30.6.07




Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.

O BRASIL FRANCÊS - Foi o professor Roger Chartier, um dos maiores historiadores franceses, quem fez, ao vivo, na livraria Argumento, a apresentação do livro O Brasil Francês, da antropóloga Andréa Daher. Uma pequena multidão se instalou na livraria para ouvir o historiador que, falando um português misturado com espanhol e um carregado sotaque francês, discursou sobre as aventuras dos compatriotas no Brasil colonial. Como seria o Brasil de hoje se nós tivéssemos sido colonizados pelos franceses? Chartier, que tem livros publicados no mundo inteiro é diretor da École des Hautes Études e professor do College de France.

Em O Brasil Francês, Andrea Daher analisa as características da missão francesa no Brasil, que buscava a cristianização e a ocidentalização dos selvagens, a partir de um estudo da colônia do Maranhão. A autora compara os discursos dos capuchinhos franceses com os dos jesuítas portugueses e reflete com sutileza sobre os diferentes olhares desses colonizadores. O livro acompanha também os destinos de seis tupinambás em Paris, onde chegaram levados por padres. Perspicaz, versátil, treinada pela antropologia, pela historiografia e pela literatura, a escrita de Daher extrai relações inesperadas de resíduos de arquivos, modificando o senso comum formado sobre eles.

O livro conta histórias saborosas sobre o encontro dos franceses e os selvagens brasileiros. E também o que ficou desse contato na cultura brasileira. Por exemplo: todos os anos, no dia 25 de Agosto, São Luis, o rei de França que batizou o nome da capital maranhense, encarna-se no corpo das filhas-de-santo, em terreiros do candoblé da cidade. Em 1947 o antropólogo e fotógrafo Pierre Verger teve um encontro com o rei, seiscentos e setenta e dois anos após sua morte, quando o monarca reencarnou no corpo de uma filha de santo da Casa dos Nagôs, lugar onde se praticava o culto dos orixás nagô-iorubás. Quando São Luis, reencarnado na filha-de-santo soube que havia um francês na casa, fez questão de ser apresentado a ele.

Adoro os franceses.






A TRAJETÓRIA DE UMA BICHA MALIGNA - A editora Record está mandando para as livrarias A MALDIÇÃO DE EDGAR. O livro de Marc Dugain é ficção baseada em acontecimentos reais. O Edgar do título é John Edgar Hoover que, por quase 50 anos à frente do FBI, foi uma das pessoas mais poderosas dos Estados Unidos no século XX. Hoover projetou sua sombra sobre oito presidentes e mais de uma dezena de ministros da Justiça, erigindo-se como o defensor máximo da moral. No entanto, ele mantinha uma vida privada em completa contradição com sua imagem pública.

A MALDIÇÃO DE EDGAR foi composto pelos diálogos, resumos de gravações e fichas de informação, revelados sem reserva nas "Memórias atribuídas a Clyde Tolson", o secretário e, sobretudo, amante de Edgar. Dugain colocou em seu romance personalidades com seus verdadeiros nomes. Algumas frases são imaginárias, outras são fiéis à maneira como puderam ser relatadas em livros ou artigos.

Alçado ao mais alto cargo da investigação nacional aos 29 anos, Hoover, de 1924 a 1972, foi participante e testemunha de momentos-chave da história de seu país. Da Grande Depressão à Guerra do Vietnã (época da "caça às bruxas", em que o diretor andou de mãos dadas com o macarthismo), é indelével a presença de Hoover. Em uma fase em que os EUA tornavam-se uma superpotência inconteste, os maiores personagens de sua História curvaram-se diante dele, que se instituía como fiador da moral, mas, na intimidade, era um depravado.

Com estilo pontual e direto, Marc Dugain toma partido e apresenta um período da História americana com a segurança do pesquisador experiente. Com uma narrativa intimista, A MALDIÇÃO DE EDGAR traz à luz os métodos sofisticados e brutais empregados por Hoover em seu combate pela moralidade nos Estados Unidos.


27.6.07




O objeto mais leve do mundo é um pênis. Basta um pensamento para levantá-lo.


O TERCEIRO PECADO – Ano passado a ARTV – Associação Brasileira de Roteiristas Profissionais de Televisão e outros Veículos de Comunicação promoveu um Curso de Roteiro de Telenovelas, ministrado por Walcyr Carrasco, autor da novela Sete Pecados, e que contou com um Ciclo de Palestras ministradas por alguns dos maiores novelistas da televisão brasileira como Tiago Santiago, Lauro César Muniz, Marcílio Moraes, Sérgio Marques, Carlos Lombardi e Gloria Perez. Entre os alunos jovens novelistas como Renata Dias Gomes e Gustavo Reiz, cineastas como Denise Fontoura, jornalistas consagrados como Beth Rito do GNT e Armando Freitas, do Sportv e até o cartunista Ique, entre outros.

O curso foi muito interessante. Cada autor falava dos bastidores da criação de suas telenovelas, dava dicas e contava os segredos particulares utilizados na elaboração de suas histórias. Walcyr Carrasco deu um show como principal professor do curso, já que ele possui didática e uma original vocação para ensinar. Sua novela Alma Gêmea tinha acabado de sair de cartaz depois de bater recordes de audiência e ele estava vivendo um momento especial de prestígio e reconhecimento artístico.

Animado com o sucesso na telinha Walcyr Carrasco contou aos seus alunos que já estava escrevendo sua próxima novela que ia ter uma trama original e muito engenhosa. Um dos alunos logo perguntou do que se tratava. Qual seria a história? Carrasco, com o ar blasé e superior que lhe caracteriza, disse que não podia responder aquela pergunta por que a história era um verdadeiro achado. Os alunos ficaram curiosos para saber que história tão original era essa que o professor considerava um achado. Como ele se negou a adiantar aos seus alunos qual o enredo de sua trama, ficaram todos aguardando ansiosamente a estréia de sua novela.

Finalmente, semana passada, estreou sua nova novela, Sete Pecados. Seus alunos correram a assistir curiosos em verificar o que havia de tão original na trama da novela. O que o professor Carrasco quis dizer com achado? Well. Só se foi achado nos arquivos da novelista Ivany Ribeiro, uma das fundadoras da telenovela brasileira. Sim, pois a novela do professor Carrasco não é nada mais, nada menos, que uma releitura de O Terceiro Pecado , uma antiga telenovela de Ivany Ribeiro, exibida pela TV Excelsior no longíquo ano de 1968.

