30.12.09


“- E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre”.

(Com o trecho final do conto Eternamente, do escritor português Miguel Souza Tavares, o desejo de um 2010 cheio de dias felizes.)


23.12.09

Luiz Carlos Barreto (ao fundo a filha Paula e o genro Claudio Adão) na torcida por Felipe Adão.



A felicidade de Barretão no sábado à tarde!



Paula Barreto e Cláudio Adão na arquibancada do futebol de praia.



O gol de Felipe Adão que fez a praia de Copacabana tremer!



O Juventus é o time de azul e o América do Lido, o campeão, de uniforme vermelho.



Hummm... Sem comentários...



Cena da emocionante partida final entre Juventus e América do Lido.


Os galãs do América do Lido posando para a posteridade!


Tiago, sobrinho do Júnior, faz sinal positivo. Felipe Adão, de brinco, antes da partida.


Um lugar passa a ser nosso quando sabemos aonde vão dar todas as estradas.


UMA TARDE COM BARRETÃOMuito triste o acidente com o cineasta Fabio Barreto. Ele é um rapaz muito gentil, simpático, boa gente. Fiquei tocado com o que aconteceu e tenho rezado muito por ele e por sua família. Na tarde do sábado em que houve o acidente eu estive com seu pai, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Foi durante o jogo final do Campeonato Carioca de Futebol de Praia, em frente ao hotel Copacabana Palace. Eu sou cartola do futebol de praia e estava fotografando o jogo final para o blog do Força e Saúde (um dos times), quando encontrei com o Barretão na arquibancada. Ele estava muito feliz. Parecia uma criança de tão feliz. Estava com sua filha Paula e com o genro, Cláudio Adão. Simpático, ele me abraçou e contou que tinha vindo prestigiar o jogo do neto.

Felipe Adão, filho de Paula e Cláudio Adão, é um dos jogadores do Juventus, o time que disputou a grande final com o América do Lido. O rapaz é um talento nato e teve oportunidade de dar um show para a família. Fez um gol belíssimo no final do segundo tempo, conseguindo levar o jogo para a prorrogação. A família assistiu de um ângulo privilegiado a magnífica atuação do garoto. Sentado ao lado de Barretão eu pude perceber a sua vibração, a sua alegria com a atuação do neto. “Craque é craque!”, me disse ele, com o sorriso largo, logo após o gol do neto. Mamãe Paula também ficou o tempo inteiro gritando pelo filho, incentivando as jogadas, criticando o time adversário, vibrando com cada lance. Depois do jogo Felipe correu em direção aos seus familiares, cumprimentou os pais e pediu a bênção a Barretão. “Que bom que você veio, Vô!”. Ali, naquela tarde de sábado, eu pude perceber como eles estavam felizes. Nada indicava que horas depois o sofrimento estava por vir...

A vida faz coisas terríveis com as pessoas...

Naquela tarde em que houve a grande final do Campeonato Carioca de Futebol de Praia também fui muito feliz. Ali, no calor do verão, me senti muito querido. Fui cumprimentado e elogiado pelos jogadores por incentivar o futebol de praia. Fotografei o evento e todos queriam ser fotografados por mim. Pediam fotos, faziam poses e me chamavam de gente boa. Eu me sentia um rei. Sem dúvida alguma, alguns dos momentos mais felizes de 2009, eu vivi ali, entre os amantes do futebol. É uma relação curiosa. O que une todos aqueles rapazes é o amor ao futebol. Todo e qualquer outro interesse é supérfluo. A paixão por esse esporte faz surgir uma energia forte e prazerosa. Algo inexplicável, mas, definitivamente, mágico. Eu me divirto muito na companhia deles. Escutando suas histórias, participando da paixão pelo esporte. Dividindo sonhos. Ou simplesmente deixando a vida nos levar...


