protestos contra a globalização de julho de 2001, em Gênova. Camilleri resolveu mostrar seu desencanto fazendo da vítima um manifestante. Durante um mergulho matinal, Montalbano encontra um cadáver em estado avançado de decomposição. Após uma noite insone, imerso em maus pensamentos, o inspetor depositava nas braçadas a esperança de um alívio para a crise que atravessa.


O corpo boiando, certamente mais um imigrante clandestino silenciado à força, desperta o instinto investigativo de Montalbano. Para resolver o mistério e fazer justiça àquele corpo, o comissário se lança numa intrigante missão. A investigação, contudo, prova ser mais complexa que o habitual, trazendo à tona um esquema de contrabando de crianças. Numa cidade onde criminosos, mafiosos e policiais são, muitas vezes, amigos de infância, Camilleri constrói mais um romance tão inteligente quanto moderno. Em GUINADA NA VIDA, adentramos os charmosos vilarejos sicilianos, com suas estradas sinuosas e sua culinária de primeira.


Nascido em Porto Empedocle em 1925, Andrea Camilleri trabalhou muito tempo como roteirista e diretor de teatro e televisão, produzindo os famosos seriados policiais do comissário Maigret e do tenente Sheridan. Estreou como romancista em 1978. A consagração, porém, viria apenas no início dos anos 90, quando publica A forma da água, primeiro caso do comissário Salvo Montalbano. Desde então recebeu alguns dos principais prêmios literários italianos e tornou-se sucesso de público e crítica em todos os países onde foi lançado, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

6.6.05




As pessoas mudam e esquecem de avisar os outros.