31.12.02

A ceia de natal foi tudo de bom. Champanhe e caviar. Além de finas iguarias. Foi a melhor noite de natal dos últimos tempos. Estava todo mundo no maior alto astral. Clima de afeto e solidariedade. Carinhos, bom papo. Clima familiar. A ceia estava uma delícia. Salmão. Lagosta. E peru com uma farofa de cenoura que merecia um Oscar. E haja champanhe. Foi linda minha noite de natal.


Depois da ceia fui à MELT, uma casa noturna do Leblon. Eu e Graça Motta dançamos a noite inteira ao som de um grupo de percussão chamado Eletrosamba. È um desses grupos moderninhos que misturam percussão ao vivo e um DJ. Foi ótimo. Principalmente porque eles tocaram várias músicas de Jorge Benjor que é um artista que eu adoro.


Cheguei em casa às cinco da manhã. Estava me preparando para mergulhar na cama quando toca o telefone. Era meu amigo Gibi, me convidando para ir para Arraial D´Ajuda. Nem pensei duas vezes. Aceitei o convite na hora. Peguei uma bolsa, enchi de bermudas, sungas, camisetas, camisas coloridas, tênis e sandálias. Apertei cinco baseados para fumarmos durante a viagem. Logo depois estávamos seguindo em direção ao litoral sul da Bahia.


O que eu mais gosto de fazer quando viajo de carro é admirar a paisagem. Os vales. A imensidão de áreas verdes. O gado pastando. É lindo o Brasil! Foram doze horas de viagem. Paramos apenas para esticar as pernas e botar gasolina. Como era 25 de dezembro as estradas estavam vazias. Quando atravessávamos os perímetros urbanos as cidades pareciam fantasmas de tão vazias. Doze horas e cinco baseados depois estávamos no paraíso.


Quando cheguei em Arraial fui direto para a cama, na pousada Peixe Vivo. Dormi doze horas sem parar. Afinal, eu estava virado desde a noite de natal. Quando acordei na manhã seguinte, depois de um lauto breakfast, corri para a praia. Caminhei solitário até as falésias e fiquei tomando banho de mar pelado. Curtindo a paz e a natureza.


Arraial está uma loucura! Maior clima de festa e alto astral. Os homens mais bonitos do Brasil vieram todos para cá. Eles ficam circulando pela cidade de sungão, bêbados e drogados. As mulheres não ficam atrás. O clima de pegação é total. A lambaeróbica na praia do Parracho é uma loucura. No primeiro dia teve show de Ivete Sangalo. Nem o temporal que caiu desanimou os foliões.


Aliás, depois do dilúvio no show da Ivete não parou de chover um só instante. O céu ficou completamente nublado. Choveu durante os três dias seguintes. Só melhorou no quarto dia, mesmo assim o céu continua nublado. Mas o clima de carnaval continua. Os bofes ligam o som do carro a toda altura e fiquem requebrando ao som das músicas baianas. Eles remexem os corpos, invariavelmente malhados, dando ênfase aos quadris e a bunda. Eu olho para eles e penso: “Isso não vai dar certo!”




Uma lágrima para o fotógrafo Herb Ritts, que morreu há pouco em Los Angeles. Eu tenho uma camiseta preta, ilustrada com uma de suas fotos: Fred With Tires. Aqui mesmo, neste blog já publiquei algumas de suas fotos. Ele foi um grande artista. Descanse em paz, Mr. Ritts. Descanse em paz!!!

O Caderno de Artes do NY Times de domingo, dia 29/12, publicou uma sessão em que as celebridades falam dos destaques de 2002. O maestro Osvaldo Golijov disse o seguinte: Em Fale com Ela, o filme de Pedro Almodóvar, que flui como uma ópera, como Mozart teria feito se vivesse até os 50 anos, o cantor brasileiro Caetano Veloso aparece na tela cantando Cucurucucu Paloma para o embevecimento das platéias. O falseto angelical de Caetano oferece um momento abençoado capaz de fazer parar o tempo e uma lição de amor que soa como se tivesse partido de um Papageno de 211 anos de idade, agora sábio, contemplativo e infinitamente generoso.

21.12.02

OS BOFES MAIS INCRÍVEIS DE 2002

1) André Rezende
2) Royler Gracie
3) Alexandre Accioly
4) Eduardo Moscovis
5) Renato Gaúcho


ANDRE REZENDE é o incontestável muso do verão carioca. O seu tipo moreno, de olhos verdes e ar de príncipe de contos de fadas já lhe valeu o apelido de Zé Carioca, tal a sua identificação física e astral com o lado bacana do Rio de Janeiro. Modelo exclusivo da grife Sandpiper, Mr. Resende divide o seu tempo entre o fascinante mundo da moda e o restaurante Cais do Oriente, onde divide a sociedade com o seu pai.

EDUARDO MOSCOVIS emprestou seu charme de galã para a novela Desejos de Mulher. Apareceu nas tardes do Brasil com a reprise da novela Por Amor. E ainda deu o ar da sua graça no seriado Pastores da Noite. E agora em 2003 vai continuar nas tardes globais com a reprise da novela O Cravo e a Rosa. Cada vez que aparece nas telas da TV Mr. Moscovis oferece ao espectador charme, beleza, talento e sensualidade. Sua atuação na peça NORMA só lhe rendeu elogios e respeito dos críticos e do público. Du é carioca e faz parte de uma turma de bonitões da rua João Lira, no Leblon. Quem conhece bem a zona sul carioca sabe bem o que isso significa. Os bofes da rua João Lira são a nata da beleza masculina do Rio de janeiro. Eles fazem o irresistível tipo “lindos e legais”.

RENATO GAÚCHO é o sujeito mais carioca do Rio de Janeiro. A identificação dele com a cidade é algo impressionante. Não importa que ele tenha nascido no Rio Grande do Sul. Sua alma e sua aura são cariocas. Esse ano Mr. Gaúcho foi a revelação do futebol brasileiro como técnico do Fluminense, um dos quatro times brasileiros a chegar no topo do campeonato brasileiro. Quem quiser encontrar com o bofe é só se dirigir ao escritório do rapaz. A praia em frente a rua Vinicius de Moraes, onde se reúne com os amigos, joga futevôlei, bebe cerveja, trata de negócios ao celular e paquera as garotas de Ipanema. Um carioca, esse gaúcho.



Gertrude Vanderbilt Whitney, por Robert Henri




AS FRASES MAIS BOMBÁSTICAS DE 2002.

1) O PÊNIS TEM O DESIGN PERFEITO (Fernanda Young)


2) SOU BICHA PORQUE QUERO! (Madame Satan)


3) NUNCA FAÇA UMA CONFIDÊNCIA NA FRENTE DE UM JORNALISTA (Leda Nagle)


4) NÃO EXISTE FOME NO BRASIL (Fernando Henrique Cardoso)


5) DIE ANOTHER DAY É O PIOR TEMA JÁ FEITO PARA UM FILME DO JAMES BOND (Elton Jonh)


6) TODA MULHER DE 30 É UM GAY EM POTENCIAL (Isabel de Luca)

TNT EXPLOSIVA - A TNT é a mais bem relacionada firma de Assessoria de Imprensa do Rio. Para comemorar as festas de fim de ano, a empresa reuniu amigos, clientes e funcionários para um champanhe básico no Clube Gourmet, em Ipanema. Foi divertido, alegre e alto astral como tudo que tem a marca TNT. Tereza Duarte e Toni Oliveira recebiam a todos com charme e simpatia.
Lenny Niemeyer estava linda e elegante, como era se esperar de um dos ícones da moda carioca contemporânea. Lenny me disse que vai passar o reveillon em Arraial D´Ajuda, descansado já que 2002 foi um ano de muito trabalho.
Leda Nagle estava hilária. Depois de algumas flutes ninguém conseguia parar de rir com ela. A apresentadora do Sem Censura me contou que, a primeira coisa que costuma dizer para os seus alunos do curso de Comunicação é o seguinte: “Nunca faça uma confidência na frente de um jornalista.”
Cláudio Gomes é um sujeito que eu simplesmente adoro. Ele é muito simpático, agradável, engraçado e é sempre muito gentil comigo. Ele me disse que adorou a lista das mulheres mais quentes do ano que eu publiquei no Blog. Aliás, os seus comentários sobre o meu blog foram muito engraçados.
Napoleão Fonyat é meu ídolo. O rapaz é dono da Sandpiper, minha grife favorita. Eu disse para ele que a coleção desse ano estava maravilhosa. E que as camisas da Sandpiper são as camisas mais bonitas da história da moda brasileira. Quase que ele engasga com o charuto, legítimo cubano, que fumava.
Scarlet Moon também desfilava o seu charme no evento, enquanto degustava os deliciosos petiscos do Clube Gourmet. Foi uma divertida festa de fim de ano.




LEONARDO DI CAPRIO
NINGUÉM SEGURA A COCAÍNA 2002 está acabando com dois grandes escândalos ligados a cocaína. A recente prisão de oficiais da elite da polícia carioca, envolvidos com o tráfico de drogas. E a investigação sobre a venda de hábeas corpus para traficantes, envolvendo um juiz do Superior Tribunal Federal.


Esses escândalos não vão parar nunca. Sempre vai haver alguém disposto a se vender por um punhado de pó. Pelo menos enquanto vivermos num mundo capitalista. A única forma de acabar com isso é legalizando as drogas. Tratando as drogas como um produto de consumo como outro qualquer. Qual a diferença entre um papelote de cocaína e um telefone celular? Ambos são produtos de grande demanda no mercado.


Desde que o mundo é mundo as pessoas sempre gostaram de consumir drogas. Faz parte da existência humana. Faz parte do lado hedonista do ser humano. Sentir prazer. Pirar. Viajar. Ficar doidão. Afinal, como diria o cronista João do Rio, o ser humano precisa de uma brecha para relaxar das dores da existência. E as drogas têm esse papel social. Aliviar o ser humano das dores da vida. Isso é função tanto das drogas legais quanto das ilegais.


Eu acho que a cocaína deveria ser vendida nas farmácias. Até porque, toda farmácia por si só já é um ponto de vendas de drogas. TODA FARMACIA É UMA BOCA! Antigamente era assim. A cocaína era um produto dos laboratórios MERCK, o mesmo do Cebion, e era vendida nas farmácias, pois os dentistas a utilizavam como anestésico.


Hoje em dia a cocaína é uma droga cada vez mais consumida pela população. As pessoas gostam de usa-la como estimulante sexual. Afinal vivemos numa época absolutamente sexualizada. E o pó provoca tesão em quem se atreve a aspirá-lo. Fica difícil para o sistema controlar algo que dá tanto prazer a quem o consome.


O consumo de cocaína é um fenômeno cultural da nossa época. Ignorar isso é não ter compreensão da vida no século 21. Cada vez mais as pessoas querem consumir mais drogas. E pirar. Viajar. Enlouquecer. E isso é bom. Faz bem a alma. Alivia o stress. E abre a percepção da mente para um mundo além da realidade cotidiana.

