30.8.08




Só são verdadeiramente grandes aqueles que são verdadeiramente bons.



ISABELLE ADJANI DE IPANEMA – “O que é que você achou?”, me perguntou Adriana Birolli, com seu vozeirão incrível, quando fui cumprimentá-la, depois da estréia do espetáculo Manual Prático da Mulher Desesperada, no Teatro Cândido Mendes. Pensei em dizer: “Desde Renata Sorrah que eu não vejo alguém atuar com tanta personalidade nos palcos cariocas”. Mas eu estava tão emocionado com a sua atuação, com a sua segurança, com seu brilho de estrela que, tímido, disse apenas; “adorei o teu espetáculo. Você está ótima”.

Adriana é do palco. O modo como ela entra em cena deixa isso bem claro. Ali é o seu reino, lugar onde ela faz e acontece. Segura, ela domina o texto de Dorothy Parker com sua voz potente e colocada. Há quem diga que tudo o que uma atriz precisa é de uma boa voz. "Teatro é voz", costuma dizer Bibi Ferreira. Pois bem. Adriana tem a voz que toda atriz sonha. Mas, no caso dela, isso não é tudo. Ela tem um rosto expressivo. Uma beleza enigmática, mágica, que fez com que seus conterrâneos do Paraná lhe desse o apelido de “a Isabelle Adjani de Curitiba”. Não satisfeita em ter talento, voz e beleza, Adriana Birolli tem um corpo. E que corpo! O palco só falta pegar fogo quando ela aparece de lingerie, vociferando uma das mais venenosas tiradas de Dorothy Parker: "Só exijo três coisas de um homem : que ele seja bonito, insensível e burro".

A Adjani curitibana é uma mulher decidida, que sabe o que quer. Daí a ousadia de produzir um espetáculo como Manual Prático de Uma Mulher Desesperada, a radiografia de uma mulher sem um programa para o sábado à noite. Depois de cinco peças de sucesso na sua terra natal, ela decidiu que já estava na hora de conquistar o Brasil. E o Brasil se conquista através do Rio. Sua fama já havia atravessado fronteiras, tanto que, mal chegou a Ipanema foi logo contratada pela Rede Globo. Dividindo com ela essa aventura no universo de Dorothy Parker dois feras do teatro curitibano: o ator Cadu Scheffer e o diretor Ruiz Bellenda. O trio se completa no delírio criativo, realizando um espetáculo divertido e cativante.

Enquanto encena seu espetáculo no Rio a Adjani de Curitiba se ambienta na cidade. Vai à praia no Posto Nove. Compra revistas estrangeiras na Letras & Expressões. Caminha no calçadão. E vai assistir a todos os espetáculos em cartaz. Adorou Brincando em cima daquilo, com a Débora Bloch e A mulher que escreveu a Bíblia, com Inês Viana. Amigos contam que ela não permite que ninguém entre de sapato no seu apartamento na Barão da Torre. Como nas residências japonesas, o visitante é obrigado a deixar os sapatos na porta. “É que as calçadas de Ipanema são muito sujas”, justifica a estrela, acostumada com a vida civilizada na sua Curitiba.


Frustração

Se eu tivesse uma arma neste momento
Teria um mundo de divertimento
espalhando balas nos cérebros, sem pudor,
dos caras que me causaram dor.

Ou tivesse eu algum gás venenoso
teria um passatempo gostoso
acabando com um número indigesto
de pessoas que detesto

Mas não tenho nenhuma arma mortal
Assim, a Fatalidade não me dá prazer tal.
Então eles ainda estão lépidos e fagueiros
aqueles que mereceriam o inferno por inteiro.


(Poema de Dorothy Parker)



26.8.08




Na juventude aprendemos, na velhice compreendemos.


UMA LÁGRIMA PARA LEOPOLDO SERRAN – A morte do roteirista Leopoldo Serran deixou de luto o cinema brasileiro. Ele era um mito e um símbolo para todos que escrevem roteiros no Brasil, seja para o cinema, seja para a TV. O também roteirista Doc Comparato, grande amigo do Leopoldo, está arrasado. “Minhas filhas o chamavam de tio Leo”, disse Doc com a voz chorosa. Duas semanas antes ele havia falado com Leopoldo por telefone. Combinaram um almoço que acabou não rolando. Quando soube que o amigo havia sido internado Doc, que é médico, correu para o Hospital de Ipanema, mas não teve coragem de entrar na enfermaria. Do corredor do Hospital ligou para o celular do amigo e, ao ouvir sua voz na gravação, começou a chorar. Uma cena de cinema.

Leopoldo escreveu o roteiro de alguns dos mais importantes filmes brasileiros: Dona Flor e seus dois maridos, A estrela sobre, Copacabana me engana, Máscara da traição, Marília e Marina, Se segura malandro, Tudo bem, República dos Assassinos, Amor Bandido, Eu te amo, Gabriela cravo e canela, Faca de dois gumes, O quatrilho, O que é isso companheiro?, O dia da caça, só para citar alguns. Formou criativa parceira artística com o cineasta Antônio Calmon. Tiveram a chancela da dupla comédias como Gente fina é outra coisa, Revólver de Brinquedo, O bom marido e Nos embalos de Ipanema, além do policial Eu matei Lúcio Flávio.

Curiosamente, um dos seus mais populares roteiros nunca foi filmado: Shirley, a história de um travesti. O roteiro foi publicado em livro em 1979, pela editora Codecri, e virou um best seller. Contava a história de um travesti, desses que fazem programa na Lapa, e acabava se envolvendo com um figurão da alta sociedade. Escrita no final dos anos 70 a história de Serran já antecipava a comédia que foi a aventura do jogador Ronaldo com um traveco no verão passado. Isso só mostra a atualidade do roteiro. Bem que algum cineasta brasileiro podia filmar o roteiro de Shirley com Wagner Moura no papel principal. Seria um sucesso de bilheteria.

Nas livrarias ainda é possível encontrar Arara Carioca, último trabalho do escritor, romance publicado pela editora A Girafa. Em Arara Carioca, o personagem central, Marco, um típico “intelectual ipanemense”, deixa-se levar pelas recordações enquanto se balança em uma rede fazendo tempo para um encontro. As lembranças são diversas e principalmente referentes ao ano 1970. Marco relembra seu envolvimento amoroso com uma mulher marcante, Laura, seus amigos, sua vida de solitário, suas ocupações como jornalista e tradutor, o apoio financeiro e a amizade de um tio rico, Cézar, extravagante e cínico, do qual herda algum dinheiro, que lhe facilita a vida e proporciona viagens, e principalmente o cinismo, o “olhar distanciado” sobre tudo. A estrutura do livro é simples, tudo cabe dentro dessa hora passada na rede, em tranqüilidade, finda a qual, olhando para o relógio, Marco resolve levantar-se e ir ao encontro, banal, com uma adolescente de 16 anos. Mas essa estrutura funciona. Parece que esse “balanço de rede” marca o tom, não-dramático, distanciado, que vai colocar o leitor no período recordado e vivenciado por Marco, ou seja, o período mais repressivo da ditadura militar.

Leopoldo Augusto Bhering Serran era um sujeito discreto, amava a família e sabia ser amigo dos amigos. Tinha alma de artista e acreditava no cinema como forma de arte. Carrancudo, não tinha paciência com a mediocridade. Corajoso, costumava dizer que o melhor filme era o de faroeste. Certamente ele será uma das estrelas do obituário anual da festa de entrega do Oscar no próximo ano. Afinal, dois filmes escritos por ele foram indicados ao prêmio máximo do cinema: O quatrilho e O que é isso companheiro?

Descanse em paz, Leopoldo. Descanse em paz...

Leia AQUI o obituário do escritor publicado no New York Times e AQUI uma entrevista com o roteirista.

22.8.08




Se dois lábios não podem se beijar, dois olhos se beijam numa troca de olhar.

14.8.08




Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição.

12.8.08




Ah, a solidão! Às vezes um suplicio, às vezes um alívio!


VELUDO AZUL – Uma imensa fila começava nos fundos da Livraria da Travessa, atravessava toda a loja e ia até os corredores do Shopping Leblon. “Você viu o tamanho da fila? Eu pensei que não ia ter ninguém por aqui”, me disse a atriz Bel Kutner, uma das primeiras a chegar à noite de autógrafos do cineasta David Lynch que está lançando no Brasil seu livro Em Águas Profundas. Acompanhada de duas amigas, Bel era uma das primeiras da fila. “Saí cedo de casa, tomei um lanche e vim direto pegar um autógrafo desse cineasta maravilhoso”, disse Bel, com seu cabelo curtinho, com um exemplar do livro nas mãos.

O cineasta chegou atrasado, mas foi recebido com aplausos e assovios pela multidão que lotava a livraria. Seguranças foram mobilizados para organizar a fila e acalmar os fãs mais exaltados que queriam chegar perto do cineasta de qualquer modo. Para dar conta de distribuir autógrafos para tanta gente, Lynch procurou ser bem rápido e ágil, escrevendo seu nome em tudo o que colocavam à sua frente. Muita gente trazia exemplares do livro, mas muitos preferiram trazer exemplares dos DVD´s dos seus filmes para serem autografados. Houve quem pedisse para o homem autografar camisetas e uma fã mais ardorosa pediu que o cineasta autografasse em sua própria pele e ofereceu o braço ao diretor que achou tudo perfeitamente normal. Todo o evento acontecia com a trilha sonora de Blue Velvet e Mulholland Drive ao fundo.

Quem achava que David Lynch tinha ficado fora de moda teve uma surpresa. O cineasta tem seguidores, fãs, gente que cultua seus filmes como obras de arte a serem decifradas. “Já assisti Cidade dos Sonhos várias vezes e cada vez descubro coisas novas”, dizia a comerciante Márcia Barbosa aguardando ansiosamente sua vez de autografar seu DVD. “Blue Velvet é um dos cinco melhores filmes da história do cinema”, afirmava convicto o arquiteto Anderson Marinho que levou um cartaz do filme para ser autografado.

No livro, uma mistura de autobiografia, história do cinema, ensaio espiritual e manual de meditação, o diretor conta como a prática da Meditação Transcendental mudou a sua vida, além de revelar como ela o ajuda a concentrar energias, estimulando sua criatividade e consciência. Um relato de experiências entremeado de histórias jamais reveladas sobre a produção de suas obras-primas cinematográficas. Uma leitura imperdível, não só para fãs do cinema de David Lynch, mas também para todos que desejam melhorar a sua própria condição mental, através do desenvolvimento da criatividade e da capacidade de concentração.



ECONOMIA E CAPITALISMO - Direto de Tailândia, uma cidadezinha perdida na floresta amazônica, o blog do economista João Melo. Uma visão da economia do ponto de vista de quem vive no paraiso da retirada ilegal de madeira da floresta.


9.8.08

GIGOLÔS DA DITADURA ATACAM NOVAMENTE – Alguma coisa está fora da ordem. Estudantes da UNE se reuniram na porta do Clube Militar para protestar contra os militares. Em que mundo esses estudantes pensam que estão? Coisas muito mais graves estão acontecendo no Brasil de hoje e o pessoal da UNE debruçado sobre os anos 70. Eles acham que têm consciência política e não passam de um bando de alienados perdidos no tempo.

O que motivou o protesto dos alienados da UNE foi a campanha arquitetada pelo Ministro da Justiça Tarso Genro e seu cupincha Ministro de Direitos Humanos Paulo Vannucchi de que haja punição para os militares que praticaram tortura na época da ditadura. Tarso e Vannucchi foram militantes de esquerda na época da ditadura, queriam tomar o poder à força e, agora que estão no Governo, querem praticar o revanchismo contra o governo militar.

Sim, houve excessos por parte de setores do governo militar. Mas houve muito mais excessos por parte dos terroristas e militantes de esquerda que assaltavam bancos, matavam inocentes e pregavam o terror como forma de adquirir poder. As famílias brasileiras viviam aterrorizadas com isso. Os terroristas e militantes de “esquerda” argumentavam para seus atos que lutavam por um Brasil melhor. Hoje que muitos deles estão no poder, nós vemos que o que eles queriam mesmo era a chave do cofre. Queriam chegar ao poder, não para trabalhar por um Brasil melhor, e sim para roubarem dinheiro público.

A anistia, esse absurdo imposto à sociedade brasileira, concedeu perdão aos dois lados. Agora no poder, o terrorista Tarso Genro quer que haja julgamento e punição para os militares. Ué? Só para os militares? Se é para retroceder na anistia, que seja para ambos os lados. Se é para julgar e punir os militares, têm que julgar e punir os terroristas também. Seria divertido ver terroristas como Tarso Genro, Dilma Roussef, José Dirceu e José Genoíno descendo a rampa do Palácio do Planalto algemados. E parar com essa história de pagar indenizações milionárias para quem se dedicou a pregar o terror no país.

É chato admitir isso, mas a democracia fez um mal muito grande ao Brasil. A vida no país piorou muito. Com relação ao periodo do governo militar houve decadência na saúde, na cultura e na educação. Tudo decaiu com o advento disso que se convencionou chamar de “democracia”. Um pouco de autoritarismo não faz mal a ninguém. Aí está a China, que não nos deixa mentir. O que se vê hoje em dia no Brasil é uma sociedade sem disciplina. Bandidos e criminosos dando as cartas em instituições criadas para defender o interesse público. Corrupção em níveis assustadores. Um poder Judiciário corporativista que defende interesses de criminosos, já que eles são seus principais clientes. Partidos políticos transformados em grupos mafiosos interessados apenas em tomar o Estado de assalto. E a UNE não faz nenhuma manifestação contra esses eventos.

O Exército brasileiro virou saco de pancada de todos que querem faturar politicamente. Existe um verdadeiro batalhão de aventureiros da política brasileira, se fazendo de vítimas da ditadura para pedirem indenização ao Estado. Amigos e cupinchas de Tarso Genro, Dilma Roussef e Paulo Vannucchi fazem fila na Secretaria de Direitos Humanos a fim de descolarem uma grana do Estado, usando como argumento o fato de terem lutado pela democracia assaltando bancos.

