26.4.06


LUAR ESCARLATE - A jornalista Scarlet Moon de Chevalier fez festa no Armazem Digital para comemorar os dez anos de sua coluna no suplemento Zona Sul do jornal O Globo. Champanhe rolando e muita gente bacana circulando no pedaço. Durante a festa Scarlet Moon foi entrevistada num palco montado no salão. A entrevista foi feita por Heloisa Marra e Ana Cristina Reis, as meninas super poderosas do Caderno Ela

Quem estava lá? Patrícia Pilar com ares de Zuzu Angel; Bel Kutner com o maridão; Maria Padilha; Lelé Guimarães; Elzinha Barroso; William Bonner e Fátima Bernardes; Artur Dapieve; Manya Millen; Carlinhos Lyra batendo animado papo com Teodora Chevalier; Ezequiel Neves dizendo que está adorando o livro de contos de Tennesee Williams lançado pela Companhia das Letras e que achou chatos os discos de Marisa Monte; Carlos Henrique Schroder; Washington Olivetto e muitos outros.

Quem também esteve na festa da Scarlet foi o grande cantor e compositor Marcos Valle, gênio da música brasileira, sempre jovial e boa gente, dando um toque de carioquice explícita na noite.






O REI DA VOZ - Toni Platão continua durante todo o mês de maio sua temporada no bar da livraria Letras & Expresões, em Ipanema. Esse show é imperdível. Um dos maiores cantores brasileiros num momento de rara inspiração. "Ele é genial, genial!", me disse Gilda Matoso após a apresentação da última terça. É impossível não se comover com a sua interpretação de Negro Amor, versão de Caetano para uma canção de Bob Dylan. Come Together, de Lennon e Mc Cartney é outro bom momento do show todo feito de bons momentos: Partido Alto, de Chico Buarque; Amor meu grande amor, de Angela Ro Ro; Vênus, inesquecível sucesso do Shocking Blue...

21.4.06




Nunca chores por um amor perdido, pois se ele estava perdido é porque nunca foi seu.
(Fotos de Waldir Leite)
PRÁ NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo canhão

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição



15.4.06

O REI DA VOZ - Toni Platão é um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Da mesma linhagem de nomes como Orlando Silva, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, João Gilberto, Tima Maia e Ney Matogrosso. Ele tem uma voz potente, rouca e sensual. E é original o seu estilo de cantar. Seu canto é envolvente e ecoa música em seu estado mais puro. Quando o artista canta com seu timbre quase operístico parece que a canção está sendo feita naquele momento.


Antônio Rogério Coimbra, o Toni Platão, está lançando um novo CD e, para celebrar o acontecimento, ele está apresentando uma série de shows na livraria Letras & Expressões. A parada é todas as terças, a partir das 21:30, no terceiro andar. O lugar é muito agradável e parece perfeito para o público se deliciar com a voz do grande Platão.


O show é sensacional. O artista está no auge, maduro, sabendo exatamente o que quer. Ele deita e rola no palco da livraria, acompanhado de guitarra, baixo, bateria e um acordeon demencial. A voz rouca do cantor despeja para a platéia um repertório de pérolas em forma de canções. Músicas que, graças a forma como se apropria delas quando as interpreta, parecem terem sido feitas exclusivamente para ele. O show é jazz, é cool, é blues, é dance e é rock!


Vale a pena pagar o ingresso apenas para ouvi-lo cantar Movimento dos barcos, de Macalé e Capinan, clássico definitivo da música brasileira. O grande Platão começa o show cantando essa música, deixando a platéia com os pêlos eriçados. Entre outros sucessos, canta uma versão que fez de Without You, um antigo sucesso do cantor Harry Nilsson. Recria em grande estilo a música Impossível acreditar que perdi você, de Marcio Greyk. Lembram de Marcio Greyk? Mammy Blue de Rick Shayne é outro momento mágico. Claro que ele interpreta Pros que estão em casa, sucesso da época em que era vocalista do conjunto Hojerizah, assim como Calígula Freejack. Encerra o show com o hit das pistas de dança Vênus, do conjunto Shocking Blue, que ganhou um charme especial com o auxilio luxuoso do arcodeon.


Lulu Santos estava na estréia e vibrou com a performance do Toni. No final comentou com Marcus Vinicius o produtor do show que tinha adorado tudo. "O Toni parece uma atriz no palco", disse. É verdade. No palco ele tem aquela mesma força cênica da Maria Bethânia, por exemplo. E isso deixa o seu canto muito mais potente.


