30.8.02




São João Batista de Guido Reni

Wynston Leyland é um bem sucedido editor de livros nos Estados Unidos. Ele é dono da Leyland Publications, uma editora que publica livros apenas com temas gays. Wynston foi o fundador do Gay Sunshine Press, a primeira publicação voltada exclusivamente para o público gay, na São Francisco dos anos 70. Wynston tem estreitas relações com o Brasil, país que ele curte e admira. Sempre que vem ao Brasil Mr. Leyland me liga para jantarmos juntos.


Durante o nosso último jantar, no Café Lamas, meu amigo americano se mostrou muito preocupado com os rumos da política americana. Enquanto devorava um poderoso steak com dois ovos e muita batata frita coberta de catchup Mr. Leyland destilou criticas ao governo George W. Bush


Bush está fazendo todo o possível para poder atacar o Iraque. E isso não é bom. Todo lambuzado de catchup o empresário dizia que os americanos andam muito apreensivos com o presidente do seu país. Segundo ele existe uma certa tensão no ar. Um certo desconforto nas pessoas com relação ao governo.


O Bush não foi eleito democraticamente. O que houve nos Estados Unidos foi um Golpe de Estado. Não um golpe militar. Mas um golpe do judiciário, que acabou levando-o ao poder. De qualquer maneira um Golpe de Estado. Igual aos ocorridos em outros países da américa do sul. O Bush no governo não representa a imensa maioria dos americanos.


Eu sempre tive essa intuição e a minha opinião foi confirmada pelo discurso contundente do amigo americano. A questão do Afeganistão ainda nem foi resolvida. Os atentados de 11 de setembro ainda nem completaram um ano. E Mr. Bush já quer se meter em mais confusão.


É compreensível o interesse de George W. Bush em disseminar a guerra. Afinal ele é lobista da indústria bélica. Ele defende os interesses dos fabricantes de armas. A guerra para ele é apenas um grande negócio. Uma forma de ganhar dinheiro.


Pobre capitalismo! Quando acabou a divisão do mundo entre capitalistas e comunistas parecia que finalmente a humanidade tinha encontrado um rumo que interessava a maioria dos povos. Mas o tempo provou que não é bem assim. A despeito de ser o mais democrático dos regimes político-econômicos, o capitalismo se desviou do seu caminho e se transformou num monstro pronto para devorar os cidadãos.


Estamos vivendo uma época em que vale fazer tudo para ganhar dinheiro. Desde aparecer num reality show patético até explodir o World Trade Center. Os meios não importam. Ética? Moral? Civilização? O que importa é o pagamento em dólar. Dentro desse contexto, o mundo capitalista acabou se tornando refém da indústria bélica.

28.8.02




Swimming de Thomas Eakins



V I T R I N E

Que divisa o olhar desse moreno?
Namora os tênis atrás da vitrine?
Ou a vidraça que os devassa e inibe
Os seus reflexos serve-lhe de espelho
E ele recai na imagem de si mesmo,
Igualmente visível e intangível?
É assim tantálica que ela me atinge
Obliquamente e ao mesmo tempo em cheio
E mesmeriza, e sinto meio como
Se eu o despisse e ele mal percebesse.
Quando olha para trás um instante, atino
Sonhar e, salvo engano, ter nos olhos
Cacos de um campode futebol verde
Feito o pano das mesas dos cassinos.

(Poema de Antonio Cícero, do livro A CIDADE E OS LIVROS )




Main Street de Susan Rios


A rua Visconde de Pirajá ganhou mais charme e sofisticação com a nova Livraria da Travessa. Para quem é apaixonado por livros, a nova Travessa é como uma Disneylândia para uma criança. A loja está com uma vitrine linda. Os caras juntaram todos os livros e cds com capa na cor azul. Ficou lindo. Um belo visual. Qualquer um fica com vontade de mergulhar naquela imensidão azul...


Ao lado da Livraria da Travessa, em frente a uma loja de bolsas, encontro minhas amigas Marilia Moraes e Claudia Otero. Foi ótimo revê-las porque elas são muito legais. As moças reclamavam que as bolsas eram muito caras, apesar de lindas.


