31.7.08




Quem não souber viver com pouco será sempre um escravo.

SHOW DE BOLA – A favela ataca novamente. Estréia na próxima semana nos cinemas do Rio Show de Bola, do diretor alemão Alexander Pickl. O filme já foi exibido com sucesso na Alemanha, onde um crítico o definiu como “Cidade de Deus com futebol”. A definição revela uma boa observação sobre o filme. Mais uma vez a favela é cenário do cinema nacional. Apesar de o diretor ser alemão o filme é falado em português e tem alma de filme brasileiro. Em entrevistas Pickl chegou a afirmar que tinha se inspirado no filme de Fernando Meireles para realizar Show de Bola. Na terça-feira, 5 de Agosto, o diretor e o elenco estarão promovendo uma sessão apenas para convidados no cinema Roxy em Copacabana.


Show de Bola conta a história de Tiago, uma garoto que mora na favela, cuida da mãe doente, e tem uma vida pobre ao lado do irmão. Na comunidade ele é conhecido por sua habilidade com a bola. É um craque nato. Seu irmão Marcos, uma convicente atuação do top model Gabriel Mattar, se mata de trabalhar para sustentar a casa e acalentar o sonho de Tiago em se tornar um grande jogador de futebol. Para eles essa é a única maneira de saírem da miséria. A vida de Tiago se complica quando dona Maria, sua mãe, uma brilhante atuação da atriz Sandra Pêra, tem uma forte crise de saúde. Tentando conseguir recursos para pagar o tratamento da mãe, Tiago aceita trabalhar vendendo drogas para o traficante Tubarão, personagem do ator Lui Mendes. Comovido com o talento de Tiago para o futebol o traficante, através de seus clientes no meio esportivo, consegue uma oportunidade para o rapaz jogar no Fluminense. Mas uma série de contratempos insiste em atrapalhar os sonhos do jogador.


Quem faz o papel de Tiago é o ator Thiago Martins que, com esse personagem, se consagra definitivamente como “o definitivo galã da favela”. O jovem ator do Vidigal, que despontou em Cidade de Deus, interpreta novamente o gostosão da favela. Sem tirar nem pôr, seu personagem em Show de Bola é o mesmo personagem que ele faz no filme de Breno Silveira Era uma vez, em cartaz nos cinemas.


Sobre o filme Show de Bola é importante dizer que desde Asa Branca, de Djalma Limongi Batista, que o futebol não era retratado com tanta propriedade pelo cinema brasileiro. A relação apaixonada entre o homem brasileiro e o futebol é narrada com muito charme pelo filme, que tem seqüências maravilhosas filmadas no Maracanã, num jogo entre o Fluminense e o Volta Redonda. Sobre isso o diretor declarou numa entrevista:

"Eu sabia que o futebol era importante para as pessoas no Brasil, mas que substituísse a religião, isso eu não podia imaginar. Precisamos andar uma vez à noite ao longo da Avenida Copacabana, caso queiramos ver qual o valor que tem o futebol no Brasil. Ali realmente cada centímetro quadrado está marcado para campos de futebol de praia”.


O diretor Alexander Pickl é um desses europeus que adoram o Brasil e vem com freqüência ao país. Ele é um renomado diretor de comerciais na Europa e esse é seu primeiro longa metragem. Antes ele havia dirigido apenas sofisticados anúncios de automóveis, shampoos, celulares e outros ícones da sociedade consumo. Nos intervalos de suas filmagens Pickl sempre dá um jeito de vir passear no Rio, curtir a cidade e seus bofes inacreditáveis. Aqui o diretor alemão gosta de curtir o carnaval, a praia em Copacabana, nossa comida típica e também o candomblé. Ele é louco pelo candomblé. É filho de santo e freqüenta um terreiro no subúrbio onde participa de rituais. Mais carioca impossível. Depois da estréia de Show de Bola ele tem planos de voltar a dirigir no Rio, dessa vez um filme sobre artes marciais inspirado na figura do lutador Ryan Gracie.




Em entrevistas a jornais europeus Alexander Pickl falou sobre o cotidiano das filmagens, a experiência em fazer cinema no Brasil e sua convivência com as favelas cariocas. Ele disse:

No Rio de Janeiro e nas favelas, de qualquer forma reina a anarquia e o caos. Quando se combina hoje numa favela um horário de filmagem para amanhã, pode acontecer que se acabe no meio de uma luta de bandos, nem sendo possível usar o cenário do local.
Durante as filmagens muitas vezes éramos alvo de tiros. Uma vez fomos presos pela polícia militar e ameaçados pela máfia das drogas. Para conseguirmos filmar tínhamos que fazer conexões com todo tipo de gente. Um dos nossos contatos era um sujeito que atua como guia nas favelas e vive de extorquir dinheiro dos turistas.

