26.7.07




A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.

25.7.07

A GRANDE MÚSICA – O violonista Pinchas Zukerman, um dos maiores do mundo, um gênio do violino, vai tocar no Theatro Muncipal dia 11 de Agosto com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Roberto Minczuk. No programa peças de Brahms: O Concerto Duplo para Violino e Violoncelo em lá menor, Op 102; Sinfonia nº 2 em Ré Maior, Op. 73. Certamente será um espetáculo muito aguardado pelos fãs da música de concerto já que o artista é dono de uma bem sucedida carreira recheada de prêmios e recordes, inclusive vinte e uma indicações ao Grammy.

Pinchas Zukerman nasceu em Tel Aviv em 1948, mas logo se mudou para os Estados Unidos, onde teve o seu talento reconhecido com apenas 14 anos. Estudou na Juilliard School e ainda muito jovem foi diretor da Saint Paul Chamber Orchestra. É grande amigo de Daniel Beremboin e de Itzhak Perlman. Foi casado durante treze anos com a atriz Tuesday Weld, mas hoje vive com a violoncelista Amanda Forsyth, uma das integrantes do seu quinteto.

Quem quiser conhecer o trabalho do artista mais de perto terá uma oportunidade única. Haverá um concerto beneficente com a Zukerman Chamber Players, no Copacabana Palace, dia 9 de Agosto. O evento beneficente está sendo promovido pela Beit Lubavitch, uma sinagoga da cidade, e a renda será revertida para a entidade filantrópica Lar da Esperança. Pela módica quantia de US$ 250 qualquer mortal pode colocar seus ouvidos a disposição da maviosa música do senhor Zukerman. O concerto, que promete mobilizar a comunidade judaica do Rio, será seguido de um coquetel com a presença confirmada do gênio da música.

Ano passado o maestro Pinchas Zukerman saiu do tom quando, por medida de segurança, os agentes do aeroporto de Atlanta, nos Estados Unidos, pediram-lhe que tirasse as delicadas cordas de um legítimo Guarnieri del Gèsu de 1742, violino que já foi leiloado por US$ 6 milhões e é tão cobiçado quanto um Stradivarius cremonense. Tenho tido discussões inacreditáveis nos aeroportos, disse Zukerman. Por causa dessa onda de terrorismo os agentes de segurança querem pôr as mãos em objetos que eu mesmo tenho receio em mexer, e, além do mais, é meu trabalho.






A GRANDE MÚSICA – Benjamin Britten foi um dos maiores artistas gays da Inglaterra. Compositor, maestro e arranjador, ele renovou a música de concerto de seu país quando lançou, em 1945, sua obra mais famosa, a ópera Peter Grimes. Após a estréia retumbante, considerada um marco na vida cultural britânica, o crítico Edmund Wilson escreveu: A ópera captura e domina o público e o mantém preso ao assento durante a ação e aprisionado a ela, mesmo durante os intervalos. Ao final ela lhe deixa purgado e exausto. A estréia nos Estados Unidos foi dirigida por Leonard Bernstein. Também compôs música de câmera e trilha sonora de filmes. Foi amigo íntimo do escrito Wynstan Hugh Auden, de quem musicou alguns poemas.

Durante toda a sua vida Britten foi casado com o tenor Peter Pears, seu colaborador, companheiro e amante, interprete de quase toda a sua obra musical. Peter Pears foi um tenor de grande talento, dono de uma voz magnífica, comparada à pureza de um clarim. Quando eclodiu a Segunda Guerra Britten e Spears se mudaram para a América, onde ficaram três anos. Lá o compositor escreveu seu primeiro trabalho dramático, a ópera Paul Bunyan, baseada em um libreto de seu amigo W H Auden. A peça não atingiu o sucesso esperado e ficou no ostracismo por um período de trinta anos. Saudoso de sua pátria, Britten retornou para a Inglaterra, oportunidade em que passou a produzir suas melhores obras. Entre elas vale destacar os cânticos natalinos, um grupo de canções escritas para serem interpretadas pelo seu amado Pears, que Britten batizou de Serenata para Tenor, Trompas e Cordas.

A radio MEC FM ofereceu biscoitos finos aos seus ouvintes e transmitiu uma versão completa da ópera Peter Grimes no último domingo. É uma história densa ambientada no litoral da Inglaterra, num povoado à beira de um precipício. Conta a reação do povo do lugar quando Peter Grimes, um misterioso e ambíguo pescador, retorna ao porto da cidade, depois de uma noite de tempestade, sem o seu assistente, um jovem adolescente. O que teria acontecido em alto mar? Um acidente? Um crime? Uma fatalidade? Enquanto os moradores do povoado questionam e julgam a tragédia o pescador contrata um novo assistente. Ignorando os conselhos do pároco que sugeriu um homem adulto para a função, Peter Grimes contrata um outro adolescente ainda mais novo. Logo que o jovem começa a trabalhar sofre um misterioso acidente. Ele despenca do precipício durante a festa do padroeiro da cidade.

Peter Grimes, mesmo cantada em inglês, é uma ópera belíssima. Só houve uma única montagem no Rio, em 1967, no Teatro Municipal. A ambientação da ópera exige muita imaginação da cenografia. O cenário deve dar a idéia de um povoado à beira de um precipício, com a rua principal, a taberna, a igreja, o porto e a casa do protagonista. Peter Grimes é um papel criado para ser interpretado por um tenor. Capitão Balstrode, um velho oficial da Marinha Mercante, o segundo personagem, tem o perfil de um barítono. E Ellen Orford a beata professora que é dada a intrigas, a soprano.





Se as portas parecem fechadas é porque seus desejos são muitos. Se não tivesse nenhum desejo, não notaria as portas fechadas.