Claudinha me disse que está ótima, agora que se separou do marido, diplomata. “Eu adoro ele, mas eu não agüentava mais aquele homem roncando do meu lado. Agora pelo menos eu posso dormir.” Depois me contou que no dia anterior tinha feito um show no Madame Vidal, um bar lá em Botafogo. E prometeu me ligar avisando sobre o próximo concerto.


Marilia me contou que está super feliz com o nascimento do neto Noel, filho da sua filha Ciça. Diz que está adorando tomar conta do neném que é uma criança linda. Contou também que o batizado será na Bahia, já que o pai é baiano. Aliás, Marilia está com a vida cada vez mais ligada à Bahia. Seu filho Davi casa no próximo mês com a diva da música baiana Ivete Sangalo. Ela também me garantiu que no próximo ano vai passar o carnaval na Bahia. Prometemos nos encontrar em plena folia no Farol da Barra.


Marilia me perguntou pelo nosso amigo Paulinho Lima e eu disse que tinha falado com ele no dia anterior. Paulinho Lima me contou que está finalizando sua coleção de cd´s com poemas de Carlos Drummond de Andrade. Serão quatro discos num total de 150 poemas recitados por personalidades como Aécio Neves, Miguel Falabella, Duse Nacarati, Leonardo Vieira, Marta Suplicy, D´Artangnan Júnior, Edson Celulari, Maria Carmen Barbosa e outros que eu não lembro agora. Cada personalidade lê um poema.


Foi Paulinho Lima quem criou, no Brasil, o CD que em vez de músicas tem textos literários. Crônicas e poemas em geral. Ele já lançou em cd escritores como Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Gregório de Mattos, Helena Kolody, Neide Archanjo, Augusto dos Anjos e João Cabral de Melo Neto. Um dos mais belos volumes é aquele em que o poeta Antonio Cícero, com sua voz cheia de personalidade, recita seus poemas.


Antonio Cícero é o novo mito da poesia brasileira. Uma espécie de sucessor de Carlos Drummond de Andrade.


Ainda na Visconde de Pirajá encontro Nico Rezende e ele me conta que está viajando para fazer seis shows no nordeste. Disse que seu novo disco está fazendo o maior sucesso em todo o Brasil, apesar de boicotado pelas rádios cariocas.

27.8.02




Castles on the Baltic de Rafal Olbinski

O BEIJO DO VAMPIRO Assisti com grande interesse ao primeiro capítulo da autobiográfica novela de Antonio Calmon . Até porque, eu não perderia por nada o acontecimento televisivo do ano! A volta de Calmon ao seu universo ficcional favorito: o mundo dos vampiros. Adorei o primeiro capítulo. Foi curioso e divertido.

O que eu mais gostei na novela do Calmon foi Nadir, o personagem interpretado por Zezé Motta. Por coincidência, Nadir é o nome da minha mãe. Mas eu acho que o personagem devia se chamar GUARACIABA , que é o nome da mãe do Antônio Calmon. Aliás, o Calmon adora homenagear minha mãe em suas tramas. Na novela anterior, Um Anjo Caiu do Céu, também houve um personagem chamado Nadir.

Como produto televisivo a novela me pareceu bem interessante. Um clima gótico adequado a uma história de vampiros. Mas a trama principal não me pareceu muito consistente. Por mais que seja uma fantasia, ficou meio forçada a história de amor de Boris por Cecília.


Gosto muito do Tarcísio Meira, mas acho que aquele personagem deveria estar sendo feito por Humberto Martins. Cláudia Raia está divina! Adorei o Tiago Lacerda. Ele é o nosso Tom Cruise. Lindo e bom ator. Gostei principalmente da cena em que ele aparece de roupão, dando um belo close nas suas maravilhosas pernas.


Outra coisa que me chamou a atenção na novela foi o suicídio da princesa Cecília, se atirando do alto do castelo para não ficar com o vampiro. Personagens caindo de penhascos é um tema recorrente na teledramaturgia de Boris Calmon. Na novela Cara ou Coroa, o vilão Miguel Falabella jogava Maitê Proença do alto de um rochedo. Parece que Mr. Calmon gosta mesmo de atirar seus personagens de penhascos. Só os personagens?