Movimento dos barcos


Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo


Não quero ficar dando adeus
As coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo


Não, não sou eu quem vai ficar no porto
Chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento




10.4.06




Há mulheres que fogem da tentação na esperança de que ela as alcance.

UMA QUESTÃO DE VIDA E SEXO - O jornalista inglês Oscar Moore tornou-se popular em seu país quando, num período de dois anos, entre 1994 e 1996, publicou no jornal The Guardian a coluna semanal PWA, Person with Aids (Pessoa com Aids), onde contava, de maneira sensível, a sua rotina de soropositivo. Ele havia sido editor-chefe do Screen International enquanto publicava artigos em Time Out, I-D, The Mail on Sunday, The Evening Standard e The Times. Só quando morreu, aos 36 anos, é que os ingleses descobriram que o renomado jornalista havia publicado, em 1991, sob o pseudônimo de Alec F. Moran, o romance Uma questão de vida e sexo, que agora está sendo lançado no Brasil pela José Olympio Editora.


Uma questão de vida e sexo é uma história perturbadora, às vezes até lúgubre. A narrativa acompanha a trajetória de Hugo, um anti-herói da classe média londrina com compulsão sexual. Aos 14 anos, o jovem descobre o sexo num banheiro público a caminho da escola e, a partir de então, sua vida adquire um novo sentido, com os banheiros públicos tornando-se sua área de lazer favorita.


Encontros furtivos com homens desconhecidos passam a fazer parte da sua rotina. Como a adolescência de Hugo se passa nos anos 70, seu inusitado cotidiano sexual não chega a lhe oferecer maiores perigos à saúde. Já nos anos 80, com o surgimento da Aids, sexo furtivo com estranhos passa a ser uma atividade arriscada. Ainda assim, o protagonista não consegue reprimir sua personalidade erotizada e, mesmo sabendo dos riscos, continua a alimentar o seu desejo através de uma lenta jornada rumo à perdição.


Para Hugo, era o sexo que dava sentido à sua vida. Era através do sexo que ele se expressava, se comunicava com o mundo, se rebelava e se posicionava politicamente. E foi assim, simplesmente dando sentido à sua vida, que ele acabou contraindo a doença que o fez mergulhar num mundo de sombras, dor e sofrimento.


A mãe de Hugo tinha um temperamento brutal e mão pesada. Acreditava em disciplina, boas maneiras, excelência e trabalho duro. Também acreditava em saúde, educação, vitaminas e em atividades ao ar livre. Hugo cresceu sendo espancado e intimidado pela mãe, mas, mesmo assim, vivia relativamente feliz e saudável.


Contudo, também cresceu com um complexo por ser exótico. No curso secundário,por se descobriu apaixonado Sam, seu melhor amigo na sala de aula. Mas, quando revelou sua paixão, Sam ficou chocado e deixou de falar com ele. A única mulher com quem se entendeu foi a bela Cynthia, uma namorada por quem sentiu paixão e ternura, mas nenhum desejo sexual.


A semelhança da trajetória do personagem Hugo com a vida do autor Oscar Moore mostra o quanto de autobiográfico é esse romance doloroso e pungente. A narrativa crua provoca um certo desconforto no leitor, já que o autor é incisivo ao redigir o seu testemunho de como a vida pode ser dura com algumas pessoas. Uma questão de vida e sexo é um livro que conta uma história triste, mas de impacto.


(Resenha publicada no Caderno B, do Jornal do Brasil)








CONTROLE REMOTO - O que se pode ver na TV? Nos últimos dias tivemos bons momentos e outros momentos nem tão bons. Reginaldo Rossi no Programa do Jô deu um show de humor e timming. Assim como Sônia Braga, que é sempre divertida e situada. Adorei quando ela se referiu a Hillary Clinton como "nossa Hillary" e sugeriu que a esposa do Bill deve ser a próxima presidente dos EUA. Será, Soninha?


A série de programas do Chico Buarque no canal Multishow também está bombando no Ibope da minha casa. Tem cenas incríveis de Chico em Paris. Depoimentos divertidos. Cenas dele, belíssimo, quando era mais jovem. E música da melhor qualidade, é claro. Num dos programas ele aparece cantando o hino do Polytheama, seu time de futebol. É demais...