NO RASTRO DE DA VINCI – Leio sem parar O legado dos templários, o novo livro de Steve Barry, escritor americano de livros policiais. Já li dois outros livros dele: O terceiro segredo e A profecia Romanov. Ele não escreve grande literatura. Seus livros são simples best-sellers com tramas bem construídas que tem como único objetivo divertir o leitor. O que eu mais gosto no Steve Barry é que ele sonha ser o Dan Brown, autor de O código da Vinci. Seus livros são todos inpirados em O código da Vinci. E perceber isso em sua literatura é algo que me diverte e me dá prazer.

O código da Vinci é um livro pelo qual eu tenho uma profunda admiração. Sua leitura me causou enorme prazer. Vivi momentos de grande felicidade enquanto devorava a trama engenhosa e inteligente criada por Dan Brown. Ao mesmo tempo a força do romance no mercado editorial me deixou impressionado, já que sou uma pessoa que ama os livros e tem por eles verdadeira adoração. O código está há mais de três anos na lista dos mais vendidos. E por causa dele foram escritos e publicados dezenas de livros que tinham alguma ligação com os assuntos tratados em sua história.

Lendo os livros de Steve Barry eu percebo que ele também se deixou impressionar pelo best-seller de Dan Brown a ponto de criar toda uma carreira literária em cima dele. Seus romances são quase recriações do Código da Vinci, como se ele buscasse atingir o mesmo patamar de prestígio literário que o Código conseguiu. Com uma boa dose de talento ele mistura, de modo quase obsessivo, os ingredientes que fizeram a fama de seu livro favorito: ação, suspense, pesquisa histórica e lendas religiosas.

O terceiro segredo é uma trama de mistérios, segredos, crimes e traições, ambientada no Vaticano durante a eleição de um novo Papa. Um cardeal atormentado por um grande amor do passado é o herói que, para salvar a igreja católica, precisa descobrir o mistério por trás do terceiro segredo de Fátima. A profecia Romanov tem como ponto de partida uma mensagem criptografada (olha o código aí...) deixada pelo enigmático monge Rasputin, que vai parar nas mãos de Miles Lord, um advogado com grande interesse pela história russa, no momento em que o povo decide restaurar a monarquia na Rússia dos tempos atuais.

O legado dos templários, que chega segunda-feira nas livrarias, é um romance repleto de ação e intrigas, onde o autor refaz a trajetória da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos como Cavaleiros Templários. Desde sua fundação em 1119 até seu desaparecimento, em 1312, quando foram julgados e condenados à morte, acusados de heresia e práticas mágicas, os Templários foram a mais temida máquina de guerra da Cristandade. Além da superioridade militar, os cavaleiros possuíam um imenso poder político e econômico, que fazia deles os banqueiros e investidores da Europa medieval, assim como aliados de reis e papas. Acreditava-se que em algum momento de sua existência, os templários se apossaram de um tesouro muito poderoso e importante. Algo que decerto contribuiu para a repentina e funesta destruição da Ordem.

A narrativa começa em Paris, em 1308, quando um dos últimos Cavaleiros Templários é torturado por um membro da Inquisição que deseja saber onde está escondido o tesouro da ordem. Sádico, o torturador crucifica sua vítima, inspirado nos requintes de crueldade que foram impostos a Jesus Cristo. Em seguida a história dá um salto para a Copenhagen nos dias atuais onde encontramos Stephanie Nelle, agente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mulher de mente afiada, que está cada vez mais perto da verdade e de um prêmio que há séculos desafia historiadores e caçadores de recompensa. Ao seguir pistas centenárias pela Europa, ela desperta a atenção do inescrupuloso Raymond de Roquefort e dos assassinos sob seu comando. Um homem capaz de tudo para colocar as mãos num dos mais notórios tesouros da humanidade. Mas Stephanie não está sozinha nessa aventura: Cotton Malone, um ex-companheiro da Agência de Segurança Nacional, é um valioso aliado na luta pela verdade.

Na capa do livro O legado dos Templários há uma recomendação de Dan Brown, que escreveu: Steve Berry escreve com a segurança de um autor veterano.

23.7.07




A adversidade é um trampolim para a maturidade.

O MUSO DO PAN - A final do handebol masculino foi um verdadeiro filme de suspense. Um thriller digno de Alfred Hitchcock. Um jogo eletrizante que prendeu a atenção da torcida do primeiro ao último lance. O fato do adversário ser o time da Argentina deixou a partida ainda mais emocionante. A animosidade cultural entre brasileiros e argentinos sempre rende fortes emoções nas disputas esportivas. E na final do handebol não foi diferente. O Brasil saiu na frente, mas os argentinos ficaram na cola do time brasileiro até o último minuto. Na quadra dois times competentes, vorazes, embalados por uma única verdade: vencer a partida a qualquer custo. Ganhar a medalha de ouro. O time brasileiro manteve uma média de cinco pontos durante toda a peleja. Mas, nos quinze minutos finais a Argentina chegou a encostar, ficando com uma diferença de dois pontos. Vendo a possibilidade de superar o score do time brasileiro os argentinos tornaram-se mais agressivos e a partida ficou tensa. No final, ao perceberem que iam mesmo ficar com a medalha de prata, os jogadores do banco de reservas portenho partiu para a briga com o banco do Brasil. A confusão deixou a partida mais épica, mais emocionante. A briga no final só mostrou como a partida foi aguerrida, grandiosa e como ambos os times desejavam o titulo, a glória no pódio, o registro na história. Felizmente venceu o melhor...

Bruno Souza não decepcionou os fãs do handebol. Fez a diferença em todas as partidas que jogou. E na final foi o grande destaque do time brasileiro. Seus gols empolgantes davam força e segurança ao time. Mostrou, em quadra, porque é considerado um dos três maiores jogadores de handebol do mundo.