Como pode ser visto muito bem no filme, vistas a distância, as favelas parecem colméias de abelhas. Em Cantagalo, uma das favelas, descobre-se, de muito longe, no meio desse favo cinzento, uma construção branca e muito alta, que se parece com aquilo que imaginamos ser uma vila de um barão das drogas da Colômbia. Por sorte não existe cinema com estímulo olfativo. Em muitas favelas foi necessário juntar todas as forças para que a equipe toda não vomitasse sem parar. O mau cheiro era imenso.
Eu teria amado filmar, na zona norte, um dos rituais das lendárias magias da macumba. Mas a zona é considerada muito militante e perigosa. Não é raro que atirem dos telhados das casas sobre carros que passam nas rodovias.

23.7.08





Profissional é aquele que faz o seu melhor trabalho quando menos vontade tem de fazê-lo.

SLIPSTREAM - A moderna música brasileira é destaque na edição desta semana do jornal LA Weekly, a bíblia da cultura e comportamento de Los Angeles e adjacências. O LA Weekly está para Los Angeles assim como o Village Voice está para Nova York. Com o título de A samba for a modern night: new music from Brazil o jornal publicou uma elogiosa matéria assinada por John Payne sobre o que chamou de “moderna musica brasileira”. O alvo da reportagem é o trabalho dos compositores Kassim, Moreno e Domenico, e os CD´s lançados por eles que formam uma trilogia musical que, segundo o autor da reportagem, “trazem grandes idéias para a música brasileira do século 21”. Humm... A reportagem que enche a bola dos artistas brasileiros é ilustrada com a capa dos discos. Leia AQUI




BLOG DO GUERREIRO – É um luxo o blog do fotógrafo Antônio Guerreiro, um dos grandes artistas brasileiros. O mais bacana no seu trabalho é que as fotos de moda e celebridades retratam a cultura brasileira com glamour e estilo. Suas imagens dos anos 70 mostram uma época de vigor e exuberância. As imagens desse período, auge do Governo Militar, descrevem um Brasil bem informado, culto, sofisticado, elegante, produtivo e inovador. Nos seus cliques Guerreiro registrou o sorriso mágico de Leila Diniz, a beleza de Odete Lara, o vigor dos Secos Emolhados, o desbunde dos doces bárbaros Gil, Caetano e Gal, o humor de Nelson Rodrigues, o romance de Chico e Marieta, o peito de Marina Montini... Tem também capas de LP´s marcantes, capas de revistas e ensaios de moda. O Blog do Guerreiro é imperdível.



Uma vela não perde nada quando acende uma outra vela.


LITERATURA FRANCESA - Furiosamente cínico, desesperançado e de estilo provocativo, o papa do noveau roman e enfant terrible do establishment literário francês Alain Robbe-Grillet morreu no início de 2008. Sua prosa cáustica e pornográfica deixou rastros de amor e ódio. Seu último trabalho, o livro Um Romance Sentimental, um conto de fadas para adultos desprovido de qualquer amarra moral, fechou com polêmica uma carreira repleta de provocações e originalidade.

A edição francesa chegou às livrarias lacrada e com as páginas parcialmente coladas, tendo em destaque, na capa, uma etiqueta de advertência ao leitor: risco de chocar certas sensibilidades. O motivo? Um Romance Sentimental conta a história da pequena Anne-Djinn, ou Gigi, que aos 14 anos recebe uma educação bastante peculiar do pai, com o qual divide a cama. Ele a obriga a ler em voz alta - e nua - textos eróticos do século XVIII. A fim de tomar as lições, aplica pequenos testes à menina, a qual é fisicamente repreendida em caso de erros. A história ganha nuances mais dramáticos quando o pai presenteia a garota com Odile, de apenas 13 anos, que se tornará a escrava dos desejos mais sádicos de Gigi.

Com Um Romance Sentimental, os leitores novatos de Grillet têm uma boa oportunidade de conhecer uma narrativa jubilar, ainda muito mais audaciosa que a de seus livros anteriores. Outros leitores, conhecedores de seus “pequenos trabalhos narrativos”, como ele chamava seus romances e filmes, reencontrarão aqui seus temas obsessivos.