Eu adoraria dizer que odeio o programa da Fernanda Young, mas não consigo. Acho tudo meio irritante, mas é muito engraçado. Principalmente aqueles números musicais bregas que aparecem no final. E, convenhamos, ela não tem medo do ridículo. Então, palmas para ela. O pior programa da TV é aquele Ponto G, onde a Penélope Nova tenta imitar Sue Johanson e dá conselhos sobre sexo ao telespectador. Aquela Penélope é uma chata. Ela não tem a menor naturalidade com o sexo, fala absurdo para as pessoas, é moralista, careta... Uma vaca tatuada!!!


A MTV tem estado ótima mostrando videoclipes depois da meia noite. Passa clipes incríveis e eu adoro assistir videoclipes. Também gosto de ver uns pedaços do Beija Sapo. Mas, a melhor coisa da nova programação da MTV, são as apresentadoras Kenya e Keyla Boaventura. São duas gatinhas maluquetes, adolescentes, histérias e hilárias, que apresentam o Disque MTV. Elas são fofas. Muito fofas...


7.4.06




Home is where the heart is.







NOTICIAS DE LISBOA

Gêmeo tenta se suicidar e mata o irmão por engano.




Lançaram em Portugal, o novo serviço por telefone, é o Disk-Finados. Você
telefona e ouve um minuto de silêncio !




O português estava dirigindo em uma estrada, quando viu uma placa que
dizia: "Curva Perigosa à Esquerda". Ele não teve dúvidas: virou à
direita!


6.4.06




Quando se ouve um homem falar de seu amor por seu país, podem saber que ele espera ser pago por isto.

CAIU NA REDE É ESFINGE - A resenha que fiz do livro Caiu na Rede, da jornalista Cora Rónai, foi publicada nesta quinta-feira no Caderno B do Jornal do Brasil. Quem não teve oportunidade de ler no jornal pode fazê-lo aqui mesmo.




Livro de Cora Rónai mostra que a internet ainda precisa ser decifrada - Nos dias de hoje, qualquer um pode escrever um texto, assinar um nome falso embaixo e jogar na internet. É possível que, em questão de horas, esse texto seja lido por milhões de internautas em todo o mundo. Assim, se o sujeito for mal intencionado e resolver assinar o que escreveu com o nome de um escritor famoso, certamente a internet, graças ao seu poder de comunicação, transformará o erro proposital numa verdade absoluta.


Também pode acontecer de alguém ler um artigo maravilhoso, por exemplo sobre os conflitos da vida a dois, e resolver enviá-lo para a sua lista da caixa postal. Só que, na hora de redigir o nome do autor, o distraído pode confundir João Ubaldo Ribeiro com Millôr Fernandes e assim estará criada uma baita confusão.


O que era texto de um, passa imediatamente a ser de outro. E até ficar provado que maçã não é pitanga, é melhor desistir de querer colocar os pingos nos is. É sobre esses desacertos e descontroles do universo ciber que trata o livro Caiu na rede (editora Agir), da jornalista Cora Rónai. A autora, uma entusiasta da internet, conhece muito bem o tema, já que é estudiosa de tudo o que diz respeito ao mundo virtual.


Caiu na rede é uma coletânea de textos tornados célebres na internet pela confusão que causaram envolvendo seus autores - seja por causa de trechos alterados ou de troca de nomes, ou pela indignação de escritores que tiveram seus escritos deturpados, ou ainda por serem reflexões que provocaram polêmica. Enfim, todos ilustram muito bem o alcance, a potência e as falhas da web.


Cora Rónai mostra como a internet ainda é uma esfinge a ser decifrada pelo homem. Ferramenta da tecnologia, ela acabou adquirindo vida independente e se comporta hoje como um animal feroz que se recusa a ser domado. Com personalidade própria, a web parece disposta a querer redefinir o conceito de direito autoral para textos, músicas ou qualquer outra forma de manifestação artística e intelectual.


Ao mesmo tempo, há algo de surpreendente e fascinante na forma democrática como o mundo virtual permite que qualquer um tenha acesso à criação intelectual alheia e possa alterá-la, transformando pensamentos e conceitos em novas idéias. É algo mágico e, ao mesmo tempo, trágico. O poder da palavra associado ao poder da web criou uma força maior, aparentemente incapaz de se submeter ao controle do homem.