O OSCAR DA IMPRENSA – O portal Comunique-se já está captando os votos para a eleição dos Melhores jornalistas do ano. Na sua quinta edição o prêmio vem se firmando como uma espécie de Oscar da imprensa brasileira. A escolha dos vencedores é feita pelos jornalistas cadastrados nos Comunique-se. Na primeira fase da eleição cada jornalista escolhe aleatoriamente cinco nomes para cada categoria: Melhor Colunista Social, Melhor Colunista de Noticias, Melhor Repórter, Melhor Jornalista de Cultura, Melhor Jornalista de Política, Melhor Jornalista de Economia (nessa categoria a Miriam Leitão ganha todo ano), Melhor Jornalista de Tecnologia (Cora Ronai é a barbada) Melhor Ancora ou Apresentador, etc. As categorias são subdividades em Mídia Impressa (Jornais e Revistas) e Mídia Eletrônica (Radio, TV e Internet). No dia 2 de Agosto serão apresentados os dez mais votados em cada categoria. Uma nova eleição, apenas com esses nomes, vai escolher os três mais votados. Depois é feita uma nova escolha apenas com os três mais citados em cada categoria. O vencedor recebe o prêmio na cerimônia de premiação, dia 18 de Setembro, em São Paulo.
Na minha lista de Melhores do Ano feras como Miriam Leitão, Geneton Moraes Neto, Gilberto Scofield, Hildegard Angel, Cora Ronai, Ricardo Boechat, Heloisa Tolipan, Amin Stepple, Toni Marques, Sidney Rezende, Antonio Carlos Miguel...

22.7.07




O homem que a dor não educou será sempre uma criança.

MOMENTO ESPORTIVO – Ainda falta uma semana para acabar o Pan e eu já estou exausto. Ufa! Haja competição. Os jogos da seleção masculina de handebol foram os mais empolgantes. Os atletas demonstram ter absoluto controle sobre o esporte que praticam. As equipes se movimentam como se fossem um grupo de dança moderna executando uma arrojada coreografia. E Bruno Souza, o principal nome da equipe brasileira, é um exemplo de carisma, talento e sex-appeal. Palmas para ele que ele merece.

E o que dizer do Tiago Pereira? Lavou a alma dos brasileiros com sua coleção de medalhas de ouro e suas sucessivas quebras de recordes. Um gênio, o rapaz. Na piscina ele parece uma enguia, me disse o jornalista José Viterbo, com água na boca, ao comentar a performance do bonitão nas piscinas. Para os torcedores a natação está sendo o grande esporte do Pan, já que os nadadores não têm decepcionado o público. Mas, como competição, esse esporte já teve dias melhores. Aquela malha preta que os atletas usam acabou com metade da graça das competições nas piscinas. Nadador de maiôzinho é um horror. Bons tempos aqueles em que feras como Gustavo Borges, Fernando Scherer, Djan Madruga, Ricardo Prado e Mark Spitz competiam apenas de sunga. Todo mundo podia admirar as pernocas dos meninos. Alguém devia proibir os atletas de usarem aquelas roupas pretas ridícula. Queremos nadadores de sunga, deveria ser o grito das arquibancadas. Ainda bem que os atletas do pólo aquático masculino não adotaram essa moda cafona e continuam competindo de sunga. Viva o pólo aquático!

O momento mais triste do Pan foi o acidente com o Flavio Canto. Ele estava lutando tão bem. Venceu o cubano com muito estilo. Mas não deu sorte. Tudo bem. Em setembro vai ter o Mundial de Judô, aqui mesmo na cidade do Pan, e ele certamente vai dar a volta por cima. Em compensação Leandro Guillero e Thiago Camilo salvaram a pátria de quimono.

Em tempos de PAN e de TAM vale a pena perguntar: quem agüenta a imprensa brasileira? Os excessos pipocam nos jornais e nos canais de TV. Os jornalistas se arvoram juizes, fiscais, auditores, experts em tudo, filósofos, sociólogos, etc. A função de jornalista exige uma certa frieza e uma boa dose de isenção. Mas não é isso que temos visto nesses tempos de PAN e de TAM.

No caso do PAN, alguém precisa avisar ao pessoal que está fazendo a cobertura para maneirar na torcida. Os jornalistas torcem muito. Eles se emocionam junto com os atletas. Vibram em excesso. Tudo bem. É compreensível. O Brasil está competindo e todos são brasileiros. Mas ninguém precisa perder a classe (profissional) por causa disso. Os repórteres só faltam se atirar nos braços dos atletas. Esquecem que são repórteres e se transformam em tietes. Além disso, depois que a TV decidiu que jornalismo é show business, os repórteres se comportam como se fossem animadores de auditório. E nem todos têm talento para isso. Houve até o caso de um saltitante repórter de telenoticiário que saiu correndo atrás do Tiago Pereira, logo após mais uma medalha, e gritou emocionado para o atleta: Tiago, tua mãe disse que você é lindo! Ora, bolas. Que bicha é essa? Fica botando a mãe do atleta no meio de uma pegação. Plim plim pra esse repórter.

Ainda falando sobre o PAN, virou um jargão jornalístico para meus coleguinhas, como o esporte serve para livrar menores carentes do tráfico e da marginalidade. Não tem um dia que a imprensa não descubra um jovem que saiu de uma “comunidade carente” (toc, toc, toc) para as glórias do pódio esportivo. Ai meu saco! Existe nesse comportamento uma vontade dos jornalistas de darem dignidade e correção política ao seu trabalho sujo. Uma vontade das empresas jornalísticas de imprimirem algo de messiânico ao negócio sórdido em que manipulam fatos e noticias. O fato é que não há um dia sequer em que algum gênio da imprensa não descubra um jovem que saiu da favela e se livrou do tráfico de drogas através do esporte. É sempre uma história de superação de um coitadinho da favela que venceu graças a grandiosidade do esporte. Que saco! É a imprensa ajudando a alimentar a indústria do coitadinho, o negócio que mais prospera no Brasil.

