30.3.09




Não existe nenhum prazer sensual no mundo comparável ao deleite e satisfação que um homem bom tem ao fazer o bem.
O LAÇO E O ABRAÇO


Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.

Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.

Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.

Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.

E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!


(Poema de Mário Quintana)

16.3.09



Só os que tem segurança de si mesmos conseguem ser modestos.

UMA ESTRELA BRASILEIRASabrina Korgut é uma jovem Marilia Pêra. É comediante, vedete, estrela e atriz dramática. Sabrina está dando um show no espetáculo Avenida Q, que estreou semana passada no Rio. Com muito talento ela canta, dança, faz humor e dubla dois bonecos com muita graça. Já tive a oportunidade de vê-la em vários espetáculos e ela sempre empolga e encanta o público com seu talento, seu carisma. Em Ópera do Malandro a artista esteve excelente como Mimi Bibelô, uma prostituta nordestina que cantava Folhetim, a canção de Chico Buarque que é um símbolo dessa peça. Sabrina tem uma voz maviosa. Uma voz límpida, cristalina. É afinadíssima! Se ela deu show cantando Chico Buarque, também fez o mesmo cantando Burt Bacharach no espetáculo Cristal Bacharach.





Quando saí da apresentação de Avenida Q eu me perguntei: quando a televisão vai descobrir Sabrina Korgut? Ela ainda é a minha candidata favorita para estrelar Bella, a feia, a versão brasileira do sucesso Betty, a Feia, que está sendo produzida pela Rede Record.

Antes de estrelar Avenida Q Sabrina Korgut passou uma temporada em São Paulo participando do musical Miss Saigon. O currículo dela também inclui grandes produções como Cabaré Brasil, Company, Lado a lado com Sondheim, Sassaricando e Canções para um mundo novo. Como se vê, ela é a rainha dos musicais.

Além de ser uma artista de talento Sabrina é uma mulher belíssima. Ela tem um corpo fantástico. É alta, esguia, tem pernas longas e grossas, bumbum arrebitado e muita atitude. Sabrina é uma típica garota de Copacabana, uma diva da Rua República do Perú. Quando conheci La Korgut ela namorava Jorge Costa, um atleta bonitão, craque do Força e Saúde, o famoso time de futebol de praia de Copacabana. A própria Sabrina foi jogadora do time, quando o Força e Saúde tinha um selecionado feminino. Quem a viu jogando costuma dizer que ela poderia ter feito tanto sucesso no futebol quanto a Marta. Mas a paixão de Sabrina sempre foi o teatro. Para ela o palco é a sua verdadeira casa. E é assim, se sentindo em casa, que ela atua em Avenida Q.

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AQUI e veja Sabrina Korgut cantando Another Hundred People numa cena do musical Company.

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AQUI e veja Sabrina Korgut cantando The Look of Love, no musical Cristal Bacharach.

11.3.09




A amizade é uma forma de amor.

VIVER BEM É A MELHOR VINGANÇA Wilma Lessa foi destaque na edição comemorativa do Dia Internacional da Mulher do jornal Folha de Pernambuco, que fez bela reportagem sobre a radialista e publicitária, num texto assinado pela jornalista Duda Martins. A homenagem foi mais do que merecida. Afinal, Wilma Lessa foi uma líder feminista que enfrentou com muita tenacidade e valentia o machismo em Pernambuco, o estado brasileiro com o maior índice de violência contra a mulher. Não é por acaso que o escândalo da menina de 9 anos violentada pelo padrasto aconteceu em Pernambuco. Episódios como esse fazem parte da cultura machista do lugar.

Durante toda a sua vida (ela morreu em 2004 aos 51 anos) Wilma denunciou crimes como esse. O machão pernambucano tem a mentalidade de um cangaceiro. Acha que a mulher existe apenas para servir aos baixos instintos do homem. As agressões físicas, morais e sexuais são uma constante na vida da mulher pernambucana. E Wilma Lessa, desde muito jovem, enfrentou os machões do estado com garra e tenacidade. E pagou um preço muito caro por isso. Foi perseguida, ameaçada, mas nunca desistiu de seus princípios.

Desde de 2001 existe no Recife o
Centro Wilma Lessa um serviço que presta socorro às mulheres vítimas de violência. Com uma estrutura especializada para esse tipo de atendimento, o Centro Wilma Lessa funciona na emergência do Hospital Agamemnon Magalhães. Na entrada, há a recepção onde é feita uma triagem pela assistente social e, em seguida, vem um consultório médico com sala de exame, um posto de enfermagem, sala de atendimento psicológico, quarto de repouso para as pacientes e espaço para descanso dos profissionais plantonistas. Entre as ações prestadas estão o fornecimento de pílulas do dia seguinte para casos de estupro, orientação sobre os direitos, tratamento médico e psicológico. As pacientes ainda passam por um acompanhamento para realização de exames no Instituto Médico Legal e para prestar queixa na Delegacia da Mulher. Caso elas desejem denunciar os agressores, o sigilo total das informações é garantido. O serviço inclui ainda os protocolos contra DST’s e aborto, previsto em lei. Tipos de serviço que são rigorosamente analisados por uma junta médica.

Wilma Lessa sempre foi uma mulher muito livre. Era culta, inteligente e bem humorada. Tinha uma alegria de viver muito grande. Adorava ler. Lia de forma quase obsessiva. Vivia cercada de livros. Vaidosa, estava sempre bem vestida, maquiada e produzida. Adorava pulseiras. Isso era muito marcante, já que ela gesticulava muito ao falar, e suas pulseiras chamavam atenção. Tinha a pele imaculadamente branca. Mas não tinha nenhum problema com o sol.

Quando a conheci eu tinha acabado de completar 16 anos. Eu já tinha ouvido falar nela através de amigos meus que a tinham conhecido numa festa e a tinham detestado. “Que mulher insuportável”, dizia um. “É uma burguesa metida a intelectual”, dizia outro. Todos reclamavam da postura crítica que ela tinha com relação ao mundo, aos homens e a política. E tinham ficado chocados por ela ter dito que a mais perfeita relação sexual era a masturbação. Ela debochava muito da esquerda e dizia que todos os homens eram machistas e reacionários, independente do fato de serem de esquerda ou direita. Wilma era uma figura.

Dias depois eu a conheci num bar que todo mundo freqüentava. Notei uma mulher que falava sem parar no meio de um grupo até que alguém falou o nome dela. Então lembrei que era a mulher que meus amigos haviam odiado. Tomei um drinque, depois me aproximei dela. “Então você é a famosa Wilma Lessa?”. Ela me olhou e sorriu. “Famosa? Como assim?”. Então eu contei dos comentários dos meus amigos a respeito dela. "Adorei a sua afirmação sobre a masturbação. Concordo plenamente", disse eu, na pureza dos meus 16 anos. Wilma riu muito. “Eles não agüentaram a minha sinceridade, não é mesmo? Nunca pensei que uma simples afirmação numa festa pudesse render tanta polêmica”.

Nós ficamos conversando a noite inteira, bebendo uma cerveja atrás da outra. Ela me falando das suas idéias sobre o mundo e a sociedade. E eram idéias e conceitos que eu compartilhava. Eu concordava com tudo o que ela dizia. “Os homens de esquerda são tão escrotos com as mulheres quanto os homens de direita”. Hoje todo mundo já sabe que isso é verdade. Mas na época da minha adolescência isso era uma opinião muito forte, já que os homens de esquerda eram considerados intocáveis. O fato é que naquele dia, durante aquela conversa, surgiu uma grande amizade entre a gente. Uma amizade tão forte que, anos depois, quando teve um filho, Wilma fez questão que eu fosse o padrinho da criança.

Naquela mesma noite, depois que o bar fechou, fui deixá-la em casa. Então ela me convidou para tomar um último drinque no seu apartamento, no último andar do edifício mais alto de Recife. Quando cheguei lá, minha primeira impressão marcante. Na porta do apartamento havia o desenho de uma borboleta. E embaixo da borboleta estava escrita a frase “Viver bem é a melhor vingança”. Naquele período essa frase era sua filosofia de vida.

Freqüentei muito o apartamento de Wilma Lessa no Edifício Apolo. Nós tínhamos uma impressionante afinidade intelectual. Adorávamos livros. Ela era apaixonada por escritores latinos americanos. Amava Puig, Vargas Lhosa, Garcia Marques. Foi ela quem me falou pela primeira vez de Pedro Páramo, romance de Juan Rulfo que até hoje é um dos meus livros favoritos. “Você precisa ler esse livro”, me disse ela. E enquanto sorvia um gole de San Raphael, sua bebida favorita, ela lia trechos do livro para mim.

Meus amigos não entenderam nada. De uma hora para outra eu havia me transformado no melhor amigo daquela que todos consideravam uma louca alienada e fútil. Andava com ela pra todos os lugares. Íamos a lançamentos de livros, vernissages, seções de filmes de arte. E quase sempre acabávamos à noite tomando um último drinque no apartamento dela. Chegando lá ela sempre colocava um disco da Ornella Vanoni pra tocar, preparava doses de San Raphael e começa a retirar a maquiagem (isso era um ritual) enquanto conversávamos sobre tudo. A vida, a política, os sonhos e os livros. Quando acabava o disco da Ornella Vanoni ela colocava algo como a trilha sonora do filme Borsalino, ou um álbum do Astor Piazolla.

Eu admirava sua energia, sua beleza, seu bom humor, sua liberdade e sua alegria de viver. Ela era uma mulher formidável. Uma garota genial. Seu comportamento livre e rebelde às vezes lhe causava problemas. Mas ela nunca abriu mão da sua maneira de ser. Com o tempo Wilma Lessa começou a levar seu feminismo mais a sério. Ela se profissionalizou no feminismo e começou a lutar pelos direitos da mulher de modo mais engajado. Fundou uma organização chamada Viva Mulher e participou da criação da primeira Delegacia de Mulheres de Pernambuco. Tinha um programa de rádio onde dava conselhos e dicas para as vítimas da violência. E acabou se tornando uma pessoa famosa no Estado.



A coisa mais importante que um pai pode fazer pelos seus filhos é amar a mãe deles.
A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade

A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,

Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,

Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

(Miguezim de Princesa )