29.9.02




A fazenda de Claude Perrault de João Câmara
(para João Carlos Rodrigues)


Um Dia de Chuva

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.





Um dos charmes da novela O Beijo do Vampiro é a música de abertura, a balada Blue Moon cantada em ritmo de rock. Para os menos atenciosos pode ser uma idéia original da novela mas não é bem assim. A canção Blue Moon, um sucesso dos anos 60, se tornou uma referência para as histórias de terror desde que foi usada por Jonh Landis como tema do seu filme Um Lobisomen Americano em Londres.


Um Lobisomen Americano em Londres foi um dos filmes americanos mais importantes dos anos 80. Na época do seu lançamento o cinema de terror estava fora de moda e ele foi celebrado pela mídia como um filme que renovava esse tipo de cinema. O sucesso de público, foi apenas razoável. Não foi um blockbuster, nem foi um filme que ficou cultuado ao longo dos anos, como Blade Runner, por exemplo. Mesmo hoje em dia não é fácil encontrá-lo nos videoclubes. Mas a sua importância para a cultura pop do final do século 20 é infinita.


A história é a seguinte: dois atletas americanos são atacados por um lobisomen quando passeavam de férias numa cidade nos arredores de Londres. Um morre e o outro vai para o hospital até se recuperar dos ferimentos. Quando sai do hospital, o rapaz que sobreviveu começa a receber visitas do fantasma do amigo que morreu. O amigo morto-vivo diz para ele se preparar, pois está condenado. Todas as noites de luz cheia o jovem vai se transformar em lobisomem.


O herói do filme passa a viver atormentado com isso. Até que chega a primeira noite de lua cheia e ele começa a sentir os primeiros sintomas de mudança no seu corpo que lentamente começa a se transformar num lobisomem. E foi exatamente essa cena que conquistou as platéias dos cinemas. O personagem sofria com a transformação lenta do seu corpo. Toda a seqüência da transformação é sublinhada com a canção Blue Moon. Não a versão da abertura da novela. Mas a versão original da música, que tem o formato de uma balada romântica. É uma seqüência belíssima, carregada de lirismo.


A partir de então, sempre que é noite de lua cheia, o herói se transforma num lobisomem que começa a aterrorizar Londres. Ele passa a ser caçado pela polícia. Até que, na seqüência final, depois de atacar várias pessoas, o lobisomem é encurralado no centro de Londres. Um atirador consegue atingi-lo com uma bala de prata. Quando morre o lobisomem se transforma no rapaz que fica caído nu sobre o asfalto. Nesse momento começa a tocar a versão de Blue Moon que toca na abertura da novela.


O sucesso de Blue Moon na trilha do filme se tornou um marco no cinema americano do começo dos anos 80. E por causa disso esse filme iria ter grande influência na cultura da época. Quando o filme foi lançado em 1981 Michael Jackson era a grande estrela da música internacional. Seu disco Thriller já era um estouro de vendas e as músicas Billie Jean e Beat It já eram ícones com seus clipes cheios de estilo. Foi então que Michael Jackson assistiu ao filme Um Lobisomen Americano em Londres e ficou encantado. Imediatamente convidou o diretor Jonh Landis para dirigir o seu próximo videoclip, que seria a música Thriller. Michael gostou tanto do filme de Jonh Landis que quis que o clipe da sua música fosse uma espécie de remake do filme. E assim foi feito. O clipe da música Thriller, com Michael Jackson se transformando em lobisomem e dançando com mortos-vivos, mudou a história da música pop no final do século passado.

28.9.02




Escolhendo Café de Djanira


A versão nacional do blogger é um sucesso. Cada dia surgem novas páginas, onde cada um pode dar sua opinião e expor publicamente suas idéias. Nem os mais radicais defensores da democracia imaginaram que um dia isso pudesse acontecer. As idéias e os conceitos de vida de cada individuo estão ali expostos, à disposição de quem quiser acessar, sem a figura ditatorial do editor, que interfere nas opiniões emitidas em publicações como livros e jornais. No blog a opinião é exposta de forma crua.


Além do aspecto democrático, o blog tem outro aspecto que me fascina. Ele provoca uma espécie de renascimento do culto à palavra escrita. Da mesma forma que existe um prazer especial em ouvir música, ou assistir um filme, existe um prazer muito especial em saborear o mundo através da junção de palavras. Prazer esse que é exercido através da leitura de livros, jornais ou revistas. O blog veio acrescentar mais um tópico ao prazer de ler.