Agora falando da TAM, também impressiona a indignação mecanizada da imprensa que cobre o acidente do avião em São Paulo. É claro que o que aconteceu foi uma coisa terrível, que existe uma enorme parcela de descaso das autoridades entre as causas do acidente. Mas o jornalista não pode perder a linha. Não pode se deixar emocionar pela tragédia a ponto de perder o senso profissional. Eu sei que é difícil. Principalmente se alguém está diante de um avião que acabou de explodir com 186 pessoas a bordo. Mesmo assim, me parece estar havendo um excesso de emoção por parte da mídia. O que temos visto na cobertura do acidente da TAM é uma imprensa emocionada e histérica. Eu diria até que quase descontrolada...

Meia hora depois do acidente a imprensa já cobrava das autoridades uma explicação. Como se isso fosse possível. Os parentes das vítimas, no desespero da dor, até poderiam cobrar uma explicação de quem quer que fosse. Mas um jornalista deveria ter o equilíbrio para saber que isso é humanamente impossível. O avião tinha acabado de cair, como alguém poderia explicar alguma coisa? Na primeira noite da cobertura, essa busca ansiosa por explicações só mostrou como são superficiais os critérios jornalísticos. Ao mesmo tempo o tom dramático da cobertura do acidente nos canais de TV buscava disfarçar o lado mundo-cão existente na enganadora busca honesta de esclarecimento dos fatos.

O governo Lula e sua enorme equipe de incompetentes merece toda a crítica do mundo. Eles são péssimos, não têm o menor controle sobre nada, o Brasil é uma nau sem rumo. Mas isso não dá direito a um cinegrafista de gravar, pela janela, cenas privadas do assessor de imprensa do presidente, colocar na TV e ficar especulando sobre o que ele teria dito. Que horror... Vemos, nesse caso, a imprensa se igualando ao pior do governo. Outra coisa: ninguém pode, em nome do jornalismo, colocar no ar as imagens de uma mãe desesperada, se contorcendo com a dor de perder dois filhos adolescentes num acidente terrível. Um desrespeito com a dor alheia. Isso é imprensa marrom.

O horror... O horror...

15.7.07




Liberdade é a possibilidade de ser melhor. Escravidão é a certeza de ser pior.


MÚSICA POP – Escuto sem parar o disco da cantora Leila Maria, uma seleção de músicas gays, que a cantora batizou de Canções do amor de iguais. O que é uma música gay? Uma música que toque fundo na alma dos gays. Ra-ra-ra-ra. São músicas compostas por artistas gays como Johnny Alf, George Michael, Lulu Santos, Eduardo Dusek, Luiz Carlos Góes, Ronaldo Bastos, Ângela Ro Ro, k. d. lang, Cole Porter, Marina Lima e Antonio Cícero. E também músicas de amor entre iguais compostas por artistas simpatizantes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Antes de tudo é importante afirmar que a ideologia do repertório não atrapalha o disco. A cantora está em grande forma, usando sua graciosa e afinada voz com desenvoltura. Os arranjos se equilibram entre o inteligente e o sensível, valorizando a qualidade musical do produto. É um CD com apurada produção artística. De uma qualidade musical que está além de qualquer tipo de orientação sexual. É um disco de boa música.

Por que um CD de músicas gays? É uma longa história. Tudo começou quando Leila Maria foi convidada a cantar num trio elétrico da parada gay do Rio. Sua performance durante a festa conquistou o público GLS que a tomou como musa e passou a lotar seus shows no Teatro Rival. Por conta dessa identificação da cantora com esse grupo social o jornalista e critico musical Antonio Carlos Miguel sugeriu que ela gravasse um disco apenas com canções que tivessem uma identificação direta com esse público. E assim surgiu a idéia do projeto Canções do amor de iguais.

O repertório é puro luxo. Tem Nature Boy, a mais gay das canções americanas que, em tom melancólico, narra a história de um garoto estranho e encantador, vindo de um lugar distante, very far, over land and sea, e que, num mágico dia atravessou o nosso caminho para ensinar que a coisa mais importante na vida é amar e ser correspondido. Não existe veado no mundo que não tenha vivido a história dessa música em sonhos ou realidade. Já foi gravada por Frank Sinatra, Nat King Cole, Jose Feliciano, David Bowie, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Mas Leila Maria não se deixou intimidar por esses nomes e gravou sua versão com muita personalidade. Sua voz passeia pela canção com um dengo, uma suavidade e um frescor que nos dá vontade de sair por aí dando pinta. O arranjo, ao dar ênfase a um suingue abolerado com pitadas de pop eletrônico, só fez valorizar esse clássico. Só por Nature Boy já vale a pena comprar o CD.

Johnny Alf é o gay da Bossa-Nova. A crítica musical tem tanta reverência pela Bossa-Nova que nunca comenta sobre o seu lado gay, como se isso fosse desvalorizar o mais famoso ritmo musical do Brasil. Pois eu acho o Johnny Alf a bicha mais chique e poderosa da cultura brasileira. Vamos recapitular um pouco a história da MPB. Nos anos 50 e 60 o jovem Alf circulava por um Rio de Janeiro idílico, fazendo música com jovens talentosos como Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Edu Lobo, Carlos Lyra e muitos outros. Basta olhar as fotos dessa época para ver como eles eram lindos, másculos e hedonistas. Devia ser uma loucura para Tia Alf varar (!) a noite tocando piano e enchendo a cara com esses bofes. Todos eles encantados com a música maravilhosa que brotava do teclado do seu piano. Reza a lenda que certa vez Tia Alf estava em casa distraída, dedilhando o teclado do seu piano, quando tocam a campainha. Ele veste o robe e vai atender. Quando abre a porta dá de cara com o surfista Marcos Valle, então com 17 anos, vindo do Arpoador, querendo mostrar ao respeitado artista uma de suas canções. Olha que situação! Ai meus sais...