Num momento em que as editoras estão de cabelo em pé com o download gratuito de livros, Caiu na rede vem colocar ainda mais lenha na fogueira ao propor uma discussão sobre a livre propagação do pensamento escrito. Será que em breve os próprios internautas vão poder alterar as tramas dos clássicos da literatura? Haverá um dia em que Dom Casmurro terá um final diferente do concebido por Machado de Assis? Meu Deus! Parece que finalmente a literatura chegou ao século 21.

2.4.06





Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade.

NO PAÍS DA AMBIGUIDADE - A seguir a resenha do livro Frescos Trópicos, publicada na edição deste domingo no Caderno B do Jornal do Brasil.




Assinado pelos pesquisadores James N. Green e Ronald Polito, o livro Frescos trópicos, lançado pela José Olympio Editora dentro da coleção Baú de Histórias, apresenta um estudo sobre a homossexualidade no Brasil entre 1870 e 1980. Por meio de relatos científicos, atestados médicos, artigos de jornais, relatórios de clínicas psiquiátricas e publicações diversas, os autores se propõem a contar como viveram e sobreviveram os homossexuais brasileiros desde o Império até a época do movimento Gay Power.
Frescos trópicos começa revelando como era o dia-a-dia de um sodomita no Brasil do século 19 ao analisar trechos de um relatório publicado em 1872 pelo médico Francisco Ferraz de Macedo, que descreve, em detalhes, o comportamento e estilo de vida dos homossexuais de então. Segundo o estudioso, os lugares freqüentados pelos chamados bagaxas eram as portas dos teatros, os bilhares, os botequins, cafés e praças públicas onde, ''em grupos de dois ou três, fumavam, gesticulavam muito e proferiam indecências''.
Em 1906, o professor José Ricardo Pires de Almeida publicou um livro chamado Homossexualismo, sobre o que ele considerava um vício hediondo. Sua tese era a de que pederastas ativos e passivos existiam em todas as classes sociais do Rio de Janeiro, inclusive na Igreja, no Exército e nas Forças Navais, entre funcionários públicos, diplomatas e juízes.
Ao analisar historicamente a documentação existente sobre o tema, Frescos trópicos conclui que a trajetória dos homossexuais brasileiros sempre se equilibrou entre a dor e a tragédia, sem perda do humor e da busca pelo prazer hedonista.
Há relatos médicos que sugerem tratamento clínico para a pederastia em instituições psiquiátricas, aplicações de remédios e até transplantes de testículos. Por outro lado, percebe-se em outros relatos que, apesar do preconceito, a prática homossexual, ainda que discreta, sempre esteve presente, de modo relevante, na sociedade brasileira.
Frescos trópicos ainda analisa a forte presença dos homossexuais no candoblé, revisita o Código Penal de 1890 e reporta-se aos freqüentes assassinatos de homossexuais no Brasil. Além disso, o livro traz curiosidades, como um artigo intitulado Da arte de caçar publicado no jornal O Snob, uma das primeiras publicações homoeróticas do país. No artigo, lança-se um manual de estratégias da arte de conquistar, buscando auxiliar ''aquelas que realmente desejam tornar-se ótimas pegadeiras''. Com essas e outras histórias, Frescos trópicos revela um pouco da ambigüidade do caráter do povo brasileiro.









UM BOFE COM MUITO ESTILO - Só Maria Bethânia para produzir tamanha ousadia! Chama-se Menino do Rio o novo disco da cantora Mart´nália, que está sendo lançado pela gravadora Biscoito Fino através do selo Quitanda, dirigido pela maravilhosa Maria Bethânia. Só com o aval da grande dama da música popular brasileira Mart´nália conseguiria lançar um disco tão ousado, tanto no conteúdo, como no conceito. Na capa a filha de Martinho da Vila aparece do jeito que mais gosta: como um autêntico menino do Rio. Só para massacrar os corações ela recria, em grande estilo, Estácio, Holly Estácio, a canção de Luis Melodia que foi um hino gay dos anos anos 70, quando gravado pela própria Bethânia, na época do seu famoso affair com a Renata Sorrah. No mais Mart´nália dá um show ao gravar Nas águas de Amaralina, do papai Martinho, além de pérolas de Zélia Duncan, Ana Carolina e Paulo Moska. É o disco da Copa!