7.9.10

O jovem oficial do batalhão de pára-quedistas mostrou sua melhor cara pintada especialmente para o blog do Waldir.



Verás que um filho teu não foge à luta!


Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil!


Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil, querido simbolo da terra, da amada terra do Brasil.


Fulguras, ó Brasil, florão da América, iluminado ao sol do novo mundo.


Qual Cisne Branco que em noite de lua, vai navegando num lago azul, o meu navio também flutua nos verdes mares de norte a sul.



Nossos bosques tem mais vida. Nossa vida no teu seio mais amores, ó Pátria amada!



Nem teme quem te adora a própria morte, terra adorada!


Que fofo! Teus risonhos lindos campos tem mais flores...


Um sonho intenso, um raio vívido, de amor e de esperança à terra desce...


Em teu seio, ó liberdade, desafia em nosso peito a própria morte...


O teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada, entre outras mil!


Se em teu formoso céu risonho e límpido, a imagem do cruzeiro resplandece!


Teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada.


Hoje o rubro lampejo da aurora, acha irmãos, não tiranos hostis...


Do Ipiranga é preciso que o brado, seja um grito soberbo de fé, o Brasil já surgiu libertado...


Em teu seio formoso retratas, esse céu de um puríssimo azul...


Os galantes soldados brasileiros fazem pose especialmente para o blog do Waldir.


Brava gente brasileira, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil.


És belo, és forte, impávido colosso. Gigante pela própria natureza!


Em seu dia de festa os bravos soldados brasileiros ensaiam seu melhor sorriso para os leitores deste blog.


Que sorriso lindo! Já com garbo juvenil, do universo entre as nações, resplandece a do Brasil.


Vossos peitos, vossos braços, são muralhas do Brasil!


O brado retumbante de um povo heróico foi ouvido às margens do Ipiranga.


O soldado da esquerda fez as sobrancelhas especialmente para o desfile de Sete de Setembro.


Com o braço forte conseguimos conquistar o sol da liberdade em raios fúlgidos. Não é mesmo, bonitão?


Ao som do mar e à luz do céu profundo...




OU FICAR A PÁTRIA LIVRE OU MORRER PELO BRASIL!

PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO – Minha presença na Parada de Sete de Setembro é mais certa do que a presença do Comandante Militar do Leste. Nada me encanta mais do que os desfiles dos nossos queridos soldados. É uma data sagrada para mim, tanto quanto meu aniversário, ou o dia de Natal, ou a Sexta-Feira Santa. Acho lindo o desfile e o clima de festa que se instala na cidade. Fico emocionado com as músicas, com as fardas e com a alegria dos rapazes que vivem ali seu momento de estrelas da festa. Faço esse programa desde criança, quando era levado ao desfile pelas minhas tias, que iam paquerar os soldados. Hoje quem vai paquerar os soldados sou eu.


Se Waldir Leite é uma presença garantida nos desfiles de Sete de Setembro, o mesmo não se pode dizer do Governador Sergio Cabral. Cabralzinho nunca vai aos desfiles. Ele se recusa terminantemente a prestigiar os militares. Normalmente, a abertura dos desfiles em todo o Brasil é feita pelo Governador que, acompanhado do Comandante das Forças Armadas local, passa as tropas em revista, antes do início da Parada. Sergio Cabral, a exemplo de seus antecessores, ignora totalmente a Parada Militar.


Ora bolas! Todo ano o Governador Sergio Cabral faz questão de prestigiar a Parada Gay. Todo ano ele está lá em cima do trio elétrico, dando pinta ao lado do Cláudio Nascimento, do Grupo Arco-Iris. Tudo bem. É chique e moderno fazer discurso para a comunidade gay. Mas, custava nada ele prestigiar também os militares? (Os rapazes se arrumam com classe, engraxam seus coturnos com capricho, vestem seus uniformes de gala. Eu disse "de gala"! E o Governador simplesmente não aparece.) E não foi só ele. O Prefeito Eduardo Paes, a exemplo do seu antecessor César Maia, também não foi a Parada. Qual o problema desses políticos com os militares? Qual o problema dessa gente com um dos símbolos nacionais? Por que os políticos brasileiros fazem questão de se colocar como antagonistas dos militares, quando deviam estar atuando juntos?