Pois bem. De Johnny Alf, esse ícone da nossa MPB, Leila Maria gravou Ilusão à-toa, um dos hinos gays da Bossa-Nova, - o outro hino gay é Eu e a brisa, também de Alf -, música que embalou os romances velados de várias gerações de homossexuais do Brasil. A letra é uma declaração de amor não correspondido para alguém que desconhece ser alvo daquele amor. Veja só o que dizem os versos:

Eu acho graça do meu pensamento / a conduzir o nosso amor discreto / sim, amor discreto pra uma só pessoa / pois nem de leve sabes que eu te quero / e me apraz essa ilusão à-toa.

Lendo tão singela declaração de amor eu me ponho a imaginar para qual bofe Alf fez essa música: Tom? Bôscoli? Menescal? Marcos Valle? Nessa faixa, que tem um arranjo que nos remete a um film-noir, a um clima de boate com luz negra e uma femme-fatale surgindo das sombras, Leila Maria tem o refinado atrevimento de brincar de Gal Costa.

De Chico Buarque, um especialista em desnudar a alma feminina, Leila Maria gravou Mar e Lua, cuja letra narra com requintes de sensualidade a paixão entre duas mulheres. Um barato. Em Mapa-Múndi, dos irmãos gays Marina e Antonio Cícero, a cantora e os músicos arrasam na harmonia entre voz, arranjos e suingue. O jazz brota com força nessa faixa cuja letra revela momento de grande inspiração do poeta Cícero.

Leila Maria também consegue ótimos resultados quando homenageia famosos artistas gays como George Michael em Kissing a Fool, k. d. lang em Sexuality e Cole Porter em All of you. O mesmo acontecendo com músicas de sucessos como Um certo alguém, de Lulu Santos e Ronaldo Bastos, Seu tipo, de Dusek e Góes e Gatas Extraordinárias, que Caetano compôs para Cássia Eller. Lush Life, de Billy Strayhorn e Se você voltar, de Ângela Ro Ro e Antonio Adolfo também permitem belas performances da cantora.

E, num momento de pura ousadia, sem medo de ser censurada, Leila Maria abre o disco cantando uma música do rei Roberto Carlos, com seu amigo tremendão Erasmo Carlos. Uma música gay do Roberto Carlos? Pois é. O público GLS espera que ele não mande recolher o disco só por que ela gravou Você vai ser o meu escândalo, música originalmente gravada por Wanderléa, cantora que é um ícone gay desde que surgiu de botinha e minissaia cantando na Jovem Guarda.

No encarte, ao falar do repertório, o mentor do disco Antonio Carlos Miguel escreve: “Grandes canções que, na voz de Leila Maria, uma das maiores cantoras brasileiras, e nas mãos dos músicos escalados pelo produtor Dunga, ganham elegantes roupagens de pop, jazz e sons eletrônicos. E, independente do tema, esse trambém é um disco para apaixonados pela grande música”.







There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
"The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"

"The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"

(Nature Boy)







Eu acho engraçado quando um certo alguém
se aproxima de mim
trazendo exuberância que me extasia;
meus olhos sentem, minhas mãos transpiram,
é um amor que eu guardo há muito dentro em mim
e é a voz do coração que canta assim:


- Olha, somente um dia longe dos teus olhos,
trouxe a saudade do amor tão perto
e o mundo inteiro fez-se tão tristonho
Mas, embora agora eu te tenha perto
eu acho graça do meu pensamento
a conduzir o nosso amor discreto
sim, amor discreto pra uma só pessoa
pois nem de leve sabes que eu te quero
e me apraz essa ilusão à toa

(Ilusão à-toa)







Meu amor, não pode ser
Não podemos mais fingir
Até quando vamos ter
Que esconder o nosso amor
Eu não posso mais conter
A vontade de dizer
Não consigo disfarçar
Meu amor por você
Meu bem, procure compreender
Que nada importa pra nós dois
Nem se o mundo não nos aceitar depois
Quantas vezes consegui abafar minha voz
Qualquer dia eu vou gritar o que existe entre nós dois

Saiba que você, meu bem
Meu escândalo vai ser
Quando o mundo inteiro então
Nosso amor conhecer
Meu bem, não dá pra enganar
Pois tudo está no nosso olhar
O escândalo vai ser
Quando o mundo conhecer o nosso amor

(Você vai ser o meu escandalo)

11.7.07




Só os profetas enxergam o óbvio. (Nelson Rodrigues)


PINTAR E FAZER AMOR - Terminou domingo a exposição que o artista plástico Gilvan Nunes fez na Antuérpia. Nunes é uma das coqueluches das artes plásticas do Brasil. É queridinho de colecionadores de artes do show business nacional. Suas telas causaram boa impressão nos críticos da Bélgica. Vale lembrar que a Antuérpia, famosa como a cidade das joalherias, foi apontada pela revista Conde Nast Traveller como a atual capital européia das artes plásticas e do design. Ponto para Gilvan, que é um grande artista e uma doce figura. Elétrico, parece alguém que foi ligada na tomada.

Enquanto Gilvan brilha na Antuérpia, Ronaldo Torquato brilha em Ipanema. O pintor expões seus quadros no Galeria Café, o lugar que é uma mistura de boate e centro cultural, localizado na rua Teixeira de Melo. Há algo de dramático nas imagens do artista. São cenas de coisas que estão prestes a acontecer, mas que, ao mesmo tempo, o artista deseja que fique oculta na imaginação de quem vê seus quadros. Ronaldo tem um fã famoso: o ator Johnny Depp, o inesquecível Edward Mãos de Tesoura, já comprou um dos seus quadros em Los Angeles. A exemplo de Gilvan Ronaldo também é mineiro e, quando chegou ao Rio, ainda muito jovem, marcou época no Posto Nove com seu corpo coberto de tatuagens.