Ainda encantado pela novidade, tenho dedicado muito do meu tempo à leitura de blogs. Atualmente tenho lido mais blogs do que livros. Sinto uma curiosidade muito grande por essa nova forma de expressão literária. E uma atração irresistível por esse novo conceito de expressão cultural. Um lugar onde a opinião escrita aparece de forma bruta e imediata.


Nos últimos dias tenho visitado com freqüência os blogs da versão nacional blogger.com.br. Tem sido uma viagem muito divertida e mágica. Assim como encontrar pessoas diferentes. E descobrir novos mundos. Novos horizontes. Tenho encontrado coisas terríveis. Mais também tenho lido textos muito interessantes. Um cineasta certa vez disse que, por pior que seja um filme, o espectador sempre vai encontrar pelo menos um take genial. Essa máxima pode muito bem ser aplicada aos blogs.


Veneno Puro é o nome do blog de uma moça chamada Michele, de Pernambuco. Ela fala muitos dos bares de Recife e Olinda, das bebedeiras, das brigas com o namorado. Lembrei muito das minhas farras de adolescência na capital pernambucana.


Blogando Pessoa é um blog que merece ser aplaudido de pé. Um exemplo de bom gosto, talento e sensibilidade. É um blog só com poemas do Fernando Pessoa. Se Jackie Miller ainda estivesse viva certamente daria a ele o prêmio de melhor blog do ano. Para contrapor ao Blogando Pessoa encontrei um blog chamado Carlos Drummond de Andrade . O blog pertence a um sujeito chamado Inácio Rodrigo que publica fotos dele com o filho e se dedica a fazer declarações de amor para sua mulher que o abandonou. Ele publica o e-mail da moça e pede aos leitores que mande mensagens pedindo para ela voltar para ele. É patético. O inusitado é ele ter batizado o seu blog de Carlos Drummond de Andrade. O poeta deve estar se revirando no túmulo. Ou talvez não...


Macho Grosso é o blog de um bofe revoltado que fala horrores do PT e vive criticando os padres comunistas. Totalmente anos 70. O rapaz parece meio perdido no tempo mas ele tem seu estilo próprio. O que salva o blog é exatamente o seu nome. Macho Grosso é um nome e tanto para um blog!
Verdade Nazismo é um blog totalmente fora de propósito. O autor fica querendo defender o indefensável. Ele tenta justificar o nazismo e diz que Hitler foi difamado pelos judeus. Vale a pena visitar para ver como pensa e funciona as forças do mal. Uó!






Mulheres Casadas é dedicado ao universo solitário das mulheres casadas. Aparentemente é escrito por um homem mas, segundo as próprias leitoras, ele parece entender tanto do universos feminino que algumas acham que o autor é uma mulher. Os textos são excelentes. Intensos, cheios de verdade e extremamente sensuais. A apresentação do blog: Porque mulheres casadas devem trair seus maridos. Porque os homens devem preferir as mulheres casadas. Um blog que ainda vai dar muito o que falar. Marina W vai adorar! Para se ter uma idéia leia o trecho a seguir, copiado do blog Mulheres Casadas.


No calor da batalha a mulher se sente como um vulcão prestes a entrar em erupção. Sua luta é para decidir se permite que esta explosão ocorra ou esforça-se para sufocá-la. Durante a luta ela procura avaliar quais as conseqüências que cada decisão acarretará e decide se adapta a si mesma ou as coisas à sua volta a uma nova realidade. Não é uma decisão que pode ser feita de forma isenta, pois ela é combatente e adversária de si mesma. Medo de um lado, Desejo do outro. O ringue é sua alma. Forças imensas se confrontam no mais íntimo de seu ser. Ela luta, se defende, arbitra e julga o vencedor. É um embate titânico e silencioso. E seu marido reclama das torradas no café da manhã.


21.9.02




A minha mais secreta fantasia erótica. Entrar no vestiário do Maracanã e encontrar o craque Edmundo tomando banho, vestido apenas com a medalha de campeão. E encontrar no seu corpo a sensualidade de um quadro de Guido Reni. A placidez de uma tela de Hooper. Os traços perturbadores de uma pintura de Picasso. A ternura insana dos traços de Manet. A doce magia de uma obra de El Greco. A malícia disfarçada nas pinceladas de Caravaggio. A brasilidade explosiva de um quadro de Portinari. A emoção perene de uma tela de Velazquez...