Esse comportamento dos políticos brasileiros com relação aos militares merece uma séria reflexão da sociedade. O fato é que os políticos brasileiros querem que o Brasil tenha um Exército fraco, desprestigiado e sem poder. Foi esse raciocínio que permitiu que a bandidagem adquirisse um status profissional no país. (Um Exército fraco significa uma sociedade fraca). As Forças Armadas é um dos símbolos da Nação, assim como a língua, a bandeira, o hino nacional e a cultura. Para uma Nação ser segura e forte ela precisa de um Exército seguro e forte. Mas, desde o advento da democracia, que as Forças Armadas vem sofrendo um forte processo de desestabilização e falta de prestígio. Como se democracia e Forças Armadas fossem elementos incompatíveis para um Brasil feliz.


Até quando o Brasil vai conviver com esse trauma do Governo Militar? Chega! Basta! Não podemos viver eternamente nos anos 70! O tempo passou e só Carolina não viu.


A eleição presidencial no próximo mês reflete o que aconteceu hoje na Parada Militar. Os dois principais candidatos, José Serra e Dilma Roussef, devem sua carreira política ao fato de terem feito oposição ao Governo Militar. É lamentável que em pleno século 21 a sociedade brasileira ainda esteja tendo que engolir esses fantasmas. Isso só mostra como nós estamos parados no tempo. A história já nos mostrou que a era dos militares no governo não foi tão terrível assim, e que os opositores do regime não eram esses santinhos que querem parecer.


Eis o que eu queria dizer: a gente precisa dar um passo à frente. Chega de ficar olhando pra trás. Chega de ficar “faturando” em cima de uma ditadura que apenas refletiu a vontade da sociedade brasileira de então. Os militares fizeram apenas o que o povo brasileiro da época queria que eles fizessem. No momento em que o povo brasileiro quis a democracia, ele teve a democracia.


A história recente do país precisa ser reescrita com isenção e mais rigor histórico. Como disse o José Vitor Rack "nosso Exército é muito mais do que Geisel e Médici".


Voltando ao Governador Sergio Cabral. Nos anos 70, quando ele era criança, viu seu pai ser preso pelos militares. O velho Sergio Cabral pai era um dos jornalistas arruaceiros do Pasquim e, por causa de seus textos por demais contestadores, acabou indo passar uma temporada num quartel do fantástico subúrbio de Realengo. (A Vila Militar de Realengo é um dos lugares mais chiques e elegantes do Rio. São vários quartéis na mesma região, além das casas que servem de residência aos militares. Tudo numa área de ruas largas e arborizadas e construções com uma arquitetura cheia de bossa. É um ótimo lugar para alguém ficar preso!). Cabralzinho algumas vezes foi levado pela mãe para visitar o pai preso no quartel. E ficou traumatizado com isso. Corta para o ano de 2010. Agora o jovem Cabral é o Governador do Estado e, para se vingar do que os militares fizeram com sua família, ele se recusa a cumprir sua obrigação de participar do desfile comemorativo da Independência do Brasil.


Waal, como diria o saudoso Paulo Francis...


Alguém precisa dizer ao Sergio Cabral que os cidadãos do Rio de Janeiro não tem nada a ver com seus traumas de infância. Quando o Governador vira as costas para as Forças Armadas ele está estimulando a insegurança pública. Ele está valorizando a atuação de criminosos que dão as cartas em determinadas regiões do estado. Curiosamente, por ocasião da campanha política quando ganhou a eleição, Cabral, em diversas ocasiões, disse que ia chamar os militares para atuar na segurança pública do Rio. Votei nele por causa disso e fiquei decepcionado. Era tudo bravata de político. Sergio Cabral nunca quis saber dos militares.

No link abaixo escute Dalva de Oliveira cantando "Cisne Branco", o hino oficial da Marinha do Brasil. É lindo!


(Fotos de Waldir Leite)

6.9.10

Júlia e Malu nos bastidores do Teatro Maison de France, onde está em cartaz a peça O Deus da carnificina. "Vocês já foram irmãs numa novela", disse eu, quando fiz essa foto, me referindo a novela Eu Prometo, a última de Janete Clair. "Somos irmãs até hoje", respondeu Malu, com esse sorriso lindo que a câmera captou.




