29.7.06




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.


28.7.06

SER GAY É PADECER NO PARAÍSO - As cores do arco-íris dão vida a esse blog numa homenagem a Parada Gay do Rio. Para homenagear gays e lésbicas de todos os matizes aqui está uma seleção de textos de importantes pensadores homossexuais. Leiam a seguir uma pequena mostra do pensamento intelectual de quatro grandes escritores gays. Michael Cunningham, escritor americano, é autor dos livros As Horas e Uma casa no fim do mundo. Um grande romancista. Um pensador refinado e lúcido. Charles Baudelaire é um clássico indiscutível. Oscar Wilde deu o que falar na sua época e até hoje é um simbolo para gays e lésbicas de todo o mundo. E Eugênio de Andrade é um poeta português que não fica nada a dever a Fernando Pessoa. Veja a seguir o que eles escreveram sobre o mundo, a vida e o homem.






Damos festas, abandonamos as nossas famílias para vivermos sós no Canadá, batalhamos para escrever livros que não mudam o mundo apesar das nossas dádivas e dos nossos imensos esforços, das nossas absurdas esperanças. Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginamos, embora todos, exceto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais. - Michael Cunningham, in "As Horas"





É impossível ler qualquer jornal, seja de que dia for, ou de que mês, ou de que ano, sem aí encontrar, em cada linha, os sinais da perversidade humana mais espantosa, ao mesmo tempo que as presunções mais surpreendentes de probidade, de bondade, de caridade, a as afirmações mais descaradas, relativas ao progresso e à civilização.
Qualquer jornal, da primeira linha à última, não passa de um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, impudicícias, torturas, crimes dos príncipes, crimes das nações, crimes dos particulares, uma embriaguez de atrocidade universal.
E é com este repugnante aperitivo que o homem civilizado acompanha a sua refeição de todas as manhãs. Tudo, neste mundo, transpira o crime: o jornal, a muralha e o rosto do homem. Não compreendo que uma mão pura possa tocar num jornal sem uma convulsão de asco. - Charles Baudelaire, in "Diário Íntimo"






Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expressão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helênico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helênico. Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a ação é um modo de expurgação. Nada mais permanece além da lembrança de um prazer ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos a ela. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo. - Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"





Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objeto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de refletir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida?
Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da exclusão. - Eugênio de Andrade, in "Os Afluentes do Silêncio"


A mulher que vê um cabelo louro no casaco de um homem sentado no outro lado da sala, nem sempre vê a entrada de uma garagem com três metros de largura.


NEGRO AMOR – Chegou ao fim a temporada do cantor Toni Platão na livraria Letras & Expressões. Foram vinte apresentações impecáveis de um dos melhores shows dos últimos anos. O sucesso foi tanto que a gravadora Som Livre fechou contrato com o artista para lançar o CD com o repertório do show. O disco Negro Amor vai incluir, entre outras pérolas, sua magnífica versão da música Mamy Blue, que Toni recriou de um jeito sensacional e costuma ser o grande momento do show graças a força dramática que o artista imprime à sua interpretação. Mamy Blue já foi gravada por gente como Demis Roussos, Dalida , Paul Muriat e Celine Dion. Mas foi a versão de Rick Shayne que marcou a infância do cantor e se tornou sua primeira lembrança do que seria uma música pop.


O grande trunfo de Toni Platão são as apresentações ao vivo. Ele é um performer incrível, capaz de transformar músicas conhecidas em canções absolutamente originais. Sua voz é poderosa e cheia de nuances. Varia do timbre de barítono até o falsete no estilo Ney Matogrosso, passando pelo suave sussurro inspirado em João Gilberto. O que houve com a voz do Toni Platão? Perguntou o ator Valter Marcelo quando assistiu ao show pela segunda vez. É que nas últimas apresentações na livraria Letras & Expressões Toni começou a brincar com seus timbres. Cantou algumas músicas quase sussurrando, sibilando as palavras, surpreendendo o público com um jeito novo de se expressar. Realmente a canção brasileira está diante de um cantor mágico.


Toni Platão volta aos palcos no dia 7 de Agosto, quando inicia uma temporada no Mistura Fina, na Lagoa.



MAMY BLUE

I may be your forgotten son
who wandered off at twenty one
it's sad to find myself at home,
oh ma.

If I could only hold your hand
and say I'm sorry yes I am
I'm sure you really understand
oh, Ma, where are you now.