Um personagem falou: Vampiros existem e eles estão em toda parte. Boris Calmon sabe bem o que está dizendo. De qualquer maneira, eu espero que a novela seja um grande sucesso e bata todos os recordes de audiência. Afinal, o que eu poderia desejar a uma novela que homenageia a minha mãe?

24.8.02




Mona Lisa de Leonardo da Vinci



Portrait of Suzanne Fourment de Peter Paul Rubens


Nos últimos dias a polícia prendeu vários jovens, acusados de serem traficantes de drogas. Teve um jornalista no Jardim Botânico. Um garotão de Ipanema. E um emergente da Barra da Tijuca. Todos jovens de classe média alta. A sociedade vive como o avestruz que enterra a cabeça dentro da areia para não ver o mundo que existe à sua volta. Não é só na favela. Em todos os lugares, existe muita gente vivendo do comércio de drogas ilícitas. É apenas uma atividade comercial como outra qualquer. E essa atividade comercial acontece, porque existe uma demanda muito grande pelo produto que essas pessoas comercializam. A sociedade tem com as drogas uma relação absolutamente ditatorial e intolerante. E é essa intolerância que provoca a tensão e a violência nesse nosso louco mundo.


As pessoas que consomem drogas têm todo o direito o direito de consumi-las. Desde que não perturbem a ordem social. Se o sujeito gosta de cheirar pó, tomar ecstase ou fumar maconha é um direito que ele tem. Cada um tem o direito de fazer da sua vida o que bem entender. Para muitas pessoas a “existência” é algo difícil de suportar sem um aditivo. Querer que o ser humano suporte a vida sem consumir drogas é uma maldade tão grande quanto explodir o World Trade Center.



Madona de Raphael


Madonna completou 44 anos. É impressionante como o tempo passa rápido. Ainda ontem ela estava nas paradas, imitando Marilyn Monroe no clip de Material Girl. A primeira vez que eu ouvi falar de Madonna foi na antiga boate Sótão. Eu estava tomando um drinque perto da escada, enquanto tocava a música Everybody. Quando o deejay passou perto, uma bicha comentou com ele: “que música ótima!” E ele respondeu: “É Madonna.” Eu achei que era uma banda chamada Madonna. Só muito tempo depois, quando a vi na TV é que descobri que Madonna era uma nova estrela da cultura pop. Foi amor à primeira vista. Desde então suas músicas passaram a fazer a trilha sonora da minha vida.



Bananal - óleo sobre tela de Lasar Segall
Encontro Mauro Rasi no Leblon. Sou grande admirador do seu trabalho no teatro. Sua peça Baile de Máscaras é o melhor espetáculo de teatro que já vi na vida. É uma história muito louca. Um grupo de artistas e intelectuais da aristocracia carioca decidem passar o carnaval trancados dentro de um casarão apenas assistindo a filmes de vídeo e discutindo assuntos de elevado nível cultural. A reunião do grupo acaba fazendo surgir conflitos entre eles. Partindo dessa idéia Mr. Rasi criou um espetáculo memorável e fascinante sobre a vida, o carnaval, a elite cultural e a essência do ser humano.


Baile de Máscaras teve um episódio curioso sobre os bastidores do teatro brasileiro. Faltavam cerca de dez dias para a estréia, o elenco já estava ensaiando no teatro, quando os atores Daniel Dantas e Beatriz Segall tiveram uma briga. Um bate boca fenomenal. Quem viu diz que foi inesquecível. Afinal são dois grandes atores, de temperamento forte. Eles começaram discutindo no palco e irritada Beatriz Segall, a inesquecível Odete Roitman decidiu abandonar o elenco e saiu do teatro no shopping da Gávea. Daniel Dantas foi atrás dela e os dois gritavam um com o outro, se xingando com fúria, na frente de todo mundo. Madame Segall foi substituída por Cleyde Yáconis que, por este papel, ganhou todos os prêmios de atriz daquele ano.