O melhor artigo publicado na imprensa brasileira este ano foi o texto da jornalista Cecília Costa no jornal O Globo dessa sexta-feira, 20 de dezembro. Num momento de grande inspiração Cecília Costa, que é editora do Caderno Prosa & Verso, traçou com perfeição um requintado painel sobre os mesquinhos valores superficiais da sociedade capitalista brasileira. Valores equivocados que têm provocado desigualdade social, violência e uma impressionante crise moral. Um texto para se ler e aplaudir. Aqui!




SÃO SEBASTIÃO padroeiro do Rio, por Antonelo de Messina.

BYE BYE FHC – Depois de oito longos anos, finalmente vamos ficar livres do Sinhozinho Fernando Henrique. Para mim, como eleitor e cidadão, a convivência com FHC foi parecida com a daquele cara que conheceu um bofe maravilhoso, e esse bofe lhe fez promessas de amor incríveis. O cara acreditou nas promessas e levou o bofe para casa. Quando estavam no maior amor, o bofe colocou um comprimido de Dormonid na sua bebida. O cara dormiu. Quando acordou o bofe tinha sumido com a sua carteira de cédulas, os dólares, o rolex, as jóias e todos os cd´s da Madonna.


O agora ex-presidente Ferrnando Henrique é como o bofe dessa historinha. Ele me fez uma série de promessas, me seduziu com seu ar de estadista e conquistou o meu voto. Aos poucos eu fui descobrindo que era tudo uma grande mentira. Fui descobrindo que ele era um cínico, um mentiroso, um falso. Ele me garantiu que o dinheiro da CPMF seria aplicado na saúde pública e todos nós sabemos que isso nunca aconteceu. Isso foi como se ele tivesse batido minha carteira.


Dias atrás, no telejornal da Record o Boris Casoy defendeu FHC. Disse que o Presidente era um verdadeiro democrata, que a história iria fazer justiça a ele e a sua atuação como estadista. Disse ainda que o presidente poderia processar muita gente que ficava dizendo coisas sobre ele e que FHC só não o fazia porque era um verdadeiro democrata. Ora, pois. O mínimo que se pode esperar de um Presidente que foi eleito pelo povo é que ele seja um verdadeiro democrata. Não está fazendo favor a ninguém em sê-lo. É sua obrigação. Ele tem mais é que aturar as críticas. Sejam elas quais forem. Principalmente se partirem de alguém que caiu no conto do vigário e votou nele.


É claro que muita coisa funcionou durante esses oito anos de governo. Mas ninguém pode ficar agradecido por ele ter feito apenas sua obrigação. Representar bem o país? Tentar manter a economia em níveis civilizados? Ele foi muito bem pago para isso. Mas, de um modo geral, ele só fez defender os interesses das elites. Simplesmente porque ele se julga parte dela. O sujeito é um emergente deslumbrado que usou o cargo para se promover, no Brasil e no exterior. Posando de Sinhozinho e tratando a sociedade brasileira como uma espécie de senzala que ele estava fazendo o favor de ajudar.


Mas a defesa de Boris Casoy realmente foi impressionante, mesmo sabendo-se que ele é um conhecido baba-ovo do ex-Presidente. De qualquer maneira é digna de nota a forma como Fernando Henrique consegue manipular a imprensa. Os jornalistas o adoram. É compreensível. Ele dorme com jornalistas. A relação do ex-Presidente da República com a imprensa é tão promíscua que ele teve até um filho com uma jornalista. Aliás, o fato dele ter traído dona Rute, uma mulher que teve uma atuação irrepreensível como primeira-dama, diz tudo sobre o seu caráter. A pior coisa que um homem pode fazer com a sua esposa é ter um filho com outra. Trair até dá para agüentar. Mas ter um filho? Ainda mais com uma jornalista-biscate. Quanta promiscuidade!


Fernando Henrique Cardoso foi duas vezes eleito Presidente. Recebeu uma dádiva do povo brasileiro. Governar o país durante dois mandatos. E agora está deixando o cargo com o país cobrando a maior taxa de juros do planeta. A maior concentração de renda do mundo. E a maior carga tributária de sua história. Ele deveria ser fuzilado!


O importante agora é que Fernando Henrique é coisa do passado. Não teremos mais que aturar aquela empáfia. Não precisaremos mais aturar o seu ar de superioridade. Sua pose pedante de aristocrata deslumbrado com o poder. Nem precisaremos ter que ouvir fases célebres como: “não existe fome no Brasil”. Vai com Deus Fernando Henrique. Segue o teu caminho e vê se não aparece nunca mais na minha frente. BYE BYE FHC

17.12.02




FELIZ NATAL E UM ANO NOVO CHEIO DE PAZ

OS LIVROS MAIS LEGAIS QUE LI EM 2002

1) A CIDADE E OS LIVROS (Antonio Cícero)
2) O CANTO DA SEREIA (Nelson Motta)
3) A PRAIA DE IPANEMA (Théo Filho)
4) MEMÓRIAS DE UM RATO DE HOTEL (João do Rio)
5) CRÕNICAS DE ANTONIO MARIA (Joaquim Ferreira dos Santos)

No futuro, quando as pessoas lembrarem do verão 2003, certamente a primeira coisa que lhes virá a cabeça, será a música “Já Sei Namorar”, do grupo Os Tribalistas, formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Fazia tempo que uma canção brasileira de alto nível não se apropriava dessa forma da alma brasileira, como fez essa “Já Sei Namorar.” Com sua letra simples e singela e o seu ritmo verdadeiramente carnavalesco, a música diz tudo que o brasileiro quer dizer, nesses dias de verão, sobre paixão, esperança e orgulho. É a música que vai embalar os calientes romances do verão. É a marcha que vai animar todos os bailes de carnaval espalhados por esse Brasil afora, com suas praias lindas e seus corpos bronzeados. Palmas para Os Tribalistas.


OS DISCOS QUE MAIS TOCARAM MEU CORAÇÃO EM 2002.


1) SHAMAN (Carlos Santana)
2) RELEASE (Pet Shop Boys)
3) VOYAGE TO INDIA (India.Arie)
4) THE RAGPICKER´S DREAM (Mark Knopfler)
5) CANTADA (Adriana Calcanhoto)




Renzo Gracie
NÃO CHORES POR MIM, LUIS INÁCIO – Lula chorou mais uma vez. Dessa vez, foi na hora de receber o diploma de presidente. Quando será a próxima crise de choro? No momento da posse, porque será a primeira vez que um torneiro mecânico assume o poder. E também quando assinar o primeiro decreto presidencial. E quando fizer o primeiro discurso, etc.


O fato é que Lula ainda nem assumiu a Presidência e já deu para perceber que nós teremos mais um vaidoso no Palácio do Planalto. Depois de FHC, o vaidoso com PHD, teremos Lula, o vaidoso operário. Espero que ele não caia na esparrela de transformar sua trajetória pessoal em algo mais importante do que o próprio cargo.


Desde que foi eleito presidente Lula só tem feito acariciar o próprio ego. Exatamente como FHC fez nos seus oito anos de governo. Esses caras se elegem presidente da república e depois usam o cargo para promoção pessoal. Esquecem as promessas de campanha e a motivação das pessoas que o elegeram. Não será surpresa para esse blog se, a exemplo de Fernando Henrique, Lula dizer para o povo algo do tipo “esqueçam o que eu escrevi”. Com a particularidade de que Lula nunca escreveu nada.


Desde a eleição que o futuro presidente Lula já sinalizou para a sociedade brasileira que o seu governo será essencialmente uma continuação do governo Fernando Henrique. Até o mega especulador George Soros já afirmou algo nesse sentido numa entrevista em Nova York. Agora que foi eleito, Lulinha Paz e Amor quer mais é que as coisas fiquem com o estão. Até porque, do jeito que está é ótimo para o governo. É que o Brasil construiu uma democracia em que o que é bom para o governo é ruim para o país e vice-versa. Se as coisas melhorarem para o povo, não será bom para o governo. Assim caminha a humanidade.

AS MULHERES MAIS “QUENTES” DE 2002

1) Cíntia Howllet-Martin
2) Tereza Duarte
3) Lenny Niemeyer
4) Marina W
5) Fernanda Young




JÁ VAI TARDE FHC

KARMA COR DE ROSA - Vicente Pereira foi um dos renovadores do teatro brasileiro, na década de 80, como um dos criadores do movimento denominado de besteirol, que deu um sangue novo as produções nacionais a partir de então. Além de ser um grande artista, escritor talentoso ele era uma pessoa de grande força espiritual, caráter e personalidade. Muito querido por todos que o conheciam, Vicente sabia como ninguém cativar o carinho e o afeto das pessoas.


Ele também era um ator cheio de possibilidades. No começo dos anos 90, protagonizou um dos grandes espetáculos teatrais daquela época, chamado SOLIDÃO, A COMÉDIA. A peça era composta por quatro textos do próprio Vicente, encenados com grande desenvoltura e talento. Eu assisti ao espetáculo várias vezes. E, como o teatro em que ele atuava ficava perto da minha casa, muitas vezes quando acabava o espetáculo ele vinha me visitar. Ficávamos horas conversando, rindo muito, tomando vinho e fumando inúmeros baseados. Ele era muito engraçado! Conversávamos sobre teatro, sobre bofes, música e cinema. Ele adorava Richard Gere. Seu filme favorito era Blue Velvet e, quando assistiu Traídos Pelo Desejo, ele me disse que o filme era quase um plágio de Blue Velvet. E é verdade! Quando queria fumar um baseado ele me olhava com deboche e dizia: “Vamos pitar?”


PITAR, segundo o Aurélio significa cachimbar, fumar, usar pito, traçar, fender, furar. Quando morreu em meados dos anos 90, Vicente deixou vários textos inéditos. COLAR DE DIAMANTES é uma obra prima, ambientado durante o último baile da ilha fiscal. Ele tinha idéias muito boas para teatro. Seu último texto, que ele escreveu ainda no hospital, chama-se KARMA COR DE ROSA.


KARMA COR DE ROSA tem uma história bem original. Uma família chefiada por um político corrupto, bem sucedido nas suas tramóias, se prepara para receber num jantar a presença do ator Paul Newman. É que o referido político comprou do famoso ator de Hollywood, os direitos para produzir no Brasil sua bem sucedida linha de molhos para saladas. No primeiro ato a peça mostra a família se preparando para receber o convidado ilustre e, a partir daí, expõe os conflitos familiares, a tragédia de cada um, o relacionamento com os filhos e com o poder. No segundo ato, vemos a chegada de Paul Newman e como a sua presença vai fazer eclodir os conflitos e os ressentimentos escondidos no seio da família. O texto é sensacional.


A atriz Silvia Bandeira acaba de adquirir os direitos sobre a peça, que vai ocupar o palco do teatro Villa-Lobos a partir de junho de 2003. A atriz, que é grande admiradora do Vicente, pretende produzir o espetáculo com todo o requinte que o texto merece. Assim, o público carioca vai ter a oportunidade de conhecer a peça, que é uma obra-prima do teatro brasileiro.