Em televisão nada se cria, tudo se copia, dizia um antigo bordão do Chacrinha. Na novela de Ivany Ribeiro o Anjo da Morte, Natália Thimberg, envia a terra um mensageiro, Gianfrancesco Guarnieri, para buscar Carolina, Regina Duarte, uma moça de bondade extrema que nunca havia cometido nenhum pecado na vida. Diante de mulher tão bela e virtuosa o mensageiro se apaixona e pede ao Anjo da Morte que poupe sua amada e mate a irmã desta, Rute, Maria Isabel de Lisandra, uma moça sem nenhuma virtude. O Anjo da Morte, comovida com o amor de seu mensageiro decide poupar a bela Carolina lhe dando a chance de cometer dois pecados. Caso a moça cometesse um terceiro pecado ela morreria. Vejam só que trama engenhosa e original.

Minha querida mãe Nadir assistiu a versão original de O Terceiro Pecado e me contou que foi um grande sucesso na sua juventude. Ela lembra que Regina Duarte já era uma estrela nessa época, quando devia ter não mais que dezoito anos. Ela estava loira e encantava o país com sua doçura e jovialidade. Segundo ela Natália Thimberg estava linda, mas, mesmo assim, assustava as telespectadoras de então, já que encarnava a morte em pessoa. Natália sempre aparecia num cenário que era um casarão vazio onde havia apenas um bonito lustre. O inusitado é que, como era um personagem sobrenatural, ela sumia e aparecia de repente. Era um efeito especial muito simples, mas que, na TV de 1968, era considerado o máximo da inovação. Quando Natália aparecia no meio dos seres vivos, os outros atores congelavam e ficavam como estátuas enquanto ela trocava diálogos assutadores com Guarnieri, apavorando as donas de casa do final dos anos 60. Também estavam no elenco Paulo Goulart, Stênio Garcia e Edgard Franco.

Em 1989 a TV Globo exibiu um remake de O Terceiro Pecado com o nome de O Sexo dos Anjos. Mas essa nova versão não foi bem sucedida. Só para se ter uma idéia no papel que foi de Natália Thimberg a Globo escalou Bia Seidl. Não podia mesmo dar certo! Regina Duarte e Guarnieri foram substituídos por Isabela Garcia e Felipe Camargo. Outro erro medonho. O único acerto do elenco foi Sylvia Buarque como a malvada Rute. Quem viu O Sexo dos Anjos a achou arrastada e sem charme, apesar de ter sido escrita pela própria Ivany. Segundo minha mãe a Globo destruiu a história original produzida pela extinta TV Excelsior.

Como a TV Globo tem os direitos sobre todas as novelas de Ivany Ribeiro a emissora pode refazê-las do jeito que bem entender. A telenovela não é um produto exclusivamente autoral. A novela é, antes de tudo, um produdo da emissora que o exibe. Sendo assim elementos de uma telenovela podem muito bem ser adaptados para uma outra sem nenhum prejuízo para o autor, diretor ou elenco. Afinal, como dizia o sábio Velho Guerreiro, em televisão nada se cria, tudo se copia.

Sete Pecados, a nova novela das sete se apropriou do conceito original da novela de Ivany e transformou o que eram três pecados em sete. O mensageiro agora são dois anjos da guarda e o anjo da morte foi transformado numa dupla misteriosa, que pertence a uma seita secreta, que busca uma estátua antiga que está guardada com a heroína. A heroina Priscila Fantin, para conquistar o galã, tem que fazê-lo cometer os sete pecados capitais. Junte a isso todos os clichês das telenovelas e o telespectador terá Sete Pecados. Como é inteligente e maquiavélico Walcyr Carrasco, para apimentar ainda mais sua história, salpicou aqui e ali pitadas de O Código da Vinci, o sensacional best-seller de Dan Brown. Afinal, a trama de uma seita secreta, que busca um segredo misterioso, cuja chave está escondida numa estátua é puro Da Vinci Code. Elementar, meu caro Walcyr.

Tudo bem. Alguns dos maiores sucessos da TV brasileira tiveram inspiração no cinema, no teatro e na literatura. Irmãos Coragem foi inspirado no faroeste O bom, o mau e o feio; Selva de Pedra no filme Um lugar ao sol; Bandeira Dois trazia para o mundo dos bicheiros da zona norte do Rio a trama de Romeu e Julieta; Mulheres de Areia teve como inspiração o filme Alguém morreu em meu lugar. Não existe mal nenhum em ter os clássicos como fonte de inspiração. Os clássicos existem para isso mesmo. Para serem refeitos, recriados e reinterpretados. E, ninguém há de negar, Ivany Ribeiro está para as telenovelas brasileiras assim como William Shakeaspeare está para o teatro. Mas, daí, afirmar aos seus alunos que a trama de sua novela é um achado é uma outra história.

Sete Pecados é uma boa novela? É ótima. É divertida, tem uma trama instigante e um elenco eficiente. O maior mérito da novela é que a história é bem contada. O espectador entende de uma forma bem clara a história que o autor quer contar. Tem uma trama principal que conduz de forma inteligente as tramas paralelas, algo que não havia nas últimas produções do horário. E tudo isso é muito bem conduzido pelo diretor Jorge Fernando que é um mestre na direção de atores e na condução de uma história.

A palavre é:

ACHADO: Ação de achar; coisa achada; invento; bom negócio.


25.6.07




O talento não basta para criar um escritor. Por trás de cada livro, deve haver um homem.


CAFÉ SOCIETY – O escritor Zeca Fonseca foi uma das presenças ilustres da animada festa de aniversário de Graça Motta, no seu apartamento no Leblon. Zeca acabou de lançar O adorador um saboroso e denso romance de ação que está dando o que falar. O livro tem uma linguagem envolvente, com uma narrativa crua carregada de emoção e erotismo. Zeca demonstrou estar muito feliz com o lançamento do seu livro. O seu semblante sereno e seu sorriso fácil traduziam a personalidade de quem estava se sentindo realizado. Falante e bem humorado ele me confessou que a literatura é a sua definitva paixão. Fotógrafo profissional ele atualmente só pensa em escrever. Hoje o teclado do computador lhe atrai mais do que o visor da câmera.

Zeca Fonseca foi meu colega dos bons tempos da PUC. Ele era o rapaz mais bonito da Universidade. Lindo. Parecia um modelo latino, um galã de fotonovelas. E nos chamava a atenção por que freqüentava as aulas com umas roupas bem surradas, sem nenhum compromisso com moda ou elegância. Mas aquela displicência no vestir fazia parte do seu charme irresistível. Outra coisa que nós adorávamos no Zeca é que ele era namorado da Rita, a garota mais bonita do curso. Ela era linda (aliás, é linda até hoje). Sempre elegante e charmosa Rita parecia a Ali Mc Graw no filme Love Story. E a galera do curso de Comunicação adorava o casal. Eles eram nossos ídolos. Formavam um casal bonito, tinham estilo próprio e pareciam feitos um para o outro. Andavam sempre juntos e tinham uma atitude de apaixonados que comovia e encantava seus colegas de curso.