O papel de Cleyde Yáconis era o de uma mulher da alta aristocracia italiana vivendo em conflito com a cultura carnavalesca do Brasil. O personagem era inspirado em Mimina Roveda, uma das donas do Teatro dos Quatro. Aliás, todos os personagens da peça eram inspirados em gente de teatro. O papel do Daniel Dantas era inspirado no próprio Mauro. A trama da peça era uma referência as famosas maratonas culturais que Sergio Britto costuma organizar na sua casa, durante o carnaval. Na peça, Mr. Rasi era implacável com todos, inclusive consigo mesmo. Mas, acima de tudo, Baile de Máscaras era uma louvação ao teatro brasileiro.


Foi nessa peça que eu vi Lui Mendes pela primeira vez. O papel dele era ótimo. Lui fazia o filho da empregada que ignorava a pose aristocrata dos convidados do seu patrão e só queria saber de carnaval. Ele desfilava todos os dias enquanto o grupo ficava em casa assistindo ao clássico do cinema alemão Berlin Alexanderplatz. O papel era ótimo e ele atuava com grande desenvoltura no meio de monstros sagrados do teatro brasileiro. Dias depois de ter assistido a peça encontrei com Lui Mendes numa festa na boate Doutor Smith. Eu o parei e disse que tinha adorado o espetáculo, que era uma peça genial e que eu tinha adorado o trabalho dele. Então ele parou e agradeceu os meus elogios. Disse que já tinha convidado vários amigos para assistirem a peça, mas que as pessoas não entendiam o espetáculo. Depois disso acabamos ficando amigos.




17.8.02



A house by a road de Edward Hopper

A CIDADE E OS LIVROS é o titulo do novo livro de poemas do escritor Antonio Cicero . A animada noite de autógrafos foi na Livraria Argumento no Leblon. Antonio Cicero é o mais representativo poeta brasileiro da nossa época. Seus poemas definem com muita precisão a paixão e a beleza na vida contemporânea.

O GRITO

Estou acorrentado a este penhasco
logo eu que roubei o fogo dos céus.
Há muito tempo sei que este penhasco
não existe, como tampouco há um deus
a me punir, mas sigo acorrentado.
Aguardam-me amplos caminhos no mar
e urbes formigantes a engendrar
cruzamentos febris e inopinados.
Artur diz "claro" e recomenda um amigo
que parcela pacotes de excursões.
Abrutres devoram-me as decisões
e uma ponta do fígado mas digo:
E daí? Dia desses com um só grito
eu estraçalho todos os grilhões.



Dancers de Edgar Degas


INVERNO

No dia em que fui mais feliz
eu vi um avião
se espelhar no seu olhar até sumir


de lá pra cá não sei
caminho ao longo do canal
faço longas cartas pra ninguém
e o inverno no Leblon é quase glacial.



Há algo que jamais se esclareceu:
onde foi exatamente que larguei
naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?


Lá mesmo esqueci
que o destino
sempre me quis só
no deserto sem saudades, sem remorsos, só
sem amarras, barco embriagado ao mar



Não sei o que em mim
só quer me lembrar
que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar



Argenteuil de Edouard Manet

DENTRO DA NOITE é o espetáculo de teatro que está esquentando ainda mais as noites do Baixo Leblon. O monólogo, composto por dois contos do João do Rio, é apresentado no interior da Livraria Dantes. O ator e diretor Marcus Alvisi, dá um show de atuação, entre as estantes apinhadas de clássicos da literatura. Um programa perfeito para quem é apaixonado por teatro e literatura.


DENTRO DA NOITE é composto por dois contos do João do Rio. O primeiro, que dá título ao espetáculo, conta a história de uma paixão obsessiva de um homem pelo braço da sua namorada. Ele sente prazer em enfiar alfinetes no braço da mulher amada mas, ao mesmo tempo, sofre por este desejo sombrio. O segundo conto é uma história de carnaval: O Bebê de Tarlatana Rosa. Um sujeito narra para um grupo de amigos sua aventura com uma pessoa fantasiada de bebê, durante o carnaval. A história começa como uma crônica de carnaval e acaba como um história de terror no melhor estilo Stephen King.