AS PEÇAS DE TEATRO MAIS MARCANTES DE 2002.


1) A PROVA - (David Auburn)
2) DENTRO DA NOITE - (João do Rio)
3) BEIJO NO ASFALTO - (Nelson Rodrigues)
4) AQUI SE FAZ AQUI SE PAGA - (Vicente Pereira e Mauro Rasi)
5) MAIS UMA VEZ AMOR - (Rosane Swartman)


OS FILMES QUE MAIS ME FIZERAM VIAJAR EM 2002.


1) FALE COM ELA (Pedro Almodóvar)
2) O HOMEM ARANHA (Sam Raimi)
3) MADAME SATÃ (Karim Ainouz)
4) MINORITY REPORT (Steven Spielberg)
5) BELLINI E A ESFINGE (Roberto Santucci)


13.12.02




Isabelle Adjani
SAIA JUSTA 1 - No circuito lesbian-chic da cidade, compreendido pelas boates Anjo Azul, Dama de Ferro e La Girl, não se fala em outra coisa. Segundo as moçoilas espevitadas que freqüentam esse triângulo das bermudas da boêmia carioca a fofoca do momento é a seguinte: Suzana Villas Boas, a toda poderosa diretora do programa Saia Justa, esta se separando do marido, o ex-cineasta Arnaldo Jabor para ficar com a ex-roqueira Rita Lee. Não é lindo, o amor?


O Saia Justa vai acabar o ano de 2002 consagrado como o melhor programa da televisão brasileira, depois do Show do Milhão e de Os Normais, naturalmente. As meninas que apresentam o programa são realmente maravilhosas. A discussão sobre a inveja, do último programa, foi bem divertida. O curioso é que durante o debate Fernanda Young atribui à inveja os boatos de que ela estaria tendo um caso com fulano ou beltrano. (Devia estar se referindo aos boatos de que ela teria tido um caso com a cantora Marina.) Outro momento muito engraçado do programa foi quando Madame Young confessou que sente inveja da Madonna e por isso corre atrás do prejuízo.


O que eu mais gosto no programa é ver como elas detestam os homens. Elas não suportam os machos. Bofe, para elas, é apenas para carregar malas e pagar contas. Principalmente pagar contas. O curioso é que, a proposta do programa é ser um programa feminista. E eu sempre achei que as feministas eram livres, libertárias, mas gostavam de homens. Não é o caso das meninas do Saia Justa.


Elas sempre se referem aos homens com aquela falsa condescendência de quem está fazendo o favor de abrir mão da sua superioridade para lidar com aquele ser tão inferior. O bofe! É por isso que os homens têm vindo chorar suas mágoas nos braços dos gays. As mulheres são incapazes de entende-los na sua essência. Além disso a mulher só é feminista quando isto é conveniente para ela. No primeiro homem rico que aparece na sua frente ela abandona o feminismo e se transforma na mulherzinha.


O mais legal no programa é que elas se jogam sem rede. Falam loucuras. E se traem o tempo todo. O espectador tem a sensação que está participando das acaloradas discussões que surgem a cada bloco do show. Foi numa dessas discussões que Fernanda Young disse aquela que seria, para mim, a melhor frase do ano: O pênis tem um design perfeito!

OS PROGRAMAS DE TV QUE MAIS FIZERAM A MINHA CABEÇA EM 2002

1) SHOW DO MILHÃO (Adoro esse programa.)
2) OS NORMAIS (Rui e Vani são muito engraçados.)
3) SAIA JUSTA (Engraçado e inteligente)
4) O BEIJO DO VAMPIRO (Afinal, sou homenageado na novela através do personagem Nadir.)
5) GNT FASHION (Adoro os desfiles.)

SAIA JUSTA 2 - Um certo mal-estar está se espalhando dos bastidores do teatro carioca desde que o diretor Rafael Ponzi, um dos donos da Casa da Gávea, começou a ensaiar o espetáculo DENTRO DA NOITE, uma adaptação do conto de João do Rio. Seria uma grande idéia adaptar o conto do escritor carioca se essa adaptação já não estivesse sido feita em passado tão recente. O ator e diretor Marcus Alvisi acabou de fazer uma temporada de seu espetáculo DENTRO DA NOITE, adaptação do conto de João do Rio, na livraria Dantes, no Leblon. E está negociando uma nova temporada da sua peça no Espaço Sergio Porto. Quando soube que Rafael Ponzi estava ensaiando o espetáculo Alvisi simplesmente teve um ataque!


11.12.02




Christ at the column, de Antonello de Messina (Para Tati Motta)

Hoje fui à missa na Igreja da Ressurreição, no Arpoador. Na entrada da Igreja fizeram um presépio enorme, cenográfico, representando a manjedoura onde Jesus Cristo nasceu. Eu fiquei um tempo lá, olhando a bonita instalação. Adoro essa época do ano, quando a cidade adquire uma inspiração natalina. O clima de festa se espalha por todos os lugares. Tudo é motivo para confraternização.


Durante o sermão o padre falou sobre a figura da ovelha negra. Disse que em todos os grupos havia uma ovelha negra. E mandou-nos refletir porque a tal ovelha negra era sempre tão rejeitada pelo grupo, quando na verdade os princípios cristãos preconizam que a ovelha negra deve ser perdoada. Ele pregava, através de uma parábola, que era de responsabilidade do grupo a recuperação dos desgarrados.


Adoro os rituais da igreja católica. E toda a literatura a respeito das parábolas bíblicas. Desde criança sempre gostei de ir à missa. Foi muito legal a época em que estudei em colégio de padre. Eles foram muito bacanas comigo, apesar de eu ter sido um aluno por demais irrequieto e rebelde. E uma coisa que me marcou muito é que, foram os padres do colégio, através de suas palavras e sermãos, que me abriram a cabeça para assuntos ligados a política. Foram os padres que me disseram que havia uma ditadura no Brasil.


Certa vez, eu era garoto, o padre-diretor chegou na minha sala e num jeito diferente, excessivamente formal, disse que naquele dia a aula seria substituída por uma palestra de um padre que tinha vindo de fora. Havia um clima diferente no ar. Eu não lembro o nome do padre, só me lembro que era um dos homens mais bonitos que eu tinha visto até então. Por conta disso, eu prestei muita atenção no que ele falava. E o homem lindo dizia que nós devíamos ser mais atentos com o mundo a nossa volta. Que as coisas não eram exatamente o que pareciam ser. Falou de ditadura. E da necessidade de encontrarmos a verdadeira democracia.


Eu fiquei todo o tempo ligado no discurso daquele homem tão belo. Falando coisas significativas, que eram tão novas para mim. Da pureza dos meus onze anos eu o olhava embevecido, encantado com a sua figura mágica e viril. Só anos depois é que eu saquei que aquele padre era do movimento de esquerda e que tinha ido ali fazer a cabeça daqueles jovens com relação à ditadura militar. E quando eu descobri isso, que ele era o que os militares chamariam de “terrorista”, eu o amei mais ainda. E ainda hoje, tantos anos depois, quando fecho os olhos e me concentro, posso ver sua imagem de bofe gostoso tentando me vender idéias de revolução. LIFE IS BEAUTIFUL!

VOYAGE TO INDIA , o novo disco da cantora Índia Arie é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns de 2002. As canções são lindas, influenciadas pelo blues e pelo soul. Além disso a mulher tem um vozeirão que merece respeito. Através da voz ela parece ter todo o controle sobre a música. É como se o seu canto carregasse os instrumentos que acompanha as canções.


Ano passado, quando ela lançou seu primeiro disco, ACCOUSTIC SOUL, a gravadora promoveu um show da artista no Teatro da Lagoa. Ela se apresentou apenas para jornalistas, funcionários da gravadora que participavam de uma convenção, e cerca de sessenta americanos, sorteados por uma rádio dos EUA para virem assistir ao show de Índia.Arie no Rio de Janeiro.


O show foi muito legal. Ela entrava em cena e cantava duas músicas apenas com o violão. Só na terceira música que a banda começava a tocar. Índia é uma negona muito bonita, alta, vistosa, com o corpo bem torneado. Uma gostosa! A sensualidade da mulher ficava ainda mais evidente graças a roupa que ela usava. Calça comprida de malha colada ao corpo e um top, ambos brancos. Além disso, ela usava um turbante que lhe dava um charme bem exótico.


Curti muito o show de Índia.Arie. Virei fã da mulher no mesmo instante. Antes do show eu me preparei psicologicamente fumando dois baseados venenosos. Além disso, durante o concerto o garçom me serviu generosas doses de saquê, o que me deixou muito louco. Viajei ouvindo sua voz de conotações jazzísticas. E seu canto de raízes africanas, tão bem adaptados à cultura americana. Depois do show fiquei bebendo no bar enquanto todo mundo ia embora. De repente, eu estava praticamente sozinho naquele lugar. Foi quando Índia.Arie passou por mim, indo embora do teatro. Então eu tive a oportunidade de conversar alguns minutos com ela. Disse-lhe que tinha adorado o show, as músicas e que ela era uma moça muito bonita. Ela sorriu, fez um carinho no meu rosto e disse que estava adorando conhecer o Brasil.




Christ at the column, de Giovanni Pietro Pedrini

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...


mario quintana

A edição de fim de ano da revista americana INTERVIEW mostra um editorial de moda tendo Copacabana como cenário. Os mais requisitados top models brasileiros vestem calças compridas com o cós baixo, enquanto a revista pergunta o quanto a cintura da calça masculina pode ser baixa. Ao fundo a minha, a sua, a nossa Copacabana, em todo o seu esplendor e estilo.

Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo. Minha mãe que disse. E eu prometi que viria vê-lo quando ela morresse. Apertei-lhe as mãos em sinal de que o faria; ela estava para morrer e eu em situação de prometer tudo. “Não deixe de ir visitá-lo”, recomendou-me. “Chama-se assim e desse outro modo. Estou certa de que terá prazer em conhecer você.” Então não pude fazer nada a não ser dizer que o faria, e de tanto dizer continuei dizendo, mesmo depois que minhas mãos tiveram trabalho para se safar das suas mãos mortas.

É assim que começa o livro Pedro Páramo , do escritor mexicano Juan Rulfo . Li esse livro, pela primeira vez, na adolescência, quando eu era fascinado pela literatura latino-americana. Trata-se de uma história envolvente, carregada de um clima denso, como se aquele universo fosse impregnado de névoas. O cotidiano da pequena cidade de Comala é alterado com a chegada do forasteiro em busca de noticias de seu pai. Aos poucos o leitor vai descobrindo que todos os habitantes daquela cidade já morreram. É belo e perturbador.

9.12.02




James Dean

DOCES BÁRBAROS – O show dos baianos na praia de Copacabana me provocou sentimentos dúbios. Por um lado o show foi muito legal pois sempre é um prazer vê-los juntos. Mas foi frustrante para quem viu a primeira versão do show.