Não é só Ronaldo quem, com suas telas, brilha em Ipanema. André Karol também faz sucesso pintando nas ruas do bairro. São deles os elefantes pintados nas portas de lojas e botequins da rua onde mora, Vinicius de Moraes, mesmo lugar onde fica o seu ateliê. O artista tem pintado compulsivamente já que foi descoberto por um marchand italiano que tem vendido vários dos seus quatros para colecionadores da Itália.

Praticante de artes-marciais André Karol é um exímio lutador de jiu-jitsu. Já foi casado com a atriz Nicole Puzzi, com quem tem uma filha. Estudioso do ocultismo ele é versado em quiromancia. Ele é capaz de definir o caráter, a personalidade e o talento dos indivíduos interpretando a forma, a estrutura e a linha das mãos. E não é só isso. André também é versado em astrologia e na leitura do I-Ching.

Desenhista brilhante, ele já ilustrou vários livros de histórias infantis e publicou um livro sobre as posições do Kama-Sutra, com desenhos muito bonitos inspirados nos ícones da cultura árabe. O livro fez tanto sucesso que a editora lhe encomendou um segundo volume, dessa vez um Kama-Sutra gay que fez tanto sucesso quanto o primeiro. Uma figura, o André Karol.







THE CAPTAIN AND THE KID – Um brasileiro chamado Antonio levou uma surra de seguranças do cantor Elton John, quando o cantor se apresentou na cidade de Collado Villalba, na Espanha com a turnê The Captain and the Kid. (Por falar nisso, e o show do Elton John no Rio?). O fã apaixonado tentou subir no palco para entregar uma carta ao cantor. Os seguranças devem ter pensado que era algum serial killer e cobriram a bicha de porrada. Coitada!


OS GALÃS E OS TRAVESTIS – Deve ter sido muito divertido o depoimento dos travestis Fabiane e Angélica na 15 DP da Gávea. Na ocasião as bonecas inocentaram os atores Rômulo Arantes Neto e Lui Mendes que estão sendo acusados de terem agredido uma garota de programa no último fim de semana. “Com a gente eles foram ótimos. Rolou até beijo. Nós somos as bonecas do Rômulo”, disseram. Eu gostaria de ter visto a cara da sapatoníssima delegada Márcia Julião, que está investigando o caso, diante do depoimento das saltitantes figuras.


PÉ NA JACA! – E o pai da Débora Secco, hein? Preso na operação Águas Profundas da Policia Federal, por envolvimento num esquema de corrupção e irregularidades financeiras encolvendo Ongs e a Petrobrás. Parece que a trama de Pé na Jaca saiu da TV e foi direto para a vida real. Plim plim...

Águas Profundas é o nome do meu livro favorito da escritora Patrícia Highsmith. É uma trama policial sobre uma mulher jovem e inescrupulosa que casa por interesse com m homem mais velho e que, com seu comportamento, faz com que o marido acabe cometendo um crime. Numa versão cinematográfica Débora Secco ficaria ótima no papel principal. Pena que o filme já foi feito. Em 1981 Michel Deville filmou a história com Jean Louis Trintgnant e Isabelle Hupert no papel que seria de Débora. De qualquer modo, vale fazer um remake.


7.7.07




O mais importante na vida não é ser feliz. O mais importante na vida é ser útil.

(Frase do atleta Flavio Canto em reportagem publicada pela revista SUITE RIO, edição especial dedicada ao Pan do Rio).


SALVEM O PLANETA – Muito bacana o projeto Live Earth. Importante cuidar da saúde do planeta. Mas eu acho que as pessoas estão acordando para isso muito tarde. O Live Earth deveria ter sido feito nos anos 70. Porém, antes tarde do que nunca. A campanha promovida pelos ecologistas do mundo inteiro dá mil dicas de como economizar energia, poupar água e reciclar o lixo. É impressionante, entretanto, que ninguém fale daquilo que é o mais importante para a salvação do planeta: o controle da natalidade. Afinal, a doença do planeta é o homem. O que faz o planeta adoecer é a presença do ser humano na face da terra. Portanto, é preciso que haja um radical programa de controle da natalidade em todo o planeta. Se os seres humanos continuarem se reproduzindo do jeito que se reproduzem, não vai ter Live Earth que dê conta de salvar o mundo.

Em tempo de Live Earth, quando o planeta parou para falar em aquecimento global e mudanças climáticas, surpreende que ninguém tenha aproveitado esse momento para criticar as obras de transposição do rio São Francisco. É um projeto extremamente arriscado para o meio-ambiente. Nada garante que essa obra faraônica vá funcionar. Isso é um delírio megalomaníaco de políticos nordestinos. Destrutivos como eles são, vão acabar secando o rio.

Se Deus quisesse que houvesse água no agreste nordestino teria feito um rio no polígono das secas.

Outra coisa chocante que está acontecendo no Brasil: Uma decisão da 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília anula a portaria 39/2006 do Ibama, que estabelece a Zona de Amortecimento (ZA) do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, a maior área de diversidade marinha do Atlântico Sul. Ou seja, com a anulação, fica permitido na região qualquer atividade de exploração de petróleo ou gás natural, além da pesca e o desenvolvimento de empreendimentos em carcinicultura, que é a criação de camarões em viveiros. A Zona de Amortecimento tem como objetivo limitar ações humanas que possam causar conseqüências desastrosas ao meio ambiente.

Socorro, Madonna!