Alain Robbe-Grillet nasceu em Brest, na Bretanha, em 1922. Engenheiro agrônomo, lançou seu primeiro romance, Les Gommes, em 1953. Participou do grupo de escritores reunido na Éditions de Minuit, criando as bases do Nouveau Roman em 1963. Entre seus roteiros de filmes, destaca-se O ano passado em Marienbad, dirigido por Alain Resnais. Publicou, entre outras obras, Le Voyeur (1955), La Jalousie (1957), La Maison de rendez-vous (1965), Topologie d’une cité fantôme (1976), Os últimos dias de Corinto (1994) e A retomada (2002). O autor faleceu em fevereiro de 2008, em decorrência de problemas cardíacos.

14.7.08




Ser capaz de respeito é hoje em dia quase tão raro como ser digno de respeito.


UMA NOITE EM LAS VEGAS Cristian, o jogador do Flamengo que fez o terceiro gol na partida contra o Vasco, neste domingo, comemorou fazendo gestos de lutador, como se estivesse num ringue. É que no sábado à noite ele estava na platéia do Jungle Figh by Pozil, o torneio de MMA-Mixed Martial Arts produzido por Wallid Ismail no elegante Hotel Windsor, da Barra, local onde o time costuma ficar concentrado.


O grande sonho de Wallid Ismail é produzir regularmente aqui no Rio grandes torneios de MMA (antigamente chamado de Vale Tudo) nos moldes dos que são apresentados nos cassinos de Las Vegas. Ele deu um grande passo com o torneio apresentado no último sábado. A parceria que ele fez com a Ability está sendo bem produtiva já que este é o terceiro show de lutas promovido esse ano. O Jungle Fight by Pozil foi um grande espetáculo para os admiradores de lutas e, ao mesmo, um simpático evento social para quem estava interessado em badalar na noite de sábado.


Enquanto lutadores das principais equipes do Brasil digladiavam no ringue, a platéia que lotava o salão nobre do hotel torcia e vibrava com os golpes, ataques, defesas e reviravoltas das lutas. Uma excitação tomou conta da platéia, desde a abertura do salão até o início do combates. Havia aplausos e assovios para os golpes mais precisos e vaias para os lutadores menos combativos. Estavam lá fãs e admiradores dos shows de luta como Malvino Salvador, Raul Gazolla, Vitor Fasano, Nívea Stellman e Paulo Vilhena. E mais Bernard Rajman e o surfista Eraldo Gueiros. A Delegada Monique Vidal com o marido lutador Gustavo Ximú. O fera do jiu-jitsu Raphael Abi-Rian. E o judoca Leonardo Leite que, como sempre, era o rapaz mais bonito da noite.


A grande luta do evento foi a que reuniu o atleta da Academia Nova União Ronnys Torres contra Luiz Azeredo da Chute Box. Dois jovens guerreiros e cheios de ambição no mercado das lutas. Entraram no ringue cheios de vontade. A vibração dos atletas contagiou o público desde os prrimeiros golpes. Faltando 30 segundos para o final do combate Ronnys conseguiu finalizar o adversário aplicando uma demolidora chave americana. A vitória mereceu muitos aplausos e muita vibração da platéia. Na luta anterior o famoso Assuério Silva detonou o americano Terrol Dees. E o francês Xavier Foupa-Pokam venceu o brasileiro Felipe Mongo por nocaute técnico no terceiro round.


8.7.08




A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.


FESTA DE ANIVERSÁRIO - O Ministro do Esporte Orlando Silva comemorou aniversário no Rio, numa festa na casa da empresária Marília Guimarães, sua amiga de muitos anos. Marília é uma festeira nata e adora receber em sua casa, no alto de um condomínio de luxo no Itanhangá, que tem uma bela vista de toda a Barra da Tijuca. Entre os convidados havia o pessoal do esporte, artistas e gente da política. Revelando-se um excelente anfitrião Orlando Silva soube dividir sua atenção entre todos os convidados. Estava lá, desde o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame até o campeão de judô Flavio Canto, passando pela candidata a prefeitura do Rio Jandira Feghali, até o playboy baiano Christiano Rangel. E também Carlos Artur Nuzman com Márcia Peltier, Luiz Carlos Barreto com Luci, Antônio Pitanga elegantérrimo, Carla Daniel, José Poerner, o charmoso surfista Eraldo Gueiros, o diretor de esportes da Rede Globo Luiz Fernando Lima, o jogador de futebol de praia Jorge Costa, Jaqueline do vôlei e mais um monte de gente.