FUTEBOL É A MAIOR DIVERSÃOO Força e Saúde Futebol de Praia e o Copacabana Praia Clube são os meus times de coração. Dentro do possível me divido entre esses dois times. Quando eles se enfrentam é um sofrimento muito grande. Ao mesmo tempo, é um prazer indescritível ver minhas duas equipes favoritas medindo forças e exibindo seus dribles e gols. Eu devoto uma dedicação ao futebol de praia que nem consigo explicar. Abro mão de trabalhos, festas, viagens e outras coisas, apenas para estar com eles. Tenho o maior trabalho fazendo os blogs ou participando da organização dos torneios. Mas faço aquilo tudo com um prazer enorme. E eu não sou o único. É um sentimento coletivo, único, especial. Certa vez eu estava bebendo cerveja no botequim, depois de uma partida em que o Copacabana havia ganhado o jogo. E a gente bebia e ria muito com as histórias e piadas. Foi quando Batata, um dos craques do time me abraçou e disse: “Meu caro, eu não troco isso aqui por nada no mundo”. E no seu rosto eu via uma expressão de felicidade plena e entendia o que ele queria dizer, pois eu também sentia a mesma coisa. Não trocaria aquela felicidade singela por nada no mundo.

(E por falar em Batata, é preciso abrir um parêntesis para falar desse atleta. Um excelente jogador. Um exímio cobrador de faltas. E além disso, o sujeito tem um par de pernas que mereciam ser tombadas pelo patrimônio cultural e esportivo do Rio de Janeiro. As pernas do cara são belíssimas...)

Há um terceiro time que adoro, que é o Paula Freitas, formado por uma rapaziada da tradicional rua de Copacabana, onde já morou o Jorge Benjor. Rapazes chiques, elegantes, civilizados. Diferentes dos jogadores do Colorado, time da Ladeira do Leme, que são cheios de marra e se tornam agressivos quando estão perdendo o jogo. Existem atualmente 14 equipes competindo oficialmente no futebol de praia, cada uma com suas características particulares, seu modo de ser, seu estilo próprio. Tem o Racing, por exemplo, que é o time do ator e artista plástico Alexandre Sherman, filho do diretor da Globo Mauricio Sherman. O Racing tem uma estrutura quase profissional, já que o Sherman cuida do time com muito empenho. Quando quis formar sua equipe Sherman chegou a pagar para que jogadores de outros times abandonassem suas equipes e fossem jogar no Racing. Foi assim que ele conquistou atletas do meu time como Bruninho e Alexandre Valois. A paixão de Sherman pelo Racing é tão grande que, em Copacabana, o time ficou conhecido como "os garotos do Sherman". O Racing ficou em terceiro lugar no Campeonato de 2009.

Gosto muito do América do Lido, que é quase um time profissional. Organizados, disciplinados. Não foi por acaso que foram campeões do torneio. Eles levam o futebol super a sério e vêem o futebol de praia como um trampolim para uma possível carreira no esporte profissional. Foi o América do Lido quem desclassificou meus dois times do coração no último campeonato. Primeiro o Copacabana. Depois o Força e Saúde. Mas é compreensível. Enquanto os garotos do América do Lido são disciplinados, os principais jogadores do Força e Saúde fizeram uma farra federal na véspera do jogo. Acabaram sendo eliminidos, mas, mesmo assim, ficaram em quarto lugar no torneio.

(Fotos: Waldir Leite)

Veja aqui os blogs do futebol de praia:

FORÇA E SAÚDE: http://www.forcaesaude.blogspot.com/


18.12.09


A imaginação é a primeira fonte da felicidade humana.

UMA ESTRELA BRASILEIRA - A atriz Ana Petta é a protagonista do especial Uns Braços, adaptação do conto de Machado de Assis (ver link abaixo), que a Rede Record vai apresentar como uma das atrações de sua programação de fim de ano. A exibição será no dia 28 de Dezembro. Ana Petta faz o papel de Dona Severina, a heroína do conto, uma mulher que se encanta por um menino de quinze anos. A história se passa em 1870, no Rio de Janeiro. E a atriz me parece adequada ao papel, já que tem uma beleza que nos remete ao passado. Parece uma figura feminina retirada de um camafeu do século 19.

O conto de Machado narra uma história fascinante. Um garoto de quinze anos se apaixona por uma mulher mais velha. E o fetiche da sua paixão são os braços desnudos da heroína. Lendo o conto nos dias de hoje eu penso que, ainda bem que Machado produziu suas histórias numa época em que não havia o politicamente correto. Um escritor, nos dias de hoje, que escrever uma história de amor entre um menino e uma mulher mais velha certamente vai ser chamado de pedófilo. Ainda bem que na época de Machado essa palavra não estava na moda. Além disso há algo de perverso e lascivo no fetiche do garoto. A descrição que Machado faz no conto, de que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço, é deliciosamente sensual. Palmas para Machado de Assis. Ele merece!