Mestiço de Cândido Portinari (Para Antonio Cicero )

O professor de Teoria Literária da UFRJ Alberto Pucheu publicou no Jornal do Brasil brilhante artigo sobre o novo livro de poemas de Antonio Cícero A Cidade e os Livros. O artigo é tão inteligente e sofisticado quantos os poemas de Cícero. Mas, o que mais impressiona é a compreensão que o autor do texto teve sobre o livro. Clique aqui e leia na íntegra




Portrait of a Sportsman de Benjamin Marshall

Nos dias 16 e 17 de setembro foi realizado no Fórum da Cidade do Rio de Janeiro o seminário “DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO” promovido pela Escola de Magistratura do Rio de Janeiro. Durante dois dias, advogados dos mais variados setores da sociedade estiveram reunidos com renomados juristas, cientistas políticos e importantes jornalistas a fim de discutir questões relativas aos direitos e deveres da imprensa num regime democrático.


Durante esses dois dias foram levantadas questões importantes sobre o papel da imprensa na sociedade e o evento promoveu discussões acaloradas entre jovens advogados e experientes juristas presentes ao evento. O assunto que rendeu mais controvérsia no seminário, no entanto, foi a forma como a imprensa brasileira é condescendente com o Presidente da República.


A questão entrou em pauta quando um jurista citou como exemplo de conivência jornalística o romance do presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista da TV Globo Miriam Dutra . Muitos advogados presentes ao evento não sabiam do fato e reagiram com surpresa e indignação quando um jornalista afirmou que toda a imprensa brasileira sabe disso. E nesses oito anos de governo ninguém tocou no assunto.


O editor de um importante jornal carioca declarou que esse é um assunto de ordem pessoal do presidente por isso a imprensa sempre fez vista grossa ao assunto. Os advogados ficaram chocados com o argumento do jornalista. Ora, bolas! Primeiro que o presidente da República não tem direito a uma vida pessoal. Todos os aspectos de sua vida devem ser discutidos pela sociedade até porque tudo relacionado a ele pode interferir na vida dos cidadãos. Segundo, que a vida pessoal das celebridades vive sendo esmiuçada pela imprensa diariamente em todos os jornais do mundo. “Lady Di morreu por causa disso”, lembrou um jovem advogado, boquiaberto com a notícia.


A discussão sobre o assunto animou o Seminário e depois continuou nos corredores do Fórum e até nos bares e restaurantes do centro do Rio, onde os profissionais se reuniram depois do evento. Muitas questões foram levantadas pelos advogados, uma classe profissional acostumada a questionamentos e argumentações.


Muito antes de ser presidente, Fernando Henrique sempre foi um conhecido garanhão da política brasileira. As mulheres sempre ficaram encantadas com o seu charme e sua pose de estadista. Em Brasília, o escritório de FHC também era utilizado como garçoniere, para usar uma expressão da geração dele. Era no escritório-garçoniére que o então candidato à presidência da república mantinha encontros com uma de suas amantes, a correspondente da TV Globo em Brasília Miriam Dutra. Quando FHC cresceu nas pesquisas para presidente, a ambiciosa jornalista, pensando no seu futuro pessoal e profissional aplicou aquele velho golpe que louras oxigenadas costumam dar em pagodeiros e jogadores de futebol. Deu uma chave de buceta em FHC e engravidou. A ardilosa jornalista passou a carregar um furo de reportagem em seu próprio ventre. Um filho daquele que seria o próximo presidente da República do Brasil.


Ao saber que a amante estava grávida Fernando Henrique entrou em pânico. Afinal, como diria outro Fernando, aquilo era nitroglicerina pura. FHC tentou convencer a amante a fazer um aborto mas ela riu da cara dele. A mulher não ia jogar fora o seu pé de meia. Sua caderneta de poupança. Foi aí que entrou em ação a operação abafa. Como ela era correspondente da Globo, imediatamente foi transferida para a Espanha, com um salário milionário, sem obrigação de fazer nada. Apenas ficar calada e quietinha, cuidando do filho bastardo do presidente. O garoto, Tomás Dutra, nasceu em setembro de 1991.


Os advogados do seminário “DEMOCRACIA IMPRENSA E JUDICIARIO” ficaram boquiabertos com a história. Afinal, como a moça é jornalista, toda a imprensa sabe desse caso. O que surpreende é que nenhum órgão de imprensa publicou nada a respeito. É compreensível que o jornalismo da Globo não tenha tocado no assunto, até porque eles são parte envolvida neste escândalo. Sim, porque isso é um escândalo. Mas e a VEJA, que adora matérias sensacionalistas? E a FOLHA DE SÃO PAULO, que coloca o jornalismo acima de tudo? E a ISTO É, que adora publicar matérias escandalosas até sem confirmação? E a CARAS? E O DIA? E o ESTADÃO? E o JB?