Raramente eu vejo a Rita Marques. Mas toda vez que eu leio o seu crédito nos programas jornalísticos (ela trabalha no Cedoc, o centro de documentação da Globo) eu me lembro do seu sorriso, do seu charme e dos seus longos cabelos alegrando os pilotis da PUC. A última vez que a vi foi no show do Toni Platão. Nos falamos rapidamente, mas ela me deu um abraço afetuoso e falou com entusiasmo: “Adoro Toni Platão”.

As pessoas têm mania de me perguntar se o meu livro é autobiográfico, mas isso não tem nada a ver”, me disse Zeca com firmeza, enquanto bebia uma singela Coca-cola. Eu não lhe disse nada, mas ao ler o livro eu também fiquei pensando o quanto aquela poderia ser a sua história. O protagonista do romance é um homem que foi abandonado pela mulher que amava perdidamente e, a partir de então, ele se torna cruel com as outras mulheres que cruzam o seu caminho, oferecendo-lhes apenas sexo e nenhum amor. “Meu livro é totalmente ficcional. As situaçãoes e as emoções dos personagens surgiram da minha imaginação”.

A Graça me disse que vai sair uma sopa daqui a pouco”, comentou Zeca enquanto falava sobre o seu prazer de escrever. Ele me pareceu estar, realmente, realizado com a publicação do livro. Eu fiquei com a impressão de que O adorador não era apenas o lançamento de um simples produto cultural. Para ele a publicação do livro significava um renascimento. Uma volta ao planeta terra depois de ter viajado por perigosas galáxias desconhecidas. Como se ele estivesse mergulhado num pântano profundo e que agora, só agora, com a publicação do livro, tivesse voltado à tona e pudesse respirar aliviado. Isso estava estampado no seu rosto, no seu sorriso e na firmeza das suas palavras quando falava do livro. Publicar O adorador significa para ele a oportunidade de gritar para o mundo e para os céus: Eu sobrevivi. E esse grito de sobrevivência era dado com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos.

Graça Motta é muito cuidadosa com seus convidados e logo o garçom nos serviu uma deliciosa sopa de abóbora em elegantes canecas de louça. “Isso aqui tá tão quente que eu acho que vou acabar tirando o casaco”, disse o bravo Zeca tomando um grande gole do caldo fumegante. Enquanto isso ele citava um autor famoso que, ao ser questionado por um jornalista sobre o que era preciso para ser um bom escritor respondeu: é preciso sofrer, sofrer e sofrer. Eu não tenho a menor dúvida: o Zeca foi um cara que sofreu muito.

Displicente e relaxado ele me contou algumas passagens bem dramáticas de sua vida, que me deixaram bem impressionado. “Mas, por favor, não vai publicar isso no teu blog não. Olha lá!”, me disse ele preocupado. Eu já admirava o Zeca Fonseca como fotógrafo e como um ícone dos bons tempos do curso de jornalismo da PUC. Mas, depois da nossa conversa na festa da Graça, eu descobri que ele tinha se transformado num escritor de verdade. Não era alguém que havia publicado seu livro por ser bem relacionado no mercado editorial. Nada disso. O adorador é o resultado de um processo doloroso e sofrido. Foi como se ele tivesse precisado ser chicoteado e crucificado por uma multidão em fúria antes de conseguir subir aos céus e encontrar a serenidade e o equilíbrio nos braços da literatura. E sua realização como escritor estava estampada na expressão serena e feliz do seu rosto quando falava do seu livro como se fosse um filho querido que tivesse acabado de nascer.






CAFÉ SOCIETY - Com a minha câmera digital fiz fotos bem bacanas do aniversário de Graça, que nós, os mais íntimos, só chamamos de Baby Grace. Como afirmou Zeca Fonseca Graça é uma excelente anfitriã e cuidou muito bem dos seus convidados: bebidinhas, comidinhas, boa música, bom papo e o aconchego do seu apartamento na rua João Lira. Silvia Pfeifer estava lá. Linda, como sempre. Eu fiz uma ótima foto dela com Dr. Nelson, o pai da Graça, figura muito querida. Aliás, os pais da Graça, Nelson e Cecília Motta, são personalidades raras da vida carioca.

Silvia Pfeifer e Graça são amigas de longa data. Foi Graça, na época em que trabalhava como produtora de elenco, quem transformou a então modelo Silvia Pfeifer em atriz. Silvia saiu um pouco mais cedo pois teve que ir na festa da Luciana Conde. Depois chegou nosso querido amigo Alexandre Agra, com a namorada, uma jovem bonita e elegante. Alexandre é um sujeito adorável, bom caráter, gentil, educado. É um privilégio para os amigos poderem conviver com ele. Cazuza o adorava. Babita Mendonça, figurinista do cinema e da TV também estava lá, divertindo a todos com seu bom humor.. O ator boa praça Eduardo Lago, que fazia o Bira na novela Páginas da Vida, também exibiu o seu charme no aniversário de Baby Grace.

Xuxa Lopes, uma das minhas atrizes favoritas, também foi dar um beijo em Baby Grace, sua amiga desde à época do colégio. Ano passado Xuxa Lopes atuou no filme Últimas Palavras dirigido por Graça Motta e que está em fase de montagem. Aliás, toda a equipe do filme estava no aniversário da diretora.

Euclydes Marinho estava bem divertido. Nos contou do filme que terminou e que vai lançar no início do ano que vem. Falou da adaptação do romance Dom Casmurro que está escrevendo para ser filmado por Luiz Fernando Carvalho. Numa determinada hora, todo mundo conversando sobre casamentos que não dão certo, relacionamentos que não funcionam, Euclydes falou: “A vida é assim mesmo. Tem uma hora que as coisas começam a dar defeito. Marido dá defeito. Mulher dá defeito...” Ele fez uma pausa, olhou para mim e perguntou: “Bofe também não dá defeito, Waldir?” Eu respondi: “Claro Euclydes. Bofe dá tanto defeito que vive na assistência técnica”.

Champanhe, champanhe, champanhe...

19.6.07




A diferença entre o sexo pago e o sexo grátis é que o sexo pago costuma
sair mais barato.


DEIXEM A CONSTITUIÇÃO EM PAZ – Mais uma vez o Secretario Beltrame, falando em nome do governador Sergio Cabral, vem à público dizer que a participação do Exército na “segurança” do Rio esbarra na Constituição. O excelentíssimo presidente Lula também já afirmou, no começo do ano, que as Forças Armadas são impedidas pela Constituição de atuarem na segurança pública. Os ministros Tarso Genro, da Justiça, e Waldir Pires, da Defesa também já fizeram afirmações parecidas.

Puta que pariu! Caralho!!!