Na primeira versão dos Doces Bárbaros os quatro estavam no auge do frescor artístico e no auge da juventude. O show tinha um conceito. Eles entravam em cena com figurinos bem loucos e faziam coreografias exóticas e provocantes. Além disso, as músicas tinham arranjos belíssimos, bem diferentes dos arranjos pasteurizados do novo show. O fato é que esse show foi apenas um caça níquel. Cada um deve ter ganho um belo cachê para se apresentar junto. Mas o show foi pobre musicalmente. O que é drástico, em se tratando dos baianos. As músicas foram tocadas com arranjos simplórios, deixando claro que eles não tiveram tempo de ensaiar.


Mas o show teve bons momentos. As entradas de Betânia, com sua voz e personalidade, superam qualquer falha. Gal e Caetano cantando Tieta empolgaram a platéia. E os quatro cantando Os Mais Doces Bárbaros, foi um momento de beleza e encantamento.
Sexta-feira o Baixo Leblon estava agitadíssimo. Todos os bares e restaurantes cheios. Muita gente nas calçadas. Clima total de festa, férias e verão. A Pizzaria Guanabara estava tudo de bom. Enquanto aguardávamos uma mesa no salão com ar condicionado, bebemos um chope no balcão. Estávamos eu, Jairo e duas amigas dele. As televisões da Pizzaria, sempre ligadas na Globo, exibiam Os Normais. Então todos olhavam para as TVs e riam muito.


No balcão da Pizzaria Guanabara, devorando um suculento pedaço de pizza enquanto bebia um chope, o cantor e compositor Rogê. Lindo, cheio de estilo, com o cabelo charmosamente molhado, como se tivesse acabado de tomar um banho. Totalmente popstar, Rogê é uma grande promessa da nossa música pop. Ele é ídolo da geração posto nove, queridinho das garotas de Ipanema, que ficam encantadas quando o vêem tocando violão e cantando canções apaixonadas com sua voz sensual.


Graças ao prestígio de Jairo com os garçons logo conseguimos uma mesa no salão com ar-condicionado. Inicialmente éramos quatro mais logo chegaram Rodrigo e Tetê, com as respectivas namoradas, e dois bofes bonitões, amigos deles, que sentaram ao meu lado. Logo a nossa mesa era a maior do bar. Parecia a Santa Ceia. Jairo bebia sem parar e falava coisas engraçadas todo o tempo. Falava absurdos, tipo: “Se mulher fosse uma coisa boa Deus teria uma!”


Um dos assuntos mais falados da mesa foi à festa da OI. Ao contrário dos jornais, todos falavam muito bem da festa. Diziam ter se divertido muito. Elogiavam o som, a comida, a bebida e o visual do lugar, uma ilha na Baía da Guanabara. O momento mais engraçado foi quando Jairo, que é lutador, faixa-preta de jiu-jitsu, contou que tinha sido paquerado pelo Vitor Fasano durante a festa. “O cara não me deixava em paz. Me paquerou a noite inteira. O Vitor Fasano ficou apaixonado por mim.” Não havia nenhum ranço de homofobia em sua voz. Pelo contrário. Ele parecia se sentir muito lisonjeado por sido paquerado pelo Fasano. Pelo menos tinha uma boa história para contar para os amigos.

Depois da Pizzaria Guanabara fomos para a PRELUDE, uma casa noturna localizada na Lagoa. Fazia tempo que eu não ia naquele lugar. A última vez tinha sido na festa de aniversário do Miguel Falabella, ano passado. A casa estava cheia. Só gente bonita e normal. Nada de tipos especiais, ou gente moderna. Nem colunáveis, nem candidatos a estrela. Apenas gente comum. Mas com o astral lá em cima. Todo mundo dançando a música normal que o DJ tocava. Nada de house, techno ou trance. Apenas Santana, Tribalistas, Shakira, Sophie Ellis Bextor, Jorge Benjor. Ou seja, simplesmente música.

6.12.02



EPÍGRAFE

Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugia e como um furacão,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razão nem dó -
Ah, que dor!
Magoado e só,
- Só! - meu coração ardeu:

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
- Esta pouca cinza fria.

(Poema de Manuel Bandeira)
PENETRA é um dos meus sites favoritos atualmente. O site é cheio de fotos da galera na praia de Ipanema, Leblon, Pêpe. Enfim, todos os lugares quentes do verão. Vendo as fotos reconheci um monte de gente. Vale a pena dar uma olhada. Tem foto de cada corpinho...


Fiquei arrasado com a derrota do Fluminense para o Corinthians. Foi triste ver o fluzão chegar a um passo da final e não conseguir a classificação. Foi injusto. Mas o time está de parabéns. O Fluminense foi um time guerreiro. Renato Gaúcho convenceu como treinador. Certamente teremos mais sorte no próximo campeonato. Afinal, tudo na vida é sorte!

30.11.02




São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, era um oficial da guarda pretoriana durante o império de Diocleziano. O guerreiro foi levado ao martírio por sua própria companhia, por causa da sua adesão ao cristianismo. A tela é de Guido Reni

SANDPIPER BEAT SESSIONS – A mais carioca das grifes de moda jovem incendiou o verão da cidade com uma animada festa no Teatro da Lagoa. O evento faz parte da moderna estratégia de marketing da Sandpiper no sentido de badalar sua sofisticada e elegante coleção de verão. Os modelitos, lançados oficialmente na Rio Fashion Week, já estão disponíveis nas lojas de todo o país, até mesmo na filial de Bali. As camisas em tricoline com bordado são simplesmente incríveis, assim como as camisas em microfibra twill. Bermudas cargo. Camisas pólo piquet. Calças com cortes e cores sensacionais. Adoro o estilo, as cores e o clima caribenho do estilo Sandpiper de vestir.


Na festa os modelos da grife faziam a festa dos convidados circulando pelo lugar com os disputados modelitos da coleção verão 2003. André Rezende, o mais top dos nossos top models, estava lindo, com uma camisa de tricoline estampada em tons vermelhos e um jeans vintage. Dizer que o André estava lindo é redudância. Ele estava deslumbrante, recebendo os convidados com muita simpatia. “Hoje você foi no posto nove?”, ele me perguntou. Por causa da sua morenice ipanemense, tão bem traduzida no seu estilo de vida, e por causa dos seus olhos incrivelmente verdes Mr. Rezende ganhou do empresário Napoleão Fonyat o apelido de Zé Carioca. Daniel Mattar vestia uma camisa de malha stone com silk e calça cargo. Seus longos cabelos ele escondeu numa touca e isto realçou ainda mais os traços marcantes do seu rosto.


O empresário Napoleão Fonyat, big boss da Sandpiper, não conseguia esconder a felicidade com o sucesso da festa. Charmoso e boa pinta, ele vestia uma camisa jacquard e um jeans básico. Em volta do pescoço dois colares de contas balinesas lhe davam o maior charme. Fumando um charuto atrás do outro ele cumprimentava jornalistas e demais convidados sem parar de dançar um instante. Mr. Fonyat representa para a moda carioca do século 21 o mesmo que Mauro Taubman representou para a moda carioca dos anos 80. Estilo, contemporaneidade e identificação com o espírito jovem de quem considera a vida uma praia.


(A grife Sandpiper é definitivamente um estouro! Tanto que no momento em que estava sendo inaugurada a filial de Bali uma bomba terrorista explodiu numa boate local.)


O deejay não deixava ninguém parado, tocando uma música pulsante e irada. No palco da casa noturna foi montado um chill out, com sofás e interessantes efeitos de luz. Dois telões enormes exibiam cenas do desfile da marca no Rio Fashion Week, intercaladas com viajantes cenas psicodélicas e fotos dos ensaios de moda realizados em Havana, Bali e Amsterdã. Cada vez que apareciam fotos do André Rezende um clima denso se instalava no ar. As figuras mais carimbadas do circuito fashion da cidade estavam presentes. Nenhum evento pode ser considerado fashion no Rio de Janeiro se não tiver a presença da trepidante Tereza Duarte. Pois ela estava lá. Bela, elegante, simpática, jovial. Parecendo uma fada encantada, que com sua varinha de condão dizia: “A Sandpiper é Fashion!” Aliás, no dia que a palavra fashion for definitivamente incorporada ao dicionário de língua portuguesa, a definição do verbete será feito por apenas duas palavras: Tereza Duarte.


Também estavam na Sandpiper Beat Sessions personalidades como Renato Rossoni e seus longos dreadlocks; Heloisa Marra que fazia a cobertura da festa para o caderno Ela, acompanhada da fotógrafa Camilla Maia; Cláudio Gomes, charmoso como sempre; Toni Oliveira, mostrando todo o seu profissionalismo na organização do evento; Isabel de Luca, sempre divertida e animada; Aloísio de Abreu dançando sem parar; meu querido Marcelo Balbio, que elogiou meu blog e me apresentou ao jornalista Jefferson Lessa, um cara super divertido e alto astral; Cabeção, conhecido playboy da rua República do Peru; Ricardo Danoninho, um simpático bofe de Copacabana que usava uma t-shirt Tommy Hilfiger. Só gente fina!


O grande acontecimento da festa, no entanto, foi a presença da doce e bela Cíntia Howllet-Martin, a eterna musa do verão. Parecia uma miragem, dançando na pista de dança. Tão leve, parecia flutuar de acordo com os ritmos emitidos pelas caixas de som. Vestia uma saia até o joelho e um corpete bem comportado, mas que deixava os ombros e parte das costas nua. Tudo Sandpiper. Apenas numa orelha usava um brinco de inspirações indígenas. Maquiagem? Nenhuma. Sua beleza dispensa qualquer tipo de retoque. Os longos cabelos sedosos presos num rabo de cavalo, cuja crina acariciava suas costas sensualmente enquanto ela dançava. Os pés ela fez a gentileza de calçá-los com sandálias de dedo, feita de borracha colorida. Assim, os seus charmosos e delicados e lânguidos pezinhos podiam ser admirados pelos seus súditos, que sonhavam um dia serem pisados por ela.


A VIDA É UM ANÚNCIO DA SANDPIPER




UM BASEADO NO POSTO NOVE - Um dos programas mais tradicionais do verão carioca é fumar um baseado no posto nove. É um fenômeno comportamental do balneário. No posto nove toda hora é hora de fumar maconha. Um baseado pela manhã, para começar bem o dia. Um baseado ao meio-dia para enfrentar o sol à pino. Um baseado qualquer hora da tarde para deixar o sujeito maluco-beleza. E o mais importante de todos, que é o baseado do pôr-do-sol. Aquele baseado que se fuma para admirar o sol se pondo no horizonte. Para um verdadeiro Ipanemense fumar um baseado no por do sol é uma tradição tão autêntica quanto o chá das cinco para os ingleses. É o momento de saborear o fim do calor do sol, quando uma brisa suave sopra do oceano, refrescando corações e mentes.


Nesses dias de calor senegalês tenho ido todos os dias fumar o sagrado baseado do pôr do sol no Posto Nove. Sexta-feira foi demais! Quando cheguei no nove (os íntimos chamam simplesmente de “o nove”) dei de cara com uns caras gostosos que eu conheço da praia mas nem sei os nomes deles. Gente fina. Ficamos jogando conversa fora. Falando sobre o programa ideal para a noite que se aproximava. Um disse que ia para o pagode da Lagoa. O outro disse que ia para uma rave no armazém cinco do cais do porto. O terceiro afirmou que ia para a Six. O quarto disse que não ia sair na sexta, pois no sábado iria para a festa da Alicinha Cavalcanti na ilha fiscal. Eu pensei: "O Rio é uma festa!" Foi quando um deles falou que ia acender um baseado.


O baseado do cara era simplesmente alucinógeno. Depois do primeiro tapa o verão tinha se transformado numa estação em cinemascope. Tudo muito harmônico. Calmo. Uma sensação plena de integração com a natureza. Ficamos rodando o baseado enquanto outros grupos fumavam seus próprios baseados. Num ritual exótico. Tribal. Enquanto isso o sol imperial se preparava para o grande momento do seu dia. O pôr!


Foi logo depois de fumar o baseado que eu a vi. Virei de costas e pude divisá-la entre uma multidão de corpos bronzeados quase nus. No meio daquela gloriosa massa de carne humana mal passada sua imagem me bateu como o primeiro tapa do baseado. Forte e inebriante. Linda como um pôr do sol, ela estava sentada numa cadeira de praia, conversando com amigos. Então ela se levantou cheia de graça e foi jogar frescobol na beira da praia. Foi quando eu pude contemplar sua beleza magnética com o sol ao fundo se refletindo no oceano. O corpo perfeito, como o brilho dos raios que refletiam no mar. Os longos cabelos presos num rabo de cavalo. O semblante carregado de feminilidade. Era ela. A mais bela de todas as cariocas. Cíntia Howllet-Martin


Atordoado com o efeito do baseado e perturbado com a beleza da moça mergulho no mar e posso ver os raios de sol brilhando embaixo da água límpida. A água me refresca até a alma. As ondas quebram massageando meu corpo, que parece totalmente integrado ao oceano, como se ele também fizesse parte daquele mundo. Todo ser humano deveria ter a oportunidade de, pelo menos uma vez na vida, experimentar esta sensação: fumar um baseado e depois dar um mergulho no mar. É algo tão intenso quanto um orgasmo. Sentir a água salgada envolvendo seu corpo como uma mãe carinhosa envolvendo um recém nascido no colo.


De dentro d´água vejo Cíntia entrar no mar. Agora ela soltou os cabelos, que lhe caem sobre os ombros. Parece uma miragem. Um fenômeno da natureza. Ela adentra o oceano como uma Iemanjá. A Iemanjá do posto nove. Mergulha e some entre o branco espumante das ondas. Depois ressurge lânguida e serena como uma fada. Concedendo ao oceano a suprema honra de refrescar o calor do seu corpo de sereia. Dando ao sol o privilégio de lhe tocar com os últimos raios de um inesquecível dia de verão.




SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO, SOU DO TIME TANTAS VEZES CAMPEÃO – Estou vibrando com o Fluminense na reta final do campeonato. Ando hiper excitado com a possibilidade do tricolor das Laranjeiras ser campeão brasileiro. Amo o futebol e essa vibração que ele faz acontecer no coração dos brasileiros.


O próximo livro do Nelson Motta é sobre o Fluminense. Nelsinho está escrevendo sobre o time dos anos 75/76/77, que ficou conhecido como a máquina tricolor, por ter garfado todos os torneios. Época de Rivelino e Paulo César Caju. Espero que o livro tenha muitas fotos. Adoro ver fotos antigas de jogos de futebol para ver as pernas dos jogadores. Antigamente os calções eram menores, mais curtos. Então as pernas dos jogadores ficavam mais em evidência. Neste aspecto o futebol regrediu.
Hino do Fluminense
de Lamartine Babo, 1942


Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O Fluminense me domina
Eu tenho amor ao Tricolor


Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor!



Vence o Fluminense, com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias e vitórias mil


Vence o Fluminense, com o sangue do encarnado
Com amor e com vigor
Faz a torcida querida vibrar de emoção
O tricampeão



Vence o Fluminense, usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha como o sol da manhã
Qual luz do refletor
Salve o Tricolor

28.11.02




River Phoenix

Estou chocado com SHAMAN, o novo de disco de Carlos Santana . Simplesmente, o guitarrista recria a música pop do novo século com uma inteligente e harmoniosa seqüência de canções. Esqueçam a evolução tecnológica que domina o pop contemporâneo com seus deejays espetaculares. Em seu novo disco Santana praticamente reinventa a melodia, com seus arranjos e acordes sutis. A influência caliente dos ritmos latinos e o conceito definitivo de world music estão lá. São músicas capazes de levar ao delírio uma pista de dança, com ritmo e charme. E também canções talhadas para fazerem suspirar corações apaixonados.


Do começo ao fim, SHAMAN é uma seqüência de melodias saborosas, que encantam os ouvidos e enlevam a alma. O disco é uma resposta da música ao caos ideológico e moral da nossa época. É como se o artista estivesse mostrando ao seu público que, apesar das dores da existência humana, ainda existe arte. Arte em forma de música. Uma arte que exibe toda a grandeza da existência humana traduzida em canções. Uma arte que faz vibrar no homem os seus sentimentos mais nobres, já que a música de Santana nos transporta ao amor, a fraternidade, a dança, ao sexo, a paixão, a amizade, a solidariedade, ao afeto, a ternura. Nos transporta ao lado mágico da vida.


No álbum anterior, Supernatural, Santana já havia abalado as estruturas do pop com canções definitivas como Maria Maria e Corazon Espinado. O novo álbum é uma evolução do anterior, como conceito e concepção. E nessa evolução ele encontrou a essência da música, transformou-a em canções e fez o primeiro disco definitivamente pop do século vinte e um.




Fred With tires de Herb Ritts

O calor chegou com força total na cidade. O astral do verão presente em cada esquina. Hoje o mar de Ipanema parecia uma lagoa. Águas claras e límpidas. Cada mergulho era uma viagem ao paraíso. Peixes circulavam à minha volta enquanto eu conversava com Jairo. Ficamos um tempão batendo papo dentro da água fresca. Enquanto isso os peixes vinham nos pinicar. Os lindos peixinhos nem se importavam com a presença dos banhistas. Ignoravam a todos certos de que estavam em seu ambiente natural. Nessa linda tarde de verão eu não saberia dizer o que era mais comovente. O sol que transmitia um calor furioso. O infinito e sereno azul do céu. A imensidão do mar, com seus peixes tão simpáticos e acolhedores. Os olhos verdes de Jairo que pareciam duas esmeraldas tristes querendo sorrir.


As manifestações da natureza sempre me comovem. Ontem uma baleia ficou se exibindo na praia. Um salva-vidas disse que ela veio seguindo um cardume até Ipanema. No final da tarde uma experiência mágica. Um temporal desabou sobre o dia quente de verão. Trovões. Relâmpagos. Em pouco tempo Ipanema ficou coberta de nuvens escuras enquanto um quase dilúvio desabava sobre a praia. Foi uma delícia mergulhar no mar com a chuva furiosa caindo sobre mim. Foi um privilégio receber ao mesmo tempo a energia que brotava da chuva e a força que emanava do oceano.




The Preparation de Kenneth Hayes Miller













Fotos de Waldir Leite

FESTA SANDPIPER BEAT SESSIONS 3 - Napoleão Fonyat mais uma vez aposta suas fichas na cena de música eletrônica, e realiza a terceira edição da festa SANDPIPER Beat Sessions. O evento, que será realizado hoje, acontece no Teatro da Lagoa (Av. Borges de Medeiros, 1426), a partir das 22h30, e é fechado para clientes, convidados vips e amigos do empresário. Quem comanda o som é o houseiro Markinhos Meskita + convidados.


IPANEMA SECRETA - A charmosa galeria que fica em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, coração de Ipanema, mudou de nome. Agora, o número 371 da Rua Visconde de Pirajá (o mesmo prédio do antigo cinema Star Ipanema) passa a se chamar Ipanema Secreta.
"Secreta", porque a galeria esconde espaços preciosos para o público descolado do bairro. É um daqueles endereços especiais que a gente descobre, passa a freqüentar para comprar coisas que mais ninguém tem e só conta para aquelas pessoas também especiais. Para apresentar o novo projeto, e fechar o ano em grande estilo, as lojistas do segundo andar da galeria organizaram uma festa fashion, para clientes, jornalistas de moda e formadores de opinião da cidade.

23.11.02




O teatro, quando bem realizado, torna-se algo mágico e fascinante. O espetáculo A PROVA é uma prova do poder do encanto do teatro. Um belo texto, escrito com talento e profissionalismo e com aquilo que Glória Menezes chama de carpintaria teatral. Um diretor sensato, que sabe aproveitar ao máximo as qualidades do texto. Técnicos eficientes criando uma comunhão perfeita entre cenário, luz e sons. Um elenco afiado. Gisele Fróes, Emilio de Mello, Aderbal Freire-Filho. E no centro de tudo isso, dominando a platéia com talento, competência e sensibilidade, a figura da grande diva do teatro brasileiro Andréa Beltrão.


É impressionante a performance de Andréa Beltrão neste espetáculo. Na peça ela é Catherine, uma garota sensível, super dotada, carente, que acabou de perder o pai, um matemático famoso e maluco. Com gestos sutis e uma sensibilidade à flor da pele ela domina a cena e passa para a platéia toda a fragilidade e a força do personagem. Com pequenas inflexões da voz e um absoluto controle do olhar, ela faz com que o público ria e se emocione com a dor e o sofrimento de Catherine.


La Beltrão é uma atriz magnífica. Ela tem voz, gesto e expressão corporal. É um típico animal teatral. Ela é do teatro, e não existe a menor dúvida disso. Andréa deixa a platéia boquiaberta, impressionada com o trabalho de uma atriz que se entrega ao seu oficio com uma paixão tal, que a platéia vê nessa entrega uma declaração de amor ao teatro. E uma grande vontade de dar prazer ao seu público. Aplausos para ela!

O verão chegou com força total. A cidade cheia de eventos e raves. Todos os lugares cheios, como se todo mundo estivesse montado na grana. O fato é que esse verão promete. Até a praia está fazendo a sua parte, mostrando-se bela e serena. Águas límpidas. Cardumes nadando juntos aos banhistas. A beleza se fazendo presente através da natureza.


Num mergulho em Ipanema encontro Jairo, querido amigo, faixa-preta de jiu-jitsu. Ele mergulha ao meu lado, junto aos peixes coloridos que decidiram fazer uma presença para nós. Depois de muito mergulhar, ele emerge seu corpo musculoso da água do mar, sorri como uma criança feliz e afirma certo de que está dizendo uma verdade absoluta: “ Não existe dinheiro no mundo que pague isso que a gente está vivendo aqui. Essa praia, esse sol, esse dia lindo, esses peixes à nossa volta. Nenhum dinheiro paga isso.”