JOÃO DO RIO é um escritor do começo do século passado. Ele morreu em 1920 e seus contos são de 1908. Seu texto impressiona pela ousadia. Mesmo se tivessem sido escritos hoje ainda assim seriam modernos. Depois que o escritor João Carlos Rodrigues publicou sua biografia, João do Rio começou a ser redescoberto.


MARCUS ALVISI, o idealizador do espetáculo, é um dos mais criativos homens de teatro no Brasil. Ele já dirigiu clássicos como O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com Marcelo Serrado, Fernanda Rodrigues e Alessandra Negrini. Dirigiu também HAMLET, de Shakeaspeare, com Diogo Vilela. Foi também o responsável pela direção da peça Colombo, estrelada por Rubens Correa, um artista que teve grande influência no seu trabalho no teatro.


DENTRO DA NOITE tem atraído a atenção de muitos fãs de João do Rio. Desde o presidente da Petrobrás Francisco Gros, até o escritor Ruy Castro. Como admirador e estudioso da obra de João do Rio, Ruy Castro, depois da peça, fez uma verdadeira palestra sobre a obra e a vida do escritor. Contou histórias, casos e aventuras desse grande gênio das letras e do pensamento brasileiro.

16.8.02




Jockeys before the race - Edgar Degas

13.8.02




Foi um momento de glória! O Maracanã completamente lotado de torcedores apaixonados. No primeiro jogo do Campeonato Brasileiro a estréia de Romário vestindo a camisa tricolor. Romário no Fluminense! Isso é um sonho! Uma miragem! Uma viagem de ácido! O mais intrépido dos craques brasileiros vestindo a camisa mais fashion dos times nacionais.


Durante a partida no Maracanã eu olhava para o gramado e não acreditava no que via. O futebol brasileiro num momento de glória. Romário no melhor da sua forma. Parecia um garoto. Determinando o ritmo da partida. Levando seu time e o time adversário para onde ele queria. Ali estava o futebol em forma de gente. Em volta dele uma incrédula multidão de pentacampeões se revirava de paixão, como uma mulher apaixonada que estivesse sendo acariciada pelo homem amado. Mas era apenas Romário, acariciando os torcedores com seus dribles precisos. Suas jogadas de mestre. Seus gols arrebatadores.


Cheguei no Maracanã em cima da hora. Ingressos esgotados. Tumulto na bilheteria. Mas eu nem me estressei. Alguém na multidão grita: começou o jogo! Fiquei bem tranqüilo. Respirei fundo. Um cambista me oferece um ingresso na geral. Compro o ingresso e saio correndo até a entrada, atravesso a roleta e caminho em direção ao túnel que dá acesso a geral. Um grupo de policiais revistam todos que entram. Sou parado por um PM lindo, moreno, uns braços fortes e uma cara de galã do subúrbio. Ele começou a me revistar, me apalpando em todos os lugares. Seu toque era másculo e viril. Suas mãos me pegavam com firmeza e decisão. Quando decidiu me apalpar no alto das pernas o policial enfiou a mão na minha bunda e eu cheguei a sentir o seu dedo no meu cu. Adorei o safado!. Por mim eu teria ficado a tarde inteira ali, sendo revistado por aquele PM fardado. Foi lindo. Marina W sempre diz que a felicidade está nas pequenas coisas. Pois para mim, naquele momento, a felicidade era estar sendo revistado por um PM tarado na entrada da geral do Maracanã! Depois dessa entrei pelo estádio adentro na maior adrenalina. Quando cheguei dentro do estádio senti a energia que emanava de todos os lugares. No gramado a partida rolava como uma ópera grandiloquente encenada no Teatro Municipal.


Assistir o jogo na geral é incrível. Tem-se uma outra perspectiva da partida. Na geral os jogadores ficam bem perto da torcida. Em certos momentos do jogo eu podia ver Romário bem perto, driblando os adversários com seu gingado cheio de energia. Nesses momentos eu gritava o nome dele junto com a torcida, feliz por vê-lo vestindo a camisa tricolor. E ele me parecia sereno, senhor da sua capacidade profissional. Era como se ele tivesse dizendo: “eu não tenho que provar nada a ninguém”. E não tinha mesmo. Durante a partida eu lembrava o tempo inteiro do Nelson Rodrigues. A alma tricolor do saudoso Nelson parecia estar assistindo o jogo ao meu lado.