Será que esses merdas não percebem que o que está acontecendo no Rio é uma Guerra Civil? Não reconhecer esse óbvio os desqualificam para os cargos que ocupam. O que mais irrita nesses incompetentes é a covardia. Existe uma covardia muito grande embutida nessa desculpa esfarrapada que essas autoridades chamam de “Constituição". Ora bolas. Se o Presidente da República quer, se o Governador quer, se a População quer, se o Exército quer, por que a Constituição iria impedir? Essa história está muito mal contada. Esses pulhas estão se escondendo atrás da Constituição para justificar a negligência e ausência de atitude. Covardes. Mentirosos. Cínicos. Desde quando a Constituição de um país pode impedir as Forças Armadas de intervirem numa Guerra Civil?

Enquanto cidadãos inocentes morrem diariamente nesse salve-se-quem-puder Lula, Cabral, Beltrame, Tarso e Waldir ficam discutindo o sexo dos anjos. O fato é que, por diferentes motivos, eles não querem o Exército nas ruas.

Em primeiro lugar vem o trauma da ditadura. Lula peida diante dos militares. A maior prova disso é a afirmação dele, num depoimento, de que pensou que os militares não fossem permitir que ele assumisse a Presidência quando ganhou a primeira eleição. Ué? Por que os militares não o deixariam assumir? A eleição foi legítima. Lula não confia nas Instituições brasileiras? Só o fato dele ter tido esse pensamento depois de eleito já demonstra sua insegurança diante dos militares. Alguns dos seus principais auxiliares também foram vítimas da ditadura. A Dilma Roussef, por exemplo. A primeira ministra do governo foi presa e torturada nos anos 70. Certamente ela deve ser uma das pessoas que fica citando trechos da Constituição brasileira no ouvido do irmão de Vavá.

Waal!

Certa vez, em pleno Copacabana Palace, templo da vida carioca, Lula afirmou que, pela Constituição, o Exército só pode ser acionado para atuar nos casos de segurança pública quando houver uma ameaça a soberania nacional. Ué? Ele encheu a boca para fazer essa afirmação, como se estivesse dando uma aula a ignorante opinião pública. Ser´pa que ele sabe o que significa a expressão soberania nacional? O cretino não percebe que, já faz muito tempo, a nossa soberania está sendo ameaçada. Quando um cidadão não pode mais nem sair de casa com medo de ser baleado, sua soberania está sendo ameaçada. E se a soberania do cidadão está ameaçada, a soberania do País também está.

O poder civil tem medo que o Exército resolva o problema da Segurança Pública e que o povo se apaixone novamente pelos militares.

Waal!

Sergio Cabral Filho, o governador bossa-nova, o garoto carioca que é favor da legalização da maconha (oba!) também foi uma vítima da ditadura. Quando criança ele viu o seu pai ser preso pelos militares e sofreu junto com sua família. Hoje, consciente do poder da criminalidade, pede a ajuda do Exército. Mas ele quer o Exército subordinado à polícia. Não pode, Cabral, não pode. A polícia é quem tem que ficar subordinada ao exército. Se é para pedir a ajuda dos Militares isso tem que ser feito valorizando a presença deles. E não limitando sua autoridade.






A PALAVRA É:

Soberania: Independência; qualidade de soberano; poder supremo: autoridade de soberano ou príncipe; autoridade moral; propriedade de um Estado que não depende de nenhuma outra portência; governo próprio.






FHC NO CELEIRO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso almoçou no Celeiro no fim de semana. Acompanhado de dona Rute, do casal de filhos e da nora, FHC foi degustar as saladas incríveis e os quitutes sensacionais de um dos melhores restaurantes do Rio. Adoro o Celeiro e sua comida requintada. O restaurante estava lotado e os comensais aplaudiram entusiasmados o marido de dona Rute. Alguns, mais entusiasmados, ainda gritaram: volta, volta, volta. Meu Deus!

Diante de tal cena um pensamento me acode: como as pessoas do Leblon são estúpidas.

Como é que alguém que está infeliz com o Lula pode gritar “volta Fernando Henrique”? Ora bolas! O Lula só está no governo, fazendo uma merda atrás da outra, por causa do Fernando Henrique. O principal cabo eleitoral do sapo barbudo foi FHC. Seu governo foi tão medíocre, tão decepcionante, que a população ficou desesperada e resolveu mergulhar nessa aventura insana que foi eleger o irmão de Vavá. FHC é o principal culpado por tudo o que estamos passando agora. Se Fernando Henrique tivesse arrasado no seu (des)governo ele teria eleito seu candidato, José Serra. Pedir a volta de FHC é desejar uma continuidade do governo Lula.






FERNANDÃO O GARANHÃO – E por falar em Fernando Henrique Cardoso, a atriz Divana Brandão estava, semana passada, na animada noite de queijos e vinhos promovida pelo psicanalista Paulo Próspero para comemorar seu aniversário. Bela, sexy e voluptuosa, a divina Divana foi uma das paixões do ex-presidente na época em que ele reinava absoluto em Brasília. O casal Fernando e Divana viveu uma incendiária paixão no bucolismo da Granja do Torno. Enquanto dona Rute viajava cuidando do Comunidade Solidária, o maridão se esbaldava com a bela morena no clima seco de Brasília. O romance secreto caminhava muito bem até que, um belo dia, a colunista Danuza Leão, publicou uma pequenina e venenosa nota em sua coluna: A atriz Divana Brandão viajou para Brasília com o objetivo de encontrar um figurão da República. FHC leu a nota e, desde esse dia, nunca mais procurou a moça.

Azar o dele. Divana continua linda, charmosa e cheia de amor para dar.

Pois é. Miriam Dutra, a jornalista com quem FHC teve um filho, não foi a única que ele comeu se valendo do cargo de Presidente.






CAFÉ SOCIETY – Foi uma noite inesquecível. Havia um toque da Ipanema dos bons tempos. Uma noite linda que podia ser admirada do décimo segundo andar, através das paredes envidraçadas da sala do apartamento. Foi num clima de muito alto astral que o psicanalista Paulo Próspero reuniu um grupo de amigos para degustar queijos e vinhos na comemoração do seu aniversário. O apartamento do anfitrião é muito elegante. Tem uma vista generosa que abrange o mar, as ilhas ao fundo e parte do Arpoador. Nas paredes impecavelmente brancas obras de arte diversas e fotos raras de Alair Gomes. Na biblioteca, no lado direito da sala, entre clássicos da literatura algumas fotos de Próspero, ainda menino, ao lado do saudoso Juscelino Kubitschek.

Foi uma festa carioca com certeza. Marcio Donicci, um dos fundadores da banda de Ipanema, pai de Juliano Donicci, um dos rapazes mais belos do Posto Nove, estava lá, com sua linda esposa Beth. Uma mulher muito elegante, sofisticada, chique. A atriz Lucinha Lins, encantadora, contava que está muito feliz fazendo a novela Vidas Opostas, na TV Record. Divertida e bem humorada ela conversava com todo mundo, contava casos, falava de teatro e ria muito. Quando lhe perguntaram pelo Flávio Canto ela se encheu de orgulho. “Adoro o meu sobrinho. Acabei de falar com ele pelo telefone. Tenho tanto orgulho do Flavio”, dizia a tia coruja. (A mãe do atleta Flavio Canto é irmã da Lucinha Lins) Depois emendava: “Ele é um Apolo”!