Ana Petta (guardem esse nome!) é uma garota adorável. Disciplinada e dedicada, tem dez anos de trabalho no teatro. Faz parte de um grupo paulista chamado Companhia do Latão. No último espetáculo o grupo misturava cenas ao vivo, que aconteciam no palco, com cenas filmadas previamente. Uma mistura de teatro e cinema. Na TV ela fez uma breve participação na novela Os Mutantes e atuou na série policial Nove Milímetros. A atriz está cotada para ser uma guerrilheira que enfrenta a ditadura no Brasil no filme Nessa Terra, Nesse Instante. 2010 é um ano que está chegando com tudo para Ana Petta.


UNS BRAÇOS


Clique no link abaixo e leia, na íntegra, o incrível conto de Machado de Assis:









OS QUADROS DE VICTOR ARRUDA - Victor Arruda é um pintor singular. Ele gosta de provocar o público. E a condição de provocador é algo que admiro num artista. Antes de oferecer a beleza, o deleite, o encanto, Victor oferece a provocação. Sou fã de seu trabalho desde que vi alguns de seus quadros na casa do editor americano Wynston Leyland. Eram telas de forte conteúdo homoerótico, com cores vibrantes e perturbadoras, onde falos enormes dominavam a cena. A influência dos quadrinhos e da pop art era evidente. “Esse pintor é genial. Você precisa entrevistá-lo”, me disse Wynston quando percebeu minha perplexidade diante do trabalho do artista.


Nesse fim de semana que antecede o Natal Victor lançou sua nova e provocadora coleção. Dessa vez ele abandonou os falos gigantes e transformou seu trabalho num desabafo contra a corrupção generalizada na política brasileira. Seus personagens agora trocam o erotismo pela crítica moral e ética. Na Galeria de Arte fãs de Victor Arruda se deleitavam com os traços do artista e aplaudiam suas obras de arte.

10.12.09













ATITUDE CARIOCA – Champanhe. Champanhe. Champanhe. A Rede Record não fez economia e alugou o Pink Fleet, o iate do poderoso empresário Eike Batista para fazer o anuncio oficial dos nomes indicados para ganhar o Prêmio Atitude Carioca. Um grupo de vips pôde desfrutar de todo o charme, conforto e elegância do Pink Fleet enquanto degustava comidinhas e bebidinhas e escolhia os nomes indicados para receber o prêmio. A divina Liége Monteiro (com seu partner Luiz Fernando) coordenava tudo, sempre com muita discrição e alegria de viver. Foi Liége quem contou aos jornalistas a história do prêmio e explicou que naquele momento seriam revelados os três nomes concorrentes. O nome do vencedor só vai ser revelado no dia 28 de Janeiro, numa big festa para 1.500 convidados, no Jockey Clube. “É como na entrega do Oscar. O vencedor só fica sabendo na hora”, explicava a promoter, com vivacidade e bom humor. Só bem mais tarde, e apenas para os íntimos, Liége contou o dia em que assistiu a entrega do Oscar em Los Angeles, ao lado do seu amigo Robert de Niro, a quem ela carinhosamente só chama de Bob. Isso foi no ano em que a entrega do Oscar teve que ser adiada por causa de um atentado contra o Presidente Ronald Reagan. Que babado!

Champanhe, champanhe, champanhe...

O Prêmio Atitude Carioca é uma iniciativa da CAERJ – Câmara de Comércio e Indústria do Estado do Rio de Janeiro e já foi entregue de forma mais modesta em anos anteriores. Esse ano a Rede Record decidiu se associar ao Prêmio e transformá-lo num grande evento. Tudo como uma estratégia de marketing para se aproximar mais do Rio de Janeiro e tentar se promover como uma emissora autenticamente carioca. Será que os telespectadores do Rio vão se comover com essa tática de conquista? Estavam no iate do Eike personalidades da vida pública do Rio como a linda publicitária Roberta Medina, o Presidente da Cedae Wagner Victer, a colunista Márcia Peltier, a produtora de moda Eloysa Simão, a promoter Lalá Guimarães, o apresentador de TV Luiz Calainho, a cineasta Sandra Werneck, o diretor de teatro Cláudio Botelho, o diretor de Marketing Thomaz Naves e muitos outros.