Depois da praia combinamos de nos encontrar logo mais à noite na Pizzaria Guanabara. Chego no Baixo Leblon por volta das onze horas. Jairo está sentado numa mesa com o Isnard, outro amigo. Eles me recebem com carinho. Na mesa ao lado quatro garotas gostosas bebem chope e saboreiam petiscos. Começamos a conversar e rola um clima de paquera com as moças da mesa vizinha. Em pouco tempo estamos batendo um animado papo com as garotas. Signos, viagens, música, assuntos banais. Elas se apresentam. Uma ruiva, uma morena e duas gêmeas. As garotas são simpáticas e articuladas. Mas logo elas pagam a conta e vão embora. Dizem que estão indo para a boate People e falam para irmos lá depois. Quando elas saem Jairo chama o garçom seu amigo e pede a ficha das moças. O garçom então nos diz que elas são garotas de programa que atuam no Leblon e cobram US$ 200 por uma dupla penetração. Caímos na risada e pedimos mais uma rodada de chope.


A noite estava movimentada na Pizzaria Guanabara. Numa mesa, à nossa frente a apresentadora Angélica conversava com um grupo de amigos. Jairo não se cansava de elogiar a beleza da moça. Meu camarada estava todo pimpão com a presença da estrela da TV. Daniele Winnits e Wolf Maia também circulavam por lá, vindos do espetáculo que estão apresentando no Leblon. Noutra mesa Amora Mautner e a devoradora de homens Preta Gil. Enquanto isso Chico Recarey circulava pelo lugar fiscalizando os negócios.


Enquanto isso, Jairo e Isnard me contam que passaram o feriado de 15 de novembro em Búzios. Dizem que a cidade estava cheia. Muita festa rolando. Gente bonita por todos os lugares e muita loucura acontecendo. Eles ficaram numa casa maravilhosa em plena praia de Geribá, com mais dois amigos, também lutadores. Jairo me contou que no sábado, depois de ter ido dar um passeio na rua das Pedras, chegou na casa da praia de Geribá e encontrou os amigos e mais quatro mulheres completamente nus. Na sala estava Rodrigo, que todo mundo chama de Rodrigay, transando com duas garotas ao mesmo tempo. Na piscina Esfiha e Isnard mergulhavam pelados com duas meninas. Enquanto saboreávamos o delicioso chope da Pizzaria Guanabara os rapazes contavam detalhes da noitada erótica em Búzios e me diziam que iam voltar lá no próximo final de semana e faziam questão que eu fosse com eles. Eu ri muito com a história toda e aguardo ansiosamente que o fim de semana chegue rápido.


A noite avançava rápido com o horário de verão. Depois chegou Rodrigay. Lindo, todo vestido de preto. Ficou um tempo na nossa mesa depois foi circular pelo bar. Depois chegaram duas mulheres, amigas dos rapazes, que sentaram na nossa mesa. Uma delas era simplesmente hilária. Ela é cafetina, e agencia garotas para homens bem sucedidos e políticos. Além disso a mulher tem um clube de sexo na Barra da Tijuca onde ela organiza festinhas para lá de animadas. Gostei dela. Articulada, simpática, discreta, bom papo, bem humorada. Por ser baiana, ela me pareceu uma personagem do Canto da Sereia, o livro do Nelson Motta. Insistiu para que fôssemos, qualquer dia, numa tal de Noite do Swing, que ela organiza no seu animado clube na Barra. Além disso, a divertida madame nos convidou para passar o carnaval na Bahia. “Eu ponho todos vocês no camarote do Antonio Carlos Magalhães.” Nada como ser bem relacionada!




No próximo final de semana será realizado o Festival de Cinema de Búzios, que é realizado todos os anos no balneário mais chique do pedaço. O ano passado eu estava em Búzios durante o Festival, hospedado na casa da enigmática Marina W. Foram dias muito agradáveis. Nos divertimos muito eu, Marina W e o seu marido, o jornalista da GloboNews Sidney Rezende. Na beira da piscina ouvíamos muito Manu Chao, passeamos na rua da pedras, jantamos em restaurantes maravilhosos, fomos nas praias mais badaladas, assistimos a um pedaço de um concerto que estava sendo realizado no campo de futebol da cidade. Visitamos uma pousada decorada com fotos históricas de Brigitte Bardot. A cidade estava cheia de gente alegre e louca. Foi tudo muito elegante, light e divertido.


Um dia estávamos passeando, quando por acaso fomos dar na praça da cidade, onde estavam sendo exibidos os filmes. Uma tela enorme no meio da praça. Em volta da praça um monte de gente aguardando o começo do filme. A população local, turistas, convidados do festival. Marilia Gabriela e Gianechini fugindo do assédio dos paparazzi. Foi então que começou a sessão, com o filme O Xangô de Baker Streeet, de Miguelzinho Faria. Nenhum de nós três ainda tinha assistido ao filme. Decidimos assistir só um pedaço, para ver se era bom. Começamos a assistir e achamos o filme tão sensacional que resolvemos ficar até o final. O Xangô de Baker Street parece um filme americano. No bom sentido. Uma história muito bem contada por um roteiro eficiente, uma direção segura e correta, além de uma produção magnífica. A praça estava tão cheia que só conseguimos sentar no chão de concreto. Assistimos ao filme em condições para lá de adversas, sentados num chão duro, num lugar extremamente lotado mas, em momento algum desistimos do filme. Não que não quiséssemos. É que o filme simplesmente não permitiu que fôssemos embora. Ficamos hipnotizados pelas aventuras de Sherlock Holmes no Rio de Janeiro. Um luxo O Xangô de Baker Street.


Foi no Festival de Cinema de Búzios que eu tive o meu momento Winona Ryder. O cartaz do Festival era lindo, com uma foto enorme de Brigitte Bardot. Eu fiquei louco pelo cartaz desde o primeiro momento em que o vi. Quem lê esse blog sabe o quanto eu adoro BB. Pois bem. Tentei roubar o cartaz da sede do festival mas fui descoberto pelo segurança, que me passou o maior pito. Cinema é a maior diversão!
O CASO PEDRINHO – Realmente é trágica e comovente a história do bebê que foi seqüestrado e encontrado dezesseis anos depois. É comovente a resignação e a persistência dos pais verdadeiros em busca do filho. Mas a coisa que mais me atrai nessa história é o próprio Pedrinho. Que menino lindo! Que coisa fofa! Parece um anjo de Caravaggio. Com aquela aura de juventude e beleza que os meninos têm aos dezesseis anos. Adoraria dar um beijo na boca dele.

SOU BICHA PORQUE QUERO! Madame Satan


20.11.02




Adoro SHAKIRA
O Canto da Sereia – Acabei de ler o livro de Nelson Motta. No começo tive uma certa dificuldade de me envolver com o romance. Mas depois a trama intricada, ambientada nos bastidores da música pop baiana, me envolveu completamente. A figura de uma estrela da música baiana sendo assassinada no alto de um trio elétrico, em pleno carnaval, a princípio, me pareceu muito forte. Com o desenvolvimento da história, tudo me soou plausível e, aos poucos, os personagens foram ganhando vida própria. Acho que o Nelsinho Motta teria conseguido melhores resultados com o seu livro, se tivesse tomado como fonte de inspiração os romances de Jorge Amado. A história é perfeita para uma trama no estilo do mais importante escritor baiano. A opção de narrar o livro como um romance policial banaliza a trama, já que o “noir” exige a presença de clichês. E o romance de Nelson Motta é muito mais que uma história policial. A cantora Sereia é um personagem feminino baiano que tem a mesma aura de Dona Flor, Gabriela e Tieta. O livro é ótimo, na medida em que oferece, em seu conteúdo e forma, o prazer da leitura. Mas poderia ter sido melhor ainda se o autor tivesse buscado mais inspiração em Jorge Amado e menos em Raymond Chandler.

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa



Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito.

Renato Russo


19.11.02


Chove torrencialmente sobre Ipanema. Da minha varanda vejo raios enormes rasgando o céu com seu brilho estelar. Uma chuva raivosa desaba sobre a cidade. É quase um dilúvio. Gotas de chuva trazidas pelo vento molham meu rosto. As luzes da casa estão todas apagadas. Apenas o flash dos relâmpagos iluminam a noite. O rufar dos trovões sufocam o espocar dos tiros do cotidiano. O barulho forte dos trovões parecia Deus ralhando com os seres humanos. Gritando para todos nós: quem manda aqui na terra sou eu! A voz potente iluminada por raios incandescentes. O temporal me hipnotiza com todas as suas manifestações. A chuva. Os raios. Os trovões. O som do espetáculo. A natureza mostrando-se bela e poderosa, num momento de grande inspiração.


Um pouco antes de cair o temporal, estava fazendo um calor tão grande que eu saí de casa e fui até o calçadão. No posto seis encontrei meus amigos Pernil e Júnior. Ficamos conversando cerca de quarenta minutos. Eles também são tricolores então ficamos fazendo cálculos e previsões sobre as possibilidades do Fluminense ser campeão. Um vento quente soprava do mar e Pernil vaticinou: vai cair um temporal. Depois eles começaram a falar de Moulin Rouge, que só tinham assistido agora. Eles adoraram o filme e ficaram o tempo inteiro falando das cenas. Pernil disse que a cena em que Ewan McGregor canta Your Song é uma das mais bonitas que ele já viu no cinema. “Agora eu já sei como realmente ganhar uma mulher. Quando ela estiver se remexendo toda para dar para mim eu canto Your Song para ela.” Adoro meus amigos.

"Não há solidão mais triste e pungitiva do que a do homem sem amigos. A falta deles faz com que o mundo pareça um deserto. Aquele que é incapaz de amizade tem mais de irracional que de homem."



Um mergulho em Ipanema – Feriado de sol. Um calor de arrasar. Mergulho em Ipanema e a água do mar está clara e límpida. A temperatura da água parecia acariciar a minha pele.Um cardume nada ao meu lado. Peixes lindos. Enormes. A natureza sempre me emociona.


Em Copacabana teve início a COPA DE FUTEBOL DE PRAIA. Os principais times do bairro disputando o tradicional torneio de verão nas areias da praia. Ouro Preto 1 x 0 Lá Vai Bola; Meus Amigos 1 x 2 Xavier; Constante 3 x 2 Botafogo; Copagalo 0 x 0 União Família Tetra. No primeiro final de semana do torneio surpresas nos resultados. O Botafogo, tradicional campeão do torneio, perdeu para o Constante. Além disso, o goleiro do Botafogo sofreu um acidente, quando se chocou com a trave de madeira ao tentar defender um gol. O rapaz levou um corte no queixo. O Lá Vai Bola tem o maior número de estrelas do futebol de praia: Jorge Zen, Carlinhos, Caô, Batata, Bruninho. Mesmo assim o time perdeu para o Ouro Preto, de Rogério e Cláudio. Depois do jogo, no bar do Lá Vai Bola a depressão era geral. Incrível como uma derrota numa partida de futebol pode arrasar um sujeito. Enquanto isso, no bar do Ouro Preto a festa foi até as quatro da manhã. O torneio dura até fevereiro.


Fluminense classificado! Essa foi a melhor noticia do fim de semana. Eu estava assistindo aos minutos finais do jogo Constante 3 x 2 Botafogo, quando ouvi uma gritaria no calçadão de Copacabana. Yuri, o principal atacante do Copagalo veio correndo em nossa direção gritando: “O Fluminense foi classificado!” O seu rosto era a expressão da felicidade. “Agora eu vou jogar com garra!” E entrou em campo cheio de inspiração para defender as cores do seu time. Adoro futebol!

13.11.02







O Canto da Sereia, de Nelson Motta, é o livro que estou lendo. É uma história fantástica com intrigas, sexo, política e ambição nos bastidores do mundo milionário da música baiana. Ontem, no lançamento do livro, Nelsinho parecia muito feliz. No meu exemplar ele escreveu com uma caneta de tinta prateada: Para Waldir, viva a Bahia! Beijo carinhoso do Nelson. Já estou no décimo terceiro capítulo.


Antes de mais nada é preciso dizer que o livro está muito bem impresso e tem um design gráfico todo especial. Várias páginas do livro são pretas. Inclusive as primeiras páginas de cada capítulo. O resultado gráfico é fantástico. Luiz Stein está de parabéns.


Na festa de lançamento, no restaurante ZERO ZERO, estava presente a adorável família do Nelsinho. Os pais Dr. Nelson e dona Cecília. As irmãs Graça e Maria Cecília. E Joana, Bob, Tati, Antônio. A jornalista Patrícia Andrade, linda com uma blusa vermelha de inspiração japonesa. Um DJ ótimo comandava um som. O bonitão Diogo Gonçalves, agente literário do escritor, cuidava para que tudo saísse perfeito. Um monte de gente bacana apareceu por lá. Euclydes Marinho. Leonardo Neto. Ezequiel Neves. Don Pepe. Patrícia Travassos. Helen Lorenzo. Regina Case. Fernanda Abreu. Xuxa Lopes. Luiza Mariani. João Camargo. A atriz Mariana Ximenes, muito simpática.


Mas, a melhor coisa da festa de lançamento do livro foi ter encontrado meu velho amigo Avelar Love, que eu não via há muito tempo. Avelar Love é um dos integrantes do conjunto João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, a minha banda favorita do rock Brasil. Conversamos bastante e eu fiquei muito feliz em vê-lo. Ele me contou que os outros integrantes da banda desistiram do show business para se dedicar a família e aos negócios. Mas que ele continua na carreira artística. Contou do seu trabalho na peça South Américan Way, onde interpreta um dos namorados de Carmen Miranda. Avelar me disse que está ensaiando uma nova peça musical e me convidou para assistir aos ensaios. Foi muito bom vê-lo novamente e relembrar os bons tempos do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados.
The Ragpicker´s Dream é o novo CD do Mark Knopfler, que não para de tocar no meu computador. Mark Knopfler, a voz e a guitarra do Dire Straits, lançou um disco de blues com uma deliciosa inspiração roqueira. São canções suaves que parecem ter sido compostas com o propósito de seduzir o ouvinte. Para isso as canções se utilizam de acordes que exalam música como se exalassem sabor, perfume e cor.


Red Trail, de Oscar Bluemner
Onde será que o BLOG vai parar? Essa pergunta me persegue sempre que navego na internet em busca de novos blogs. Cada vez mais descubro coisas, aprendo mais, fico mais sabido... Acho que o BLOG nos permite conhecer melhor a alma humana. As pessoas revelam muito de sua alma quando escrevem, mesmo que nem sempre se dêem conta disto. E o BLOG deu um upgrade na exposição da palavra escrita. Democratizou o texto. Agora qualquer um pode dar a sua opinião escrita. Sem precisar da figura ditatorial do editor, como nos jornais ou nos livros. Existe uma verdade na literatura publicada nos BLOGS, onde o autor é o próprio editor.


Eu sempre gostei de ler e tenho um prazer quase erótico em saborear um texto bem escrito. Eu gosto quando o autor me envolve e me surpreende com o seu jeito de escrever. Eu sei reconhecer e admirar um texto escrito com verdade e maestria. Neste aspecto eu tenho me divertido muito visitando os BLOGS, pois tenho descoberto uma nova raça de escritores, que se dedicam a injetar conteúdo no mundo moderno através da literatura on line.


Outros blogs se expressam através de fotos ou ilustrações, mantendo uma comunicação diferenciada com o seu leitor. O fato é que um mundo mágico se descortina através da internet.
Minha mais recente descoberta é o blog A Verdade é o Sexo . O autor possui um texto denso e culto, com uma sofisticada dosagem de perversão. Já o Suruba Digital é um blog erótico, com um texto divertido e inteligente, ilustrado com fotos pra lá de provocantes. O Eletrozeitgest tem um humor ácido e feroz que me diverte muito. Homem Que Ama Homens narra as peripécias eróticas do autor do blog com muito humor e uma curiosa e ácida observação do comportamento humano. Teu Safado tem fotos bem ousadas de homens testando seus limites sexuais. Base Militar 447 é dedicado aqueles que sentem fascínio e desejo por militares. É um blog hilário. O Diário Secreto de Aline Fagundes é uma maravilha erótica e literária.

10.11.02

Adoro Elton John e todas as suas músicas. Do seu repertório, uma das músicas que mais gosto é I don´t wanna go on with you like that. Sempre gostei do ritmo e do suingue da música, além da letra que para mim sempre foi uma demolidora história sobre o fim de um caso de amor. Pois bem. Em recente entrevista, ao falar sobre o seu envolvimento com drogas, Elton John declarou que a letra da música, escrita por Bernie Taupin, foi feita depois que o seu parceiro leu uma carta que o cantor escreveu para a cocaína, como se ela fosse uma pessoa. No auge de sua crise com as drogas, Elton John se internou numa clínica de desintoxicação nos Estados Unidos. O astro pop estava tão envolvido com as drogas, tão louco e fissurado, que para começar o tratamento os médicos sugeriram que ele escrevesse uma carta para a própria cocaína, acabando com o caso que havia entre eles. Bernie Taupin leu a carta e ficou impressionado: “Como é que você não consegue escrever as letras para suas músicas, mas consegue escrever uma carta como essa?” Foi a partir dessa carta que surgiu a letra de um dos maiores sucessos do cantor.


I Don't Wanna Go On With You Like That


Music by Elton John
Lyrics by Bernie Taupin


I've always said that one's enough to love
Now I hear you're bragging one is not enough
Something tells me you're not satisfied
You got plans to make me one of four or five

I guess this kind of thing's just in your blood
But you won't catch me carving up my love
I ain't no puzzle piece that needs to fit
If it takes more than me let's call it quits

`Cause I don't wanna go on with you like that
Don't wanna be a feather in your cap
I just wanna tell you honey I ain't mad
But I don't wanna go on with you like that

It gets so hard sometimes to understand
This vicious circle's getting out of hand
Don't need an extra eye to see
That the fire spreads faster in a breeze

And I don't wanna go on with you like that
Don't wanna be a feather in your cap
I just wanna tell you honey I ain't mad
But I don't wanna go on with you like that
No I don't wanna go on with you like that
One more set of boots on your welcome mat
You'll just have to quit them if you want me back
`Cause I don't wanna go on with you like that

Oh if you wanna spread it around sister that's just fine
But I don't want no second hand feeding me lines
If you wanna hold someone in the middle of the night
Call out the guards, turn out the light

“Sou bicha porque quero!” - Excelente o filme Madame Satã. Fazia tempo que um filme brasileiro não me empolgava tanto. O roteiro bem desenvolvido. Uma direção inteligente e bem resolvida. E um ator fantástico. Esses ingredientes, misturados na medida certa resultaram num filme mágico e encantador. Lázaro Ramos, o ator protagonista, é uma agradável surpresa. Ele tem postura, personalidade, um olhar intenso e uma voz que envolve o espectador. Seu leve sotaque baiano é muito charmoso. E sua expressão corporal diz tanto sobre o personagem quanto sua voz ou os diálogos do filme. Madame Satã funciona como uma mini biografia de um personagem da cultura brasileira. Mas também funciona como um libelo sobre o preconceito aos homossexuais.


Madame Satã é um malandro típico da Lapa dos anos 30/40, que vive da malandragem e de pequenos golpes. Acrescente-se a isso o fato dele ser negro e homossexual. Para sobreviver a esse contingente ele precisa, antes de qualquer coisa, ser um forte, um valente. O personagem vive sendo humilhado por ser negro e homossexual. E ele combate a violência desses preconceitos com agressividade e mais violência.


Como toda bicha que se preza, Madame Satã sonha em ser uma estrela. Por isso trabalha como camareiro de uma cantora de boate. Apaixonado por Josephine Baker, sonha em um dia fazer seu próprio show. Quando consegue se apresentar cantando num bar da Lapa torna-se a bicha mais feliz do mundo. Mas um boêmio machão embriagado resolve estragar sua felicidade humilhando-o por ser homossexual. Dando-lhe porrada e chamando-o de veado, com aquele nojento tom de desprezo que os pretensos machões se utilizam quando querem humilhar as bichas. É nesse momento que Madame Satã realiza a grande fantasia de todos os homossexuais do planeta. Depois de ser espancado e humilhado ele vai até sua casa, pega um revolver e enche o machão de bala. Não sem antes gritar para o machão a frase símbolo deste filme: “Sou bicha porque quero!” Madame Satã é um filme que merece ser aplaudido de pé.

5.11.02



VEJA A FOTO E LEIA A POESIA * A beleza definitiva de BRIAN BOSWORTH especialmente para ilustrar o poema ÁGUA PERRIER de Antonio Cicero .

Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.

Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
alimentar seu tédio.
Para tanto, exponho
a minha admiração.
Você em troca cede o
seu olhar sem sonhos
à minha contemplação:

Adoro, sei lá por que,
esse olhar
meio escudo
que em vez de meu álcool forte pede água Perrier.


4.11.02



Mahone Bay, de William Glackens

DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO - O primeiro domingo com horário de verão foi em grande estilo. O sol brilhou majestoso durante todo o dia. A cidade com eventos para todos os gostos. Na praia de Ipanema, em frente ao Country, o super modelo Walter Rosa me diz que gostaria de fazer uma peça musical, inspirada no disco A Tábua de Esmeraldas, de Jorge Ben. Lui Mendes me conta que o diretor André Matos está preparando uma nova montagem do espetáculo O Ateneu, que o saudoso diretor Carlos Wilson criou a partir do livro de Raul Pompéia. Os deuses do teatro pareciam estar ao meu lado neste dia. No fim da tarde, voltando para casa, encontro com o ator Marcos Palmeira ainda na praia. Lindo, bronzeado, óculos escuros, camisa sem manga e um grosso colar artesanal em volta do pescoço. Parecia um havaiano de Hollywood. Como sempre Marquinhos foi muito simpático e gentil, e me convidou para ir assistir a peça Mais Uma Vez Amor em que ele atua ao lado de Luana Piovani. Mais uma Vez Amor é uma grata surpresa. É um espetáculo divertido e bem humorado. Marcos e Luana interpretam um casal apaixonado cujo romance começa na adolescência e os acompanha até a velhice, sem que eles nunca fiquem juntos. A direção é caprichada e tem uns efeitos especiais bem legais.

Assistir ao filme Fale com ela de Pedro Almodóvar é uma experiência de vida. Tantas vezes o cinema já contou histórias de amor e, de repente, o diretor espanhol nos surpreende com uma história tão original quanto comovente. Além do conteúdo do romance o filme nos contagia pela forma como a história é contada. As imagens são de uma beleza mágica. Tudo que envolve o filme é cercado por uma aura de grande arte. É tudo artisticamente sofisticado. Como se o diretor fizesse questão de oferecer o melhor ao seu público. Um gentleman, esse Almodóvar.


O primeiro filme do Almodóvar que eu assisti foi O Matador, no extinto FestRio, o antigo festival de cinema do Rio de Janeiro. O Matador participou da competição, ao lado de filmes como Minha Adorável Lavanderia e Morte no Inverno. Desde o primeiro minuto eu fiquei impressionado com o filme policial, ambientado numa Madrid cheia de mistério e magia. Um roteiro inteligente e sofisticado, filmado com imagens de sugestiva beleza plástica. Na platéia não havia mais do que uma dezena de pessoas e o filme passou praticamente despercebido. Depois da sessão um ainda desconhecido Pedro Almodóvar subiu ao palco para receber flores da organização do festival. Depois ele ficou circulando pelo saguão do Hotel Nacional, completamente ignorado por todos. Ninguém imaginava que um dia aquele espanhol ia ser considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos.


O FestRio em que foi exibido O Matador, foi um festival inesquecível. Além de O Matador, Minha Adorável Lavanderia e Morte no Inverno o festival exibiu filmes como Breathless, com Richard Gere e Valerie Kapriskie; De Repente Num Domingo, o último de François Trauffaut; A Mulher Pública, também com Valerie Kapriskie. Além de clássicos como The Wind.


Eu assistia aos filmes da competição no Hotel Nacional, onde era a sede do festival. No saguão do hotel a badalação corria solta. A imprensa nacional e estrangeira, artistas locais e fãs de cinema em geral circulavam com grande excitação por todos os lados. Várias estrelas internacionais marcaram presença. Richard Gere veio promover o lançamento de Breathless e se encontrou com a heroína do seu filme, Valerie Kapriskie, que tinha vindo badalar o lançamento do francês A Mulher Pública. Também estavam presentes Win Wenders, Jim McBride, Ellen Bursten, Fanny Ardant, Dominique Sanda. E tinha também Sonia Braga na comissão julgadora.


Todos os dias eu ia para o Hotel Nacional onde encontrava o diretor de teatro Ruiz Bellenda, cinéfilo como eu, e trocávamos figurinhas sobre o festival. Comentávamos os filmes, os atores, as fofocas, falávamos das festas e dos coquetéis. Certa vez eu encontrei com ele às gargalhadas no bar da piscina. Perguntei do que ele tanto ria e ele me disse que tinha visto a coisa mais engraçada da sua vida: “Eu vi a Marilena Coury pedindo um autografo para o Richard Gere e ele simplesmente recusou. Não quis dar o autografo para ela. Não é o máximo?” E caiu na risada.


Eu e o Ruiz fizemos uma grande dupla neste FestRio. Eu me lembro de ter me divertido muito com o seu humor e o seu senso crítico. Ficávamos loucos quando víamos a Dominique Sanda. Ela estava linda. Com aquele seu ar aristocrata e superior. Tão bonita quanto em filmes como O Conformista e Novecento. Só de lembrar que um dia eu estive frente-a-frente com Dominique Sanda acho que já valeu a pena ter vivido. Para mim a atuação dela em O Conformista, de Bernardo Bertolucci, é uma das coisas belas que as telas do cinema já mostrou.


Uma das personalidades mais presentes neste festival foi a diretora de cinema paulista Anna Muylaert. Na época ela era pouco mais que uma menina. Linda, gostosa, chique, situada. Anna também era louca por cinema e tinha trazido para o Rio o roteiro de um filme chamado Carmen Zoom, a história de um travesti sob a ótica de uma mulher, que ela queria dirigir com a Roberta Close no papel principal. O roteiro era muito interessante e, na época, Roberta Close estava no auge da popularidade. Um dia, num coquetel realizado no bar do hotel, eu encontrei Antonio Calmon cheio de uísque e ele me segredou: “Sabe qual é a maior fofoca do festival? Anna Muylaert passou a noite no quarto do Win Wenders, dando para ele.” Cinema é a Maior Diversão.

3.11.02



Segovia Girl de Robert Henri

LA WEEKLY , o meu favorito magazine americano, publicou artigo sobre o último filme de Brian de Palma Femme Fatale. Segundo a jornalista Amy Taubin Femme Fatale é o melhor filme do diretor desde Carrie, a Estranha. Senti um frio na espinha só de pensar na possibilidade de assistir um filme do Brian de Palma dos velhos tempos.

1.11.02





Manchete de primeira página do jornal EL CLARIN: LULA ARRASÓ

31.10.02



Richard Wheatcroft, rancheiro de Montana, fotografado por Richard Avedon
O QUE É A INVEJA? - Inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos. Não é necessariamente associada à um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.

A inveja é um dos sete pecados capitais na tradição Católica. É considerado pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bençãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual.

A inveja é freqüentemente confundida com o Pecado Capital da cobiça, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é probida nos Dez mandamentos da Bíblia.

É comumente associada à cor verde, como na expressão "verde de inveja". A frase "monstro de olhos esverdeados" (green-eyed monster, em inglês) se refere a um indivíduo que é motivado pela inveja. A expressão é retirada de uma frase de Otelo de Shakespeare. Outra expressão muito comumente usada no dito popular, para designar a inveja é a dor de cotovelo.

27.10.02

LIGIA, parceria de Tom e Chico, uma das minhas músicas favoritas da MPB

Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou à Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol

E quando eu lhe telefonei
Desliguei, foi engano.
Seu nome eu não sei,
Esquecí no piano as bobagens de amor
Que eu iria dizer

Não, Lígia, Lígia.

Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana

Um choop gelado em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon

E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome rasguei
Fiz um samba-canção
Das mentiras de amor
Que aprendí com você.

Lígia, Lígia.

E quando você me envolver nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol

Ligia, Ligia.



COPACABANA FOREVER – A primavera deixa a cidade cheia de esperança. Em frente ao Hotel Othon encontro o modelo André Resende fotografando um editorial de moda para uma edição russa da revista GQ . Enquanto o fotógrafo troca o filme da máquina nós conversamos. André é um gentleman. Um dos caras mais gentis e educados que eu já conheci na vida. Eu comento que acabei de vê-lo numa foto de página inteira no jornal O Globo, num anúncio da Sandpiper. Ele fica surpreso e diz que nem sabia que o anúncio tinha sido publicado. Diz que vai comprar o jornal assim que terminar a sessão de fotos.


Nesse momento a produtora das fotos se aproxima e pede para André vestir uma sunga mínima, da grife Gucci, com listras coloridas. Polidamente, André diz que não usa sunga apenas sungão. Diz que vai ficar com a marca do bronzeado aparecendo. A moça então troca a sunga por um sungão Dolce & Gabbana, com a estampa multicolorida. O modelo Gabriel Mattar, que também está participando das fotos, em tom de piada, diz que ele vai ficar um tremendo macho com aquele sungão. Os dois caem na risada, debochando da peça de roupa, sem se importar que é um modelo de uma das mais badaladas grifes internacionais.


Aliás, as roupas usadas no ensaio eram todos de grifes famosas. Fendi, Gucci, Versace, Tommy Hilfiger, Ermenegildo Zegna, Diesel, Versace, Gautier. Um verdadeiro dream team da moda internacional. E o estilo era moda praia. Ou seja, bermudas, calções, shorts, camisetas, camisas coloridas, sungas, sungões e chapéus.


André Resende é o atual queridinho da moda brasileira. Foi uma das estrelas do Rio Fashion Week. Já fotografou para as principais publicações de moda na Europa e nos Estados Unidos. Participou de três ensaios com o fotógrafo Bruce Weber. Ele é aquele garotão lindo que ilustra os anúncios da grife Sandpiper.


Gabriel Mattar também faz a linha superstar da moda brasileira. Lindo de morrer. Um corpo simplesmente fantástico. O verdadeiro show da vida. Ele é branco, lábios carnudos e uma longa cabeleira de caracóis castanhos fazem dele um tipo exótico bem adequado ao circuito internacional de moda.


Eduardo Rodrigues é outro super fera da moda internacional. Também já posou para Bruce Weber e foi capa da VOGUE italiana. Num intervalo da sessão de fotos o bonitão gaúcho me contou que já fotografou na Rússia, com Moscou coberta de neve e um frio de rachar. Disse que adorou a capital russa mas que detestou o frio. “ Para mim fotografar na praia é como fotografar na minha casa.” Além dos três rapazes haviam duas garotas que faziam figuração.


Por trás do ensaio o fotógrafo suíço Hans Peter Schneider . Ele parecia se divertir muito orientando os modelos a fazerem caras e bocas. Hans Peter fazia questão de fotografar os modelos bonitões em primeiro plano tendo ao fundo toda aquela fauna que freqüenta a praia de Copacabana em frente ao Othon. Prostitutas, turistas sexuais, vendedores ambulantes, salva-vidas, etc. Num dado momento Hans Peter pediu a produtora que convidasse um grupo de pagodeiros que divertiam turistas na praia para participarem da sessão de fotos. Os músicos então começaram a tocar enquanto os modelos sambavam e faziam coreografias e Hans Peter clicava cada detalhe da folia. A praia inteira parou para vê-los. Imediatamente eu lembrei do vídeo clip da música I get Along, do Pet Shop Boys, dirigido pelo Bruce Weber.


Depois da sessão de fotos André Resende me apresentou ao fotógrafo Hans Peter Schneider e ele foi super simpático. Disse que as fotos tinham ficado fantásticas e que essa era a terceira vez que fotografava no Brasil. Elogiou o profissionalismo e o bom humor dos modelos brasileiros. Hans Peter também me disse que a cidade tem uma luz perfeita para a fotografia e um clima que ele adorava. Depois o fotógrafo suíço me deu um cartão com o seu endereço eletrônico para que eu pudesse ver algumas de suas fotos publicadas na internet. O endereço é: www.hanspeterschneider.com