Champanhe, champanhe, champanhe...

O novelista João Emanuel Carneiro, amigo de longa data do aniversariante, chegou de surpresa e deixou Paulo muito feliz. Junto com ele estava o artista plástico Luiz Pizarro. O gentleman Carlos Horcades contou que alguém clonou o seu perfil no orkut. A exuberante Conceição Rios, ex-namorada de João Gilberto e uma das paixões do anfitrião, divertiu a todos com suas tiradas engraçadas. Uma figura a Conceição. Tânia Bôscoli, Bayard Tonelli, Lidoka, Ana Mascarenhas Reis, Cláudio Tovar, Alexandre Agra... Estavam todos lá.

De repente, no meio da noite, chegou ela. A bela, a divina, a sensual, a gloriosa Divana Brandão...

A enigmática Liége Monteiro, toda de branco, foi com seu companheiro, Luiz Fernando, um sujeito simpático e boa gente. A atriz Renata Roriz muito elogiada por todos que assistiram seu espetáculo sobre Cora Coralina, cartaz do teatro da Laura Alvim. Luiz Antônio, o irmão do aniversariante, era o homem mais bonito da noite. Sexy, másculo, viril, estava caompanhado da mulher, Duda Clark. Tavinho Paes e sua mulher Eliane Brito formavam o casal mais divertido da noite. Tavinho sempre muito engraçado fazia piada com todo mundo. E sua mulher é uma doce figura, terna e meiga.

Champanhe, champanhe, champanhe...

Quando o relógio ia marcar meia noite Lucinha Lins decretou: “Gente vamos cantar o parabéns e cortar o bolo que preciso ir embora, pois amanhã cedo eu tenho gravação”.

Champanhe, champanhe, champanhe...


17.6.07




Existem duas tragédias na vida. A primeira é não conseguir tudo aquilo que desejamos. A segunda é conseguir tudo o que desejamos.


CIDADE NUA – O prefeito César Maia autorizou os motoristas de táxi a cobrar Bandeira 2 durante o Pan. Em nome desse Pan César Maia está cometendo uma série de atrocidades contra o Rio e seus habitantes. A última, mas não menos importante atrocidade, foi autorizar a cobrança de Bandeira 2 durante os jogos. Por que ele vai penalizar a população por causa disso? Por que os cariocas vão pagar mais caro pelos táxis durante as competições?

O prefeito do Rio tem uma relação muito estreita com os motoristas de táxi. A cidade está completamente loteada pelos taxistas, que privatizam áreas públicas transformando ruas e esquinas em pontos de táxis. Ninguém mais tem onde estacionar ou parar seu carro, pois o prefeito cedeu as vias públicas aos taxistas.

Semana passada eu peguei um táxi para ir ao Fashion Rio. O motorista, Luiz Carlos, era um sujeito simpático, ex-jogador de futebol, charmoso, com cara de galã de subúrbio. Eu logo simpatizei com o rapaz, pois, quando entrei no táxi, ele me disse que detestava taxistas. “É o pior tipo de gente que existe. Sou taxista, meu pai é taxista, meu tio é taxista, mas eu não suporto taxistas. São todos desonestos e metidos a malandros”, disse. É que quando eu fiz sinal para ele parar um outro taxista tentou passar na frente.

Começamos a conversar durante o trajeto para a Marina da Glória e eu comentei que a cidade estava cheia de pontos de táxi. Luiz Carlos me deu uma versão inusitada sobre os privilégios dos taxistas na cidade. “O César Maia é dono de uma frota de mais de cem táxis. Estão todos em nome de laranjas, mas o verdadeiro dono é ele”. Fiquei boquiaberto com a revelação. O bonitão da Penha não se cansava de detonar o prefeito do Rio. Ele me disse que tinha comprado seu táxi com o maior sacrifício enquanto estava em vigor uma lei que obrigava o motorista a ser o próprio dono do carro. O sindicato queria evitar o caso de taxistas que são explorados e obrigados a pagar diária a empresários donos de frotas táxis. Pois bem. Segundo André Luiz o prefeito do Rio derrubou essa lei em troca de vários táxis que lhes foram doados por empresários interessados em dominar o setor com suas frotas. É mole, ou quer mais?

Um dos assuntos favoritos nas rodas de conversa dos cariocas são os casos de corrupção envolvendo o nefasto César. Em cada esquina da cidade alguém conta uma história sórdida envolvendo o prefeito. Semanas atrás, na praia de Ipanema, um bem sucedido empresário carioca, que havia sido meu colega no curso de jornalismo da PUC, comentou que estava chocado com as tramóias do César Maia nas obras que envolvem o Pan. O rapaz, que é muito bem relacionado nos meios empresariais e no mundo das finanças, comentou que ele tinha deixado para fazer todas as obras de última hora, pois assim fica mais fácil organizar o desvio de verbas e o superfaturamento das empreiteiras aliadas.

Num requintado jantar na casa de um arquiteto no Jardim Botânico um jovem empresário disse que tentou abrir um quiosque na Lagoa e, como tinha acesso, procurou Rodrigo Maia, o filho do prefeito, e perguntou se ele poderia conseguir uma autorização para a abertura do tal quiosque. O nobre Deputado Federal disse que conseguiria sim, a autorização, desde que lhe fosse paga a módica quantia de quarenta mil reais.

Dentro de três semanas vai começar o Pan. E só agora obras importantes começaram a serem feitas na zona sul. Os postos de salvamento estão sendo reformados a toque de caixa. O mesmo acontecendo com a pista da avenida Atlântica que está sendo recapeada. Por que esses serviços não foram realizados no ano passado, por exemplo? Por que só agora, em cima da hora, é que estão sendo feitos?

César Maia merece ser fuzilado.





MUITO BARULHO POR NADA – Em seus primeiros seis meses de governo o Sergio Cabral Filho ainda não disse a que veio. Ele é muito expansivo, simpático, banca o bem intencionado, mas, até agora, não melhorou em nada a história do Rio. Ele se preocupa muito em fazer política. Faz questão de ter uma boa relação com o prefeito do Rio, mas, o que significa essa boa relação? Fazer vista grossa a roubalheira do prefeito? Compactuar com a desordem social capitaneada pela prefeitura? Ele seria melhor governador se fosse mais crítico com o que está acontecendo na cidade.

Outra coisa: ele não se mostra seguro na administração das questões relativas a Segurança Pública. Há quarenta dias que a polícia leva uma surra de traficantes que não permitem a entrada dos homens da lei na Favela do Alemão. Quarenta dias? É a desmoralização total. Isso é uma afronta a sociedade.

