28.6.12





NASCE UMA ESTRELA – Nem só de veteranos e de histórias do passado viveu a festa de reabertura do Teatro Ipanema. O novo, o jovem e o futuro, também estiveram presente com os jovens atores do Tablado que contracenaram com os grandes nomes. Entre os jovens que atuaram com os veteranos em cenas de Hoje é dia de rock e Prometeu Acorretado vale destacar a graça, o talento e a beleza de Sara Hofmeister. Aluna de Hamilton Vaz Pereira e Cacá Mourthé, Sara é disciplinada e estudiosa. Para ela participar dos festejos de reabertura do Teatro Ipanema junto com tanta gente talentosa foi como participar de uma intensa oficina teatral. Rigor cênico! Essas duas palavras, várias vezes citadas quando os artistas queriam se referir aos fundadores do Teatro Ipanema, vão ficar para sempre na cabeça de Sara. Para ela e seus jovens colegas a expressão “rigor cênico” sempre vai ser lembrada como a lição mais proveitosa dessa grande farra teatral. 










TRIBUTO A MANUEL PUIG – A terceira noite de festa do Teatro Ipanema foi uma celebração, uma homenagem a Manuel Puig. O escritor argentino teve uma ligação muito forte com o teatro. Ali foi encenada a adaptação teatral do seu livro mais famoso, O Beijo da Mulher Aranha.  Foi um grande sucesso de público e crítica. Rubens Correa e José de Abreu deram vida aos personagens Molina e Valentin, dois prisioneiros encarcerados pela ditadura militar argentina. Molina era uma bichona desvairada que adorava filmes dos anos 40 e 50. Tinha sido preso por que os militares consideravam sua bichice uma ameaça a moral e aos bons costumes. Valentin era um guerrilheiro, envolvido com um grupo que combatia a ditadura. Presos na mesma cela esses personagens viviam uma história de conflitos, divergências, solidariedade e paixão.

O Beijo da Mulher Aranha foi adaptado para o teatro por Paulo José e Dina Sfat. A direção foi de Ivan de Albuquerque. A peça era sensacional. Os atores davam um show. Um rigor cênico impressionante. Foi, sem dúvida, um momento mágico do teatro brasileiro. Uma peça inesquecível.

Depois de ler um trecho da peça, José de Abreu contou um pouco de suas lembranças da convivência com Rubens Correa e com Manuel Puig. Na época Puig morava no Leblon e, todos os dias, ia ao teatro pegar o seu percentual da bilheteria. “Ele saía do teatro com os bolsos cheios de dinheiro e voltava para casa de ônibus. Dizia que táxi era muito caro. Puig era um pão duro”, disse Abreu.

O sucesso da versão teatral de O Beijo da Mulher Aranha deixou o autor feliz e realizado. Então ele escreveu um texto originalmente para o palco e encarregou o pessoal do Teatro Ipanema de encená-lo. A peça chamava-se Quero, um drama familiar que tinha o clima e a linguagem de sua principal obsessão: o cinema americano dos anos 30 e 40, que ele adorava. Mais uma vez Ivan de Albuquerque dirigiu e Rubens Correa atuou ao lado de Leila Ribeiro, Vanda Lacerda, Edson Celulari e Maria Padilha. Foi mais um acerto do Teatro Ipanema. Uma linda montagem, com rigorosa direção cênica e atuações primorosas. Um grande espetáculo.

Na festa de reinauguração do Teatro Ipanema Maria Padilha subiu ao palco para representar um monólogo que faz parte dessa peça. Foi emocionante vê-la recitando o texto de Puig. “O grande Manuel Puig”, como ela se referiu, depois da sua atuação, quando contou ao público a sua história com aquele palco, aquela peça e todos os que fizeram a história do Teatro Ipanema.










QUEM TEM MEDO DE BÁRBARA HELIODORA? – A poderosa crítica teatral do jornal O Globo não poderia passar despercebida nos festejos de reinauguração do Teatro Ipanema, o evento cultural do ano. Em três dias, os festejos em torno do Teatro Ipanema proporcionaram momentos de grande prazer para os fãs da arte de representar. E um desses momentos foi a performance de Zé Celso Martinez Corrêa. Ele tentou recriar um trecho de Artaud, peça encenada pelo saudoso Rubens Correa que, com seus parceiros Ivan de Albuquerque e Leila Ribeiro, fundaram o teatro.

Em meio ao texto surrealista de Artaud, Zé Celso improvisava fazendo pequenos discursos contra a hipocrisia, o conservadorismo, o pensamento de direita, ao mesmo tempo em que celebrava a anarquia e a liberdade política e sexual. Num dado momento o ator/encenador desceu para a platéia e ficou circulando entre o público. Festejou os grandes nomes do teatro brasileiro, lembrou que ali era um verdadeiro templo da arte brasileira. Elogiou a Prefeitura por ter comprado o teatro antes que alguma seita religiosa o fizesse.

Na platéia, sentada ao lado do Secretário Municipal de Cultura, Emílio Kalil, Bárbara Heliodora a tudo assistia, com cara de poucos amigos. Ela tinha adorado o monólogo de Maria Padilha, texto da peça Quero, de Manuel Puig. E  também a participação de Xuxa Lopes, que mostrou lindamente um trecho da peça Prometeu Acorrentado. Depois ainda teve Paulo José, Cláudio Tovar e José de Abreu lendo trechos de O Beijo da Mulher Aranha, grande sucesso ali encenado. Qualquer um podia ver a alegria e o prazer estampados no semblante de Madame Heliodora.

Quando Zé Celso entrou em cena, ela fechou a cara. Não escondeu de ninguém o seu desconforto com a performance do criador do Teatro Oficina. Num dado momento, Martinez Correia fumou um cigarro de maconha em pleno palco. Disse que aquele era um ato de transgressão para batizar o teatro. Depois de vários tragos, ele passou o baseado para a platéia.

“Alguém devia matar esse velho!”, resmungou Bárbara Heliodora para Emílio Kalil, irritada com a performance do ator. O secretário municipal de cultura ficou lívido. Depois, quando estava circulando pela platéia, Zé Celso lembrou de seu irmão, o saudoso Luiz Antônio Martinez Correia. Diante de Madame Heliodora ele gritou: “A crítica arrasou a peça do meu irmão O Casamento do Pequeno Burguês, de Bertold Brecht. Isso é inadmissível”.

Bárbara Heliodora não se dignou a olhar para ele. Olhava para o vazio, como se estivesse em outro lugar do planeta. Depois, quando Zé Celso voltou para o palco, ela virou-se para Emílio Kalil e, se referindo ao encenador, murmurou entredentes: “Eu devia abatê-lo a tiros...”

É por essas e por outras que eu a-d-o-r-o Bárbara Heliodora...

27.6.12


















IPANEMA EM CHAMAS - O Prefeito Eduardo Paes estava na platéia do segundo dia do espetáculo Três Noites a Caminho do Mar, um tributo ao Teatro Ipanema. É que agora o teatro pertence à Prefeitura, que comprou a tradicional casa de espetáculos, antes que alguma seita religiosa o fizesse e o transformasse numa igreja. Uma parte muito interessante da história do teatro brasileiro foi escrita naquele espaço - agora todo reformado - e por isso artistas e intelectuais pediram a prefeitura que incluísse a casa na sua rede de teatros. Assim foi feito, graças ao empenho do Secretário de Cultura Emílio Khalil. No Ipanema foram feitas montagens de peças marcantes graças ao talento dos antigos donos do teatro: os atores Rubens Correia, Ivan de Albuquerque e Leila Ribeiro. 

Eduardo Paes se divertiu muito com a apresentação dos atores do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, que leram trechos da peça Hoje é dia de rock. Antes foi exibido um vídeo com imagens da peça Trate-me Leão e foi divertido ver os atores bem jovens e depois vê-los entrando em cena, agora não tão jovens assim. Patrycia Travassos, Luiz Fernando Guimarães, Nina de Pádua, Perfeito Fortuna e Evandro Mesquita. A apresentação contou com um comovente depoimento do cenógrafo Helio Eichbauer falando sobre os espetáculos que fizeram história naquele lugar. Peças do dramaturgo José Vicente como O Assalto, Os Convalescentes e Ensaio Selvagem, entre outras. Na sequência as divas do teatro brasileiro Andréa Beltrão e Débora Bloch leram trechos da peça As chaves das Minas, do mesmo José Vicente. E Louise Cardoso recitou trechos da peça Pluft, de Maria Clara Machado. Foi incrível ver todos aqueles artistas reunidos falando da história do teatro brasileiro, dando depoimentos, apresentando textos bacanas, atuando e improvisando.  

O Prefeito saiu do teatro encantado.







SALÃO DA LEITURA DE NITERÓI - A jornalista Mariana Gross participou de um debate no Salão da Leitura de Niterói. O tema da discussão, que teve como mediadora a empresária Bia Willcox, foi as relações amorosas na vida moderna.O conflito entre homens e mulheres em tempos de internet, redes sociais e alta tecnologia. O progresso social das mulheres e a crise de identidade masculina rendeu uma discussão inteligente e muito bem humorada. Mariana Gross é muito antenada, esclarecida e, o melhor de tudo, muito engraçada. É uma comediante de mão cheia.

