30.9.09


O corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos são os cavalos. [ Platão ]

CONHECIMENTO É SENSAÇÃO! – A verdade existe? O que é conhecimento? O que significa o saber? De onde veio o homem? Qual o futuro da humanidade? Deus realmente existe? Essas questões, tão profundas quanto irrelevantes, ecoam pelas escadarias e corredores do histórico prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Nas salas de aula, alunos e professores se debruçam sobre a vida e obra dos grandes filósofos para tentar decifrar o significado da vida além do entendimento humano. Hegel, Descartes, Spinoza, Nietzsche, Berkeley, Kant, Platão... Os grandes nomes da filosofia são dissecados por um naipe de professores inteligentes e bem preparados. Gente apaixonada pela filosofia e que oferece a seus alunos o fino do pensamento inteligente e sofisticado. É relevante que uma Universidade pública ofereça gratuitamente tal nível de ensino.


“O ambiente universitário é uma delícia!”, me disse outro dia minha querida e adorada Hildegard Angel, com sua jovialidade natural. Concordo com Hildezinha. O ambiente universitário é maravilhoso. É gratificante encontrar nos corredores, no pátio do andar térreo, nas escadarias, na cantina ou na biblioteca, alunos e professores discutindo ou estudando teorias e pensamentos dos grandes filófosos da humanidade. É um tal de Kant disse isso, Foucault falou aquilo, Sartre defendeu tal tese, Deleuze criticou tal teoria... Há uma vibração muito forte no ar, de corações e mentes tentando decifrar o significado do conhecimento.

Conhecimento é uma crença verdadeira justificada! Essa é a conclusão a que chega Platão num dos seus mais brilhantes textos: Teeteto. É esse famoso diálogo platonista que está sendo estudado na aula de Teoria do Conhecimento, com o Professor Alberto Oliva. Teeteto narra o encontro do velho filósofo Sócrates, com um jovem adolescente, o Teeteto do título. Sócrates que se auto intitula um parteiro de idéias, tem com seu pupilo uma longa conversa sobre conhecimento e sabedoria no que tange as relações humanas. Os diálogos são brilhantes. O velho Sócrates catequiza e questiona o jovem, que demonstra grande admiração por aquele homem considerado um sábio por toda a Grécia. Questões muito delicadas da existência humana são discutidas nesse apaixonante texto de Platão. Mas, o que mais me fascinou ao ler esse texto, é que por trás de toda a sofisticação de pensamento, por trás de todo o brilhantismo intelectual, o que existe entre Sócrates e Teeteto é uma pegação. Um sensual jogo de sedução. Sócrates é uma bichona culta que, para conquistar o bofe, usa seu preparo intelectual como trunfo. É fascinante a sutileza com que esse jogo de sedução é colocado na peça literária. É uma pena que esse aspecto do texto, o jogo de sedução entre os personagens, não seja discutido em aula. Apenas a alta filosofia de Sócrates é discutida. Mas eu penso que a baixa filosofia é tão interessante quanto...

Terpsião, um velho amigo de Sócrates, define Teeteto, muitos anos depois do encontro deste com Sócrates, como “um homem e tanto”. É Teodoro, um geômetra, quem apresenta Teeteto a Sócrates. E antes da apresentação ocorre o seguinte diálogo entre as duas bibas da Grécia antiga.

SócratesOra, és tu quem reúne à tua volta o maior número de rapazes, e com razão, não só pelo merecimento próprio, como pela atração pela geometria. Por isso, caso tenhas encontrado algum jovem digno de menção, com muito prazer ouvirei o que disseres.

TeodoroEfetivamente, Sócrates, vale tanto a pena eu falar como ouvires a respeito de um adolescente que descobri entre vossos concidadãos. Se se tratasse de um belo rapaz, teria medo de manifestar-me, para não pensarem que eu o fazia como apaixonado. Porém a verdade – sem querer ofender-te – é que el não é nada belo; parece-se contigo...