Desde que foi eleito que Cabral pleitea a presença das Forças Armadas para ter tentar controlar a nossa guerra civil. Mas, ao mesmo tempo, ele não consegue fazer com que essa pretensão evolua para um fato concreto. O governador se vangloria de sua boa relação com o presidente Lula, mas essa “relação maravilhosa” entre os dois não resultou em nenhuma vantagem para o Rio, pelo menos no que diz respeito a segurança.

Outra coisa: Sergio Cabral quer os militares “ajudando” na segurança pública. Ora bolas. Já que ele está convocando as Forças Armadas, ele tem que entregar a adminsitração da segurança pública para os militares. Ele não pode querer que os militares fiquem subordinados a polícia. Isso não tem cabimento. A polícia é que tem que ficar subordinada aos militares. Parece que esse é o X da questão. O pai do Sergio Cabral foi preso político na época da ditadura. E os políticos brasileiros que sofreram traumas durante a ditadura têm dificuldades em lidar com as Forças Armadas.

Enquanto isso o Rio de Janeiro sofre com uma guerra civil...


13.6.07



Uma frase inteligente não prova nada.
IPANEMA EM LÁGRIMAS – Poderia ser a trama de uma novela do Gilberto Braga, mas essa é uma história real. Um advogado de Ipanema, cinquentão, boa pinta, estava no sossego do seu lar quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, ligando do interior de Minas Gerais, um rapaz que o advogado nunca tinha ouvido falar, se apresentou e disse que era seu filho. Com a voz firme e pausada contou a história de sua vida, falou sobre sua mãe e sobre o romance que ela teve no passado com um jovem estudante que morou um certo tempo em sua cidade.

O advogado ficou impressionado com aquela situação inusitada e convidou o rapaz para vir ao Rio, pois queria conhecê-lo pessoalmente. Hospedou-o num excelente hotel em Ipanema e o levou para jantar no Satyricom onde tiveram um primeiro contato carregado de emoção. Em nenhum momento o pai duvidou da história do rapaz que, desde o primeiro instante, lhe pareceu uma pessoa correta. Não teve grandes dúvidas sobre a veracidade da história. Realmente, na juventude, havia morado naquela cidadezinha do interior de Minas. Além disso, apesar de ser um sujeito de muitos amores, nunca havia esquecido nenhuma de suas namoradas. E lembrava muito bem da jovem que havia namorado naquela cidade, antes de se mudar para a Capital a fim de estudar Direito.

O rapaz contou que quando a mãe descobriu que estava grávida seu ex-namorado já tinha mudado da cidade. Ao contar aos pais o que estava acontecendo a família resolveu assumir a criança e o menino foi criado pelo avô e pela avó, que nunca esconderam a verdade do garoto. Quando adolescente ele quis procurar o pai, mas o avô o desencorajou. Dizia que ali nada lhe faltava e tinha receio de que o garoto se decepcionasse ou fosse mal recebido. O menino então decidiu acatar o desejo do avô, mas cresceu com o sonho secreto de um dia encontrar seu verdadeiro pai. Quando o avô morreu, meses atrás, ele decidiu correr o risco e procurar seu verdadeiro pai. Através do nome completo que a mãe lhe tinha dito quando ainda era criança, procurou a OAB até chegar ao advogado de Ipanema.

Esta semana saiu o resultado positivo do exame de DNA que ambos, de comum acordo, mandaram fazer. Agora os dois estão felicíssimos. O mais bacana nessa história é que o pai acreditou na história do filho antes mesmo de fazer o exame. E essa é uma excelente maneira de dar início a uma amizade. Agora o advogado, que até semanas atrás não tinha filho algum, tem um primogênito de vinte e oito anos que curte, respeita e admira. E até o fim do ano será pai de um segundo, já que sua mulher está grávida e vai dar a luz no segundo semestre.

A vida é bela.






LE ROMAN DE RIO – Está sendo lançado na França, com noite de autógrafos na Embaixada Brasileira em Paris no dia 16, o livro Le Roman de Rio, do repórter da revista L´Express Axel Gylden. Em 2005 durante as comemorações do Ano do Brasil na França o jornalista veio ao Rio fazer uma pesquisa sobre o seu livro. Circulou pela zona sul, pelo subúrbio, foi a Petrópolis, Terezópolis, Búzios e Parati, entrevistou antropólogos e hsitoriadores, curtiu nossa música e nossas praias, degustou a nossa culinária e procurou viver um pouco do cotidiano do carioca. E, a partir desse trabalho criou um roamance ambientado na cidade.






FOTOS TROPICAIS – Clique no link ao lado e veja um punhado de fotos. Memórias fotográficas deste blog que vos fala.




O LIVRO É O MELHOR AMIGO DO HOMEM - O escritor e cineasta Clive Barker está com um novo livro na praça: Galilee. É um romance sobre uma importante e tradicional família americana envolvida numa seqüência de tragédias. Qualquer semelhança com a família Kennedy é apenas coincidência. A literatura de Mr Barker é original. Ele possui um estilo muito interessante de contar suas histórias. Seus personagens estão sempre dizendo ao leitor que a vida real é algo sem importância. Que existe uma vida muito mais interessante num mundo paralelo ao qual nós, simples mortais, não temos acesso.

De Clive Barker li O desfiladeiro do medo, um perturbador romance sobre Hollywood. Ou melhor, sobre os fantasmas que habitam a indústria do cinema americano. Narra a história de um grande astro de Hollywood que, depois de fazer uma operação plástica mal sucedida, se vê obrigado a se esconder do público e da imprensa. Ele vai para uma mansão num vale isolado de tudo e de todos. Nesse lugar misterioso, o desfiladeiro do medo, existe uma passagem secreta onde, quem atravessa, encontra os fantasmas de alguns dos mais famosos astros de Hollywood. É divertido e excitante, já que o autor mistura personagens fictícios com estrelas da vida real como Quentin Tarantino e Madonna. Mas eu não agüentei ler o livro até o final, pois me envolvi muito com a história e comecei a ficar com medo dos fantamas de Tyrone Power, Heddy Lamar e Glória Swanson.

De Clive Barker também li o romance Sacramento, uma instigante trama de terror, ambientada no final dos anos 80, no auge da paranóia provocada pela aids. Conta a história de Will Rabjohns, um menino que muda para uma pequena cidade do interior da Inglaterra depois que o seu irmão mais velho morre atropelado. Solitário e carente, ele costuma fazer passeios pelas paisagens desertas da região. Um dia encontra um homem estranho, que mora numa espécie de castelo abandonado. Esse homem, que tem ligações com o sobrenatural, transforma o garoto numa espécie de discípulo, para que no futuro, quando adulto, casado e com filhos, Will possa ajudá-lo a dominar o mundo. Estar casado e com filhos é fundamental para que Will ajude na realização do projeto megalomaníaco do vilão. O que o ser misterioso não contava é que, quando crescesse, Will seria homossexual, e sua orientação sexual viria atrapalhar seus planos diabólicos.

O livro tem todos os clichês dos romances de terror e suspense. Uma criança solitária, a mudança para uma cidadezinha, uma casa abandonada, seres estranhos e acertos de contas com o passado. O diferencial nessa história de elementos clássicos é que o personagem principal, Will Rabjohns, é homossexual e essa característica de sua personalidade provoca uma reviravolta inesperada nos rumos da história.

Quando adulto Will Rabjohns transforma-se num famoso fotógrafo da vida selvagem, especializado em fotografar animais em extinção. Um dia ele é atacado por um urso polar, fica um bom tempo em estado de coma e quando acorda encontra a população gay de São Francisco sendo dizimada por uma doença que ele não cita no livro, mas todos nós sabemos qual é. “Seriam os homossexuais animais em extinção?” Pergunta um personagem a certa altura. Will então responde: “Que nada. Nesse momento dezenas de bebês veados estão nascendo em todo o mundo”. O vilão da história, uma espécie de vampiro que o autor chama de nilótico, tem uma verdadeira obsessão pelo seu discípulo e se sente ameaçado pela sua homossexualidade. Num certo momento, durante um violento duelo entre os dois, quando está perdendo a luta, Will dá um beijo na boca do seu adversário, então ele entra em pânico e foge angustiado resmungando: “a bicha me beijou...”

É tocante a forma como o autor situa a orientação sexual de Will Rabjohns em todo o romance. Sacramento é uma inteligente metáfora sobre a condição homossexual nos últimos anos do século 20, inserida numa apaixonante aventura de terror e suspense. No final do romance, depois de uma batalha cruel com seres sobrenaturais Will tem a alma separada do corpo por alguns momentos. Então sua alma começa a vagar por Castro Street, a famosa rua gay de São Francisco, lotada com toda a variedade de tipos homossexuais, até encontrar a casa de um antigo amante que, cercado de amigos, está morrendo naquele momento. E só esse amante consegue ver a sua alma, antes do suspiro final. É lírico e comovente.


11.6.07




Saravá para quem é de saravá!


DECADENCE AVEC ELEGANCE - A imagem mais marcante do último Fashion-Rio foi a entrada triunfal do top model Felipe Hulse personificando a figura de Exu, na passarela do desfile da Complexo B. O estilista Beto Neves foi bem atrevido e transformou sua passarela num terreiro de macumba. Enquanto os modelos da agência 40 Graus desfilavam, a cantora Rita Ribeiro acompanhada de um percussionista e de uma base dance pré-gravada entoava cânticos da umbanda e do candoblé. Exótico, bonito, elegante... E com um espírito brasileiro.

Na passarela a coleção de verão era exibida com referências aos santos das religiões de origem afro. Nas roupas e adereços a presença de Oxalá, Xangô, Iemanjá, Oxossi e Oxum. A espada de Ogum, o São Jorge do candoblé, marcou presença nas estampas, assim como desenhos de Iemanjá nas camisas imaculadamente brancas. A cabocla Jurema também foi lembrada nas t-shirts vermelhas usadas com calça comprida verde.

A coleção foi batizada de O reino de Oxalá - A marca dos orixás na cultura brasileira. Beto Neves esclarece que seu compromisso é menos com a religião e mais com o esforço de construir uma moda que se abra também e, sobretudo, para a cultura popular de raiz, da qual faz parte o sincretismo religioso. A nova coleção traz formas para quem pode e deseja estar com calças "skiny". Camisas com tecidos elásticos. Há camisetas over, com três ou quatro tamanhos acima, calças de judô ou de capoeira para momentos de lazer e calças de prega com cintura um pouco mais alta, além de coletes que funcionam como coringa ou couraça.

As estampas fazem, óbvio, referencia à iconografia dos orixás, caboclos e pretos-velhos. A cor predominante é a branca, tradicionalmente associada a Oxalá, orixá maior que é identificado com Jesus Cristo no sincretismo religioso, mas há pinceladas das outras cores associadas aos demais orixás e aos elementos da natureza que eles representam: vermelho (guerra), azul (mares), amarelo (ouro e riquezas) e verde (matas).


8.6.07




O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar.


DECADENCE AVEC ELEGANCE - Pela quarta vez vi Gisele Bundchen na passarela da semana de moda carioca. Ela é um acontecimento. Linda, glamurosa. E é divertido ver a excitação do povo da moda com a presença dela no pedaço. Todos querem ver a Gisele como que querendo decifrar o enigma que existe por trás do seu sucesso e beleza. Qual será o segredo de Gisele? Jorge Ben Jor, que estava na primeira fila, talvez consiga decifrar.

"Eu não vejo a menor graça nas roupas da Colcci", bradou a elegante Tânia Caldas diante do empurra-empurra na enorme fila para entrar no desfile. Acho que ela tem razão, pelo menos no que diz respeito a coleção desse ano. As roupas eram até funcionais, mas acho que faltou um "styling" de responsa.

Roupas bacanas mesmo quem mostrou foi uma grife chamada DTA. Nunca tinha ouvido falar nessa marca. Entrei na tenda onde rolava o desfile por puro acaso e fiquei muito bem impressionado com o que vi. As roupas tinham o mesmo perfil das roupas da Colcci, só que eram mil vezes mais criativas e elegantes. Havia um conceito de moda muito consistente embutido na coleção.

Ninguém, na moda carioca, define com mais precisão o conceito de "elegância" do que a estilista Lenny Niemeyer. Mesmo trabalhando com um universo muito restrito, a moda-praia, é ela quem determina a moda mais elegante do Fashion Rio. Seus maiôs e biquines são exibidos com o requinte de quem está apresentando um desfile da alta costura parisiense. Ela nunca erra. As modelos, a maquiagem, a postura, o styling... Está tudo no lugar certo.






DECADENCE AVEC ELEGANCE - Cores suaves foram a marca da coleção primavera-verão nos 25 anos da Sandpiper. Foi a coleção mais cool já criada por Napoleão Fonyat. "O nosso verão 2008 será bem suave, sóbrio e maduro. Um verão para refletir sobre a existência, a vida e a natureza", disse o estilista depois do desfile, baforando um autêntico charuto cubano. Napoleão é uma personalidade da moda carioca e sua moda reflete o que ele é e o que ele vive: o surfe, o estilo de vida à beira-mar, a ponte aérea Arpoador-Bali-Havaí-California, a paixão pela natureza, o hedonismo, a solidareidade e o amor ao próximo.