TEATRO QUASE SEMPRE – Num dado momento da peça O Deus da carnificina, de Yasmina Reza, a atriz Júlia Lemmertz começa a vomitar no palco. Usando de um artifício qualquer, que a platéia não percebe, ela vomita em cima de um livro de arte. Um catálogo de uma exposição antiga, que pertence a Verônica, personagem da atriz Débora Evelyn, que dá um piti quando vê o que está acontecendo. A mulher fica indignada com o fato, afinal é um livro raro, um dos seus favoritos, na verdade. Até que o marido dela a lembra que a outra está passando mal.


É uma cena de tensão e densidade dramática que provoca desconforto e risos da platéia. Mas a tensão e a densidade dramática estão presentes desde o primeiro diálogo da peça, onde os personagens, pessoas aparentemente cultas e civilizadas, acabam mostrando seu lado primitivo e selvagem, quando se vêem diante de uma situação-limite.


A peça mostra o encontro de dois casais, depois que o filho de um, agrediu o filho do outro com um pedaço de pau, quebrando dois dentes. Foi uma briga de crianças que freqüentam a mesma turma, onde uma acabou machucando a outra. Os pais do menino que apanhou querem que o agressor peça desculpas, pois, como são civilizados, acreditam que isso vai amenizar os traumas da criança. A reunião de pais que se acham civilizados, vai, aos poucos, saindo do controle. Começa com trocas de farpas, insinuações, ironias e maledicências. Depois vai num crescendo até chegar a gritos, ameças, agressões... E toda uma série de baixarias difíceis de classificar.


Sabe essas pessoas que são politicamente corretas, não admitem nenhum tipo de racismo, mas quando se irritam com um negro o chamam de macaco? Sabe essas pessoas que se acham civilizadas, usam no carro adesivos contra a homofobia, mas quando discutem com o vizinho gay o chamam de veado? A peça é sobre isso! Um texto com uma excelente dramaturgia, cheio de boas sacadas sobre o monstro selvagem que existe atrás de cada um de nós, burgueses que se pretendem civilizados.


O Deus da carnificina é uma experiência teatral valiosa. É um drama muito barra pesada, mas que nos faz rir e pensar. São quatro atores magníficos que tornam a encenação um grande prazer para quem gosta de teatro. Débora Evelyn, Júlia Lemmertz, Orã Figueredo e Paulo Betti, dirigidos por Emílio de Mello, fazem uma festa com o texto de Yasmina Reza. Cada inflexão, cada gesto, cada movimento em cena, cada olhar, é uma celebração à magia do teatro.


Depois do espetáculo, quando o elenco estava recebendo os cumprimentos de amigos e convidados, Paulo Betti contou que eles ainda estão aprendendo a fazer o espetáculo. “O peça de hoje foi muito diferente da de ontem. O público ri nas cenas de maior densidade dramática. A gente está precisando fazer algumas pausas entre os diálogos pra dar tempo das pessoas rirem”, disse ele para Antônio Fagundes. Malu Mader, que aplaudiu a peça com entusiasmo, foi super carinhosa com a Júlia Lemmertz. Olhou bem nos olhos da colega e falou: “Você é incrível, sabia? Você é muito incrível”. Júlia, por sua vez, estava emocionada por estar atuando no teatro onde, na infância, viu sua mãe, Liliam Lemmertz, atuar em Quem tem medo de Virginia Wolf?

Saí do teatro sem conseguir parar de pensar no drama que havia assistido. É impossível não comparar a situação vivida por aqueles personagens, com a nossa vida cotidiana. Fiquei pensando em quais momentos da minha vida de homem civilizado eu havia perdido o controle sobre essa vontade burguesa de ser digno e superior. Aqui mesmo, nesse blog. Quantas vezes já arrasei tantas pessoas. Quantas vezes fui maledicente e cruel com quem, de alguma forma, havia me atingido. Será que, como os casais da peça, eu não perdi o controle por uma coisa pequena? E na vida, como já disse Clarice Lispector, tudo são coisas pequenas...


Sobre isso Yasmina Reza, a autora da peça, escreveu:



Não acredito que o ser humano seja pacífico. Penso que ele não evoluiu desde a Idade da Pedra e que o verniz social que nos protege da selvageria é inquietantemente suave e sempre a ponto de estourar. Eu escrevo um teatro de tensão, porque as tensões nos governam. Meus personagens são pessoas educadas que pretendem manter a compostura. Mas como são também impulsivos, não conseguem manter as regras que impuseram a si mesmos. É precisamente essa luta contra si mesmo que me interessa. Minhas obras sempre foram consideradas comédias, mas penso que são tragédias divertidas. Mas tragédias, ao fim...