O que teria acontecido com os órgãos de imprensa nesse caso? Decidiram ser coniventes? Tiveram medo de noticiar o fato? Não quiseram tocar no assunto para evitar algum tipo de confronto com a Globo? Ou simplesmente foram corporativistas. Preferiram abafar o caso porque isso iria levantar uma questão que é muito cara a ética do jornalismo: a intimidade de profissionais do setor com os donos do poder. Essas questões incendiaram a discussão sobre “DEMOCRACIA IMPRENSA E JUDICIÁRIO” no Fórum do Rio.


Nos corredores do fórum e nos bares do centro da cidade os advogados cariocas se dedicaram a fazer as especulações mais inusitadas. Alguns argumentaram que, o fato da amante e do filho de FHC serem dependentes econômicos do jornalismo da TV Globo, significa que o Presidente da República, durante seus oito anos de mandato foi refém da emissora do Jardim Botânico. E toda a imprensa brasileira foi conivente com isso. “Deve ser por isso que o Fernando Henrique foi tão generoso com a Globo, no caso do empréstimo do BNDES”, especulou um jovem advogado enquanto afrouxava o laço da sua elegante gravata Hermes. Um importante jornalista, presente ao evento, ainda soltou essa pérola: “Nem na época da ditadura militar a TV Globo foi tão favorecida pelo governo quanto na era Fernando Henrique.”


Atualmente a jornalista Miriam Dutra vive na Espanha, com o filho caçula do presidente. Uma funcionária do jornalismo global diz que às vezes ela liga para o Brasil a fim de fazer exigências, tratando a todos como se fossem seus empregados. “Ela se comporta como se fosse a verdadeira primeira dama!”. Os jovens advogados presentes ao seminário se sentem traídos pela imprensa por não terem notícias de Tomás, o jovem herdeiro do imperador FHC. Eles dizem que gostariam de saber como vive o pimpolho agora, aos 11 anos de idade. Será que ele torce pelo Real-Madrid ou pelo Barcelona? Eles também gostariam de saber também quanto a jornalista Miriam Dutra embolsou com esse golpe. E qual o saldo de sua conta na Suíça.

19.9.02




India Tapuia de Albert Eckout
UM HOMEM UMA MULHER

Sempre fui fascinado pelo cinema francês dos anos 60, fase áurea da nouvelle vague, auge da super estrela Brigitte Bardot. Um dos filmes mais emblemáticos dessa época é Um Homem Uma Mulher, de Claude Lelouch, que revi essa semana no vídeo. É uma história de amor apaixonante, contada com uma simplicidade ideológica e formal comovente. A estética anos 60 fotografada num estilo que mistura cor e preto e branco nos remete a uma era em que o cinema era antes de mais nada uma forma de arte. O roteiro despojado e objetivo. O casal Jean Louis Tritingnant e Anouk Aimée no auge do talento e da beleza. E a primorosa trilha sonora de Francis Lai, com direito até a uma bonita citação de Samba da Benção, de Vinicius e Baden Powell. Um filme lindo!



CATS de Andy Warhol ( Para Cora Ronai )

Normalmente os primeiros capítulos das novelas de TV são bem atraentes para assim cativar a atenção do público. Depois da estréias elas acabam se transformando naquilo que nos corredores do Projac é chamado de “novelha”. Aquele lenga-lenga previsível, comum a todas as novelas. Isso não aconteceu com O Beijo do Vampiro. Depois do primeiro capítulo a novela só fez melhorar. Apesar do universo dos vampiros já ter sido usado como mote em VAMP, a história é verdadeiramente original. A trama principal é muito bem amarrada com as tramas paralelas, fazendo com que o ritmo da história flua com muita naturalidade. Não seria exagero dizer que há muito tempo não se via na televisão uma novela com uma história tão bem contada. Com amor, humor, clima, suspense e terror.

O elenco está muito bem. Tarcísio Meira está magnífico. Ele sempre dá a impressão que nenhum outro ator seria capaz de fazer o seu papel. O ator mirim que faz o menino vampiro é um achado. Ele tem carisma e personalidade. Os personagens são criativos e têm vida própria. Então os atores acabam tendo muito material para trabalhar. E o resultado é um só: interpretações primorosas.