Oh, Mamy, oh, Mamy - Mamy - blue
oh, Mamy - Blue

The house we shared upon the hill
seems lifeless but it's standing still
and memories of childhood days
fill my mind, oh Mamy, Mamy, Mamy.

I've seen enough of different lights
seen tired days and lonely nights
and now without you by my side
I'm lost, how can I survive.

Oh, Mamy...

Nobody who takes care of me
who loves me, who has time for me
the walls look silent at my face
oh, Ma, so dead is our place.

The sky is dark, the wind is rough
and now I know what I have lost
the house is not a home at all
I'm leaving, the future seems so small.
m leaving, the future seems so small.


21.7.06




HELOISA HELENA PARA PRESIDENTE!

MULHERES NO PODER – A corrida presidencial começou a ficar animada com o crescimento do nome da senadora Heloisa Helena nas pesquisas de intenção de votos. Os senhores da mídia já haviam decidido que a disputa ficaria apenas entre Lula e Alckmin, o sujo e o mal lavado, mas parece que não vai ser bem assim. Muito antes das últimas pesquisas eu já tinha decidido votar na Heloisa Helena para Presidente. Por que não uma mulher?
O Lula não vai levar essa fácil não, me disse um Coronel do Exército durante a Festa em Louvor ao Caboclo Rei das Selvas, ritual do candoblé, no Ile Ase Omi, na Ilha do Governador. Depois de tudo o que houve, ele nem pense que vai ser fácil ganhar essa eleição, enfatizou o militar, deixando subtendida sua indignação com o atual inquilino do Palácio do Planalto.

A sociedade brasileira é muito machista, chauvinista. Como vai reagir a uma presidente mulher? Vai ser divertido observar esse conflito. Parece que o mundo vive um momento mulher na política. O Chile, provando que está na vanguarda da economia e da política na América do Sul, já é governado por uma mulher, Michelle Bachelet. Na Alemanha Ângela Merkel é a primeira ministra. E é possível que Hillary Clinton seja a próxima presidente dos Estados Unidos. Por que não embarcar nessa new wave e eleger Heloisa Helena?

A mulher no poder não significa que o mundo necessariamente vá melhorar. Estão aí Condoleezza Rice e Rosinha Garotinho que não me deixam mentir. Condoleezza é uma escrota, filha da puta, a serviço da máfia de George Bush. E Rosinha é uma pilantra, batedora de carteira, a serviço do seu próprio bolso.

E por falar em mulheres na política, semana passada recebi na rua um panfleto das candidatas Denise Frossard e Solange Amaral. Não consegui evitar um sorriso ao ver as fotos das duas meninas. Nunca tinha visto nada tão viril na política carioca. Semanas atrás, no Leblon, a candidata Solange Amaral promoveu uma manifestação em prol de sua candidatura. Parecia uma festa gay, tal a quantidade de moças que gostam de moças. Viva o Brasil moderno.




O NOME DELA É SUZANE Clarissa Matheus, filha de Rosinha Garotinho, foi apelidada pelas suas próprias amigas de Suzane, numa referência a Suzane von Richthofen. Pelas costas, as amigas da moça só a chamam de Suzane. É que Clarissa é ambiciosa, tem mania de grandeza, tem pretensões a carreira política e só pensa em ganhar dinheiro. Ela é falsa e dissimulada. Só pensa em dar um grande golpe. Uma tremenda Suzane, disse a neta de um famoso empresário, se referindo a amiga. Te cuida Rosinha, para não levar paulada na cabeça...




DINHEIRO É TUDO – Uma famosa atriz de novelas contava ao seu maquiador favorito, que uma colega de profissão havia lhe pedido 40 mil reais emprestados. 40 mil reais? Mas ela já está devendo 20 mil para fulana e 30 mil para sicrana, argumentou o rapaz enquanto passava um rímel marrom claro nos cílios da estrela. Você não vai emprestar, não é fofa? A estrela global piscou os olhos várias vezes e fulminou: Claro que vou emprestar. Afinal, 40 mil reais não significa nada para mim. Mesmo que a sujeita não me pague eu não quero perder essa oportunidade de mostrar para ela que eu posso!


19.7.06




A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela.

AS MÃOS E OS FRUTOS - São lindos os poemas do português Eugênio de Andrade. Foi Antônio Cícero a primeira pessoa que me falou dele, no dia em que jantamos no Gero, junto com outro grande poeta brasileiro: Eucanãa Ferraz. Naquela noite Cícero e Eucanãa recitaram poemas de Eugênio enquanto bebemos vinho e soboreamos a deliciosa comida do restaurante. Desde então, procuro sempre ler os seus poemas. E já que a seleção de Scolari fez renascer em meu coração uma velha paixão pelas coisas de Portugal, mostro aqui alguns poemas do gajo, cujo verdadeiro nome era José Fontinhas. Ele morreu com 82 anos e deixou publicados mais de duas dezenas de livros de poesia.




Mar de Setembro

Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
Fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves, só
alma e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto,
puríssimo, doirado.




As Mãos e os Frutos

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.





Abril

Brinca a manhã feliz e descuidada,
como só a manhã pode brincar,
nas curvas longas desta estrada
onde os ciganos passsam a cantar.
Abril anda à solta nos pinhais
coroado de rosas e de cio,
e num salto brusco, sem deixar sinais,
rasga o céu azul num assobio.

Surge uma criança de olhos vegetais,
carregados de espanto e de alegria,
e atira pedras às curvas mais distantes
- onde a voz dos ciganos se perdia.




Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.


6.7.06




Navegar é preciso, viver não é preciso.

FADO TROPICAL Adoro ler os blogues de Portugal, pois acho charmoso os nuances da verdadeira língua portuguesa quando escrita. A visão que os portugueses têm do mundo e da vida também se pode ser apreciada lendo alguns dos inúmeros blogues portugueses. Aproveitando o sucesso de Portugal, que está entre os quatro maiores do mundo no futebol, selecionei alguns trechos dos blogues da terra de Luis Figo em que há comentários sobre o resultado da semifinal da Copa do Mundo. Ei-los:




TOMAR PARTIDO - Portugal perdeu com a França. Vai disputar o 3º e 4º lugar com a Alemanha. Foi uma campanha fantástica em quem ninguém acreditava há um mês. E alguns desejavam mesmo o fracasso que não sucedeu, para obterem efeitos meramente provincianos, internos e pacóvios. Hoje uma equipa literalmente esgotada e espremida fisicamente perdeu com um penalty. Parabéns à Selecção Nacional. Valeu bem a pena esta alegria que nos deu.




GLÓRIA FÁCIL - Obrigado, Felipão. Foi pena... estivémos a um passo da final. A sorte que tivemos contra a Inglaterra falhou-nos contra a França. Agora é acabar com a cerveja e as salsichas!




MAR SALGADO - Belo jogo. O espírito de colégio interno serviu para fazermos boa figura. Para nos livrarmos da barca dos danados é que não chegou. Este povo não aprende que a "auto-estima" ( palavra psico-modernaça que substituiu "orgulho") se ganha no que se faz e não naquilo que se poderia ter feito.




CITADOR - Cada um deve ser e proporcionar a si mesmo o melhor e o máximo. Quanto mais for assim e, por conseguinte, mais encontrar em si mesmo as fontes dos seus deleites, tanto mais será feliz. Com o maior dos acertos, diz Aristóteles: A felicidade pertence aos que se bastam a si próprios. Pois todas as fontes externas de felicidade e deleite são, segundo a sua natureza, extremamente inseguras, precárias, passageiras e submetidas ao acaso; podem, portanto, estancar com facilidade, mesmo sob as mais favoráveis circunstâncias; isso é inevitável, visto que não podem estar sempre à mão.




TATARANA - O futebol imita a vida. Adianta muito pouco, e cada vez menos, acreditar nos belos ideais, no futebol arrebatado, na inocência dos bons sentimentos, no perfume inebriante dos verdes anos, no reconhecimento do mérito. Como diria Sven-Goran Erickson, o Gana e a Espanha jogaram muito bem, mas regressaram a casa. Pé na bunda e toca a andar. A Argentina também. O Brasil do samba, da ginga e da firula rendeu-se inapelavelmente ao pragmatismo, é implacável e burocrático (logo se vê o que sucede amanhã). Um dia, talvez não muito distante, os estádios encherão apenas para que os espectadores possam pintar a cara, vestir a camisola pátria, fazer a onda e ver o árbitro lançar a moeda ao ar. Cara ou coroa? Cara. Parabéns, segue para as meias-finais.
Pode não parecer, mas este post não é (só) sobre futebol.




PORTUGAL DOS PEQUENINOS - "Longtemps, je me suis couché de bonne heure." Será que, com esta intrigante frase inicial, Proust poderá ser considerado, por exemplo, um dos "símbolos máximos da decadência ocidental"? É que, se assim for, bendita seja a decadência ocidental.




O INSURGENTE - Naquela cidade que espero nunca mais visitar, viajando pela marginal do Vieux Port em direcção a Norte, quase à vista do Chateau D'If há um cartaz gigante há pelo menos nove anos, com a cara de Zidane e a frase: "Made in Marseille".
Mesmo que os dois únicos jogos em que me sinto francês sejam contra o Irão ou a Alemanha, o herdeiro de Maradona não é Ronaldinho, é Zizou.
Agora, foi-se Portugal, foi-se Espanha e pelos miguelangelos, vamos a eles squadra!




FRENCH KISSIN - Antes que seja tarde - Que fique bem claro: apesar do título do blogue, e ao contrário do que possam dar a entender uma série de posts que estão ali em baixo, sempre considerei a França o símbolo máximo da decadência ocidental.
Liberté. Egalité. Vatefodé.




AVATARES DO DESEJO - À semelhança de um tal de Nuno Graciano, Daniel Oliveira (não este, o da RTP) , mostra ser um entrevistador que se procura relacionar com as figuras públicas pelo continuado exercício da graxa e da mais barata bajulação. Essa vontade funda de se prostar perante os famosos, ou mera estratégia de aproximação, atinge dimensões particularmente constrangedoras com as figuras da bola. Talvez pela vontade de ganhar crédito para exclusivos, talvez pela importância de ser recebido pelo grupo português durante as reportagens do mundial, Daniel Oliveira entrevista os jogadores como se os quisesse levar para a cama; o estilo sintetiza-se numa pergunta caricatural: "tu tens a noção que és maravilhoso?".
E os jogadores, comprados com elogios lá dispensam uns minutos do dia de folga para as reflexões da praxe. A última pergunta, estilo felatio, ouvi-a há minutos na televisão. Questionava o bom do Daniel Oliveira num rigoroso exclusivo a Scolari: "Acha que em Portugal já se pode falar de uma alma Scolari?".


4.7.06




A familia Scolari: o melhor time da Copa do Mundo







Cristiano Ronaldo alongando as pernas







Cena erótica: Cristiano mostra ao juiz o jogador Ricardo com os ovos amassados pelo inglês Rooney







Cristiano Ronaldo, o mais sexy da Copa




Ai, Mouraria,
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo ao meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar troçista.


Ai, Mouraria
do homem do meu encanto
que me mentia,
mas que eu adorava tanto.
Amor que o vento,
como um lamento,
levou consigo,
mais que ainda agora
a toda a hora
trago comigo.


Ai, Mouraria
dos rouxinóis nos beirais,
dos vestidos cor-de rosa,
dos pregões tradicionais.
Ai, Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar.



3.7.06

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA O jogo entre Portugal e Holanda foi a melhor partida da Copa do Mundo. Aquilo foi mais do que um jogo de futebol. Foi uma verdadeira ópera. Com um belo cenário, excelentes tenores e barítonos, uma maravilhosa orquestra e um genial corpo de baile. Um roteiro sensacional valorizado por uma direção brilhante. Uma carga dramática comparável a Madame Burtefly, de Puccini. O espetáculo dos gladiadores da vida moderna foi um épico com muito drama, conflitos, reviravoltas, sofrimento, dor, paixão. Eles pareciam cegos pelo desejo de vitória. Os jogadores de Portugal e Holanda disputaram a partida como se, da vitória de seus times, dependesse a sobrevivência do homem na terra. Alguém deveria ter avisado para os meninos que era apenas uma Copa do Mundo. Não era o Fim do Mundo.


A obsessão cega dos jogadores fez dessa partida a mais perfeita tradução do que é uma Copa do Mundo. Na peleja Portugal e Holanda aconteceu a cena mais erótica da Copa da Alemanha. Foi logo no início da partida, quando o craque português Cristiano Ronaldo foi atingido na perna. Depois dos espasmos de dor ele se levantou para ser atendido pelos massagistas. Então a TV mostrou o jogador em pé e três sujeitos ajoelhados diante dele, massageando sua coxa carnuda e passando spray. A câmera deu um close genial na perna do craque sendo massageada, procurando mostrar as marcas da chuteira do adversário. E em seguida, exibiu ele altivo, parecendo um gladiador, levantando o calção, com uma sexy expressão de dor no seu rosto de menino safado. Depois, não agüentando as dores, ele saiu de campo chorando. E continuou chorando enquanto era atendido no banco. Toda a seqüência, da contusão às lágrimas, foi um primor do homoerotismo.


A segunda cena mais erótica da Copa da Alemanha também teve a participação de Cristiano Ronaldo, o que faz dele, definitivamente, o jogador mais sexy da competição. Dessa vez foi na partida entre Portugal e Inglaterra, provavelmente, o segundo melhor jogo da Copa. A guerra feroz entre os dois times acabou em zero a zero, inclusive na prorrogação, e teve aquele final glorioso, com a partida sendo decidida no último minuto, com o belo guarda-redes Ricardo defendendo três pênaltis. Foi algo de sensacional. A partida teve tal carga de dramaticidade que parecia ter sido escrita por William Shakeaspeare.


A segundaa cena mais erótica foi quando, numa acirrada disputa de bola, o inglês Wayne Rooney se irritou com a marra de Ricardo Carvalho e, quando o português escorregou e caiu ele deu uma pisada nos bagos (para usar uma expressão Lusa) do jogador. No replay da TV dava para ver bem claro o atleta inglês pisando entre as pernas do adversário, que ficou se contorcendo em campo. A pisada foi tão forte que até o espectador sentiu dor. Essa cena foi tão erótica que merecia ganhar o prêmio Brokeback Mountain. Na seqüência Cristiano Ronaldo se aproximou do juiz para reclamar da violência de Wayne e foi empurrado pelo jogador, que é seu colega do Manchester. Por causa do seu destempero Wayne Rooney recebeu cartão vermelho e foi expulso da partida. Já em Londres, depois que a Inglaterra foi eliminada, o inglês que tem cara de pitboy e um certo ar de hooligan, disse que quando encontrar com Cristiano Ronaldo vai bater tanto nele que vai parti-lo em dois. É ou não é muito erotismo?


A terceira cena mais erótica da Copa da Alemanha também ocorreu na disputa entre Portugal e Inglaterra: Cristiano Ronaldo fazendo sensuais alongamentos no final do tempo regulamentar, com os jogadores exaustos, esparramados no gramado e os assistentes fazendo massagens, cuidando das câimbras. A quarta cena mais erótica da Copa ocorreu nessa mesma partida. Em várias momentos, durante escanteios, cobranças de falta, ou pênaltis, o guarda-redes inglês Robinson, sempre que ia se preparar para defender as jogadas, cuspia nas luvas. Robinson é lindo, másculo e tem cara de bebezão. Chegava a ser indecente o jeito como ele cuspia nas luvas. Parecia que estava esporrando... A quinta cena mais erótica foi quando Thierry Henry, no final do jogo entre França e Togo, não satisfeito de trocar a camisa com o jogador africano, trocou também o calção em frente às câmeras. Mereceu ter feito o gol contra o Brasil.


A Copa do Mundo é um festival de homens bonitos. Um congresso de virilidade. Uma assembléia de masculinidade. Pra quem gosta de homem é o maior espetáculo da terra. Tem bofes para todos os gostos. E no meio de tantos homens bonitos um realmente se destacou: David Beckham. Puta que pariu! O cara é bonito pra caralho!!! Que homem é aquele? Belo, charmoso, elegante, cheio de estilo. Talentoso, fez um dos gols mais bonitos de toda a competição. Dá gosto vê-lo jogar. Foi uma delícia vê-lo chorando quando machucou a perna no jogo contra Portugal. E, mais incrível que tudo, o adonis inglês passou mal e vomitou em campo, no jogo contra o Equador. Na Copa da Alemanha David Beckham provou que é bonito até vomitando.



OS MAIS BONITOS DA COPA 2006

1 – Rafael van der Vaart (Holanda)
2 – Cristiano Ronaldo (Portugal)
3 – Robinson (Inglaterra)
4 – David Villa (Espanha)
5 - Michal Zewlakow (Polonia)
6 – Olof Mellberg (Suécia)
7 – Dario Simic (Croácia)
8 – Rahman Rezaei (Irã)
9 - David Beckham (Inglaterra)
10 - Roque Santa Cruz (Paraguai)


Na seleção brasileira só tinha homem feio!