Não é todo dia que um torcedor pode ver seu time ganhar de 5 X 1. E ganhar de 5 X 1 com dois gols do Romário é algo a se guardar para a eternidade.

10.8.02





Le Cap d´Antibes - Monet

8.8.02




Mestiço - Óleo sobre tela de 1934 - Cândido Portinari

É festa na floresta! O FMI emprestou 30 bilhões ao Brasil. Desse dinheiro, 20 % será liberado ainda no governo FHC e o restante só em 2003. Ou seja, o governo Fernando Henrique negociou o empréstimo do dinheiro ao país, mas cobrou a sua comissão de 20 %. Afinal, é assim que funciona na política. Para qualquer liberação de verba, em qualquer setor da vida pública nacional, cobra-se uma comissão de 20 %. Assim FHC cobrou a sua.


Esse é um tipo de comportamento que devia ser punido com fuzilamento ou então a guilhotina. Mas no Brasil, o próprio Presidente usa desse expediente. Afinal, o que FHC vai fazer com os 20 % do dinheiro? Investir em causas sociais é que não é. Ele não fez isso em sete anos e meio de governo, não vai fazer agora, que faltam apenas seis meses para esse pesadelo acabar.


Esses vinte por cento dos 30 bilhões vão ser usados apenas em política. FHC vai torrar o dinheiro nas próximas eleições. Tentando eleger governadores, senadores e o seu próximo sucessor. E certamente vai liberar muito dinheiro para projetos que nunca vão ser realizados. E as suas comissões sobre as liberações certamente irão parar em alguma conta corrente da Suiça. O chefe do tesouro americano percebeu isso, por isso deu aquela declaração sobre o dinheiro do FMI ir parar na Suíça. Aliás, sua declaração de que “no Brasil os juros são altos por causa da corrupção” revela um profundo conhecimento da política nacional.

6.8.02




Se amar fosse fácil...

Se amar fosse fácil,
não haveria tanta gente amando mal, nem tanta gente mal amada.

Se amar fosse fácil,
não haveria tanta fome, nem tantas guerras, nem gente sem sobrenome.

Se amar fosse fácil, não haveria crianças nas ruas sem ter ninguém,
nem haveria orfanatos, porque as famílias serenas adotariam mais filhos,
nem filhos mal concebidos, nem esposas mal amadas, nem mixês, nem prostitutas.
E nunca ninguém negaria o que jurou num altar,
nem haveria divórcio e nem desquite, jamais...

Se amar fosse tão fácil,
não haveria assaltantes e as mulheres gestantes não tirariam seu feto,
nem haveria assassinos, nem preços exorbitantes nem os que ganham demais,
nem os que ganham de menos.

Se amar fosse tão fácil nem soldados haveria, pois ninguém agrediria,
no máximo ajudariam no combate ao cão feroz.
Mas o amor é sentimento que depende de um "eu quero", seguido de um "eu espero";
e a vontade é rebelde, o homem, um egoísta que maximiza seu "eu" por isso, o amor é difícil.


Jesus Cristo não brincava quando nos mandou amar.
E, quando morreu amando deu a suprema lição.
Não se ama por ser fácil, ama-se porque é preciso!




O circo do Vale Tudo marca presença em Tóquio no próximo dia 28 de agosto. Lutadores de vários países do mundo se enfrentam em mais uma etapa do Ultimate Fighting Championship. O torneio destaca a presença do lutador Royce Gracie irmão dos também campeões Rickson e Royler Gracie. Royce já foi três vezes campeão do UFC. Em Los Angeles, onde mora, Royce Gracie treina obsessivamente para tentar o tetracampeonato. Na próxima semana ele embarca para Tóquio, onde vai treinar sob a supervisão do irmão Royler.




Royce Gracie tem 34 anos e nasceu no Rio de Janeiro. Seu treinamento em Jiu-Jitsu começou na infancia, como um jogo com seu pai Helio, hoje com 88 anos. Royce começou a competir aos oito anos.
Recebeu sua faixa azul com 16 anos e foi promovido à faixa preta em menos de dois anos. Royce mudou-se para os Estados Unidos aos 18 anos para viver com seu irmão Rorion. Eles começaram a ensinar Jiu-Jitsu na garagem de sua casa, às vezes por mais de dez horas num mesmo dia. Rorion e Royce abriram a primeira Academia Gracie há onze anos atras, em Torrance, Califórnia.
Hoje é uma das maiores escolas de artes marciais no país. A grande carreira de Royce como lutador, começou em 1993 após ter derrotado três oponentes no primeiro Ultimate Fighting Championship (UFC).

A lenda da família Gracie começou no Brasil com o pai de Royce, Helio Gracie. Apesar de sua carreira de lutador e professor na academia Gracie, Royce mantem uma rigorosa agenda de viagens com aulas e seminários. Sua lista de alunos e enorme. Royce ensinou Jiu-Jitsu a varios artistas americanos como, Chuck Norris, Ed O’Neal, Nicholas Cage e Guy Ritchie, o marido da Madonna. Ele tambem apresenta uma consideravel participação em treinamentos de agentes da CIA, FBI, DEA, Servico Secreto, Army Rangers, Forcas Especiais, Navy Seals e departamentos de policia.

Royce mora em Torrance , Califórnia. com sua esposa Marianne e dois filhos, Khonry e Khor. Ele mantem um impressionante regime de treinamento, que inclui corrida, treinamento com pesos, atividade cardiovascular, meditação e incontaveis horas de Jiu-Jitsu Gracie. Ele esta sempre pronto para seu proximo desafio e espera ansioso sua proxima luta.

2.8.02





Durante a minha viagem à Cuba em Janeiro eu conheci Janete, uma Mãe de Santo brasileira, filha de Olga do Alaketo, da Bahia. Ela é conhecida pelos seus filhos de santo como Ia. Ela estava em Cuba fazendo pesquisa sobre os cultos de descendência afro, muito praticados na terra de Fidel Castro. Ficamos hospedados no mesmo hotel e conversamos muito em diversas oportunidades. De volta ao Brasil nos falamos várias vezes por telefone e essa semana ela me ligou me convidando para um evento religioso em sua casa. A festa do caboclo.


O caboclo é uma entidade essencialmente brasileira. No salão da casa, na Ilha do Governador, uma figura do caboclo, em tamanho natural, se fazia presente com um aspecto de imponência e serenidade. O espaço todo decorado com plantas tropicais e muitas flores. Dezenas de cachos de uvas pendiam do teto, todo coberto com folhas. Um grupo de percussionistas tocava as músicas para o ritual. Músicas belíssimas que exaltavam o poder e a força do caboclo.


Os rituais religiosos da cultura afro-brasileira sempre me fascinaram. As músicas, as roupas, a relação com a comida. E foi com grande prazer que participei da festa do caboclo. Quando cheguei todos já estavam reunidos em volta do altar onde ficava a figura do caboclo, fazendo a louvação, cantando as músicas puxadas pelos percussionistas. Logo depois chegou Janete, a grande sacerdotisa do evento. Vestida com uma belíssima roupa de inspiração indígena e um bonito cocar de penas coloridas. Era uma outra mulher, diferente da Janete que conheci em Havana. Naquele momento ela era apenas a sacerdotisa que fazia a ligação entre o caboclo e seus discípulos. Cheia de energia e força, ela puxava as músicas e discursava para os presentes, fazendo referência a cada um, sempre no ritmo das canções. Depois distribuiu frutas para todos. Muitas frutas. Ao fim do ritual cada pessoa foi embora carregando bolsas de supermercado carregadas de frutas. Frutas que representavam alimento para o corpo e para o espírito. E luz para iluminar a estrada da vida.


Nas telas dos cinemas da cidade o trailer do próximo filme de James Bond Die Another Day. O tradicional tema musical da série, que já teve canções de Paul MacCartney e Duran Duran, desta vez será uma música da Madonna.