Noutro momento de grande beleza do diálogo platonista Sócrates se dirige ao bofe e fala da sua função de guru intelectual, de professor e sábio:

SócratesA minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto. Porém a grande superioridade da minha arte consiste na faculdade de conhecer de pronto se o que a alma dos jovens está na iminência de copnceber é alguma quimera e falsidade ou fruto legítimo e verdadeiro. (...) Todavia, Teeteto, os que não me parecem fecundos, quando eu chego à conclusão de que não necessitam de mim, com a maior boa-vontade assumo o papel de casamenteiro e, graças a Deus, sempre os tenho aproximado de quem lhes possa ser de mais utilidade. (...) Entrega-te, pois, a mim, como a filho de uma parteira que também é parteiro, e quando eu te formular alguma questão, procura responder a ela do melhor modo possível.


Na sua tentativa de seduzir o bofinho Sócrates mostra que, por mais que se tente caracterizar e definir o que é conhecimento, por mais que se tente formular um conceito sobre conhecimento, é impossível chegar a uma definição precisa. “Conhecimento é sensação”, tenta definir Teeteto, ao que Sócrates chama de “bela e corajosa definição”, antes de contestar habilmente os argumentos do pupilo que está prestes a seduzir.

Platão é o meu ídolo!
Menino do Rio, calor que provoca arrepio!


O Posto Nove, como sempre, um pedaço do paraíso.


A bola tem que estar sempre no alto. Essa é a filosofia do altinho.


Como disse, a bola tem que estar sempre no alto...



Liberdade é obediência às leis que a pessoa estabeleceu para si própria.


LEITURA OBRIGATÓRIA – Queria recomendar a todos os meus leitores o blog do jornalista Marcio Gomes, que assina simplesmente Marcio G. O blog é muito divertido, tem informação, cultura e oferece fartas doses de humor e veneno aos seus seguidores. E humor e veneno são essenciais, não é mesmo? Generoso, Marcio recomenda o blog do Waldir Leite, elogia as fotos e sugere legendas nas mesmas. Como muito em breve ele vai ser meu Editor, vou seguir sua recomendção e, a partir de agora, as fotos serão legendadas. Adoro o Marcio! O blog dele está nesse link:


http://marciog.blogspot.com/


Quem também elogia e recomenda esse blog é Beto W, o divertido colunista do Paraná. Seu blog chama-se Escritor de Contos e nele Beto publica crônicas, notas, comentários e, claro, contos. Além de fotos irreverentes e picantes. Vale a pena dar uma conferida. O endereço é:




Curiosamente, o link entre o blog do Marcio G e o Escritor de Contos foi a série de fotos sobre a Parada Militar. As fotos dos militares são um sucesso de público e de crítica. Seria tão bom que eles voltassem ao poder, não é mesmo? Em breve serão publicadas mais fotos inéditas. Enquanto isso veja no You tube os clipes da parada:



http://www.youtube.com/watch?v=migLhTCdZc8


28.9.09














CISNE BRANCO
(Hino da Marinha de Guerra do Brasil)

Qual cisne branco que em noite de lua
Vai deslizando no lago azul
O meu navio também flutua
Nos verdes mares de norte a sul
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso

Quanta alegria nos traz a volta
À nossa pátria do coração
Estava cumprida a nossa derrota
Temos cumprido nossa missão
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso

Qual linda garça
Que aí vai cruzando os ares
Vai navegando sob um belo céu de anil
Minha galera também vai cortando os mares
Os verdes mares, os mares verdes do Brasil

Quanta alegria nos traz a volta
À nossa pátria do coração
Estava cumprida a nossa derrota
Temos cumprido nossa missão
Linda galera que em noite apagada
Vai navegando no mar imenso
Nos traz saudades da terra amada
Da Pátria minha em que tanto penso.


24.9.09








NOITES CARIOCAS - O elegante bar do Hotel Sofitel, no Posto Seis, tem uma bela localização. A varanda se debruça sobre a Avenida Atlântica, com aquele incrível visual de Copacabana. Foi lá que minha querida amiga Andréia Jantsch comemorou seu aniversário. Ótimos drinques, gente bonita e disponível, boa música... Uma noite divertida e alto astral... Com minha inseparável câmera registrei algumas imagens da noitada...