O Brasil precisa sair dos anos 70. Precisa esquecer a ditadura militar. Parar de olhar para o passado e olhar para o futuro. O ideal seria que o próximo Presidente da República fosse alguém que não tivesse nenhuma ligação com a ditadura. Nem a favor, nem contra. Eis o que eu queria dizer: seria bom que o próximo Presidente não fosse um gigolô da ditadura. Como o foram Lula e FHC. Ambos usaram o Governo Militar como recurso para se promoverem e posar de democratas que lutavam para o bem do Brasil. Quando no poder mostraram que são pessoas que lutaram apenas pelos seus próprios interesses.


6.8.08



Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada.
40 ANOS DE ROMEU E JULIETA - Romeu e Julieta, de Franco Zefirelli, foi lançado em 1968, portanto, está fazendo 40 anos. Revendo o filme no fim de semana vivi momentos de imenso prazer. Tinha esquecido como o filme é bom. A adaptação da peça de Shakeaspeare é perfeita, na medida em que leva o romantismo às últimas conseqüências. E nos brinda com uma narrativa que é, ao mesmo tempo, sofisticada e popular. Quando o filme acaba nos deixa uma sensação de perplexidade. Quarenta anos depois o “Romeu e Julieta” de Zefirelli continua moderno. É um grande filme. Chique, sofisticado e comovente. Fiquei tentando lembrar, entre os filmes lançados nos últimos anos, qual poderia provocar no público emoção parecida? Não lembrei de nenhum. O cinema moderno tem muita técnica, muita produção, mas falta paixão pela arte. Um entendimento do cinema como forma de arte. E o filme de Zefirelli tem uma compreensão perfeita desse sentimento. Merece ser relançado nos cinemas.




CONTROLE REMOTO – A TV Globo foi rápida no gatilho e contratou para o seu elenco de estrelas a diva do teatro paranaense Adriana Birolli, conhecida na sua terra natal como “a Isabelle Adjani de Curitiba”. Depois que ganhou o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação na peça Manual Prático da Mulher Desesperada, a jovem foi convidada a fazer a oficina de atores da Globo. E, na sequência, foi convidada para atuar na novela Beleza Pura, no papel de Viviane. “É a primeira vez que você faz televisão? Não acredito”, disse Zezé Polessa depois de gravar algumas cenas com a jovem atriz. Dia 19 de Agosto Adriana Birolli estréia seu espetáculo Manual Prático da Mulher Desesperada, no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema.




CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO – Foi divertida a festa de lançamento do filme Show de Bola, no Cine ROXY. Pipoca e Coca Cola pra todo mundo na entrada e muita diversão na sala escura. O diretor do filme, o alemão Alexander Pickl, não estava presente. Sua mãe foi hospitalizada dois dias antes dele embarcar para o Brasil e sua viagem foi cancelada. Mas ele deve estar no Rio em 15 de Agosto quando Show de Bola entrar no circuito. Lui Mendes e Thiago Rodrigues, os atores, recebiam os convidados, ao lado do roteirista René Belmonte.

As comparações com Era uma vez, o filme de Breno Silveira, foi o assunto das rodas de conversa durante o coquetel que se seguiu a exibição do filme. É que o ator Thiago Rodrigues interpreta o protagonista dos dois filmes, fazendo o mesmo papel: o galã de uma favela carioca. “Eu achei melhor do que o Era uma vez”, disse o ator Marco Antonio Gimenez, que assistiu aos dois filmes. Acompanhado da mãe, Vera Gimenez, Marco Antonio contava aos amigos sobre seus projetos de fazer cinema. Cristiane Torloni estava lá para prestigiar o sobrinho, Gabriel Mattar, que interpreta o irmão do portagonista. Gabriel é bom ator, dá conta do recado direitinho, mas o que chama atenção no filme é o corpo perfeito do rapaz nas cenas em que aparece sem camisa. Uma coisa!

Alexandra, musa do hip hop do Posto Seis, conhecida no orkut como Xaxa Hill disse que achou o filme “meio sem pé nem cabeça”. Ela não gostou de uma cena de violência no final. Já André, craque veterano do futebol de praia de Copacabana, deu nota sete ao filme. André ficou empolgado com as cenas de jogo filmadas na areia da praia e com as sequências das partidas do Fluminense que aparecem na história. Lui Mendes estava empolgado com a recepção ao filme. “A reação do público em São Paulo foi diferente. Não entendi por que aqui no Rio todo mundo ria com o meu personagem, já que ele é tão mal.”