MADONNA SABE TUDO – Já era de se esperar. A participação de Madonna foi a melhor coisa do Live Earth. A mulher sabe tudo de show business. Nada para ela pode ser simplesinho. Tudo tem que ser glamuroso, produzido: música, banda, bailarinos e convidados especiais. Ela começou cantando Hey You, a balada meio gospel que compôs especialmente para o Live Earth. A apresentação com um coral de crianças deu um clima ainda mais religioso a bonita canção. Mas a pose de santinha não durou muito. Logo em seguida, empunhando a guitarra, antes de cantar Ray of Light, voltou a ser a Madonna bad girl. “Nós passamos o dia inteiro falando em economizar energia. Mas agora eu não quero que ninguém economize energia nenhuma. Quero todo mundo gastando energia, pulando durante esta canção”. Só Madonna teria cara de pau para fazer essa piada... A apresentação de La Isla Bonita foi exuberante, com a participação de bailarinos e guitarras ciganas que valorizaram o ritmo latino da canção. Madonna adora essa música. Ela canta em todos os shows. O encerramento foi com Hang Up megahit do seu último CD. Foram apenas quatro músicas, mas que valeram por um show inteiro.






HEY YOU

Hey you, don’t you give up
It’s not so bad
There’s still the chance for us
Hey you, just be yourself
Don’t be so shy
There’s reasons why it’s hard

Keep it together, we’ll make it alright
Our celebration is going on tonight
Poets and prophets would envy what we do
This could be good, hey you

Hey you, open your heart
It’s not so strange
You’ve got to change this time
Hey you, remember this
None of it’s real including the way you feel

Save your soul, little sister
Save your soul, little brother
Hey you, save yourself
Don’t rely on anyone else

First love yourself
Then you can love someone else
If you can change someone else
Then you have saved someone else
But you must first love yourself
Then you can love someone else
If you can change someone else
Then you have saved someone else
But you must first

Hey you, there on the fence
You’ve got a choice
One day, it will make sense
Hey you, first love yourself
Or if you can’t
Try to love someone else





Dar menos que o seu melhor é sacrificar o dom que você recebeu.

VIÚVAS DE FHC – Sempre que eu critico FHC ou falo mal do seu governo leitores desse blog protestam. Você foi muito injusto com o Fernando Henrique, é a crítica que mais tenho recebido nos últimos dias por causa do texto FHC no Celeiro, publicado logo abaixo. Waal. O ex-presidente tem suas viúvas. E são viúvas apaixonadas e fervorosas, que o defendem com veemência. Eu votei no Fernando Henrique na primeira eleição e, desde o primeiro mandato, para mim, foi uma decepção. Acho que ele governou igual a um político nordestino. Mas muita gente gosta dele. Acham que foi um grande presidente. Um estadista que fez muito pelo Brasil, que tudo de bom que acontece hoje no país é resultado do que foi plantado no governo dele. Não vejo as coisas dessa forma, mas respeito (muito) a opinião dos meus leitores. Acho que tudo o que ele fez de bom e correto, foi sua obrigação ter feito. Foi muito bem pago por isso.

Eu acho engraçado. As pessoas se queixam do Lula e elogiam FHC. Eu acho que eles são as duas faces da mesma moeda. Cada um, à sua maneira, se acha um imperador. E por falar em Lula, o seu índice de popularidade continua altíssimo. A maioria da população continua achando que ele está fazendo um bom governo. Mesmo tendo trinta e seis ministérios para dar despesas ao contribuinte. Esse último Ministério, criado apenas para dar emprego ao Mangabeira Unger e mais uma corja de apaniguados, é um absurdo.

Parece que nada derruba Lula. Acho que o brasileiro se identifica com a figura dele. Com aquele seu jeitão de pobre que se deu bem na vida. Às vezes eu acho que as pessoas ignoram sua má performance como presidente porque não querem se decepcionar. Não querem ter mais esta frustração. Preferem ser felizes na ilusão. Não querem deixar morrer aquele sonho antigo do país ter um grande presidente vindo do povo. Qua qua ra qua qua...




DIARIO DA CORTE – Waal... Já está nas livrarias O afeto que se encerra, livro de memórias de Paulo Francis, lançado originalmente em 1980, quando o jornalista tinha 50 anos. É uma publicação da Editora Francis... Não é a glória para um escritor? Ter uma editora com o seu próprio nome? O logotipo é uma foto do Francis em que ele está parecido com Alfred Hitchcock. Fazem parte do catálogo da Editora Francis livros de Mino Carta, João Gilberto Noll, Roberto Freire e Michael Moore.




A MALDIÇÃO DE EDGAR – Nesses tempos pré-Pan leio sem parar dois livros. Um chama-se Má companhia, divertido livro de espionagem internacional de Jack Higgins. O outro é A maldição de Edgar, biografia romanceada de John Edgar Hoover, o homem que durante 50 anos foi chefe do FBI. Nesse período ele ditou rígidas regras morais, foi intolerante, preconceituoso e promoveu muita intriga nos bastidores da política americana. No entanto, por trás do tirano miserável existia um falso moralista. O livro é narrado por Clyde Tolson, que foi secretário particular e amante de Hoover. Leia um trecho a seguir:




Roosevelt é um elefante sentado, mas pelo menos tem classe, uma certa finesse aristocrática. Existe uma vantagem incontestável em não se ter pernas: o centro de gravidade é mais embaixo, a gente tem mais equilíbrio. É algo que Kennedy deveria cogitar. Ele não passa de um novo-rico com suco de cenoura fervendo, abençoado pelo papa. Nunca tivemos um presidente católico e estou disposto a apostar, se o futuro quiser me guardar onde estou, que nunca teremos. Está tão fora de cogitação quanto uma mulher, um judeu, um índio ou um negro. Mas o povo é capaz de tamanhas maluquices que é preciso uma autoridade moral como a nossa para evitar que essas infantilidades se transformem em drama. Além disso, estou persuadido de uma coisa: a primeira decisão que ele tomaria, como presidente, seria nos enxotar. E isso, meu caro Clyde, a simples evocação dessa possibilidade me é insuportável. Não sei se me engano, mas acho que o orgulho desmedido de Joe fez com que ele cometesse um grave erro. Ontem ainda, eu me perguntava como Roosevelt pudera enviar esse irlandês grosseirão para representá-lo na corte da Inglaterra. Agora me parece evidente que ele não só se livra da agitação que Kennedy criava à sua volta, mas, além disso, o outro vai estar bem longe quando começarem as intrigas para as presidenciais. Ele não deveria ter ido. Foi deportado com toda a elegância do mundo.