Quando eu estive em Cuba, no começo do ano, ouvi muito o povo da ilha falando sobre as novelas brasileiras, que eles adoram e veneram. E os cubanos sempre faziam questão de frisar a qualidade do trabalho dos atores brasileiros. “Como existem bons atores no Brasil” me dizia sempre o povo de Havana quando comentavam as novelas brasileiras.

Falando em Cuba, foi ótimo assistir Célia Cruz cantando na entrega do Grammy latino. A música cubana me toca fundo na alma. Seu ritmo sensual remete todo o meu corpo à dança. Aliás, toda a música latino-americana é muito rica de ritmos exóticos e sensuais. Pena que nós a ouçamos tão pouco aqui no Brasil. Por isso foi muito legal assistir aos números musicais do programa transmitido pelo SBT. Tudo muito inusitado para a televisão brasileira. Aqui em Ipanema, a boate VIP LOUNGE, em frente a praça General Osório, promove animadas noites de música cubana todos os sábados. Programa imperdível para se curtir tomando goles e mais goles de cuba libre.


15.9.02





Martin and Beggar de El Greco


Marcelo Balbio comemorou seu aniversário sexta-feira e recebeu amigos no seu simpático apartamento, debruçado sobre uma bonita área verde do bairro de Ipanema. Marcelo é um sujeito super alto astral e gente boa. Além disso, tem uma coisa que adoro nele que é o seguinte: ele tem uma atitude moderna diante da vida. Pois a festa dele tinha exatamente esse clima de alto astral e modernidade.


A noite estava fria e choveu um pouco. Da sala do seu apartamento podíamos ver a chuva através da luz da iluminação pública, regando a belíssima amendoeira que ficava bem em frente à janela. Parecia um efeito especial criado pela natureza para dar um clima a festa. Um espetáculo lindo de se ver. Lá dentro bom papo, boa música, boa comida e boa bebida.


Foi na festa do Marcelo que conheci a simpática jornalista Cora Ronai. Para mim foi uma honra, já que ela, além de ser uma especialista em internet e de tudo o que tem a ver com computadores, é uma entusiasta do mundo dos blogs. Ela tem um blog ótimo, transformou sua coluna no Globo no primeiro blog em mídia impressa e acompanha com interesse o andamento de todos os blogs disponíveis na rede.


Eu fico super feliz quando alguém me diz que visita o meu blog. “Ainda ontem visitei o teu blog”, me disse Cora, enquanto saboreava os deliciosos petiscos da festa do Marcelo. Ela falou que adorava conhecer as pessoas que tinham blogs. Falou sobre a Meg, que tinha visitado há poucos dias e que tem um dos blogs mais interessantes da rede. Falamos sobre Marina W e seu fantástico Blowg. E sobre o Victor, blogueiro que a tinha convidado para uma festa mas que ela não pôde ir porque ele mora em São Paulo. Ela citou o fato de que, através dos blogs, as pessoas podem demonstrar aspectos do seu caráter e da sua personalidade que elas não conseguem demonstrar através de sua vida cotidiana. Isso significa que essa tecnologia realmente expandiu as possibilidades das relações humanas.


Conversamos um bom tempo, como se fôssemos velhos amigos. Ela também me contou que está começando a escrever um romance policial ambientado no mundo da internet e que ela vai usar como gancho o uso dos e-mails. Fiquei fascinado com a idéia. Primeiro, porque eu sou um apaixonado por livros. Segundo, porque eu acho que a internet oferece um enorme leque de possibilidades para a literatura.


A carta, sempre foi um gancho perfeito para a literatura. Seja nas novelas policiais de Agatha Christie ou nos maiores clássicos da literatura universal, a carta sempre foi utilizada como uma forma de resolver tramas intricadas, ou solucionar apaixonantes histórias de amor. Mesmo nas novelas de TV, a carta foi por diversas vezes utilizadas para criar suspense e mobilizar o telespectador para o próximo capítulo. Por isso, acho a idéia da Cora Ronai de apimentar sua trama policial utilizando e-mails, extremamente oportuna.


Comentei com ela que Marina W também está escrevendo um livro inspirado na internet. Só que o livro da Marina, chamado Vila Italiana, é uma história eletrizante ambientada no mundo dos blogs. São vários personagens, que se relacionam através de seus blogs. Só que, um dos personagens manipula os outros através dos textos que publica no seu próprio blog.