A surpresa da noite ficou por conta da indicação de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni da TV Globo, ao prêmio de Publicidade. A indicação de Boni causou frisson nos jornalistas presentes ao iate do Eike. Será que a Record está flertando com o Boni? Uma das jornalistas presentes, enquanto degustava um irresistível risoto de cavaquinha, alfinetou. “Acho que só o Boni para dar um jeito na programação da Record”. Um dos vips presentes logo concordou e, enquanto saboreava uma vodka com frutas vermelhas, fez críticas ácidas à programação da emissora.

Champanhe, champanhe, champanhe...

O diretor de teatro Cláudio Botelho fez parte da comissão que escolheu os indicados e foi ao Pink Fleet sem sua cara metade, o talentoso Charles Moeller. Quando lhe pediram para explicar o porquê dos três nomes indicados na categoria teatro ele foi firme em sua resposta. “Eu escolhi Marilia Pêra e Bibi Ferreira. O terceiro nome não foi escolhido por mim”, disse, levemente contrariado, dando a impressão que a qualquer momento ia cantar uma canção da trilha do musical Avenida Q. O terceiro nome indicado chama-se Evandro Mesquita. Cláudio Botelho também fez questão de ressaltar que não escolheu nenhum nome dentre os que trabalham com ele. “Queria muito ter indicado a Sabrina Korgut, mas ela talvez seja ainda muito nova e pode ganhar no ano que vem”. Botelho também achou estranho que alguns nomes da comissão que escolheu os candidados tenham aparecido na lista dos indicados. Abafa! Ele estava se referindo a Eloysa Simão e Wagner Victer.

Champanhe. Champanhe. Champanhe.

A lista dos indicados é a seguinte:

Artes Plásticas: Cildo Meireles, Beatriz Milhazes e Marcos Chaves;
Cinema: Hugo Carvana, Hernani Heffner e Walquíria Barbosa;
Educação: Ivone Bezerra de Melo, Padre Jesus Hertal e Arnaldo Niskier;
Empresário: Eike Batista, Carlos Carvalho e Olavo Monteiro de Carvalho;
Esportes: Bárbara Leôncio, Torben Grael, Diego Hypólito;
Serviço Público: Wagner Victer, José Mariano Beltrame, Claudia Cechin;
Gastronomia: Danúsia Bárbara, Carolina Gayoso e Danio Braga;
Moda: Eloysa Simão, Oscar Metsavat e Iesa Rodrigues;
Música: Jorge Benjor, Martinho da Vila e João Araújo;
Teatro: Evandro Mesquita, Bibi Ferreira e Marília Pêra;
Publicidade: Roberto Medina, Aroldo Araújo, Boni;
Responsabilidade Social: Dra. Rosa Célia, Yolanda Maltaroli, Mariana Martins Araújo.
Prêmio Especial: Carlos Artur Nuzman
(Fotos: Waldir Leite)

8.12.09
















O FUTEBOL NÃO É O FIM DO MUNDO. É ALGO MUITO MAIOR DO QUE ISSO! - O Rio de Janeiro respirou futebol no último fim de semana. A decisão do campeonato brasileiro, com a participação do Flamengo, além dos jogos envolvendo o Fuminense e o Botafogo, deixou a cidade numa excitação impressionante. Ao mesmo tempo, nas areias de Copacabana, acontecia as oitavas de final do Campeonato Carioca de Futebol de Praia. Por todos os lados o futebol pulsava na alma da cidade, numa festa brasileira com certeza.

5.12.09


Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade.