Pontual, o Secretário Beltrame foi o primeiro a chegar e assim pôde conversar mais calmamente com o aniversariante. Diante de um grupo de sambistas da Portela o Ministro soltou a voz e cantou, afinado, trechos de antigos sambas da escola. Bem humorado, ele não perdeu a linha nem quando Jaqueline do vôlei reclamou da presença do seu desafeto Carlos Artur Nuzman na festa. “Pôxa, Ministro, esse Nuzman não tinha nada que estar na sua festa”, disse a atleta que odeia o presidente do COB. “Não liga não, Jackie, ele foi tão simpático com você”, respondeu o aniversariante com um sorriso maroto.


Orlando Silva ficou particularmente satisfeito com as presenças de Flavio Canto e Eraldo Gueiros na sua festa. Conversou bastante com os atletas. Quis saber do surfista detalhes sobre suas aventuras enfrentando as ondas gigantes do Havaí. Com um charmoso sotaque baiano ele perguntava: “Rapaz, você não ficava com medo quando via aquela onda de trinta metros na sua frente?” E o Eraldo Gueiros respondia sério: “Ficava com medo sim, mas já estava ali, tinha que enfrentar.” E o Ministro: “Rapaz, você é muito corajoso”.


Flavio Canto, que tinha acabado de chegar do Amazonas, contou ao Ministro suas impressões sobre a viagem de quinze horas que fez pelo Rio Amazonas e sobre a exótica festa de Parintins. Canto, que não conhecia a região, disse que gostou muito do que viu. E contou que se divertiu muito com o cantor Toni Platão que ele conheceu durante a viagem. “O cara é muito engraçado. Eu ri muito com o Toni Platão”, dizia o craque do judô, que prometeu assistir ao próximo show do artista.


Conversando com Jorge Costa, craque do futebol de praia, atleta do Força e Saúde, Orlando Silva disse que a coisa mais importante no futebol brasileiro este ano foi a eleição de Roberto Dinamite para a Presidência do Vasco. “Eu só tenho medo da caixa preta que o Dinamite vai encontrar”, arrematou. Quem fez muito sucesso na festa foi o playboy baiano Christiano Rangel. Bonitão, elegante, charmoso, falante, com um sorriso luminoso, Rangel é uma personalidade do jet set baiano. Inteligente, sempre tinha um comentário engraçado na ponta da língua. A candidata Jandira Feghali estava muito elegante com um poncho vermelho e saiu cedo da festa já que no dia seguinte tinha que fazer campanha. “Adoro o Orlando Silva, não podia deixar de vir cumprimentá-lo”.


Durante a festa o Ministro falou do seu entusiasmo com a TV Pública. “Acho fundamental para o mercado de televisão no Brasil a existência da TV Pública. A produção cultural televisiva é muito concentrada no Rio e em São Paulo. Precisamos de uma TV que mostre a produção cultural de todo o Brasil”, disse ao produtor Luiz Carlos Barreto e sua mulher Luci Barreto. Quando Antônio Pitanga contou que estava gravando a novela Os Mutantes, na Rede Record, o Ministro disse que o sucesso dessa novela era a melhor coisa que estava acontecendo na TV brasileira. “O sucesso dos Mutantes é bom para o mercado de trabalho e para a reciclagem da novela brasileira. É bom até para a TV Globo que está sendo obrigada a se mexer”. Depois concluiu: “Eu quero conhecer esse Tiago Santiago. A próxima vez que eu vier ao Rio vou ligar para ele”.


Numa roda de conversa, enquanto tomava um drinque, o Ministro contou que esse ano já havia ganhado nove biografias do candidato americano Barack Obama. Christiano Rangel foi logo dizendo: “Estão querendo que você seja candidato a presidência do Brasil”. Risos. Depois Orlando Silva contou que no dia seguinte iria à Paraty, na Feira Literária. "Vou assistir à palestra do antropólogo Roberto Da Matta. Não perco uma palestra desse cara de jeito nenhum. Só não peço autógrafo a ele porque tenho vergonha". Na hora de cantar parabéns Eduardo Guimarães, filho da Marília, fez um discurso saudando o aniversariante que cortou o bolo e dividiu o primeiro pedaço em dois: deu um pedaço para sua mulher, a atriz Cristina Petta e outro para Marilia Guimarães.


Um dos assuntos mais falados na festa do Ministro foi a chamada Lei Seca. Muita gente evitou beber por que estava dirigindo. A atriz Carla Daniel, levou uma amiga que não bebia para dirigir o carro na volta. Dava para perceber que essa nova legislação está mudando o comportamento social no que diz respeito à bebida. Alguns convidados, entretanto, arriscaram uns goles, mesmo que estivessem dirigindo. Quando José Mariano Beltrame foi embora Christiano Rangel sugeriu aos que estavam bebendo que fizessem o Bonde do Beltrame e seguissem o Secretário de Segurança com seus carros. “Assim ninguém vai ser parado na blitz!” Foi uma gargalhada geral!

5.7.08




O futebol não é o fim do mundo. É algo muito maior do que isso!


EU ESTAVA LÁ – No dia seguinte ao jogo do Fluminense pela decisão da Taça Libertadores das Américas eu não consegui levantar da cama. Não consegui sair à rua. Fiquei num terrível estado de prostração. Só agora, dias depois, estou conseguindo falar sobre a noite da última quarta-feira. Foi ensurdecedor o silêncio que se abateu sobre o Maracanã no momento em que o jogo acabou. Os torcedores não xingaram o time, não se rebelaram, não quiseram agredir os adversários. Apenas ficaram em silêncio. E começaram a sair do estádio em estado de choque. E naquele instante, mais do que nunca, senti o maior orgulho de ser torcedor do Fluminense. Flusão! Flusão! Flusão! Minha alma gritava no vazio do silêncio que se espalhou pelas cadeiras e arquibancadas do velho Maraca. A vida é assim. Nem sempre as coisas acontecem como sonhamos. Foi isso que pensei quando vi um rapaz paramentado com as cores do time se deitar sobre as cadeiras, abandonando o seu corpo de qualquer jeito, como se o peso da frustração o tivesse deixado sem forças. A expressão de tristeza e frustração era tão forte, tão clara, que era impossível não sentir pena do coitado. Havia lágrimas em tantos rostos. E sempre lágrimas silenciosas, dramáticas, mas contidas.

Mas nem tudo é frutração no mundo do futebol. Meu time de infância, o Sport Clube de Recife, foi campeão do Brasil!




O MUNDO DE LEUDA – Ela é uma rainha do lar. Lava, passa, arruma a casa e cozinha com mãos de fada. Seus serviços domésticos são disputados por importantes personagens da vida carioca. Seu nome é Leuda. Muito jovem ela saiu do Ceará para tentar a vida no Rio de Janeiro e, desde então, tem feito uma brilhante carreira como empregada doméstica. Enquanto cuida da casa, limpa os tapetes, encera o piso ou lava a louça, Leuda costuma fazer a cabeça dos seus patrões. Excelente observadora da política brasileira, Leuda não costuma deixar pedra sobre pedra quando opina sobre as grandes estrelas da política brasileira do nosso tempo. “Os políticos brasileiros só pensam em roubar”, costuma dizer. Pois bem. Essa operária brasileira anda furiosa com o Ciro Gomes desde que ele declarou que “Fortaleza é um puteiro a céu aberto”. Indignada, ela protestou enquanto preparava o almoço do seu patrão: “Será que Ciro estava pensando na mãe dele quando disse esse absurdo?”





Só são verdadeiramente grandes aqueles que são verdadeiramente bons.


A MEMÓRIA DO JIU-JITSU - Associada à excelência no esporte, sinônimo de jiu-jitsu brasileiro e também cercada de polêmica, a família Gracie criou em torno de si uma mística que atravessou gerações. Quem nunca ouviu falar de lutas memoráveis, da aura de invencibilidade dos Gracie? Ou da curiosa denominação dos integrantes da família como Royler e Rickson; ou mesmo das confusões envolvendo alguns de seus membros? Pela primeira vez, a intimidade desta família é revelada por dentro na biografia CARLOS GRACIE: O CRIADOR DE UMA DINASTIA, um livro revelador e saborosíssimo, escrito por Reila Gracie, filha de Carlos, e mãe do atual campeão da modalidade Roger Gracie. Uma mulher contando a saga de um clã de homens. E o que Reila conta é a trajetória de uma família absolutamente atípica, suas relações envolvendo lealdades e conflitos, paranormalidade, adultérios, busca incessante pela excelência em saúde e, claro, a criação de uma modalidade de luta reconhecida mundialmente. Uma obra tão emocionante quanto um vale-tudo.

Reila Gracie autografa seu livro nesta Segunda-Feira, 7 de Julho, no Parque Lage.

No início do século XX um antigo campeão de uma desprestigiada arte marcial japonesa aportou em Belém do Pará, onde começou a dar aulas. Entre seus alunos havia um menino magrinho, lourinho, franzino e brigão. Esse garoto indisciplinado e rebelde chamava-se Carlos Gracie, que décadas depois faria da luta, o jiu-jítsu, quase sinônimo do sobrenome da família. Numa família de lutadores na qual só os homens ganharam relevância, é irônico que justamente uma mulher tenha tido coragem de encarar a missão de revelar a trajetória dos Gracie. Reila, que é artista plástica, fez uma pesquisa de nove anos, remexendo no passado e no presente de uma família absolutamente atípica, na qual se misturam dramas shakespearianos e histórias espantosas, como as resultantes da paranormalidade de Carlos, de sua relação com o irmão Helio e com o sócio, e sua forma de encarar a paternidade. Carlos teve 21 filhos, criou todos conforme sua particular filosofia de vida e uma rígida doutrina alimentar.

A vida do clã Gracie sempre rendeu muitas histórias, muitas nunca explicadas. Do número espantosamente alto de filhos, aos casos de adultério dentro da família, e a briga pelo poder dentro do clã Gracie, tudo isso é esmiuçado nesta biografia, que só poderia ter sido feita por quem viveu dentro deste clã. Carlos Gracie foi mais do que o precursor do jiu-jitsu brasileiro. Como atleta fez lutas memoráveis, que lotaram ginásios e estádios no Rio, para onde se transferiu com a família. Como professor foi mestre de futuros campeões que revolucionariam o esporte, como o irmão Hélio e o filho Carlson.

As disputas internas na família e as cisões entre os membros do clã de lutadores acabaram reforçar uma imagem negativa de parte das gerações mais novas. "A minimização da importância do meu pai na história do jiu-jítsu Gracie, ou brasileiro, gerou a figura do pitboy, que é uma distorção do sentido da própria arte marcial", afirma a autora.

Carismático, Carlos foi figura constante nos jornais por décadas, seja promovendo combates ou brigando pelo crescimento e profissionalização do jiu-jítsu no país. Obcecado com a saúde e o esporte, Carlos desenvolveu a Dieta Gracie, que apontava a combinação exata de tipos de alimentos e os intervalos entre refeições."O fato de o jiu-jítsu permitir que uma pessoa franzina vencesse outra bem maior e mais forte foi uma novidade que encantou a todos, inclusive aos jornalistas", conta Reila Gracie. Mas a figura do chefe espiritual do clã Gracie era bem mais complexa. Carlos era paranormal e encarnava espíritos: "Ele não desassociava suas convicções e crenças das suas atividades profissionais e domésticas. Sua liderança lhe conferia poder para traçar os caminhos que o clã deveria seguir."

Aos seus alunos e discípulos Carlos Gracie pregava doze ensinamentos:

PROMETE A TI MESMO

1 - Ser tão forte que nada possa perturbar a paz da tua mente.

2 - Falar a todos de felicidade, saúde e prosperidade.

3 - Dar a todos os teus amigos a sensação de que têm valor.

4 - Olhar as coisas pelo seu lado luminoso e atualizar teu otimismo em realidade.

5 - Pensar somente no melhor, trabalhar unicamente pelo melhor e esperar sempre o melhor.

6 - Ser tão justo e tão entusiasta com respeito ao êxito dos outros como o és com o teu próprio.

7 - Esquecer os erros do passado e concentrar tuas energias nas conquistas do futuro.

8 - Manter sempre o semelhante alegre e ter um sorriso para todos os que a ti se dirijam.

9 - Empregar o maior tempo no aperfeiçoamento de ti mesmo, e nenhum tempo em criticar os outros.

10 - Ser grande demais para sentir desassossego, nobre demais para sentir cólera, forte demais para sentir temor e feliz demais para sentir contrariedades.

11 - Ter boa opinião sobre ti mesmo e proclamá-la perante o mundo, mas não com palavras altissonantes e sim com boas obras.

12 - Ter a firme convicção que o mundo estará ao teu lado, enquanto te manteres fiel ao que há de melhor em ti.