O Salão da Leitura de Niterói está acontecendo no Teatro Municipal da cidade, um lindo prédio construído por Oscar Niemeyer às margens da Baía da Guanabara. Ao lado do teatro foi construída uma enorme tenda com estandes de diversas editoras e livrarias. Ali são vendidos livros e acontecem lançamentos e noites de autógrafos. Teve também um bonito recital de poesias da cantora Maria Betânia. A feira é um evento da Prefeitura de Niterói, com a curadoria do professor Júlio Diniz, do Departamento de Letras da PUC.

 

24.6.12







A NOITE DO CHUTE NO SACO - Dessa vez a Rede Globo caprichou e transmitiu direitinho as lutas principais do UFC-147, direto do Estádio Mineirinho, em Belo Horizonte. O evento em si, que vinha sendo apontado como pouco atraente por falta de grandes estrelas, acabou surpreendendo pelo talento dos atletas e pela qualidade dos embates. Tivemos lutas sensacionais, com reviravoltas surpreendentes. Três das quatro lutas transmitidas pela Globo tiveram seus resultados computados pelos juízes. Isso significa que nenhum dos dois lutadores envolvidos em cada uma dessas lutas se rendeu. Só o bonitão Mauricio Werdum nocauteou seu forte adversário, Mike Russow, com golpes precisos e bem articulados. "Quero continuar vencendo para conseguir minha luta contra Cigano", afirmou Werdum, cheio de tesão. Werdum foi nocauteado por Júnior Cigano no UFC-90, em outubro de 2008, numa luta sensacional. Veja a luta abaixo. Desde então, ele busca obsessivamente a oportunidade por uma revanche. Werdum quer pegar o Cigano de qualquer maneira! 

E Júnior Cigano foi um dos destaques da transmissão da Globo. Cigano se revelou um excelente comentarista. Fez observações pertinentes, teve presença de espírito, senso de humor e comentários inteligentes. O lutador tem uma voz agradável, um sotaque charmoso e uma tranquilidade no falar que se contrapõe com a adrenalina das imagens da luta. Ele fez uma excelente dupla com o narrador Sergio Mauricio na apresentação do torneio. 

O melhor momento do Cigano comentarista foi quando ele contou aos espectadores a dor que sentiu quando levou um golpe nas partes íntimas. O assunto surgiu por causa da sequência de atletas que foram vítimas daquilo que os apresentadores chamaram de "golpe baixo". Certamente essa foi a edição do UFC que mais vezes foi interrompida por causa de atletas que tiveram seus respectivos sacos atingidos por golpes dos adversários. As imagens dos rapazes tentando se recompor, depois de atingidos, foram bem engraçadas. Destaque absoluto para o golpe de Wanderley Silva entre as pernas do seu oponente Rich Franklin. Doeu até em quem assistiu em casa.

Foi uma luta sensacional o embate entre o "cachorro louco" Wanderley Silva e o irreverente Rich Franklin com seu shortinho cor de rosa. Foram cinco rounds de golpes bem articulados e muita força. E esse conjunto de fatores fez da luta principal uma atração muito especial. Um show para o público presente no estádio e também para quem assistiu pela TV. Um disputa onde a capacidade de absorção dos golpes valeu tanto quanto a força na aplicação dos mesmos. Melhor para Franklin, que venceu por decisão unânime dos juízes. 

Os gladiadores do UFC fizeram um grande espetáculo que tornou muito especial a noite do sábado, véspera do dia de São João.

 

20.6.12












MINHAS AMIGAS - Joaquim Ferreira dos Santos, da coluna Gente Boa, lançou Minhas Amigas, seu novo livro de crônicas, na Livraria da Travessa do Leblon. Muita gente da imprensa passou lá pra pegar seu autógrafo. De Zuenir Ventura a Bruno Astuto, passando por Alexandre Freeland, Christóvão Chevalier e Liliana Rodrigues. Tinha também o Marcos Valle e seu irmão Paulo Sergio Valle. Por coincidência, antes de sair de casa eu estava ouvindo uma música dos irmãos Valle no You Tube: "Velhos surfistas querendo voar". Adoro essa música. Ouvi várias vezes.


Paulo Próspero estava lá, com Ana Maria Magalhães, atriz que atuou na primeira versão de Gabriela. Ficamos conversando e Ana relembrou a época em que gravou a novela, fazendo o papel de Glorinha. Falou da sua convivência com Dina Sfat, que fez a Zarolha, personagem da Leona Cavalli na atual versão.

 

Verinha Bocayuva estava linda e contou que acabou de chegar de uma temporada num spa, nos arredores de Curitiba. Foram dez dias de comida saudável, exercício, massagens e boa leitura. Ela que sabe viver. Maitê Proença também foi dar um beijo no Joaquim, já qe ela é uma das "amigas" do livro.