DEZEMBROO artista plástico Gilvan Nunes está em grande fase. Talvez o melhor momento da sua vitoriosa carreira. No próximo dia 10 de Dezembro ele inaugura exposição em Brasília. Quatro dias depois vai expor sua produção mais recente na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, no Rio de Janeiro. Privilegiado que sou, tenho visitado seu ateliê e acompanhado de perto a construção do seu trabalho. Gilvan é um sujeito agitado, debochado e bem humorado. Suas telas tem um colorido festivo que apresenta uma instigante harmonia dentro de um universo caótico. A influência de temas religiosos se faz presentes nas montagens que realiza com azulejos. É criativo e desconcertante. Mas, sua mais recente descoberta como artista são as intervenções que realiza em vasos de porcelana. São trabalhos belíssimos. Pinturas e apliques que realiza em vasos brancos, conseguindo efeitos de surpreendente beleza. A série de vasos estará presente na exposição da Galeria Patrícia Costa, que terá a curadoria do exigente crítico de arte Fernando Cocchiarali. Vale a pena ir até a galeria admirar os trabalhos de Gilvan Nunes.


O ateliê de Gilvan fica numa sossegada rua de Copacabana. Seus trabalhos estão espalhados por todos os lugares. Trabalhos já concluídos. Trabalhos em fase de execução. Às vezes, enquanto conversamos, ele executa pinceladas em suas telas. Os temas de nossas conversas podem ser alguns dos nossos amigos comuns, um filme que assistimos, algum fato de relevância na política ou casos curiosos de sua infância no interior de Minas. É engraçado observar o processo criativo do artista. De repente, depois de falar com entusiasmo sobre um assunto qualquer, ele olha para a tela e diz: “Acho que está faltando algo no canto esquerdo desse quadro”. Então ele pega o pincel e cria algo no lugar onde sentiu a ausência de uma imagem. Realiza seu trabalho e depois continua conversando normalmente. Noutra situação ele nota uma cor que não está de acordo com o que imagina e logo se manifesta. “Esse vermelho está muito escuro, preciso clarear um pouco”. E assim, acrescentando um detalhe aqui e outro acolá ele vai definindo a arte que vai apresentar ao mundo.

Gilvan Nunnes tem uma galeria na Internet. Veja seus belos trabalhos em
http://www.gilvannunes.com.br/





POEMASConceição Rios vai lançar Confluência, seu livro de poemas, no próximo dia 8, na Livraria Ponte de Tábuas, no Jardim Botânico. Conceição é uma grande figura. Uma mulher adorável que canta divinamente. Ela poderia ter sido uma grande estrela da MPB, mas nunca levou a sério sua carreira de cantora. Sempre teve muito trânsito dentro da MPB. Foi grande amiga de Cazuza, que ela chamava carinhosamente de Caju. Cazuza adorava Conceição, que também sempre foi grande amiga de Bebel Gilberto. A grande amizade só ficou estremecida no período em Canceição foi casada com o pai da Bebel, João Gilberto. Pois é. Certa vez João Gilberto ouviu uma voz maviosa, incrivelmente afinada, cantando Lua Estrela, no quarto da filha. Atordoado com aquela voz se aproximou e descobriu que era Conceição, a amiga de sua filha. O papa da bossa nova se apaixonou perdidamente e os pombinhos tiveram um romance durante dois anos. Não é lindo, o amor? Conceição sempre foi uma moça chique e discreta. Nunca fez alarde desse romance, nem nunca quis seguir a carreira de cantora. Ela gosta de cantar apenas para os amigos e familiares. Nos últimos tempos Conceição tem se apresentado, com sucesso, em recitais de poesia. Ela recita muito bem poesias de Drummond e Antônio Cícero. A convivência com a produção dos grandes poetas a estimulou a escrever seus próprios poemas, que agora ela reuniu no livro que está lançando. Os poemas Cais e Fast Love fazem parte do livro.



Cais

Quando o mar veio esbarrar na vida,
pouca gente ainda estava no cais.

Não havia mais por quem chorar os sais.
A espuma virou névoa.
A brisa congelou a relva.
O som do navio fantasma
fazia as casas balançarem.

Não era o balanço do mar.
Não era o vai-e-vem de amar.
Não era onde se queria estar.


Era o único lugar.







Fast Love


Descarto você da minha vida,
como página de mês virado
de um calendário qualquer.


Descarto você da minha vida,
como se não fosse homem e eu mulher.


Descarto você da minha vida,
para que possa em paz
fazer o que quer.