Cora também me contou que o jornal O Globo encomendou a quatro jornalistas que não trabalham na área de política a escreverem cada um, um perfil sobre os quatro candidatos à presidência da República. Cora que é especialista em informática foi convocada a escrever um perfil do José Serra. Assim, ela tem acompanhado o candidato e ficado bem perto dele. Foi acompanha-lo num corpo-a-corpo em Cuiabá que foi um sufoco. A cidade é muito quente e o candidato passou o dia inteiro em contato com a multidão. Todo mundo exausto. Os seguranças, os câmeras da TV, os jornalistas. E o José Serra na maior animação, adorando aquilo tudo.




Cristo en la cruz de El Greco




São Sebastião de El Greco


UM TAXI PARA IPANEMA


Sábado à noite estava no Leblon e peguei um táxi para Ipanema. O motorista então me pediu para ensinar o caminho que ele não sabia direito como chegar a Ipanema. Ante à minha cara de surpresa ele disse que costumava trabalhar na zona norte e que não conhecia bem a zona sul do Rio. E que tinha ido trabalhar na zona sul por que estava impossível de trabalhar na zona norte. Contou que haviam ruas interditadas, que o comércio estava fechado e que os bares e restaurantes estavam vazios. “Ninguém quer sair de casa com medo da violência dos traficantes.” Depois respirou fundo e com a voz cheia de mágoa e frustração exclamou: “A que ponto nós chegamos!” Um sentimento de revolta tomou conta de mim. E eu disse para ele o quanto eu estava ressentido com o governo do estado. E o quanto desprezava o atual secretário de segurança do Rio de Janeiro. Na minha opinião, por ocasião do episódio ocorrido em Bangu I, a polícia devia ter invadido e fuzilado todos os bandidos. A polícia perdeu uma oportunidade única de acabar com todos eles. A elite da bandidagem carioca reunida numa mesma rebelião. A situação perfeita para um fuzilamento generalizado. Os tiras deviam era ter provocado um derramamento de sangue exemplar e dado um fim àquela gente sórdida. Mas não, os policiais ficaram se cagando de medo, enfiaram o rabo entre as pernas e deixaram que os bandidos se tornassem donos da situação. Quando eu desabafei toda a minha revolta o motorista de táxi tomou a palavra: “Todo mundo está dizendo isso. Todos os passageiros que entram nesse táxi dizem a mesma coisa. Que a polícia devia ter matado todos eles.”


Pode parecer uma atitude selvagem querer que a polícia mate os bandidos. Mas as coisas chegaram a um ponto que é ou eles ou nós, a população. O que não pode é um trabalhador que sofre para ganhar o seu dinheiro honestamente, seja obrigado a deixar de trabalhar por determinação de bandidos. O que não pode é comerciantes deixarem de abrir seus estabelecimentos por ordem de traficantes. O que não pode é a sociedade se submeter ao julgo de criminosos.


Adoro a Benedita da Silva. Admiro a trajetória dela. Sei que ela é bem intencionada e uma boa pessoa. Mas ela tem deixado muito a desejar como governadora. Ela devia ter sido mais firme nesse episódio de Bangu I. Ela se mostrou fraca, sem autoridade e sem ação, numa área que é exatamente a mais delicada do estado do Rio de Janeiro: a segurança pública. Por isso, FORA BENÉ!


O secretário de segurança do Rio de Janeiro é o sujeito mais desprezível que o estado possui nesse momento. Um medíocre. Um fraco. Um idiota incompetente. Ele não dá segurança nem a si mesmo, quanto mais ao estado do Rio. O sujeito se recusa a obter a colaboração do exército, argumentando que os militares tem outras funções constitucionais. Será que ele não vê que o que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma guerra civil? Como é que a governadora e o PT permitem que esse idiota continue a ser secretário de segurança do estado?


Depois desse episódio de Bangu I eu desisti definitivamente de votar no Lula. Chico Buarque que me perdoe. Admiro Lula, sei que ele está num grande momento, tenho certeza que ele será capaz de enfrentar de maneira sensata os especuladores, as elites, George W. Bush e muitos outros vilões. Mas ele não será capaz de enfrentar o seu maior inimigo. O seu próprio partido. A prefeitura de São Paulo é um desastre. Marta Suplicy até hoje não disse a que veio. E o PT menos ainda. Eles não realizaram nada de novo, nem em termos administrativos nem em termos ideológicos. E tudo nas administrações petistas é culpa dos governos anteriores, ou do governo federal, ou do FMI ou das elites. Eles não assumem nada! A culpa da incompetência petista é sempre do outro. No caso do governo do Rio, Benedita vive colocando a culpa no governo anterior. Acontece que ELA era o governo anterior, afinal Bené era vice-governadora do Garotinho.


Outra coisa que é extremamente irritante no PT é que eles se julgam moralmente superiores. Eles se auto-proclamam mais honestos, mais éticos, mais profissionais. E não é bem assim. Ninguém é tão ético nem tão honesto quando o que está em jogo é o poder político e econômico. É claro que existem pessoas talentosas e bem intencionadas no PT. Como existem também em outros partidos. Mas ser do PT não é sinônimo de ser honesto e competente. O cineasta Silvio Tendler certa vez me disse que a esquerda quando assume o poder se torna muito mais voraz do que a direita. E esse é o meu receio com relação ao PT. Que no caso de uma vitória do Lula eles avancem com voracidade sobre a máquina estatal, transformem o país num caos e depois digam que a culpa é dos governos anteriores.

13.9.02




Portrait of Caspar Goodrich de Jonh Singer Sargent


A LACRAIA

Morremos tanto numa noite quanto
vivemos, nisso, um colossal espanto

Levantar é levar por sobre o lombo
a carga certa do futuro tombo.

Renascemos do sol, vivendo a praia
como, da folha, nutre-se a lacraia.


R. V. Alvarez




Leuchtturm de Edward Hopper



Um belo dia a morte chega. E o homem se torna eterno.


Kierkgaard


Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.



O texto acima é o começo do livro Lolita de Vladimir Nabokov. É o melhor começo de livro que eu já li. As poucas frases dizem tudo sobre o livro que se está começando a ler. Sexo, paixão, amor, obsessão. Todo o espírito do conteúdo do livro está resumido nessas frases.


Acho que a parte mais difícil ao se escrever um livro é o começo. Logo nas primeiras linhas o autor tem que convencer o leitor de que vale a pena continuar lendo aquele texto. É uma questão de vida ou morte. Se o autor não for devidamente convincente, ou melhor, envolvente, o leitor pode fechar o livro e ligar a TV, por exemplo.


Quando li Lolita pela primeira vez fiquei logo impressionado com o começo do livro. As primeiras palavras tiveram sobre mim o efeito de um ecstase. Um ecstase literário! Logo nas primeiras linhas tive certeza que estava diante de uma obra-prima.


Outro livro que tem um início perfeito é Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo. Um livro belíssimo, que eu li diversas vezes na época do ginásio. Ele era tão mágico e eu me identificava tanto com a história e o personagem principal, que o li diversas vezes, querendo absorver cada detalhe daquela narrativa envolvente.


Adoro livros. Adoro freqüentar livrarias e ver os lançamentos. Eu sempre leio a primeira página dos livros que são lançados para saber do que se trata e se o escritor é capaz de me envolver desde as primeiras linhas como o fizeram Vladimir Nabokov e José Lins do Rego.

12.9.02




Adão e Eva de Peter Paul Rubens
O Sheik da Arábia Saudita Tahnoon Bin Zayed vai realizar o próximo campeonato de lutas de ABU DHABI no Brasil!!! A semana passada emissários do Sheik estiveram no Rio e em São Paulo fazendo contatos com promotores de eventos e agências de publicidade, a fim de estruturar uma base local para a realização do campeonato em março de 2003.


O torneio foi realizado durante três anos seguidos na cidade de ABU DHABI, com grande sucesso no circuito internacional de lutas, já que é uma competição que distribui prêmios milionários. Esse ano o torneio teve que ser cancelado por causa da instabilidade política na região. Por essa razão Tahnoon Bin Zayed decidiu realizar o campeonato em outro país. O Brasil foi escolhido por causa do prestígio internacional dos seus lutadores.






As regras do torneio, criadas pelo próprio Sheik, permitem que os lutadores misturem técnicas do jiu-jitsu, luta livre, judô e luta olímpica. Com a exigência que dispensem o quimono e lutem apenas de sungão. Aos vencedores serão distribuídos US$ 500 mil petrodólares em prêmios.


Sua alteza o Príncipe Tahnoon da Real Família dos Emirados Árabes Unidos se tornou um aficcionado por lutas desde que começou a praticar jiu-jitsu com os irmãos Gracie na época em que fazia faculdade na Califórnia. Quando voltou ao seu país ele decidiu promover os torneios de ABU DHABI, com a participação de lutadores de todo o mundo. Nos três torneios realizados os brasileiros foram os grandes vencedores.



The Bather de Paul Cézanne
Definitivamente George W. Bush pode ser considerado o Adolf Hitler do século XXI. O seu discurso no aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro foi algo de assustador. Diante da tragédia e da morte de tantos americanos ele não demonstrou nenhuma emoção nem compaixão pelas vítimas. Ele parecia feliz com o evento. Certo de que a tragédia significa um álibi perfeito para seu objetivo principal. Detonar uma nova guerra mundial.

Mr. Bush tenta vender aos incautos a idéia de que Saddam Hussein é uma grande ameaça à humanidade. Bullshit! A grande ameaça que o mundo têm neste alvorecer do século vinte e um é exatamente ele. O presidente dos Estados Unidos. Um homem que chegou à presidência do seu país através de uma eleição forjada. Um sujeito que teve a sua campanha política financiada pela indústria bélica. Um político que têm atrás de si a sombra do mal.
Seria George W. Bush o anti-Cristo? Provavelmente. Uma coisa, porém, é certa. Se o malvado não for detido imediatamente, será ele quem vai destruir o império americano.

5.9.02

Time da Rua Paula Freitas


Bueno, craque da areia


Copacabana


Letícia e Nine


Paulo Nigro

(Fotos: Waldir Leite)

Com a inauguração da boate Le Girl o circuito lesbian chic da cidade ficou ainda mais animado. As garotas que gostam de namorar garotas têm mais um lugar como ponto de encontro. Além do tradicional Anjo Azul e da badalada Dama de Ferro. O fato é que as três boates formam uma espécie de triângulo das bermudas do mundinho GLS carioca. Mais L do que G e S.


Pois bem, leitores. No circuito compreendido por essas três boates, o assunto do momento é um só: as eleições para o governo do Rio de Janeiro. Tudo porque, segundo freqüentadoras assíduas do universo GLS local, a candidata Rosinha Garotinho seria do babado!


O fato é que as lesbian-chics da cidade garantem que Rosinha Garotinho teria um caso amoroso com uma famosa cantora do segundo escalão da música popular brasileira. As meninas dizem que o caso é antigo. Desde a época em que Rosinha era primeira dama em Campos. E a tal cantora está tão envolvida com Rosinha que no momento está gravando um disco só com música gospel, numa referência a religião evangélica da ex primeira dama do estado.


É claro que, com essa fofoca, todas as lésbicas do estado vão votar em Rosinha para governadora. Mesmo as lésbicas do PT e do PSDB. As meninas estão tão animadas com a possibilidade de ter uma correligionária no governo que estão fazendo campanha geral para a eleição de Rosinha. Nesse momento elas estão empenhadas em convencer todos os gays cariocas a aderirem ao movimento pró-Rosinha. Para isso criaram até um comitê que batizaram de Triângulo Rosinha. Segundo as moçonas, Antony Garotinho sabe de tudo e dá todo apoio ao babado da esposa. E que, na vida íntima, o ex governador é um homem chique e moderno que respeita a orientação sexual de cada um.





Somos donos apenas de uma coisa: o nosso pensamento

(Fotos de Waldir Leite)


LEBLON LEBLON - Uma das minhas paixões gastronômicas na cidade são os sanduíches do Garcia & Rodrigues. O pão é delicioso e fresquinho. Parece acariciar o meu apetite quando estou comendo. Sempre fico na dúvida entre escolher o sanduíche de atum e o de rosbife. Ambos são verdadeiros convites ao prazer. Foi no Garcia & Rodrigues que encontrei a jornalista Maria Tereza Marques Moreira. Enquanto eu saboreava um delicioso sanduíche de atum naquele apetitoso pão crocante, Maria Tereza me contou que tinha acabado de colocar um ponto final no seu livro Boa Noite Cinderela.


Boa Noite CInderela é um ensaio jornalístico sobre o famoso golpe que é aplicado em incautos, onde se coloca um poderoso sonífero na bebida da vítima. Depois que ela dorme o golpista rouba tudo o que pode. Maria Tereza entrevistou médicos e terapeutas a fim de traçar um perfil de vítimas e algozes. Conversou com pessoas de ambos os sexos que caíram no golpe. Pesquisou em arquivos da polícia. O resultado, segundo ela, é um estudo amplo sobre o Boa Noite Cinderela. Um golpe onde o algoz se aproveita da fragilidade causada pela carência afetiva do indivíduo, a fim de tirar proveito através do crime. O lançamento do livro será em outubro.