Edgar interrompeu-se por um tempo no avanço de seu pensamento. Depois, como se voltasse de muito longe:

- Além disso, tenho uma séria deficiência para me apresentar nas presidenciais. Kennedy tem como mulher a insuportável Rose, com sua voz esganiçada. Roosevelt tem essa esquerdista meio lésbica por esposa. E eu, quem eu tomaria como primeira-dama? Você, Clyde?

Depois começou a rir com a exuberância de um homem que descobre que tem humor.


1.7.07




A consciência tranqüila é o melhor remédio contra insônia.

O MUSO DO PAN – O atleta Bruno Souza, campeão mundial de handebol, foi o destaque da festa de lançamento da exposição Retratos dos Atletas da Moda do jovem fotógrafo Eduardo Rezende. Ele levou para o estúdio apenas atletas que vão participar do Pan e os clicou como se fossem modelos: figurinos glamurosos, maquiagem, iluminação e muitas caras e bocas. A exposição praticamente inaugurou a maratona de eventos sociais em torno do Pan do Rio. No sábado Ivone Kassu promoveu uma feijoada no Sheraton da Barra para atletas e celebridades.

A exposição de Eduardo Rezende está em cartaz no saguão do restaurante Expand, no quarto piso do Shopping Leblon. Posaram para as lentes do fotógrafo, entre outros, as gêmeas Beatriz e Branca, do nado sincrozinado. As meninas estavam lá e todo mundo comentava que elas eram mais bonitas pessoalmente do que nas fotos. Paula Pequeno, atleta do vôlei, se deixou fotografar de vestido curto, mas parecia pouco à vontade naquele figurino. Juliana Veloso do salto ornamental e Daniela Polzin do judô capricharam no visual. Adrian Jaoude da luta olímpica e Hugo Parisi do salto ornamental mostraram que têm estilo frente às câmeras. Mas quem chamou atenção mesmo foi o bonitão Bruno Souza.

Pessoalmente ele é charmoso, másculo e elegante. Foi muito fotografado e assediado pelos jornalistas. Todo mundo queria uma declaração do belo. As fotos dele são arrasadoras. Numa foto ele está de terno e gravata, olhando sério, com a sobrancelha direita meio levantada. Belíssimo, belíssimo, belíssimo... O bofe arrasa fazendo o executivo. Na foto seguinte ele usa um casaco sobre uma camisa de malha com um pequeno zíper no pescoço, o cabelo meio despenteado. Nessa foto ele adotou um ar meio compungido que lhe caiu muito bem. Vale a pena ir até o Shopping Leblon só para ver os closes fenomenais do nosso craque do handebol. Fotos que poderiam muito bem estar nas páginas das melhores revistas de moda da Europa e dos EUA.

Aliás, com Bruno Souza na quadra o handebol tem tudo para ser uma das grandes atrações do Pan.

Bruno Souza é considerado um dos três melhores jogadores de handebol do mundo. Desde 2001 joga no Frisch-Auf, time da Alemanha, país que é berço do handebol e onde o esporte é muito popular. Bruno nasceu em Niterói e até os treze jogava vôlei, a exemplo do seu pai, João Luiz, que foi da seleção brasileira. Só aos treze anos Bruno optou pelo handebol. Atleta compulsivo logo se tornou destaque no esporte. Em 2002 assumiu a artilharia da Liga Alemã com mais de 170 gols e foi convocado ainda para o All-Star Game, amistoso entre os melhores jogadores do mundo eleitos pelos torcedores.

Quem recebia os convidados da Exposição era a imbatível dupla Liége Monteiro e Luiz Fernando. Garçons atentos serviam espumantes, refrigerantes e muita comida. Afinal, a festa estava cheia de atletas... Haja sanduichinhos, patês, canapés, caldinho de feijão, caldinho de siri, minipizzas e outras guloseimas.

Serginho Matos da agência Quarenta Graus Models, a mais quente do Rio, causou alvoroço quando chegou acompanhando de um grupo de modelos. Numa inequívoca demonstração de poder, Serginho Matos ganhou um abraço efusivo do atleta Bruno Souza. Mais do que um abraço. O mais poderoso agente de modelos da cidade ganhou um beijo do campeão mundial de handebol. Sendo assim Serginho Matos se tornou a figura mais invejada da noite.

Vocês viram? Ele beijou o Serginho”, sibilava uma bicha invejosa, dando um gole no seu espumante, enquanto gotinhas de veneno escorriam do canto de sua boca. “Ele é um homem para cem talheres. Eu vou lançá-lo como muso do Pan” decretava a espevitada jornalista Daniela Barbi. O fato é que todos os olhares, todos os sonhos, todos os suspiros da festa se dirigiam para o charmoso craque do handebol. Ele, alheio ao clamor que provocava nos simples mortais à sua volta, devotava sua atenção à mãe e ao irmão. Fofo!

Na animada noite de arte, moda, fotografia e esportes o ator Mauricio Branco posava para fotos com as meninas da Agência Quarenta Graus e comentava sua participação na novela Sete Pecados; Isabelita dos Patins reclamava por ainda não ter sido convidada para assistir a competição da patinação artística; Divana Brandão, encantadora, conversava sobre teatro e vida mundana com seu amigo Paulo Próspero; a produtora de moda Kecya Felix convidando a todos para o desfile que está produzindo na Universidade Veiga de Almeida; o charmoso jornalista Mario Mendes, editor do Caderno B, batendo papo animado com o produtor musical Marcus Vinicius...