Quase como um amuleto Paulo Zulu está sempre presente na passarela da Sandpiper. Hoje em dia Zulu só desfila para o amigo Napoleão já que anda afastado do mundo da moda, vivendo numa praia paradisíaca em Santa Catarina com a mulher e os dois filhos. A cada entrada na passarela Zulu provacava gritos e assobios da multidão que lotou a tenda do desfile. "O público não me esquece", dizia Zulu visivelmente emocionado com o carinho da galera. E quem poderia esquecer alguém tão doce e belo? Mesmo sendo um ícone fashion Paulo Zulu nunca se conrrompeu. Mesmo trabalhando num mundo que cultiva a vaidade, o ego, a competição e o dinheiro ele conseguiu se manter puro.

O sorriso cativante de Dado Dolabella também se fez presente na passarela da Sandpiper. O ator mostrou que sabe interpretar o papel de modelo.

Na primeira fila do desfile um encontro de gênios das artes marciais: Rickson Gracie e Flavio Canto. Rickson a lenda do jiu-jitsu e Flavio o herói do judô. Emotivos, os atletas não conseguiram disfarçar a emoção quando posaram para fotos em frente a passarela, sob os aplausos do público. Flavio Canto, que também pratica jiu-jitsu, disse que Rickson sempre foi um exemplo para ele. Semana que vem Flavio embarca para a França, uma potência mundial no judô, onde vai ficar concentrado, treinando para o PAN.

Rickson Gracie está sempre atento ao mundo da moda. O atleta que divide o seu tempo entre o Rio e Los Angeles, onde tem uma conceituada academia, sempre que pode vai assistir aos desfiles do Fashion Rio. "Eu gosto de moda. Acho uma importante forma de expressão cultural e artistica" disse. Ícone fashion ele já posou para fotos do celebrado fotografo Bruce Weber. Aproveitando sua estada na semana carioca de moda a jornalista Adriana Bechara o entrevistou para a Vogue.


4.6.07




Tudo que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível.


DECADENCE AVEC ELEGANCE - Deu tudo certo no desfile da REDLEY no Forte Copacabana. A manhã de sol e o incrível visual do lugar foram perfeitos para o desfile. Fashionistas de vários matizes ficaram encantados com a bela vista para a praia do Arpoador, já que a passarela foi montada bem perto da praia. Iesa Rodrigues não se cansava de elogiar o acerto na escolha do lugar para fazer o desfile. Júnior de Paula, Augusto Bezerril e Elle Alves concordavam com ela.

O conjunto de calça e camisa usados por João Veluttini foi o mais cobiçado pelo público masculino. A roupa, fina e elegante, era em várias tonalidades de azul, fazendo um bonito degradê. As bermudas cáquis com estampas inspiradas em cartas de baralho também fizeram sucesso. As meninas usavam vestidinhos brancos de linho que exalavam um ar primaveril. Nota dez.

O assunto mais comentado nos bastidores do desfile foi a festa que Napoleão Fonyat fez em seu apartamento em Ipanema, tendo como homenageada a Erika Palomino, que lançava uma nova edição da sua revista KEY. O boss estilista da Sandpiper arrasou como anfitrião e mestre de cerimônias. O desfile da Sandpiper é na próxima quinta, tendo, como sempre, os belos Paulo Zulu e André Rezende como maiores atrações.

Vitor Dzenk era um dos mais animados na platéia do desfile da REDLEY. "Que lugar lindo! Nunca tinha vindo aqui. O Rio está sempre me surpeendendo", me disse o estilista mineiro. Acompanhado de um amigo francês, Dzenk convidava a todos para o seu desfile no Fashion Rio na terça. "Minha coleção primavera-verão terá como tema o Rio de Janeiro e seus ícones", avisava ele excitadíssimo com o início da maratona de modas.

O traficante Marcelo PQD também foi assunto nas rodas de conversas dos fashionistas gays. "Vocês viram o corpitcho do bofe?", perguntava uma bichinha assanhada a um grupo de amigos. "Com aquele corpo fantástico ele poderia faturar horrores na Termas 117. Que sabe poderia até ser descoberto pelo Calvin Klein que não sai de lá". Venenosa!

3.6.07




A maior covardia do ser humano é despertar o sentimento de outro sem ter a intenção de amá-lo.

TERRITÓRIO LIVRE - O site do jornalista Geneton Moraes Neto é um dos meus favoritos. É que Geneton é meu ídolo desde os tempos de adolescente, na época em que ele era colunista do jornal Diário de Pernambuco. Antes de fazer faculdade de jornalismo eu já era fã do Geneton. Com o tempo aprendi a admirá-lo mais ainda já que ele só fez evoluir como jornalista e repórter. Clique AQUI e veja (e leia) o trabalho de quem sabe fazer jornalismo.






UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRAS - Uma magnífica galeria de arte. Assim eu defino o blog Brokebackbeja, especializado em fotos em preto e branco. É um arquivo com algumas das fotos mais bonitas do mundo. Arte, beleza e sensualidade feito com um trabalho de luz e sombras. Clique AQUI e ofereça aos seus olhos a suavidade de um colírio.


1.6.07




Nunca lamente uma ilusão perdida, pois não haveria fruto se a flor não caísse.

CORA CORALINA - "Detesto gente que não sabe escrever e publica livro". Essa é uma das falas da peça Cora Coralina - Coração Encarnado, considerado por Barbara Heliodora um dos melhores espetáculos de 2006. A peça está em cartaz novamente na Casa de Cultura Laura Alvim, depois de vijar por várias cidades brasileiras. É um espetáculo comovente. Os poemas e as histórias de Dona Cora receberam um tratamento teatral adequado. O diretor Orã Figueredo foi muito feliz nas suas idéias. E as atrizes que formam o elenco encantam a platéia: Rita Elmor, musa de Marcus Alvisi; Renata Roriz, musa de Carlos Orcades; e Rafaela Amado, filha de Camila Amado.

De todas as histórias narradas na peça uma me comoveu particularmente. Cora Coralina casou com um homem vinte e dois anos mais velho e ele, apesar de ser formado e ter instrução, a proibia de publicar seus poemas. Até permitia que ela escrevesse. Mas publicar jamais. Então ela escrevia e mostrava para ele. O marido lia, a olhava com desdém e dizia que ela não sabia escrever portugues.

O machismo é uma das maiores pragas do Brasil!





RENAN O GARANHÃO - O presidente do Senado Renan Calheiros imita o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e também tem um filho com uma jornalista. Taí uma boa pauta para a grande imprensa: As relações promíscuas entre jornalistas e os donos do poder. Não é apenas acaso o fato das amantes desses dois figurões da Répública serem jornalistas. Muitas mulheres tiram diploma de jornalista apenas para ter um alibi e poderem se aproximar de homens importantes e poderosos. O resto é aquele velho golpe da barriga. Além do mais, a prostituição tem diversas faces. E o jornalismo parece ser uma delas.