23.9.09












FUI A RECIFE E ESCAPEI DOS TUBARÕES - Nem só de ataques de tubarões vive a Praia de Boa Viagem. Os atletas aspirantes dos mais importantes times de futebol de Pernambuco usam a praia para fazer sua preparação física. De uniforme verde, os jogadores do Sport Clube Recife fazem corrida e exercícios na areia. De uniforme vermelho os jovens atletas do Clube Náutico Capibaribe são orientados pelo preparador físico. Sport e Náutico é o Fla x Flu de Pernambuco. No estádio de futebol. E na areia da praia.

17.9.09

O prédio do IFCS Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UERJ.

A escadaria do IFCS. A sala 301, onde o Professor André dá aula, fica em frente a essa escada.


O pátio interno do IFCS.


A entrada do prédio do IFCS.


O Largo de São Francisco visto da perspectiva do prédio do IFCS.

O amor é a alegria acompanhada da ideia de uma causa exterior. (Spinoza)


BABADO FORTE – A aula de História da Filosofia Moderna 5 no IFCS, o prestigiado Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro acabou em porrada nessa quarta-feira. O professor André Martins estava explicando algumas teorias de Spinoza, seu filósofo fetiche, quando um sujeito entrou na sala tranquilamente, se dirigiu ao professor e, sem dizer palavra, lhe deu vários socos. Depois o derrubou no chão e continuou batendo. A sala de aula ficou um caos. Gritos, correrias. Alguns alunos tentaram apartar a briga. Mas o sujeito estava furioso e eles tiveram dificuldades em tirá-lo de cima do professor André. Do lado de fora da sala estava acontecendo a eleição do CAFIS – Centro Acadêmico da Filosofia e a pequena multidão que estava no corredor ficou assustada quando viu as pessoas saindo da sala aos gritos. “Eu levei um susto com a gritaria e o corre-corre”, disse Rodrigo “Punk”, um aluno gostosão que é candidato por uma das chapas. Um caos generalizado tomou conta do terceiro andar do historico prédio da Faculdade.


O professor André Martins tinha acabado de fazer alguns comentários sobre o tema do meu trabalho de grupo, que é A Servidão Humana, segundo Spinoza. Sim, queridos, eu estudo filosofia no IFCS. Sorry! “Vocês não podem esquecer que quando Spinoza se refere ao corpo ele não está se referindo necessariamente ao indvíduo. Pode ser que ele esteja se referindo ao corpo social.” O professor André disse isso quando Vitor, um dos integrantes do meu grupo, explicou que o nosso trabalho ia abordar a questão da servidão humana sob o aspecto do indivíduo ser escravo dele mesmo, e não do outro. O indivíduo subserviente aos seus desejos, anseios e ambições. O professor André parece ter gostado do tema do nosso trabalho. “Muito interressante esse tema. Mas não deixem de problematizar, nem de contextualizar”. Problematizar? Odeio essa palavra! Mas, estudar filosofia, significa problematizar tudo! Eu escutava tudo aquilo enquanto folheava um exemplar do livro A Ética, de Spinoza, que para o André é algo muito maior que a Bíblia. De repente percebi que a porta da sala se abriu. Um sujeito entrou, se dirigiu ao professor e a porrada comeu. No meio do caos que se formou, a primeira coisa que pensei foi o seguinte: “Será que isso tem a ver com Spinoza ou com Nietzsche”?


Quando finalmente os alunos conseguiram livrar o professor das garras furiosas do seu algoz, o agressor, o ex-deputado Pedro Pedrossian, disse que ia embora. Ante a perplexidade de todos ele foi saindo da sala. Sua cara de mau, seu ar de psicopata, deixou os alunos assustados. Nesse momento os seguranças já haviam sido chamados, mas o pitboy conseguiu escapar do prédio e saiu caminhando normalmente pelo Largo de São Francisco. Foi quando alguns alunos começaram a gritar da janela para alguém pegar ele. O agressor começou a correr. Outros alunos correram atrás e conseguiram atrair a atenção da polícia que prendeu o sujeito e o levou dentro de um carro da polícia para a porta do IFCS. Logo o carro da polícia ficou cercado de alunos que, perplexos, pergutavam ao agressor algemado por que ele tinha feito aquilo. “Ele pegou nos peitos da minha mulher”, rosnava o sujeito, dando um tom de tragicomédia ao acontecido.

As aulas do professor André acontecem todas as quartas-feiras. São duas aulas seguidas, sendo que a primeira começa às 8:40 da manhã. Ele tem prestígio entre os alunos. Suas aulas são muito disputadas. Em geral a sala fica lotada e faltam cadeiras para todos. Muitos alunos assistem as suas aulas sentados no chão. André Martins transmite muito entusiasmo pelo seu trabalho. Ele é um homem charmoso e sedutor. Não é o meu tipo, mas eu diria que é um cara boa pinta. Usa um rabo de cavalo, se veste com certa elegância. E é apaixonadíssimo pelo que faz. A vida acadêmica, as aulas, a filosofia. Ele demonstra ter muito tesão por sua atividade profissional. Está sempre participando de congressos e simpósios. E esse tesão que tem pelo seu trabalho, muitas vezes envolve, de diversas formas, os seus alunos. Todo mundo quer assistir as aulas dele. No fim da aula não o deixam sair da classe. Os alunos sempre tem uma pergunta a fazer sobre as teorias filosóficas que ele defende. André é muito charmoso e envolvente e muitas alunas se derretem toda quando se dirigem a ele.

Para André Martins é Deus no céu e Spinoza na terra. Ele é obcecado pelas idéias do filósofo holandês, filho de judeus portugueses Baruch Spinoza. André segura o livro A Ética, a chamada obra-prima do filósofo, com reverência e paixão. Nas suas aulas só existe espaço para Spinoza e Nietzsche. Os demais filósofos ele trata com impaciência e desdém. “A filosofia de Platão é um filme de terror”, disse certa vez, se referindo ao meu filósofo favorito. Hegel? Kant? Deleuze? São amadores. Mas nenhum outro André odeia tanto quanto Descartes, talvez por que o pensamento deste se confunda, sob certo aspecto, com o pensamento daquele. Para André Martins Descartes não significa nada diante do brilhantismo do racionalista Baruch Spinoza.

No dia em que foi atacado por um marido ciumento André deu uma aula impecável, como sempre. Ele parece estar sempre tentando fazer com que seus alunos descubram que ninguém representa melhor a filosofia moderna que Spinoza. Na aula ele ressaltou que a questão filosófica é atemporal. E citou como exemplo o conceito de perdão que, sob a perspectiva histórica, tem um único significado. Nesse trecho da aula ele fez questão de dizer que, recentemente, tinha participado de um debate na mídia sobre a questão do perdão. “Alguém me viu na TV?”, perguntou. Só uma aluna tinha visto. Foi então que André revelou, com uma enorme ponta de vaidade, que tinha participado do programa da Ana Maria Braga, discutindo sobre esse tema. “Foi eu e o Louro José”, disse ele, num tom meio debochado, que arrancou risos da enorme platéia. Depois, sem conseguir evitar um certo deslumbramento, contou que tinha participado do debate ao lado do ator Alexandre Borges. “E o que foi que você disse sobre o perdão?”, perguntei a ele. “Está na internet”, respondeu, num tom meio de estrela, que me deixou levemente irritado. Whaal! Depois da pancadaria desta quarta-feira, vou voltar a fazer essa mesma pergunta na próxima aula. “O que você tem a falar sobre o perdão, do ponto de vista do Spinoza, caro André? Você seria capaz de perdoar o seu agressor?”

Leia no link abaixo o noticiário policial:

13.9.09












Nos jornais sempre leia primeiro a página de esportes, que registra os triunfos das pessoas. A primeira página não diz nada além dos fracassos do homem.



Zagueiro (Jorge Ben Jor)


Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro

Ele é um zagueiro
É o anjo da guarda da defesa
Mas para ser um bom zagueiro
Não pode ser muito sentimental
Tem que ser sutil e elegante
Ter sangue frio
Acreditar em si
E ser leal

Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga
a bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato

Tem que ser ciumento
E ganhar todas as divididas
E não deixar sobras pra ninguém
Tem que ser o rei e o dono da área
Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos
De 90 minutos

Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro